quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Deuteronômio 30.19

Deuteronômio 30.19 “Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua semente.” 

 

“Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti,”

A invocação de testemunhas é uma característica normal dos tratados seculares. Os deuses de ambas as partes pactuantes eram normalmente invocados como testemunhas. Em Israel tal apelo aos deuses era rejeitado, mas de maneira simbólica céus e terra eram convocados a testemunhar: "Hoje tomo por testemunhas contra vós o céu e a terra, que certamente perecereis depressa da terra, a qual, passado o Jordão, ides possuir; não prolongareis os vossos dias nela; antes, sereis de todo destruídos" (Deuteronômio 4: 26).

O céu e a terra também acompanhariam a escolha que os filhos de Israel fizessem, entre obedecer e desobedecer, conforme era requerido por condições do Pacto Palestínico. Na presença deles a escolha é apresentada a Israel, vida ou morte, bênção ou maldição.

 

“... que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua semente.”

Moisés já havia resumido resumido todos os seus argumentos a favor da obediência, em duas palavras, a bênção e a maldição (Deuteronômio 11:27-28), agora ele acrescenta vida e morte. A neutralidade nesta decisão é simplesmente excluída. Dois caminhos são apresentados: o caminho da obediência, que conduz à bênção e garante vida e o caminho da desobediência, que conduzirá à maldição gerando a morte. A decisão final cabia a Israel, dependendo do livre arbítrio do povo.

O mediador Moisés deixa bem claro as alternativas e então apela a Israel a escolher a vida, pois a escolha que fizessem teria efeitos a longo prazo, afetando a vida de seus descendentes e o próprio futuro da nação: “para que vivas, tu e a tua descendência”.

O propósito do Novo Testamento é praticamente o mesmo. De igual maneira, apresenta diante de nós a vida e a morte, o bem e o mal. “Quem crer... será salvo. Mas quem não crer será condenado”(Marcos 16.16). A quem crer Deus dará a vida eterna. Mas àqueles que são desobedientes à verdade e obedientes à iniqüidade (e assim, na verdade, adoram a outros deuses, e os servem), serão entregues a indignação e a ira de um Deus imortal, cuja conseqüência necessariamente será a tribulação e a angústia de uma alma imortal (Romanos 2.7-9).

 

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
21/10/2026

FONTES:

GOMES, Osiel. O Deus da Aliança - Advertências, Promessas e Bênçãos no Livro de Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

Thompson J. A. Deuteronômio: introdução e comentário; tradução Carlos Osvaldo Pinto. Edição: 1. ed. Publicação: São Paulo : Vida Nova, 1982.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry – Genesis a Deuteronomio. Rio de Janeiro CPAD, 2008.

Hebreus 10:26

 

Deuteronômio 7:18 “Delas não tenhas temor; não deixes de te lembrar do que o Senhor teu Deus fez a Faraó e a todos os resta mais sacrifício pelos pecados,”

 

“Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade,”

De vez em quando o autor de Hebreus fala com uma severidade que quase não tem paralelo no Novo Testamento. Há poucos escritores que possuam tal sentido de horror e terror frente ao pecado (Deuteronômio 17:2-7). Este verso é uma reminiscência daquilo que foi escrito no capítulo 6.4-8, quando o escritor sagrado adverte os cristãos sobre o perigo de caírem num estado de apostasia e por meio desta, entristecerem o Espírito Santo.

Sobre os que pecam voluntariamente. O Dr. F. W. Grant observa que este ato de pecar “voluntariamente” representa mais que um fruto da ignorância, sendo uma aberta oposição a Deus e a tudo que é divino. Não se trata de uma fraqueza da alma, mas de uma atitude obstinada do espírito.

Neste caso não há falta de compreensão da verdade como em Mateus 13:19: ”Ouvindo alguém a palavra do reino, e não a entendendo, vem o maligno, e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado junto ao caminho”. Eles receberam o entendimento da verdade e desprezaram pecando intencionalmente. Em 2 Pedro 2:20, 21 a mesma palavra  foi duas vezes usadas para conhecimento: “Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro. Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado”.

