terça-feira, 27 de outubro de 2026

Números 27:18

 

Números 27:18 “Então disse o Senhor a Moisés: Toma a Josué, filho de Num, homem em quem há o Espírito, e impõe a tua mão sobre ele.”

 

“Então disse o Senhor a Moisés: “

Moisés é avisado de que chegou a sua hora. Ele deve subir ao monte Abarim (Monte Nebo) a fim de ver a terra que seria dada aos filhos de Israel. Para que isto não desperte novas esperanças de que ele, afinal de contas, pudesse entrar em Canaã, Moisés é lembrado do seu pecado.

Então, Moisés ora para que Deus seja misericordioso para com o Seu povo, e tome providências para o seu futuro bem-estar, nomeando alguém para guiá-lo na batalha. Assim seu sucessor é anunciado: “Então disse o Senhor a Moisés...”

 

Toma a Josué, filho de Num, homem em quem há o Espírito,

Deus ordena que lhe separe Oséias, filho de Num, a quem Moisés chamava profeticamente de Josué, seu assistente (Êxodo 24,13), que foi um dos espias que havia visitado Canaã pessoalmente (13:8). A narrativa deixa claro que a sua liderança não será do mesmo tipo da de Moisés. Enquanto que com Moisés Deus falava face a face (12:6-8), Josué será instruído por Eleazar, o sumo sacerdote, que usará o Urim e Tumim, as sortes sagradas, para descobrir a vontade de Deus (Êxodo 28:30).

O Senhor identifica Josué, além do nome, como o homem em que há o Espírito. À semelhança de Moisés, o novo líder seria também cheio do Espírito. Josué já havia demonstrado as suas habilidades espirituais. Os Targuns de Onkelos e de Jonathan falam sobre os dons espirituais de Josué, que o qualificavam para o seu ofício, incluindo as qualidades de sabedoria para governar, coragem, prudência e grandeza mental. Ele tinha também o espírito de profecia, porque o Senhor freqüentemente falou através dele (Josué 4.1; 6.2; 7.10). Josué tinha sido fiel sobre o pouco, pelo que agora seria dirigente sobre muito (Mateus 25.21).

 

e impõe a tua mão sobre ele.”

A nomeação de Josué como sucessor de Moisés foi publicamente anunciada pela imposição de mãos deste: “E sobre ele impôs as suas mãos, e lhe deu ordens, como o Senhor falara por intermédio de Moisés” (27:23). Com este gesto simbólico, Josué foi identificado com Moisés, e tomou-se o seu representante para o futuro. A imposição de mãos continuou no Novo Testamento, para ordenar ocupantes para os cargos eclesiásticos (Atos 6:6; 1 Timóteo 4:14).

Mais tarde sua autoridade seria confirmada por Deus em pessoa, quando apareceu na coluna de nuvem no pátio do tabernáculo (Deuteronomio 31:14-15, 23). Mas somos informados de que foi a travessia do Jordão que realmente convenceu o povo de que Josué era o sucessor de Moisés escolhido por Deus: “Naquele dia o Senhor engrandeceu a Josué diante dos olhos de todo o Israel; e temeram-no, como haviam temido a Moisés, todos os dias da sua vida” (Josué 4:1).

Desta forma, a cerimônia registrada aqui estabelece uma co-regência, na vigência da qual Moisés e Josué foram co-líderes do povo, ou seja, um período de transição que terminou com a morte de Moisés no Monte Nebo, registrada em Deuteronômio 34.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
27/10/2026

FONTES:

GOMES, Osiel. O Deus da Aliança - Advertências, Promessas e Bênçãos no Livro de Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

WENHAM, G. J. Números: Introdução e Comentário. Tradução Adiel Almeida de Oliveira. São Paulo: Sociedade Religiosa Edições Vida Nova & Associação Religiosa Editora Mundo Cristão, 1985.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry – Genesis a Deuteronomio. Rio de Janeiro CPAD, 2008.

Deuteronômio 31:3

 

Deuteronômio 31:3 “O Senhor teu Deus passará adiante de ti; ele destruirá estas nações de diante de ti, para que as possuas; Josué passará adiante de ti, como o Senhor tem falado.”

