segunda-feira, 10 de agosto de 2026

O DERRAMAMENTO DO ESPÍRITO CONDUZ O CRENTE À PLENITUDE DA FÉ (Atos 19:5-6) 10/8/26


LEITURA BÍBLICA DIÁRIA  
10 DE AGOSTO DE 2026
O DERRAMAMENTO DO ESPÍRITO CONDUZ O CRENTE À PLENITUDE DA FÉ 

Atos 19:5-6 “E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus. E impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas e profetizavam. ”


“E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus. “ 

O apóstolo chegava a Eféso pela segunda vez. Na primeira vez que passou estava voltando para sua igreja de origem. “Antes se despediu deles, dizendo: É-me de todo preciso celebrar a solenidade que vem em Jerusalém; mas querendo Deus, outra vez voltarei a vós. E partiu de Éfeso (Atos 18:21) “. Lá deixou estes dois obreiros cristãos Prisclia e Áquila (Atos 18.18). Paulo havia os conhecidos quando estava em Corinto. E, achando um certo judeu por nome Áqüila, natural do Ponto, que havia pouco tinha vindo da Itália, e Priscila, sua mulher (pois Cláudio tinha mandado que todos os judeus saíssem de Roma), ajuntou-se com eles, E, como era do mesmo ofício, ficou com eles, e trabalhava; pois tinham por ofício fazer tendas (Atos 18:2,3) “. Esse casal abençoado conheceu em Corinto um certo judeu chamado Apolo, natural de Alexandria que era instruído no caminho do Senhor, mas conhecia somente o batismo de João. Este Evangelho do arrependimento havia sido pregado por Apolo em Éfeso. “ Priscila e Aqüila, o levaram consigo e lhe declararam mais precisamente o caminho de Deus. (Atos 18:26) “. 

Quando Paulo chega pela segundo vez acha ali alguns discípulos e pergunta: Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes? E eles disseram-lhe: Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo. Perguntou-lhes, então: Em que sois batizados então? E eles disseram: No batismo de João. (Atos 19:1-3). Após ouvir sobre o batismo que foram batizados Paulo diz: “Certamente João batizou com o batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo (Atos 19:4) “. A partir daí ele instrui aqueles doze homens sobre aquele que João previu, “o que batiza com o Espírito Santo e com fogo.

Não há conflito com a fórmula trinitariana: “Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”(Mateus 28.19). Não se declara aqui uma fórmula de batismo. É apenas uma declaração da fonte de autoridade para o batismo do crente. Quem é batizado em nome de Jesus segue sua liderança. Por seu intermédio passa da antiga para uma nova vida de retidão, em obediência ao mandamento do Pai e por meio do Espírito Santo.


“E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; ”

Paulo disse: "A ninguém imponhas precipitadamente as mãos" (1 Timóteo 5:22). Isto deve incluir a referência à imposição de mãos para os dons do Espírito. Simão, o feiticeiro, queria poder de modo que "aquele sobre quem eu puser as mãos receba o Espírito Santo" (Atos 8:19). A repreensão de Pedro resolveu a questão de uma vez por todas sobre colocar suas mãos sobre as pessoas impensadamente. Mesmo no quarto século depois de Cristo, Agostinho, o notável teólogo do Cristianismo, escreveu: “Ainda fazemos como fizeram os apóstolos, quando impuseram as mãos sobre os samaritanos, invocando sobre eles o Espírito mediante a imposição das mãos. Espera-se por parte dos convertidos que falem em novas línguas. ” Ireneu (1 15-202 d.C.), notável líder da Igreja, era discípulo de Policarpo que por sua vez foi discípulo do apóstolo João. Ireneu escreveu: “Temos em nossas igrejas muitos irmãos que possuem dons espirituais e que por meio do Espírito, falam toda sorte de línguas”. Há mais referências bíblicas de imposição de mãos: a) Para curar: “E Ananias foi, e entrou na casa e, impondo-lhe as mãos, disse: Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que te apareceu no caminho por onde vinhas, me enviou, para que tornes a ver e sejas cheio do Espírito Santo (Atos 9:17) “. b) Para Comissionar: “E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, jejuando e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram. (Atos 13:2,3) “. Para abençoar: “E, tomando-os nos seus braços, e impondo-lhes as mãos, os abençoou (Marcos 10:16) “. d) Para Separar: "Não desprezes o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério" (1 Timóteo 4:14). É verdade que os dons ministeriais são transmitidos através da imposição de mãos e isso perdura até os dias de hoje.


