quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Deuteronômio 7.6

Deuteronômio 7.6 “Porque povo santo és ao SENHOR, teu Deus; o SENHOR, teu Deus, te escolheu, para que fosses o seu povo próprio, de todos os povos que sobre a terra há.” 

 

“Porque povo santo és ao SENHOR, teu Deus;”

O motivo de Israel ser um povo santo foi à eleição divina. Da mesma forma que aceitar a fé nos torna justos. Israel conforme a eleição se tornou santos. Deus escolheu Israel dentre todos os povos que há sobre a terra. Isto faz lembrar de Êxodo 19:5, 6: “Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos, porque toda a terra é minha. E vós me sereis um reino sacerdotal e o povo santo. Estas são as palavras que falarás aos filhos de Israel”, essa é a clássica formulação do singular status teocrático para o qual Israel foi escolhido.

Essa vocação superior veio acompanhada da tentação à jactância (Moisés confessa este problema nos caps. 8-10 e demonstra preocupação). Portanto, Israel foi lembrada de se gloriar apenas no nome de Deus e jamais crer que foi por sua força e justiça que alcançou benefícios divinos: “Não é por causa da tua justiça, nem pela retidão do teu coração que entras a possuir a sua terra, mas pela impiedade destas nações o Senhor teu Deus as lança fora, de diante de ti, e para confirmar a palavra que o Senhor jurou a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó” (Deuteronômio 9:5).

 

“... o SENHOR, teu Deus, te escolheu, para que fosses o seu povo próprio, de todos os povos que sobre a terra há.”

Por que Israel fora escolhido por Javé? A nação era apenas um pequeno grupo de pessoas sem grande cultura ou prestígio. Israel não possuía qualidade pessoais que motivassem tal escolha. A eleição foi puramente um ato divino. A causa básica de tal escolha se encontra no mistério do amor divino. No entanto, o fato é que Deus amou e escolheu a Israel, honrando assim a promessa que fizera aos patriarcas. Ele veio a um grupo pobre e oprimido, escravizado a Faraó, e o libertou mediante grandes atos salvadores.

A graça da eleição manifestou-se na escolha do povo de israel, segundo aprendemos no capítulo 9 de Romanos. A vontade soberana de Deus achava-se presente, visando a propósitos especiais. Israel haveria de tornar-se um instrumento da vontade divina, tendo em mira o bem de todos os povos. Isso se daria especialmente no caso de Jesus, Filho de Davi, filho de Abraão. Todas as nações e povos participariam, desse modo, desse propósito espiritual. E assim, em um sentido muito importante, todas as nações foram escolhidas em Israel, pois “Deus amou o mundo de tal maneira” (João 3.16). Em conseqüência, a escolha de Deus foi, ao mesmo tempo, sábia e benévola, e isso em um sentido universal. Deus escolheu as coisas fracas (1 Coríntios 1.26-31).

Vale observar que o crente em Cristo também é escolhido por Deus (João 15: 16) num ato de pura graça divina. Deus, em Cristo, veio aos homens que eram escravos do pecado, libertando-os do poder das trevas e transportando-os para o reino de Seu Filho amado: “O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor;  Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados”  (Colossenses 1:13,14). Por isso a igreja também é chamada de nação santo: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz ” (1 Pedro 2.9).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
15/10/26

FONTES:

GOMES, Osiel. O Deus da Aliança - Advertências, Promessas e Bênçãos no Livro de Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

Thompson J. A. Deuteronômio: introdução e comentário; tradução Carlos Osvaldo Pinto. Edição: 1. ed. Publicação: São Paulo : Vida Nova, 1982.

