Mateus 6:17 “Tu, porém, quando jejuares, unge a tua cabeça, e lava o teu rosto,”
“Tu, porém, quando jejuares,”
A palavra hebraica do Antigo Testamento para “jejum” é (tsum). A ideia de jejuar, explicada no que diz respeito ao Dia de Expiação, é humilhar a alma (Levítico 16:29–31). Esse na verdade era o único jejum ordenado na Lei, porém, com o passar dos séculos outros dias de jejum foram estabelecidos.
A tradição judaica afirmava: “No Dia da Expiação é proibido: 1) comer, (2) beber, 3) lavar-se, 4) ungir-se com qualquer tipo de óleo, 5) calçar uma sandália, 6) ou ter relações sexuais”. Alguns jejuns do Antigo Testamento eram ocasionais e extraordinários, ao passo que outros eram realizados com regularidade. O jejum era observado em casos de doença, luto, calamidade, tristeza pelo pecado e outras situações críticas: “Mas, quanto a mim, quando estavam enfermos, as minhas vestes eram o saco; humilhava a minha alma com o jejum, e a minha oração voltava para o meu seio” (Salmos 35:13).
O verbo grego traduzido por “jejuar” (nesteuo) e seus derivados ocorrem cerca de trinta vezes no Novo Testamento. Essas palavras significam abster-se de alimento ou bebida. Jejuar, na maioria das vezes, está associado a um propósito espiritual. Quando devidamente praticado, ele conduz o adorador para mais perto de Deus.
Assim como a prática judaica de dar esmolas (6:2) e oferecer orações (6:5), o jejum era uma atividade que Jesus espera que seus seguidores pratiquem. Por isso ele diz a seus discípulos “quando jejuardes”. Devemos jejuar pois estamos vivendo os dias que o noivo foi tirado: “Virão dias quando o noivo lhes será tirado; então jejuarão” (Mateus 9.15).
“... unge a tua cabeça, e lava o teu rosto,”
Ao contrario dos homens a quem Jesus censurou que se mostravam contristados e desfiguravam o rosto com o fim de parecer que jejuavam. Jesus orienta seus discípulos a não deixarem seu jejum ficar evidente para os outros. Em oposição à tradição judaica, Ele disse para Seus discípulos ungirem a cabeça e lavarem o rosto com água durante o período de jejum.
Quem se lamentava ou fingia tristeza não costumava fazer isso: “Alimento desejável não comi, nem carne nem vinho entraram na minha boca, nem me ungi com unguento, até que se cumpriram as três semanas” (Daniel. 10:3). Também se lê na história dos judeus que nos dias de jejum, os atos de ungir-se e lavar se eram proibidos, para que houvesse assim demonstração de tristeza pelo pecado.
Ou seja, tanto a unção e a lavagem eram símbolos de alegria: “Em todo o tempo sejam alvas as tuas roupas, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça” (Eclesiastes 9:8). No oriente era costumeiro ungir a cabeça como preparação para alguma festa. E isso era praticado diariamente pelos judeus, exceto nos dias de jejum. O verdadeiro discípulo do reino do Messias pode jejuar, pode ter tristeza no coração por causa do pecado, pode jejuar até mais vezes que nos dias indicados, mas não deve ostentar o que faz com seus lamentos, exibindo o lado negativo da religião. Pelo contrário, deve dar a impressão que vai para um a festa, evitando assim o olhar aprovador de outros, os quais, de outra maneira, saberiam que está jejuando.
DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
14/05/2026
FONTES:
GABY, Wagner. A Igreja dos Gentios – Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.
CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.
http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201205_02.pdf
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