“...e falavam línguas, e profetizavam. “

Notemos alguns fatos importantes sobre o falar em línguas. O que produz esta manifestação? O impacto do Espírito de Deus sobre a alma humana. É tão direto e com tanto poder, que a pessoa fica extasiada, falando de modo sobrenatural. Isto pelo fato de a mente ficar totalmente controlada pelo Espírito. Para os discípulos, era evidência de estarem controlados pelo poder do Espírito prometido por Cristo. Quando a pessoa fala uma língua que nunca aprendeu, pode ter a certeza de que algum poder sobrenatural assumiu o controle sobre ela. Alguns argumentam que a manifestação do falar em línguas limitou-se à época dos apóstolos. Aconteceu para ajudá-los a estabelecer o Cristianismo, uma novidade naquela época. Não existe, no entanto, limites à continuidade dessa manifestação no Novo Testamento. Esse poder do Espírito sobre esses discípulos desceu sobremaneira que além das línguas eles também profetizaram assim como aconteceu com Saul: “E o Espírito do Senhor se apoderará de ti, e profetizarás com eles, e tornar-te-ás um outro homem (1 Samuel 10:6) ”; “E, chegando eles ao outeiro, eis que um grupo de profetas lhes saiu ao encontro; e o Espírito de Deus se apoderou dele, e profetizou no meio deles (1 Samuel 10:10). ” As línguas possuem um caráter profético quando há quem as interprete: “E eu quero que todos vós faleis em línguas, mas muito mais que profetizeis; porque o que profetiza é maior do que o que fala em línguas, a não ser que também interprete para que a igreja receba edificação (1 Coríntios 14:5). ”


DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR

Fontes:

RENOVATO, Elinaldo. Aviva a Tua Obra – O chamado das escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

LINDSAY, Gordon. Como receber o Batismo Com o Espírito Santo, Gordon Lindsay. Rio de Janeiro: Graça Editorial.

PEARLMAN, Myer. Atos: e a Igreja se Fez Missões. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.

 

domingo, 9 de agosto de 2026

Lição 07: Quando o Espírito Sopra em Éfeso – 3 Trimestre de 2026.


TEXTO ÁUREO 
 
 Atos 19.20 “Assim a palavra do Senhor crescia poderosamente e prevalecia. ”

 

“Assim a palavra do Senhor crescia poderosamente e prevalecia. ”

Neste versículo encontramos um sumário do avanço do cristianismo em Éfeso. Lucas costuma usá-los para dividir seções. Em Atos 12.24 ele usa um para encerrar a expansão da igreja em Antioquia: “E a palavra de Deus crescia e se multiplicava”; em Atos 16:5 ele usa para descrever a expansão da igreja na Galácia: “De sorte que as igrejas eram confirmadas na fé, e cada dia cresciam em número” e aqui para descrever a expansão da igreja em Éfeso. Apesar de serem de natureza editorial esses sumários são muito significativos.

Pearlman comenta que o versículo contém duas ilustrações sobre a Palavra de Deus. Primeiro ela era um poder vital: a Palavra “crescia”. Plantada em Éfeso como pequena semente, cresceu como grande árvore carregada de frutos: “O reino dos céus é semelhante ao grão de mostarda que o homem, pegando nele, semeou no seu campo; O qual é, realmente, a menor de todas as sementes; mas, crescendo, é a maior das plantas, e faz-se uma árvore, de sorte que vêm as aves do céu, e se aninham nos seus ramos” (Mateus 13:31,32).

Segundo ela era um poder vitorioso, pois “prevalecia”. Triunfou sobre as falsas seitas e doutrinas daquela cidade pagã. Em dias como os nossos fazemos bem em lembrarmos em como a igreja cristã cresceu e prevaleceu. Tudo parecia cooperar contra ela, mas Deus estava a seu favor. E nada pode resistir-lhe. Gamaliel não envolvido com o cristianismo aconselhou: “se este conselho ou esta obra é de homens, se desfará, Mas, se é de Deus, não podereis desfazê-la” (Atos 5:38,39).

Devemos notar que não era Paulo quem crescia e prevalecia: “Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento” (1 Coríntios 3.6). Paulo na verdade se alegrava com a disseminação do evangelho: “Contanto que Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento ou em verdade, nisto me regozijo, e me regozijarei ainda” (Filipenses 1:18). É a mensagem de Deus que recebe a honra, não o mensageiro: No demais, irmãos, rogai por nós, para que a palavra do Senhor tenha livre curso e seja glorificada, como também o é entre vós” (2 Tessalonicenses 3:1).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
11/7/2026

FONTES:

GABY, Wagner. A Igreja dos Gentios – Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

PEARLMAN, Myer. Atos: e a Igreja se Fez Missões. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

sábado, 8 de agosto de 2026

A GRAÇA DE DEUS É O PODER DIVINO QUE SE APERFEIÇOA NA FRAQUEZA (2 Coríntios 12.9)

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA  
8 DE AGOSTO DE 2026
A GRAÇA DE DEUS É O PODER DIVINO QUE SE APERFEIÇOA NA FRAQUEZA 

2 Coríntios 12.9 "E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo." 

 

"E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.”

Embora não haja similaridade essencial entre a experiência de Paulo e a de Jesus no Getsêmani, é relevante observar que ambos oraram três vezes para que algo fosse removido, e em ambos os casos a remoção não foi concedida. Entretanto, assim como Jesus foi fortalecido de modo que pudesse enfrentar sua tribulação terrível e única, assim também Paulo foi encorajado e fortalecido: Então ele me disse: “A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza”.

A frase “a minha graça te basta” denota a disponibilidade contínua da graça. Embora o espinho na carne de Paulo não lhe fosse removido, a graça de Deus o capacitaria a suportar o espinho: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece” (Filipenses 4.13). Sendo assim, parte da grandeza do apóstolo estaria em suportar o “espinho”. Paulo mesmo confessou que sem o “espinho” ele poderia ter uma visão demasiadamente elevada de si mesmo.