 

 “... já não resta mais sacrifício pelos pecados,”

O pecado voluntario é a razão por que “não resta mais sacrifício pelos pecados” para tais transgressores, visto que voluntariamente se entregaram à prática da iniqüidade. Sem um sacrifício expiador no qual se possa confiar tudo quanto permanece é juízo e fogo vingador: “Visto que amou a maldição, ela lhe sobrevenha, e assim como não desejou a bênção, ela se afaste dele. Assim como se vestiu de maldição, como sua roupa, assim penetre ela nas suas entranhas, como água, e em seus ossos como azeite” (Salmos 109:17,18).

Uma rejeição deliberada da cruz por alguém que conhece o caminho deixa Deus sem alternativa. Quando a misericórdia é rejeitada, o juízo deve cair. Não haverá nova chance: “Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, E provaram a boa palavra de Deus, e os poderes do século futuro, E recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério.” (Hebreus 6:4-6).

Um antigo teólogo escreveu um catecismo. No final termina perguntando o que acontece se o homem menospreza a verdade e a apelação do oferecimento de Jesus Cristo. Sua resposta é que o resultado necessário é a condenação, "e tanto mais porque leu este livro". Quanto maior é o conhecimento, tanto maior é o pecado.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
21/10/2026

FONTES:

GOMES, Osiel. O Deus da Aliança - Advertências, Promessas e Bênçãos no Livro de Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

SILVA, Severino Pedro da. Epístola aos hebreus: as coisas novas e grandes que Deus preparou para você. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

Barclay, William. The Letter to The Hebrews (Título Original em Inglês). Tradução: Carlos Biagini.

HARRISON, Everret F; PFEIFFER, Charles F. Comentário Bíblico Moody. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1990.

Isaías 59:2

 

Deuteronômio 7:18 “Delas não tenhas temor; não deixes de te lembrar do que o Senhor teu Deus fez a Faraó e a todos osIsaías 59:2 “Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça.”

 

“Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus;”

A capacidade de Deus para “salvar” e “ouvir” as orações do seu povo não está de qualquer forma limitada (v.1). A alienação e a distância sentidas pelo povo não eram culpa de Deus. “Vossas iniqüidades” (Avon) e “vossos pecados” (Chataá) estão em posição enfática no texto hebraico, salientando a origem da alienação e distância. No original hebraico pecado (chataá) significa "errar o alvo" ou tropeçar, descrevendo um ato ou deslize. Já iniqüidade diz respeito a deformidade de caráter, pecado voluntario e consciente. Apesar da distinção da definição das palavras os efeitos os mesmos para ambos (separar e encobrir).

Todas as iniqüidades e os pecados formam uma barreira entre Deus e nós. As iniqüidades não nos separam necessariamente da presença do amor de Deus, afinal Deus está presente em todos os lugares (Salmo 139:7) e ama os pecadores (Romanos 5:8). Porém os pecados nos separam da comunhão com Deus, porque quando a cometemos deixamos de pensar como Deus: “Se dissermos que mantemos comunhão com ele e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade” (1 João 1:6)

Eles também nos separam da bênção de Deus e de alguma forma, da proteção de Deus, porque Ele permite que provações venham ao nosso caminho para nos corrigir. Separam-nos de muitos dos outros benefícios do amor de Deus, mesmo que o Filho Pródigo (Lucas 15:11-32) ainda fosse amado pelo pai, ele não desfrutasse dos benefícios desse amor enquanto estava em iniqüidade.

 


“... e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça.”

A adoração era uma espécie de busca do rosto de Javé. Porém os homens entraram no santuário para buscar a face de Deus, mas para eles não houve a glória shekinah, nem a grande nem a pequena. Davi orou: “Não escondas de mim a tua face, não rejeites ao teu servo com ira; tu foste a minha ajuda, não me deixes nem me desampares, ó Deus da minha salvação” (Salmos 27:9).

A presença divina poderia curar, mas a barreira de pecados não permitia uma operação graciosa. Fizeram o Senhor ocultar o Seu rosto por trás daquele véu de pecados e o tornaram surdo diante de tantas iniqüidades. O versículo de Lamentações 3:44 na tradução NVI diz: "Tu te cercaste de nuvens para que as nossas orações não chegassem a ti". Por causa dos pecados Deus fica indisposto a responder a às nossas orações.

