Eclesiastes 12:3 “No dia em que tremerem os guardas da casa, e se encurvarem os homens fortes, e cessarem os moedores, por já serem poucos, e se escurecerem os que olham pelas janelas;”
“No dia em que tremerem os guardas da casa,”
A casa é o corpo humano, pois tanto nos sonhos como nas visões com frequência simboliza. Agora estamos chegando ao exame do que acontece ao corpo (casa) do homem velho. Perceba agora os sintomas de idade avançada. Os braços são aqui representados como os guardas da vida, isto é, da casa, esses braços vigorosos, que defendem qualquer corpo contra as agressões de fora. Há tempo em que os braços ficam fracos e o corpo fica sem defesa.
Moisés, já em avançada idade não conseguia manter seus braços levantados: “E acontecia que, quando Moisés levantava a sua mão, Israel prevalecia; mas quando ele abaixava a sua mão, Amaleque prevalecia. Porém as mãos de Moisés eram pesadas, por isso tomaram uma pedra, e a puseram debaixo dele, para assentar-se sobre ela; e Arão e Hur sustentaram as suas mãos, um de um lado e o outro do outro; assim ficaram as suas mãos firmes até que o sol se pôs” (Êxodo 17:11,12).
“... e se encurvarem os homens fortes, ”
Os homens outrora fortes parecem referir-se às pernas, que em outra passagem relacionam-se com a força: “Não se deleita na força do cavalo, nem se compraz nas pernas do homem” (Salmos 147:10).
As pernas podem transportam o corpo para as festas, para os bailes, para os cabarés, para os prazeres, enfim. Bom é lembrar que estes homens fortes um dia enfraquecem e o corpo que carregavam começa a inclinar-se para a frente, a cabeça vergando-se ao peso dos anos. Então se diz: "Lá vai um velho", que já foi moço, mas quem sabe por que caminhos terá andado?
Os homens fortes fracassaram e agora nada mais os pode reabilitar. Os tendões das pernas ficaram flácidos, os músculos perderam o seu vigor, bem assim aquela agilidade, tão própria de moços e moças, alguns dançando noites Inteiras. Agora nada mais representam daquela força de outrora. Alguns passam a andarem com bengalas: “Ainda nas praças de Jerusalém habitarão velhos e velhas; levando cada um, na mão, o seu cajado, por causa da sua muita idade” (Zacarias 8:4).
“... e cessarem os moedores, por já serem poucos, ”
Os dentes são considerados os moedores da boca, os quais vão caindo um a um, ficando uns quantos fracos para mastigar os alimentos. Algumas pessoas velhas perderam todos os seus dentes, e outras possuem apenas poucos. Nos dias do Pregador não havia dentistas nem protéticos para cuidarem da boca, e o que acontecia bem conhecemos: uma pessoa com falta de dentes, e os outros enfraquecidos, afeando uma boca, que outrora teria sido uma atração da mocidade, uma boca para ser beijada.
Agora? Quem diria? Haverá coisa mais decadente do que um desdentado? Isso é bom para ser lembrado, quando os nossos moedores estão fortes e sadios, quando devemos ter o cuidado de os trazer limpos e higiênicos: “Como dente quebrado, e pé desconjuntado, é a confiança no desleal, no tempo da angústia” (Provérbios 25:19).
“... e se escurecerem os que olham pelas janelas; ”
Quando se escurecerem os que olham pelas janelas diz respeito a visão do homem que falha, do mesmo modo que as demais faculdades físicas. Moisés foi um exemplo raro de alguém que, aos cento e vinte anos, tinha uma boa visão, mas geralmente a visão se deteriora nas pessoas velhas tão brevemente quanto qualquer outra coisa, e é um sinal de misericórdia ou proposito divino quando não acontece.
Nós temos necessidade de melhorar a nossa visão enquanto nós a temos, porque a luz dos olhos pode acabar antes da luz da vida. Assim aconteceu com Isaque e Aias: “E aconteceu que, como Isaque envelheceu, e os seus olhos se escureceram, de maneira que não podia ver” (Genesis 27.1); ”E a mulher de Jeroboão assim fez, e se levantou, e foi a Siló, e entrou na casa de Aías; e já Aías não podia ver, porque os seus olhos estavam já escurecidos por causa da sua velhice” (1 Reis 14:4).
DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
24/05/2026
FONTES:
MESQUITA, Antônio Neves de. Estudo nos livros de Eclesiastes e Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista (JUERP), 1978.
EATON, Michael A; CARR, G. Lloyd. Eclesiastes e Cantares: introdução e comentário. Mundo Cristão, 1989.
CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry - Poéticos. Rio de Janeiro CPAD, 2008.
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