segunda-feira, 20 de abril de 2026

Mateus 18.22

Mateus 18.22 “Jesus lhe disse: Não te digo que até sete; mas, até setenta vezes sete.”

 

“Jesus lhe disse: Não te digo que até sete; mas, até setenta vezes sete.”

Pedro esperava receber uma felicitação pela sábia pergunta e por sua generosa resposta, mas em vez do louvor, Pedro recebeu uma branda repreensão do Senhor: “Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete”. Não está claro se esse linguajar significa “setenta e sete” ou quatrocentos e noventa (“setenta vezes sete”). No livro apócrifo Testamento dos Doze Patriarcas, Benjamim, e também na maioria das versões a expressão grega (hebdomekon takis hepta) claramente é usada no sentido de setenta vezes sete (490).

Essa mesma expressão grega aparece em Gênesis 4:24, na Septuaginta. ARA traduz assim esse versículo: “Sete vezes se tomará vingança de Caim, de Lameque, porém, setenta vezes sete”. Embora a declaração de Lameque seja uma fórmula para vingança, a declaração de Jesus é uma fórmula para perdão. Os seguidores de Cristo têm de ser misericordiosos na medida em que Lameque, ameaçou não ter misericórdia, 490 vezes em lugar de 7.

Todavia o que Jesus certamente pretendia dizer que Seus discípulos é que deviam perdoar um irmão incontáveis vezes. “Sete” é o número da perfeição ou da completitude na literatura hebraica. “Sete”, ou qualquer múltiplo dele, refere-se a uma quantidade completa. Portanto, Jesus não estava dizendo “perdoe setenta vezes sete e nada mais”; e sim: “quantas vezes for necessário”. O perdão tem de ser ilimitado, seja quantas vezes for pedido. “A vingança ilimitada do homem primitivo deu lugar ao perdão ilimitado do cristão.”

Devemos lembrar que essas instruções vêm logo após os ensinos referentes à disciplina na igreja. Isso indica que até a disciplina justificada deve sempre ser executada em atitude de misericórdia e perdão. É bem possível que esse perdão seja desprezado nos tribunais da sociedade humana: mas, na com unidade cristã e entre os crentes, ou mesmo entre o crente e o incrédulo, a discípulo verdadeiro de Cristo deve procurar em pregar essas lições.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
20/04/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

BARCLAY, William. The Gospel of Matthew - Tradução: Carlos Biagini.

ROBERTSON, A. T. Comentário Mateus & marcos à luz do novo testamento grego. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201208_09.pdf

Mateus 18:21

Mateus 18:21 “Então Pedro, aproximando-se dele, disse: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete?”

 

“Então Pedro, aproximando-se dele,”

Mais uma vez, Mateus contém uma cena em que Pedro tem proeminência (14:28–32; 15:15, 16:16–19, 22, 23; 17:4, 24–27). Jesus instruía os apóstolos com respeito às ofensas praticadas contra irmãos (Mateus 18.15-20). O que Ele disse sobre corrigir um irmão que pecou motivou Pedro a perguntar sobre perdoar um irmão por uma transgressão pessoal. A palavra grega para “perdoar” (afiemi) significa literalmente “deixar ir” ou “enviar”. Neste momento de ensino, a palavra foi usada para o cancelamento de dívida moral.

 

“...disse: até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete?”

Pedro tinha suas razões para fazer esta afirmação. Os rabinos ensinavam que um homem deve perdoar três vezes a seu irmão. O rabino José Ben Hanina dizia: "Aquele que roga a seu vizinho que o perdoe não deve fazê-lo mais de três vezes." O rabino José Ben Jehuda dizia: "Se alguém cometer uma ofensa uma vez, perdoam-no, se cometer uma ofensa pela segunda vez, perdoam-no, se cometer uma ofensa pela terceira vez, perdoam-no, se a cometer pela quarta vez, não o perdoam." Encontravam a prova bíblica da correção desta medida em Amós. Nos primeiros capítulos de Amós se estabelece uma série de condenações para diferentes nações: Por três transgressões e por quatro (Amós 1:3, 6, 9, 11, 13; 2:1, 4, 6).

