domingo, 29 de março de 2026

1 Tessalonicenses 5:14

1 Tessalonicenses 5:14 “Rogamo-vos, também, irmãos, que admoesteis os desordeiros, consoleis os de pouco ânimo, sustenteis os fracos, e sejais pacientes para com todos.”

 

“Rogamo-vos, também, irmãos,”

Nos versículos imediatamente anteriores, Paulo falara da necessidade da comunidade respeitar seus líderes. Agora passa a aconselhar a comunidade sobre o modo de tratar as pessoas com problemas e necessidades espirituais especiais. O contraste expressado por “também” e irmãos não é, portanto, entre dois grupos diferentes, mas entre dois tipos diferentes de atitude que as mesmas pessoas devem mostrar a dois grupos diferentes dentro da comunidade.

É verdade que Paulo se dirige especificamente aos líderes que são referidos nos w. 12-13, mas exortações seguintes, que se seguem sem interrupção, são para a igreja toda. Para Paulo, a igreja inteira estava envolvida no mútuo cuidado e não apenas um grupo de líderes. Afinal a tarefa dos líderes é preparar a igreja como um todo para a tarefa do ministério (Efésios 4.11-12).

 

“... que admoesteis os desordeiros,”

Três grupos específicos de pessoas são selecionados para cuidados especiais. O primeiro consiste nos “desordeiros” ou “insubmissos” se referindo àqueles que não mantinham sua posição apropriada, quer no exército, quer na vida civil e infelizmente na igreja. Comentaristas mais antigos preferiam traduzir a palavra grega por “desocupados,” ou “preguiçosos”.

O contexto geral nas cartas a igreja da Tessalônica indica que o tipo específico de desordem que estava em mira achava-se numa recusa de trabalhar e de conformar-se com o estilo de vida normal para empregados. Tais pessoas devem ser admoestadas. Embora, o dever da admoestação teria recaído especialmente aos líderes, que podiam falar com autoridade especial, qualquer membro da igreja poderia sentir que era seu dever espiritual admoestar outro membro: “Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão” (Mateus 18.15).

 

“... consoleis os de pouco ânimo,”

O segundo grupo que precisava de conselho era o dos desanimados. A palavra grega é achada somente aqui no NT e significa “abatido” ou “preocupado” ou “triste”. Seu efeito exato permanece incerto, e é suficientemente amplo para abranger aqueles que estavam com falta de forças para enfrentarem a perseguição, e aqueles que estavam entristecidos ou preocupados com a morte dos seus parentes ou amigos.

A forma óbvia de ajuda para tais pessoas é o encorajamento, expressado anteriormente por Paulo com a mesma palavra grega: “Assim como bem sabeis de que modo vos exortávamos e consolávamos e testemunhávamos, a cada um de vós, como o pai a seus filhos; Para que vos conduzísseis dignamente para com Deus, que vos chama para o seu reino e glória” (1 Tessalonicenses 2:11,12), acerca do seu próprio cuidado pastoral da comunidade.

 

“... sustenteis os fracos,”

Em terceiro lugar, há os fracos. Esta palavra poderia referir-se aos fisicamente enfermos, mas nada no contexto sugere semelhante referência. Em 1 Coríntios 8.9-11; 9.22; Romanos 14.1-2 a palavra é usada para cristãos que estavam fracos na fé e que não tinham a coragem nem o entendimento espiritual para comer carne que talvez não tenha sido abatida da maneira aprovada pela lei judaica, sendo, portanto, imunda. Embora reconheçamos que não temos evidências em prol de tais escrúpulos acerca do alimento e da observância de dias santos em Tessalônica, alguns sugerem que estes problemas provavelmente surgissem em qualquer igreja que possuíssem judeus ela.

