domingo, 5 de julho de 2026

Atos 17:18

Atos 17:18 ”E alguns dos filósofos epicureus e estoicos contendiam com ele; e uns diziam: Que quer dizer este tagarela? E outros: Parece que é pregador de deuses estranhos; porque lhes anunciava a Jesus e a ressurreição.”

 

”E alguns dos filósofos epicureus e estoicos contendiam com ele;”

Alguns ouvintes de Paulo aderentes das filosofias epicureanas e estóicas disputavam com ele. Os epicureus tomavam seu nome do seu fundador Epicuro (341-270 a.C.). Os filósofos epicureus buscavam o prazer moderado e a ausência de sofrimento como bem supremo e não o deleite dos caprichos e instintos momentâneos. Não acreditavam em imortalidade da alma. o ensino deles era: “Comamos e bebamos que amanhã morreremos”.

Eram materialistas e negavam a providência divina, os milagres, a profecia e a imortalidade. Eles negavam que os deuses exercessem qualquer governo sobre o mundo ou os seus habitantes. Para os epicureus, a divindade, por sua natureza, era transcendente e indiferente ao sofrimento humano. Epicuro repudiava a astrologia e ensinava que a religião era uma superstição; dizia que, para ser feliz, era necessário ser liberto do medo dos deuses.

A familiaridade de Paulo com essa filosofia é evidente. Menandro, escritor e amigo de Epicuro, é aparentemente citado por Paulo em 1 Coríntios 15.33: "As más companhias corrompem os bons costumes".

Os estóicos, fundados por Zenão (340-265 a.C.), adotaram o nome das stoas ou colunatas onde ele ensinava. Ressaltavam a importância da razão, da virtude e do autocontrole. Tinham um conceito panteístico de Deus como alma do mundo. Para eles Deus não era um ser pessoal, mas uma força espiritual ou energia mental imanente aos homens e às coisas. Ele recebeu muitos nomes, como: Logos ou Razão, Natureza, Providência, Espírito divino e outros.

Ao discursar aos atenienses, Paulo o filosofo Cleantes e o poeta Aratus, ambos estóicos: "Porque nele vivemos, nos movemos e existimos” (Cleantes) ,como até mesmo alguns de seus próprios poetas disseram: 'Pois também nós somos seus filhos’ (Aratus)" (Atos 17.28). A filosofia estóica foi adotada por muitos romanos como Sêneca, tutor de Nero, e o imperador Marco Aurélio.

 

“... e uns diziam: Que quer dizer este tagarela?

A impressão inicial que tiveram de Paulo não era favorável. Desfizeram dele, com desprezo, como sendo um tagarela, a palavra se refere a um pássaro que recolhe restos de comida dos esgotos. Essa palavra foi usada também para descrever um mestre que, não tendo idéias próprias, inescrupulosamente plagiava os outros, apanhando restos de conhecimento daqui e dali.

Aludia àquele tipo de pessoa que fazia de seus sistemas ideológicos nada mais do que um saco de trapos, cheio de idéias e frases de outras pessoas. Era um plagiador ignorante, um charlatão, um papagaio, um tagarela intelectual.

 

“E outros: Parece que é pregador de deuses estranhos; porque lhes anunciava a Jesus e a ressurreição.”

Os atenienses compreenderam os argumentos de Paulo, mas relutaram com o que ele queria dizer. Pela forma de raciocinarem, diziam que Paulo era um “pregador de estranhos deuses”. Observe a forma plural “deuses”. Quando Paulo pregou a “Jesus e a ressurreição”, concluíram que ele estivesse pregando sobre duas divindades: uma chamada “Jesus” e outra chamada “Ressurreição”.

Acostumados com tantos deuses, os atenienses pensaram que Paulo lhes apresentava novas divindades estrangeiras. A ignorância é sempre preconceituosa. O preconceito pode roubar de uma pessoa preciosas oportunidades. Os atenienses rejeitaram o evangelho por não estarem abertos à pregação do evangelho.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
5/7/2026

FONTES:

GABY, Wagner. A Igreja dos Gentios – Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

MARSHALL, Howard. Atos - Introdução e Comentário. Vida Nova/Mundo Cristão. 1991.

Lopes, Hernandes Dias Atos: a ação do Espírito Santo na vida da igreja. São Paulo: Hagnos, 2012.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_200203_04.pdf

Atos 17:17

Atos 17:17 “De sorte que disputava na sinagoga com os judeus e religiosos, e todos os dias na praça com os que se apresentavam.”

 

“De sorte que disputava na sinagoga com os judeus e religiosos,”

A reação de Paulo contra a idolatria da cidade não foi apenas negativa (horror e desânimo), mas também positiva. Ele aproveitou o ensejo para testemunhar. Não basta identificar os problemas que afligem a sociedade. Precisamos apontar a solução divina! Embora Silas e Timóteo ainda não tivessem chegado, Paulo começou a pregar. “Por isso, dissertava na sinagoga entre os judeus e os gentios piedosos (ARA)”.

