sábado, 2 de maio de 2026

Filemom 11

Filemom 11 “O qual, noutro tempo, te foi inútil, mas, agora, a ti e a mim, muito útil; eu to tornei a enviar.”

 

“O qual, noutro tempo, te foi inútil, mas, agora, a ti e a mim, muito útil;”

Há, nesta frase, um jogo de palavras no grego, pois o nome Onésimo significa “útil”. Como um escravo fugitivo, Onésimo “roubou” do seu senhor — muito embora não tenha levado nada além de si mesmo. No século I um escravo comum custava cerca de 500 denários, o equivalente ao pagamento de 500 dias de um trabalhador comum. Escravos com habilidades especiais poderiam custar centenas de vezes mais. Ao fugir, Onésimo não só foi “inútil”, mas privou o seu senhor do seu capital legítimo.

É compreensível, então, porque escravos fugitivos não eram muito populares no Império Romano. Quando apanhados, eles eram freqüentemente colocados em trabalhos forçados em minas, ou em outras situações onde morriam rapidamente.

Paulo assegurou a Filemom que Onésimo seria agora um patrimônio para ele. “A ti e a mim” é outro lembrete gentil de que Paulo se beneficiou do tempo que Onésimo passou com ele. Muitos comentaristas acreditam que Paulo estivesse insinuando a Filemom que libertasse Onésimo e o deixasse voltar para Roma, onde ele seria uma grande ajuda para o apóstolo preso. Se era esse o caso, Paulo deixou claro que Onésimo era um homem transformado e não o escravo inútil de antes, quando saiu da casa de Filemom.

 

 

“... eu to tornei a enviar.”

Paulo poderia ter mantido Onésimo consigo em Roma, mas resolveu devolvê-lo ao seu senhor como alguém útil. O dever vem antes do prazer (v. 13,14). Ser leal a Deus pode, às vezes, exigir que resolvamos fazer aquilo que não desejamos e, pela força da vontade, o que não é nossa inclinação.

O futuro de Onésimo quer permaneça em Colossos, quer fique livre para ser o ajudante de Paulo em Roma ou torno definitivamente para Colossos é uma questão sobre a qual Paulo procura o consentimento de Filemom (v. 13).

 

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
02/05/2026

FONTES:

LOPES, Hernandes Dias. Tito e Filemom; doutrina e vida, um binômio inseparável.  São Paulo: Hagnos, 2009.

MARTIN, Ralph P. Colossenses e Filemom – introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1984.

http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201401_07.pdf

Filemom 10

Filemom 10  “Peço-te por meu filho Onésimo, que gerei nas minhas prisões,”

 

“Peço-te por meu filho Onésimo, ”

Paulo enfim solicita um favor de Filemom. Ele repete o verbo do versículo 9 (parakaleo) Paulo estava solicitando um favor que envolvia uma pessoa ainda não citada pelo nome. Essa pessoa é Onésimo, seu filho na fé.

Onésimo é um escravo que pertencia a Filemom que no passado devia ter o defraudado de alguma maneira, afinal Paulo se responsabiliza pelo prejuízo que ele causou (v. 19), temendo alguma punição fugiu e chegou em Roma. Em Roma ele conhece não apenas o apóstolo Paulo, mas o evangelho do qual se torna discípulo.

Seu nome significa útil (nome comum dado a escravos); e as observações de Paulo a esse respeito envolvem um jogo de palavras. Foi preciso que se convertesse a Cristo para que se tomasse digno de seu nome.

Segundo as leis e as práticas do mundo daquela época, Onésimo poderia ter sido facilmente executado, e até mesmo crucificado; pelo que também Paulo apelou para o senso de humanidade de Filemom, a fim de que tratasse Onésimo com gentileza. Ê patente, na epístola à nossa frente, que o real intuito de Paulo era o de obter a liberdade de Onésimo, a fim de que servisse como cooperador do apóstolo, e não meramente apelar à compaixão de Filemom (ver os versículos treze e catorze).