Outra possibilidade é que a palavra se refere à fraqueza moral e que tem referência especial àqueles que são tentados à impureza sexual (1 Tessalonicenses 4.3-8). Posto que Paulo  realmente usa esta palavra noutros trechos para referir-se à fraqueza humana que é suscetível à tentação e à pecaminosidade (Romanos 5.6) e assim acha difícil cumprir a vontade de Deus (Romanos 4.19; 8.3, 26).

Independente da exatidão da intenção de Paulo ele nos aconselha amparar a tais pessoas. Aqui, o verbo deve significar apoiar e fortalecer, e se refere de modo muito geral ao apoio oferecido por meio de ficar ao lado dos fracos, ajudando-os a carregar seus fardos: “Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo” (Gálatas 6:2).

 

“... e sejais pacientes para com todos.”

Finalmente, há uma quarta injunção: “sejais pacientes para com todos”. Seja quem for o objeto da advertência ou do socorro, as pessoas que os oferecem devem evidenciar o tipo de paciência que tolera bem as pessoas com seu mau jeito diante de quem ajuda, ou até mesmo sua oposição à ajuda.

A paciência com todos deve ser o vetor que dirige os relacionamentos dentro da igreja. Precisamos ter paciência com um membro fraco, pois ele poderá ser um líder amanhã. Devemos olhar não apenas para aquilo que as pessoas são, mas, principalmente para o que poderão vir a ser. Precisamos ter cuidado para não esmagarmos a cana quebrada ou apagar a torcida que fumega.

Precisamos exercitar a paciência que vai além ensinada por Cristo. A paciência que oferece a outra face, que anda a segunda milha, e abençoa até mesmo aqueles que nos maldizem.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
29/03/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

MARSHALL, Howard. I e II Tessalonicenses - Introdução e Comentário. São Paulo: Mundo Cristão, 1984.

LOPES, Hernandes Dias. 1 e 2 Tessalonicenses: como se preparar para a segunda vinda de Cristo. São Paulo: Hagnos, 2008.

Romanos 12:12

Romanos 12:12 “Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração;”

 

“Alegrai-vos na esperança,”

Mesmo que hoje seja um dia mau, o amor derramado em nossos corações pelo Espírito Santo tem esperança de que amanhã será melhor. Não é concebível um cristão sem esperança. O cristão deve ser essencialmente um otimista. Justamente porque Deus é Deus, o cristão sabe sempre que "o melhor ainda está por vir". Afinal ele conhece a graça suficiente para todas as coisas, e a força que se aperfeiçoa na fraqueza, o cristão sabe que não há empresa demasiado grande para ele. "Não há na vida situações desesperadas; só há homens que desesperaram de si mesmos." Davi louvou assim: “Pereceria sem dúvida, se não cresse que veria a bondade do Senhor na terra dos viventes” (Salmos 27:13).

No capítulo 8 Paulo disse que “os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (Romanos 8. 18). A esperança sempre é motivo para se alegrar. Leon Morris escreveu: Os cristãos do primeiro século geralmente tinham pouco para se alegrar ou esperar neste mundo, mas eles se alegravam no Senhor sempre (Filipenses 4:4) e sabiam que Cristo estava dentro deles, “a esperança da glória” (Colossenses 1:27).

Devemos cruzar os vales da vida com os olhos cravados na esperança da gloriosa volta de Cristo. Esta não é uma esperança vaga nem vazia. E uma esperança segura, que não nos decepciona nem nos deixa envergonhados. William Hendriksen diz que a esperança da salvação futura estimula a alegria presente.

 

 “... sede pacientes na tribulação,”

Porque o amor se alegra na esperança, ele é “paciente na tribulação”. A palavra traduzida por “tribulação” significa basicamente “pressão”, uma pressão que “queima o espírito”. Na época de Paulo, os cristãos compunham um pequeno segmento da sociedade, vulnerável aos editos das autoridades governamentais e alvo fácil de inimigos religiosos. Para o cristão daquela época, a tribulação era um fato da vida: “pois que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus” (Atos 14:22).