A essas palavras foram acrescentadas uma explicação: “porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza”. Então, por causa das fraquezas de Paulo, Cristo poderia manifestar seu poder de modo mais eficiente. Aliás as fraquezas de Paulo tornariam muito mais óbvio o poder grandioso de Cristo e não de Paulo. João, o batista, entendeu muito bem essa verdade:  É necessário que ele cresça e que eu diminua. Aquele que vem de cima é sobre todos; aquele que vem da terra é da terra e fala da terra. Aquele que vem do céu é sobre todos” (João 3:30,31).

A garantia de Cristo de que sua graça é suficiente e seu poder se aperfeiçoa na fraqueza nos motiva, hoje. Em vez de tentar controlar nosso próprio destino, temos de nos submeter sempre à vontade de Deus. Sempre que nos sentirmos impotentes, podemos dizer: “não se faça a minha vontade, mas a tua  (Lucas 22.42). Então, à medida que obedecemos o Senhor ativamente, podemos reinvidicar sua suficiente graça e experimentar seu poder, que “se aperfeiçoa na fraqueza”.

 

“De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo."

Tendo aprendido que o poder de Cristo se aperfeiçoa na fraqueza, Paulo alegra-se de poder gloriar-se em suas fraquezas. A glória, portanto, de todos os feitos de Paulo pertencia a Deus. A atuação do apóstolo, apesar de suas fraquezas (incluindo o “espinho”), mostrava que o poder de Cristo estava vivo e operante nele. Se a tolerância de Paulo com seu “espinho” significava que o nome de Deus receberia mais glória, então Paulo disse que suportaria isso de “boa vontade”.

A palavra “gloriar-se” é recorrente neste trecho da carta. Os romanos costumavam fazer da vanglória uma virtude. As dimensões sociais da auto-exaltação entre eles eram visíveis. Entretanto, Deus já havia determinado que as coisas loucas envergonhassem as sábias, que as fracas segundo o mundo envergonhassem as fortes, e as humildes e desprezadas rebaixassem as que se tinham em alta conta (1 Coríntios 1:26-31). Isto o Senhor fez a fim de que ninguém, nenhum ser humano, se exaltasse e se vangloriasse em sua presença, de modo que se alguém gloriar- se, glorie-se no Senhor.

Assim, a resposta do Senhor ao pedido de Paulo também provê, no contexto, justificação para o fato de Paulo haver rejeitado a ostentação oca de seus inimigos, e também para sua própria vanglória na fraqueza. A declaração de Paulo foi então revolucionária: “De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo”.

A última frase do versículo poderia ser assim traduzida: “para que o poder de Cristo habite em mim”. O “poder de Cristo” manifestou-se quando Paulo, o indivíduo, estava fraco. Ele não tornaria a suplicar a Deus alívio das deficiências que carregava.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
24/05/2026

FONTES:

GABY, Wagner. A Igreja dos Gentios – Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos. Rio de Janeiro:  CPAD, 2026.

HORTON, Stanley. I e II Coríntios – Os problemas da igreja e suas soluções.Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

KRUSE, Colin. 2 Coríntios – Introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1984.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_202109_02.pdf

 

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

A PRESENÇA DO SENHOR NOS ENCORAJA A PREGAR (Atos 18.10) 7/8/26


LEITURA BÍBLICA DIÁRIA  
7 DE AGOSTO DE 2026
A PRESENÇA DO SENHOR NOS ENCORAJA A PREGAR

Atos 18.10 “Porque eu sou contigo, e ninguém lançará mão de ti para te fazer mal, pois tenho muito povo nesta cidade.”

 

“Porque eu sou contigo, e ninguém lançará mão de ti para te fazer mal,”

A ordem divina vem reforçada pela promessa de que o Senhor estará com Paulo: “Não temas, pois, porque estou contigo” (Isaías 43:5). Este tipo de promessa é uma forma de Deus assegurar os que chama de que teriam forças para cumprir o Seu mandamento. Ele disse isso a Gideão : "O Senhor é contigo, homem valoroso" (Juízes 6:12); Maria ouviu isso do anjo Gabriel: “Salve, agraciada; o Senhor é contigo” (Lucas 1:28).

Como resultado da proteção divina de Paulo, ninguém poderia colocar nele as mãos para fazer-lhe mal. Isto sugere que Paulo temia o inevitável mal causado pelos judeus invejosos. Talvez ele até pensasse já ter feito em Corinto tudo o que estava ao seu alcance, e estivesse pensando em sair, antes que seus inimigos tivessem uma oportunidade para maltratá-lo. Até homens fortes podem se abalar sob constante pressão.

Mas Cristo deu a Paulo a promessa solene de que, em Corinto, ele não sofreria mal algum, como sofrera nas outras cidades. Geralmente, o cumprimento das promessas de Deus dão-se anos depois. Neste caso, o cumprimento deu-se imediatamente. Nos versículos seguintes, Lucas mostrou como Deus cumpriu Sua palavra operando através de Gálio, proconsul da Acaia: “Se houvesse, ó judeus, algum agravo ou crime enorme, com razão vos sofreria, Mas, se a questão é de palavras, e de nomes, e da lei que entre vós há, vede-o vós mesmos; porque eu não quero ser juiz dessas coisas” (Atos 18:14,15).

