1 Tessalonicenses 5:14 “Rogamo-vos, também, irmãos, que admoesteis os desordeiros, consoleis os de pouco ânimo, sustenteis os fracos, e sejais pacientes para com todos.”
“Rogamo-vos, também, irmãos,”
Nos versículos imediatamente anteriores, Paulo falara da necessidade da comunidade respeitar seus líderes. Agora passa a aconselhar a comunidade sobre o modo de tratar as pessoas com problemas e necessidades espirituais especiais. O contraste expressado por “também” e irmãos não é, portanto, entre dois grupos diferentes, mas entre dois tipos diferentes de atitude que as mesmas pessoas devem mostrar a dois grupos diferentes dentro da comunidade.
É verdade que Paulo se dirige especificamente aos líderes que são referidos nos w. 12-13, mas exortações seguintes, que se seguem sem interrupção, são para a igreja toda. Para Paulo, a igreja inteira estava envolvida no mútuo cuidado e não apenas um grupo de líderes. Afinal a tarefa dos líderes é preparar a igreja como um todo para a tarefa do ministério (Efésios 4.11-12).
“... que admoesteis os desordeiros,”
Três grupos específicos de pessoas são selecionados para cuidados especiais. O primeiro consiste nos “desordeiros” ou “insubmissos” se referindo àqueles que não mantinham sua posição apropriada, quer no exército, quer na vida civil e infelizmente na igreja. Comentaristas mais antigos preferiam traduzir a palavra grega por “desocupados,” ou “preguiçosos”.
O contexto geral nas cartas a igreja da Tessalônica indica que o tipo específico de desordem que estava em mira achava-se numa recusa de trabalhar e de conformar-se com o estilo de vida normal para empregados. Tais pessoas devem ser admoestadas. Embora, o dever da admoestação teria recaído especialmente aos líderes, que podiam falar com autoridade especial, qualquer membro da igreja poderia sentir que era seu dever espiritual admoestar outro membro: “Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão” (Mateus 18.15).
“... consoleis os de pouco ânimo,”
O segundo grupo que precisava de conselho era o dos desanimados. A palavra grega é achada somente aqui no NT e significa “abatido” ou “preocupado” ou “triste”. Seu efeito exato permanece incerto, e é suficientemente amplo para abranger aqueles que estavam com falta de forças para enfrentarem a perseguição, e aqueles que estavam entristecidos ou preocupados com a morte dos seus parentes ou amigos.
A forma óbvia de ajuda para tais pessoas é o encorajamento, expressado anteriormente por Paulo com a mesma palavra grega: “Assim como bem sabeis de que modo vos exortávamos e consolávamos e testemunhávamos, a cada um de vós, como o pai a seus filhos; Para que vos conduzísseis dignamente para com Deus, que vos chama para o seu reino e glória” (1 Tessalonicenses 2:11,12), acerca do seu próprio cuidado pastoral da comunidade.
“... sustenteis os fracos,”
Em terceiro lugar, há os fracos. Esta palavra poderia referir-se aos fisicamente enfermos, mas nada no contexto sugere semelhante referência. Em 1 Coríntios 8.9-11; 9.22; Romanos 14.1-2 a palavra é usada para cristãos que estavam fracos na fé e que não tinham a coragem nem o entendimento espiritual para comer carne que talvez não tenha sido abatida da maneira aprovada pela lei judaica, sendo, portanto, imunda. Embora reconheçamos que não temos evidências em prol de tais escrúpulos acerca do alimento e da observância de dias santos em Tessalônica, alguns sugerem que estes problemas provavelmente surgissem em qualquer igreja que possuíssem judeus ela.
Outra possibilidade é que a palavra se refere à fraqueza moral e que tem referência especial àqueles que são tentados à impureza sexual (1 Tessalonicenses 4.3-8). Posto que Paulo realmente usa esta palavra noutros trechos para referir-se à fraqueza humana que é suscetível à tentação e à pecaminosidade (Romanos 5.6) e assim acha difícil cumprir a vontade de Deus (Romanos 4.19; 8.3, 26).
Independente da exatidão da intenção de Paulo ele nos aconselha amparar a tais pessoas. Aqui, o verbo deve significar apoiar e fortalecer, e se refere de modo muito geral ao apoio oferecido por meio de ficar ao lado dos fracos, ajudando-os a carregar seus fardos: “Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo” (Gálatas 6:2).
“... e sejais pacientes para com todos.”
Finalmente, há uma quarta injunção: “sejais pacientes para com todos”. Seja quem for o objeto da advertência ou do socorro, as pessoas que os oferecem devem evidenciar o tipo de paciência que tolera bem as pessoas com seu mau jeito diante de quem ajuda, ou até mesmo sua oposição à ajuda.
A paciência com todos deve ser o vetor que dirige os relacionamentos dentro da igreja. Precisamos ter paciência com um membro fraco, pois ele poderá ser um líder amanhã. Devemos olhar não apenas para aquilo que as pessoas são, mas, principalmente para o que poderão vir a ser. Precisamos ter cuidado para não esmagarmos a cana quebrada ou apagar a torcida que fumega.
Precisamos exercitar a paciência que vai além ensinada por Cristo. A paciência que oferece a outra face, que anda a segunda milha, e abençoa até mesmo aqueles que nos maldizem.
DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
29/03/2026
FONTES:
RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
MARSHALL, Howard. I e II Tessalonicenses - Introdução e Comentário. São Paulo: Mundo Cristão, 1984.
LOPES, Hernandes Dias. 1 e 2 Tessalonicenses: como se preparar para a segunda vinda de Cristo. São Paulo: Hagnos, 2008.
