quinta-feira, 14 de maio de 2026

Isaías 61:1

Isaías 61:1 “O Espírito do Senhor Deus está sobre mim; porque o Senhor me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos;”

 

“O Espírito do Senhor está sobre mim; porque o Senhor me ungiu,”

O profeta Isaías anuncia a missão do Messias. O próprio Jesus expressamente aplicou esta passagem a si próprio no início do seu ministério em Nazaré na Galiléia (Lucas 4.16-22). O Filho, em si mesmo, não precisava de suporte ou da ajuda do Espírito Santo, mas quando o Verbo se fez carne, ele viveu as limitações que a encarnação lhe proporcionou. Na condição de Servo necessitou e dependeu durante todo o seu ministério da ação do Espírito Santo.

Ou seja, ele foi ungido. Pedro pregou essa condição aos da casa de Cornélio: “Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder; o qual andou fazendo bem, e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele” (Atos 10:38).  Todos os dons e graças do Espírito foram outorgados a Ele, não por medida, como a outros profetas, mas sem medida, João 3.34. Pois, “Ele veio pela virtude do Espírito” (Lucas 4:14).

 

“... para pregar boas novas aos mansos;”

Aqui Ele fala como o Profeta ungido pregando “boas-novas aos mansos”, aqueles que se humilham diante de Deus, mansamente tomando um lugar inferior e reconhecendo as suas necessidades. O Novo Testamento os entende como pobres aos olhos do mundo e necessitados da ajuda de Deus: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres” (Lucas 4:18).

Os pobres sempre foram desfavorecidos nas sociedades humanas e é digno de nota que Lucas relata uma bem-aventurança para os pobres: “Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus” (Lucas 6:20). A João, o batista Jesus mandou anunciar: “Ide, e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes: Os cegos veem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho” (Mateus 11:4,5).

 

“... enviou-me a restaurar os contritos de coração,”

Ele é enviado com diligência amorosa e pessoal para “restaurar” os corações daqueles que estão quebrantados. “Coração quebrantado” é uma expressão que implica tristeza profunda que amarga a própria vida. Deus se agrada desses, pois eles confessam do fundo da alma que não merecem o menor olhar da bondade de Deus. Mas Deus agirá em favor deles como Ele mesmo, ou seja, como Deus de amor, misericórdia e bondade, e que são eles em quem Ele põe o coração:

 Ele os carregará no colo, nunca os deixará, nem os abandonará. Ainda que esses contritos se considerem muitas vezes perdidos, Deus os salvará: Pois “Ele sara os quebrantados de coração, e lhes ata as suas feridas” (Salmos 147:3).

Um coração quebrantado faz da alma um receptáculo adequado para Deus habitar: “Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade e cujo nome é Santo: Em um alto e santo lugar habito e também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e para vivificar o coração dos contritos” (Isaías 57.15). 

 

“... a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos;”

Proclamar libertação aos cativos” e “pôr em liberdade os algemados” trazia à memória dos ouvintes de Isaías o Ano do Jubileu, quando os devedores eram liberados de suas dívidas e as propriedades eram devolvidas aos donos originais (Levítico 25:10–16).

Tudo isto encontra o seu perfeito cumprimento apenas na obra espiritual de Cristo, que concede uma liberdade mais elevada (e verdadeira) para os Seus. Os “mansos” e “quebrantados” são aqueles que anseiam pela liberdade espiritual, e cujos corações foram quebrantados por um senso de opressão e angústia espirituais. Ele é enviado aos que foram levados cativos e libertação aos encerrados na escuridão do pecado (incluindo a abertura dos olhos). 

É interessante observar que Lucas 4.18-19 inclui a frase“dar vista aos cegos”. Porém esse acrescima da septuaginta não é contrário ao interesse de Isaías de que o povo tenha os seus olhos cegos abertos: “Então os olhos dos cegos serão abertos, e os ouvidos dos surdos se abrirão” (Isaías 35:5).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
14/05/2026

FONTES:

GABY, Wagner. A Igreja dos Gentios – Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos. Rio de Janeiro:  CPAD, 2026.