 

“... pois tenho muito povo nesta cidade.”

Vinculada a essa promessa declarada havia uma promessa implícita nas palavras de Jesus: “pois tenho muito povo nesta cidade”. Essa promessa relaciona a garantia de Deus de que Ele constituiria “dentre os gentios, um povo para o seu nome” (Atos 15:14). Deus, que conhece o coração do homem, sabia que existiam gentios receptivos em Corinto, os quais se converteriam a Ele se tivessem tal oportunidade.

Com efeito, Jesus estava prometendo a Paulo que se ele permanecesse na cidade e continuasse a pregar, muitos seriam batizados . (Sem dúvida, o Senhor também poderia nos dizer que tem “muito povo” em nossas cidades e regiões — mas eles nunca O conhecerão, a menos que falemos dEle!).

Howard Marshall diz que a declaração indica a presciência divina do sucesso do evangelho em Corinto. Fortalecido por esta mensagem, Paulo podia aguardar o duplo cumprimento: a sua própria proteção contra a perseguição e a evangelização bem-sucedida.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
7/7/2026

FONTES:

GABY, Wagner. A Igreja dos Gentios – Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_200203_07.pdf

MARSHALL, Howard. Atos - Introdução e Comentário. Vida Nova/Mundo Cristão. 1991.

 

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Hebreus 10:36

Hebreus 10:36 “Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa.”

 

“Porque necessitais de paciência,”

O autor sagrado faz uma citação do profeta Habacuque, quando Deus exortou seu povo quanto à paciência, dizendo que seu juízo sobre os caldeus dar-se-ia no “tempo determinado” (Habacuque 2.3). Esta promessa divina é de igual modo aplicada com respeito a estes cristãos hebreus. “Perseverança” (hupomone) ou “paciência” significa perseverar em face a tribulações. Podemos até “nos gloriar nas próprias tribulações” (Romanos 5:3).

É a fé testada que a produz perseverança: "Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança" (Tiago 1:2, 3). Uma vez que a vinda de Jesus terminaria com todo e qualquer sofrimento humano. Restava, portanto, para eles e para nós, um pouco de paciência até que Jesus volte, conforme fica demonstrado no capítulo seguinte que nos fornecerá muitos exemplos da perseverança da fé.

 

“... para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa.”

O propósito da perseverança é expresso com exatidão nas palavras: “para que havendo feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa”. Nossa tarefa, assim como era a de Cristo, é continuar a fazer a vontade de Deus. A execução da vontade do Pai foi à comida e a bebida do Filho durante toda sua vida: “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra (João 4.34).

Fica claro, também, que o exemplo de Jesus Cristo incluía sofrimentos. Paulo aos irmãos da Galácia disse: “…pois que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus” (Atos 14:22b). Não era necessariamente da vontade de Deus que esses cristãos sofressem, mas foi vontade dEle recompensá-los por sua perseverança. É na base de cumprir a vontade de Deus que os leitores alcançarão a promessa.

A idéia de promessa resume a herança gloriosa do crente, porque elas são totalmente fidedignas. E nossas aflições são leves comparadas ao peso da recompensa eterna (2 Coríntios 4:17). Nossa tarefa é continuar a fazer a vontade de Deus, pois parar, desistir ou abandonar a fé resultaria em não receber o cumprimento das promessas de Deus.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
6/8/2026

FONTES:

GABY, Wagner. A Igreja dos Gentios – Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

GUTHRIE, Donald. Hebreus: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1999.

SILVA, Severino Pedro da. Epístola aos hebreus: as coisas novas e grandes que Deus preparou para você. Rio de Janeiro: CPAD, 2003

1 Pedro 3:15

1 Pedro 3:15 “Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós,”

 

“Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações;”

O começo do versículo está em estreita ligação com o verso anterior. A injustiça e o sofrimento não devem levar-nos à revolta e à murmuração, mas ao testemunho. O sofrimento é uma oportunidade para a defesa da fé cristã. Santificar a Cristo é honrá-lo como Senhor, reconhecendo seu senhorio sobre o mundo e sobre as circunstâncias da vida, inclusive a perseguição e o sofrimento.

Pedro adaptou essa citação de Isaías 8.13a, que diz: “Ao SENHOR dos Exércitos, a ele santificai”. Em sua época, Isaías instruiu o povo a não temer os exércitos invasores assírios, mas adorar a Deus. Em sua epístola, Pedro traz a mesma mensagem de encorajamento. Muda, porém, as palavras, ao honrar a Cristo como Senhor Todo-poderoso no coração.

Temos aqui um uso não muito comum do verbo "santificar". Geralmente na Bíblia os homens são santificados, e Deus ou Cristo operam essa santificação. Aqui as coisas se invertem. Este tipo de linguagem vem da Bíblia grega: “Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome” (Mateus 6:9b). No NT, esta expressão significa não somente reverenciar e honrar a Deus, como também glorificá-lo mediante a obediência aos Seus mandamentos. Aqui em 1 Pedro, uma olhada mais de perto no restante da frase nos irá ajudar a compreender melhor o sentido, que basicamente é o mesmo. Em 1 Pedro 2.22-23, entendemos sobre o modo como Cristo enfrentou a perseguição que "santificá-lo" significa também seguir o Seu exemplo.