HARRISON, Everret F; PFEIFFER, Charles F. Comentário Bíblico Moody. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1990.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

Deuteronômio 10:12

Deuteronômio 10:12 “Agora, pois, ó Israel, que é que o Senhor teu Deus pede de ti, senão que temas o Senhor teu Deus, que andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma,”

 

“Agora, pois, ó Israel, que é que o Senhor teu Deus pede de ti,”

Essa frase é uma pergunta retórica que terá resposta no mesmo versículo e no próximo. A pergunta retórica é: “Agora, pois, ó Israel, que é que Javé teu Deus requer de ti?”. Essa pergunta deve ser comparada a Miquéias 6:8: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus?” (Miquéias 6:8).

A totalidade da exortação deuteronômia será aqui poderosamente sumariada. Os vss. 12 e 13 repetiram as exigências totais que Deus impôs ao Seu povo. Os requisitos de Deus podem ser resumidos sob cinco exigências: temê-lo, reverenciá-lo, andar em todos os Seus caminhos, amá-lo, servi-lo com a totalidade do ser, e guardar Seus mandamentos e estatutos (v.13).

 

“... senão que temas o Senhor teu Deus, que andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma,”

A palavra Temer (Reverenciar) ocorre muitas vezes em Deuteronômio (6: 13s.; 10: 12, 20; 11: 22; 13: 4, etc.). Esse contexto vai além da reverência de respeito que alguns intérpretes reduzem a questão. Pois o Deus de Israel estava pronto para destruir os desobedientes, conforme fez em várias outras ocasiões. Por conseguinte, um temor genuíno é indispensável para que alguém se relacione com êxito com o Senhor: "O temor do Senhor é fonte de vida para evitar os laços da morte" (Provérbios 14:27).

O temor de Deus é o ponto de partida, é principio da sabedoria (Provérbios 1.7). Esse temor deve ser uma característica de todos os santos: “Então aqueles que temeram ao Senhor falaram frequentemente um ao outro; e o Senhor atentou e ouviu; e um memorial foi escrito diante dele, para os que temeram o Senhor, e para os que se lembraram do seu nome” (Malaquias 3:16), bem como uma fonte de alegria para eles (Salmo 2.11)

O Amor é a afeição e devoção total do coração, alma e forças (6:4-5). É o motor que impede que a obediência vire apenas um legalismo frio. O amor é à base de todos os atos realmente espirituais e de toda conduta cristã. É a essência da lei, conforme Paulo nos diz em Romanos 13.8-10 : ”porque quem ama aos outros cumpriu a lei. Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor.” A quem Jesus fez o maior dos mandamentos (Mateus 22:37).

 

Andar em seus caminhos refere-se à conduta diária e ao estilo de vida. O ato de andar expressa a natureza geral da vida espiritual, muito comum nas páginas do NT. (Gálatas  5:16,25; 6:16; Romanos 4:12).Quem teme e ama escolhe trilhar a estrada que Deus apontou. Essa expressão é uma metáfora. A maneira de andar, ou a conduta deve identificar o cristão: “Eis que tenho observado que este que sempre passa por nós é um santo homem de Deus” (2 Reis 4:9).

Servir diz respeito a dedicação ativa e o culto exclusivo a Deus, rejeitando totalmente a idolatria. Este é o cumprimento prático da lei do amor. E, no contexto da lei, indicava o cumprimento de todos os deveres cerimoniais do tabernáculo, como os sacrifícios, os ritos etc. Mas essa palavra também indica atos de amor e misericórdia e a prática das boas obras.

O modo de servir deve ser de todo o coração, ilimitado e intenso, a saber, de todo coração e alma, tal como nos é ordenado amar a Deus desse modo (Deuteronomio 6.5). A espiritualidade deve envolver todos os aspectos da vida, e não meramente algo adicionado a ela. Essa é uma lição que só pode ser aprendida pelos homens mais espirituais. Todas as outras coisas dependem da espiritualidade.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
15/10/2026

FONTES:

GOMES, Osiel. O Deus da Aliança - Advertências, Promessas e Bênçãos no Livro de Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

Thompson J. A. Deuteronômio: introdução e comentário; tradução Carlos Osvaldo Pinto. Edição: 1. ed. Publicação: São Paulo : Vida Nova, 1982.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

CHAMPLIN, R. N. e BENTES, J. M. Enciclopédia de Bíblia, teologia e filosofia. São Paulo: Candeia, 1995.

