domingo, 24 de maio de 2026

Eclesiastes 12:3

Eclesiastes 12:3 “No dia em que tremerem os guardas da casa, e se encurvarem os homens fortes, e cessarem os moedores, por já serem poucos, e se escurecerem os que olham pelas janelas;”

 

“No dia em que tremerem os guardas da casa,”

A casa é o corpo humano, pois tanto nos sonhos como nas visões com frequência simboliza. Agora estamos chegando ao exame do que acontece ao corpo (casa) do homem velho. Perceba agora os sintomas de idade avançada. Os braços são aqui representados como os guardas da vida, isto é, da casa, esses braços vigorosos, que defendem qualquer corpo contra as agressões de fora. Há tempo em que os braços ficam fracos e o corpo fica sem defesa.

Moisés, já em avançada idade não conseguia manter seus braços levantados: “E acontecia que, quando Moisés levantava a sua mão, Israel prevalecia; mas quando ele abaixava a sua mão, Amaleque prevalecia. Porém as mãos de Moisés eram pesadas, por isso tomaram uma pedra, e a puseram debaixo dele, para assentar-se sobre ela; e Arão e Hur sustentaram as suas mãos, um de um lado e o outro do outro; assim ficaram as suas mãos firmes até que o sol se pôs” (Êxodo 17:11,12).

 

“... e se encurvarem os homens fortes, ”

Os homens outrora fortes parecem referir-se às pernas, que em outra passagem relacionam-se com a força: “Não se deleita na força do cavalo, nem se compraz nas pernas do homem” (Salmos 147:10).

As pernas podem transportam o corpo para as festas, para os bailes, para os cabarés, para os prazeres, enfim. Bom é lembrar que estes homens fortes um dia enfraquecem e o corpo que carregavam começa a inclinar-se para a frente, a cabeça vergando-se ao peso dos anos. Então se diz: "Lá vai um velho", que já foi moço, mas quem sabe por que caminhos terá andado?

Os homens fortes fracassaram e agora nada mais os pode reabilitar. Os tendões das pernas ficaram flácidos, os músculos perderam o seu vigor, bem assim aquela agilidade, tão própria de moços e moças, alguns dançando noites Inteiras. Agora nada mais representam daquela força de outrora. Alguns passam a andarem com bengalas: “Ainda nas praças de Jerusalém habitarão velhos e velhas; levando cada um, na mão, o seu  cajado, por causa da sua muita idade” (Zacarias 8:4).

 

“... e cessarem os moedores, por já serem poucos, ”

Os dentes são considerados os moedores da boca, os quais vão caindo um a um, ficando uns quantos fracos para mastigar os alimentos. Algumas pessoas velhas perderam todos os seus dentes, e outras possuem apenas poucos. Nos dias do Pregador não havia dentistas nem protéticos para cuidarem da boca, e o que acontecia bem conhecemos: uma pessoa com falta de dentes, e os outros enfraquecidos, afeando uma boca, que outrora teria sido uma atração da mocidade, uma boca para ser beijada.

Agora? Quem diria? Haverá coisa mais decadente do que um desdentado? Isso é bom para ser lembrado, quando os nossos moedores estão fortes e sadios, quando devemos ter o cuidado de os trazer limpos e higiênicos: “Como dente quebrado, e pé desconjuntado, é a confiança no desleal, no tempo da angústia” (Provérbios 25:19).

 

“... e se escurecerem os que olham pelas janelas; ”

Quando se escurecerem os que olham pelas janelas diz respeito a visão do homem que falha, do mesmo modo que as demais faculdades físicas. Moisés foi um exemplo raro de alguém que, aos cento e vinte anos, tinha uma boa visão, mas geralmente a visão se deteriora nas pessoas velhas tão brevemente quanto qualquer outra coisa, e é um sinal de misericórdia ou proposito divino quando não acontece.

Nós temos necessidade de melhorar a nossa visão enquanto nós a temos, porque a luz dos olhos pode acabar antes da luz da vida. Assim aconteceu com Isaque e Aias: “E aconteceu que, como Isaque envelheceu, e os seus olhos se escureceram, de maneira que não podia ver” (Genesis 27.1); ”E a mulher de Jeroboão assim fez, e se levantou, e foi a Siló, e entrou na casa de Aías; e já Aías não podia ver, porque os seus olhos estavam já escurecidos por causa da sua velhice” (1 Reis 14:4).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
24/05/2026

FONTES:

MESQUITA, Antônio Neves de. Estudo nos livros de Eclesiastes e Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista (JUERP), 1978.

EATON, Michael A; CARR, G. Lloyd. Eclesiastes e Cantares: introdução e comentário. Mundo Cristão, 1989.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001. 

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry - Poéticos. Rio de Janeiro CPAD, 2008.

