domingo, 24 de maio de 2026

Eclesiastes 12:4

Eclesiastes 12:4 “E as portas da rua se fecharem por causa do baixo ruído da moedura, e se levantar à voz das aves, e todas as filhas da música se abaterem. ”

 

“E as portas da rua se fecharem por causa do baixo ruído da moedura, ”

Há muita diversidade nesta interpretação. No hebraico, “portas" indica “portas duplas”, ou seja, portas com duas folhas. Poderiam estar em vista os maxilares ou os lábios, ou, até mesmo os ouvidos.

Os lábios estão fechados ao comer, porque os dentes se foram e o ruído da moedura com eles é baixo, de modo que eles não têm domínio sobre a carne em suas bocas, que eles usavam para ter; eles não podem digerir a sua carne, e, portanto, os pequenos grãos são trazidos para o moinho.

Os ouvidos também falham quando um homem envelhece. A surdez corta um homem do mundo externo, fato ilustrado inúmeras vezes. Moer os grãos de cereais faz um forte ruído, mas um homem quase surdo não se preocupa com isso. Quando a música está tocando na casa, o pobre homem não pode ouvi-la ou apreciá-la. Se os detalhes são significativos, as portas da rua se referirão ao reduzido acesso ao mundo exterior, que é o que acontece quando há problemas de audição.

 

“... e se levantar à voz das aves, ”

Levantar-se à voz das aves tem sido entendido como significando que os velhos dormem tão levemente que até mesmo o pipilar dos passarinhos os acordará. Tudo isto relacionado com o despertar erraticamente, de madrugada.

Os idosos não têm um sono ruidoso como as pessoas jovens, mas uma pequena coisa pode perturbá-las, até mesmo o piar de um pássaro; elas não podem descansar por tossir, e, portanto, levantam-se ao cantar do galo, ou elas são tão aptas a serem medrosas, e cheias de preocupações que rompe o seu sono e faz com que acordem cedo. Alguém pergunta: O homem velho acorda de manhã cedo, mas para quê? Afinal, ele nada tem para fazer!  Não percebendo que o homem idoso não consegue descansar à vontade.

Talvez as “aves” aqui mencionadas sejam os maus presságios. Essas aves levantam suas vozes; o homem, quase surdo, as ouve muito bem. A morte já está a caminho: “Porque onde quer que estiver o cadáver, ali se ajuntarão as águias” (Mateus 24:28).

 

“... e todas as filhas da música se abaterem. ”

Alguns interpretam a referência a filhas da música como sendo participação no cântico; outros acham que se refere à apreciação do cântico de outros. Não é necessário que se decida por uma das duas interpretações. A expressão idiomática hebraica significa simplesmente “cânticos”, da mesma forma que “ filha de Sião” significa a própria Sião (Miquéias 4:10).

Os idosos não têm voz nem ouvido, não podem cantar nem desfrutar qualquer prazer, como Salomão nos dias de sua juventude, proveu-se de cantores, cantoras, e instrumentos de música (Eclesiastes 2.8). As pessoas velhas tornam-se difíceis de ouvir e incapazes de distinguir sons e vozes.

Isto tudo, em geral, significa decadência da vida, quando se perde o gosto de muita coisa, quando o que antes nos seduzia agora não atrai. Mesmo que as doenças dos ouvidos não sejam propriamente uma consequência dos desvarios da mocidade, são um sintoma, em geral, da velhice, conquanto haja moços com deficiência de audição. Muito da vida desaparece. Nem a voz das aves, nem as harmonias, filhas da música, podem ouvir. Coisas da velhice.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
24/05/2026

FONTES:

MESQUITA, Antônio Neves de. Estudo nos livros de Eclesiastes e Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista (JUERP), 1978.

EATON, Michael A; CARR, G. Lloyd. Eclesiastes e Cantares: introdução e comentário. Mundo Cristão, 1989.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001. 

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry - Poéticos. Rio de Janeiro CPAD, 2008.

Eclesiastes 12:3

Eclesiastes 12:3 “No dia em que tremerem os guardas da casa, e se encurvarem os homens fortes, e cessarem os moedores, por já serem poucos, e se escurecerem os que olham pelas janelas;”

 

“No dia em que tremerem os guardas da casa,”

A casa é o corpo humano, pois tanto nos sonhos como nas visões com frequência simboliza. Agora estamos chegando ao exame do que acontece ao corpo (casa) do homem velho. Perceba agora os sintomas de idade avançada. Os braços são aqui representados como os guardas da vida, isto é, da casa, esses braços vigorosos, que defendem qualquer corpo contra as agressões de fora. Há tempo em que os braços ficam fracos e o corpo fica sem defesa.

Moisés, já em avançada idade não conseguia manter seus braços levantados: “E acontecia que, quando Moisés levantava a sua mão, Israel prevalecia; mas quando ele abaixava a sua mão, Amaleque prevalecia. Porém as mãos de Moisés eram pesadas, por isso tomaram uma pedra, e a puseram debaixo dele, para assentar-se sobre ela; e Arão e Hur sustentaram as suas mãos, um de um lado e o outro do outro; assim ficaram as suas mãos firmes até que o sol se pôs” (Êxodo 17:11,12).

 

“... e se encurvarem os homens fortes, ”

Os homens outrora fortes parecem referir-se às pernas, que em outra passagem relacionam-se com a força: “Não se deleita na força do cavalo, nem se compraz nas pernas do homem” (Salmos 147:10).