Jesus havia dito: “E, se pecar contra ti sete vezes no dia, e sete vezes no dia vier ter contigo, dizendo: Arrependo-me; perdoa-lhe” (Lucas 17:4). Pedro pensava que estava indo muito longe porque toma as três vezes rabínicas, multiplica-as por dois, adiciona uma e sugere, muito satisfeito consigo mesmo, que bastará perdoar sete vezes. Pedro esperava receber uma felicitação, mas em vez do louvor, Pedro recebeu uma branda repreensão do Senhor: “Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete”.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
20/04/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

BARCLAY, William. The Gospel of Matthew - Tradução: Carlos Biagini.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201208_09.pdf

Hebreus 10.17

Hebreus 10.17 “E jamais me lembrarei de seus pecados e de suas iniquidades.”

 

“E jamais me lembrarei de seus pecados e de suas iniquidades.”

Esse versículo faz alusão profecia de Jeremias 31.34 que diz: "porque lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais me lembrarei dos seus pecados”. Guthie diz que na segunda parte deste verso há um acréscimo das palavras “e das suas iniqüidades”, que apenas define mais especificamente a natureza dos seus pecados, isto é, aqueles atos que são contrários à lei de Deus.

E jamais me lembrarei Como pode ser isto? Deus é onisciente e não se lembra de algo? Na verdade, o versículo quer dizer que Deus não mais se lembra do juízo sobre o pecador que se arrependeu. Ele tem a capacidade de “não mais Se lembrar” (não imputar o pecado). O fato de Deus “de nenhum modo” Se lembrar de nossos pecados equivale à idéia de “perdão de [pecado e obras fora da lei]” ou “remissão de pecados” (v. 18; Atos 2:38). Isto é alcançado agora em Cristo. Não precisamos esperar pelo juízo final; temos remissão de nossos pecados com base em nossa obediência ao evangelho. Uma vez que isso foi alcançado, é desnecessária mais uma oferta pelo pecado.

A grande vantagem do povo de Deus é servir ao Deus de Israel que, por sua misericórdia, escolhe esquecer dos nossos pecados. “Não repreenderá perpetuamente, nem para sempre conservará a sua ira. Não nos tratou segundo os nossos pecados, nem nos retribuiu segundo as nossas iniqüidades. Pois quanto o céu está elevado acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem. Quanto está longe o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões... Pois ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó” (SaImos 103.9,10-14).

Aqui está revelado o segredo da grande vitória dos santos em relação aos pecadores. Os pecados destes sempre estão em memória diante de Deus: “Esteja na memória do Senhor a iniquidade de seus pais, e não se apague o pecado de sua mãe” (SaImos 109.14), enquanto os dos santos são lançados para trás de suas costas e emergidos nas profundezas do grande mar de seu esquecimento: “Eis que foi para a minha paz que tive grande amargura, mas a ti agradou livrar a minha alma da cova da corrupção; porque lançaste para trás das tuas costas todos os meus pecados” (Isaías 38:17); “Tornará a apiedar-se de nós; sujeitará as nossas iniquidades, e tu lançarás todos os seus pecados nas profundezas do mar” (Miquéias 7:19)

Do mesmo modo, também devemos perdoar (de verdade) e “esquecer”. A lembrança do fato não nos incomoda mais, pois ficamos livres do aguilhão da ira, do ódio, da mágoa e da tristeza. O amor inunda o coração, não deixando lugar para a ira. Somente com a longanimidade, uma das virtudes do fruto do Espírito, isso é possível, pois, se não perdoarmos, também não seremos perdoados (Marcos 11.25). Concluindo essa exortação sobre o perdão, Paulo acrescenta: “assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também” (Colossenses 3.13). De nós é exigido não apenas aceitar os mandamentos, mas praticá-los como Jesus praticou.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
20/04/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

RENOVATO, Elinaldo. Colossenses – a perseverança da igreja na palavra nesses dias difíceis e trabalhosos. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

GUTHRIE, Donald. Hebreus: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1999.

SILVA, Severino Pedro da. Epístola aos hebreus: as coisas novas e grandes que Deus preparou para você. Rio de Janeiro: CPAD, 2003

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201406_05.pdf

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA 20 DE ABRIL DE 2026 (Genesis 17.4)

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA  
20 DE ABRIL DE 2026
O CONCERTO É RENOVADO

Genesis 17.4 “Quanto a mim, eis o meu concerto contigo é, e serás o pai de uma multidão de nações. ”


 “Quanto a mim, eis o meu concerto contigo é,

Deus já havia feito uma aliança dom Abrão, todavia essa aliança inicial era unilateral, obrigando somente Deus a cumprir a Sua parte. Ela não continua nenhuma estipulação que exigisse a obediência de Abraão. Todavia, neste contexto, Deus identificou três divisões da aliança, em que cada parte envolvida tinha obrigações a cumprir. Ele iniciou as seções com as expressões “Quanto a Mim...” (Gênesis 17:4–8), “Quanto a ti [Abraão]...” (17:9–14) e “quanto a Sarai...” Nesse caso, Deus estava renovando a aliança e fazendo acréscimos ao acordo original feito com Abraão.


