sexta-feira, 15 de maio de 2026

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA 15 DE MAIO DE 2026 (Romanos 1.17)

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA  
15 DE MAIO DE 2026
A FÉ COMO PRINCÍPIO QUE SUSTENTA O JUSTO

Romanos 1.17 “Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá pela fé.”

 

“Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé,”

Em outras palavras, o texto está afirmando que a justiça de Deus se revela no Evangelho. Certo escritor assim se manifestou sobre a justiça de Deus: “A justiça de Deus é a soma total de tudo quanto Deus provê ao pecador através de Jesus Cristo”. E essa justiça é outorgada, concedida e imputada por Deus ao pecador arrependido quando ele crê em Cristo. O pecador é justificado em Cristo, mediante a justiça de Deus manifestada na cruz do Calvário em favor dele. E mediante a fé, e não pelas obras. A fé não é a base da justificação, mas seu instrumento de apropriação. O homem não é salvo por causa da fé, mas mediante a fé.

Francis Schaeffer diz que a salvação envolve mais do que justificação. Somos justificados pela fé, mas também devemos viver de acordo com a mesma fé no presente. Depois de termos sido justificados pela fé, devemos viver pela fé. Este é o segundo aspecto da salvação, a nossa santificação.

 

“... como está escrito: Mas o justo viverá pela fé.”

Estas palavras oriundas de Habacuque 2:4 já tinha sido citada por Paulo em Gálatas 3:11: “E é evidente que pela lei ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé  para provar que não é pela lei que o homem é justificado perante Deus. O hebraico emunuh, traduzido "fé" em Habacuque 2:4 (LXX pistis), significa "perseverança" ou "fidelidade". Na passagem de Habacuque esta perseverança ou fidelidade baseia-se numa firme confiança em Deus e Sua Palavra, e é esta firme confiança que Paulo compreende pelo termo.

Habacuque, clamando a Deus contra a opressão sob a qual seu povo gemi, recebeu de Deus a segurança de que a impiedade não triunfaria indefinidamente, a justiça seria finalmente vindicada, e a terra se encheria "do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar" (Habacuque 2:14). Esta visão poderia demorar a realizar-se, mas se cumpriria com toda a certeza. Enquanto isso, os justos resistiriam até o fim, dirigindo as suas vidas por uma lealdade a Deus inspirada pela fé em Sua promessa.

Quando Paulo focaliza as palavras de Habacuque e vê nelas a verdade central do Evangelho, parece atribuir-lhes este sentido: "aquele que é justo (justificado) pela fé é que viverá." Os termos do pronunciamento divino mediante Habacuque são gerais o bastante para permitir a aplicação que Paulo faz deles, aplicação que, longe de fazer violência à intenção do profeta, expressa a permanente validez da sua mensagem.

Nada além da fé faz o pecador obter a aceitação diante de Deus. Israel apresentava seus privilégios religiosos, e os gentios apresentavam suas obras. Nem as obras, nem cultura, nem raça, nem herança têm aceitação diante de Deus. Somente pela fé em Cristo Jesus. A fé é o meio pelo qual a justiça de Deus tornou possível uma nova relação com Ele. Lopes escreveu que o justo viverá pela fé. O justo é salvo pela fé, vive pela fé, vence pela fé e caminha de fé em fé.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
10/04/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

CABRAL, Elienai. Romanos – O evangelho da justiça de Deus. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus. 1986.

BRUCE, F, F. Romanos - Introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2002.

SCHAEFFER, Francis A. A Obra Consumada de Cristo: A verdade de Romanos 1-8. São Paulo: Cultura Cristã, 2022.

Lopes, Hernandes dias. Romanos: o evangelho segundo Paulo. São Paulo, SP: Hagnos 2010.

 

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Isaías 61:1

Isaías 61:1 “O Espírito do Senhor Deus está sobre mim; porque o Senhor me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos;”

 

“O Espírito do Senhor está sobre mim; porque o Senhor me ungiu,”

O profeta Isaías anuncia a missão do Messias. O próprio Jesus expressamente aplicou esta passagem a si próprio no início do seu ministério em Nazaré na Galiléia (Lucas 4.16-22). O Filho, em si mesmo, não precisava de suporte ou da ajuda do Espírito Santo, mas quando o Verbo se fez carne, ele viveu as limitações que a encarnação lhe proporcionou. Na condição de Servo necessitou e dependeu durante todo o seu ministério da ação do Espírito Santo.

