quarta-feira, 28 de outubro de 2026

GUARDANDO A PALAVRA NO CORAÇÃO E PRATICANDO COM FIDELIDADE (Deuteronômio 6:6) 28/10/26


LEITURA BÍBLICA DIÁRIA
28 DE OUTUBRO DE 2026
GUARDANDO A PALAVRA NO CORAÇÃO E PRATICANDO COM FIDELIDADE

Deuteronômio 6:6 “E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração;”

 

“E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração;”

Ou seja, toda a legislação mosaica (vs. 1), e isso sumariado e posto em prática através da Lei do Amor (vs. 5). A lei cai por terra quando não é acolhida no coração do ser humano. Pois do coração manam as intenções, as resoluções nobres e a força para cumprir a lei. A necessidade de ter a lei de Deus no teu coração ao invés de em simples tábuas de pedra é apresentada também em Deuteronômio 11:18: “Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma”.

O versículo anterior nos fornece três vocábulos, “coração”, “alma” e “força”. E agora o autor sagrado sumaria tudo com a palavra “coração”. A obediência espiritual é uma questão do coração, e não apenas da mente. O Targum de Jonathan diz aqui de modo pitoresco: “Nas tábuas do coração”, da mesma forma que a lei mosaica fora inscrita em tábuas de pedra (4.13).

A Palavra nos diz: "Dá-me, filho meu, o teu coração" (Provérbios 23.26) Quando o coração é dado, tudo se segue em encantadora ordem moral. Um coração amorável encontra o seu mais profundo gozo em obedecer a todos os mandamentos de Deus; e nada é de valor algum para Deus senão o que emana de um coração amoroso. O coração é a origem de todas “as saídas da vida” (Provérbios 4:23); e, por isso, quando é governado pelo amor de Deus há uma resposta amorosa a todos os Seus mandamentos. Nós amamos os Seus mandamentos, porque o amamos a Ele: “aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama” (João 14: 21; 1 João 5: 2).

Os pais destes hebreus falharam em guardar os mandamentos no coração: “Quem dera que eles tivessem tal coração que me temessem, e guardassem todos os meus mandamentos todos os dias, para que bem lhes fosse a eles e a seus filhos para sempre” (Deuteronômio 5:29). Posteriormente, seus descendentes também falharão, pois tornar-se-ão obstinados, teimosos e rebeldes. Seus corações ficarão completamente insensíveis à vontade de Deus, e se tornaram pedras; seus ouvidos estavam surdos aos clamores do Senhor: “Mas a casa de Israel não te quererá dar ouvidos, porque não me querem dar ouvidos a mim; pois toda a casa de Israel é de fronte obstinada e dura de coração” (Deuteronômio 9:6).

Então Deus usará seus profetas para anunciar que criaria neles um novo coração: “E vos darei um coração novo e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei o coração de pedra da vossa carne e vos darei um coração de carne” (Ezequiel 36.26). A implantação do Espírito de Deus dentro deles transformará seus motivos e lhes capacitará a viver de acordo com os estatutos e os juízos de Deus: “Mas esta é a aliança que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. E não ensinará mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o Senhor; porque lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais me lembrarei dos seus pecados” (Jeremias 31.32-33).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
15/10/2026

FONTES:

GOMES, Osiel. O Deus da Aliança - Advertências, Promessas e Bênçãos no Livro de Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

Thompson J. A. Deuteronômio: introdução e comentário; tradução Carlos Osvaldo Pinto. Edição: 1. ed. Publicação: São Paulo : Vida Nova, 1982.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

MACKINTOSH, C. H. Estudos sobre o livro de Deuteronômio. 2. ed. São Paulo: Associação Religiosa Impressa da Fé, 1979.

 

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Números 27:18

 

Números 27:18 “Então disse o Senhor a Moisés: Toma a Josué, filho de Num, homem em quem há o Espírito, e impõe a tua mão sobre ele.”

 

“Então disse o Senhor a Moisés: “

Moisés é avisado de que chegou a sua hora. Ele deve subir ao monte Abarim (Monte Nebo) a fim de ver a terra que seria dada aos filhos de Israel. Para que isto não desperte novas esperanças de que ele, afinal de contas, pudesse entrar em Canaã, Moisés é lembrado do seu pecado.

Então, Moisés ora para que Deus seja misericordioso para com o Seu povo, e tome providências para o seu futuro bem-estar, nomeando alguém para guiá-lo na batalha. Assim seu sucessor é anunciado: “Então disse o Senhor a Moisés...”

 

Toma a Josué, filho de Num, homem em quem há o Espírito,

Deus ordena que lhe separe Oséias, filho de Num, a quem Moisés chamava profeticamente de Josué, seu assistente (Êxodo 24,13), que foi um dos espias que havia visitado Canaã pessoalmente (13:8). A narrativa deixa claro que a sua liderança não será do mesmo tipo da de Moisés. Enquanto que com Moisés Deus falava face a face (12:6-8), Josué será instruído por Eleazar, o sumo sacerdote, que usará o Urim e Tumim, as sortes sagradas, para descobrir a vontade de Deus (Êxodo 28:30).

