Números 27:18 “Então disse o Senhor a Moisés: Toma a Josué, filho de Num, homem em quem há o Espírito, e impõe a tua mão sobre ele.”
“Então disse o Senhor a Moisés: “
Moisés é avisado de que chegou a sua hora. Ele deve subir ao monte Abarim (Monte Nebo) a fim de ver a terra que seria dada aos filhos de Israel. Para que isto não desperte novas esperanças de que ele, afinal de contas, pudesse entrar em Canaã, Moisés é lembrado do seu pecado.
Então, Moisés ora para que Deus seja misericordioso para com o Seu povo, e tome providências para o seu futuro bem-estar, nomeando alguém para guiá-lo na batalha. Assim seu sucessor é anunciado: “Então disse o Senhor a Moisés...”
Toma a Josué, filho de Num, homem em quem há o Espírito,
Deus ordena que lhe separe Oséias, filho de Num, a quem Moisés chamava profeticamente de Josué, seu assistente (Êxodo 24,13), que foi um dos espias que havia visitado Canaã pessoalmente (13:8). A narrativa deixa claro que a sua liderança não será do mesmo tipo da de Moisés. Enquanto que com Moisés Deus falava face a face (12:6-8), Josué será instruído por Eleazar, o sumo sacerdote, que usará o Urim e Tumim, as sortes sagradas, para descobrir a vontade de Deus (Êxodo 28:30).
O Senhor identifica Josué, além do nome, como o homem em que há o Espírito. À semelhança de Moisés, o novo líder seria também cheio do Espírito. Josué já havia demonstrado as suas habilidades espirituais. Os Targuns de Onkelos e de Jonathan falam sobre os dons espirituais de Josué, que o qualificavam para o seu ofício, incluindo as qualidades de sabedoria para governar, coragem, prudência e grandeza mental. Ele tinha também o espírito de profecia, porque o Senhor freqüentemente falou através dele (Josué 4.1; 6.2; 7.10). Josué tinha sido fiel sobre o pouco, pelo que agora seria dirigente sobre muito (Mateus 25.21).
e impõe a tua mão sobre ele.”
A nomeação de Josué como sucessor de Moisés foi publicamente anunciada pela imposição de mãos deste: “E sobre ele impôs as suas mãos, e lhe deu ordens, como o Senhor falara por intermédio de Moisés” (27:23). Com este gesto simbólico, Josué foi identificado com Moisés, e tomou-se o seu representante para o futuro. A imposição de mãos continuou no Novo Testamento, para ordenar ocupantes para os cargos eclesiásticos (Atos 6:6; 1 Timóteo 4:14).
Mais tarde sua autoridade seria confirmada por Deus em pessoa, quando apareceu na coluna de nuvem no pátio do tabernáculo (Deuteronomio 31:14-15, 23). Mas somos informados de que foi a travessia do Jordão que realmente convenceu o povo de que Josué era o sucessor de Moisés escolhido por Deus: “Naquele dia o Senhor engrandeceu a Josué diante dos olhos de todo o Israel; e temeram-no, como haviam temido a Moisés, todos os dias da sua vida” (Josué 4:1).
Desta forma, a cerimônia registrada aqui estabelece uma co-regência, na vigência da qual Moisés e Josué foram co-líderes do povo, ou seja, um período de transição que terminou com a morte de Moisés no Monte Nebo, registrada em Deuteronômio 34.
DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
27/10/2026
FONTES:
GOMES, Osiel. O Deus da Aliança - Advertências, Promessas e Bênçãos no Livro de Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.
WENHAM, G. J. Números: Introdução e Comentário. Tradução Adiel Almeida de Oliveira. São Paulo: Sociedade Religiosa Edições Vida Nova & Associação Religiosa Editora Mundo Cristão, 1985.
CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry – Genesis a Deuteronomio. Rio de Janeiro CPAD, 2008.



