LEITURA BÍBLICA DIÁRIA
28 DE FEVEREIRO DE 2026
O FRUTO DO ESPÍRITO É A EVIDÊNCIA PRÁTICA DA NOVA VIDA
Gálatas 5.16-17, 22 "Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne. Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e
estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis. [...] Mas o fruto do
Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão,
temperança. ”
"Digo, porém"
Paulo já tinha advertido os gálatas
a não usarem “a liberdade para dar ocasião à vontade da carne” (5:13). Agora, ele continua as ideias já iniciadas desenvolvendo-as em um novo sentido,
explicando-as e, sobretudo, sobrepujando-as.
"Andai em Espírito,”.
Ou viver no espírito. O
tempo verbal (presente) indica uma ação habitual.“Andar”
na frase “andai no Espírito” significa literalmente “passear”. É
frequentemente usado no sentido figurado no Novo Testamento conotando
“comportar-se”, “conduzir-se” ou “viver”, tem o sentido geral de conduta
de uma pessoa.
Esse termo é usado somente por Paulo e João. Portanto, “andar no
Espírito” é “comportar-se” em harmonia com “a mente do Espírito”
(Romanos 8:27).
Viver pelo Espírito é ser guiado no Espírito ou
deixar-se guiar pelo Espírito. Espírito é o que possibilita ao homem tal
comportamento ou sua causa. Assim, a expressão representa o fundamento e modo
do comportamento. Precisamente este proceder tem a consequência e a promessa de
que, se assim fizerem, não irão satisfazer as obras da carne.
“... e não cumprireis a concupiscência da carne."
A palavra grega traduzida
aqui por concupiscência, significa
desejos por algo. No contexto se fala da carne com estranha
neutralidade e objetividade como se ela fosse um poder personificado.
Paulo fala da carne, e pensa em nossa carne; nosso corpo humano, tal e
como existimos; “segundo a qual” caminhamos.
Pensa-se
na carne, portanto, que é a medida e a norma do nosso agir e pensar.
Esse poder carnal tem seus próprias vontades(concupiscências), com os
quais tenta desviar o crente de sua conduta espiritual, que deve ser
vivida segundo o Espírito (Romanos 8.3,6-8; 9.8; Gálatas 5.13,19). Esse
poder da carne está em constante luta contra outro, que é o Espírito.
Entretanto,
Paulo demonstra confiança de que uma vida dirigida pelo
Espírito torna impossível ceder às paixões da carne. Assim, o Espírito
tem todo o poder de destruir a carne. Aqueles que seguem o caminho do
Espírito são dotados de um método eficaz para resistir à tentação e
vencer o pecado. Paulo escreveu aos romanos: “Porque, se viverdes
segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se, pelo Espírito,
mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis” (Romanos 8:13).
"Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e
estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis”.
A luta explícita da carne contra
o espírito representa os conflitos internos entre a natureza pecaminosa (velho
homem) e a nova natureza produzida na regeneração (Novo nascimento): “Na
verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito,
não pode entrar no reino de Deus” (João 3:5). O apostolo Paulo expressa sua
própria luta a igreja de Roma: “Porque bem sabemos que a lei é espiritual;
mas eu sou carnal, vendido sob o pecado. Porque o que faço não o aprovo; pois o
que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço” (Romanos 7:14,15).
Os que estão na carne, ou vivem
segundo a carne “não podem agradar a Deus “ (Romanos 8.8). Porque eles
vivem manifestando as obras da carne que são: “...adultério, fornicação,
impureza, lascívia, Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações,
iras, pelejas, dissensões, heresias, Invejas, homicídios, bebedices,
glutonarias, e coisas semelhantes a estas...” (Gálatas 5:19-21). Segundo
esse texto os que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus.
Os que vivem na carne também não
são capazes de discernir a vontade de Deus, pois, seus propósitos se discernem
espiritualmente: “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito
de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se
discernem espiritualmente” (1 Coríntios 2:14).
Aquele que atenta para o Espírito
conseguem então discernir a vontade de Deus, afinal seu Espírito está dentro de
nós e através da renovação do entendimento nos ajuda a pensar como Cristo: “Porque,
quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente
de Cristo” (1 Coríntios 2:16).
“Mas o fruto do
Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão,
temperança. ”
Após de uma exposição sobre a
luta da carne contra o Espírito, Paulo nos apresenta as chamadas “Obras da
Carne” (Gálatas 5.19-21) elas são
listadas: adultério, fornicação, impureza, lascívia, Idolatria, feitiçaria,
inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, Invejas,
homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das
quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não
herdarão o reino de Deus.