Ou seja, ele foi ungido. Pedro pregou essa condição aos da casa de Cornélio: “Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder; o qual andou fazendo bem, e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele” (Atos 10:38).  Todos os dons e graças do Espírito foram outorgados a Ele, não por medida, como a outros profetas, mas sem medida, João 3.34. Pois, “Ele veio pela virtude do Espírito” (Lucas 4:14).

 

“... para pregar boas novas aos mansos;”

Aqui Ele fala como o Profeta ungido pregando “boas-novas aos mansos”, aqueles que se humilham diante de Deus, mansamente tomando um lugar inferior e reconhecendo as suas necessidades. O Novo Testamento os entende como pobres aos olhos do mundo e necessitados da ajuda de Deus: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres” (Lucas 4:18).

Os pobres sempre foram desfavorecidos nas sociedades humanas e é digno de nota que Lucas relata uma bem-aventurança para os pobres: “Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus” (Lucas 6:20). A João, o batista Jesus mandou anunciar: “Ide, e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes: Os cegos veem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho” (Mateus 11:4,5).

 

“... enviou-me a restaurar os contritos de coração,”

Ele é enviado com diligência amorosa e pessoal para “restaurar” os corações daqueles que estão quebrantados. “Coração quebrantado” é uma expressão que implica tristeza profunda que amarga a própria vida. Deus se agrada desses, pois eles confessam do fundo da alma que não merecem o menor olhar da bondade de Deus. Mas Deus agirá em favor deles como Ele mesmo, ou seja, como Deus de amor, misericórdia e bondade, e que são eles em quem Ele põe o coração:

 Ele os carregará no colo, nunca os deixará, nem os abandonará. Ainda que esses contritos se considerem muitas vezes perdidos, Deus os salvará: Pois “Ele sara os quebrantados de coração, e lhes ata as suas feridas” (Salmos 147:3).

Um coração quebrantado faz da alma um receptáculo adequado para Deus habitar: “Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade e cujo nome é Santo: Em um alto e santo lugar habito e também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e para vivificar o coração dos contritos” (Isaías 57.15). 

 

“... a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos;”

Proclamar libertação aos cativos” e “pôr em liberdade os algemados” trazia à memória dos ouvintes de Isaías o Ano do Jubileu, quando os devedores eram liberados de suas dívidas e as propriedades eram devolvidas aos donos originais (Levítico 25:10–16).

Tudo isto encontra o seu perfeito cumprimento apenas na obra espiritual de Cristo, que concede uma liberdade mais elevada (e verdadeira) para os Seus. Os “mansos” e “quebrantados” são aqueles que anseiam pela liberdade espiritual, e cujos corações foram quebrantados por um senso de opressão e angústia espirituais. Ele é enviado aos que foram levados cativos e libertação aos encerrados na escuridão do pecado (incluindo a abertura dos olhos). 

É interessante observar que Lucas 4.18-19 inclui a frase“dar vista aos cegos”. Porém esse acrescima da septuaginta não é contrário ao interesse de Isaías de que o povo tenha os seus olhos cegos abertos: “Então os olhos dos cegos serão abertos, e os ouvidos dos surdos se abrirão” (Isaías 35:5).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
14/05/2026

FONTES:

GABY, Wagner. A Igreja dos Gentios – Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos. Rio de Janeiro:  CPAD, 2026.

HORTON, Stanley. Isaías o Profeta messiânico. Rio de Janeiro: CPAD 2003.

HARPER, A. F. (Ed.). Comentário Bíblico Beacon. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.