 

“... e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós,”

O sofrimento produzido pela perseguição é uma porta aberta para o testemunho cristão. Os cristãos devem estar preparados. E não apenas dispostos, mas também habilitados para falar sobre Cristo. O crente deve estar preparado para apresentar uma defesa a qualquer um que lhe pedir a razão da esperança que ele tem, ou seja, ele deve estar pronto para explicar o que ele crê, por que crê e por que vive como vive. Devemos demonstrar habilidade de responder a todos que nos perguntam sobre nossa fé em Cristo:

A “razão” ou “defesa” em questão não é a que se apresenta num tribunal judicial, mas é uma defesa “a todo aquele que pedir”. Pedro usou a palavra “razão” (apologia) no mesmo sentido informal que Paulo algumas vezes a usou, por exemplo: “A minha defesa perante os que me interpelam é esta” (1 Coríntios 9:3). “Responder” traduz a palavra grega (logos), um termo que implica racionalidade. Pedro presumiu que uma explicação racional da “esperança” do cristão convenceria alguns e calaria outros.

O apóstolo dirigiu-se não só à questão da defesa do cristão, mas também à maneira como ele faz essa defesa. Quando seus acusadores e opressores perguntam, o cristão deve responder com mansidão e temor . Há aqueles que expõem suas crenças com uma espécie de arrogante beligerância. Com sua atitude sugerem que aqueles que não estão de acordo com eles são tolos ou mal-intencionados. Tentam fazer outros engolirem à força suas crenças.

A causa do cristianismo tem que ser apresentada em forma atrativa e afetuosa, com mansidão. Mansidão é uma das virtudes mais recomendadas no NT, e também uma das que mais se presta a mal-entendidos:  A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como vos convém responder a cada um” (Colossenses 4.6). Deve-se praticar essa classe de sábia tolerância que reconhece que a ninguém é dado possuir toda a verdade.

Sua defesa tem que ser feita com temor ou reverência. A palavra traduzida por “temor” (fobos). A NVI diz “com mansidão e respeito”. Quer dizer, qualquer discussão em que o cristão possa ver-se envolto deve ser conduzida num tom e dentro de uma atmosfera que Deus possa escutar com agrado. Não houve debates tão azedos como os debates teológicos, nem disputas que tenham causado tanta amargura como as religiosas. Em toda apresentação da causa de Cristo e em toda argumentação em favor da fé cristã o acento final deve ser o acento do amor.

Não basta falar a verdade ou até apresentar uma explicação. O modo de falar é muitas vezes tão importante quanto o assunto

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
6/8/2026

FONTES:

GABY, Wagner. A Igreja dos Gentios – Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

Barclay, William. The Letters of James and Peter (Título Original em Inglês). Tradução: Carlos Biagini.

Lopes, Hernandes Dias.  1 Pedro: com os pés no vale e o coração no céu. São Paulo: Hagnos, 2012 .

Kistemaker, Simon J.  Epístolas de Pedro e Judas, trans. Susana Klassen, 1a edição., Comentário do Novo Testamento. São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2006.

MUELLER, Ênio R. I Pedro: Introdução e comentário. São Paulo: Ed. Mundo. Cristão, 1988.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201410_02.pdf

Atos 24:25

Atos 24:25 “E, tratando ele da justiça, e da temperança, e do juízo vindouro, Félix, amedrontado, respondeu: Por agora vai-te, e em tendo oportunidade te chamarei.”

 

“E, tratando ele da justiça, e da temperança, e do juízo vindouro,”

Paulo teve a oportunidade de falar acerca da fé em Cristo intimamente a Felix, já que Drusila, mulher dele, era judia (v.24). Ele deve ter apresentado Jesus como o cumprimento das profecias e também com Senhor e Salvador, em quem Félix e Drusila deveriam depositar a fé. Entretanto, Paulo nunca proclamou as boas novas num vácuo, mas sempre num contexto, no contexto pessoal dos ouvintes. Assim, ele passou a discursar acerca da justiça, da temperança ou domínio próprio e do juízo vindouro.

A maioria dos comentaristas relaciona a "justiça" à bem conhecida crueldade e opressão da qual Félix era culpado, e o "domínio próprio" à sua lascívia desenfreada que o levou e uniu a Drusila, enquanto o "juízo vindouro" seria o castigo inevitável por sua injustiça e imoralidade. Lembrando-nos da atitude de João, o batista perante Herodes Antipas: “Pois João dizia a Herodes: Não te é lícito possuir a mulher de teu irmão” (Marcos 6:18).

Mas é possível que a justiça da qual Paulo falou era precisamente a "justiça de Deus" ou o ato divino de justificação que ele elaborara em sua Carta aos Romanos. Nesse caso, os três tópicos da conversa seriam "os três tempos da salvação". Ou seja, como ser justificado ou ser considerado justo por Deus, como vencer a tentação e obter o domínio próprio, e como escapar do terrível juízo final de Deus.

 

“... Félix, amedrontado, respondeu: Por agora vai-te, e em tendo oportunidade te chamarei.”