As pernas podem transportam o corpo para as festas, para os bailes, para os cabarés, para os prazeres, enfim. Bom é lembrar que estes homens fortes um dia enfraquecem e o corpo que carregavam começa a inclinar-se para a frente, a cabeça vergando-se ao peso dos anos. Então se diz: "Lá vai um velho", que já foi moço, mas quem sabe por que caminhos terá andado?

Os homens fortes fracassaram e agora nada mais os pode reabilitar. Os tendões das pernas ficaram flácidos, os músculos perderam o seu vigor, bem assim aquela agilidade, tão própria de moços e moças, alguns dançando noites Inteiras. Agora nada mais representam daquela força de outrora. Alguns passam a andarem com bengalas: “Ainda nas praças de Jerusalém habitarão velhos e velhas; levando cada um, na mão, o seu  cajado, por causa da sua muita idade” (Zacarias 8:4).

 

“... e cessarem os moedores, por já serem poucos, ”

Os dentes são considerados os moedores da boca, os quais vão caindo um a um, ficando uns quantos fracos para mastigar os alimentos. Algumas pessoas velhas perderam todos os seus dentes, e outras possuem apenas poucos. Nos dias do Pregador não havia dentistas nem protéticos para cuidarem da boca, e o que acontecia bem conhecemos: uma pessoa com falta de dentes, e os outros enfraquecidos, afeando uma boca, que outrora teria sido uma atração da mocidade, uma boca para ser beijada.

Agora? Quem diria? Haverá coisa mais decadente do que um desdentado? Isso é bom para ser lembrado, quando os nossos moedores estão fortes e sadios, quando devemos ter o cuidado de os trazer limpos e higiênicos: “Como dente quebrado, e pé desconjuntado, é a confiança no desleal, no tempo da angústia” (Provérbios 25:19).

 

“... e se escurecerem os que olham pelas janelas; ”

Quando se escurecerem os que olham pelas janelas diz respeito a visão do homem que falha, do mesmo modo que as demais faculdades físicas. Moisés foi um exemplo raro de alguém que, aos cento e vinte anos, tinha uma boa visão, mas geralmente a visão se deteriora nas pessoas velhas tão brevemente quanto qualquer outra coisa, e é um sinal de misericórdia ou proposito divino quando não acontece.

Nós temos necessidade de melhorar a nossa visão enquanto nós a temos, porque a luz dos olhos pode acabar antes da luz da vida. Assim aconteceu com Isaque e Aias: “E aconteceu que, como Isaque envelheceu, e os seus olhos se escureceram, de maneira que não podia ver” (Genesis 27.1); ”E a mulher de Jeroboão assim fez, e se levantou, e foi a Siló, e entrou na casa de Aías; e já Aías não podia ver, porque os seus olhos estavam já escurecidos por causa da sua velhice” (1 Reis 14:4).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
24/05/2026

FONTES:

MESQUITA, Antônio Neves de. Estudo nos livros de Eclesiastes e Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista (JUERP), 1978.

EATON, Michael A; CARR, G. Lloyd. Eclesiastes e Cantares: introdução e comentário. Mundo Cristão, 1989.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001. 

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry - Poéticos. Rio de Janeiro CPAD, 2008.

Eclesiastes 12:2

Eclesiastes 12:2 “Antes que se escureçam o sol, e a luz, e a lua, e as estrelas, e tornem a vir as nuvens depois da chuva; ”

 

“Antes que se escureçam o sol, e a luz, e a lua, e as estrelas, ”

Estes próximos versículos reforçarão o versículo 1 deste capítulo. O sol traz o que é doce e agradável (Eclesiastes 11.7) e a luz (o dia da juventude) fica tão brilhante que enche a vida com uma falsa esperança. Além disso, há o brilho da lua e das estrelas.

Todos esses corpos luminosos dão luz a este mundo tenebroso; assim, a juventude tem a sua luz, e faz-se dia ou, pelo menos, uma noite devidamente iluminada. Mas a terra inteira ficará entre trevas quando chegar a noite da idade avançada; então, haverá a noite eterna, quando a morte apagar todas as lâmpadas.

Os astros aí mencionados também são sinônimos de alegria. Representam os dias venturosos da mocidade, que passa. Então o sol, a luz e as estrelas empalidecem, e a decrepitude chega. Por isso é bom lembrar estas coisas a tempo.

 

 “...e tornem a vir as nuvens depois da chuva;”

Como, quando o tempo está chuvoso, no mesmo instante existe uma nuvem parada, e logo ela é sucedida, assim acontece com as pessoas velhas, quando elas se livram de uma dor ou doença, logo são tomadas por outra, de modo que suas inquietações são como um gotejar constante em um dia muito chuvoso

O retorno das nuvens se refere à sucessão contínua de tristezas. E sublinha a inevitabilidade dos problemas da velhice. “ Mesmo que a tempestade passe logo, logo virá outra”. Assim como a natureza é imprevisível a traiçoeira juventude será suplantada pela ainda mais traiçoeira idade avançada.

Portanto, o conselho do triste filósofo à juventude é: “Anda na luz da juventude, enquanto ela perdurar”, pois a verdade é que não perdurará por longo tempo. Quando você for velho, olhará para trás e dirá: “Como foi que eu envelheci?”. Você olhará para o espelho e não acreditará no que estiver vendo.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
24/05/2026

FONTES:

MESQUITA, Antônio Neves de. Estudo nos livros de Eclesiastes e Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista (JUERP), 1978.

EATON, Michael A; CARR, G. Lloyd. Eclesiastes e Cantares: introdução e comentário. Mundo Cristão, 1989.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001. 

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry - Poéticos. Rio de Janeiro CPAD, 2008.