Ridderbos, J. Isaías: introdução e comentário - 2. Edição. São Paulo: Vida Nova, 1995.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201011_05.pdf

Mateus 6:17

Mateus 6:17 “Tu, porém, quando jejuares, unge a tua cabeça, e lava o teu rosto,”

 

“Tu, porém, quando jejuares,”

A palavra hebraica do Antigo Testamento para “jejum” é (tsum). A ideia de jejuar, explicada no que diz respeito ao Dia de Expiação, é humilhar a alma (Levítico 16:29–31). Esse na verdade era o único jejum ordenado na Lei, porém, com o passar dos séculos outros dias de jejum foram estabelecidos.

A tradição judaica afirmava: “No Dia da Expiação é proibido: 1) comer, (2) beber, 3) lavar-se, 4) ungir-se com qualquer tipo de óleo, 5) calçar uma sandália, 6) ou ter relações sexuais”. Alguns jejuns do Antigo Testamento eram ocasionais e extraordinários, ao passo que outros eram realizados com regularidade. O jejum era observado em casos de doença, luto, calamidade, tristeza pelo pecado e outras situações críticas: “Mas, quanto a mim, quando estavam enfermos, as minhas vestes eram o saco; humilhava a minha alma com o jejum, e a minha oração voltava para o meu seio” (Salmos 35:13).

O verbo grego traduzido por “jejuar” (nesteuo) e seus derivados ocorrem cerca de trinta vezes no Novo Testamento. Essas palavras significam abster-se de alimento ou bebida. Jejuar, na maioria das vezes, está associado a um propósito espiritual. Quando devidamente praticado, ele conduz o adorador para mais perto de Deus.

Assim como a prática judaica de dar esmolas (6:2) e oferecer orações (6:5), o jejum era uma atividade que Jesus espera que seus seguidores pratiquem. Por isso ele diz a seus discípulos “quando jejuardes”. Devemos jejuar pois estamos vivendo os dias que o noivo foi tirado: “Virão dias quando o noivo lhes será tirado; então jejuarão” (Mateus 9.15).

 

“... unge a tua cabeça, e lava o teu rosto,”

Ao contrario dos homens a quem Jesus censurou que se mostravam contristados e desfiguravam o rosto com o fim de parecer que jejuavam. Jesus orienta seus discípulos a não deixarem seu jejum ficar evidente para os outros. Em oposição à tradição judaica, Ele disse para Seus discípulos ungirem a cabeça e lavarem o rosto com água durante o período de jejum.

Quem se lamentava ou fingia tristeza não costumava fazer isso: “Alimento desejável não comi, nem carne nem vinho entraram na minha boca, nem me ungi com unguento, até que se cumpriram as três semanas” (Daniel. 10:3). Também se lê na história dos judeus que nos dias de jejum, os atos de ungir-se e lavar se eram proibidos, para que houvesse assim demonstração de tristeza pelo pecado.

Ou seja, tanto a unção e a lavagem eram símbolos de alegria: “Em todo o tempo sejam alvas as tuas roupas, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça” (Eclesiastes 9:8). No oriente era costumeiro ungir a cabeça como preparação para alguma festa. E isso era praticado diariamente pelos judeus, exceto nos dias de jejum. O verdadeiro discípulo do reino do Messias pode jejuar, pode ter tristeza no coração por causa do pecado, pode jejuar até mais vezes que nos dias indicados, mas não deve ostentar o que faz com seus lamentos, exibindo o lado negativo da religião. Pelo contrário, deve dar a impressão que vai para um a festa, evitando assim o olhar aprovador de outros, os quais, de outra maneira, saberiam que está jejuando.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
14/05/2026

FONTES:

GABY, Wagner. A Igreja dos Gentios – Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos. Rio de Janeiro:  CPAD, 2026.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201205_02.pdf

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA 14 DE MAIO DE 2026 (Hebreus 11:17)


LEITURA BÍBLICA DIÁRIA  
14 DE MAIO DE 2026
PELA FÉ, ABRAÃO OFERECEU ISAQUE QUANDO FOI PROVADO 

Hebreus 11:17 “Pela fé ofereceu Abraão a Isaque, quando foi provado; sim, aquele que recebera as promessas ofereceu o seu unigênito.”

