Colossenses 3.13 “Suportando-vos uns aos
outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro;
assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também.”
“Suportando-vos uns aos outros,”
Paulo
espera que os colossenses continuem desenvolvendo as virtudes de tolerância e
perdão. Suportai-vos (anechomai) significa ser tolerante com os outros,
disposto a suportar situações difíceis e irritantes, e provocação dos outros.
Em Efésios 4:2, Paulo afirmou que o amor deve ser acrescentado à característica
de suportar uns aos outros: “com toda a humildade e mansidão, com
longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor”. O amor é a base de
todo relacionamento do cristão com seus irmãos ou mesmo com os descrentes.
Jesus
suportou aqueles cujas ações poderiam provar a Sua paciência (Mateus 17:17;
Marcos 9:19; Lucas 9:41). Também devemos estar disposta a suportar insultos e
atos abusivos de outros por causa da fé. Falando positivamente, “suportar”
significa tolerar gentilmente a maldade e abençoar em vez de retaliar (Lucas
6:28; Romanos 12:14; 1 Pedro 2:21–23).
Falando
negativamente, significa não ficar chateado e enfurecido quando injustiçado ou
tratado mal. Os colossenses deveriam aprender a não reagir inapropriadamente à descortesia
de outros, mas a agir com um espírito tolerante. Paulo usou uns aos outros e
mutuamente para expressar a proximidade que deveria existir na comunidade de
crentes. Como irmãos e irmãs em Cristo, precisamos ter o cuidado de não agir
como membros de uma família que se irritam mais uns com os outros do que com
quem é de fora da família.
“... e perdoando-vos uns aos outros, se
alguém tiver queixa contra outro;”
O
verbo perdoai-vos (charizomai) se referir ao perdão de uma dívida ou ofensa
(Lucas 7:42, 43; 2 Coríntios 2:7, 10; Efésios 4:32). Sugere um sentido pleno de
perdão, como no caso dos dois devedores cujas dívidas foram totalmente
perdoadas em Lucas 7:42. Paulo usou o verbo num tempo que indica que os
colossenses deveriam perdoar continuamente uns aos outros.
Jesus
ensinou que o perdão deve ser praticado perpetuamente: “setenta vezes sete”
(Mateus 18:22). Jesus ilustrou este conceito com uma parábola sobre um escravo
que foi perdoado pelo seu senhor por uma grande dívida, mas que depois exigiu
que um colega escravo lhe pagasse uma pequena dívida. O senhor, então, puniu
esse escravo implacável (Mateus 18:23–34). Jesus concluiu a parábola, afirmando: “Assim
também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu
irmão” (Mateus 18:35). Deus não perdoará quem se recusar a perdoar o seu
próximo (Mateus 6:14).
Queixa
(momfe), como substantivo no grego, só aparece neste versículo do Novo
Testamento e significa “culpar” ou “criticar” (Marcos 7:2; Romanos 9:19;
Hebreus 8:8). Paulo não sugeriu que a queixa tivesse que ser justa. Estejamos
ou não justificados por nos ofender com alguma coisa, temos que oferecer perdão
a quem nos ofendeu. Depois que a ofensa for perdoada, ela deve ser esquecida.
Em
todos os lugares onde há pessoas, há problemas de relacionamento humano. Entre
os cristãos, não poderia ser diferente. Não são anjos, ou espíritos, mas
pessoas, de carne e osso, com suas virtudes e defeitos. Há ocasiões em que a
velha natureza carnal levanta-se e cobra “seus direitos”, e os crentes
comportam-se como se nunca tivessem nascido de novo.
É
comum, em muitas igrejas, haver um espírito de murmuração, de “disse-me-disse”,
de fuxico, de mexerico. Isso não é atitude digna de quem é cristão: “Não
andarás como mexeriqueiro entre o teu povo...” (Levítico 19.16). Porém, Paulo,
em sua mensagem aos colossenses, exorta que, havendo queixas entre irmãos, o
caminho não é agir pela carne, mas pelo Espírito.
“... assim como Cristo vos perdoou, assim
fazei vós também.”
Na
frase como o Senhor vos perdoou (charizomai), o verbo “perdoou” é o mesmo usado
anteriormente no versículo; porém está no tempo aoristo, indicando que o Senhor
concluiu o ato de perdoar os antigos pecados dos colossenses. O perdão é uma
característica importante para os cristãos. Se Deus nos perdoa todas as muitas
vezes que violamos a Sua vontade, também devemos nos perdoar uns aos outros. Só
uma pessoa sem pecado teria o direito de não perdoar. Jesus nos deu o exemplo e
o motivo para perdoarmos.
O
texto original diz apenas: “E assim como o Senhor vos perdoou, também vós”.
O complemento da oração é subentendido: “...também vós deveis perdoar”.
Quem experimentou o perdão de Deus deve se dispor a perdoar os outros. Há
pessoas que dizem: “Perdoo, mas não esqueço”. Quem diz isso, na verdade, está
querendo dizer que não perdoou. Quando oramos o Pai Nosso, dizemos: “Perdoa
as nossas dívidas [ofensas], assim como nós perdoamos aos nossos devedores
[ofensores]” (Mateus 6.12). Queremos ser perdoados da mesma forma que
perdoamos os outros? Muitos estão selando sua culpa com essa oração. Se
quisermos que Deus nos perdoe, precisamos esquecer a ofensa, perdoando o
ofensor.
DEIVY FERREIRA
PANIAGO JUNIOR
16/04/2026
FONTES:
RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno –
O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
RENOVATO, Elinaldo. Colossenses – a perseverança da igreja
na palavra nesses dias difíceis e trabalhosos. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201312_01.pdf