Jesus na cruz clamou: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?" (Mateus 27:46 e Marcos 15:34). Ele não foi abandonado num sentido absoluto e definitivo, mas de alguma forma desamparado por se tornar maldito e isso se devia aos nossos pecados e não aos Seus.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
21/10/2026

FONTES:

GOMES, Osiel. O Deus da Aliança - Advertências, Promessas e Bênçãos no Livro de Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

HORTON, Stanley. Isaías o Profeta messiânico. Rio de Janeiro: CPAD 2003.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

AMANDO A DEUS ACIMA DE TUDO EM PLENA OBEDIÊNCIA (Deuteronômio 5:7- Mateus 22:37) 21/10/26

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA
21 DE OUTUBRO DE 2026
AMANDO A DEUS ACIMA DE TUDO EM PLENA OBEDIÊNCIA

Deuteronômio 5:7 “Não terás outros deuses diante de mim;”

 


“Não terás outros deuses...”


Esse é o primeiro mandamento do decálogo (10 Mandamentos em pedra). O propósito deste mandamento é levar Israel a amar e a temer a Deus, e a adorar somente a Ele com sinceridade.

Este mandamento foi promulgado numa época que a idolatria norteava as nações e essa ordem era algo novo num código de leis. Trata-se do monoteísmo revelado que influenciou o mundo inteiro com a expansão do cristianismo.

O monoteísmo é a crença em um só Deus, como sugere a própria palavra: monos, "único", e theos, "Deus". A ênfase nesta unidade contrasta de maneira visível com o henoteísmo e a monolatria, além do politeísmo.

Não se conhecia a idolatria antes do dilúvio. O monoteísmo ara a crença experimentada pelos primeiros homens. A Bíblia afirma que todas essas formas falsas de adoração são uma degeneração do monoteísmo original: "Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si; Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém” (Romanos 1:21-25)

Os patriarcas do Gênesis, Abraão, Isaque e Jacó, eram monoteístas e instruíram seus descendentes nessa crença (Deuteronômio 13.6; 28.64; Jeremias 19.4). Todavia os fiéis haviam se tornado poucos. Tornou-se então monoteísmo nesta época uma inovação, visto que as nações da época eram politeístas.

  • A Mesopotâmia é o berço da civilização humana e o centro irradiador da idolatria. Abraão nasceu em Ur dos caldeus, cidade da Mesopotâmia (Genesis 11.27-31). Seus ancestrais serviam a outros deuses (Josué 24.2,15). Os babilônios/caldeus adoravam a diversos deuses: como Sin, o deus-sol de Ur e Harã; Istar, a deusa do amor e da guerra; e Enlil, deus do vento e da terra.Bel, que veio a ser identificado como Marduque ou Merodaque, o patrono da cidade de Babilônia.
  • Os assírios adoravam: Adrameleque e a Nisroque.
  • A terra do Nilo foi grandemente afetada por essa idolatria. E Israel e seus ancestrais tiveram vínculos com as culturas mesopotâmica e egípcia.Os antigos egípcios empregavam o termo "terra dos deuses", para o seu país. Cada grande cidade contava com suas tríades de acordo com as dinastias: em Ábidos, Osíris, ísis e Hórus; em Mênfis, Ptah, Sekhmet e Nefertum, e, em Tebas, Amom, Mut e Khonsu.
  • Os cananeus adoravam a Baal (Jz 6.31). Astarote ou Astarte (Jz 10.6), identificada em nossas versões como "postes sagrados", deusa cananeia da fertilidade" era deusa nacional dos sidônios.
  • Dagom e Baal-Zebube eram deuses dos filisteus (Jz 16.23-24; 2 Rs 1.2-3, 6,16).
  • Camos era o deus nacional dos moabitas (Nm 21.29; Jz 11.24;).
  • Malcam ou Milcom (1 Rs 11.33) era o deus nacional dos amonitas. Milcom, e Moloque. Parecem ser nomes alternativos.


As principais formas de adoração no paganismo do Antigo Oriente Médio eram três: politeísmo, henoteísmo e monolatria.

  • O politeísmo é a crença em muitos deusespoli, "muito", e theos, "Deus". Era a religião dos antigos mesopotâmios, egípcios, gregos, romanos e do atual hinduísmo.
  • O henoteísmo é uma forma primitiva de religião que admite a existência de muitos deuses; no entanto, apenas um deles tem a supremacia. A forma henoteísta deve ser definida como uma crença em um Deus, mas admitindo a existência de outros deuses.
  • A palavra monolatria vem de monos, "único", e latreia, "serviço sagrado, culto". Define-se como adoração ou culto "de uma deidade única para cada grupo étnico-político (clã, tribo, povo).