Félix ainda tinha' consciência suficiente para sentir-se alarmado com a mensagem cristã, mas logo ouvira tanto quanto podia agüentar, e mandou Paulo embora até que tivesse mais tempo disponível. Com certeza, para Paulo, o fato de Félix ser libertado do pecado era mais importante do que ele próprio ser libertado da prisão. Mas, infelizmente, não há nenhuma evidência de que Félix tenha se rendido a Cristo, sendo remido. Apesar de que durante os próximos meses Félix freqüentemente o chamava para conversar com ele (v. 26).

O governador ficou com medo do julgamento futuro, mas recusou-se a se arrepender dos seus maus caminhos e se voltar para a fé em Jesus. A atitude de Félix foi deplorável, pois em vez de arrepender-se, procrastinou a mais importante decisão de sua vida: “por agora, podes retirar-te, e, quando eu tiver vagar, chamar-te-ei”. A procrastinação, o deixar para depois, é a mais insensata e mais perigosa decisão da vida, mormente, quando se trata da salvação de sua vida. O dia do arrependimento é hoje. O tempo do acerto com Deus é agora. Amanhã pode ser tarde demais!

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
6/8/2026

FONTES:

GABY, Wagner. A Igreja dos Gentios – Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

MARSHALL, Howard. Atos - Introdução e Comentário. Vida Nova/Mundo Cristão. 1991.

Lopes, Hernandes Dias Atos: a ação do Espírito Santo na vida da igreja. São Paulo: Hagnos, 2012.

STOTT, John. A Mensagem de Atos - Até os confins da terra. São Paulo: ABU, 1994.

 

NA COMUNHÃO, A IGREJA SE FORTALECE E SE MANTÉM VIVA (Filipenses 4.15) 6/8/26


LEITURA BÍBLICA DIÁRIA  
6 DE AGOSTO DE 2026
NA COMUNHÃO, A IGREJA SE FORTALECE E SE MANTÉM VIVA 

Filipenses 4.15 "E bem sabeis também, ó filipenses, que, no princípio do evangelho, quando parti da macedônia, nenhuma igreja comunicou comigo com respeito a dar e a receber, senão vós somente;"


“E bem sabeis também, ó filipenses, que, no princípio do evangelho, quando parti da macedônia,”

Também” implica que Paulo estava ciente da generosidade dos filipenses e que eles sabiam que ele estava ciente disso. A expressão “no início do evangelho” pode se referir à pregação do início do evangelho para os filipenses. A NVI diz “nos seus primeiros dias do evangelho”. Todavia, essas palavras provavelmente se referem apenas a uma nova fase da obra de Paulo que teve seu início em Filipos: “Dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós, Fazendo sempre com alegria oração por vós em todas as minhas súplicas, Pela vossa cooperação no evangelho desde o primeiro dia até agora” (Filipenses 1:3-5)

Paulo mencionou sair da Macedônia, isso esta descrito em (Atos 17:15) “E os que acompanhavam Paulo o levaram até Atenas, e, recebendo ordem para que Silas e Timóteo fossem ter com ele o mais depressa possível, partiram”. Filipos ficava na Macedônia (Atos 16:12), norte do que hoje é a Grécia. Depois que o apóstolo saiu daquela região, ele foi para a Acaia, o sul do que hoje é a Grécia. Ali, ele pregou em Atenas e Corinto (Atos 17:15—18:11).

Paulo recebeu a ajuda deles até mesmo antes dele sair da província. De Filipos, ele havia viajado uns cento e cinqüenta quilômetros a oeste pela estrada romana, a Via Egnácia, até Tessalônica (Atos 16:39—17:1). Ali ele pregou e ensinou por um tempo. Nesse período, ele exerceu seu ofício de fazer tendas (veja 1 Tessalonicenses 2:9; 2 Tessalonicenses 3:8), mas também recebeu assistência de Filipos. “Porque até para Tessalônica”, escreveu ele, “mandastes não somente uma vez, mas duas, o bastante para as minhas necessidades” (Filipenses 4:16).

A igreja em Filipos era pequena e jovem na fé. Segundo a história bíblica e secular, os cidadãos dessa região enfrentavam uma crise financeira (veja 2 Coríntios 8:1–4). Tessalônica era uma cidade maior e mais rica. Todavia, os cristãos de Filipos enviaram ajuda a Paulo enquanto ele esteve lá.


“...nenhuma igreja comunicou comigo com respeito a dar e a receber, senão vós somente;”

Concluímos com base em 2 Coríntios 11:8 e 9: “Outras igrejas despojei eu para vos servir, recebendo delas salário; e quando estava presente convosco, e tinha necessidade, a ninguém fui pesado. Porque os irmãos que vieram da macedônia supriram a minha necessidade; e em tudo me guardei de vos ser pesado, e ainda me guardarei” (2 Coríntios 11:8,9 ), que os cristãos de Filipos enviaram sustento para Paulo enquanto ele estava em Corinto. Todavia, quando Paulo escreveu sobre a ajuda recebida em Corinto, ele usou o plural “igrejas”. O que, então, ele quis dizer em Filipenses 4:15 quando mencionou “nenhuma igreja se associou comigo... senão unicamente vós outros”?

