LEITURA BÍBLICA DIÁRIA
10 DE SETEMBRO DE 2026
PODEMOS ESTAR ABATIDOS, MAS NUNCA ABANDONADOS POR DEUS
2 Coríntios 4.8-9 “Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não
desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos. “
Contexto
No verso 7 Paulo diz: “Temos,
porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de
Deus, e não de nós ”. Que tesouro é este? A resposta está no verso 6 quando
Paulo cita (Gênesis 1.3) A iluminação de Cristo que nos deu o conhecimento da
glória de Deus. Paulo conhecia a glória. Ele também conhecia o sofrimento que
seu ministério muitas vezes acarretava. Seu conhecimento da glória de Deus em
Cristo é um tesouro inestimável. As pessoas naqueles dias dificilmente
pensariam em pôr jóias em simples vasos de barro. Mas nós que temos a luz de
Cristo ainda vivemos em corpos humanos frágeis em um mundo pecador. Deus não muda nosso corpo agora, mas escolheu
nos deixar em fraqueza humana de forma que seja óbvio a todos que a grandeza do
seu poder, manifestada por meio dos seus servos, é “de Deus e não de nós”.
Paulo foi usado por Deus para realizar muitos milagres, contudo ele permaneceu
fisicamente, fraco e sem impressão. Paulo queria que os coríntios soubessem que
pouco importava o que acontecesse, o tesouro no vaso de barro do seu corpo o
impedia de ser quebrado pelas circunstâncias ou pelos inimigos. Nesta seção da
carta Paulo se expressa numa série de quatro declarações paradoxais. Elas
refletem, de um lado, a vulnerabilidade de Paulo e de seus companheiros, e por
outro lado, o poder de Deus que os sustenta.
“Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; “
A palavra grega
para “atribulados”, significa afligido, sujeito a pressões, enquanto a palavra
para “angustiados”, traz a idéia de comprimir em lugar apertado. Tem que ver
com o aperto de uma pequena sala, de um espaço confinado, e, daí a dor que é
sua ocasião. A tribulação é uma prova externa, enquanto a angústia é um
sentimento interno. A tribulação produz angústia (SI 116.3), mas Paulo mesmo
enfrentando circunstâncias tão adversas era fortalecido pelo Senhor. Quais as
tribulações que Paulo enfrentou? Ele foi perseguido em Damasco, rejeitado em
Jerusalém, esquecido em Tarso, apedrejado em Listra, açoitado em Filipos,
escorraçado de Tessalônica e Beréia, chamado de tagarela em Atenas, de impostor
em Corinto. Enfrentou feras em Éfeso, foi preso em Jerusalém, acusado em
Cesaréia, enfrentou um naufrágio a caminho de Roma e foi picado por uma cobra
em Malta. Sofreu prisões, açoites, apedrejamento, fome, frio e pressão de todos
os lados. Contudo, Deus o assistiu não o deixando sucumbir diante de tantas
adversidades. Os problemas o pressionavam severamente de todos os lados (ou de
todas as formas), mas por causa do poder incomparável de Deus eles não podiam
nem mesmo restringi-lo de disseminar o Evangelho.
“...perplexos, mas não desanimados; ”
A palavra grega para
“perplexos”, significa estar em dúvida, estar perplexo, enquanto a palavra para
“desanimados”, significa estar completamente em desespero, ou melhor o desespero
em seu estado final. Jesus morreu na cruz, mas Deus O ressuscitou para reinar à
Sua direita. Por isso, o apóstolo recusou-se a desistir mesmo quando perplexo
com o comportamento de seus companheiros judeus ou dos pagãos a quem pregava.
As dúvidas e brigas de outros crentes nunca levaram o apóstolo a ficar
desanimado. Durante todos os tumultos, Paulo confiou em Cristo, seu Amigo e
Consolador. A vitória dos cristãos é assegurada pela certeza de que o Senhor
voltará. Paulo sabia que os fiéis herdarão a vida eterna e os corruptos de
coração serão separados da presença do Senhor.
“...perseguidos, mas não desamparados; “
A palavra grega para
“perseguidos”, traz a ideia de perseguir e caçar como a um animal, enquanto a
palavra para “desamparados”, significa desertar, abandonar alguém em
dificuldades. Paulo se descreve como um fugitivo caçado por seus adversários,
contudo, na última hora Deus lhe dava um escape.201 Paulo sofreu duras
perseguições desde o começo de sua conversão até o último dia da sua vida na
terra. Não teve folga nem alívio. Foi perseguido pelos judeus e pelos gentios,
pelo poder religioso e pelo poder civil. No entanto, jamais se sentiu
desamparado. Quando foi apedrejado em Listra, levantou-se para prosseguir o
projeto missionário. Quando foi preso em Filipos, cantou e orou à meia-noite.
Quando foi preso em Jerusalém, deu testemunho diante do Sinédrio. Quando foi
levado para Roma como prisioneiro de Cristo, testemunhou ousadamente aos
membros da guarda pretoriana. Mesmo quando ficou só em sua primeira defesa, em
Roma, foi assistido pelo Senhor (2 Timoteo 4.16-18).
“...abatidos, mas não destruídos; “
A palavra grega para
“abatidos”, significa lançar abaixo, derrubar violentamente. A palavra era
usada para falar da derrubada de um oponente na luta ou de derrubar uma pessoa
com a espada ou qualquer outra arma. Já a palavra para “destruídos”, significa
destruir e perecer. Paulo enfrentou circunstâncias desesperadoras, acima de
suas forças (1.8). Foi acusado, perseguido, açoitado, aprisionado, mas jamais
sucumbiu. Mesmo quando foi levado à guilhotina romana e teve seu pescoço
decepado pelo verdugo, não foi destruído (2 Timóteo 4.17,18), porque sabia que
sua morte não era uma derrota, mas uma vitória, uma vez que morrer é lucro, é
deixar o corpo e habitar com o Senhor, o que é incomparavelmente melhor. Na
fraqueza de Paulo, Jesus o tornou forte. O apóstolo parecia nunca esquecer que
estava seguindo os passos de Jesus. O próprio Senhor foi crucificado de um modo
vergonhoso, mas, por meio de Sua morte, Ele derrotou Satanás. A glória do
ministério de Paulo estava no fato de que ele transmitia os ensinamentos de
Jesus, mas também participara dos sofrimentos de Cristo. Ele jamais pensou em
abandonar seu ministério. Naquilo o mundo viu como fraqueza, o apóstolo encontrou
força.
DEIVY FERRREIRA PANIAGO JUNIOR
FONTES:
CABRAL, Elienai. Relacionamentos em
Família – Superando desafios e problemas com exemplos da Palavra de Deus. Rio
de Janeiro: CPAD, 2023.
http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_202107_02.pdf
KRUSE, Colin. 2 Coríntios – Introdução e comentário. São
Paulo: Vida Nova, 1984.
LOPES, Hernandes Dias. 2 Coríntios:
o triunfo de um homem de Deus diante das dificuldades. São Paulo: Hagnos, 2008.