LEITURA BÍBLICA DIÁRIA 13 DE MAIO DE 2026
O FIRME FUNDAMENTO DAS COISAS QUE SE ESPERAM Hebreus
11.1 “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das
coisas que se não veem. “
Este é o mais lido e conhecido
dos 13 capítulos da Epístola aos Hebreus. Alguns escritores da Bíblia o tem
denominado de “A Galeria dos Heróis da Fé”, visto que ela (a fé) encontra-se
presente do começo ao fim deste capítulo, marcando cada acontecimento. Tudo
aqui se dá pela fé. A expressão “pela fé” aparece cerca de 20 vezes, para
mostrar o que a fé representa para a vida religiosa.
Mais do que um conceito, o autor
faz aqui uma afirmação sobre a fé que é oposta àquela que estava sendo
demonstrada por seus leitores. Os Hebreus davam sinal de fraqueza espiritual
justamente porque estava faltando-lhes a fé. O substantivo grego pistis,
traduzido aqui como "fé”, ocorre 243 vezes no Novo Testamento; 30 vezes
somente em Hebreus, sendo que, somente no capítulo 11, há o registro dessa
palavra 24 vezes.
“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam...”
A
palavra grega traduzida aqui como "fundamento", tem, no texto
grego, o sentido de certeza, confiança, segurança. A ARA traduz o termo como
certeza: “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam”. Nesse
sentido, era usada como atestação ou garantia de uma propriedade. Para o autor,
a fé era como ter em mãos um documento que atestava a posse de determinado
objeto. A fé nos provê uma garantia da recompensa celestial já agora. Não se
trata de uma confiança sem provas; a fé é uma confiança sólida baseada num
firme fundamento.
A fé é a nossa certeza (confiança)
em relação à nossa esperança. Sem esperança, seríamos desgraçados diante de
nossos problemas com o mundo: “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos
os mais miseráveis de todos os homens” (1 Coríntios 15:19). É uma confiança
baseada não em mero querer, mas nas promessas de Deus.
Fé não é “confiança em si mesmo”,
“pensamento positivo” ou “salto no escuro”. A fé, como descrita pelo escritor
bíblico, é uma confiança inabalável no caráter de Deus e em sua Palavra, isto
é, porque Deus falou, então, nós acreditamos. Essa confiança é fruto da
convicção de que Aquele que prometeu irá cumprir o que disse no tempo
determinado, pois Ele é fiel, justo, verdadeiro e imutável: “Toda a boa
dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem
não há mudança nem sombra de variação” (Tiago 1:17)
Não pode haver esperança real sem
fé, e não pode haver fé real sem esperança. Esperar coisas “que não se veem”
é antecipar algo melhor: “Pereceria sem dúvida, se não cresse que veria a
bondade do Senhor na terra dos viventes” (Salmos 27:13). Foi essa fé que
tornou o céu algo real para Abraão:“Porque esperava a cidade que tem
fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus” (Hebreus 11:10).
Esse capítulo fala de muitos que
agiram “por fé”. A ação obediente resultou da confiança em Deus e em Suas
promessas. Deus disse, eu creio e isso basta, é um raciocínio simplista, mas
esta frase contém a essência da "fé”.
“... e a prova das coisas que se não veem. “
O termo grego traduzido
aqui como "prova”, tem o sentido de "evidência” ou “convicção”. A
visão física produz a convicção ou a prova das coisas visíveis; a fé é o órgão
que capacita as pessoas a verem a ordem invisível: “Todos estes morreram na
fé, sem ter obtido as promessas; vendo-as, porém, de longe, e saudando-as, e
confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra. ” (Hebreus
11:13 RA)
Aqui temos um ponto muito
importante a considerar. Pessoas há que manipulam este texto para justificar a
prática mística do que eles chamam de visualização mental para obtenção do que
se deseja. Nesse meio estão certas ramificações da Confissão Positiva.
Tal prática não tem apoio nas
Escrituras Sagradas. No contexto do capítulo 11 de Hebreus, “as coisas que
não se veem” são as coisas de Deus, “os bens futuros” (Hb 9.11), “as
melhores promessas” (Hb 8.6). Isso porque tais “coisas” foram prometidas
por Deus em sua Palavra, e esta não pode falhar em nenhuma hipótese.
Há “crentes” que, iludidos pelo
seu próprio coração, asseveram que podem aplicar esse texto (v.1) a qualquer
coisa. Por exemplo: “eu creio que Deus vai me dar um carro novo, e uma bela
casa”. Ora, isso é um desejo, mas não uma promessa de Deus. Pode tornar-se real
ou não. É algo condicional e circunstancial.
Paulo exorta o cristão a não
atentar “nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; por que as que se
veem são temporais, e as que se não veem são eternas” (2 Coríntios 4.18).
Aqui, o apóstolo apresenta o contraste entre as coisas visíveis e as
invisíveis, as coisas temporárias e as que são eternas. Assim sendo, a
orientação paulina ratifica que o crente deve estar sempre de bom ânimo, “porque
andamos por fé e não por vista” (2 Coríntios 5.7).
Na marcante comparação anotada
por Paulo, duas diferentes visões estão envolvidas: (1) o que pode ser visto
pelo olho humano e (2) o que pode ser visto somente pelos olhos espirituais —
aquilo que é efêmero e aquilo que é permanente; as coisas terrenas como um
processo de dor inevitável, e a celestial como suprema esperança de vida eterna
isenta de aflições (Isaías 25.8). Acerca dessa expectativa, o apóstolo
acrescenta: “Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra”
(Colossenses 3.2). Desse modo, devemos desenvolver uma visão “espiritual” que
mantenha um foco firme não no mundo visível desta vida temporal, mas no
invisível mundo eterno. Através da fé entendemos que todas as coisas visíveis
são resultado de uma ordem do nosso Deus invisível: “Pela fé (Moisés) deixou
o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível”
(Hebreus 11:27).
DEIVY FERREIRA
PANIAGO JUNIOR
22/8/2023
FONTES:
BAPTISTA, Douglas. A igreja de Cristo e o império do mal – Como
viver neste mundo dominado pelo espírito da Babilônia. Rio de Janeiro: CPAD,
2023.
http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201407_01.pdf
SILVA, Severino Pedro da. Epístola aos hebreus: as coisas
novas e grandes que Deus preparou para você. Rio de Janeiro: CPAD, 2003
GONÇALVES, José. A supremacia de Cristo: Fé, esperança e
ânimo na carta aos Hebreus. Rio de Janeiro: CPAD,2017.