 

“O Senhor teu Deus passará adiante de ti; ele destruirá estas nações de diante de ti, para que as possuas;”

O Senhor tinha prometido que seguiria diante do povo de Israel à Terra Prometida, preparando o caminho, e então acompanharia os hebreus na conquista militar: "O Senhor vosso Deus que vai adiante de vós, ele pelejará por vós, conforme a tudo o que fez convosco, diante de vossos olhos, no Egito" (1: 30).

Moisés lembra o povo que “o Senhor ia adiante deles, de dia numa coluna de nuvem para os guiar pelo caminho, e de noite numa coluna de fogo para os iluminar, para que caminhassem de dia e de noite” (Êxodo 13:21). E pelejaria por eles (Êxodo 14.14) destruindo as nações para que eles possuíssem a terra.

Sete povos diferentes tinham de ser destruídos. Esses povos eram mais numerosos e mais poderosos do que Israel, mas faltava-lhes a ajuda divina, pelo que sucumbiram diante de um poder militar inferior: "Quando o Senhor, o seu Deus, os fizer entrar na terra da qual tomarão posse, ele expulsará de diante de vocês muitas nações: os heteus (ou hititas), os girgaseus, os amorreus, os cananeus, os ferezeus (ou perizeus), os heveus e os jebuseus. São sete nações maiores e mais fortes do que vocês" (7.1).

Seria a presença de Deus que garantiria a vitória do povo: “quando saíres à peleja contra teus inimigos, e vires cavalos, e carros, e povo maior em número do que tu, deles não terás temor; pois o Senhor teu Deus, que te tirou da terra do Egito, está contigo” (Deuteronômio 20.1).

 

“... Josué passará adiante de ti, como o Senhor tem falado.”

Josué já havia sido nomeado como o sucessor de Moisés. Após o Senhor se indignar contra Moisés, por causa do povo, lhe disse: “Também tu lá não entrarás. Josué, filho de Num, que está diante de ti, ele ali entrará; fortalece-o, porque ele a fará herdar a Israel” (Deuteronômio 1:37b,38).

Josué nasceu no Egito. Seu nome original era Oséias, mas Moisés o chamou Josué, que significa "Jeová é a salvação" ou "Deus salva" (Números 13.16). A história revela pouco sobre sua família, exceto pelo nome de seu pai, Num (Números 11:28). Ele nasceu na tribo de Efraim, provavelmente na região de Gósen, no Delta do Nilo. Ele nasceu escravo durante a opressão dos israelitas pelos egípcios. Josué era antes um assistente pessoal de Moisés e a partir daqui seria o líder que dirigiria os israelitas na conquista da Terra Prometida (Josué 1:1-9). 

Josué não seria um grande profeta como Moisés, o qual conheceu o Senhor face a face (Êxodo 33:11); mas seria um excelente instrumento para a missão de introduzir Israel na Terra Prometida, apto como general e um excelente líder. A missão de Josué era diferente da missão de Moisés, embora fosse uma missão necessária, que confirmava e ampliava o poder e a missão de Moisés. Os dois faziam parte da mesma equipe, e não competiam um com o outro.Na prática o representante do Senhor seria Josué, mas o líder de Israel continuaria a ser o Senhor que seria com ele: “Ninguém te poderá resistir, todos os dias da tua vida; como fui com Moisés, assim serei contigo; não te deixarei nem te desampararei” (Josué 1:5).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
27/10/2026

FONTES:

GOMES, Osiel. O Deus da Aliança - Advertências, Promessas e Bênçãos no Livro de Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

Thompson J. A. Deuteronômio: introdução e comentário; tradução Carlos Osvaldo Pinto. Edição: 1. ed. Publicação: São Paulo : Vida Nova, 1982.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

https://shepherds-edu.translate.goog/joshua-a-model-of-spiritual-leadership/?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt&_x_tr_pto=tc

2 Timóteo 4:7

 

2 Timóteo 4:7 “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé.”

 

“Combati o bom combate,”

Esse texto claramente indica a consciência Paulo da proximidade da sua partida para a eternidade. Paulo diz a Timóteo que está chegando ao fim da jornada, como servo de Deus, como apóstolo e fiel testemunha do Senhor. Como um lutador que enfrentava a luta, na arena, havia combatido “o bom combate” (Lutei na competição nobre), ou seja, o bom combate da fé.

Como em 1 Timóteo 6:12 ARA: “Combate o bom combate da fé”, a figura não é da guerra, mas, sim, de uma competição atlética, provavelmente uma disputa de luta romana. Paulo conhecia as competições atléticas de sua época, E imaginou essa metáfora para indicar sua vitória, ante as lutas que houvera enfrentado, desde sua conversão e o desenvolvimento do seu ministério, sempre envolvido com opositores humanos, além da luta espiritual contra os inimigos do crente em Jesus.