 “... e serás o pai de uma multidão de nações. ”

Diferentemente das Suas promessas anteriores, Javé não só garantiu a Abraão que ele seria o progenitor de “uma grande nação” (12:2) com muitos descendentes (15:5), mas também garantiu que Ele faria dele pai de numerosas nações.

Para demonstrar o compromisso de Deus com a aliança, o autor de Gênesis traçou este tema através de vários ramos da genealogia de Abraão. “Nações” se formariam a partir dos descendentes de sua esposa Quetura (25:1–4), seu filho Ismael (25:12–18) e seu neto Esaú (36:1–43).


Filhos de Quetura - “E Abraão tomou outra mulher; e o seu nome era Quetura; E deu-lhe à luz Zinrã, Jocsã, Medã, Midiã, Jisbaque e Suá” (Gênesis 25:1,2). Os filhos de Quetura com Abraão se tornaram os antepassados de muitos povos árabes que povoaram o território ao oriente de Israel. Dentre todos esses povos, na narrativa bíblica do Antigo Testamento o povo midianita é o que aparece com mais destaque. Zípora, a esposa de Moisés, por exemplo, era uma midianita.


Ismael - E quanto a Ismael, também te tenho ouvido; eis aqui o tenho abençoado, e fá-lo-ei frutificar, e fá-lo-ei multiplicar grandissimamente; doze príncipes gerará, e dele farei uma grande nação” (Gênesis 17:20). Ismael se tornou um grande caçador. Ele era muito habilidoso com arco e flecha. Agar buscou uma esposa egípcia para Ismael, e com ela ele teve doze filhos e uma filha. Mais tarde a filha de Ismael acabou se casando Esaú, filho de Isaque (Gênesis 28:9; 36:3). Os nomes dos filhos de Ismael são: Nabaiote, Quedar, Abdeel, Mibsão, Misma, Dumá, Massá, Hadade, Tema, Jetur, Nafis e Quedemá. A maioria desses nomes é mencionada em outras passagens bíblicas como famílias tribais de certa influência na época. Os descendentes de Ismael geralmente são identificados como “ismaelitas” na Bíblia. Eles se organizavam em doze tribos que viviam em acampamentos móveis no deserto do sul (Gênesis 25:16-18).


Esaú -Portanto Esaú habitou na montanha de Seir; Esaú é Edom. Estas, pois, são as gerações de Esaú, pai dos edomeus, na montanha de Seir. “ (Gênesis 36:8,9). Os descendentes de Esaú foram chamadosedomitas ou idumeus. Após o retorno de Jacó a Canaã Esau mudou-se para outra terra porque a terra das suas peregrinações não era suficiente para sustentar o gado de ambos. A nação de Edom ocupou e habitou na montanha de Seir.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
1/10/2023

FONTES:

GABY, Wagner. Até os confins da terra – Pregando o evangelho a todos os povos até a volta de Cristo. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201510_07.pdf

https://estiloadoracao.com/quem-foi-ismael/

https://estiloadoracao.com/quem-foi-quetura-na-biblia/

 

domingo, 19 de abril de 2026

Lição 4: A confirmação de uma promessa - 2 Trimestre de 2026.

TEXTO ÁUREO

“E estabelecerei o meu concerto entre mim e ti e a tua semente depois de ti em suas gerações, por concerto perpétuo, para te ser a ti por Deus e à tua semente depois de ti.” (Genesis 17.7).

 

“E estabelecerei o meu concerto entre mim e ti e a tua semente depois de ti em suas gerações, por concerto perpétuo,”

Deus afirma que Ele estabelecerá a Sua aliança com Abraão e com sua descendência no decurso das suas gerações, por aliança perpétua. Em contraste com a aliança com Noé, que era universal para “todos os seres viventes”, para “toda carne” e “todas as gerações futuras” (NVI) (Genesis 9:9–12, 15, 16), a aliança com Abraão era somente para a descendência dele através de Sara. Com o desenrolar da história narrada em Gênesis observamos que a promessa se estreita a um ramo da família de Isaque e depois Jacó. Os descendentes de Esaú foram excluídos, juntamente com os filhos de Abraão com Agar e Quetura.