HORTON, Stanley. Isaías o Profeta messiânico. Rio de Janeiro: CPAD 2003.

HARPER, A. F. (Ed.). Comentário Bíblico Beacon. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.

Ridderbos, J. Isaías: introdução e comentário - 2. Edição. São Paulo: Vida Nova, 1995.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201011_05.pdf

Mateus 6:17

Mateus 6:17 “Tu, porém, quando jejuares, unge a tua cabeça, e lava o teu rosto,”

 

“Tu, porém, quando jejuares,”

A palavra hebraica do Antigo Testamento para “jejum” é (tsum). A ideia de jejuar, explicada no que diz respeito ao Dia de Expiação, é humilhar a alma (Levítico 16:29–31). Esse na verdade era o único jejum ordenado na Lei, porém, com o passar dos séculos outros dias de jejum foram estabelecidos.

A tradição judaica afirmava: “No Dia da Expiação é proibido: 1) comer, (2) beber, 3) lavar-se, 4) ungir-se com qualquer tipo de óleo, 5) calçar uma sandália, 6) ou ter relações sexuais”. Alguns jejuns do Antigo Testamento eram ocasionais e extraordinários, ao passo que outros eram realizados com regularidade. O jejum era observado em casos de doença, luto, calamidade, tristeza pelo pecado e outras situações críticas: “Mas, quanto a mim, quando estavam enfermos, as minhas vestes eram o saco; humilhava a minha alma com o jejum, e a minha oração voltava para o meu seio” (Salmos 35:13).

O verbo grego traduzido por “jejuar” (nesteuo) e seus derivados ocorrem cerca de trinta vezes no Novo Testamento. Essas palavras significam abster-se de alimento ou bebida. Jejuar, na maioria das vezes, está associado a um propósito espiritual. Quando devidamente praticado, ele conduz o adorador para mais perto de Deus.

Assim como a prática judaica de dar esmolas (6:2) e oferecer orações (6:5), o jejum era uma atividade que Jesus espera que seus seguidores pratiquem. Por isso ele diz a seus discípulos “quando jejuardes”. Devemos jejuar pois estamos vivendo os dias que o noivo foi tirado: “Virão dias quando o noivo lhes será tirado; então jejuarão” (Mateus 9.15).

 

“... unge a tua cabeça, e lava o teu rosto,”

Ao contrario dos homens a quem Jesus censurou que se mostravam contristados e desfiguravam o rosto com o fim de parecer que jejuavam. Jesus orienta seus discípulos a não deixarem seu jejum ficar evidente para os outros. Em oposição à tradição judaica, Ele disse para Seus discípulos ungirem a cabeça e lavarem o rosto com água durante o período de jejum.

Quem se lamentava ou fingia tristeza não costumava fazer isso: “Alimento desejável não comi, nem carne nem vinho entraram na minha boca, nem me ungi com unguento, até que se cumpriram as três semanas” (Daniel. 10:3). Também se lê na história dos judeus que nos dias de jejum, os atos de ungir-se e lavar se eram proibidos, para que houvesse assim demonstração de tristeza pelo pecado.

Ou seja, tanto a unção e a lavagem eram símbolos de alegria: “Em todo o tempo sejam alvas as tuas roupas, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça” (Eclesiastes 9:8). No oriente era costumeiro ungir a cabeça como preparação para alguma festa. E isso era praticado diariamente pelos judeus, exceto nos dias de jejum. O verdadeiro discípulo do reino do Messias pode jejuar, pode ter tristeza no coração por causa do pecado, pode jejuar até mais vezes que nos dias indicados, mas não deve ostentar o que faz com seus lamentos, exibindo o lado negativo da religião. Pelo contrário, deve dar a impressão que vai para um a festa, evitando assim o olhar aprovador de outros, os quais, de outra maneira, saberiam que está jejuando.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
14/05/2026