O Senhor identifica Josué, além do nome, como o homem em que há o Espírito. À semelhança de Moisés, o novo líder seria também cheio do Espírito. Josué já havia demonstrado as suas habilidades espirituais. Os Targuns de Onkelos e de Jonathan falam sobre os dons espirituais de Josué, que o qualificavam para o seu ofício, incluindo as qualidades de sabedoria para governar, coragem, prudência e grandeza mental. Ele tinha também o espírito de profecia, porque o Senhor freqüentemente falou através dele (Josué 4.1; 6.2; 7.10). Josué tinha sido fiel sobre o pouco, pelo que agora seria dirigente sobre muito (Mateus 25.21).

 

e impõe a tua mão sobre ele.”

A nomeação de Josué como sucessor de Moisés foi publicamente anunciada pela imposição de mãos deste: “E sobre ele impôs as suas mãos, e lhe deu ordens, como o Senhor falara por intermédio de Moisés” (27:23). Com este gesto simbólico, Josué foi identificado com Moisés, e tomou-se o seu representante para o futuro. A imposição de mãos continuou no Novo Testamento, para ordenar ocupantes para os cargos eclesiásticos (Atos 6:6; 1 Timóteo 4:14).

Mais tarde sua autoridade seria confirmada por Deus em pessoa, quando apareceu na coluna de nuvem no pátio do tabernáculo (Deuteronomio 31:14-15, 23). Mas somos informados de que foi a travessia do Jordão que realmente convenceu o povo de que Josué era o sucessor de Moisés escolhido por Deus: “Naquele dia o Senhor engrandeceu a Josué diante dos olhos de todo o Israel; e temeram-no, como haviam temido a Moisés, todos os dias da sua vida” (Josué 4:1).

Desta forma, a cerimônia registrada aqui estabelece uma co-regência, na vigência da qual Moisés e Josué foram co-líderes do povo, ou seja, um período de transição que terminou com a morte de Moisés no Monte Nebo, registrada em Deuteronômio 34.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
27/10/2026

FONTES:

GOMES, Osiel. O Deus da Aliança - Advertências, Promessas e Bênçãos no Livro de Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

WENHAM, G. J. Números: Introdução e Comentário. Tradução Adiel Almeida de Oliveira. São Paulo: Sociedade Religiosa Edições Vida Nova & Associação Religiosa Editora Mundo Cristão, 1985.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry – Genesis a Deuteronomio. Rio de Janeiro CPAD, 2008.

Deuteronômio 31:3

 

Deuteronômio 31:3 “O Senhor teu Deus passará adiante de ti; ele destruirá estas nações de diante de ti, para que as possuas; Josué passará adiante de ti, como o Senhor tem falado.”

 

“O Senhor teu Deus passará adiante de ti; ele destruirá estas nações de diante de ti, para que as possuas;”

O Senhor tinha prometido que seguiria diante do povo de Israel à Terra Prometida, preparando o caminho, e então acompanharia os hebreus na conquista militar: "O Senhor vosso Deus que vai adiante de vós, ele pelejará por vós, conforme a tudo o que fez convosco, diante de vossos olhos, no Egito" (1: 30).

Moisés lembra o povo que “o Senhor ia adiante deles, de dia numa coluna de nuvem para os guiar pelo caminho, e de noite numa coluna de fogo para os iluminar, para que caminhassem de dia e de noite” (Êxodo 13:21). E pelejaria por eles (Êxodo 14.14) destruindo as nações para que eles possuíssem a terra.

Sete povos diferentes tinham de ser destruídos. Esses povos eram mais numerosos e mais poderosos do que Israel, mas faltava-lhes a ajuda divina, pelo que sucumbiram diante de um poder militar inferior: "Quando o Senhor, o seu Deus, os fizer entrar na terra da qual tomarão posse, ele expulsará de diante de vocês muitas nações: os heteus (ou hititas), os girgaseus, os amorreus, os cananeus, os ferezeus (ou perizeus), os heveus e os jebuseus. São sete nações maiores e mais fortes do que vocês" (7.1).

Seria a presença de Deus que garantiria a vitória do povo: “quando saíres à peleja contra teus inimigos, e vires cavalos, e carros, e povo maior em número do que tu, deles não terás temor; pois o Senhor teu Deus, que te tirou da terra do Egito, está contigo” (Deuteronômio 20.1).

 

“... Josué passará adiante de ti, como o Senhor tem falado.”

Josué já havia sido nomeado como o sucessor de Moisés. Após o Senhor se indignar contra Moisés, por causa do povo, lhe disse: “Também tu lá não entrarás. Josué, filho de Num, que está diante de ti, ele ali entrará; fortalece-o, porque ele a fará herdar a Israel” (Deuteronômio 1:37b,38).