O termo concerto indica um compromisso sólido, baseado na fidelidade divina. A expressão em suas gerações aponta para a transmissão da relação com a descendência de Abraão, não apenas para o presente. O uso de concerto perpétuo reforça que a aliança é para sempre, uma promessa que atravessa os tempos.

 

“... para te ser a ti por Deus e à tua semente depois de ti.”

Um aspecto importante desta aliança é a relação íntima que Iavé teria com eles como Deus deles. O Senhor promete um relacionamento pessoal com Abraão e seus descendentes. Essa essência é pessoal é comparável com a nova relação que o crente tem com Deus, depois de aceitar a Jesus Cristo como seu Salvador pessoal: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome” (João 1.12).

Henry diz que um homem não precisa desejar nada mais do que isto, para ser feliz. Aquilo que Deus é, em si mesmo, Ele o será para o seu povo: a sua sabedoria será deles, para guiá-los e aconselhá-los. Seu poder será deles, para protegê-los e sustentá-los. A sua generosidade será deles para abastecê-los e consolá-los. Aquilo que os adoradores fiéis podem esperar do Deus ao qual servem, os crentes podem encontrar em Deus, como seu.

Por fim, o objetivo é que Deus seja o Deus de Abraão e da sua semente, isto é, que o relacionamento de bênção, orientação e proteção se estenda aos descendentes. Embora exista uma dimensão jurídica da aliança o relacionamento pactual de Deus com o Seu povo é primeiramente de comunhão (Deuteronômio 29.13). Deus graciosamente habita com seu povo e este, agradecidamente deve responde com fé, amor e obediência.

 

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
02/04/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

Henry

Bíblia Shedd – Almeida Revista e Atualizada – Ed. Vida Nova.

BÍBLIA de Estudo Genebra. Tradução de João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada. 2. ed. São Paulo: Cultura Cristã/Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201510_07.pdf

sábado, 18 de abril de 2026

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA 18 DE ABRIL DE 2026 (1 Tessalonicenses 5:14)


LEITURA BÍBLICA DIÁRIA  
18 DE ABRIL DE 2026
DEVEMOS SER PACIENTES PARA COM TODOS

1 Tessalonicenses 5:14 “Rogamo-vos, também, irmãos, que admoesteis os desordeiros, consoleis os de pouco ânimo, sustenteis os fracos, e sejais pacientes para com todos.”

 

“Rogamo-vos, também, irmãos,”

Nos versículos imediatamente anteriores, Paulo falara da necessidade da comunidade respeitar seus líderes. Agora passa a aconselhar a comunidade sobre o modo de tratar as pessoas com problemas e necessidades espirituais especiais. O contraste expressado por “também” e irmãos não é, portanto, entre dois grupos diferentes, mas entre dois tipos diferentes de atitude que as mesmas pessoas devem mostrar a dois grupos diferentes dentro da comunidade.

É verdade que Paulo se dirige especificamente aos líderes que são referidos nos w. 12-13, mas exortações seguintes, que se seguem sem interrupção, são para a igreja toda. Para Paulo, a igreja inteira estava envolvida no mútuo cuidado e não apenas um grupo de líderes. Afinal a tarefa dos líderes é preparar a igreja como um todo para a tarefa do ministério (Efésios 4.11-12).

 

“... que admoesteis os desordeiros,”

Três grupos específicos de pessoas são selecionados para cuidados especiais. O primeiro consiste nos “desordeiros” ou “insubmissos” se referindo àqueles que não mantinham sua posição apropriada, quer no exército, quer na vida civil e infelizmente na igreja. Comentaristas mais antigos preferiam traduzir a palavra grega por “desocupados,” ou “preguiçosos”.

O contexto geral nas cartas a igreja da Tessalônica indica que o tipo específico de desordem que estava em mira achava-se numa recusa de trabalhar e de conformar-se com o estilo de vida normal para empregados. Tais pessoas devem ser admoestadas. Embora, o dever da admoestação teria recaído especialmente aos líderes, que podiam falar com autoridade especial, qualquer membro da igreja poderia sentir que era seu dever espiritual admoestar outro membro: “Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão” (Mateus 18.15).

