terça-feira, 26 de maio de 2026

Eclesiastes 12:7

Eclesiastes 12:7 “E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.”

 

“E o pó volte à terra, como o era,”

A ignomínia final é o pó voltando à terra. Mais uma vez o Pregador alude a aspectos diferentes da natureza humana:Todos vão para um lugar; todos foram feitos do pó, e todos voltarão ao pó (Eclesiastes 3:20).  

A terra é feita de pó. Esta palavra enfatiza a origem terrena da humanidade: "No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás" (Gênesis 3:19) e a fraqueza física: “Pois ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó (SaImo 103:14).

Voltar ao pó é percorrer o caminho reversivo de Gênesis 2:7: "E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente", e tornar-se um cadáver, que se sujeita à deterioração completa. Significa não estar mais animado pelo fôlego que provém de Deus: “Se ele pusesse o seu coração contra o homem, e recolhesse para si o seu espírito e o seu fôlego, Toda a carne juntamente expiraria, e o homem voltaria para o pó” (Jó 34:14,15).

 

“... e o espírito volte a Deus, que o deu.”

O espírito humano/alma é o princípio da vida responsável e inteligente. Quando ele se retira, dá-se o fim da vida terrena, e a dissolução do corpo: “E aconteceu que, saindo-se-lhe a alma (porque morreu), ela chamou o seu nome Benoni; mas seu pai chamou-lhe Benjamim” (Gênesis 35:18).

 O espírito volte a Deus não é desenvolvido, aqui. É colocado, entretanto, em contraste com “a volta ao pó”, e dissolução do corpo, não podendo, por isso, referir-se à dissolução física. O espírito de Deus nos é dado juntamente com o corpo, e quando este vai ao pó, de onde veio, ele volta ao lugar de onde procedeu - Deus. Cada coisa no seu lugar. O termo dá indício, portanto, de existência contínua; entretanto, deveremos esperar até que a luz do Novo Testamento brilhe, e tenhamos mais detalhes: “E que é manifesta agora pela aparição de nosso Salvador Jesus Cristo, o qual aboliu a morte, e trouxe à luz a vida e a incorrupção pelo evangelho” (2 Timóteo 1:10).

O que ecoa aqui é o contraste entre “para cima” e “ para baixo”, de Eclesiastes 3:21:”Quem sabe que o fôlego do homem vai para cima, e que o fôlego dos animais vai para baixo da terra?”. E entre “ terra” e “ céu” , de 5:2: “Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus, e tu estás sobre a terra; assim sejam poucas as tuas palavras”. Afirmando que o Espírito é uma parte especial do ser humano.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
26/05/2026

FONTES:

MESQUITA, Antônio Neves de. Estudo nos livros de Eclesiastes e Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista (JUERP), 1978.

EATON, Michael A; CARR, G. Lloyd. Eclesiastes e Cantares: introdução e comentário. Mundo Cristão, 1989.

Eclesiastes 12:6

Eclesiastes 12:6 “Antes que se rompa o cordão de prata, e se quebre o copo de ouro, e se despedace o cântaro junto à fonte, e se quebre a roda junto ao poço,”

 

“Antes que se rompa o cordão de prata, e se quebre o copo de ouro,”

O vocábulo reiterado “antes” retoma o fio do versículo 2 e recorda o principal tema desta pitoresca descrição. A beleza das palavras tem um propósito prático: “ A poesia começa com a delícia e termina com a sabedoria” (Robert Frost). O ato terminal da morte é retratado em quatro expressões, divididas em duas partes.

No primeiro par, uma taça de ouro está atada a um fio ou cordão de prata. Um fio de prata poderia ser usado para suspender uma taça preciosa ou outro objeto de decoração. O fio de prata tem sido tradicionalmente compreendido como uma forma de energia fina que liga o corpo físico ao corpo espiritual e imaterial, ou alma. Trata-se de uma corda umbilical espiritual, e, quando esse fio se rompe, há separação final entre o corpo físico e a alma. Ao “remover-se” o cordão (hebraico; uma tradução variante seria desatar-se), o copo cai e fica irreparavelmente danificado. A imagem literária retrata o valor da vida (prata... ouro), e o drama no fim de uma vida cujos pedaços não podem ser juntados outra vez.

O vaso ou copo ornamental que estava suspenso pelo fio de prata, quando este se rompeu, se quebrou. Talvez esta parte do versículo seja independente da outra. Um homem pode quebrar acidentalmente um vaso precioso, sem que seja dito como a coisa sucedeu. Isso simboliza a morte. O vaso é o homem ou seu corpo. O corpo se “parte", morre, e é o fim da história daquele homem na terra.