Josué nasceu no Egito. Seu nome original era Oséias, mas Moisés o chamou Josué, que significa "Jeová é a salvação" ou "Deus salva" (Números 13.16). A história revela pouco sobre sua família, exceto pelo nome de seu pai, Num (Números 11:28). Ele nasceu na tribo de Efraim, provavelmente na região de Gósen, no Delta do Nilo. Ele nasceu escravo durante a opressão dos israelitas pelos egípcios. Josué era antes um assistente pessoal de Moisés e a partir daqui seria o líder que dirigiria os israelitas na conquista da Terra Prometida (Josué 1:1-9). 

Josué não seria um grande profeta como Moisés, o qual conheceu o Senhor face a face (Êxodo 33:11); mas seria um excelente instrumento para a missão de introduzir Israel na Terra Prometida, apto como general e um excelente líder. A missão de Josué era diferente da missão de Moisés, embora fosse uma missão necessária, que confirmava e ampliava o poder e a missão de Moisés. Os dois faziam parte da mesma equipe, e não competiam um com o outro.Na prática o representante do Senhor seria Josué, mas o líder de Israel continuaria a ser o Senhor que seria com ele: “Ninguém te poderá resistir, todos os dias da tua vida; como fui com Moisés, assim serei contigo; não te deixarei nem te desampararei” (Josué 1:5).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
27/10/2026

FONTES:

GOMES, Osiel. O Deus da Aliança - Advertências, Promessas e Bênçãos no Livro de Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

Thompson J. A. Deuteronômio: introdução e comentário; tradução Carlos Osvaldo Pinto. Edição: 1. ed. Publicação: São Paulo : Vida Nova, 1982.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

https://shepherds-edu.translate.goog/joshua-a-model-of-spiritual-leadership/?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt&_x_tr_pto=tc

2 Timóteo 4:7

 

2 Timóteo 4:7 “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé.”

 

“Combati o bom combate,”

Esse texto claramente indica a consciência Paulo da proximidade da sua partida para a eternidade. Paulo diz a Timóteo que está chegando ao fim da jornada, como servo de Deus, como apóstolo e fiel testemunha do Senhor. Como um lutador que enfrentava a luta, na arena, havia combatido “o bom combate” (Lutei na competição nobre), ou seja, o bom combate da fé.

Como em 1 Timóteo 6:12 ARA: “Combate o bom combate da fé”, a figura não é da guerra, mas, sim, de uma competição atlética, provavelmente uma disputa de luta romana. Paulo conhecia as competições atléticas de sua época, E imaginou essa metáfora para indicar sua vitória, ante as lutas que houvera enfrentado, desde sua conversão e o desenvolvimento do seu ministério, sempre envolvido com opositores humanos, além da luta espiritual contra os inimigos do crente em Jesus.

Seu combate da fé era em defesa da igreja, lutando pelos irmãos em Cristo: “Porque quero que saibais quão grande combate tenho por vós, e pelos que estão em Laodiceia, e por quantos não viram o meu rosto em carne” (Colossenses 2:1); era a luta contra os opositores que se levantavam contra sua missão: “Mas, mesmo depois de termos antes padecido, e sido insultados em Filipos, como sabeis, tornamo-nos ousados em nosso Deus, para vos falar o evangelho de Deus com grande combate” (1 Tessalonicenses 2:2).

Todos os apóstolos de Jesus eram homens que combatiam “pela fé que um a vez foi dada aos santos” (Judas 3). Mas nenhum teve tantas oposições e ameaças quanto Paulo, tanto que quando se defendia afirmava: “ninguém me inquiete; porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus” (Gálatas 6.7). Sobre algumas destas marcas de combate ele escreveu aos coríntios “São ministros de Cristo? (Falo como fora de mim) Eu ainda mais: em trabalhos, muito mais; em açoites, mais do que eles; em prisões, muito mais; em perigo de morte, muitas vezes. Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez” (2 Coríntios 11:23-27).

 

“... acabei a carreira,

No original, o texto indica que Paulo se referia à “pista de corrida” ’, nas competições em Atenas, em Roma, ou em outra cidade que conhecia. Em sua carreira ou “corrida”, Paulo diz que não olhava para trás, mas para as coisas que estavam diante dele, prosseguindo “para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Filipenses 3.13,14).

Anteriormente, Paulo expressou aos presbíteros de Éfeso o desejo de “completar a [sua] carreira”: "Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus" (Atos 20.24). Agora ele estava apto a dizer que havia alcançado esse objetivo. Ele não disse: “Ganhei a corrida”, mas sim: “Completei a carreira”. Muitos têm começado a carreira da vida cristã, mas desistem, ante os obstáculos e os problemas que surgem pela frente. O Senhor não tem prazer nestes: “todavia, o meu justo viverá pela fé; e: Se retroceder, nele não se compraz a minha alma” (Hebreus 10:38).

