Provérbios 1:7 “O temor do Senhor é o princípio do conhecimento; os loucos desprezam a sabedoria e a instrução.”
“O temor do Senhor é o princípio do conhecimento;”
“O temor do Senhor” é uma expressão comum nos livros sapienciais e em outras passagens, esta frase foi usada quatorze vezes nos Provérbios. Ilustrações sobre o uso aparecem no Salmo 115:11 - "Confiam no Senhor os que temem o Senhor", e em Isaías. 11:2, 3, onde o temor do Senhor é citado como característica do Messias. Tal temor inclui o respeito para com o Todo-poderoso Salmo 2:11: "servi ao Senhor com temor, e alegrai-vos nele com tremor"). Jó 28:28 é praticamente uma definição: "Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e o apartar-se do mal é o entendimento".
A palavra princípio, em hebraico reshith, tanto é norma como começo. Tudo tem um princípio, uma forma de começo, e, se alguém desejar sucesso, tem de ter um início determinante. O príncipio não é uma etapa que se deixa para trás. É um relacionamento correto: é uma submissão em adoração (temor) ao Deus da aliança, que Se revelou pelo Seu nome (o Senhor, isto é, Javé: Êxodo 3:13-15).
É somente através da submissão a Sua autoridade e majestade (ou seja, no temor ao Senhor) que podemos começar e continuar a nossa educação; e, através da busca diligente pela sabedoria “como por tesouros ocultos” é que acharemos o nosso prêmio numa intimidade crescente com o mesmo Senhor. Ele é o início; Ele é também o fim, pois o alvo é: “Então entenderás o temor do SENHOR, e acharás o conhecimento de Deus” (Provérbios 2:5).
Salomão demonstra que nenhuma moral-social se firma se não tiver valores morais e espirituais como princípio. Ninguém pode ser considerado sábio de fato se os seus conselhos não revelam princípios do saber divino. Um sábio não é alguém dotado apenas de muita informação ou inteligência, mas alguém que aprendeu que o temor do Senhor é a base de toda moral-social.
“... os loucos desprezam a sabedoria e a instrução.”
Em contrapartida os loucos desprezam a sabedoria e a instrução."Loucos " ou “insensatos” aparecem diversas vezes em Provérbios. Também o uso difere. Em Isaías 35:8, "louco" significa obviamente "simplório". Mas no uso especializado de Provérbios, "louco" significa um pecador. Provérbios 14:9 é ilustrativo – "Os loucos zombam do pecado". A cláusula significa que os pecadores ridicularizam a santidade. A LXX grega traduz bem loucos para “ímpios”.
O insensato, com este nome ou com o outro, se revela tão logo que abre a boca (17:28; 24:7; 10:14), e é tão briguento como o outro, pois não se deixa refrear (20:3; 12:16) e não tem senso de proporção (27:3; 29:9). O aspecto que se destaca mais é a sua insolência moral: desde a primeira vez que aparece, não tolera qualquer conselho (1:7; 10:8; 12:15; 15:5).
A raiz do seu problema é espiritual, e não mental. Ele gosta da sua estultícia, voltando a ela “Como o cão que torna ao seu vômito” (26:11); não reverencia a verdade, e prefere ilusões confortáveis (14:8). No fundo, o que ele rejeita é o temor ao Senhor (1:29): é isto que faz dele um insensato, e isto toma trágica a sua complacência, porque “aos loucos a sua impressão de bem-estar os leva à perdição” (1:32).
DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
15/10/2026
FONTES:
GOMES, Osiel. O Deus da Aliança - Advertências, Promessas e Bênçãos no Livro de Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.
HARRISON, Everret F; PFEIFFER, Charles F. Comentário Bíblico Moody. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1990.
MESQUITA, Antônio Neves. Estudo no Livro de Provérbios — princípios para uma vida feliz. Rio de Janeiro: JUERP, 1979.
KIDNER, Derek. Provérbios Introdução e Comentário – Série Cultura Bíblica. Mundo Cristão
GONÇALVES, José. Sábios Conselhos para um viver vitorioso - Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Rio de Janeiro: CPAD, 2013
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