Eclesiastes 12:2

Eclesiastes 12:2 “Antes que se escureçam o sol, e a luz, e a lua, e as estrelas, e tornem a vir as nuvens depois da chuva; ”

 

“Antes que se escureçam o sol, e a luz, e a lua, e as estrelas, ”

Estes próximos versículos reforçarão o versículo 1 deste capítulo. O sol traz o que é doce e agradável (Eclesiastes 11.7) e a luz (o dia da juventude) fica tão brilhante que enche a vida com uma falsa esperança. Além disso, há o brilho da lua e das estrelas.

Todos esses corpos luminosos dão luz a este mundo tenebroso; assim, a juventude tem a sua luz, e faz-se dia ou, pelo menos, uma noite devidamente iluminada. Mas a terra inteira ficará entre trevas quando chegar a noite da idade avançada; então, haverá a noite eterna, quando a morte apagar todas as lâmpadas.

Os astros aí mencionados também são sinônimos de alegria. Representam os dias venturosos da mocidade, que passa. Então o sol, a luz e as estrelas empalidecem, e a decrepitude chega. Por isso é bom lembrar estas coisas a tempo.

 

 “...e tornem a vir as nuvens depois da chuva;”

Como, quando o tempo está chuvoso, no mesmo instante existe uma nuvem parada, e logo ela é sucedida, assim acontece com as pessoas velhas, quando elas se livram de uma dor ou doença, logo são tomadas por outra, de modo que suas inquietações são como um gotejar constante em um dia muito chuvoso

O retorno das nuvens se refere à sucessão contínua de tristezas. E sublinha a inevitabilidade dos problemas da velhice. “ Mesmo que a tempestade passe logo, logo virá outra”. Assim como a natureza é imprevisível a traiçoeira juventude será suplantada pela ainda mais traiçoeira idade avançada.

Portanto, o conselho do triste filósofo à juventude é: “Anda na luz da juventude, enquanto ela perdurar”, pois a verdade é que não perdurará por longo tempo. Quando você for velho, olhará para trás e dirá: “Como foi que eu envelheci?”. Você olhará para o espelho e não acreditará no que estiver vendo.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
24/05/2026

FONTES:

MESQUITA, Antônio Neves de. Estudo nos livros de Eclesiastes e Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista (JUERP), 1978.

EATON, Michael A; CARR, G. Lloyd. Eclesiastes e Cantares: introdução e comentário. Mundo Cristão, 1989.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001. 

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry - Poéticos. Rio de Janeiro CPAD, 2008.

Filipenses 1:12

Filipenses 1:12 "E quero, irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram contribuíram antes para maior proveito do evangelho." 

 

"E quero, irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram”

Os filipenses estavam profundamente preocupados com o estado físico de Paulo na prisão. Nutriam por ele um grande afeto. Sabiam que ele estava preso, aguardando o julgamento, e que não demoraria o seu julgamento perante o supremo tribunal do Império. Por causa dessa situação, a igreja se preocupava em saber como ele estava se sentindo. Na verdade, a preocupação maior dos filipenses estava em saber o que aconteceria com a igreja plantada por todo o mundo romano se Paulo fosse condenado à morte.

A expressão “coisas que me aconteceram” inclui tudo que Paulo sofreu no passado e estava enfrentando no presente. Paulo estava falando dos seus sofrimentos, mas sua avaliação sobre esses sofrimentos era que eles não deviam ser a razão de compaixão dos filipenses. Ele queria que os filipenses entendessem que o foco, o vértice de tudo e a pessoa para quem deviam olhar era Jesus. Ele avalia seus sofrimentos com uma visão positiva. Ele tinha consciência da importância da sua missão. Na sua mente, todo e qualquer sofrimento infringido contra a sua pessoa no exercício do ministério cristão era circunstancial e estava sob os cuidados de Deus.

Paulo então se regozijava em Cristo. Ele se regozijava nos seus sofrimentos. Aos colossenses, ele repetiu a mesma mensagem quando disse: “Regozijo-me, agora, no que padeço por vós e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja” (Colossenses 1.24). Ele reagia aos sofrimentos com atitude de aceitação positiva e não permitia que a amargura dos sofrimentos ou qualquer resquício de auto-piedade o impedisse de fazer a obra de Deus.

 

“... contribuíram antes para maior proveito do evangelho."

Paulo estava preso em Roma, mas as suas cadeias não o impediam de proclamar o evangelho. Pelo contrário, as coisas que lhe haviam acontecido em sua viagem missionária não eram um entrave para o progresso do evangelho. Além da epístola de Filipenses, na mesma prisão Paulo escreveu as epistolas de Colossensses, Efésios e Filemom e todas chegaram até nós.

Warren Wiersbe, em seu comentário sobre a Carta aos Filipenses, diz “que o mesmo Deus que usou o bordão de Moisés, os jarros de Gideão e a funda de Davi usou as cadeias de Paulo” para a proclamação do evangelho.