 

“... e se despedace o cântaro junto à fonte, e se quebre a roda junto ao poço,”

O segundo par de imagens visualiza um cântaro que se faz descer num poço, mediante uma corda enrolada numa roda. O quebrar-se o cântaro representa a morte. O hebraico conciso diz: “A roda arrebentase dentro do poço”, podendo expandir-se para: “A roda arrebenta-se e desaparece no poço” . A fraseologia precisa dá-nos um quadro do aparelho arruinado, mais a roda, no momento em que despencaram para dentro da velha cisterna.

A roda junto ao poço, o aparelho que era empregado para tirar água do poço, quebra-se e torna-se inútil. Por semelhante modo, o corpo de um homem, cheio de mecanismos e funções maravilhosas, desconjunta-se completamente e torna-se inútil. O homem está morto. Estabelece-se a putrefação. Talvez a roda (o sarilho), o aparelho que há à beira do poço, faça alusão ao coração.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
26/05/2026

FONTES:

MESQUITA, Antônio Neves de. Estudo nos livros de Eclesiastes e Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista (JUERP), 1978.

EATON, Michael A; CARR, G. Lloyd. Eclesiastes e Cantares: introdução e comentário. Mundo Cristão, 1989.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001. 

Lucas 3:22

Lucas 3:22 “E o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como pomba; e ouviu-se uma voz do céu, que dizia: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo.”

 

“E o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como pomba;”

Todos os quatro Evangelistas mencionam a descida do Espírito como pomba. Mateus e Marcos nos dizem que Jesus a viu, e João que o Batista a viu: : “Eu vi o Espírito descer do céu como pomba, e repousar sobre ele. E eu não o conhecia, mas o que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer o Espírito, e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo. E eu vi, e tenho testificado que este é o Filho de Deus” (João 1:32-34). Cada um pode ter falado de uma visão subjetiva, mas a expressão de Lucas, em forma corpórea, mostra que havia uma realidade objetiva.

A descida do Espírito sobre Jesus é um dos maiores testemunhos da divindade de Cristo no Novo Testamento. O Espírito Santo desceu sobre Jesus como forma corpórea de uma pomba para que João pudesse identificá-lo como o Messias. O emblema é bastante apropriado, pois a pomba, entre os pássaros, tem a mesma correspondência que o cordeiro em relação aos outros animais. Ela é gentil, tenra e sem malícia. É o símbolo do poder exercido com ternura.

 

 “... e ouviu-se uma voz do céu, que dizia: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo.”

Lucas nos fala da aprovação do Pai dada na voz do céu. Esta voz se refere a Jesus como meu Filho amado (na voz semelhante na Transfiguração, Ele é “o meu Filho, amado,”). Em Marcos a frase é praticamente igual: “Tu és o meu Filho amado” (Marcos 1.11), em Mateus consta: “Este é o meu Filho amado”. Não significa o mais amado (superlativo), nem o único amado, mas amado em sentido especial, particular. Essa linguagem também é semelhante à descrição de Isaque, o filho amado da promessa, a quem Abraão foi chamado a sacrificar: “Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas” (Gênesis 22:2).

“Em ti me comprazo” significa “Sobre ti repousa meu favor” mais do que “Estou muito contente contigo.” Tasker indica que o significado das palavras é “sobre quem se centraliza meu plano para a salvação da humanidade.”

Podemos ver nelas também uma combinação dalgumas palavras do Salmo 2:7 e um eco de Isaías 42:1. Tu és meu filho amado – do Salmo 2:7, que foi sempre aceito como uma descrição do Messias Rei. Em ti tenho complacência – é parte de Isaías 42:1 e pertence a uma descrição do servo do Senhor cujo retrato culmina nos sofrimentos de Isaías 53. Portanto em seu batismo Jesus se deu conta, em primeiro lugar, de que era o Messias, o Rei Ungido de Deus; e, em segundo lugar, de que isso não envolvia nem poder nem glória, e sim sofrimento em uma cruz.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
26/5/2026

FONTES:

MORRIS, Leon L. Lucas, Introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2007. (Série cultura bíblica)

BARCLAY, William. The Gospel of Luke. Philadelphia: Westminster Press, 1976. (Tradução: Carlos Biagini)

https://textoaureoebd.blogspot.com/2025/12/marcos-110.html

https://textoaureoebd.blogspot.com/2025/12/marcos-111.html

Lucas 3:21

Lucas 3:21 “E aconteceu que, como todo o povo se batizava, sendo batizado também Jesus, orando ele, o céu se abriu;”

 

“E aconteceu que, como todo o povo se batizava, sendo batizado também Jesus,”

Lucas começa seu relato do ministério de Jesus com o batismo de nosso Senhor por João (sem, porém, mencionar aqui o nome de João). Esta é a única ocasião em que se registra que o Batista estava com Jesus. Em sua narrativa do Batismo, Lucas é muito mais conciso que Mateus, e até mesmo ligeiramente mais conciso que Marcos.