Os ídolos, de fato, não são deuses (Dt 32.21; Gl 4.8). Apenas são chamados assim por existirem na mente dos seus adoradores (1 Co 8.5), mas não reais de fato. O objeto de adoração dos gentios são representações demoníacas; os pagãos adoram os próprios demônios (Lv 17.7; Dt 32.17; 1 Co 10.20). Não existe Deus além de Javé (Is 44.6; 45.5, 6). Os cristãos devem manter distância dos ídolos (1 Co 10.14; 1 Jo 5.21).



“...diante de mim. ” 

Literalmente “ à minha face”. Esta frase vagamente incomum também parece ser usada em relação ao ato de tomar uma segunda esposa enquanto a primeira ainda estivesse viva. Tal uso, de uma quebra de um relacionamento pessoal exclusivo, ajuda a explicar o seu significado aqui.

Portanto, nenhum outro deus pode ser adorado simultaneamente com YHWH.Ele não dividirá seu louvor com quem quer que seja: Ele é único: “Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de escultura” (Isaías 42:8)

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
13/10/26

FONTES:

BAPTISTA, Douglas. A igreja de Cristo e o império do mal – Como viver neste mundo dominado pelo espírito da Babilônia. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

SOARES, Esequias. Os dez mandamentos - Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Rio de Janeiro: CPAD, 2014.

COLE, Alan R. Êxodo - Introdução e Comentário. São Paulo: Mundo Cristão, 1981.

https://textoaureoebd.blogspot.com/2024/01/exodo-203.html


Mateus 22:37 “E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.”

 

“E Jesus disse-lhe:”

Um dos fariseus, doutor da lei, interrogou Jesus para o experimentar, após Ele ter emudecido os saduceus no mesmo lugar, respondendo-lhes acerca da ressurreição: “Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus. Porque na ressurreição nem casam nem são dados em casamento; mas serão como os anjos de Deus no céu” (Mateus 22:29b,30).

Este doutor da lei lhe perguntou: “Mestre, qual é o grande mandamento na lei?”(v.36). E Jesus lhe responde citando Deuteronômio 6.5 que diz:

 

 “Amarás, pois, o Senhor teu Deus”

Deuteronômio 6.5 está incluído no Shemá Israel. O Shemá é composto de três trechos da Torá (Deuteronômio 6:4-9; 11:13-21; e Números 15:37-41). È uma prece recitada duas vezes ao dia: ao deitar-se e ao levantar-se, conforme preceito da Torá.  Este verso também é conhecido como o grande mandamento (Marcos 12.29,30). O Senhor Jesus citou este trecho do em Seu sumário da natureza e da nossa obrigação diante a lei.

A obediência de Israel não deveria surgir de um legalismo estéril baseado na necessidade e no dever. Deveria surgir de um relacionamento baseado em amor. O termo bíblico “amar”, tem uma conotação muito profunda. Oséias usa esse verbo para expressar a afeição de Javé por Israel, fazendo uso de poderosas metáforas, extraídas da vida doméstica, do relacionamento entre marido e esposa: “E o Senhor me disse: Vai outra vez, ama uma mulher,…” (Oséias 3:1a) e do relacionamento entre pai é filho: “Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei a meu filho” (Oséias 11:1).

O homem não pode amar a Deus conforme ama a outro ser humano. O amor a Deus envolve santo temor e reverência (vs. 13), e exprime-se por meio daquela lealdade devotada e singela de onde se deriva um serviço obediente e de todo o coração. O amor a Deus, desacompanhado da obediência, não é amor (1 João 4.7-21).

 

“... de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.”

A extensão do amor do homem a Deus deveria ser total. Israel deveria amar a Deus com todo o seu ser. A expressão de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força é uma das favoritas em Deuteronômio (4: 29; 10: 12; 11: 13; 13: 3; 26: 16; 30: 2, 6, 10), e nos oferece uma percepção parcial da antiga psicologia hebraica.