Nessa “carreira”, as dificuldades são enormes, porque, além de ser um a luta constante, o crente tem que carregar um à cruz “de cada dia” (Lucas 9.23). Diante dessa realidade, após as experiências vividas em seu ministério, Paulo mostrou a Timóteo que tinha a certeza de que sua carreira como ministro do evangelho houvera terminado. Mas o fazia com a consciência tranqüila, mesmo diante da morte, de que cumprira o seu dever para com Deus e sua Igreja.

 

”... guardei a fé.”

Paulo lutou o “bom combate” e concluiu “a carreira”, mas não o fez de qualquer maneira. Ele também guardou “a fé”. Guardar envolve “segurar ou guardar [algo] para não desistir ou perder”. Aqui poderia indicar que a fé de Paulo não havia enfraquecido; mas provavelmente se refere como na maioria das vezes, ao conjunto de ensinamentos centrados na fé em Jesus Cristo (A doutrina dos apóstolos). Cristo havia confiado a Paulo esse conjunto de ensinamentos, e ele o pregou e protegeu por muitos anos. Paulo lutou e guardou a “fé que um a vez foi dada aos santos” (Judas 3).

Há, possivelmente, uma alusão passageira aos compromissos com os quais os atletas que competiam em jogos públicos se obrigavam a observar as regras: “Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra. E, se alguém também milita, não é coroado se não militar legitimamente” (2 Timóteo 2:4,5).

O auto-estame de Paulo é significativo. Quando chegarmos ao fim desta vida, poderemos também dize? “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé”. Para Paulo, o assunto estava encerrado; para nós, ainda está inacabado. Que Deus continue conosco enquanto o fim da nossa jornada também se aproxima.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
27/10/2026

FONTES:

GOMES, Osiel. O Deus da Aliança - Advertências, Promessas e Bênçãos no Livro de Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

RENOVATO, Elinaldo. As ordenanças de Cristo nas cartas pastorais. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.

KELLY, John N. D. I e II Timóteo e Tito: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova e Editora Mundo Cristão, 1983.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201904_06.pdf

Deuteronômio 31:2

 

Deuteronômio 31:2 “E disse-lhes: Da idade de cento e vinte anos sou eu hoje; já não poderei mais sair e entrar; além disto o Senhor me disse: Não passarás o Jordão.”

 

“E disse-lhes: Da idade de cento e vinte anos sou eu hoje; já não poderei mais sair e entrar;”

Moisés lembra ao povo a sua idade, 120 anos. Essa será a idade que ele ira morrer: “Era Moisés da idade de cento e vinte anos quando morreu; os seus olhos nunca se escureceram, nem perdeu o seu vigor” (Deuteronômio 34:7).  Na literatura egípcia 110 anos era o tempo ideal de vida para um homem sábio e numerosos exemplos são conhecidos. O fato da vida de Moisés ser dez anos mais longa pode ser um recurso literário para indicar a sua superioridade sobre os sábios do Egito.

Além disso, 120 é três vezes quarenta (o tempo passado no deserto) e pode muito bem denotar três gerações e também passando por três fases distintas.  Em qualquer dos casos Moisés chegou a ser um ancião que pôde ver seus netos crescerem até a maturidade. Em idade tão avançada Moisés confessava que já não era uma pessoa ativa: “Já não posso entrar e sair”.  

O Pentateuco apresenta as idades comparadas dos antediluvianos, dos patriarcas e daqueles que viveram durante a era do êxodo. De Adão a Noé, as idades ficavam na faixa entre os novecentos e os mil anos; de Noé a Abraão, entre os duzentos e os seiscentos anos; e os patriarcas viveram entre os cem e os duzentos anos. Durante a era do exôdo, entrou em efeito a média de setenta anos: “Os dias da nossa vida chegam a setenta anos, e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos, o orgulho deles é canseira e enfado, pois cedo se corta e vamos voando” (Salmos 90:10). Portanto, a idade de Moisés comparava-se com a idade dos mais jovens entre os patriarcas.

 

“... além disto o Senhor me disse: Não passarás o Jordão.”

Além do mais, Javé o proibira de atravessar o Jordão. Isso porque Moisés havia em uma explosão de ira ferido a rocha que o Senhor havia lhe ordenado que somente falasse a ela: “Moisés levantou a mão e feriu a rocha duas vezes com o seu bordão, e saíram muitas águas; e bebeu a congregação e os seus animais. Mas o Senhor disse a Moisés e a Arão: Visto que não crestes em mim, para me santificardes diante dos filhos de Israel, por isso, não fareis entrar este povo na terra que lhe dei” (Números 20:11,12). O Senhor ficou indignado com ele, por culpa do povo de Israel que provocaram à ira de Moisés, levando-o a cometer esse erro.