Deuteronômio 6:6

Deuteronômio 6:6 “E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração;”

 

“E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração;”

Ou seja, toda a legislação mosaica (vs. 1), e isso sumariado e posto em prática através da Lei do Amor (vs. 5). A lei cai por terra quando não é acolhida no coração do ser humano. Pois do coração manam as intenções, as resoluções nobres e a força para cumprir a lei. A necessidade de ter a lei de Deus no teu coração ao invés de em simples tábuas de pedra é apresentada também em Deuteronômio 11:18: “Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma”.

O versículo anterior nos fornece três vocábulos, “coração”, “alma” e “força”. E agora o autor sagrado sumaria tudo com a palavra “coração”. A obediência espiritual é uma questão do coração, e não apenas da mente. O Targum de Jonathan diz aqui de modo pitoresco: “Nas tábuas do coração”, da mesma forma que a lei mosaica fora inscrita em tábuas de pedra (4.13).

A Palavra nos diz: "Dá-me, filho meu, o teu coração" (Provérbios 23.26) Quando o coração é dado, tudo se segue em encantadora ordem moral. Um coração amorável encontra o seu mais profundo gozo em obedecer a todos os mandamentos de Deus; e nada é de valor algum para Deus senão o que emana de um coração amoroso. O coração é a origem de todas “as saídas da vida” (Provérbios 4:23); e, por isso, quando é governado pelo amor de Deus há uma resposta amorosa a todos os Seus mandamentos. Nós amamos os Seus mandamentos, porque o amamos a Ele: “aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama” (João 14: 21; 1 João 5: 2).

Os pais destes hebreus falharam em guardar os mandamentos no coração: “Quem dera que eles tivessem tal coração que me temessem, e guardassem todos os meus mandamentos todos os dias, para que bem lhes fosse a eles e a seus filhos para sempre” (Deuteronômio 5:29). Posteriormente, seus descendentes também falharão, pois tornar-se-ão obstinados, teimosos e rebeldes. Seus corações ficarão completamente insensíveis à vontade de Deus, e se tornaram pedras; seus ouvidos estavam surdos aos clamores do Senhor: “Mas a casa de Israel não te quererá dar ouvidos, porque não me querem dar ouvidos a mim; pois toda a casa de Israel é de fronte obstinada e dura de coração” (Deuteronômio 9:6).

Então Deus usará seus profetas para anunciar que criaria neles um novo coração: “E vos darei um coração novo e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei o coração de pedra da vossa carne e vos darei um coração de carne” (Ezequiel 36.26). A implantação do Espírito de Deus dentro deles transformará seus motivos e lhes capacitará a viver de acordo com os estatutos e os juízos de Deus: “Mas esta é a aliança que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. E não ensinará mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o Senhor; porque lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais me lembrarei dos seus pecados” (Jeremias 31.32-33).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
15/10/2026

FONTES:

GOMES, Osiel. O Deus da Aliança - Advertências, Promessas e Bênçãos no Livro de Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

Thompson J. A. Deuteronômio: introdução e comentário; tradução Carlos Osvaldo Pinto. Edição: 1. ed. Publicação: São Paulo : Vida Nova, 1982.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

MACKINTOSH, C. H. Estudos sobre o livro de Deuteronômio. 2. ed. São Paulo: Associação Religiosa Impressa da Fé, 1979.

Provérbios 1:7

Provérbios 1:7 “O temor do Senhor é o princípio do conhecimento; os loucos desprezam a sabedoria e a instrução.”