 

“Que gerei nas minhas prisões, “

Pela terceira vez na carta, Paulo fez referência à sua prisão (v. 1, 9). A prisão não pôde deter o avanço do reino de Deus. Mais uma vez, os esforços para impedir Paulo de pregar Cristo acabaram “contribuindo para o progresso do evangelho” (Filipenses 1:12).

Enquanto estava preso em prisão domiciliar (Atos 28:30-31), Paulo tornou-se o pai espiritual de Onésimo “que gerei nas minhas prisões”. Considerava também seus filhos: A Timóteo “meu verdadeiro filho na fé: Graça, misericórdia e paz da parte de Deus nosso Pai, e da de Cristo Jesus, nosso Senhor “ (Timóteo:1-2); e Tito: “A Tito, meu verdadeiro filho, segundo a fé comum: Graça, misericórdia, e paz da parte de Deus Pai,

O pedido de Paulo se baseia no fato de que Onésimo não era apenas um escravo ladrão e fugitivo; mas, agora, convertido a Cristo, é filho de Paulo na fé e na mesma fé irmão de Filemom. Em Cristo não há escravo nem livre (Gálatas 3.28). Isso não significa que, quando uma pessoa é convertida, sua condição social muda; ou que suas dívidas não devam mais ser pagas. O argumento de Paulo é que Onésimo tem uma nova posição diante de Deus e do povo de Deus, e Filemom tem de levar isso em consideração.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
02/05/2026

FONTES:

LOPES, Hernandes Dias. Tito e Filemom; doutrina e vida, um binômio inseparável.  São Paulo: Hagnos, 2009.

https://ipbvit.org.br/2009/03/03/vidas-transformadas-relacionamentos-renovados/

http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201401_07.pdf

Filemom 9

Filemom 9 “Todavia, peço-te, antes, por amor, sendo eu tal como sou, Paulo, o velho e também agora prisioneiro de Jesus Cristo.”

 

“Todavia, peço-te, antes, por amor, ”

Após ter lembrado Filemom que possuía autoridade sobre ele o apóstolo Paulo começa enfim o seu pedido. Ele pediria pousada (v. 22), pois planeja conhecer enfim a Cidade de Colossos e a igreja na casa de Filemom. Mas inicia seu pedido intercedendo por outrem: “Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros” (Filipenses 2.4).

Essa carta pessoal é praticamente um testemunho do apóstolo Paulo, prova que ele não amava de língua, mas por obra e em verdade (1 João 3.18). Lembremo-nos de que Paulo é o apóstolo que tem a ousadia de escrever: “Porque vós mesmos sabeis como convém imitar-nos, pois que não nos houvemos desordenadamente entre vós” (2 Tessalonicenses 3.7). Deus permite que esse testemunho do apóstolo chegue até nós.

Em nome do amor reflete um aspecto do comportamento de Filemom que Paulo já havia aprovado (vv. 5, 7). O amor é a ética central da fé cristã e a característica que melhor o define (Mateus 22:37–40; Joao 13:34, 35; 1 Coríntios 13). O amor, não a imposição pela ordem, era a base do apelo de Paulo a Filemom. Markus Barth e Helmut Blanke sugeriram que esta parte do versículo 9 “poderia servir de título de todo o livro de [Filemom].

Outra motivação do apóstolo dever ser sua consciência, pois sabia que poderia fazer algo em favor de Onésimo: “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado” (Tiago 4:17). Na Dieta de Worms Lutero disse: “Minha consciência é cativa à Palavra de Deus. Ir contra a minha consciência não é correto nem seguro. Aqui permaneço eu. Não há nada mais que eu possa fazer. Que Deus me ajude. Amém.” Paulo da mesma maneira não consegue negar sua consciência, deixar de falar o que é necessário. Mesmo que não seja fácil para Filemom, afinal como disseram Pedro e João: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (Atos 5:29).

 

“Sendo eu tal como sou, Paulo, o velho”

Agora Paulo lembra a Filemom da sua longa jornada da fé e da sua maturidade: “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino” (1 Coríntios 13:11). O apóstolo como Josué está entrado em dias, mas ainda há muita terra para conquistar (Josué 13.1). A expressão “Paulo, o velho” permitiu ao apóstolo, em seus mais de cinqüenta e possivelmente sessenta e poucos anos de idade, apresentar-se como uma figura simpática e amável, sem ser piegas.