À primeira vista, é estranho que Jesus tivesse aceitado o batismo às mãos de João, pois este batismo era um “batismo de arrependimento” (V.3). Visto que Lucas retrata Jesus como sendo isento de pecado, não é óbvio por que nos diz que foi batizado desta maneira.

Jesus, porém, via os pecadores indo em grandes números para o batismo de João: “como todo o povo se batizava”. Claramente resolveu tomar Seu lugar com eles. No começo do Seu ministério publicamente Se identificou com os pecadores que viera salvar.

 

“... orando ele, o céu se abriu;”

Lucas afirma que os céus foram abertos e que o Espírito Santo desceu. A abertura do céu significa que se segue uma revelação da parte de Deus. Lucas é ó único dos Evangelistas que nos diz que a descida do Espírito ocorreu enquanto Jesus estava a orar. Aconteceu, portanto, não no batismo, mas, sim, imediatamente depois dele.

A oração de Jesus nesta ocasião deve ter sido curta - como foi a sua oração no túmulo de Lázaro (João 11.41-42). Mas a oração era tão significativa para Ele, que até mesmo esta breve oração deve ser mencionada juntamente com sua relação com a descida do Espírito Santo.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
26/5/2026

FONTES:

HARPER, A. F. (Ed.). Comentário Bíblico Beacon. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.

MORRIS, Leon L. Lucas, Introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2007. (Série cultura bíblica)

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA 26 DE MAIO DE 2026 (1 Coríntios 1.10)


LEITURA BÍBLICA DIÁRIA  
26 DE MAIO DE 2026
EVITE AS DISSENSÕES

1 Coríntios 1.10 “Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer.”

 

“Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo,”

Depois da saudação de abertura, Paulo imediatamente aborda as situações na assembléia coríntia que necessitavam de correção. A menção da “comunhão de Seu Filho”, em 1:9, preparou uma suave transição para o apelo por unidade que se inicia nesse verso. A comunhão com Cristo é o que mantém os cristãos juntos, mas os crentes coríntios estavam negligenciando essa unidade, porquanto buscavam seus próprios interesses.

Ele os chama de irmãos, reconhecendo-os como membros da família de Deus. O plural irmãos é usado vinte e sete vezes só em 1 Coríntios. Como foi que a igreja abriu mão de sua irmandade? Os cristãos haviam se dividido em facções e partidos. O apóstolo começou mansamente. Rogou-lhes que não se contentassem com o estado atual. Ele queria que eles fossem unidos, na mente e no coração. O rogo não era só de Paulo; ele foi feito em nome de nosso Senhor Jesus Cristo.

 

“... que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões;”

Solenemente, mas com gentileza, ele os exorta a que passem da dissensão para a unidade, não unidade organizacional, mas unidade espiritual.  Essa oração é um apelo para concórdia “digais todos uma mesma coisa”. Esta expressão é empregada com relação a comunidades políticas isentas de facções, ou a diferentes estados que mantêm relações amistosas entre si (Lightfoot). O uso de proclamações partidárias sempre tende a aprofundar e a perpetuar a divisão. As divisões entre os crentes podem ocorrer em diferentes níveis. Porém quando Paulo incentiva a seus leitores a falarem todos a mesma coisa ele esta pensando em questões internas pertinentes à igreja em Corinto.

 As divisões dentro de uma igreja local tendem a ser mais pessoais, porém não são menos destrutivas que as divisões no cenário maior da igreja. É admirável a quantidade de espaço no Novo Testamento dedicado a incentivar os cristãos a se amarem, respeitarem e honrarem. Talvez nenhum teste de fé seja mais exigente do que o esforço por honrar ao Senhor  mantendo a unidade no nível congregacional.

 

“... antes sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer.”