 

“Pela fé ofereceu Abraão a Isaque, quando foi provado;”

Quando Isaque tinha crescido e se tornara um rapaz formoso, aos olhos de seus pais e também aos olhos de todos, Abraão ouviu a voz de Deus. Esta era a oitava vez que Deus falara com ele. Mas esta mensagem não trazia o mesmo teor daquelas anteriores, conforme escreve o autor sagrado: “E aconteceu, depois destas coisas, que tentou Deus a Abraão e disse-lhe: Abraão! E ele disse: Eis-me aqui. E disse: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi” (Genesis 22.1,2).

Todas as demais provações de Abraão foram insignificantes comparadas a essa provação. Deus havia pedido que ele saísse de sua terra, viajasse para terras desconhecidas,que ele mandasse Ismael e sua mãe embora levando apenas um pouco de pão e água. Todavia, quando lhe pediu para colocar Isaque sobre um altar, o patriarca viu-se diante da maior prova.

A palavra grega usada nesse verso indica que ele já estava no processo de oferecer Isaque, quando o anjo do Senhor o deteve. Ele “estava oferecendo” Isaque. Não há dúvida sobre a força da fé de Abraão. Dessa maneira aprendeu Abraão que Deus não deseja sacrifícios humanos. Houve uma época em que os homens consideravam dever sagrado oferecer a Deus os seus primogênitos antes que aprendessem que Deus nunca quereria tais sacrifícios.

 

“... sim, aquele que recebera as promessas ofereceu o seu unigênito.”

Abraão poderia ter apresentado muitas contestações e argumentos plausíveis contra esta ordem: “Pai, isto parece incoerente com o Teu caráter; parece contradizer as Tuas promessas”. Visto que Isaque era uma parte insubstituível das promessas de Deus, Abraão concluiu que Deus o ressuscitaria dos mortos após o sacrifício (v. 19). Ele sabia que Deus estava no controle tanto da vida quanto da morte.

Ao fazer a sua oferta, Abraão demonstrou de modo prático sua confiança em que a morte não era problema para Deus. A morte não pode ser uma barreira nem impedimento para Deus cumprir a promessa da aliança. Independentemente do que Abraão estava pensando, o texto nos diz que assim que a ordem foi dada, Abraão pôs-se a obedecer prontamente, nenhuma objeção poderia vencer sua fé, por isso Abraão viajou cerca de sessenta quilômetros por dois dias, com muito tempo para pensar. Sem dúvida, ele passou noites sem dormir, porém, mesmo assim, prosseguiu com o sacrifício daquele a quem ele amava como a sua própria alma.

É inexata a referência a Isaque como “unigênito”, pois Abraão aqui já tinha dois filhos: Ismael e Isaque. Em vez disso, Isaque era o “único filho” nascido por causa de uma promessa aos pais que já haviam passado da idade de procriação. Ou seja, o nascimento dele foi miraculoso.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
25/03/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

SILVA, Severino Pedro. Epístola aos Hebreus – as coisas novas e grandes que Deus preparou para você. Rio de Janeiro CPAD, 2023.http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201407_05.pdf

HARRISON, Everret F; PFEIFFER, Charles F. Comentário Bíblico Moody. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1990.

Barclay, William. The Letter to The Hebrews (Título Original em Inglês). Tradução: Carlos Biagini.

 

quarta-feira, 13 de maio de 2026

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA 13 DE MAIO DE 2026 (Hebreus 11.1)


LEITURA BÍBLICA DIÁRIA  
13 DE MAIO DE 2026
O FIRME FUNDAMENTO DAS COISAS QUE SE ESPERAM 

Hebreus 11.1 “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem. “


Este é o mais lido e conhecido dos 13 capítulos da Epístola aos Hebreus. Alguns escritores da Bíblia o tem denominado de “A Galeria dos Heróis da Fé”, visto que ela (a fé) encontra-se presente do começo ao fim deste capítulo, marcando cada acontecimento. Tudo aqui se dá pela fé. A expressão “pela fé” aparece cerca de 20 vezes, para mostrar o que a fé representa para a vida religiosa.