 

“E também agora prisioneiro de Jesus Cristo.”

Prisioneiro de Cristo Jesus é exatamente a mesma expressão usada no versículo 1  para apresentar o apóstolo preso (Ver Comentário). A autoridade com que Paulo agiu nesta situação decorria principalmente de sua experiência, idade, amor e sofrimento: “Por esta causa eu, Paulo, sou o prisioneiro de Jesus Cristo por vós, os gentios” (Efésios 3:1).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
02/05/2026

FONTES:

http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201401_07.pdf

HURLBUT, Jesse Lyman. História da Igreja Cristã. Tradução de Sabina de Oliveira. São Paulo: Editora Vida, 2007.

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA 2 DE MAIO DE 2026 (Romanos 8:34)

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA  
2 DE MAIO DE 2026
JESUS, NOSSO INTERCESSOR

Romanos 8:34 “Quem é que condena? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e o que também intercede por nós.”

 

“Quem é que condena?”

Se Deus nos justificou, esqueceu nossos pecados e nos trata como se nunca tivéssemos pecado, quem poderá trazer à tona aqueles antigos pecados e nos culpar por eles? Na linguagem forense desta passagem captamos um inconfundível eco do similar desafio do Servo do Senhor em Isaías 50:8-9: “Perto está o que me justifica; quem contenderá comigo? Apresentemo-nos juntamente; quem é o meu adversário? Chegue-se para mim. Eis que o Senhor Deus me ajuda; quem há que me condene?".

Essa boa ilustração veterotestamentária do texto  mostra o silêncio de Satanás, principal acusador no tribunal celeste, quando Deus declara Sua aceitação por nós. Diante do sumo sacerdote Josué o inimigo teve que se calar: “E ele mostrou-me o sumo sacerdote Josué, o qual estava diante do anjo do Senhor, e Satanás estava à sua mão direita, para se lhe opor. Mas o Senhor disse a Satanás: O Senhor te repreenda, ó Satanás, sim, o Senhor, que escolheu Jerusalém, te repreenda; não é este um tição tirado do fogo?” (Zacarias 3:1-2).

 

“Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e o que também intercede por nós.”

Depois de perguntar: “Quem condenará?” Paulo disse: “É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós”. O Único que tem direito de nos condenar é Jesus Cristo, o qual um dia julgará toda a humanidade (Atos 17:31). Jim McGuiggan escreveu: “Quando alguém avançar a passos largos como se fosse o Juiz soberano de todos, verifique as mãos, os pés e a lateral desse indivíduo. Se ele não tiver cicatrizes, ignore-o!”.

Um dia, Jesus condenará os que O tiverem rejeitado (Mateus 7:21–23; 25:31, 32, 41, 46; 2 Coríntios 5:10), mas Ele forneceu provas abundantes de que não condenará os fiéis. Vejamos o que Jesus fez e está fazendo por nós: Ele “morreu” por nós, levando sobre Si a culpa por nossos pecados (1 Coríntios 15:3). Ele “ressuscitou” dos mortos como prova de que Deus aceitou a Ele e ao Seu sacrifício (Romanos 1:4) e como garantia de nossa ressurreição (1 Coríntios 15:20). Ele subiu a Deus e está agora assentado “à direita de Deus” (Salmos 110:1; Atos 2:33, 34), em posição de autoridade (Mateus 28:18). E o principal fator aqui destacado: Ele “intercede por nós” (Hebreus 4:14–16; 7:25). Interceder significa rogar em favor de outro. A NTLH diz que “Cristo... está à direita de Deus. E ele pede a Deus em favor de nós”.

