Mateus 22:37 “E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.”
“E Jesus disse-lhe:”
Um dos fariseus, doutor da lei, interrogou Jesus para o experimentar, após Ele ter emudecido os saduceus no mesmo lugar, respondendo-lhes acerca da ressurreição: “Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus. Porque na ressurreição nem casam nem são dados em casamento; mas serão como os anjos de Deus no céu” (Mateus 22:29b,30).
Este doutor da lei lhe perguntou: “Mestre, qual é o grande mandamento na lei?”(v.36). E Jesus lhe responde citando Deuteronômio 6.5 que diz:
“Amarás, pois, o Senhor teu Deus”
Deuteronômio 6.5 está incluído no Shemá Israel. O Shemá é composto de três trechos da Torá (Deuteronômio 6:4-9; 11:13-21; e Números 15:37-41). È uma prece recitada duas vezes ao dia: ao deitar-se e ao levantar-se, conforme preceito da Torá. Este verso também é conhecido como o grande mandamento (Marcos 12.29,30). O Senhor Jesus citou este trecho do em Seu sumário da natureza e da nossa obrigação diante a lei.
A obediência de Israel não deveria surgir de um legalismo estéril baseado na necessidade e no dever. Deveria surgir de um relacionamento baseado em amor. O termo bíblico “amar”, tem uma conotação muito profunda. Oséias usa esse verbo para expressar a afeição de Javé por Israel, fazendo uso de poderosas metáforas, extraídas da vida doméstica, do relacionamento entre marido e esposa: “E o Senhor me disse: Vai outra vez, ama uma mulher,…” (Oséias 3:1a) e do relacionamento entre pai é filho: “Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei a meu filho” (Oséias 11:1).
O homem não pode amar a Deus conforme ama a outro ser humano. O amor a Deus envolve santo temor e reverência (vs. 13), e exprime-se por meio daquela lealdade devotada e singela de onde se deriva um serviço obediente e de todo o coração. O amor a Deus, desacompanhado da obediência, não é amor (1 João 4.7-21).
“... de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.”
A extensão do amor do homem a Deus deveria ser total. Israel deveria amar a Deus com todo o seu ser. A expressão de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força é uma das favoritas em Deuteronômio (4: 29; 10: 12; 11: 13; 13: 3; 26: 16; 30: 2, 6, 10), e nos oferece uma percepção parcial da antiga psicologia hebraica.
O coração era considerado a sede da mente e da vontade bem como de uma vasta gama de emoções: “Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos se agradem dos meus caminhos” (Provérbios 23.26). O termo alma é de difícil definição, mas parece ser referir à fonte de vida e vitalidade, ou mesmo do próprio “ser”. Nesse sentido Cristo derramou sua alma na morte por nós (Isaias 53.12). Os dois termos, coração e alma entre si indicam que o homem deve amar a Deus sem qualquer reserva em sua devoção. Para dar ainda mais força à ordem, uma terceira expressão é acrescentada, de toda a tua força, que diz respeito ao lado físico e mental do ser humano.
O texto hebraico inclui as três palavras “coração”, “alma” e “força”. A citação de Mateus insere o termo “entendimento”, mas omite “força”. Quando a passagem é citada em Marcos e Lucas, eles relatam quatro termos: “coração”, “alma”, “entendimento” e “força” (Marcos 12:30; Lucas 10:27). Variações nos Evangelhos Sinópticos podem ser resultantes do uso da versão Septuaginta. Algumas cópias antigas dessa tradução grega traduzem o vocábulo hebraico equivalente a “coração” para “entendimento” ou “mente”.
Uma possível razão pela qual Jesus usou a palavra mente, quando Deuteronômio não o fez, foi porque Moisés e seu público judaico estavam limitados à língua hebraica. Em hebraico não há palavra específica para mente. Em hebraico, o termo para coração, "Lebahb", inclui a mente. No pensamento judaico, o coração e a mente não são separados ou distintos. Os gregos (e, portanto, os romanos) fazem essa distinção. Como mencionado acima, os gregos viam o coração — "kardia" — como a fonte de emoções, desejos e escolhas. A mente, de acordo com os gregos, era o lugar do intelecto e da consciência mental.
Amar a Deus com todo o teu pensamento/entendimento. Significar submeter o “intelecto” ou os “pensamentos” à sua vontade. Amar sua lei e seu evangelho mais do que fazemos as decisões de nossas próprias mentes. Estar disposto a submeter todas as nossas faculdades ao seu ensino e orientação, e dedicar a ele todas as nossas realizações intelectuais e todos os resultados de nossos esforços mentais intelectuais.
DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
13/10/2026
FONTES:
GOMES, Osiel. O Deus da Aliança - Advertências, Promessas e Bênçãos no Livro de Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.
Thompson J. A. Deuteronômio: introdução e comentário; tradução Carlos Osvaldo Pinto. Edição: 1. ed. Publicação: São Paulo : Vida Nova, 1982.
CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.
https://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/1216847/jewish/Shem-Israel.htm
https://textoaureoebd.blogspot.com/2026/09/deuteronomio-65.html
http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201210_02.pdf