Mais do que um conceito, o autor faz aqui uma afirmação sobre a fé que é oposta àquela que estava sendo demonstrada por seus leitores. Os Hebreus davam sinal de fraqueza espiritual justamente porque estava faltando-lhes a fé. O substantivo grego pistis, traduzido aqui como "fé”, ocorre 243 vezes no Novo Testamento; 30 vezes somente em Hebreus, sendo que, somente no capítulo 11, há o registro dessa palavra 24 vezes.


“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam...” 

A palavra grega traduzida aqui como "fundamento", tem, no texto grego, o sentido de certeza, confiança, segurança. A ARA traduz o termo como certeza: “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam”. Nesse sentido, era usada como atestação ou garantia de uma propriedade. Para o autor, a fé era como ter em mãos um documento que atestava a posse de determinado objeto. A fé nos provê uma garantia da recompensa celestial já agora. Não se trata de uma confiança sem provas; a fé é uma confiança sólida baseada num firme fundamento.

A fé é a nossa certeza (confiança) em relação à nossa esperança. Sem esperança, seríamos desgraçados diante de nossos problemas com o mundo: “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” (1 Coríntios 15:19). É uma confiança baseada não em mero querer, mas nas promessas de Deus.

Fé não é “confiança em si mesmo”, “pensamento positivo” ou “salto no escuro”. A fé, como descrita pelo escritor bíblico, é uma confiança inabalável no caráter de Deus e em sua Palavra, isto é, porque Deus falou, então, nós acreditamos. Essa confiança é fruto da convicção de que Aquele que prometeu irá cumprir o que disse no tempo determinado, pois Ele é fiel, justo, verdadeiro e imutável: “Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação” (Tiago 1:17)

Não pode haver esperança real sem fé, e não pode haver fé real sem esperança. Esperar coisas “que não se veem” é antecipar algo melhor: “Pereceria sem dúvida, se não cresse que veria a bondade do Senhor na terra dos viventes” (Salmos 27:13). Foi essa fé que tornou o céu algo real para Abraão:“Porque esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus” (Hebreus 11:10).

Esse capítulo fala de muitos que agiram “por fé”. A ação obediente resultou da confiança em Deus e em Suas promessas. Deus disse, eu creio e isso basta, é um raciocínio simplista, mas esta frase contém a essência da "fé”.


“... e a prova das coisas que se não veem. “

O termo grego traduzido aqui como "prova”, tem o sentido de "evidência” ou “convicção”. A visão física produz a convicção ou a prova das coisas visíveis; a fé é o órgão que capacita as pessoas a verem a ordem invisível: “Todos estes morreram na fé, sem ter obtido as promessas; vendo-as, porém, de longe, e saudando-as, e confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra. ” (Hebreus 11:13 RA)

Aqui temos um ponto muito importante a considerar. Pessoas há que manipulam este texto para justificar a prática mística do que eles chamam de visualização mental para obtenção do que se deseja. Nesse meio estão certas ramificações da Confissão Positiva.

Tal prática não tem apoio nas Escrituras Sagradas. No contexto do capítulo 11 de Hebreus, “as coisas que não se veem” são as coisas de Deus, “os bens futuros” (Hb 9.11), “as melhores promessas” (Hb 8.6). Isso porque tais “coisas” foram prometidas por Deus em sua Palavra, e esta não pode falhar em nenhuma hipótese.

Há “crentes” que, iludidos pelo seu próprio coração, asseveram que podem aplicar esse texto (v.1) a qualquer coisa. Por exemplo: “eu creio que Deus vai me dar um carro novo, e uma bela casa”. Ora, isso é um desejo, mas não uma promessa de Deus. Pode tornar-se real ou não. É algo condicional e circunstancial.

Paulo exorta o cristão a não atentar “nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; por que as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas” (2 Coríntios 4.18). Aqui, o apóstolo apresenta o contraste entre as coisas visíveis e as invisíveis, as coisas temporárias e as que são eternas. Assim sendo, a orientação paulina ratifica que o crente deve estar sempre de bom ânimo, “porque andamos por fé e não por vista” (2 Coríntios 5.7).