O credo mais primitivo da Igreja, um credo que ainda é a essência de todos os credos cristãos, reza assim; "Foi crucificado, morto e sepultado; ao terceiro dia ressuscitou dentre os mortos; e está sentado à direita de Deus; de onde virá para julgar os vivos e os mortos." Note que três pontos da declaração de Paulo e do credo primitivo são os mesmos. No credo o quarto é que Jesus voltará para ser o juiz dos vivos e dos mortos. Em Paulo o quarto é que Jesus está à mão direita de Deus para interceder por nós e advogar por nossa causa. É como se Paulo dissesse: "Vocês imaginam a Jesus como o Juiz que está ali para condenar; e bem pode fazê-lo porque ganhou esse direito; mas estão equivocados; Ele não está ali para ser nosso advogado acusador; está ali para ser o advogado defensor de nossa causa; não está ali para formular a acusação contra nós; está ali para formular nossa defesa; não está ali para ser nosso juiz; está ali para ser o amigo que defende nossa causa."

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
04/04/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

BRUCE, F, F. Romanos - Introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2002.

BARCLAY, William. The Letter to the Romans - Tradução: Carlos Biagini.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/Po_lessons/Po_200902_07.pdf

 

sexta-feira, 1 de maio de 2026

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA 1 DE MAIO DE 2026 (Romanos 8:26)

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA  
1 DE MAIO DE 2026
O ESPÍRITO SANTO INTERCEDE POR NÓS

Romanos 8:26 “E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.”

 

“E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas;”  

Essas palavras poderiam se referir às afirmações anteriores sobre o Espírito. Por exemplo, a primeira parte do versículo 26 poderia significar que “da mesma forma que o Espírito testifica com nosso espírito (v. 16), Ele também nos ajuda em nossas fraquezas”. Provavelmente, a referência é à exposição recém concluída sobre esperança e significa, com efeito: “Assim como a esperança produz perseverança [vv. 24, 25], o Espírito nos assiste em nossa fraqueza”.

O ponto de referência exato não é tão importante quanto esta verdade emocionante: “O Espírito... nos ajuda em nossa fraqueza”! Que fraqueza? Qualquer fraqueza: física, emocional ou espiritual. Moo sugeriu que “‘fraqueza’ se refere às limitações da nossa condição humana”. Muitos de nós relutamos em pensar em nós mesmos como “fracos”, mas se formos sinceros, temos de admitir a presença de uma fraqueza dentro de nós — constante, persistente e, às vezes, esmagadora. Não é maravilhoso saber que existe uma ajuda divina? “O Espírito nos assiste em nossa fraqueza”.

 

“... porque não sabemos o que havemos de pedir como convém,”

Paulo ilustrou essa verdade citando uma fraqueza específica que todos nós temos, assegurando-nos que o Espírito nos ajuda nessa deficiência em particular. Qual é a sua maior fraqueza? São muitas as respostas que nos vêm à mente: uma fraqueza de convicção, uma fraqueza moral, uma fraqueza em realmente confiar no Senhor aconteça o que acontecer. Alguns podem até se surpreender com a fraqueza escolhida por Paulo em sua ilustração — uma falha em relação à vida de oração: “...não sabemos orar como convém”. A ERC diz: “não sabemos o que havemos de pedir como convém” (grifo meu).

Todavia, pare e pense. O que é a oração? A oração é a nossa linha de comunicação com Deus. Se a nossa vida de oração for como convém, Deus poderá nos ajudar a solucionar os outros problemas citados; mas se essa linha de comunicação vital for cortada, tudo estará perdido. Geralmente não sabemos o que orar porque não estamos certos de qual é a vontade de Deus em questão, e não sabemos o que será melhor no fim. Isso ocorre em muitas situações. Não sabemos como devidamente louvar Aquele que salvou nossas almas e nos abençoa diariamente. Não sabemos como eliminar o egoísmo latente de nossas petições. Com pesar, estamos cientes da imprecisão da linguagem humana ao nos reportarmos ao Criador e Senhor do universo.

 

“... mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.”

O Espírito intercede por nós. A idéia é de rogar em benefício de outro. Pouco mais adiante no mesmo capítulo, leremos que Cristo está intercedendo pelos cristãos no céu (v. 34; veja Hebreus 7:25). O versículo 26 nos revela que, de um modo especial, a habitação do Espírito apela em nosso favor.