Moisés foi sujeitado à ira divina por causa de Israel, por ter levado sobre ele os pecados deles, como seu representante. A idéia aqui tentada, de que Moisés levou vicariamente sobre si os pecados de Israel, não foi devidamente exposta. Mas contém o germe do conceito central do Servo Sofredor, de Isaías 53, e da missão expiatória de Cristo.´

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
27/10/2026

FONTES:

GOMES, Osiel. O Deus da Aliança - Advertências, Promessas e Bênçãos no Livro de Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

Thompson J. A. Deuteronômio: introdução e comentário; tradução Carlos Osvaldo Pinto. Edição: 1. ed. Publicação: São Paulo : Vida Nova, 1982.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

AMANDO A DEUS DE FORMA EXCLUSIVA COM TODO O CORAÇÃO (Deuteronômio 6.4) 27/10/26

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA
27 DE OUTUBRO DE 2026
AMANDO A DEUS DE FORMA EXCLUSIVA COM TODO O CORAÇÃO

Deuteronômio 6.4 “Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. ” 

Esse versículo é conhecido como o “Shemá Israel” que se refere as duas primeiras palavras da seção da Torá que constitui a profissão de fé central do monoteísmo judaico é considerado um credo em sua forma embrionária na Bíblia. Os judeus os escrevem em seus filactérios, e se acham não apenas obrigados a recitá-los pelo menos duas vezes todos os dias, mas muito felizes por serem obrigados a isso, tendo esse provérbio entre si: Abençoados somos nós, que a cada manhã e a cada entardecer dizemos: Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Porém mais abençoados seremos se ponderarmos e aproveitarmos devidamente

Deus é um em essência ou natureza, subsistindo por Si mesmo; só o SENHOR é Deus: “Eu sou o SENHOR, e não há outro; fora de mim não há deus...” (Is 45.5). Nosso Senhor Jesus Cristo ensinou o monoteísmo como parte do primeiro de todos os mandamentos: “... Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor” (Mc 12.29); “... com verdade disseste que há um só Deus, e que não há outro além dele” (Mc 12.32); “E a vida eterna é esta: que conheçam a ti só por único Deus verdadeiro...” (Jo 17.3).

O apóstolo Paulo declara: “Todavia para nós há um só Deus” (1 Co 8.6); “Ora o medianeiro não é de um só, mas Deus é um” (Gl 3.20); “Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos” (Ef 4.6). “Porque há um só Deus” (1 Tm 2.5). Foi o Senhor Jesus quem revelou Deus aos seres humanos por meio da Bíblia: Mt 11.27; Jo 1.18).

O Deus que Jesus revelou é o Deus de Israel e isso ele deixou claro ao pronunciar o primeiro e grande mandamento: “E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: “Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento” (Mc 12.29, 30). Essa é uma das várias declarações do Novo Testamento que ensina ser o cristianismo monoteísta. A declaração aqui é reveladora porque não deixa dúvida de que o Deus dos cristãos é o mesmo Deus de Israel, pois Jesus citou as palavras diretamente do Antigo Testamento (Dt 6.4-6).

A Trindade é uma doutrina com sólidos fundamentos bíblicos e, mesmo sem conhecer essa terminologia, os cristãos do período apostólico reconheciam essa verdade. Essa doutrina está implícita no Antigo Testamento, pois há declarações que indicam claramente a pluralidade na unidade de Deus (Gn 1.26; 3.22; 11.6, 7; Is 6.8). Apesar da ênfase da doutrina monoteísta como o shemá: “Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR” (Dt 6.4) reafirmada pelo Senhor Jesus (Mc 12.29), o Antigo Testamento mostra que a unidade de Deus não é absoluta. O Novo Testamento revela que essa pluralidade se restringe ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo (Mt 28.19; 1 Co 12.4-6; 2 Co 13.13; Ef 4.4-6; 1 Pe 1.2).

Há ainda várias passagens tripartidas no Novo Testamento que revelam a Trindade (Lc 24.49; Rm 1.1-4; 5.1-5; 14.17, 18; 15.16, 30; 1 Co 6.11; 2 Co 1.20, 21; Gl 3.11-14; Ef 1.17; 2.18-22; 3.3-7, 14-17; 1 Ts 5.18). Além das declarações bíblicas apresentadas aqui, há outras evidências contundentes que fundamentam essa doutrina. Cada uma dessas Pessoas é chamada individualmente de Deus e Senhor. O Deus do cristianismo é um (Gl 3.20), mas as Escrituras ensinam também que o Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus. A Bíblia aplica o nome “Deus” ao Pai sozinho (Fp 2.11), da mesma forma ao Filho (Jo 1.1) e ao Espírito Santo (At 5.3, 4); e, na maioria das vezes, com referência à Trindade (Dt 6.4). Isso também ocorre com o Tetragrama (as quatro consoantes do nome divino YHWH), que se aplica ao Pai sozinho (Sl 110.1), ao Filho (Is 40.3; Mt 3.3) e ao Espírito Santo (Ez 8.1,3). No entanto, aplica-se também à Trindade (Sl 83.18). Salta à vista de qualquer leitor da Bíblia a divindade plena e absoluta de cada uma dessas Pessoas. Foi assim que o Espírito revelou a unidade na Trindade. A doutrina da Trindade não neutraliza, nem contradiz a doutrina da Unicidade e nem a doutrina da Unicidade anula a Trindade.


DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
14/02/2022

Fontes:

BAPTISTA, Douglas. A Supremacia das Escrituras – a Inspirada, Inerrante e Infalível Palavra de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2021.

HENRY, Matthew. Comentário Bíblico – Pentateuco. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

SOARES, Esequias. A razão de nossa fé: assim cremos, assim vivemos. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

SOARES, Esequias. Manual de apologética cristã: Defendendo os fundamentos da autêntica fé bíblica. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.

 

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

OUVINDO E GUARDANDO A PALAVRA PARA VIVER EM OBEDIÊNCIA (Provérbios 1:7) 26/10/26

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA
26 DE OUTUBRO DE 2026
OUVINDO E GUARDANDO A PALAVRA PARA VIVER EM OBEDIÊNCIA

Provérbios 1:7 “O temor do Senhor é o princípio do conhecimento; os loucos desprezam a sabedoria e a instrução.”

 

“O temor do Senhor é o princípio do conhecimento;”

“O temor do Senhor” é uma expressão comum nos livros sapienciais e em outras passagens, esta frase foi usada quatorze vezes nos Provérbios. Ilustrações sobre o uso aparecem no Salmo 115:11 - "Confiam no Senhor os que temem o Senhor", e em Isaías. 11:2, 3, onde o temor do Senhor é citado como característica do Messias. Tal temor inclui o respeito para com o Todo-poderoso Salmo 2:11: "servi ao Senhor com temor, e alegrai-vos nele com tremor"). Jó 28:28 é praticamente uma definição: "Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e o apartar-se do mal é o entendimento".

A palavra princípio, em hebraico reshith, tanto é norma como começo. Tudo tem um princípio, uma forma de começo, e, se alguém desejar sucesso, tem de ter um início determinante. O príncipio não é uma etapa que se deixa para trás. É um relacionamento correto: é uma submissão em adoração (temor) ao Deus da aliança, que Se revelou pelo Seu nome (o Senhor, isto é, Javé: Êxodo 3:13-15).

É somente através da submissão a Sua autoridade e majestade (ou seja, no temor ao Senhor) que podemos começar e continuar a nossa educação; e, através da busca diligente pela sabedoria “como por tesouros ocultos” é que acharemos o nosso prêmio numa intimidade crescente com o mesmo Senhor. Ele é o início; Ele é também o fim, pois o alvo é: “Então entenderás o temor do SENHOR, e acharás o conhecimento de Deus” (Provérbios 2:5).

Salomão demonstra que nenhuma moral-social se firma se não tiver valores morais e espirituais como princípio. Ninguém pode ser considerado sábio de fato se os seus conselhos não revelam princípios do saber divino. Um sábio não é alguém dotado apenas de muita informação ou inteligência, mas alguém que aprendeu que o temor do Senhor é a base de toda moral-social.

 

“... os loucos desprezam a sabedoria e a instrução.”

Em contrapartida os loucos desprezam a sabedoria e a instrução."Loucos " ou “insensatos” aparecem diversas vezes em Provérbios. Também o uso difere. Em Isaías 35:8, "louco" significa obviamente "simplório". Mas no uso especializado de Provérbios, "louco" significa um pecador. Provérbios 14:9 é ilustrativo – "Os loucos zombam do pecado". A cláusula significa que os pecadores ridicularizam a santidade. A LXX grega traduz bem loucos para “ímpios”.

O insensato, com este nome ou com o outro, se revela tão logo que abre a boca (17:28; 24:7; 10:14), e é tão briguento como o outro, pois não se deixa refrear (20:3; 12:16) e não tem senso de proporção (27:3; 29:9). O aspecto que se destaca mais é a sua insolência moral: desde a primeira vez que aparece, não tolera qualquer conselho (1:7; 10:8; 12:15; 15:5).

A raiz do seu problema é espiritual, e não mental. Ele gosta da sua estultícia, voltando a ela “Como o cão que torna ao seu vômito” (26:11); não reverencia a verdade, e prefere ilusões confortáveis (14:8). No fundo, o que ele rejeita é o temor ao Senhor (1:29): é isto que faz dele um insensato, e isto toma trágica a sua complacência, porque “aos loucos a sua impressão de bem-estar os leva à perdição” (1:32).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
15/10/2026

FONTES:

GOMES, Osiel. O Deus da Aliança - Advertências, Promessas e Bênçãos no Livro de Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

HARRISON, Everret F; PFEIFFER, Charles F. Comentário Bíblico Moody. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1990.

