LEITURA BÍBLICA DIÁRIA
20 DE AGOSTO DE 2026
O VERDADEIRO PASTOREIO É EXERCIDO COM VIGILÂNCIA, AMOR E EXEMPLO
1 Pedro 5.2-3 “Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo
cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas
de ânimo pronto; Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas
servindo de exemplo ao rebanho.”
“Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós,”
Em grego o verbo imperativo
traduzido por pastorear vem de (poimai-no). O
substantivo “pastor” que aparece em Efésios 4:11, é poimen. Agir como um pastor
é ser um cuidador de ovelhas. O começo do versículo poderia ser traduzido
simplesmente por “seja um pastor” para o rebanho.
Os homens a quem Pedro
incentivava a trabalharem como um pastor eram os que ele chamara de presbíteros
como ele. Além desta passagem, outras no Novo Testamento deixam claro que
“presbíteros” equivale a “pastores”. A mesma correlação de palavras é vista em
Atos 20. Paulo convocou os presbíteros da igreja de Éfeso em Mileto (Atos
20:17). Entre outras coisas, ele os admoestou a “pastorearem” a igreja de Deus
(Atos 20:28). O mesmo verbo grego “pastorear” em 1 Pedro 5:2 é usado em Atos
20:28.
“tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente;”
Além de pastorear o rebanho de
Deus era também responsabilidade dos presbíteros servir ao rebanho que Deus
lhes havia confiado. Mas eles devem se submeter voluntariamente. Há casos em
que um presbítero é mantido financeiramente pela igreja, porém geralmente não é
assim. É um trabalho de amor. Eles assumem suas responsabilidades porque querem
glorificar o Senhor e edificar o Seu povo. Querem ser parceiros do Senhor na
tarefa de salvar as almas dos homens. Não é um trabalho que deve ser aceito por
constrangimento.
Homens piedosos devem assumir o
trabalho com zelo, entusiasmo, espontaneamente. O escritor de Hebreus disse: “Obedecei
aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma,
como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo”
(Hebreus 13:17). Quando homens bons não aceitam o ministério do presbitério,
deixam a porta aberta para os que são menos qualificados. E os resultados
nesses casos são desastrosos.
“nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto;”
Embora nos tempos modernos até haja
presbíteros que são mantidos financeiramente por igrejas, essa prática parecia
ser mais comum no período neotestamentário. Paulo disse a Timóteo que o
presbítero deve ser “não avarento” ou “não apegado a dinheiro” (NVI)
(1 Timóteo 3:3). Os diáconos não devem ser “cobiçosos de sórdida ganância”
(1 Timóteo 3:8), nem os presbíteros (Tito 1:7).
Embora estas palavras possam significar
apenas que presbíteros e diáconos devam ser generosos, há razões para se pensar
que Paulo as escreveu porque era comum presbíteros, e talvez diáconos, serem remunerados
pelo seu trabalho.
Em 1 Timóteo. Paulo admoestou seu
cooperador mais jovem a prestar honra dobrada ao presbítero que trabalhasse
arduamente na pregação e no ensino. Ele usou o mesmo tipo de linguagem que usou
em Coríntios. O apóstolo citou Deuteronômio 25:4: “Não amordaces o boi, quando
pisa o trigo”, e acrescentou: “O obreiro é digno do seu salário” (1
Timóteo 5:18; 1 Coríntios 9:9, 14)
Assim como Paulo, Pedro parecia
ter a expectativa de que presbíteros recebessem sustento financeiro pelo
trabalho prestado ao Senhor. Isso explicaria por que ele disse que os presbíteros não deveriam servir por sórdida
ganância. Antes, deveriam servir de boa vontade.
No Evangelho de João, Jesus
contou a história de um pastor que foi comparado a um mercenário (João
10:11–15). Não há espaço no reino de Deus para quem trabalha meramente por
dinheiro, tanto Paulo como Pedro queriam assegurar a igreja seja servida por
homens que trabalham por coisas mais substanciosas do que um contracheque no
fim do mês.
