LEITURA BÍBLICA DIÁRIA
5 DE AGOSTO DE 2026
DEUS SUSTENTA A MISSÃO MESMO DIANTE DA REJEIÇÃO E DA OPOSIÇÃO
Atos 18:6 “Mas, resistindo e blasfemando
eles, sacudiu as vestes, e disse-lhes: O vosso sangue seja sobre a vossa
cabeça; eu estou limpo, e desde agora parto para os gentios.”
“Mas, resistindo e
blasfemando eles,”
O povo judeu se tornara obstinado, teimoso e
rebelde, pois seus corações haviam ficado insensíveis à vontade de Deus, e seus
ouvidos estavam surdos aos clamores do Senhor: “Mas a casa de Israel não te
quererá dar ouvidos, porque não me querem dar ouvidos a mim; pois toda a casa
de Israel é de fronte obstinada e dura de coração” (Deuteronômio 9:6).
Estevão denunciou os homens da sua geração dizendo: “Homens de dura cerviz,
e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo;
assim vós sois como vossos pais” (Atos 7.51).
Paulo enfrenta de cidade e cidade a mesma
obstinação do povo que resiste igualmente as palavras do evangelho. O escritor
aos hebreus nos orienta a agirmos diferentes: “Se ouvirdes hoje a sua
voz, Não endureçais os vossos corações, como na provocação, no dia da tentação
no deserto. Onde vossos pais me tentaram, me provaram, e viram por quarenta
anos as minhas obras. Por isso me indignei contra esta geração, e disse: Estes
sempre erram em seu coração, e não conheceram os meus caminhos” (Hebreus
3:7-10).
Além de
resistir eles blasfemaram. Nas páginas do Novo Testamento, quando esse verbo é
utilizado em relação aos homens, significa caluniar, difamar, insultar,
injuriar a reputação de outrem. Como fizeram também com Jesus na cruz: “E os
que passavam blasfemavam dele, meneando as cabeças, E dizendo: Tu, que destróis
o templo, e em três dias o reedificas, salva-te a ti mesmo. Se és Filho de
Deus, desce da cruz. E da mesma maneira também os principais sacerdotes, com os
escribas, e anciãos, e fariseus, escarnecendo, diziam: Salvou os outros, e a si
mesmo não pode salvar-se. Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz, e creremos
nele. Confiou em Deus; livre-o agora, se
o ama; porque disse: Sou Filho de Deus” (Mateus 27:39-43).
“... sacudiu as vestes,”
Essa
ação é similar ao ato de sacudir o pó dos pés ou imitação do mesmo. Sacudir
assim as vestes simbolizava o ato de sacudir a poeira que se apegara às mesmas,
como se elas estivessem contaminadas por aqueles com quem a pessoa que assim
fazia se associara. Isso é um cumprimento literal do mandamento que o Senhor
Jesus deu aos seus discípulos, no tocante à atitude que deveriam ter, em casos
de perseguição e ultraje contra o cristianismo “E, se ninguém vos receber,
nem escutar as vossas palavras, saindo daquela casa ou cidade, sacudi o pó dos
vossos pés” (Mateus 10:14).
Pela
literatura rabínica somos informados de que nenhum judeu religioso deixava de
acautelar-se por não trazer para a Palestina qualquer poeira proveniente de
territórios pagãos, porque esse pó poderia ser considerado como uma
contaminação própria do paganismo.
Este
episódio nos mostra que Paulo se inocentou de qualquer responsabilidade por eles.
Com essa atitude, o apóstolo mostrou que os membros daquela sinagoga, que
haviam rejeitado a Cristo, com esse ato se tinham declarado indignos do ministério
do evangelho, bem como dos benefícios que disso resultam.
“O vosso sangue seja sobre a vossa cabeça;
eu estou limpo, e desde agora parto para os gentios.”
A
expressão: “O vosso sangue seja sobre a vossa cabeça” parece ter-se
originado no costume dos hebreus, dos egípcios e de outros povos antigos, de
colocarem as mãos sobre a cabeça do animal morto como sacrifício, como se fosse
um ato simbólico de transferência de culpa para a vítima sacrificada quando era
abatida e o seu sangue era aspergido. O sangue representa a vida da carne e o
fato de ser derramado representa a perda dessa vida. Essa expressão veio a ser
vinculada à responsabilidade que qualquer indivíduo tem pelo seu próprio
destino.
Não
devemos considerar essas palavras como um a maldição, como se Paulo lhes
estivesse desejando qualquer mal, especialmente algum a perda ou prejuízo. Pelo
contrário, somente serviu de solene declaração que não tinha mais qualquer
responsabilidade pela perda da vida eterna que com aquela atitude eles
condenavam a si mesmos. Paulo havia feito a sua parte como arauto de Deus: Quando
eu disser ao ímpio: Certamente morrerás; e tu não o avisares, nem falares para
avisar o ímpio acerca do seu mau caminho, para salvar a sua vida, aquele ímpio
morrerá na sua iniquidade, mas o seu sangue, da tua mão o requererei” (Ezequiel
3:18).
O
povo judeu, em Jerusalém, empregara virtualmente essas palavras quando
assumiram toda a responsabilidade pela morte bárbara e atroz do Senhor Jesus,
aceitando assim toda a culpa que esse trucidamento envolvia: "E,
respondendo todo o povo, disse: O seu sangue seja sobre nós e sobre nossos
filhos"
(Mateus 27:25).
DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
7/7/2026
FONTES:
GABY, Wagner. A Igreja dos Gentios – Da chamada missionária
à consolidação do Evangelho entre os povos. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.
CHAMPLIN,
Russell Norman. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. São
Paulo: Hagnos, 2001.