O coração era considerado a sede da mente e da vontade bem como de uma vasta gama de emoções: “Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos se agradem dos meus caminhos” (Provérbios 23.26). O termo alma é de difícil definição, mas parece ser referir à fonte de vida e vitalidade, ou mesmo do próprio “ser”. Nesse sentido Cristo derramou sua alma na morte por nós (Isaias 53.12). Os dois termos, coração e alma entre si indicam que o homem deve amar a Deus sem qualquer reserva em sua devoção. Para dar ainda mais força à ordem, uma terceira expressão é acrescentada, de toda a tua força, que diz respeito ao lado físico e mental do ser humano.

O texto hebraico inclui as três palavras “coração”, “alma” e “força”. A citação de Mateus insere o termo “entendimento”, mas omite “força”. Quando a passagem é citada em Marcos e Lucas, eles relatam quatro termos: “coração”, “alma”, “entendimento” e “força” (Marcos 12:30; Lucas 10:27). Variações nos Evangelhos Sinópticos podem ser resultantes do uso da versão Septuaginta. Algumas cópias antigas dessa tradução grega traduzem o vocábulo hebraico equivalente a “coração” para “entendimento” ou “mente”.

Uma possível razão pela qual Jesus usou a palavra mente, quando Deuteronômio não o fez, foi porque Moisés e seu público judaico estavam limitados à língua hebraica. Em hebraico não há palavra específica para mente. Em hebraico, o termo para coração, "Lebahb", inclui a mente. No pensamento judaico, o coração e a mente não são separados ou distintos. Os gregos (e, portanto, os romanos) fazem essa distinção. Como mencionado acima, os gregos viam o coração — "kardia" — como a fonte de emoções, desejos e escolhas. A mente, de acordo com os gregos, era o lugar do intelecto e da consciência mental.

Amar a Deus com todo o teu pensamento/entendimento. Significar submeter o “intelecto” ou os “pensamentos” à sua vontade. Amar sua lei e seu evangelho mais do que fazemos as decisões de nossas próprias mentes. Estar disposto a submeter todas as nossas faculdades ao seu ensino e orientação, e dedicar a ele todas as nossas realizações intelectuais e todos os resultados de nossos esforços mentais intelectuais.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
13/10/2026

FONTES:

GOMES, Osiel. O Deus da Aliança - Advertências, Promessas e Bênçãos no Livro de Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

Thompson J. A. Deuteronômio: introdução e comentário; tradução Carlos Osvaldo Pinto. Edição: 1. ed. Publicação: São Paulo : Vida Nova, 1982.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

https://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/1216847/jewish/Shem-Israel.htm

https://textoaureoebd.blogspot.com/2026/09/deuteronomio-65.html

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201210_02.pdf

https://thebiblesays.com/pt/commentary/mat+22:37


 

terça-feira, 20 de outubro de 2026

APRENDENDO PARA TRANSFORMAR O CORAÇÃO E VIVER A FÉ (Mateus 11.29) 20/10/26

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA
20 DE OUTUBRO DE 2026
APRENDENDO PARA TRANSFORMAR O CORAÇÃO E VIVER A FÉ

Mateus 11.29 “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.”

 

“Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim,”

Esse amoroso convite que põe término ao capítulo 11 só foi registrado por Mateus. É dirigido em primeira instância àqueles sobre cujas costas os fariseus lançavam pesadas cargas, exigindo meticulosa obediência não só da lei propriamente dita, mas também das intrincadas elaborações que dela fizeram. Jesus usa uma metáfora judia relacionada com disciplina e discipulado diz: "Ponha seu pescoço sob o jugo, e deixe a sua alma ser instruída" (Sir 51:26).

Na Palestina, os jugos dos bois eram feitos de madeira. Levava-se o boi e se tomavam medidas. Logo se trabalhava o jugo e se voltava a levar o boi para prová-lo. Então se ajustava bem o jugo, para que se adaptasse ao pescoço do paciente animal e não a machucasse. Se fazia o jugo à medida do boi.

Jesus nos convida a carregar seu jugo sobre nossos ombros. Os judeus empregavam a frase o jugo para entrar em submissão. Falavam do jugo da Lei, do jugo dos mandamentos, o jugo do Reino, o jugo de Deus. Mas pode dar-se o caso de Jesus ter dado a seu convite um significado muito mais cotidiano: Diz: "Meu jugo é fácil ou adequado”.