“Mas o fruto do Espírito é: “
A fim
de evidenciar a vida de comunhão com Deus, Paulo começa agora a falar do que
acontece com aqueles que se submetem ao Espírito Santo: em lugar de obras
aparecem o fruto e em lugar de carne aparece o Espírito. As mais belas virtudes
cristãs são destacadas na vida daqueles que vivem sob o controle do Espírito
Santo. O singular fruto, como sempre é usado por Paulo, na verdade trata-se de
um recurso para destacar a unidade que o Espírito Santo cria na vida daqueles
que se sujeitam a Ele, produzindo as diversas virtudes, mas tendo uma só fonte.
No viver carnal a desunião é grandiosa, ao contrário daqueles que vivem sob a
vida dinâmica do Espírito Santo, que busca levar o crente a viver como Jesus
viveu neste mundo, tendo um só sentimento, em total perfeição (Gl 4.19). O
viver na carne traz diversos problemas, conflitos, pecados, mas o viver no
Espírito produz uma vida segundo o querer de Jesus. A lista de Paulo começa da
seguinte maneira:
“...amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão,
temperança. ”
a) Amor (Agápe). É importante
entender que Paulo não está dizendo aqui, que as demais virtudes vêm do amor,
na verdade, ao o amor é a decisão de tudo (1 Coríntios 13.13; 1 João 4.8).
b) Gozo (Chard — alegria com
motivos certos). Quer dizer alegria, não é produto do crente, mas vem ao crente
por meio de Jesus e do Espírito (João 15.11; 1 Tessalonicenses 1.6).
c) Paz (Eiréne — ordem,
segurança, felicidade, ausência de ódio, vida confiante no que Cristo fez).
Essa paz vem de Cristo e concede tranquilidade ao crente (João 14.27;
Filipenses 4.6), ela visa atingir também os relacionamentos.
d) Longanimidade
(makrothumía-paciência). Dominado por esse fruto o cristão não se apressa em
tomar atitude ásperas de imediato, nem fica dominado com o sentimento de
vingança, mas deixa tudo nas mãos de Deus (Romanos 12.19).
e) Benignidade (Crestótes —
generosidade, amabilidade). A ênfase está em fazer o bem e envolve atitudes
sociais.
f) Bondade (Agathosyne — retidão,
bondade benéfica). Essa bondade trata-se mais de uma conduta, alguém que faz o
bem porque é reto e sua alma aborrece o mal. Dominado por esse fruto o cristão
nunca agirá com intenções e motivos maléficos.
g) Fidelidade (Pístis — entenda
que não se trata de fé, mas sim de fidelidade, lealdade). São diversos os
conceitos que essa palavra recebe, mas nesta ocasião ela ganha uma conotação de
integridade, dignidade que merece confiança (Mateus 23.23; 2 Timóteo 4.7; Tito
2.10).
h) Mansidão (Praótes — gentileza,
faz o bem para o outro com toda humildade, pois o eu carnal está subjugado).
i) Domínio próprio (Encrateia —
autocontrole. Domínio sobre os desejos e as paixões, especialmente os apetites
sensuais). Estudiosos falam desse controle como um ato de reprimir com mão
forte, por intermédio do Espírito, os desejos do eu carnal.
Observe que no tocante às obras
da carne, Paulo diz que aqueles que são dominados por ela jamais entrarão no
reino dos céus. Para as obras carnais existe restrição, exigências, mas quanto
aos frutos do Espírito Santo, Paulo diz que não há Lei, ou melhor, restrição.
Não há Lei para frear o fruto do Espírito, pois todas as virtudes do fruto do
Espírito são benéficas para nossa vida (Romanos 8.4; 1 Timóteo 1.9). O cristão
deve procurar sempre viver sob o poder do Espírito Santo para que esses frutos
estejam em sua vida (João 15.2; Efésios 5.9; Colossenses 3.12; 1 Coríntios
13.7).
DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
15/3/2023-6/6/2023-27/11/2025
Fontes:
RENOVATO, Elinaldo. Aviva a Tua Obra – O chamado das
escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.
GOMES, Osiel. As Obras da Carne e o Fruto do Espírito - Como
o crente pode vencer a verdadeira batalha espiritual travada diariamente. Rio
de Janeiro: CPAD, 2016.
CABRAL, Elienai. Relacionamentos em Família – Superando
desafios e problemas com exemplos da Palavra de Deus. Rio de Janeiro: CPAD,
2023.
SOARES, Germano. Gálatas - Comentário. Rio de Janeiro: CPAD, 2009.
http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201806_06.pdf