 

“O temor do Senhor é o princípio do conhecimento;”

“O temor do Senhor” é uma expressão comum nos livros sapienciais e em outras passagens, esta frase foi usada quatorze vezes nos Provérbios. Ilustrações sobre o uso aparecem no Salmo 115:11 - "Confiam no Senhor os que temem o Senhor", e em Isaías. 11:2, 3, onde o temor do Senhor é citado como característica do Messias. Tal temor inclui o respeito para com o Todo-poderoso Salmo 2:11: "servi ao Senhor com temor, e alegrai-vos nele com tremor"). Jó 28:28 é praticamente uma definição: "Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e o apartar-se do mal é o entendimento".

A palavra princípio, em hebraico reshith, tanto é norma como começo. Tudo tem um princípio, uma forma de começo, e, se alguém desejar sucesso, tem de ter um início determinante. O príncipio não é uma etapa que se deixa para trás. É um relacionamento correto: é uma submissão em adoração (temor) ao Deus da aliança, que Se revelou pelo Seu nome (o Senhor, isto é, Javé: Êxodo 3:13-15).

É somente através da submissão a Sua autoridade e majestade (ou seja, no temor ao Senhor) que podemos começar e continuar a nossa educação; e, através da busca diligente pela sabedoria “como por tesouros ocultos” é que acharemos o nosso prêmio numa intimidade crescente com o mesmo Senhor. Ele é o início; Ele é também o fim, pois o alvo é: “Então entenderás o temor do SENHOR, e acharás o conhecimento de Deus” (Provérbios 2:5).

Salomão demonstra que nenhuma moral-social se firma se não tiver valores morais e espirituais como princípio. Ninguém pode ser considerado sábio de fato se os seus conselhos não revelam princípios do saber divino. Um sábio não é alguém dotado apenas de muita informação ou inteligência, mas alguém que aprendeu que o temor do Senhor é a base de toda moral-social.

 

“... os loucos desprezam a sabedoria e a instrução.”

Em contrapartida os loucos desprezam a sabedoria e a instrução."Loucos " ou “insensatos” aparecem diversas vezes em Provérbios. Também o uso difere. Em Isaías 35:8, "louco" significa obviamente "simplório". Mas no uso especializado de Provérbios, "louco" significa um pecador. Provérbios 14:9 é ilustrativo – "Os loucos zombam do pecado". A cláusula significa que os pecadores ridicularizam a santidade. A LXX grega traduz bem loucos para “ímpios”.

O insensato, com este nome ou com o outro, se revela tão logo que abre a boca (17:28; 24:7; 10:14), e é tão briguento como o outro, pois não se deixa refrear (20:3; 12:16) e não tem senso de proporção (27:3; 29:9). O aspecto que se destaca mais é a sua insolência moral: desde a primeira vez que aparece, não tolera qualquer conselho (1:7; 10:8; 12:15; 15:5).

A raiz do seu problema é espiritual, e não mental. Ele gosta da sua estultícia, voltando a ela “Como o cão que torna ao seu vômito” (26:11); não reverencia a verdade, e prefere ilusões confortáveis (14:8). No fundo, o que ele rejeita é o temor ao Senhor (1:29): é isto que faz dele um insensato, e isto toma trágica a sua complacência, porque “aos loucos a sua impressão de bem-estar os leva à perdição” (1:32).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
15/10/2026

FONTES:

GOMES, Osiel. O Deus da Aliança - Advertências, Promessas e Bênçãos no Livro de Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

HARRISON, Everret F; PFEIFFER, Charles F. Comentário Bíblico Moody. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1990.

MESQUITA, Antônio Neves. Estudo no Livro de Provérbios — princípios para uma vida feliz. Rio de Janeiro: JUERP, 1979.