Os rabinos também associavam o termo jugo para referirem-se à escola. A palavra escola está etimologicamente relacionada à palavra grega para “lazer”. Jesus diz que todos deveriam tomar o seu jugo e aprender dele.

Pois, não é propriamente obediência a nenhuma lei externa e sim a lealdade a uma Pessoa, que capacita o discípulo a fazer alegremente, e, portanto, facilmente, e sem a sensação de que está pelejando debaixo de um pesado fardo, o que aquela Pessoa quer que ele faça. Se as pessoas O amassem, disse Jesus, inevitavelmente guardariam os seus mandamentos (João 14.15).

Há uma velha lenda sobre um homem que encontrou um menino pequeno carregando a um menino ainda menor, que era coxo: "Essa é uma carga muito pesada para você", disse o homem. "Não é nenhuma carga", respondeu o menino, "é meu irmãozinho." O amor suaviza todos os fardos, tornando-os leves.

Além disso, o caminho da vida que Ele deseja que os seus discípulos sigam é a sua própria vida. Em conseqüência, o guia da conduta do cristão não é um livro de leis repleto de decepcionantes perplexidades, mas o exemplo de Cristo. Policarpo, discípulo do apóstolo João disse perante seus algozes: “Eu tenho servido Cristo por 86 anos e ele nunca me fez nada de mal. Como posso blasfemar contra meu Rei que me salvou?”. O exemplo de Cristo nos induz a imitá-lo até o fim.

 

“...que sou manso e humilde de coração;”

Na sua escola, Jesus oferece refrigério e promete tornar o fardo leve, porque Ele é um professor manso e humilde. Ser aluno de Jesus é ter um Professor muito gentil e inclinado à humildade, que nunca se impacienta com os que são lentos para aprender e jamais é intolerante com os que tropeçam.

A mansidão é a virtude que oferece paciente gentileza com retribuição ao ódio, ofensa ou hostilidade. É o oposto de orgulho, ira, auto-afirmação e vingança. O coração verdadeiramente manso não reage à provocação; paga o mal com o bem; e, dos outros, nada exige e pouco espera.

O mundo considera o manso covarde e vacilante; alma tímida, moralmente débil ante as batalhas da vida. Mansidão, porém, não é fraqueza; é força tornada gentil. Moisés eia manso (Números 12.3), mas havia aço na sua estrutura moral, e raios e trovões no seu zelo (Êxodo 32.19). O Senhor Jesus era manso, mas basta-nos ver como expulsou os cambistas do templo e denunciou a hipocrisia dos fariseus (Mateus 23).

Jesus também é humilde de coração. A humildade parecia servil aos antigos; não era uma virtude. Jesus tomou esse vício em virtude. Ele glorificou essa atitude. Paulo exorta: “Cada um considere os outros superiores a si mesmo” (Filipenses 2.3).

 

“... e encontrareis descanso para as vossas almas.”

Certamente Jesus não promete a seus discípulos uma vida de inatividade ou repouso, nem isenção de tristezas ou lutas, mas sim lhes assegura que, se se mantiverem bem unidos a Ele, acharão alívio de esmagadores fardos, como os da angústia arrasadora, do sentimento de frustração e de futilidade, e da desgraça de uma consciência sobrecarregada de pecados.

No Antigo Testamento, o Senhor convidou Seu povo para voltar às “veredas antigas”, dando-lhes a mesma promessa encontrada aqui. A linguagem provavelmente foi emprestada desse texto: "Parem nas encruzilhadas e olhem, perguntem pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andem por ele, e encontrarão descanso para a vossa alma. Mas eles dizem: 'Não andaremos" (Jeremias 6:16).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
13/5/2025

FONTES:

CABRAL, Elienai. E o Verbo se fez Carne – Jesus sob o olhar do apóstolo do amor. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

PEARLMAN, Myer. Mateus – O Evangelho do Grande Rei. Rio de Janeiro: CPAD.

ROBERTSON, A. T. Comentário Mateus & marcos à luz do novo testamento grego. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.

TASKER, R. V. G. Mateus: Introdução e comentário. Série Cultura Bíblica –São Paulo: Mundo Cristão, 1980.

BARCLAY, William. The Gospel of Matthew - Tradução: Carlos Biagini.

