Deuteronômio 10:12 “Agora, pois, ó Israel, que é que o Senhor teu Deus pede de ti, senão que temas o Senhor teu Deus, que andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma,”
“Agora, pois, ó Israel, que é que o Senhor teu Deus pede de ti,”
Essa frase é uma pergunta retórica que terá resposta no mesmo versículo e no próximo. A pergunta retórica é: “Agora, pois, ó Israel, que é que Javé teu Deus requer de ti?”. Essa pergunta deve ser comparada a Miquéias 6:8: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus?” (Miquéias 6:8).
A totalidade da exortação deuteronômia será aqui poderosamente sumariada. Os vss. 12 e 13 repetiram as exigências totais que Deus impôs ao Seu povo. Os requisitos de Deus podem ser resumidos sob cinco exigências: temê-lo, reverenciá-lo, andar em todos os Seus caminhos, amá-lo, servi-lo com a totalidade do ser, e guardar Seus mandamentos e estatutos (v.13).
“... senão que temas o Senhor teu Deus, que andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma,”
A palavra Temer (Reverenciar) ocorre muitas vezes em Deuteronômio (6: 13s.; 10: 12, 20; 11: 22; 13: 4, etc.). Esse contexto vai além da reverência de respeito que alguns intérpretes reduzem a questão. Pois o Deus de Israel estava pronto para destruir os desobedientes, conforme fez em várias outras ocasiões. Por conseguinte, um temor genuíno é indispensável para que alguém se relacione com êxito com o Senhor: "O temor do Senhor é fonte de vida para evitar os laços da morte" (Provérbios 14:27).
O temor de Deus é o ponto de partida, é principio da sabedoria (Provérbios 1.7). Esse temor deve ser uma característica de todos os santos: “Então aqueles que temeram ao Senhor falaram frequentemente um ao outro; e o Senhor atentou e ouviu; e um memorial foi escrito diante dele, para os que temeram o Senhor, e para os que se lembraram do seu nome” (Malaquias 3:16), bem como uma fonte de alegria para eles (Salmo 2.11)
O Amor é a afeição e devoção total do coração, alma e forças (6:4-5). É o motor que impede que a obediência vire apenas um legalismo frio. O amor é à base de todos os atos realmente espirituais e de toda conduta cristã. É a essência da lei, conforme Paulo nos diz em Romanos 13.8-10 : ”porque quem ama aos outros cumpriu a lei. Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor.” A quem Jesus fez o maior dos mandamentos (Mateus 22:37).
Andar em seus caminhos refere-se à conduta diária e ao estilo de vida. O ato de andar expressa a natureza geral da vida espiritual, muito comum nas páginas do NT. (Gálatas 5:16,25; 6:16; Romanos 4:12).Quem teme e ama escolhe trilhar a estrada que Deus apontou. Essa expressão é uma metáfora. A maneira de andar, ou a conduta deve identificar o cristão: “Eis que tenho observado que este que sempre passa por nós é um santo homem de Deus” (2 Reis 4:9).
Servir diz respeito a dedicação ativa e o culto exclusivo a Deus, rejeitando totalmente a idolatria. Este é o cumprimento prático da lei do amor. E, no contexto da lei, indicava o cumprimento de todos os deveres cerimoniais do tabernáculo, como os sacrifícios, os ritos etc. Mas essa palavra também indica atos de amor e misericórdia e a prática das boas obras.
O modo de servir deve ser de todo o coração, ilimitado e intenso, a saber, de todo coração e alma, tal como nos é ordenado amar a Deus desse modo (Deuteronomio 6.5). A espiritualidade deve envolver todos os aspectos da vida, e não meramente algo adicionado a ela. Essa é uma lição que só pode ser aprendida pelos homens mais espirituais. Todas as outras coisas dependem da espiritualidade.
DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
15/10/2026
FONTES:
GOMES, Osiel. O Deus da Aliança - Advertências, Promessas e Bênçãos no Livro de Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.
Thompson J. A. Deuteronômio: introdução e comentário; tradução Carlos Osvaldo Pinto. Edição: 1. ed. Publicação: São Paulo : Vida Nova, 1982.
CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.
CHAMPLIN, R. N. e BENTES, J. M. Enciclopédia de Bíblia, teologia e filosofia. São Paulo: Candeia, 1995.
Nenhum comentário:
Postar um comentário