Alguns se confundem com Romanos 8:26. E contestam eles: “Mas 1 Timóteo 2:5 diz que só há um mediador, o qual é Jesus”. Há um só mediador, mas podemos ter muitos intercessores, tanto humanos como divinos. O Novo Testamento ensina que até seres humanos devem oferecer orações “intercessórias” por seus semelhantes (Romanos 15:30; 1 Timóteo 2:1, 2). Sendo assim, não há contradição em se dizer que tanto Jesus como o Espírito Santo intercedem por nós. Alguém sugeriu que Cristo intercede por nós junto ao trono de Deus, enquanto o Espírito intercede junto ao trono do nosso coração.

Paulo não afirmou simplesmente que o Espírito intercede por nós. Ele disse que “o Espírito... intercede por nós com gemidos inexprimíveis”. A maioria dos pentecostais ou carismáticos entendem “gemidos inexprimíveis” como uma “oração numa língua inspirada pelo Espírito”.  A palavra grega “alaletois” a qual Moo traduz por “não dito” e outros por “inexprimível” (Fitzmyer), é interpretada por Fee por “sem palavras”. Os gemidos não são compreensíveis à mente humana, de acordo com Fee, porque eles não são expressos em palavras inteligíveis. Esta interpretação indica que o que Paulo está descrevendo é o mesmo fenômeno que orar no Espírito ou falar em línguas. Fee apresenta fortes razões em favor de vermos aqui a atividade descrita aqui como orar no Espírito ou falar em. Esta linha de interpretação não é nova ou de origem pentecostal— Orígenes a ensinou (De Oração) e outros desde então.

Raimundo de Oliveira sobre o orar em línguas diz que grande é a utilidade do dom de línguas quando exercitado humildemente e com orientação do Espírito Santo. À luz de 1 Coríntios 14 o exercício do dom de línguas é útil para: falar mistérios com Deus, edificação individual, orar bem, complemento do culto. Falar a Deus em outras línguas é orar com o espírito e no espírito. Quando o crente ora em línguas, mesmo que ele não saiba o sentido das palavras, Deus o entende. Há ocasiões em que as palavras do seu idioma nativo não conseguem expressar o que sua alma deseja dizer a Deus, seja glorificando, intercedendo ou suplicando ao Senhor. Através das línguas estranhas, podemos elevar a Deus o mais puro louvor que as nossas tribulações e tentações impedem que façamos em nossa própria língua.

É quando o crente não sabe o que orar, que o Espírito Santo intercede por ele de maneira especial com gemidos inexprimíveis. Esses “gemidos” do Espírito, pronunciados em línguas estranhas, são incompreensíveis ao que ora, mas perfeitamente entendidos por Deus. O versículo 27 diz: “E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito”. 

Outra visão mais contemporânea discorda abvertamente dessa interpretação. Pois,  nem todo cristão, desde os tempos primitivos falam em línguas para com elas orar (1 Coríntios 12:30). Consequentemente, o trecho não deve estar se referindo ao falar em línguas, pois assim limitaria a intercessão do Espírito àqueles que foram batizados nEle, e todo aquele que confessa que Jesus é o Senhor pelo Espírito Santo deve o tê-lo também como intercessor.

Diz que Alaletos pode se referir ao que não se exprime ou ao que não pode se exprimir. Você já esteve tão feliz que ficou sem palavras? Já esteve tão triste que as palavras não eram capazes de exprimir sua angústia? Então você entende o significado básico de alaletos.

O Espírito Santo está intercedendo por nós com “gemidos”. Não há consenso a respeito de quem está emitindo os gemidos. A forma mais simples de interpretar o texto é dizer que, assim como a criação “geme” (v. 22) e nós “gememos” (v. 23), o Espírito Santo “geme” em condolência por nós. 

Uma ilustração disso seria a situação de um velório, em que os entes queridos lamentam a perda e não há palavras que possam ser ditas para consolá-los. Tudo o que se pode fazer é juntar-se aos enlutados e “gemer” com eles no seu sofrimento. 

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
04/04/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

RENOVATO, Elinaldo. Dons espirituais e ministeriais - Servindo a Deus e aos homens com poder extraordinário. Rio de Janeiro: CPAD, 2014.

OLIVEIRA, Raimundo F. A Doutrina Pentecostal Hoje. Rio de Janeiro: CPAD, 1986.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/Po_lessons/Po_200902_04.pdf