 

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

OUVINDO A PALAVRA DE DEUS PARA VIVER COM FÉ (Romanos 10:17) 19/10/26

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA
19 DE OUTUBRO DE 2026
OUVINDO A PALAVRA DE DEUS PARA VIVER COM FÉ

Romanos 10:17 “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.”

 

“De sorte que a fé é pelo ouvir,”

Essa declaração expressa o tema principal dessa seção. É o novo método para a salvação revelado “a fé”. Diz Charles R. Erdman, que “o evangelho não é questão de intuição, ou imaginação, ou conjectura, ou desvario, mas de revelação. É uma mensagem outorgada por Deus aos homens; sua síntese e substância são a pessoa e a obra de Cristo; e a fé consiste na humilde e grata aceitação dessa mensagem. A fé não responde num vácuo ou às cegas.

As pessoas precisam ouvir as boas novas da salvação em Cristo a fim de crerem “E como crerão naquele de quem não ouviram?“E como ouvirão, se não há quem pregue?” (v.14). Deus escolheu o método “a loucura da pregação” (1 Coríntios 1.21). Paulo se identificando a Tito em sua epístola, diz que Deus manifestou a sua palavra pela pregação: “Paulo, servo de Deus, e apóstolo de Jesus Cristo, segundo a fé dos eleitos de Deus, e o conhecimento da verdade, que é segundo a piedade, Em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos; Mas a seu tempo manifestou a sua palavra pela pregação que me foi confiada segundo o mandamento de Deus, nosso Salvador” (Tito 1:1-3).

A fé nasce quando cremos naquilo que nos foi dito (Naquilo que ouvimos) a respeito da oferta de Deus da salvação, e na pessoa de Jesus Cristo, nosso Senhor. A mensagem literal do versículo seria: “Portanto, a fé vem proveniente de dentro do ouvir-atendendo, e este ouvir-atendendo vem por operação de a Palavra  de Deus.”

 

“... e o ouvir pela palavra de Deus.”

Inicialmente lembramos que literalmente o ouvir, o dom de ouvir, veio pela Palavra de Deus.Quando Moisés foi chamado ele argumento a Deus que não seria ouvido: “Mas eis que não me crerão, nem ouvirão a minha voz, porque dirão: O Senhor não te apareceu” (Êxodo 4:1b), porém, Deus lhe repreendedo dosse : “Quem fez a boca do homem? Ou quem fez o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? Não sou eu, o Senhor?” (Êxodo 4:11b). Tanto o ouvir como ouvido, tanto o falar como a fala vieram a existir pela palavra de Deus. Jesus respondeu a pergunta de João, o Batista, com essa afirmação: “Os cegos veem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem” (Mateus 11.5).

Mas o caso aqui é justamente o ouvir-atendendo da tradução literal. Esse ouvir-atendendo vem de Deus, Este transmite graça através da pregação: “Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo” (Apocalipse 1:3). A depravação total nos impede de ir a Cristo por nós mesmos, mas quando sua palavra nos é transmitida Cristo se apresenta a nós. Isso nos concede um estado de Graça para recebê-lo. Este estado de Graça pode ser resistido: “Mas nem todos têm obedecido ao evangelho; pois Isaías diz: Senhor, quem creu na nossa pregação?” (v.16).

Os próprios judeus cometeram o erro de se negarem a ouvir atentamente a mensagem de Jesus. Durante Seu ministério terreno, Jesus citou Isaías 6:10: “Porque o coração deste povo está endurecido, de mau grado ouviram com os ouvidos e fecharam os olhos; para não suceder que vejam com os olhos, ouçam com os ouvidos, entendam com o coração, se convertam e sejam por mim curados” (Mateus 13:15).

Não apenas judeus resistem ao Espírito Santo transmitido através da pregação. Alguns são como crianças que colocam as mãos nos ouvidos para não ouvir um colega. Fato é que quem não “ouve-atendendo”, conseqüentemente, não crê, ou seja não permite que a fé nasça em seu coração pelo ouvir.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
11/10/26

FONTES:

GOMES, Osiel. O Deus da Aliança - Advertências, Promessas e Bênçãos no Livro de Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

BARCLAY, William. The Letter to the Romans - Tradução: Carlos Biagini.

Comentário do Novo Testamento: Aplicação Pessoal. Tradução: Degmar Ribas. Rio de Janeiro: CPAD, 2009.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/Po_lessons/Po_200903_04.pdf