Talvez Paulo estivesse reforçando que a igreja de Filipos era a única congregação que o ajudou de maneira coerente—a única “sócia” constante em seus empreendimentos missionários. Qualquer que seja o significado exato das palavras “unicamente vós outros”, Paulo estava ressaltando o serviço único prestado pelos cristãos filipenses.

Nunca é cedo demais para uma congregação começar a participar da obra missionária. Às vezes alguns membros raciocinam: “Assim que estivermos firmemente estabelecidos nesta região, vamos mandar contribuições para ajudar a causa do Senhor em outros locais”. Uma congregação pode pensar: “Assim que tivermos um prédio” ou “assim que suprirmos nossas próprias necessidades”—“pensaremos nos perdidos de outros locais”. A igreja em Filipos não raciocinava assim. Embora fosse pequena e pobre, a jovem congregação começou imediatamente a ajudar Paulo o máximo que podia—e continuou dando esse apoio por uma década.

Os filipenses não basearam seus atos no que os outros estavam fazendo (ou não estavam fazendo). Eles amavam Paulo e estavam decididos a ajudá-lo—mesmo que ninguém mais fizesse isso. Deve ter sido muito gratificante para esses irmãos lerem: “Recebi tudo e tenho abundância; estou suprido, desde que Epafrodito me passou às mãos o que me veio de vossa parte” (v. 18a).

Além da ajuda financeira, parece que mandaram roupas e outros artigos. Por causa daquilo que mandaram, Paulo disse com efeito: “Tenho o suficiente para as minhas necessidades atuais—e mais. Tenho até sobras para suprir minhas necessidades futuras”. Saber que você ajudou outros é uma das bênçãos de dar generosamente.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
16/11/2023

FONTES:

GABY, Wagner. Até os confins da terra – Pregando o evangelho a todos os povos até a volta de Cristo. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201102_03.pdf

 

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

DEUS SUSTENTA A MISSÃO MESMO DIANTE DA REJEIÇÃO E DA OPOSIÇÃO (Atos 18:6) 5/8/26


LEITURA BÍBLICA DIÁRIA  
5 DE AGOSTO DE 2026
DEUS SUSTENTA A MISSÃO MESMO DIANTE DA REJEIÇÃO E DA OPOSIÇÃO 

Atos 18:6 “Mas, resistindo e blasfemando eles, sacudiu as vestes, e disse-lhes: O vosso sangue seja sobre a vossa cabeça; eu estou limpo, e desde agora parto para os gentios.”

 

“Mas, resistindo e blasfemando eles,”

O povo judeu se tornara obstinado, teimoso e rebelde, pois seus corações haviam ficado insensíveis à vontade de Deus, e seus ouvidos estavam surdos aos clamores do Senhor: “Mas a casa de Israel não te quererá dar ouvidos, porque não me querem dar ouvidos a mim; pois toda a casa de Israel é de fronte obstinada e dura de coração” (Deuteronômio 9:6). Estevão denunciou os homens da sua geração dizendo: “Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim vós sois como vossos pais” (Atos 7.51).

Paulo enfrenta de cidade e cidade a mesma obstinação do povo que resiste igualmente as palavras do evangelho. O escritor aos hebreus nos orienta a agirmos diferentes: Se ouvirdes hoje a sua voz, Não endureçais os vossos corações, como na provocação, no dia da tentação no deserto. Onde vossos pais me tentaram, me provaram, e viram por quarenta anos as minhas obras. Por isso me indignei contra esta geração, e disse: Estes sempre erram em seu coração, e não conheceram os meus caminhos” (Hebreus 3:7-10).

Além de resistir eles blasfemaram. Nas páginas do Novo Testamento, quando esse verbo é utilizado em relação aos homens, significa caluniar, difamar, insultar, injuriar a reputação de outrem. Como fizeram também com Jesus na cruz: “E os que passavam blasfemavam dele, meneando as cabeças, E dizendo: Tu, que destróis o templo, e em três dias o reedificas, salva-te a ti mesmo. Se és Filho de Deus, desce da cruz. E da mesma maneira também os principais sacerdotes, com os escribas, e anciãos, e fariseus, escarnecendo, diziam: Salvou os outros, e a si mesmo não pode salvar-se. Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz, e creremos nele.  Confiou em Deus; livre-o agora, se o ama; porque disse: Sou Filho de Deus” (Mateus 27:39-43).

 

“... sacudiu as vestes,”

Essa ação é similar ao ato de sacudir o pó dos pés ou imitação do mesmo. Sacudir assim as vestes simbolizava o ato de sacudir a poeira que se apegara às mesmas, como se elas estivessem contaminadas por aqueles com quem a pessoa que assim fazia se associara. Isso é um cumprimento literal do mandamento que o Senhor Jesus deu aos seus discípulos, no tocante à atitude que deveriam ter, em casos de perseguição e ultraje contra o cristianismo “E, se ninguém vos receber, nem escutar as vossas palavras, saindo daquela casa ou cidade, sacudi o pó dos vossos pés” (Mateus 10:14).

Pela literatura rabínica somos informados de que nenhum judeu religioso deixava de acautelar-se por não trazer para a Palestina qualquer poeira proveniente de territórios pagãos, porque esse pó poderia ser considerado como uma contaminação própria do paganismo.