Na marcante comparação anotada por Paulo, duas diferentes visões estão envolvidas: (1) o que pode ser visto pelo olho humano e (2) o que pode ser visto somente pelos olhos espirituais — aquilo que é efêmero e aquilo que é permanente; as coisas terrenas como um processo de dor inevitável, e a celestial como suprema esperança de vida eterna isenta de aflições (Isaías 25.8). Acerca dessa expectativa, o apóstolo acrescenta: “Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra” (Colossenses 3.2). Desse modo, devemos desenvolver uma visão “espiritual” que mantenha um foco firme não no mundo visível desta vida temporal, mas no invisível mundo eterno. Através da fé entendemos que todas as coisas visíveis são resultado de uma ordem do nosso Deus invisível: “Pela fé (Moisés) deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível” (Hebreus 11:27).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
22/8/2023

FONTES:

BAPTISTA, Douglas. A igreja de Cristo e o império do mal – Como viver neste mundo dominado pelo espírito da Babilônia. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201407_01.pdf

SILVA, Severino Pedro da. Epístola aos hebreus: as coisas novas e grandes que Deus preparou para você. Rio de Janeiro: CPAD, 2003

GONÇALVES, José. A supremacia de Cristo: Fé, esperança e ânimo na carta aos Hebreus. Rio de Janeiro: CPAD,2017.

 

terça-feira, 12 de maio de 2026

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA 12 DE MAIO DE 2026 (Hebreus 11.6)


LEITURA BÍBLICA DIÁRIA  

12 DE MAIO DE 2026
PARA AGRADAR A DEUS, É PRECISO TER FÉ

Hebreus 11.6 “Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam.”

 

“Ora, sem fé é impossível agradar-lhe;”

Esse verso explica por que a fé de Enoque, descrita no versículo 5, levou-o a um estado de comunhão com Deus a ponto de ser transportado para o céu. Ninguém jamais agradou a Deus sem crer nEle. Enoque agradou muito a Deus porque a fé dele foi além de mero consentimento mental, para uma obediência total e confiante. Este é o elemento essencial implícito na “fé” encontrado em Hebreus. “Sem fé é impossível agradar a Deus”. Isso não significa que é difícil agradar a Deus sem fé, mas que não é possível.

A palavra grega para “fé” (pistis) é traduzível tanto por “fé” como por “crença”. Essas duas palavras da língua portuguesa são sintetizadas numa única palavra grega. Este versículo afirma explicitamente que “sem fé” não se pode agradar a Deus, pois é “preciso crer”. Quem crê tem fé. “Crentes” no Novo Testamento são os mesmos que têm “fé”.

A fé é a condição essencial para agradar a Deus ou ter com unhão com Ele. O homem que se aproxima de Deus como adorador terá de “crer” (isto é, ter fé) que Deus existe e exerce o governo moral do Universo.

 

“... porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam.”

A Bíblia não faz um esforço sistemático para provar que Deus existe. Com todas as alegações da atuação divina encontradas nestes versículos nenhum argumento é oferecido para convencer um cético da existência divina. As Escrituras simplesmente afirmam que “o insensato” nega que há Deus (Salmos 14:1).

Deus por fim desiste dos que obstinada e persistentemente O rejeitam (Romanos 1:18–24). A Bíblia começa sem nenhuma incerteza da existência de Deus, mas com a certeza de que Ele existe e de que tudo vem dEle (Gênesis 1:1–3; João 1:1–3). O conceito de Deus não é designado para devaneios filosóficos da mente. Ele é a grande realidade do mundo. Sequer chegamos perto dEle sem crer que Ele existe.

Quando uma pessoa é convidada a aceitar a Cristo pela fé, pelo arrependimento, pela confissão e pelo batismo (João 1:11, 12) e ela faz isso, não está dando um passo para a escuridão, mas para a luz. A fé não é cega, nem é uma aberração psicológica aceita por mentes ignorantes. Negar a existência de Deus “é tão imoral quanto irracional”.

 

“... e que é galardoador dos que o buscam.”