 

“... consoleis os de pouco ânimo,”

O segundo grupo que precisava de conselho era o dos desanimados. A palavra grega é achada somente aqui no NT e significa “abatido” ou “preocupado” ou “triste”. Seu efeito exato permanece incerto, e é suficientemente amplo para abranger aqueles que estavam com falta de forças para enfrentarem a perseguição, e aqueles que estavam entristecidos ou preocupados com a morte dos seus parentes ou amigos.

A forma óbvia de ajuda para tais pessoas é o encorajamento, expressado anteriormente por Paulo com a mesma palavra grega: “Assim como bem sabeis de que modo vos exortávamos e consolávamos e testemunhávamos, a cada um de vós, como o pai a seus filhos; Para que vos conduzísseis dignamente para com Deus, que vos chama para o seu reino e glória” (1 Tessalonicenses 2:11,12), acerca do seu próprio cuidado pastoral da comunidade.

 

“... sustenteis os fracos,”

Em terceiro lugar, há os fracos. Esta palavra poderia referir-se aos fisicamente enfermos, mas nada no contexto sugere semelhante referência. Em 1 Coríntios 8.9-11; 9.22; Romanos 14.1-2 a palavra é usada para cristãos que estavam fracos na fé e que não tinham a coragem nem o entendimento espiritual para comer carne que talvez não tenha sido abatida da maneira aprovada pela lei judaica, sendo, portanto, imunda. Embora reconheçamos que não temos evidências em prol de tais escrúpulos acerca do alimento e da observância de dias santos em Tessalônica, alguns sugerem que estes problemas provavelmente surgissem em qualquer igreja que possuíssem judeus ela.

Outra possibilidade é que a palavra se refere à fraqueza moral e que tem referência especial àqueles que são tentados à impureza sexual (1 Tessalonicenses 4.3-8). Posto que Paulo  realmente usa esta palavra noutros trechos para referir-se à fraqueza humana que é suscetível à tentação e à pecaminosidade (Romanos 5.6) e assim acha difícil cumprir a vontade de Deus (Romanos 4.19; 8.3, 26).

Independente da exatidão da intenção de Paulo ele nos aconselha amparar a tais pessoas. Aqui, o verbo deve significar apoiar e fortalecer, e se refere de modo muito geral ao apoio oferecido por meio de ficar ao lado dos fracos, ajudando-os a carregar seus fardos: “Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo” (Gálatas 6:2).

 

“... e sejais pacientes para com todos.”

Finalmente, há uma quarta injunção: “sejais pacientes para com todos”. Seja quem for o objeto da advertência ou do socorro, as pessoas que os oferecem devem evidenciar o tipo de paciência que tolera bem as pessoas com seu mau jeito diante de quem ajuda, ou até mesmo sua oposição à ajuda.

A paciência com todos deve ser o vetor que dirige os relacionamentos dentro da igreja. Precisamos ter paciência com um membro fraco, pois ele poderá ser um líder amanhã. Devemos olhar não apenas para aquilo que as pessoas são, mas, principalmente para o que poderão vir a ser. Precisamos ter cuidado para não esmagarmos a cana quebrada ou apagar a torcida que fumega.

Precisamos exercitar a paciência que vai além ensinada por Cristo. A paciência que oferece a outra face, que anda a segunda milha, e abençoa até mesmo aqueles que nos maldizem.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
29/03/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

MARSHALL, Howard. I e II Tessalonicenses - Introdução e Comentário. São Paulo: Mundo Cristão, 1984.

LOPES, Hernandes Dias. 1 e 2 Tessalonicenses: como se preparar para a segunda vinda de Cristo. São Paulo: Hagnos, 2008.

 

sexta-feira, 17 de abril de 2026

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA 17 DE ABRIL DE 2026 (2 Pedro 3.9)


LEITURA BÍBLICA DIÁRIA  
17 DE ABRIL DE 2026
DEUS É LONGÂNIMO

2 Pedro 3.9 “O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.”


“O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco,

Pedro está falando especificamente da promessa da vinda de Cristo. Em grego, parousia, palavra usada como termo técnico para indicar a visita de um rei ou imperador a uma província. Escarnecedores têm escarnecido dessa promessa e usam a demora da volta do Senhor como prova de que Ele não voltaria.: “Onde está a promessa da sua vinda, porque desde que os pais dormiram, todas as cousas permaneceram como desde o princípio da criação” (2 Pedro 3.4).

