Deuteronômio 7:18 “Delas não tenhas temor; não deixes de te lembrar do que o Senhor teu Deus fez a Faraó e a todos os resta mais sacrifício pelos pecados,”
“Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade,”
De vez em quando o autor de Hebreus fala com uma severidade que quase não tem paralelo no Novo Testamento. Há poucos escritores que possuam tal sentido de horror e terror frente ao pecado (Deuteronômio 17:2-7). Este verso é uma reminiscência daquilo que foi escrito no capítulo 6.4-8, quando o escritor sagrado adverte os cristãos sobre o perigo de caírem num estado de apostasia e por meio desta, entristecerem o Espírito Santo.
Sobre os que pecam voluntariamente. O Dr. F. W. Grant observa que este ato de pecar “voluntariamente” representa mais que um fruto da ignorância, sendo uma aberta oposição a Deus e a tudo que é divino. Não se trata de uma fraqueza da alma, mas de uma atitude obstinada do espírito.
Neste caso não há falta de compreensão da verdade como em Mateus 13:19: ”Ouvindo alguém a palavra do reino, e não a entendendo, vem o maligno, e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado junto ao caminho”. Eles receberam o entendimento da verdade e desprezaram pecando intencionalmente. Em 2 Pedro 2:20, 21 a mesma palavra foi duas vezes usadas para conhecimento: “Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro. Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado”.
“... já não resta mais sacrifício pelos pecados,”
O pecado voluntario é a razão por que “não resta mais sacrifício pelos pecados” para tais transgressores, visto que voluntariamente se entregaram à prática da iniqüidade. Sem um sacrifício expiador no qual se possa confiar tudo quanto permanece é juízo e fogo vingador: “Visto que amou a maldição, ela lhe sobrevenha, e assim como não desejou a bênção, ela se afaste dele. Assim como se vestiu de maldição, como sua roupa, assim penetre ela nas suas entranhas, como água, e em seus ossos como azeite” (Salmos 109:17,18).
Uma rejeição deliberada da cruz por alguém que conhece o caminho deixa Deus sem alternativa. Quando a misericórdia é rejeitada, o juízo deve cair. Não haverá nova chance: “Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, E provaram a boa palavra de Deus, e os poderes do século futuro, E recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério.” (Hebreus 6:4-6).
Um antigo teólogo escreveu um catecismo. No final termina perguntando o que acontece se o homem menospreza a verdade e a apelação do oferecimento de Jesus Cristo. Sua resposta é que o resultado necessário é a condenação, "e tanto mais porque leu este livro". Quanto maior é o conhecimento, tanto maior é o pecado.
DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
21/10/2026
FONTES:
GOMES, Osiel. O Deus da Aliança - Advertências, Promessas e Bênçãos no Livro de Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.
SILVA, Severino Pedro da. Epístola aos hebreus: as coisas novas e grandes que Deus preparou para você. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
Barclay, William. The Letter to The Hebrews (Título Original em Inglês). Tradução: Carlos Biagini.
HARRISON, Everret F; PFEIFFER, Charles F. Comentário Bíblico Moody. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1990.
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