Este episódio nos mostra que Paulo se inocentou de qualquer responsabilidade por eles. Com essa atitude, o apóstolo mostrou que os membros daquela sinagoga, que haviam rejeitado a Cristo, com esse ato se tinham declarado indignos do ministério do evangelho, bem como dos benefícios que disso resultam.

 

“O vosso sangue seja sobre a vossa cabeça; eu estou limpo, e desde agora parto para os gentios.”

A expressão: “O vosso sangue seja sobre a vossa cabeça” parece ter-se originado no costume dos hebreus, dos egípcios e de outros povos antigos, de colocarem as mãos sobre a cabeça do animal morto como sacrifício, como se fosse um ato simbólico de transferência de culpa para a vítima sacrificada quando era abatida e o seu sangue era aspergido. O sangue representa a vida da carne e o fato de ser derramado representa a perda dessa vida. Essa expressão veio a ser vinculada à responsabilidade que qualquer indivíduo tem pelo seu próprio destino.

Não devemos considerar essas palavras como um a maldição, como se Paulo lhes estivesse desejando qualquer mal, especialmente algum a perda ou prejuízo. Pelo contrário, somente serviu de solene declaração que não tinha mais qualquer responsabilidade pela perda da vida eterna que com aquela atitude eles condenavam a si mesmos. Paulo havia feito a sua parte como arauto de Deus: Quando eu disser ao ímpio: Certamente morrerás; e tu não o avisares, nem falares para avisar o ímpio acerca do seu mau caminho, para salvar a sua vida, aquele ímpio morrerá na sua iniquidade, mas o seu sangue, da tua mão o requererei” (Ezequiel 3:18).

O povo judeu, em Jerusalém, empregara virtualmente essas palavras quando assumiram toda a responsabilidade pela morte bárbara e atroz do Senhor Jesus, aceitando assim toda a culpa que esse trucidamento envolvia: "E, respondendo todo o povo, disse: O seu sangue seja sobre nós e sobre nossos filhos" (Mateus 27:25).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
7/7/2026

FONTES:

GABY, Wagner. A Igreja dos Gentios – Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

 

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Atos 24:13

tos 24:13 “Nem tampouco podem provar as coisas de que agora me acusam.”

 

“Nem tampouco podem provar as coisas de que agora me acusam.”

Depois de receber autorização de Felix para se defender. O apóstolo se defendeu das acusações de ser um agitador entre os judeus argumentando que não causou a confusão em Jerusalém, pois não havia falado com ninguém desde que chegou há 12 dias. E também que não estava profanando o templo e quebrando lei, pois estava cumprindo voto: “Então Paulo, tomando consigo aqueles homens, entrou no dia seguinte no templo, já santificado com eles, anunciando serem já cumpridos os dias da purificação; e ficou ali até se oferecer por cada um deles a oferta” (Atos 21:26).

Após os esclarecimentos nos versos anteriores ele afirmou que seus acusadores não podiam provar as coisas que o acusaram. Pois o Sinédrio não tinha um conhecimento de primeira mão das acusações feitas; só lidara com boatos. Não trouxeram uma testemunha, apenas um orador fluente. Não havia provas para a acusação. 

Na lei judaica para se condenar alguém deveria haver pelo menos duas ou três; não era permitido condenar uma pessoa com base em apenas um testemunho: “Uma só testemunha contra alguém não se levantará por qualquer iniqüidade, ou por qualquer pecado, seja qual for o pecado que cometeu; pela boca de duas testemunhas, ou pela boca de três testemunhas, se estabelecerá o fato” (Deuteronômio 19:15).

O falso testemunho era proibido, pois poderia resultar em uma pessoa perdendo a reputação, seus bens e até sua vida: “Ora, os príncipes dos sacerdotes, e os anciãos, e todo o conselho, buscavam falso testemunho contra Jesus, para poderem dar-lhe a morte” (Mateus 26:59). O castigo por dizer falso testemunho era o mesmo que era planejado para o próximo da pessoa:  “Far-lhe-eis como cuidou fazer a seu irmão; e assim tirarás o mal do meio de ti” (Deuteronômio 19:19).

Mesmo assim, Paulo não foi inocentado ou solto por Félix, que representava Roma, nem sequer depois deste último receber um relatório mais detalhado da parte de Lísias (supondo-se que finalmente o prestou). Paulo permaneceu sendo prisioneiro, e surge a pergunta de por que foi mantido em custódia. A resposta pode ser que Félix suspeitasse que o assunto era mais complexo do que uma mera acusação acerca de uma perturbação isolada da paz no templo, e que Paulo poderia ser um perigo público.

As autoridades romanas forçosamente se preocupavam com quaisquer causas possíveis de motins e rebeliões entre os judeus nos anos sempre mais tensos que levaram ao irrompimento da revolta judaica, e um governador romano provavelmente preferiria o caminho mais seguro no caso de um prisioneiro potencialmente perigoso.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
4/8/2026

FONTES:

GABY, Wagner. A Igreja dos Gentios – Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

MARSHALL, Howard. Atos - Introdução e Comentário. Vida Nova/Mundo Cristão. 1991.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_200205_08.pdf

https://textoaureoebd.blogspot.com/2025/11/zacarias-817.html