Pelo fato de Paulo ter recebido o Evangelho diretamente do próprio Jesus (Gálatas 1.11,12), ele deve ter tomado conhecimento da oração de Jesus pela unidade dos crentes, uma unidade de amor, e por uma unidade de relacionamento com Ele e com o Pai, uma unidade de desejo que o mundo veja a glória de Jesus e se dê conta de que Deus Pai o enviou (João 17.20- 26). Jesus desejou esta unidade para que o testemunho dos crentes fosse efetivo em um mundo dividido.

Paulo pede que corrijam a situação e que sejam inteiramente unidos. Esta é a tradução de um verbo grego que tem que ver com a restauração de algo à sua condição correta. Ele é empregado com referência a consertar redes (Mateus 4:21). É empregado para expressar o suprimento que estava faltando à fé dos tessalonicenses (1 Tessalonicenses 3:10).  A condição da igreja coríntia estava longe daquilo que devia ser. Exigia-se então uma ação restauradora para que a igreja coríntia se aproximasse do ideal que havia sido a igreja de Jerusalém: “E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns” (Atos 4.32). 

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
14/04/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

HORTON, Stanley. I e II Coríntios – os problemas da igreja e suas soluções. Rio de Janeiro: CPAD.

MORRIS, Leon. I Coríntios: Introdução e Comentário. Tradução Odayr Olivetti. São. Paulo. Mundo Cristão, 1983

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201701_02.pdf

 

segunda-feira, 25 de maio de 2026

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA 25 DE MAIO DE 2026 (Salmos 133:1)

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA  
25 DE MAIO DE 2026
OS IRMÃOS DEVEM VIVER EM UNIÃO

Salmos 133:1 “Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união. “

 

Oh!

No texto em inglês temos o termo “Veja!”. É uma maravilha raramente vista, por isto vejam! Ela pode ser vista, pois é a característica de santos verdadeiros - por isto não deixem de examiná-la! Ela é digna de admiração; façam uma pausa e observem! Isto irá motivá-los à imitação, por isto observem bem! Deus olha para isto com aprovação, por isto considerem com atenção.

 

“Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união. “

Ninguém pode expressar o caráter extremamente excelente de tal condição; e assim o salmista usa a palavra “quão” duas vezes - Quão bom! Quão suave! A combinação dos dois adjetivos “bom” e “suave” é mais notável do que a conjunção de dois astros de primeira grandeza: pois que uma coisa seja “boa”, é bom; mas que também seja suave, é melhor.

Todos os homens amam as coisas suaves, ou agradáveis, mas frequentemente acontece que o prazer é maligno; mas aqui a condição é tão boa quanto é agradável, tão agradável quanto é boa, pois o mesmo “quão” é colocado antes de cada adjetivo.

Nem sempre é prudente que irmãos segundo a carne habitem juntos , pois a experiência ensina que é melhor que vivam um pouco separados, pois é vergonhoso que habitem juntos em desunião. É muito melhor que vivam separados e em paz, como Abraão e Ló, do que habitem juntos, com inveja, como os irmãos de José. Quando os irmãos conseguem e realmente vivem juntos em união, a sua comunhão é digna de ser contemplada e cantada em santo salmo.

Como irmãos em espírito, eles devem habitar juntos na comunhão da igreja e nesta comunhão uma questão essencial é a união. Nós podemos dispensar a uniformidade se tivermos união. Unidade de vida, verdade e caminho; unidade em Cristo Jesus. Unidade de objeto e espírito - nós devemos ter estas coisas, ou as nossas congregações serão sinagogas de contendas e não igrejas de Cristo.

Quanto mais íntima a união, melhor, pois haverá mais do que é bom e suave. Uma vez que somos seres imperfeitos, um pouco do que é mau e desagradável sempre irá invadir; mas isto será prontamente neutralizado e facilmente rejeitado pelo verdadeiro amor dos santos, se este realmente existir.

A união cristã é boa em si mesma, boa para nós mesmos, boa para os irmãos, boa para os novos convertidos, boa para o mundo exterior. Uma igreja unida durante anos, em fervoroso serviço ao Senhor, é um poço de bondade e alegria para todos aqueles que habitam ao seu redor.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
31/5/2025

FONTES:

CABRAL, Elienai. E o Verbo se fez Carne – Jesus sob o olhar do apóstolo do amor. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

SPURGEON, Charles. Os tesouros de Davi – Volume 3. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

 

domingo, 24 de maio de 2026

Eclesiastes 12:5

Eclesiastes 12:5 “Como também quando temerem o que é alto, e houver espantos no caminho, e florescer a amendoeira, e o gafanhoto for um peso, e perecer o apetite; porque o homem se vai à sua casa eterna, e os pranteadores andarão rodeando pela praça; ”

 

“Como também quando temerem o que é alto, e houver espantos no caminho, ”

A pessoa idosa vive cheio de temores e ansiedades, elas temem ir ao topo de qualquer lugar alto, ou porque, por falta de fôlego, elas não conseguem atingi-lo, ou, por suas cabeças ficarem tontas ou suas pernas falharem, elas não ousam aventurar-se a isso.