MESQUITA, Antônio Neves. Estudo no Livro de Provérbios — princípios para uma vida feliz. Rio de Janeiro: JUERP, 1979.

KIDNER, Derek. Provérbios Introdução e Comentário – Série Cultura Bíblica. Mundo Cristão

GONÇALVES, José. Sábios Conselhos para um viver vitorioso - Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Rio de Janeiro: CPAD, 2013

 

domingo, 25 de outubro de 2026

Deuteronômio 31.6

 

Deuteronômio 31.6 “Esforçai-vos, e animai-vos; não temais, nem vos espanteis diante deles, porque o SENHOR, vosso Deus, é o que vai convosco; não vos deixará nem vos desamparará.” 

 

“Esforçai-vos, e animai-vos; não temais, nem vos espanteis diante deles,”

Após Moisés dizer ao povo que não poderá mais acompanhá-los, Ele diz que Deus passará adiante deles para destruir as nações, agora liderados por Josué. Eles enfrentariam ainda adversários muito mais fortes, mas não precisariam ficar desencorajados: “nem vos espanteis diante deles”, porquanto um poder mais do que adequado tinha sido posto à disposição deles para cumprirem a contento a sua missão. A promessa do Senhor era suficiente para aliviar os temores dos israelitas: "Não vos espanteis, nem os temais" (1.21).

Josué recebeu de Moisés e do Senhor essas mesmas palavras: “Esforça-te, e tem bom ânimo; porque tu farás a este povo herdar a terra que jurei a seus pais lhes daria” (Josué 1:6). Assim também Josué foi instruído a esperar grandes coisas da parte do Senhor. O homem que este empenhado em cumprir a sua missão cumprindo a vontade de Deus pode esperar receber um grande sucesso: “porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem-sucedido” (Josué 1:8).

O cristão precisa também confiar na presença fortalecedora de Deus. Parece que o apóstolo Paulo se utilizou das palavras deste versículo em  1 Coríntios 16:13 NVI “Estejam vigilantes, mantenham-se firmes na fé, sejam corajosos, sejam fortes”.

 

“... porque o SENHOR, vosso Deus, é o que vai convosco; não vos deixará nem vos desamparará.”

Moisés lembra o povo que “o Senhor ia adiante deles, de dia numa coluna de nuvem para os guiar pelo caminho, e de noite numa coluna de fogo para os iluminar, para que caminhassem de dia e de noite” (Êxodo 13:21). E pelejaria por eles (Êxodo 14.14). E a sua presença garantia a vitória do povo: “quando saíres à peleja contra teus inimigos, e vires cavalos, e carros, e povo maior em número do que tu, deles não terás temor; pois o Senhor teu Deus, que te tirou da terra do Egito, está contigo” (Deuteronômio 20.1).

Mesmo Moisés não estando mais presente Deus nãos abandonaria seu povo, nem mesmo os desampararia. Deus havia prometido a Abraão aquela terra: “Naquele mesmo dia fez o Senhor uma aliança com Abrão, dizendo: À tua descendência tenho dado esta terra, desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates” (Gênesis 15:18).

E agora garante a seus descendentes que quaisquer que fossem os obstáculos confrontados Ele não os desampararia, até cumprir tudo que prometera: “porque eu velo sobre a minha palavra para cumpri-la” (Jeremias 1:12). O apóstolo aplica isto a toda a Israel espiritual de Deus, para o encorajamento da sua fé e esperança. A nós este Evangelho é pregado assim como a eles: “Não te deixarei, nem te desampararei” (Hebreus 13.5).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
25/10/26

FONTES:

GOMES, Osiel. O Deus da Aliança - Advertências, Promessas e Bênçãos no Livro de Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

Deuteronômio 30:14

 

Deuteronômio 30:14 “Porque esta palavra está mui perto de ti, na tua boca, e no teu coração, para a cumprires.”

 

“Porque esta palavra está mui perto de ti, na tua boca, e no teu coração, para a cumprires.”

Moisés argumenta que a palavra de Deus não é um mistério inacessível (v.11). Nenhum deles precisa subir ao céu ou cruzar o oceano para buscá-la (vv. 12-13). A vontade de Deus expressa na aliança não exigia investigação profunda dos mistérios do universo, pois estava tão próxima quanto a visão e a audição e fora revelada de maneira simples a Israel : “As coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei” (Deuteronômio 29:29).

A Palavra estava tão perto deles que até já estava na boca deles. A lei podia estar nos lábios de qualquer pessoa que a repetisse. Todo israelita já estava falando sobre a lei e vivendo-a diariamente. E também estava no coração deles, ou seja, em suas emoções e em suas almas. A revelação divina tinha sido feita; e lhes estava sendo ensinada incessantemente, ouvida e praticada. Eles tinham tudo quanto era necessário.