Essa atitude dos escarnecedores é semelhante a dos impenitentes do Antigo Testamento que zombavam das advertências a respeito da iminência do julgamento de Judá e Jerusalém: “O Senhor não faz bem nem faz mal” (Sofonias 1.12). Assim o faziam, supondo ser o Senhor impotente para intervir nos problemas deste mundo, mas se o Senhor não cumpriu ainda a sua promessa é por causa da sua longanimidade: “O Senhor é tardio em irar-se, mas grande em poder, e ao culpado não tem por inocente; o Senhor tem o seu caminho na tormenta e na tempestade, e as nuvens são o pó dos seus pés” (Naum 1.3).


 “... não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.”

O Senhor não está negligenciando nem atrasando sua promessa. Deus está executando os Seus propósitos. Ele “deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1 Timóteo 2:4). Não quer que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento. Deus está dando aos desinformados e rebeldes tempo para ouvirem o testemunho de Jesus, se arrependerem e obedecerem a Ele.

E que entre os salvos haja redimidos de “toda família, e língua, e povo, e nação”. Que todos estes sejam reis e sacerdotes, e que reinem com Cristo por toda a eternidade (Apocalipse 5.9,10). Sim, esta é a única razão para a aparente demora de sua vinda. Ele almeja que haja um número maior de salvos. Além do mais, em relação à população total do mundo, os salvos são poucos; seu número incluirá eventualmente “uma grande multidão que ninguém* pode enumerar” (Apocalipse 7.9)

Antes de morrer, o próprio Jesus falou da Sua volta, mas Ele advertiu que o dia e a hora exata não eram objetos de especulação. Visando salientar essa questão, Ele disse: “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai” (Mateus 24:36). Jesus foi cuidadoso ao ensinar seus discípulos sobre como deveriam aguardar pelo fim dos tempos.

Os crentes devem viver prontos para que Jesus Cristo volte cedo ou tarde. Todavia, não devem especular. Seitas cristãs antigas e modernas não se cansam de explorar as visões de Daniel, Ezequiel e Apocalipse. Elaboram sistemas, calculam cronogramas e informam o mundo de que em determinado dia o Senhor vai voltar. Em nenhum trecho do Novo Testamento os discípulos especulam a hora em que o Senhor vai voltar. Vive-se na expectativa de que a volta do Senhor está próxima.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
12/12/2023

FONTES:

GABY, Wagner. Até os confins da terra – Pregando o evangelho a todos os povos até a volta de Cristo. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

HORTON, Stanley. I e II Pedro – a razão da nossa Esperança. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.

http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201501_01.pdf

 

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Mateus 6.15

Mateus 6.15 “Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas.”

 

“Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas.”

O vocábulo grego para perdoardes (afiemi) é o que significa “lançar fora”, “cancelar” ou “perdoar”. Quando pecamos e pedimos que Deus nos perdoe, Ele remove o nosso pecado e o lança fora. Ele não imputa esse pecado contra nós, e reage conosco como se jamais tivéssemos pecado: “E jamais me lembrarei de seus pecados e de suas iniquidades” (Hebreus 10.17).

Ofensas é a tradução da forma plural (paraptoma), que também pode ser traduzida por “transgressões”. Esta palavra é usada nos Evangelhos somente aqui e em Marcos 11:25 e 26. Carrega a ideia de “dar um passo em falso”, “tropeçar” ou “cair”. Assim como a palavra “dívida” (ofeilema) no versículo 12, “ofensas” é outro termo equivalente a “pecado”.

O perdão de Deus para conosco depende da nossa disposição em perdoar aos homens que pecaram contra nós. Independentemente da pessoa merecer ou não o nosso perdão. Temos que perdoar assim como Jesus perdoou a todos até aos que O crucificaram: “E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lucas 23:34). As últimas palavras do diácono Estevão foram um pedido de misericódia a Deus pelos seus assassinos: “E apedrejaram a Estêvão que em invocação dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito. “E, pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes este pecado. E, tendo dito isto, adormeceu” (Atos 7:59,60).