KIDNER, Derek. Provérbios Introdução e Comentário – Série Cultura Bíblica. Mundo Cristão

GONÇALVES, José. Sábios Conselhos para um viver vitorioso - Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Rio de Janeiro: CPAD, 2013

Texto Áureo Lição 3: A fidelidade de Deus diante da infidelidade de Israel. Deuteronômio 4:39

GUARDAR E TRANSMITIR A PALAVRA EVITA A INFIDELIDADE ESPIRITUAL (Mateus 4.4) 15/10/26


LEITURA BÍBLICA DIÁRIA
15 DE OUTUBRO DE 2026
GUARDAR E TRANSMITIR A PALAVRA EVITA A INFIDELIDADE ESPIRITUAL

Mateus 4.4 “Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus. ”

 

“Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: ”

Satanás planejava anular o ministério de Jesus. Então para tenta-lo, insinua-lhe uma aplicação errônea de seu poder. Satanás argumenta: Quão estulto é, a passar fome, quando, como filho de Deus, tem poderes para ajudar a si mesmo. Precisa poupar-se de todo sofrimento e inconveniência que puder. Além disso, pense nas pessoas que veio ajudar; lembre-se da tremenda pobreza delas. Não há melhor maneira de lhes ganhar a confiança que alimentá-las de modo milagroso: “Vendo, pois, aqueles homens o milagre que Jesus tinha feito, diziam: Este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo” (João 6.14).

Cristo jamais operou sequer um milagre para si mesmo; sua virtude fluía sempre na direção dos outros: “Ou pensas tu que eu não poderia rogar a meu Pai, e que ele não me mandaria agora mesmo mais de doze legiões de anjos?” (Mateus 26.53).

Imagine alguém que tenha milhões de dólares no banco e nunca empregue um único centavo desse dinheiro em seu benefício, e terá uma idéia da generosidade do Mestre. Os líderes do povo judeu zombavam: “Salvou a outros e a si mesmo não pode salvar” (Mateus 27.42). Tinham razão. Cristo veio para salvar a outros, não a si mesmo.

Em vez de usar Seu poder divino para resistir a essas tentações, Jesus enfrentou-as de uma forma que todo ser humano pode enfrentar. Ele respondeu essa tentação, como fez com as demais, citando palavras das Escrituras. Sem consultar seus sentimentos ou procurar discutir com Satanás, Jesus cita a Palavra de Deus.

 

“Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus. ”

A citação é de Deuteronômio 8:3 na versão da Septuaginta. A passagem refere-se a Deus ensinando seu “filho” Israel (Êxodo 4:22) a depender de Sua provisão (Salmos 78:17–20).

Depois que o povo de Deus saiu do Egito, Ele provou a fé deles permitindo que passassem fome no deserto. Eles reclamaram a Moisés e Arão. Alguns deles até desejaram voltar para o Egito, onde havia alimento diariamente e com regularidade. A despeito da falta de fé, Deus cuidou deles generosamente mandando maná, ou seja, “pão do céu”. Deus estava ensinando Seu povo a confiar nEle.

Jesus, diferentemente do antigo Israel, demonstrou a devida confiança de um Filho de Deus. Ele não reclamou a Deus nem resolveu o problema com as próprias mãos. Ele não explorou o poder do Espírito Santo concedido a Ele no batismo para servir Seus próprios propósitos. Em
vez disso, Ele confiou humildemente que Deus cumpriria Suas promessas e proveria tudo para
atender Suas necessidades.

Leon Morris afirmou acertadamente que a expressão “nem só de pão viverá” “não nega a importância do pão (na Palestina ele era quase sinônimo de ‘comida’), mas nega que ele seja exclusivamente importante. Uma vida sustentada só por comida é uma vida muito pobre”.

Jesus disse: “A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” (João 4:34). Além disso, Ele ensinou Seus discípulos a não buscar desesperadamente coisas materiais (comida, bebida, roupas), mas a colocar o reino de Deus em primeiro lugar em seus corações (Mateus 6:31–33)

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
28/11/2024

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. As Promessas de Deus - Confie e Viva as Bênçãos do Senhor porque Fiel é o que Prometeu. Rio de Janeiro: CPAD, 2024.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201204_03.pdf

PEARLMAN, Myer. Marcos: O evangelho do servo de Jeová. Rio de Janeiro CPAD, 2005.