Como era costume de Paulo, ele foi à sinagoga aos sábados: “E Paulo, como tinha por costume, foi ter com eles; e por três sábados disputou com eles sobre as Escrituras, Expondo e demonstrando que convinha que Cristo padecesse e ressuscitasse dentre os mortos. E este Jesus, que vos anuncio, dizia ele, é o Cristo” (Atos 17:2,3).

 

“... e todos os dias na praça com os que se apresentavam.”

Paulo não limitou seu ensino aos judeus e tementes a Deus aos sábados na sinagoga local. Nos outros dias da semana ele dissertou as verdades bíblicas com “os que se encontravam” na praça”. Ou seja, na Ágora, ou praça, era o centro dos negócios e das atividades cívicas, como também da propaganda e da troca informal de idéias e novidades.

Em outras cidades, a praça era o centro cultural, comercial e religioso. Em Atenas, era o centro educacional onde os filósofos se encontravam. Sócrates, Platão e Aristóteles haviam ensinado na praça de Atenas. A inclinação natural dos atenienses para ouvir “as últimas novidades” pode não ser elogiável, mas deu a Paulo uma perfeita oportunidade para pregar o evangelho.

Entre os que discursaram com Paulo na praça estavam os adeptos de duas grandes escolas de pensamento atenienses. O versículo 18a diz que “alguns dos filósofos epicureus e estóicos contendiam com ele” [Paulo].

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
5/7/2026

FONTES:

GABY, Wagner. A Igreja dos Gentios – Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

Lopes, Hernandes Dias Atos: a ação do Espírito Santo na vida da igreja. São Paulo: Hagnos, 2012.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_200203_04.pdf

Atos 17:16

Atos 17:16 “E, enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se agitava em si mesmo, vendo a cidade tão entregue à idolatria.”

 

“E, enquanto Paulo os esperava em Atenas,”

Após os judeus de Tessalônica souberam que também era anunciada a palavra de Deus por Paulo em Bereia (v.13), eles foram até lá, e como fizeram em Tessalônica (v.5)  excitaram as multidões. Na confusão os irmãos bereanos acompanharam Paulo até Atenas pelo mar, mas Silas e Timóteo ficaram ainda em Beréia (v.14). Paulo deu ordem aos bereanos que o acompanharam para que Silas e Timóteo viessem a eles o quanto antes na Acaia. . Talvez Paulo não estivesse planejando iniciar o trabalho em Atenas enquanto a equipe não se juntasse.

Durante esse período em que Paulo os esperava e observava a terra que seria então evangelizada. Como Neemias ele refletiu sobre o trabalho: “E cheguei a Jerusalém, e estive ali três dias. E de noite me levantei, eu e poucos homens comigo, e não declarei a ninguém o que o meu Deus me pôs no coração para fazer em Jerusalém [...] e contemplei os muros de Jerusalém, que estavam fendidos, e as suas portas, que tinham sido consumidas pelo fogo.” (Neemias 2:11b,12 e 13b).

Atenas era a primeira cidade-estado da Grécia desde o século V a.C. Era o centro cultural e filosófico do mundo greco-romano. Muitos dos grandes pensadores, oradores e artistas que já viveram sobre a terra moraram em Atenas. O conceito de democracia nasceu ali. No processo de conquistar o mundo, os romanos espalharam a cultura ateniense e a língua grega. Atenas ainda era considerada por muitos como a maior cidade universitária do mundo.

 

“... o seu espírito se agitava em si mesmo, vendo a cidade tão entregue à idolatria.”

Ele poderia ter ficado fascinado com o esplendor da arquitetura, história e sabedoria da cidade. Mas nada disso o impressionou. O que ele viu primeiro não foi a beleza nem o brilhantismo da cidade, m as sua idolatria. Para todos os lados que Paulo se voltava, observara festivais e procissões pagãs, sacrifícios e celebrações cheias de medos supersticiosos. Teria visto a proliferação de ídolos e templos. O satírico Pretônio escrevera que, em Atenas, era mais fácil achar um deus do que um ser humano. Paulo até passou em frente de um altar com a inscrição “ao deus desconhecido” (v. 23).

Quando Paulo deparou-se com os ídolos e os templos magníficos, ele não viu a beleza da arquitetura e, sim, a feiúra do erro. Ele não viu progresso cultural; viu pornografia espiritual. Não viu mentes iluminadas; viu almas ignorantes. Mais tarde, escreveu: “... as coisas que eles sacrificam, é a demônios que as sacrificam e não a Deus” (1 Coríntios 10:20a).

O espírito de Paulo se revoltou,  se irou. O sentido aqui não é falta de controle, mas de reação ponderada contra aquilo que viu. O verbo paroxyno é regularmente empregado na LXX em relação à ira de Deus contra a idolatria do povo de Israel (Deuteronômio 9.7,18,22). Assim, Paulo foi provocado à ira pela mesma razão que provocou a ira de Deus, ou seja, a idolatria.

A idolatria é um pecado gravíssimo porque rouba a honra e a glória do nome de Deus. E dar a outro ser a honra e a glória que só Deus merece. Quando uma pessoa diz que adora a Deus por meio de uma imagem, está desprezando a Deus, que ordenou que não se fizesse nem se adorasse nenhuma imagem.

