Isaías 61:1 “O Espírito do Senhor Deus está sobre mim; porque o Senhor me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos;”
“O Espírito do Senhor está sobre mim; porque o Senhor me ungiu,”
O profeta Isaías anuncia a missão do Messias. O próprio Jesus expressamente aplicou esta passagem a si próprio no início do seu ministério em Nazaré na Galiléia (Lucas 4.16-22). O Filho, em si mesmo, não precisava de suporte ou da ajuda do Espírito Santo, mas quando o Verbo se fez carne, ele viveu as limitações que a encarnação lhe proporcionou. Na condição de Servo necessitou e dependeu durante todo o seu ministério da ação do Espírito Santo.
Ou seja, ele foi ungido. Pedro pregou essa condição aos da casa de Cornélio: “Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder; o qual andou fazendo bem, e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele” (Atos 10:38). Todos os dons e graças do Espírito foram outorgados a Ele, não por medida, como a outros profetas, mas sem medida, João 3.34. Pois, “Ele veio pela virtude do Espírito” (Lucas 4:14).
“... para pregar boas novas aos mansos;”
Aqui Ele fala como o Profeta ungido pregando “boas-novas aos mansos”, aqueles que se humilham diante de Deus, mansamente tomando um lugar inferior e reconhecendo as suas necessidades. O Novo Testamento os entende como pobres aos olhos do mundo e necessitados da ajuda de Deus: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres” (Lucas 4:18).
Os pobres sempre foram desfavorecidos nas sociedades humanas e é digno de nota que Lucas relata uma bem-aventurança para os pobres: “Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus” (Lucas 6:20). A João, o batista Jesus mandou anunciar: “Ide, e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes: Os cegos veem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho” (Mateus 11:4,5).
“... enviou-me a restaurar os contritos de coração,”
Ele é enviado com diligência amorosa e pessoal para “restaurar” os corações daqueles que estão quebrantados. “Coração quebrantado” é uma expressão que implica tristeza profunda que amarga a própria vida. Deus se agrada desses, pois eles confessam do fundo da alma que não merecem o menor olhar da bondade de Deus. Mas Deus agirá em favor deles como Ele mesmo, ou seja, como Deus de amor, misericórdia e bondade, e que são eles em quem Ele põe o coração:
Ele os carregará no colo, nunca os deixará, nem os abandonará. Ainda que esses contritos se considerem muitas vezes perdidos, Deus os salvará: Pois “Ele sara os quebrantados de coração, e lhes ata as suas feridas” (Salmos 147:3).
Um coração quebrantado faz da alma um receptáculo adequado para Deus habitar: “Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade e cujo nome é Santo: Em um alto e santo lugar habito e também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e para vivificar o coração dos contritos” (Isaías 57.15).
“... a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos;”
“Proclamar libertação aos cativos” e “pôr em liberdade os algemados” trazia à memória dos ouvintes de Isaías o Ano do Jubileu, quando os devedores eram liberados de suas dívidas e as propriedades eram devolvidas aos donos originais (Levítico 25:10–16).
Tudo isto encontra o seu perfeito cumprimento apenas na obra espiritual de Cristo, que concede uma liberdade mais elevada (e verdadeira) para os Seus. Os “mansos” e “quebrantados” são aqueles que anseiam pela liberdade espiritual, e cujos corações foram quebrantados por um senso de opressão e angústia espirituais. Ele é enviado aos que foram levados cativos e libertação aos encerrados na escuridão do pecado (incluindo a abertura dos olhos).
É interessante observar que Lucas 4.18-19 inclui a frase“dar vista aos cegos”. Porém esse acrescima da septuaginta não é contrário ao interesse de Isaías de que o povo tenha os seus olhos cegos abertos: “Então os olhos dos cegos serão abertos, e os ouvidos dos surdos se abrirão” (Isaías 35:5).
DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
14/05/2026
FONTES:
GABY, Wagner. A Igreja dos Gentios – Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.
HORTON, Stanley. Isaías o Profeta messiânico. Rio de Janeiro: CPAD 2003.
HARPER, A. F. (Ed.). Comentário Bíblico Beacon. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.
Ridderbos, J. Isaías: introdução e comentário - 2. Edição. São Paulo: Vida Nova, 1995.
http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201011_05.pdf
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