Se negarmos o perdão, então Deus não nos perdoará. A parábola de Jesus sobre o credor incompassivo (Mateus 18:23–35) foi contada para nos ensinar essa verdade. Jesus deixou isso claro em Sua oração modelo: “Perdoa as nossas dívidas [ofensas], assim como nós perdoamos aos nossos devedores [ofensores]” (Mateus 6.12). Queremos ser perdoados da mesma forma que perdoamos os outros? Muitos estão selando sua culpa com essa oração. Se quisermos que Deus nos perdoe, precisamos esquecer a ofensa, perdoando o ofensor.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
16/04/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

RENOVATO, Elinaldo. Colossenses – a perseverança da igreja na palavra nesses dias difíceis e trabalhosos. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201205_02.pdf

Colossenses 3.13

Colossenses 3.13 “Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também.”

 

“Suportando-vos uns aos outros,”

Paulo espera que os colossenses continuem desenvolvendo as virtudes de tolerância e perdão. Suportai-vos (anechomai) significa ser tolerante com os outros, disposto a suportar situações difíceis e irritantes, e provocação dos outros. Em Efésios 4:2, Paulo afirmou que o amor deve ser acrescentado à característica de suportar uns aos outros: “com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor”. O amor é a base de todo relacionamento do cristão com seus irmãos ou mesmo com os descrentes.

Jesus suportou aqueles cujas ações poderiam provar a Sua paciência (Mateus 17:17; Marcos 9:19; Lucas 9:41). Também devemos estar disposta a suportar insultos e atos abusivos de outros por causa da fé. Falando positivamente, “suportar” significa tolerar gentilmente a maldade e abençoar em vez de retaliar (Lucas 6:28; Romanos 12:14; 1 Pedro 2:21–23).

Falando negativamente, significa não ficar chateado e enfurecido quando injustiçado ou tratado mal. Os colossenses deveriam aprender a não reagir inapropriadamente à descortesia de outros, mas a agir com um espírito tolerante. Paulo usou uns aos outros e mutuamente para expressar a proximidade que deveria existir na comunidade de crentes. Como irmãos e irmãs em Cristo, precisamos ter o cuidado de não agir como membros de uma família que se irritam mais uns com os outros do que com quem é de fora da família.

 

“... e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro;”

O verbo perdoai-vos (charizomai) se referir ao perdão de uma dívida ou ofensa (Lucas 7:42, 43; 2 Coríntios 2:7, 10; Efésios 4:32). Sugere um sentido pleno de perdão, como no caso dos dois devedores cujas dívidas foram totalmente perdoadas em Lucas 7:42. Paulo usou o verbo num tempo que indica que os colossenses deveriam perdoar continuamente uns aos outros.

Jesus ensinou que o perdão deve ser praticado perpetuamente: “setenta vezes sete” (Mateus 18:22). Jesus ilustrou este conceito com uma parábola sobre um escravo que foi perdoado pelo seu senhor por uma grande dívida, mas que depois exigiu que um colega escravo lhe pagasse uma pequena dívida. O senhor, então, puniu esse escravo implacável (Mateus 18:23–34).  Jesus concluiu a parábola, afirmando: “Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão” (Mateus 18:35). Deus não perdoará quem se recusar a perdoar o seu próximo (Mateus 6:14).

Queixa (momfe), como substantivo no grego, só aparece neste versículo do Novo Testamento e significa “culpar” ou “criticar” (Marcos 7:2; Romanos 9:19; Hebreus 8:8). Paulo não sugeriu que a queixa tivesse que ser justa. Estejamos ou não justificados por nos ofender com alguma coisa, temos que oferecer perdão a quem nos ofendeu. Depois que a ofensa for perdoada, ela deve ser esquecida.

Em todos os lugares onde há pessoas, há problemas de relacionamento humano. Entre os cristãos, não poderia ser diferente. Não são anjos, ou espíritos, mas pessoas, de carne e osso, com suas virtudes e defeitos. Há ocasiões em que a velha natureza carnal levanta-se e cobra “seus direitos”, e os crentes comportam-se como se nunca tivessem nascido de novo.

É comum, em muitas igrejas, haver um espírito de murmuração, de “disse-me-disse”, de fuxico, de mexerico. Isso não é atitude digna de quem é cristão: “Não andarás como mexeriqueiro entre o teu povo...” (Levítico 19.16). Porém, Paulo, em sua mensagem aos colossenses, exorta que, havendo queixas entre irmãos, o caminho não é agir pela carne, mas pelo Espírito.

 

“... assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também.”