Às vezes, as Escrituras chamam esse sentimento de ciúme. Somos propriedade exclusiva de Deus e ele não nos divide com ninguém. A esposa pertence ao marido e ele não a divide com ninguém. O marido pertence à esposa e ela não o divide com ninguém. Deus disse: Eu sou o Senhor, esse é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra às imagens de escultura (Is 42.8).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
5/7/2026

FONTES:

GABY, Wagner. A Igreja dos Gentios – Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

Lopes, Hernandes Dias Atos: a ação do Espírito Santo na vida da igreja. São Paulo: Hagnos, 2012.

STOTT, John. A Mensagem de Atos - Até os confins da terra. São Paulo: ABU, 1994.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_200203_04.pdf

Lição 02: A Porta da Fé se Abre entre os Gentios – 3 Trimestre de 2026.

TEXTO ÁUREO 

Atos 13:47 “Porque o Senhor assim no-lo mandou: Eu te pus para luz dos gentios, a fim de que sejas para salvação até os confins da terra.”

 

“Porque o Senhor assim no-lo mandou:

Após responder aos judeus que era mister primeiro lhes pregar (v.46). Pois essa era a vontade de Deus " primeiro o enviou a vós" (Atos 3:26). E essa ordem deveria permanecer, como Paulo escreveu mais tarde: "primeiro ao judeu, e também ao grego".Mas devida a rejeição deles as palavras da vida eterna eles se voltariam aos gentios para também lhe pregar a palavra de Deus. Pois os gentios haviam lotado a sinagoga naquele segundo sábado para ouvi-los, fato que levaram os judeus a ter inveja dos missionários, decerto, os esforços missionários dos judeus aqueles gentios tinham tido muito menos sucesso.

Sem dúvida, foi apenas uma seção dos judeus que adotou esta atitude, conforme demonstra o verso 43: “E, despedida a sinagoga, muitos dos judeus e dos prosélitos religiosos seguiram Paulo e Barnabé; os quais, falando-lhes, os exortavam a que permanecessem na graça de Deus”. Mesmo assim, ficou claro que o judaísmo oficial, representado pela sinagoga, estava rejeitando o evangelho. Agora, depois de os judeus, como um grupo, dizerem “Não” ao evangelho, sendo assim desqualificados para receber a vida eterna, os missionários ficaram desobrigados quanto a eles, e podiam dedicar aos gentios a totalidade da sua atenção. Isso porque o Senhor assim no-lo mandou”. A NVI traduz assim: “Pois assim o Senhor nos ordenou”.

 

“Eu te pus para luz dos gentios, a fim de que sejas para salvação até os confins da terra.”

Esta ação, no entanto, não deve ser considerada um tipo de revide à rejeição do evangelho da parte dos judeus. Desde o início, os missionários perceberam que a sua tarefa incluía os gentios, pois o Antigo Testamento claramente declarara que a tarefa do Servo de Deus era ser uma luz para as nações e ser um meio de salvação em toda parte do mundo.

Esta citação de Isaías 49:6 faz parte de uma das passagens que descrevem a obra do Servo de Deus: “Disse mais: Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os preservados de Israel; também te dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra”. Em Isaías 44:1, claramente identifica o servo como sendo Israel. De onde vem o conceito de Israel ser "luz para as nações" (em hebraico: Or LaGoyim). Isso é um dos pilares do judaísmo fundamentado nas profecias de Isaías.

Porém no texto de Isaías 49:5-6, o Servo tem uma missão para Israel, e, portanto, deve ser identificado como sendo uma pessoa ou grupo de pessoas dentro de Israel. Lucas já relatou como Simeão aplicou esse versículo a Jesus: “Agora, Senhor, despedes em paz o teu servo, segundo a tua palavra; Pois já os meus olhos viram a tua salvação, A qual tu preparaste perante a face de todos os povos; Luz para iluminar as nações, e para glória de teu povo Israel“ (Lucas 2:29-32),  e logo relatará como Jesus a aplica isso a Paulo: “Livrando-te deste povo, e dos gentios, a quem agora te envio, Para lhes abrires os olhos, e das trevas os converteres à luz, e do poder de Satanás a Deus; a fim de que recebam a remissão de pecados, e herança entre os que são santificados pela fé em mim” (Atos 26:17-18).

Isso, porém, não é uma contradição, pois o servo sofredor do Senhor é o Messias, reuniria em torno de si uma comunidade messiânica para participar do seu ministério às nações. A tarefa que outrora Israel não cumpriu, passou para Jesus, e, depois, para Seu povo como o novo Israel; é a tarefa de trazer a todos os povos da terra a luz da revelação e da salvação. Durante a grande tribulação essa missão passará para os 144 mil judeus selados.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
17/6/2026

FONTES:

GABY, Wagner. A Igreja dos Gentios – Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

MARSHALL, Howard. Atos - Introdução e Comentário. Vida Nova/Mundo Cristão. 1991.

STOTT, John. A Mensagem de Atos - Até os confins da terra. São Paulo: ABU, 1994.