A tribulação é pedagógica. Ela gera paciência triunfadora. Não poderíamos exercer a paciência sem o sofrimento, porque sem este não haveria necessidade de paciência. A paciência nasce do sofrimento. As grandes lições da vida, nós as aprendemos no vale da dor. O sofrimento é não apenas o caminho da glória, mas também o caminho da maturidade. O rei Davi afirmou: “Foi-me bom ter passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos” (SaImo 119.71). O patriarca Jó disse que antes do sofrimento conhecia a Deus só de ouvir falar, mas por meio do sofrimento seus olhos puderam contemplar o Senhor (Jó 42.5).

 

Em meio a tribulação, o cristão deve exercer a paciência. “Paciente” significa “permanecer embaixo de”. O amor não desiste; tudo suporta; não pula fora; ele nos impede de abandonar a fé quando as pressões da vida parecem esmagadoras.

 

“... perseverai na oração;”

Um fator importante para estar cheio de esperança e ter paciência é a oração. A oração é a linha de comunicação com o Criador. A oração não é um ato opcional; ela é imprescindível. Em outra passagem Paulo disse: “Orai sem cessar” (1 Tessalonicenses 5:17). A parábola da viúva persistente mostra que a oração intermitente em tempos de crise é o meio pelo qual os discípulos do Reino se valem da justiça do Pai a seu favor. Perseverante” significa “ser firme” ou “agüentar”. Significa “persistir, continuar firmemente”.

Não é certo que existem períodos em que transcorrem dias e semanas sem falar com Deus? Quando um homem deixa de orar se despoja a si mesmo da força de Deus nosso Senhor. Quem persevera na oração se prepara para ser paciente na tribulação e se alegra, afinal possui esperança que suas orações serão ouvidas.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
29/03/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

BARCLAY, William. The Letter to the Romans - Tradução: Carlos Biagini.

Lopes, Hernandes dias. Romanos: o evangelho segundo Paulo. São Paulo, SP: Hagnos 2010.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/Po_lessons/Po_200904_05.pdf

Salmos 40:1

Salmos 40:1 “Esperei com paciência no Senhor, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor.”

 

“Esperei com paciência no Senhor,”

Davi registra o favor de Deus com ele ao libertá-lo das angústias profundas com gratidão. Ele estava ligado a um lago horrível e em um charco de lodo (v. 2). Ele não diz nada aqui acerca da doença do seu corpo ou dos insultos dos seus inimigos, e assim, nós temos motivos para pensar nisso como uma inquietação interna e perplexidade de espírito que era o seu maior sofrimento. O desânimo de espírito sob o senso de retirada de Deus e as dúvidas prevalecentes e temores sobre o estado eterno são de fato um lago horrível e charco de lodo e têm sido assim para muitos filhos queridos de Deus.

Mas ele possuía expectativas crédulas junto a Deus e Esperou com paciência no Senhor. O texto talvez sugira implicitamente que os homens geralmente não são muito bons na questão de esperar. Mas ele esperou com paciência, em vez de com ansiedade. No original hebraico, consta assim: “Esperando eu esperei”, um hebraísmo que significa anseio veemente. Esperar pacientemente declara que o alívio não vem rapidamente. Ainda assim ele não duvidou de que Ele viria e resolveu continuar acreditando, esperando e orando até que ele chegasse.

De Deus ele esperou alívio e com muitas expectativas, sem duvidar de que ele viria no tempo certo. As mesmas mãos que tanto tecem a cura, que ferem, devem ligar as feridas (Oséias 6.1). Há poder suficiente em Deus para ajudar os mais fracos e graça suficiente em Deus para ajudar os mais desvalorizados de todas as pessoas que confiam nele. Aqueles cujas expectativas estão em Deus podem esperar com garantia, mas devem esperar com paciência

George Honer diz que pelos versículos 6 a 8 desse salmo, comparados com Hebreus 10.5, que o profeta está também falando da pessoa de Cristo. Pois o Salvador suportou os sofrimentos com paciência. A espera paciente em Deus era uma característica especial de nosso Senhor Jesus. A impaciência nunca teve lugar no seu coração, muito menos lhe escapou dos lábios. Durante a agonia no jardim do Getsêmani, o julgamento em meio às zombarias cruéis perante Herodes e Pilatos, e a paixão na cruz, Ele sempre esperou na onipotência da paciência.

