LEITURA BÍBLICA DIÁRIA
1 DE MAIO DE 2026
O ESPÍRITO SANTO INTERCEDE POR NÓS
Romanos 8:26 “E da mesma maneira também o
Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir
como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.”
“E da mesma maneira também o Espírito ajuda
as nossas fraquezas;”
Essas
palavras poderiam se referir às afirmações anteriores sobre o Espírito. Por
exemplo, a primeira parte do versículo 26 poderia significar que “da mesma
forma que o Espírito testifica com nosso espírito (v. 16), Ele também
nos ajuda em nossas fraquezas”. Provavelmente, a referência é à exposição
recém concluída sobre esperança e significa, com efeito: “Assim como a
esperança produz perseverança [vv. 24, 25], o Espírito nos assiste em
nossa fraqueza”.
O
ponto de referência exato não é tão importante quanto esta verdade emocionante:
“O Espírito... nos ajuda em nossa fraqueza”! Que fraqueza? Qualquer fraqueza:
física, emocional ou espiritual. Moo sugeriu que “‘fraqueza’ se refere às
limitações da nossa condição humana”. Muitos de nós relutamos em pensar em nós
mesmos como “fracos”, mas se formos sinceros, temos de admitir a presença de
uma fraqueza dentro de nós — constante, persistente e, às vezes, esmagadora.
Não é maravilhoso saber que existe uma ajuda divina? “O Espírito nos assiste
em nossa fraqueza”.
“... porque não sabemos o que havemos de
pedir como convém,”
Paulo
ilustrou essa verdade citando uma fraqueza específica que todos nós temos,
assegurando-nos que o Espírito nos ajuda nessa deficiência em particular. Qual
é a sua maior fraqueza? São muitas as respostas que nos vêm à mente: uma
fraqueza de convicção, uma fraqueza moral, uma fraqueza em realmente confiar no
Senhor aconteça o que acontecer. Alguns podem até se surpreender com a fraqueza
escolhida por Paulo em sua ilustração — uma falha em relação à vida de oração:
“...não sabemos orar como convém”. A ERC diz: “não sabemos o que havemos
de pedir como convém” (grifo meu).
Todavia,
pare e pense. O que é a oração? A oração é a nossa linha de comunicação com
Deus. Se a nossa vida de oração for como convém, Deus poderá nos ajudar a
solucionar os outros problemas citados; mas se essa linha de comunicação vital
for cortada, tudo estará perdido. Geralmente não sabemos o que orar porque não estamos
certos de qual é a vontade de Deus em questão, e não sabemos o que será melhor
no fim. Isso ocorre em muitas situações. Não sabemos como devidamente louvar
Aquele que salvou nossas almas e nos abençoa diariamente. Não sabemos como
eliminar o egoísmo latente de nossas petições. Com pesar, estamos cientes da
imprecisão da linguagem humana ao nos reportarmos ao Criador e Senhor do
universo.
“... mas o mesmo Espírito intercede por nós
com gemidos inexprimíveis.”
O
Espírito intercede por nós. A idéia é de rogar em benefício de outro. Pouco
mais adiante no mesmo capítulo, leremos que Cristo está intercedendo pelos
cristãos no céu (v. 34; veja Hebreus 7:25). O versículo 26 nos revela que, de
um modo especial, a habitação do Espírito apela em nosso favor.
Alguns
se confundem com Romanos 8:26. E contestam eles: “Mas 1 Timóteo 2:5 diz que só
há um mediador, o qual é Jesus”. Há um só mediador, mas podemos ter muitos
intercessores, tanto humanos como divinos. O Novo Testamento ensina que até
seres humanos devem oferecer orações “intercessórias” por seus semelhantes
(Romanos 15:30; 1 Timóteo 2:1, 2). Sendo assim, não há contradição em se dizer
que tanto Jesus como o Espírito Santo intercedem por nós. Alguém sugeriu que
Cristo intercede por nós junto ao trono de Deus, enquanto o Espírito intercede
junto ao trono do nosso coração.
