LEITURA BÍBLICA DIÁRIA
21 DE OUTUBRO DE 2026
AMANDO A DEUS ACIMA DE TUDO EM PLENA OBEDIÊNCIA
Deuteronômio 5:7 “Não
terás outros deuses diante de mim;”
“Não terás outros deuses...”
Esse é o primeiro mandamento do decálogo (10 Mandamentos em pedra). O propósito deste mandamento é levar Israel a amar e a temer a Deus, e a adorar somente a Ele com sinceridade.
Este mandamento foi promulgado numa época que a idolatria norteava as nações e essa ordem era algo novo num código de leis. Trata-se do monoteísmo revelado que influenciou o mundo inteiro com a expansão do cristianismo.
O monoteísmo é a crença em um só Deus, como sugere a própria palavra: monos, "único", e theos, "Deus". A ênfase nesta unidade contrasta de maneira visível com o henoteísmo e a monolatria, além do politeísmo.
Não se conhecia a idolatria antes do dilúvio. O monoteísmo ara a crença experimentada pelos primeiros homens. A Bíblia afirma que todas essas formas falsas de adoração são uma degeneração do monoteísmo original: "Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si; Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém” (Romanos 1:21-25)
Os patriarcas do Gênesis, Abraão, Isaque e Jacó, eram monoteístas e instruíram seus descendentes nessa crença (Deuteronômio 13.6; 28.64; Jeremias 19.4). Todavia os fiéis haviam se tornado poucos. Tornou-se então monoteísmo nesta época uma inovação, visto que as nações da época eram politeístas.
- A Mesopotâmia é o berço da civilização humana e o centro irradiador da idolatria. Abraão nasceu em Ur dos caldeus, cidade da Mesopotâmia (Genesis 11.27-31). Seus ancestrais serviam a outros deuses (Josué 24.2,15). Os babilônios/caldeus adoravam a diversos deuses: como Sin, o deus-sol de Ur e Harã; Istar, a deusa do amor e da guerra; e Enlil, deus do vento e da terra.Bel, que veio a ser identificado como Marduque ou Merodaque, o patrono da cidade de Babilônia.
- Os assírios adoravam: Adrameleque e a Nisroque.
- A terra do Nilo foi grandemente afetada por essa idolatria. E Israel e seus ancestrais tiveram vínculos com as culturas mesopotâmica e egípcia.Os antigos egípcios empregavam o termo "terra dos deuses", para o seu país. Cada grande cidade contava com suas tríades de acordo com as dinastias: em Ábidos, Osíris, ísis e Hórus; em Mênfis, Ptah, Sekhmet e Nefertum, e, em Tebas, Amom, Mut e Khonsu.
- Os cananeus adoravam a Baal (Jz 6.31). Astarote ou Astarte (Jz 10.6), identificada em nossas versões como "postes sagrados", deusa cananeia da fertilidade" era deusa nacional dos sidônios.
- Dagom e Baal-Zebube eram deuses dos filisteus (Jz 16.23-24; 2 Rs 1.2-3, 6,16).
- Camos era o deus nacional dos moabitas (Nm 21.29; Jz 11.24;).
- Malcam ou Milcom (1 Rs 11.33) era o deus nacional dos amonitas. Milcom, e Moloque. Parecem ser nomes alternativos.
As principais formas de adoração no paganismo do Antigo Oriente Médio eram três: politeísmo, henoteísmo e monolatria.
- O politeísmo é a crença em muitos deusespoli, "muito", e theos, "Deus". Era a religião dos antigos mesopotâmios, egípcios, gregos, romanos e do atual hinduísmo.
- O henoteísmo é uma forma primitiva de religião que admite a existência de muitos deuses; no entanto, apenas um deles tem a supremacia. A forma henoteísta deve ser definida como uma crença em um Deus, mas admitindo a existência de outros deuses.
- A palavra monolatria vem de monos, "único", e latreia, "serviço sagrado, culto". Define-se como adoração ou culto "de uma deidade única para cada grupo étnico-político (clã, tribo, povo).
Os ídolos, de fato, não são deuses (Dt 32.21; Gl 4.8). Apenas são chamados assim por existirem na mente dos seus adoradores (1 Co 8.5), mas não reais de fato. O objeto de adoração dos gentios são representações demoníacas; os pagãos adoram os próprios demônios (Lv 17.7; Dt 32.17; 1 Co 10.20). Não existe Deus além de Javé (Is 44.6; 45.5, 6). Os cristãos devem manter distância dos ídolos (1 Co 10.14; 1 Jo 5.21).
“...diante de mim. ”
Literalmente “ à minha face”. Esta frase vagamente incomum também parece ser usada em relação ao ato de tomar uma segunda esposa enquanto a primeira ainda estivesse viva. Tal uso, de uma quebra de um relacionamento pessoal exclusivo, ajuda a explicar o seu significado aqui.
Portanto, nenhum outro deus pode ser adorado simultaneamente com YHWH.Ele não dividirá seu louvor com quem quer que seja: Ele é único: “Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de escultura” (Isaías 42:8)
DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
13/10/26
FONTES:
BAPTISTA, Douglas. A igreja de Cristo e o império do mal –
Como viver neste mundo dominado pelo espírito da Babilônia. Rio de Janeiro:
CPAD, 2023.
SOARES, Esequias. Os dez mandamentos - Valores Divinos para
uma Sociedade em Constante Mudança. Rio de Janeiro: CPAD, 2014.