Nenhum olhar de ira, nenhuma palavra de murmuração, nenhuma ação de vingança partiu do paciente Cordeiro de Deus. Ele esperou e esperou. Foi paciente, e paciente até à perfeição, superando de longe todos os outros que, segundo avaliações próprias, glorificaram a Deus nas provações de fogos. Jó no monturo não se iguala a Jesus na cruz. O Cristo de Deus usa a coroa imperial entre os que são pacientes. Se o Unigênito esperou, seremos nós petulantes e rebeldes?

 

“... e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor.”

Deus respondeu as orações do salmista: “ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor”. Aqueles que esperam em Deus com paciência, mesmo que esperem durante muito tempo, não esperam em vão. Ele silenciou os seus medos e aquietou o tumulto do seu espírito, dando-lhe perfeita paz (v. 2). Observe a ilustração da inclinação, como se o suplicante clamasse da mais baixa depressão, e o amor condescendente se inclinasse para ouvir os gemidos fracos: “Quem é como o Senhor nosso Deus, que habita nas alturas? O qual se inclina, para ver o que está nos céus e na terra!” (Salmos 113:5,6).

Que maravilha é que o nosso Senhor teve de clamar como nós, esperar como nós, para receber a ajuda do Pai segundo o mesmo processo de fé e súplica que cada um de nós deve passar! As orações do Salvador entre as montanhas da meia-noite e no jardim do Getsêmani expõem esse versículo.

O Filho de Davi foi levado ao mais baixo nível, mas dali Ele ressurgiu para a vitória. Aqui, Ele nos ensina como administrar nossos conflitos para termos sucesso segundo o mesmo padrão glorioso de triunfo. Armemo-nos então com a mesma mentalidade e, equipados com a paciência, preparados com a oração e cingidos com a fé, travemos a Guerra Santa.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
27/03/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

SPURGEON, Charles. Os Tesouros de Davi – Volume I. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

HENRY, Matthew. Comentário Bíblico – Livros Poéticos. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

LIÇÃO 1 - Abraão: seu chamado e sua jornada de fé - 2 Trimestre de 2026.


TEXTO ÁUREO

“Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.” (Genesis 12.1)

 

“Ora, o SENHOR disse a Abrão:”

Abrão, cujo nome Deus mais tarde mudou para Abraão, havia nascido em uma das principais cidades do mundo antigo, Ur dos caldeus. Ur era o centro de uma rica cultura, uma cidade localizada na mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates, que ostentava uma arquitetura monumental e enorme riqueza. Em sua terra natal Abrão servia “a outros deuses” (Josué 24.2).

O contexto imediato sugere que Deus chamou Abrão quando habitava em Harã, mais tarde Pada-Arã (Genesis 11.31). Todavia o contexto geral da bíblia nos revela que Abrão foi chamado estando na Mesopotâmia (Ur):  O Deus da glória apareceu a nosso pai Abraão, estando na Mesopotâmia, antes de habitar em Harã” (Atos 7:2). E nos narra posteriormente a mesma história: “E disse-lhe: Sai da tua terra e dentre a tua parentela, e dirige-te à terra que eu te mostrar” (Atos 7:3).

