sábado, 16 de maio de 2026

Romanos 10:14

IRomanos 10:14 “Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?”

 

“Como, pois, invocarão aquele em quem não creram?”

Esse versículo é prefaciado com esta citação: “Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (v. 13). A expressão “invocar” baseia-se em Joel 2:32. A passagem em Joel tem a ver com a vinda do “grande e terrível Dia do Senhor” (Joel 2:31) e o termo “Senhor” é uma referência a Deus. Douglas J. Moo escreveu: “O ‘Senhor’ em Joel é Iavé, o nome de Deus relativo à aliança. Paulo identifica esse ‘Senhor’ com Jesus (Romanos 10:9, 12). Esclarecendo que os primeiros cristãos identificavam Jesus com Deus”.

Pedro citou essa mesma passagem de Joel em Atos 2:21 e depois instruiu seus ouvintes a se arrependerem e serem batizados (Atos 2:38). O pregador Ananias disse a Paulo: “E agora, por que te demoras? Levanta-te, recebe o batismo e lava os teus pecados, invocando o nome dele” (Atos 22:16).

Para se invocar o nome do Senhor pressupõe-se primeiro que se conheça e creia em seu nome (isto é, que ele morreu, ressuscitou e é Senhor). Ou seja, diz respeito à fé salvadora, expressão normalmente usada nos escritos de João. Os homens são exortados a invocar o nome do Senhor e serem salvos. Mas não invocarão o Seu nome a menos que sejam movidos a crer nele, não crerão nele a menos que ouçam falar dele, não podem ouvir dele a menos que alguém lhes leve as novas, e ninguém pode levar as novas a menos que seja enviado para isso.

 

“E como crerão naquele de quem não ouviram?”

O pregador do evangelho é responsável pela pregação do evangelho, mas o público-alvo de sua mensagem também tem uma responsabilidade: precisam ouvir. O versículo 17 diz: “E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo”. A parábola do semeador enfatiza como é importante ser um ouvinte receptivo (Mateus 13:3–9, 18–23).

“Ouvir” não denota simplesmente o processo pelo qual algo dito é registrado no consciente do ouvinte. O contexto pressupõe ouvir com entendimento e aceitação. Quando Jesus falou dos que se recusaram a aceitar o Seu ensino, Ele disse que, embora ouvissem Suas palavras, ouviam e não entendiam: “Para que, vendo, vejam, e não percebam; e, ouvindo, ouçam, e não entendam; para que não se convertam, e lhes sejam perdoados os pecados” (Marcos 4:12).

Paulo escreveu em uma época em que muitos não sabiam ler. Além disso, manuscritos copiados à mão eram caros demais para o cidadão comum. Se não ouvissem a boa notícia do evangelho, a maioria jamais ficaria sabendo. Hoje, mais pessoas sabem ler, por isso a fé vem muitas vezes pela leitura da Palavra de Deus (João 20:30, 31). Apesar disso, ouvir a Palavra ainda causa um impacto poderoso.

 

“E como ouvirão, se não há quem pregue?”

Esse é um dos textos do Novo Testamento que ressalta a importância da pregação (1 Coríntios 1:21). Paulo disse a Timóteo: “Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina” (2 Timóteo 4:1, 2). A palavra grega traduzida por “quem pregue” não se restringe ao homem que fica em pé atrás de um púlpito, no domingo ou em outras ocasiões. A palavra é kerusso, que significa “ser arauto”.

O significado básico de “arauto” está intimamente ligado à idéia de “enviar”. Um arauto do primeiro século recebia uma mensagem de alguma autoridade, que o enviava para comunicar essa mensagem a outros. O arauto viajava pelo país, proclamando a mensagem a todos que encontrasse — fosse para um punhado de pessoas numa estrada da zona rural ou para uma multidão na praça comercial de uma cidade maior. A grande comissão do Senhor envia todo cristão como um arauto. Alguns proclamarão a mensagem em público, outros em particular, mas todos devem partilhá-la. Entendamos, assim, que o poder não está no arauto, mas na mensagem do arauto, que é o evangelho, poder de Deus para a salvação.

John Stott sintetiza esses estágios como segue: “Cristo envia seus arautos; os arautos pregam; as pessoas ouvem; os ouvintes creem; os crentes invocam; e aqueles que invocam são salvos”.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
16/05/2026

FONTES:

GABY, Wagner. A Igreja dos Gentios – Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos. Rio de Janeiro:  CPAD, 2026.

STOTT, John. A mensagem de Romanos. ABU Editora, 2000.

Lopes, Hernandes Dias. Romanos: o evangelho segundo Paulo. São Paulo, SP: Hagnos 2010.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/Po_lessons/Po_200903_03.pdf

http://www.biblecourses.com/Portuguese/Po_lessons/Po_200903_04.pdf

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA 16 DE MAIO DE 2026 (Tiago 2.17)

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA  
16 DE MAIO DE 2026
A VERDADEIRA FÉ MANIFESTA-SE EM ATITUDES

Tiago 2.17 “Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma.”

 

“Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma.”

Essa conclusão baseia-se nos versos parábola hipotética dos versos 15 e 16. A fé autêntica é demonstrada através de atos de amor e compaixão. O texto de 1 João 3.17 expressa a mesma idéia: “Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar as suas entranhas, como reside nele o amor de Deus?”

Assim como dar uma resposta ao necessitado desprovida de obras de caridade para nada serve, a fé, se não tiver obras, é inútil, morta, inativa ou vã: “Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta?” (v. 20). Este sentido de morta significando “sem valor” é muito comum no Novo Testamento: Apocalipse 3:1; Romanos 4:6,11; 7:8.

Esclarecendo Tiago não está contrastando fé e obras, e sim a fé operosa e a fé morta que não é operosa ou nas palavras de outro comentarista Tiago está mostrando i contraste entre fé “com obras” e fé “sem obras”. Esta última assemelha-se a um corpo sem espírito, sem vida, e não traz proveito algum para o dia do julgamento: “Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta” (Tiago 2:26).

A verdadeira fé deve sempre se manifestar em ações, embora não seja essas ações um substituto para a fé, mas a expressão natural dela. A fé cristã não pode ser resumida em um conjunto de preceitos sem prática, ou será morta aos olhos daqueles que nos observam. Ela precisa ser demonstrada no dia a dia de seus crentes. Ela é ineficaz se não vier acompanhada de ação. Tiago afirmará posteriormente o seguinte: “Prove para mim que você tem fé sem obras, e eu provarei para você que tenho fé por meio das minhas obras” (v.18).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
12/04/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

MOO, Douglas J. Tiago - Introdução e Comentário. São Paulo: Vida Nova, 1990.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_202207_05.pdf