COLE, Alan R. Êxodo - Introdução e Comentário. São Paulo:
Mundo Cristão, 1981.
https://textoaureoebd.blogspot.com/2024/01/exodo-203.html
Mateus 22:37 “E Jesus disse-lhe: Amarás o
Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu
pensamento.”
“E Jesus disse-lhe:”
Um
dos fariseus, doutor da lei, interrogou Jesus para o experimentar, após Ele ter
emudecido os saduceus no mesmo lugar, respondendo-lhes acerca da ressurreição:
“Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus. Porque na
ressurreição nem casam nem são dados em casamento; mas serão como os anjos de
Deus no céu” (Mateus 22:29b,30).
Este
doutor da lei lhe perguntou: “Mestre, qual é o grande mandamento na lei?”(v.36).
E Jesus lhe responde citando Deuteronômio 6.5 que diz:
“Amarás, pois, o Senhor teu Deus”
Deuteronômio
6.5 está incluído no Shemá Israel. O Shemá é composto de três trechos da Torá
(Deuteronômio 6:4-9; 11:13-21; e Números 15:37-41). È uma prece recitada duas
vezes ao dia: ao deitar-se e ao levantar-se, conforme preceito da Torá. Este verso também é conhecido como o grande
mandamento (Marcos 12.29,30). O Senhor Jesus citou este trecho do em Seu
sumário da natureza e da nossa obrigação diante a lei.
A
obediência de Israel não deveria surgir de um legalismo estéril baseado na
necessidade e no dever. Deveria surgir de um relacionamento baseado em amor. O
termo bíblico “amar”, tem uma conotação muito profunda. Oséias usa esse verbo
para expressar a afeição de Javé por Israel, fazendo uso de poderosas
metáforas, extraídas da vida doméstica, do relacionamento entre marido e
esposa: “E o Senhor me disse: Vai outra vez, ama uma mulher,…” (Oséias
3:1a) e do relacionamento entre pai é filho: “Quando Israel era menino, eu o
amei; e do Egito chamei a meu filho” (Oséias 11:1).
O
homem não pode amar a Deus conforme ama a outro ser humano. O amor a Deus
envolve santo temor e reverência (vs. 13), e exprime-se por meio daquela
lealdade devotada e singela de onde se deriva um serviço obediente e de todo o
coração. O amor a Deus, desacompanhado da obediência, não é amor (1 João
4.7-21).
“... de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.”
A
extensão do amor do homem a Deus deveria ser total. Israel deveria amar a Deus
com todo o seu ser. A expressão de todo o teu coração, de toda a tua alma e de
toda a tua força é uma das favoritas em Deuteronômio (4: 29; 10: 12; 11: 13;
13: 3; 26: 16; 30: 2, 6, 10), e nos oferece uma percepção parcial da antiga
psicologia hebraica.
O
coração era considerado a sede da mente e da vontade bem como de uma vasta gama
de emoções: “Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos se agradem dos
meus caminhos” (Provérbios 23.26). O termo alma é de difícil definição, mas
parece ser referir à fonte de vida e vitalidade, ou mesmo do próprio “ser”.
Nesse sentido Cristo derramou sua alma na morte por nós (Isaias 53.12). Os dois
termos, coração e alma entre si indicam que o homem deve amar a Deus sem
qualquer reserva em sua devoção. Para dar ainda mais força à ordem, uma
terceira expressão é acrescentada, de toda a tua força, que diz respeito ao
lado físico e mental do ser humano.
O
texto hebraico inclui as três palavras “coração”, “alma” e “força”. A citação
de Mateus insere o termo “entendimento”, mas omite “força”. Quando a passagem é
citada em Marcos e Lucas, eles relatam quatro termos: “coração”, “alma”,
“entendimento” e “força” (Marcos 12:30; Lucas 10:27). Variações nos Evangelhos
Sinópticos podem ser resultantes do uso da versão Septuaginta. Algumas cópias
antigas dessa tradução grega traduzem o vocábulo hebraico equivalente a
“coração” para “entendimento” ou “mente”.
Uma
possível razão pela qual Jesus usou a palavra mente, quando Deuteronômio não o
fez, foi porque Moisés e seu público judaico estavam limitados à língua
hebraica. Em hebraico não há palavra específica para mente. Em hebraico, o
termo para coração, "Lebahb", inclui a mente. No pensamento judaico,
o coração e a mente não são separados ou distintos. Os gregos (e, portanto, os
romanos) fazem essa distinção. Como mencionado acima, os gregos viam o coração
— "kardia" — como a fonte de emoções, desejos e escolhas. A mente, de
acordo com os gregos, era o lugar do intelecto e da consciência mental.
Amar
a Deus com todo o teu pensamento/entendimento. Significar submeter o
“intelecto” ou os “pensamentos” à sua vontade. Amar sua lei e seu evangelho
mais do que fazemos as decisões de nossas próprias mentes. Estar disposto a
submeter todas as nossas faculdades ao seu ensino e orientação, e dedicar a ele
todas as nossas realizações intelectuais e todos os resultados de nossos
esforços mentais intelectuais.
DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
13/10/2026
FONTES:
GOMES, Osiel. O Deus da Aliança - Advertências, Promessas e
Bênçãos no Livro de Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.
Thompson J. A. Deuteronômio: introdução e comentário;
tradução Carlos Osvaldo Pinto. Edição: 1. ed. Publicação: São Paulo : Vida
Nova, 1982.
CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado
versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.
https://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/1216847/jewish/Shem-Israel.htm
https://textoaureoebd.blogspot.com/2026/09/deuteronomio-65.html
http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201210_02.pdf
https://thebiblesays.com/pt/commentary/mat+22:37