Esta segunda idéia deve incluir uma crença na bondade essencial de Deus, a qual é questionada por muitos céticos ou incrédulos. Só “buscamos” a Deus se cremos numa recompensa final. A palavra “buscar” (ekzeteo) significa “procurar com cuidado, diligentemente”. A recompensa certamente não está na aquisição de automóveis, casas e outros bens. Nossa recompensa por encontrarmos a Deus só será totalmente alcançada na eternidade. Até lá, nesta vida, podemos contar com a perfeita providência de Deus (Romanos 8:28). Isto é prometido àquele que O busca persistentemente, pois esse é o tipo de pessoa que O encontrará.

Barclay conclui: Devemos crer não só que Deus existe, mas também que Ele se importa com o mundo, e está envolto na situação humana. E para o cristão isto é fácil, porque em Jesus Cristo Deus veio ao mundo para nos dizer quanto nós lhe importamos: “eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância” (João 10:10).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
10/04/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

Barclay, William. The Letter to The Hebrews (Título Original em Inglês). Tradução: Carlos Biagini.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201407_01.pdf

 

segunda-feira, 11 de maio de 2026

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA 11 DE MAIO DE 2026 (Gênesis 22:7)

 

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA  
11 DE MAIO DE 2026
PERGUNTAS E RESPOSTAS DIFÍCEIS EM MEIO À PROVA

Gênesis 22:7 “Então falou Isaque a Abraão seu pai, e disse: Meu pai! E ele disse: Eis-me aqui, meu filho! E ele disse: Eis aqui o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto?”

 

“Então falou Isaque a Abraão seu pai, e disse: Meu pai!”

Enquanto o pai e o filho subiam o monte juntos em silencio. Isaque quebra o silêncio fúnebre ao dirigir-se a Abraão com uma curiosidade. Isaque diz: “Meu pai”. Esta era uma palavra enternecedora, que, poderíamos pensar, penetraria mais fundo no peito de Abraão do que o seu cutelo poderia penetrar no peito de Isaque.

 

“E ele disse: Eis-me aqui, meu filho!”

Abraão poderia ter dito, ou pensado: “Não chame de seu pai a quem agora será o seu assassino. Pode um pai ser tão bárbaro, tão perfeitamente perdido a toda a ternura de um pai?” Mas ele conserva o seu temperamento, e conserva a sua aparência, admiravelmente. Calmamente ele espera pela pergunta do seu filho.

Ele responde “Eis-me aqui, meu filho” Esse diálogo ilustra o profundo amor e respeito existente entre ambos. Isaque dirigiu-se a ele afetuosamente e Abraão respondeu amavelmente a seu filho.

 

“E ele disse: Eis aqui o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto?”

Abraão havia cortado lenha para o holocausto antes de sair. Ao terceiro dia quando avistou o monte indicado se despediu dos seus moços “e tomou Abraão a lenha do holocausto, e pô-la sobre Isaque seu filho; e ele tomou o fogo e o cutelo na sua mão, e foram ambos juntos” (v.6). Isaque estava familiarizado com sacrifícios de animais, e percebeu que lhes faltava alguma coisa, pois possuíam os itens necessários para matar um animal e queimá-lo no altar; porém, indagou: “Onde está o cordeiro para o holocausto?”

Parece que o garoto confiava completamente no pai; mas estava confuso, pois eles não tinham um animal para sacrificar.Esta foi uma pergunta dolorosa para Abraão. Como Abraão poderia suportar pensar que Isaque seria o cordeiro? E ele realmente o seria. Mas o pai ainda não ousa dizer-lhe isto.

Henry acrescenta que essa pergunta ensina a todos nós que, quando vamos adorar a Deus, devemos seriamente considerar se temos tudo preparado, especialmente o cordeiro para o holocausto. Eis aqui o fogo, a ajuda do Espírito e a aceitação de Deus. A lenha está preparada, as ordenanças instituídas designadas a despertar nossos afetos (que são somente como a lenha sem o fogo, a menos que o Espírito trabalhe por eles). Tudo está preparado, mas onde está o cordeiro? Onde está o coração? Ele está pronto para ser ofertado a Deus, para ascender até Ele como um holocausto?

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
10/04/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry – Genesis a Deuteronômio. Rio de Janeiro CPAD, 2008.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201511_09.pdf