FONTES:

GABY, Wagner. A Igreja dos Gentios – Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos. Rio de Janeiro:  CPAD, 2026.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201205_02.pdf

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA 14 DE MAIO DE 2026 (Hebreus 11:17)


LEITURA BÍBLICA DIÁRIA  
14 DE MAIO DE 2026
PELA FÉ, ABRAÃO OFERECEU ISAQUE QUANDO FOI PROVADO 

Hebreus 11:17 “Pela fé ofereceu Abraão a Isaque, quando foi provado; sim, aquele que recebera as promessas ofereceu o seu unigênito.”

 

“Pela fé ofereceu Abraão a Isaque, quando foi provado;”

Quando Isaque tinha crescido e se tornara um rapaz formoso, aos olhos de seus pais e também aos olhos de todos, Abraão ouviu a voz de Deus. Esta era a oitava vez que Deus falara com ele. Mas esta mensagem não trazia o mesmo teor daquelas anteriores, conforme escreve o autor sagrado: “E aconteceu, depois destas coisas, que tentou Deus a Abraão e disse-lhe: Abraão! E ele disse: Eis-me aqui. E disse: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi” (Genesis 22.1,2).

Todas as demais provações de Abraão foram insignificantes comparadas a essa provação. Deus havia pedido que ele saísse de sua terra, viajasse para terras desconhecidas,que ele mandasse Ismael e sua mãe embora levando apenas um pouco de pão e água. Todavia, quando lhe pediu para colocar Isaque sobre um altar, o patriarca viu-se diante da maior prova.

A palavra grega usada nesse verso indica que ele já estava no processo de oferecer Isaque, quando o anjo do Senhor o deteve. Ele “estava oferecendo” Isaque. Não há dúvida sobre a força da fé de Abraão. Dessa maneira aprendeu Abraão que Deus não deseja sacrifícios humanos. Houve uma época em que os homens consideravam dever sagrado oferecer a Deus os seus primogênitos antes que aprendessem que Deus nunca quereria tais sacrifícios.

 

“... sim, aquele que recebera as promessas ofereceu o seu unigênito.”

Abraão poderia ter apresentado muitas contestações e argumentos plausíveis contra esta ordem: “Pai, isto parece incoerente com o Teu caráter; parece contradizer as Tuas promessas”. Visto que Isaque era uma parte insubstituível das promessas de Deus, Abraão concluiu que Deus o ressuscitaria dos mortos após o sacrifício (v. 19). Ele sabia que Deus estava no controle tanto da vida quanto da morte.

Ao fazer a sua oferta, Abraão demonstrou de modo prático sua confiança em que a morte não era problema para Deus. A morte não pode ser uma barreira nem impedimento para Deus cumprir a promessa da aliança. Independentemente do que Abraão estava pensando, o texto nos diz que assim que a ordem foi dada, Abraão pôs-se a obedecer prontamente, nenhuma objeção poderia vencer sua fé, por isso Abraão viajou cerca de sessenta quilômetros por dois dias, com muito tempo para pensar. Sem dúvida, ele passou noites sem dormir, porém, mesmo assim, prosseguiu com o sacrifício daquele a quem ele amava como a sua própria alma.

É inexata a referência a Isaque como “unigênito”, pois Abraão aqui já tinha dois filhos: Ismael e Isaque. Em vez disso, Isaque era o “único filho” nascido por causa de uma promessa aos pais que já haviam passado da idade de procriação. Ou seja, o nascimento dele foi miraculoso.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
25/03/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

SILVA, Severino Pedro. Epístola aos Hebreus – as coisas novas e grandes que Deus preparou para você. Rio de Janeiro CPAD, 2023.http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201407_05.pdf

HARRISON, Everret F; PFEIFFER, Charles F. Comentário Bíblico Moody. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1990.

Barclay, William. The Letter to The Hebrews (Título Original em Inglês). Tradução: Carlos Biagini.