Na frase como o Senhor vos perdoou (charizomai), o verbo “perdoou” é o mesmo usado anteriormente no versículo; porém está no tempo aoristo, indicando que o Senhor concluiu o ato de perdoar os antigos pecados dos colossenses. O perdão é uma característica importante para os cristãos. Se Deus nos perdoa todas as muitas vezes que violamos a Sua vontade, também devemos nos perdoar uns aos outros. Só uma pessoa sem pecado teria o direito de não perdoar. Jesus nos deu o exemplo e o motivo para perdoarmos.

O texto original diz apenas: “E assim como o Senhor vos perdoou, também vós”. O complemento da oração é subentendido: “...também vós deveis perdoar”. Quem experimentou o perdão de Deus deve se dispor a perdoar os outros. Há pessoas que dizem: “Perdoo, mas não esqueço”. Quem diz isso, na verdade, está querendo dizer que não perdoou. Quando oramos o Pai Nosso, dizemos: “Perdoa as nossas dívidas [ofensas], assim como nós perdoamos aos nossos devedores [ofensores]” (Mateus 6.12). Queremos ser perdoados da mesma forma que perdoamos os outros? Muitos estão selando sua culpa com essa oração. Se quisermos que Deus nos perdoe, precisamos esquecer a ofensa, perdoando o ofensor.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
16/04/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

RENOVATO, Elinaldo. Colossenses – a perseverança da igreja na palavra nesses dias difíceis e trabalhosos. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201312_01.pdf

Gênesis 33:4

Gênesis 33:4 “Então Esaú correu-lhe ao encontro, e abraçou-o, e lançou-se sobre o seu pescoço, e beijou-o; e choraram.”

 

“Então Esaú correu-lhe ao encontro, e abraçou-o,”

A calorosa saudação de Esaú ao irmão contrasta absolutamente com a atitude homicida que ele demonstrara quando o irmão partiu, muitos anos antes: “Esaú disse no seu coração: Chegar-se-ão os dias de luto de meu pai; e matarei a Jacó meu irmão” (Gênesis 27:41). Jacó, obviamente, não sabia como seu irmão reagiria ao seu retorno para casa, após tanto tempo. Temeroso e desconfiado do que aconteceria, ele dividiu uma grande porção de seus animais em rebanhos para presenteá-los a Esaú.

Será que ele aceitaria esses animais como presentes generosos e olharia para Jacó favoravelmente mais uma vez, ou as feridas da intensa rivalidade entre os irmãos, envolvendo fraude e trapaça, eram profundas demais para terem sido curadas com o tempo? Como não tinha certeza Jacó ainda fez mais: “inclinou-se à terra sete vezes, até que chegou a seu irmão” (v.3). Henry diz que um comportamento humilde e dócil leva a uma boa distância da ira. Muitos se preservam se humilhando: “a bala voa acima daquele que se curva”. A resposta de Jacó não demorou a ser revelada, pois Esaú correu-lhe ao encontro e o abraçou. Um toque de ironia é perceptível aqui: enquanto Esaú corria para cumprimentar o irmão, Jacó manquejava (Genesis 32:31) em direção ao que poderia ser um desfecho fatal.

 

“... e lançou-se sobre o seu pescoço, e beijou-o; e choraram.”

Todavia, quando o irmão mais velho arrojou-se-lhe ao pescoço e beijou (o irmão mais novo), Jacó percebeu que a ira de Esaú já não queimava. Os dois choraram lágrimas de perdão e reconciliação. Não foi só Jacó que experimentou uma mudança de coração, Esaú também; e essas mudanças se tornaram visíveis na expressão da forte emoção que essa reunião de família  propiciou.

A culpa e o perdão são tão eloqüentes em cada movimento da mútua aproximação, que o Senhor nosso não pôde achar melhor modelo para o pai do pródigo neste ponto, do que Esaú: “E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou” (Lucas 15:20). Jacó reconheceu posteriormente que viu no rosto de Esaú, o rosto de Deus: “como se tivesse visto o rosto de Deus, e tomaste contentamento em mim” (Gênesis 33:10).

Ambos choraram. Jacó chorou de alegria, por ser recebido tão gentilmente por seu irmão a quem ele havia temido. E Esaú talvez tenha chorado por pesar e vergonha, ao pensar nos planos perversos que ele havia concebido contra o seu irmão, os quais ele se viu estranha e inexplicavelmente impedido de executar.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
14/04/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry – Genesis a Deuteronômio. Rio de Janeiro CPAD, 2008.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201602_06.pdf