 

“Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai,

Neste chamado, as instruções divinas sobre a partida de Abrão foram bem abrangentes. O vocabulário do chamado passou de coisas gerais para específicas, indicando uma separação completa das relações familiares. Primeiramente, sua “terra” que se remete a região que outrora habitava e em segundo lugar da sua “parentela” que diz respeito ao grupo étnico mais amplo ao qual ele pertencia. Por fim, “casa do teu pai” indicava a família extensiva de Tera, identificada na genealogia de 11:27–32.

No capítulo anterior nos é revelado que toda a casa de Terá, seu pai, havia saído de Ur dos caldeus com destino a Canaã: “E tomou Terá a Abrão seu filho, e a Ló, filho de Harã, filho de seu filho, e a Sarai sua nora, mulher de seu filho Abrão, e saiu com eles de Ur dos caldeus, para ir à terra de Canaã; e vieram até Harã, e habitaram ali” (Gênesis 11:31). Esse fato é nos confirmado por Estevão no Novo Testamento: “Então saiu da terra dos caldeus, e habitou em Harã. E dali, depois que seu pai faleceu, Deus o trouxe para esta terra em que habitais agora” (Atos 7:4).

A mensagem para se afastar da parentela, parece que foi difícil para Abrão. Pois, após sua chamada em Ur toda a sua parentela o acompanhou e possivelmente Abrão não era o líder da jornada (Terá). Então Terá e seus filhos Abrão e Naor e sua famílias deixaram Ur, após a morte do outro filho de Terá, Harã, e enfim chegaram a cidade de Harã, na Síria. E naquele lugar faleceu Terá.

Em Harã Abrão deixa seu irmão Naor e sua casa, mas leva consigo o filho do seu finado irmão Harã, Ló: “Assim partiu Abrão como o Senhor lhe tinha dito, e foi Ló com ele; e era Abrão da idade de setenta e cinco anos quando saiu de Harã” (Gênesis 12:4). Mais tarde Abrão teve também, de se afastar dele. Disse Abrão ao seu sobrinho Ló: “Não está toda a terra diante de ti? Eia, pois, aparta-te de mim; e se escolheres a esquerda, irei para a direita; e se a direita escolheres, eu irei para a esquerda” (Gênesis 13:9).

 

“... para a terra que eu te mostrarei.”

Apesar de Canaã ser o destino da família de Abrão quando saíram de Ur dos caldeus. O texto bíblico de Hebreus confirma que Abrão não sabia o lugar: “Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia” (Hebreus 11:8). Essa ação do patriarca o transformou no “pai da fé”. Essa afirmação "pai da fé" é fundamentada na Bíblia, principalmente através dos ensinamentos de Paulo em Romanos 4:11-16 e Gálatas 3, onde ele é descrito como o pai espiritual de todos os que crêem, tanto judeus quanto gentios, por ter confiado nas promessas de Deus.

Henry comenta que Deus não diz: “E uma terra que eu te darei”, mas apenas: “uma terra que eu te mostrarei”. Tampouco Ele lhe diz qual era esta terra, nem que tipo de terra era. Mas ele devia seguir a Deus com uma fé implícita, e aceitar a palavra de Deus sobre a terra, de maneira geral, embora não tivesse recebido nenhuma garantia especial de que não sairia perdendo ao deixar a sua terra para seguir a Deus.

Observe que aqueles que lidam com Deus, devem lidar com a mesma confiança que Abrão. Nós devemos substituir todas as coisas que são vistas por coisas que não são vistas, e submeter-nos às aflições deste tempo presente esperando uma glória que ainda há de ser revelada (Romanos 8.18). Pois ainda não é manifesto o que havemos de ser (1 João 3.2), não mais do que a Abrão, quando Deus o chamou a uma terra que lhe mostraria, ensinando-o, assim, a viver dependendo constantemente da sua orientação, e com seus olhos voltados para Ele.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
17/03/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 10ª Edição. Rio de Janeiro: CPAD, 2012

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry – Genesis a Deuteronomio. Rio de Janeiro CPAD, 2008.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201509_05.pdf