A prisão de Paulo, em vez de reter a força do evangelho, promoveu ainda mais a sua disseminação. Nos versículos posteriores ele cita mais desses proveitos: “as minhas prisões em Cristo foram manifestas por toda a guarda pretoriana, e por todos os demais lugares;  E muitos dos irmãos no Senhor, tomando ânimo com as minhas prisões, ousam falar a palavra mais confiadamente, sem temor” (Filipenses 1:13,14). O Espírito Santo usou a prisão de Paulo para tornar o evangelho ainda mais dinâmico e poderoso no seu avanço no mundo.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
24/05/2026

FONTES:

GABY, Wagner. A Igreja dos Gentios – Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

CABRAL, Elienai. Filipenses - A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Rio de Janeiro: CPAD, 2013.


2 Coríntios 12.9

2 Coríntios 12.9 "E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo." 

 

"E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.”

Embora não haja similaridade essencial entre a experiência de Paulo e a de Jesus no Getsêmani, é relevante observar que ambos oraram três vezes para que algo fosse removido, e em ambos os casos a remoção não foi concedida. Entretanto, assim como Jesus foi fortalecido de modo que pudesse enfrentar sua tribulação terrível e única, assim também Paulo foi encorajado e fortalecido: Então ele me disse: “A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza”.

A frase “a minha graça te basta” denota a disponibilidade contínua da graça. Embora o espinho na carne de Paulo não lhe fosse removido, a graça de Deus o capacitaria a suportar o espinho: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece” (Filipenses 4.13). Sendo assim, parte da grandeza do apóstolo estaria em suportar o “espinho”. Paulo mesmo confessou que sem o “espinho” ele poderia ter uma visão demasiadamente elevada de si mesmo.

A essas palavras foram acrescentadas uma explicação: “porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza”. Então, por causa das fraquezas de Paulo, Cristo poderia manifestar seu poder de modo mais eficiente. Aliás as fraquezas de Paulo tornariam muito mais óbvio o poder grandioso de Cristo e não de Paulo. João, o batista, entendeu muito bem essa verdade:  É necessário que ele cresça e que eu diminua. Aquele que vem de cima é sobre todos; aquele que vem da terra é da terra e fala da terra. Aquele que vem do céu é sobre todos” (João 3:30,31).

A garantia de Cristo de que sua graça é suficiente e seu poder se aperfeiçoa na fraqueza nos motiva, hoje. Em vez de tentar controlar nosso próprio destino, temos de nos submeter sempre à vontade de Deus. Sempre que nos sentirmos impotentes, podemos dizer: “não se faça a minha vontade, mas a tua  (Lucas 22.42). Então, à medida que obedecemos o Senhor ativamente, podemos reinvidicar sua suficiente graça e experimentar seu poder, que “se aperfeiçoa na fraqueza”.

 

“De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo."

Tendo aprendido que o poder de Cristo se aperfeiçoa na fraqueza, Paulo alegra-se de poder gloriar-se em suas fraquezas. A glória, portanto, de todos os feitos de Paulo pertencia a Deus. A atuação do apóstolo, apesar de suas fraquezas (incluindo o “espinho”), mostrava que o poder de Cristo estava vivo e operante nele. Se a tolerância de Paulo com seu “espinho” significava que o nome de Deus receberia mais glória, então Paulo disse que suportaria isso de “boa vontade”.

A palavra “gloriar-se” é recorrente neste trecho da carta. Os romanos costumavam fazer da vanglória uma virtude. As dimensões sociais da auto-exaltação entre eles eram visíveis. Entretanto, Deus já havia determinado que as coisas loucas envergonhassem as sábias, que as fracas segundo o mundo envergonhassem as fortes, e as humildes e desprezadas rebaixassem as que se tinham em alta conta (1 Coríntios 1:26-31). Isto o Senhor fez a fim de que ninguém, nenhum ser humano, se exaltasse e se vangloriasse em sua presença, de modo que se alguém gloriar- se, glorie-se no Senhor.

Assim, a resposta do Senhor ao pedido de Paulo também provê, no contexto, justificação para o fato de Paulo haver rejeitado a ostentação oca de seus inimigos, e também para sua própria vanglória na fraqueza. A declaração de Paulo foi então revolucionária: “De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo”.

A última frase do versículo poderia ser assim traduzida: “para que o poder de Cristo habite em mim”. O “poder de Cristo” manifestou-se quando Paulo, o indivíduo, estava fraco. Ele não tornaria a suplicar a Deus alívio das deficiências que carregava.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
24/05/2026

FONTES:

GABY, Wagner. A Igreja dos Gentios – Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos. Rio de Janeiro:  CPAD, 2026.

HORTON, Stanley. I e II Coríntios – Os problemas da igreja e suas soluções.Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

KRUSE, Colin. 2 Coríntios – Introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1984.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_202109_02.pdf