Concluindo, os presbíteros tinham
de evitar, a qualquer custo, o mero profissionalismo e as atitudes dos líderes
de Israel, no Antigo Testamento, que a si mesmos se apascentavam em detrimento
do rebanho de Deus (Isaías 56.11; Jeremias 50.6; Ezequiel 34.2-8; Zacarias
10.3; 11.4,5). O Salmo 23 é própria imagem de Jesus como o Bom Pastor. Que os
pastores tenham sempre diante de si essa passagem do Livro Santo.
“Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus,”
Quando se deposita autoridade na mão
de um indivíduo com cargo político, empresarial ou na igreja, existe potencial
para ocorrer abusos. É impossível haver liderança sem a delegação de autoridade.
A autoridade pode ser, e às vezes é, usada pelo indivíduo para servir a seus
próprios propósitos. É por isso que a advertência de Pedro era necessária.
Os presbíteros não devem também
usar de sua liderança para se assenhorearem da herança de Deus, ou seja: da
porção que pertence realmente a Deus, mas que Cristo de boa mente lhes confiou.
O apóstolo João teve um problema
com um obreiro que segundo ele procurava ter entre eles o primado: “Tenho
escrito à igreja; mas Diótrefes, que procura ter entre eles o primado, não nos
recebe. Por isso, se eu for, trarei à memória as obras que ele faz, proferindo
contra nós palavras maliciosas; e, não contente com isto, não recebe os irmãos,
e impede os que querem recebê-los, e os lança fora da igreja” (3 João
9-10).
Outro obreiro, porém na mesma
carta recebeu louvor dele: “Amado, desejo que te vá bem em todas as coisas,
e que tenhas saúde, assim como bem vai a tua alma. Porque muito me alegrei
quando os irmãos vieram, e testificaram da tua verdade, como tu andas na
verdade. Não tenho maior gozo do que
este, o de ouvir que os meus filhos andam na verdade” (3 João 2-4).
Em vez de procurar ter o primado
com Diótrefes devem os Presbíteros serem exemplos para todo o rebanho como Gaio.
“... mas servindo de exemplo ao rebanho.”
O ensinamento de Pedro é
semelhante ao de Jesus que, ao perceber que seus discípulos começavam a
demonstrar ciúmes sobre quem deveria sentar-se à sua direita ou à sua esquerda
no Reino, afirmou-lhes: “Bebereis o meu cálice; mas o assentar-se à minha
direita ou à minha esquerda não me compete concedê-lo; é, porém para aqueles a
quem está preparado por meu Pai. Ora, ouvindo isto os dez, indignaram-se contra
os dois irmãos. Então Jesus, chamando-os para junto de si, disse: Bem sabeis
que pelos príncipes dos gentios são estes dominados, e que os maiorais exercem
autoridade sobre eles. Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser
tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o
primeiro entre vós, será vosso servo; tal como Filho do homem que não veio para
ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por muitos” (Mt
20.23-28). Para a liderança cristã, “autoridade” não é uma palavra prática; a palavra
prática é “servir”.
O exemplo de Cristo é a chave
para o preenchimento de tais requisitos. Os pastores que agirem como o Senhor
Jesus agiu podem não receber uma coroa na terra, mas quando Jesus, nosso Sumo
Pastor, vier, dar-lhes-á a recompensa - uma coroa de glória que, ao contrário
das grinaldas postas sobre as cabeças dos atletas, há de durar eternamente. A
glória que Ele conferirá com o seu “missão cumprida!” será uma coroa que nem o
tempo, nem a eternidade ofuscará (1 Pedro 5.4).
DEIVY FERREIRA
PANIAGO JUNIOR
FONTES:
QUEIROZ, Silas. O Deus Que Governa o Mundo e Cuida da
Família – Os Ensinamentos Divinos nos livros de Rute e Ester para a Nossa
Geração. Rio de Janeiro: CPAD, 2024.
HORTON, Stanley. I e II Pedro – A razão da nossa Esperança.
Rio de Janeiro: CPAD.
http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201411_02.pdf