Ao dizer que a palavra está "na tua boca e no teu coração", Moisés tira qualquer desculpa de ignorância: as leis de Deus já haviam sido ensinadas e explicadas; restava apenas a decisão de obedecer. Estando na boca e no entendimento (coração) de Israel a vontade de Deus podia ser cumprida: “Não falei em segredo, nem em lugar algum escuro da terra; não disse à descendência de Jacó: Buscai-me em vão; eu sou o Senhor, que falo a justiça, e anuncio coisas retas” (Isaías 45:19). Mesmo que houvesse segredos a serem ainda revelados, Israel podia desde já desfrutar da vida amando a Deus e obedecendo lealmente à Sua aliança. Eles não precisavam compreender todo o universo para começarem a viver para Deus.

Séculos mais tarde, o apóstolo Paulo cita exatamente essa passagem em Romanos 10:8: “Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos”. Ele a usa para explicar a "palavra da fé". Paulo usa a lógica de Moisés para mostrar que a salvação em Jesus Cristo também não está distante ou inacessível, mas perto de qualquer um que confesse com a boca e creia no coração.

Deus agora se aproximava dos homens em Cristo e, como Senhor vivo, solicitava não um esforço sobre humano, mas sim uma aceitação alegre de Sua graça em Cristo: “A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação” (Romanos 10:9,10).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
25/10/2026

FONTES:

GOMES, Osiel. O Deus da Aliança - Advertências, Promessas e Bênçãos no Livro de Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

Thompson J. A. Deuteronômio: introdução e comentário; tradução Carlos Osvaldo Pinto. Edição: 1. ed. Publicação: São Paulo : Vida Nova, 1982.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

Lição 5: O grande mandamento . 4 Trimestre de 2026.


TEXTO ÁUREO

“Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu poder.” (Deuteronomio 6.5)

 

“Amarás, pois, o Senhor teu Deus”

Esse versículo está incluído no Shemá Israel. O Shemá é composto de três trechos da Torá (Deuteronômio 6:4-9; 11:13-21; e Números 15:37-41). È uma prece recitada duas vezes ao dia: ao deitar-se e ao levantar-se, conforme preceito da Torá.  Este verso também é conhecido como o grande mandamento (Marcos 12.29,30). O Senhor Jesus citou este trecho do em Seu sumário da natureza e da nossa obrigação diante a lei.

A obediência de Israel não deveria surgir de um legalismo estéril baseado na necessidade e no dever. Deveria surgir de um relacionamento baseado em amor. O termo bíblico “amar”, tem uma conotação muito profunda. Oséias usa esse verbo para expressar a afeição de Javé por Israel, fazendo uso de poderosas metáforas, extraídas da vida doméstica, do relacionamento entre marido e esposa: “E o Senhor me disse: Vai outra vez, ama uma mulher,…” (Oséias 3:1a) e do relacionamento entre pai é filho: “Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei a meu filho” (Oséias 11:1).

O homem não pode amar a Deus conforme ama a outro ser humano. O amor a Deus envolve santo temor e reverência (vs. 13), e exprime-se por meio daquela lealdade devotada e singela de onde se deriva um serviço obediente e de todo o coração. O amor a Deus, desacompanhado da obediência, não é amor (1 João 4.7-21).

 

“... de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças.”

A extensão do amor do homem a Deus deveria ser total. Israel deveria amar a Deus com todo o seu ser. A expressão de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força é uma das favoritas em Deuteronômio (4: 29; 10: 12; 11: 13; 13: 3; 26: 16; 30: 2, 6, 10), e nos oferece uma percepção parcial da antiga psicologia hebraica.

O coração era considerado a sede da mente e da vontade bem como de uma vasta gama de emoções: “Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos se agradem dos meus caminhos” (Provérbios 23.26). O termo alma é de difícil definição, mas parece ser referir à fonte de vida e vitalidade, ou mesmo do próprio “ser”. Nesse sentido Cristo derramou sua alma na morte por nós (Isaias 53.12). Os dois termos, coração e alma entre si indicam que o homem deve amar a Deus sem qualquer reserva em sua devoção. Para dar ainda mais força à ordem, uma terceira expressão é acrescentada, de toda a tua força, que diz respeito ao lado fisico e mental do ser humano.

Os que amam a Deus verdadeiramente precisam evidenciar isso por meio de ações, não só sentimentos. Isso tudo mostra que nosso amor para com o Senhor precisa ser relacional, ativo, intencional e abarcar todas as áreas da vida.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
21/9/2026

FONTES:

GOMES, Osiel. O Deus da Aliança - Advertências, Promessas e Bênçãos no Livro de Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

Thompson J. A. Deuteronômio: introdução e comentário; tradução Carlos Osvaldo Pinto. Edição: 1. ed. Publicação: São Paulo : Vida Nova, 1982.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

https://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/1216847/jewish/Shem-Israel.htm