O espanto está no caminho para elas. Ela temerá dar um passeio a pé, receando cair e quebrar as pernas frágeis. Ela não pode cavalgar nem caminhar com a sua antiga ousadia, mas temem cada coisa que está em seu caminho, deixando que isso as destrua.

 

“... e florescer a amendoeira, e o gafanhoto for um peso, e perecer o apetite;

A amendoeira que floresce diz respeito ao cabelo que se torna cinzento, e depois prateado, pois o dia de sua juventude definitivamente terminou. A amendoeira floresce antes de qualquer outra árvore, e, portanto, mostra que pressa a idade avançada tem em apanhar os homens; ela evita as suas expectativas e é mais rápida sobre eles do que eles pensam. Os cabelos cinzentos estão aqui e ali sobre eles, e eles não os percebem até o todo.

Apesar da degradação é importante lembrar que longos dias de vida é sinal de bênçãos divinas: “Diante das cãs te levantarás, e honrarás a presença do ancião, e temerás o teu Deus. Eu sou o Senhor” (Levítico 19:32). O nosso próprio Senhor se identifica com cabelos brancos (Apocalipse 1.14) e seu pai é chamado de Ancião de dias (Daniel 7:22).

O gafanhoto está listado como animais limpos, que se podem comer nas leis dietéticas: “Deles, comereis estes: a locusta, segundo a sua espécie, o gafanhoto devorador, segundo a sua espécie, o grilo, segundo a sua espécie, e o gafanhoto, segundo a sua espécie” (Levítico 11:22). Apesar de ser estranho a nossa cultura em outras é muito comum. O gafanhoto era uma comida procurada por ser de fácil digestão (o alimento de João Batista era gafanhoto), mas até mesmo isso é pesado para o estômago de um homem velho.

Perecer o apetite não diz respeito somente a comida. Engloba todos os desejos que outrora eram perseguidos. Ele não tem apetite nenhum para a sua carne, seus desejos o abandonam, incluindo-se o impulso sexual, e ele se torna um impotente! Essa é uma das coisas mais temidas pelos homens idosos. Os prazeres dos sentidos são para eles insossos e secos.

 

“... porque o homem se vai à sua casa eterna,

Dá-se, agora, a explicação para esta decadência: o homem está a caminho do novo lar. Várias expressões enfatizam os diferentes aspectos do clímax dessa decadência, que é a morte. Em primeiro lugar, o particípio hebraico está indo (vai) sublinha o fato que “ a caminhada é um ato contínuo de dissolução, que pode envolver muitos anos, no caso de algumas pessoas”. Assim, a morte é o clímax de um processo que se inicia na vida.

Em segundo lugar, a transição é irreversível, visto que conduz a uma casa eterna. Ou seja, o sepulcro, o lugar do silêncio eterno. Todas as enfermidades e deteriorações da idade são anunciadoras e avanços em direção àquele horrível deslocamento. Não se encontra aqui a esperança da vida eterna e do lar eterno, nos céus, embora alguns estudiosos cristianizem este versículo para significar precisamente isso. Tal ideia é completamente estranha ao sistema do triste pregador.

 

“... e os pranteadores andarão rodeando pela praça; ”

Por último lugar, enfatiza-se a tristeza que está inevitavelmente ligada ao processo da morte: literalmente, os pranteadores andarão rodeando. Assim como as aves de rapina que observam a próxima refeição os pranteadores e as carpideiras sempre estarão à espreita esperando o próximo trabalho.

Quando nós morremos, nós não só passamos para uma casa melancólica diante de nós, como também deixamos uma casa melancólica atrás de nós. As lágrimas são um tributo devido à morte, e isso, entre outras circunstâncias, faz com que morrer seja sempre algo sério

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
24/05/2026

FONTES:

MESQUITA, Antônio Neves de. Estudo nos livros de Eclesiastes e Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista (JUERP), 1978.

EATON, Michael A; CARR, G. Lloyd. Eclesiastes e Cantares: introdução e comentário. Mundo Cristão, 1989.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001. 

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry - Poéticos. Rio de Janeiro CPAD, 2008.