Paulo
não afirmou simplesmente que o Espírito intercede por nós. Ele disse que “o
Espírito... intercede por nós com gemidos inexprimíveis”. A maioria
dos pentecostais ou carismáticos entendem “gemidos inexprimíveis” como
uma “oração numa língua inspirada pelo Espírito”. A palavra grega
“alaletois” a qual Moo traduz por “não dito” e outros por “inexprimível”
(Fitzmyer), é interpretada por Fee por “sem palavras”. Os gemidos não
são compreensíveis à mente humana, de acordo com Fee, porque eles não são
expressos em palavras inteligíveis. Esta interpretação indica que o que Paulo
está descrevendo é o mesmo fenômeno que orar no Espírito ou falar em
línguas. Fee apresenta fortes razões em favor de vermos aqui a atividade
descrita aqui como orar no Espírito ou falar em. Esta linha de interpretação
não é nova ou de origem pentecostal— Orígenes a ensinou (De Oração) e outros
desde então.
Raimundo
de Oliveira sobre o orar em línguas diz que grande é a utilidade do dom de
línguas quando exercitado humildemente e com orientação do Espírito Santo. À
luz de 1 Coríntios 14 o exercício do dom de línguas é útil para: falar
mistérios com Deus, edificação individual, orar bem, complemento do culto.
Falar a Deus em outras línguas é orar com o espírito e no espírito. Quando o
crente ora em línguas, mesmo que ele não saiba o sentido das palavras, Deus o
entende. Há ocasiões em que as palavras do seu idioma nativo não conseguem
expressar o que sua alma deseja dizer a Deus, seja glorificando, intercedendo
ou suplicando ao Senhor. Através das línguas estranhas, podemos elevar a Deus o
mais puro louvor que as nossas tribulações e tentações impedem que façamos em
nossa própria língua.
É quando o crente não sabe o que orar, que o Espírito Santo intercede por
ele de maneira especial com gemidos inexprimíveis. Esses “gemidos” do Espírito,
pronunciados em línguas estranhas, são incompreensíveis ao que ora, mas
perfeitamente entendidos por Deus. O versículo 27 diz: “E aquele que sonda
os corações sabe qual é a mente do Espírito”.
Outra
visão mais contemporânea discorda abvertamente dessa interpretação.
Pois, nem todo cristão, desde os tempos primitivos falam em línguas
para com elas orar (1 Coríntios 12:30). Consequentemente, o trecho não
deve estar se referindo ao falar em línguas, pois assim limitaria a
intercessão do Espírito àqueles que foram batizados nEle, e todo aquele
que confessa que Jesus é o Senhor pelo Espírito Santo deve o tê-lo
também como intercessor.
Diz
que Alaletos pode se referir ao que não se exprime ou ao que não pode
se exprimir. Você já esteve tão feliz que ficou sem palavras? Já esteve
tão triste que as palavras não eram capazes de exprimir sua angústia? Então você entende o significado básico de alaletos.
O
Espírito Santo está intercedendo por nós com “gemidos”. Não há consenso
a respeito de quem está emitindo os gemidos. A forma mais simples de
interpretar o texto é dizer que, assim como a criação “geme” (v. 22) e
nós “gememos” (v. 23), o Espírito Santo “geme” em condolência por nós.
Uma
ilustração disso seria a situação de um velório, em que os entes
queridos lamentam a perda e não há palavras que possam ser ditas para
consolá-los. Tudo o que se pode fazer é juntar-se aos enlutados e
“gemer” com eles no seu sofrimento.
DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
04/04/2026
FONTES:
RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno –
O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
RENOVATO, Elinaldo. Dons espirituais e ministeriais -
Servindo a Deus e aos homens com poder extraordinário. Rio de Janeiro: CPAD,
2014.
OLIVEIRA, Raimundo F. A Doutrina Pentecostal Hoje. Rio de
Janeiro: CPAD, 1986.
http://www.biblecourses.com/Portuguese/Po_lessons/Po_200902_04.pdf