Seu combate da fé era em defesa da igreja, lutando pelos irmãos em Cristo: “Porque quero que saibais quão grande combate tenho por vós, e pelos que estão em Laodiceia, e por quantos não viram o meu rosto em carne” (Colossenses 2:1); era a luta contra os opositores que se levantavam contra sua missão: “Mas, mesmo depois de termos antes padecido, e sido insultados em Filipos, como sabeis, tornamo-nos ousados em nosso Deus, para vos falar o evangelho de Deus com grande combate” (1 Tessalonicenses 2:2).

Todos os apóstolos de Jesus eram homens que combatiam “pela fé que um a vez foi dada aos santos” (Judas 3). Mas nenhum teve tantas oposições e ameaças quanto Paulo, tanto que quando se defendia afirmava: “ninguém me inquiete; porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus” (Gálatas 6.7). Sobre algumas destas marcas de combate ele escreveu aos coríntios “São ministros de Cristo? (Falo como fora de mim) Eu ainda mais: em trabalhos, muito mais; em açoites, mais do que eles; em prisões, muito mais; em perigo de morte, muitas vezes. Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez” (2 Coríntios 11:23-27).

 

“... acabei a carreira,

No original, o texto indica que Paulo se referia à “pista de corrida” ’, nas competições em Atenas, em Roma, ou em outra cidade que conhecia. Em sua carreira ou “corrida”, Paulo diz que não olhava para trás, mas para as coisas que estavam diante dele, prosseguindo “para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Filipenses 3.13,14).

Anteriormente, Paulo expressou aos presbíteros de Éfeso o desejo de “completar a [sua] carreira”: "Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus" (Atos 20.24). Agora ele estava apto a dizer que havia alcançado esse objetivo. Ele não disse: “Ganhei a corrida”, mas sim: “Completei a carreira”. Muitos têm começado a carreira da vida cristã, mas desistem, ante os obstáculos e os problemas que surgem pela frente. O Senhor não tem prazer nestes: “todavia, o meu justo viverá pela fé; e: Se retroceder, nele não se compraz a minha alma” (Hebreus 10:38).

Nessa “carreira”, as dificuldades são enormes, porque, além de ser um a luta constante, o crente tem que carregar um à cruz “de cada dia” (Lucas 9.23). Diante dessa realidade, após as experiências vividas em seu ministério, Paulo mostrou a Timóteo que tinha a certeza de que sua carreira como ministro do evangelho houvera terminado. Mas o fazia com a consciência tranqüila, mesmo diante da morte, de que cumprira o seu dever para com Deus e sua Igreja.

 

”... guardei a fé.”

Paulo lutou o “bom combate” e concluiu “a carreira”, mas não o fez de qualquer maneira. Ele também guardou “a fé”. Guardar envolve “segurar ou guardar [algo] para não desistir ou perder”. Aqui poderia indicar que a fé de Paulo não havia enfraquecido; mas provavelmente se refere como na maioria das vezes, ao conjunto de ensinamentos centrados na fé em Jesus Cristo (A doutrina dos apóstolos). Cristo havia confiado a Paulo esse conjunto de ensinamentos, e ele o pregou e protegeu por muitos anos. Paulo lutou e guardou a “fé que um a vez foi dada aos santos” (Judas 3).

Há, possivelmente, uma alusão passageira aos compromissos com os quais os atletas que competiam em jogos públicos se obrigavam a observar as regras: “Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra. E, se alguém também milita, não é coroado se não militar legitimamente” (2 Timóteo 2:4,5).

O auto-estame de Paulo é significativo. Quando chegarmos ao fim desta vida, poderemos também dize? “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé”. Para Paulo, o assunto estava encerrado; para nós, ainda está inacabado. Que Deus continue conosco enquanto o fim da nossa jornada também se aproxima.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
27/10/2026

FONTES:

GOMES, Osiel. O Deus da Aliança - Advertências, Promessas e Bênçãos no Livro de Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

RENOVATO, Elinaldo. As ordenanças de Cristo nas cartas pastorais. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.

KELLY, John N. D. I e II Timóteo e Tito: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova e Editora Mundo Cristão, 1983.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201904_06.pdf

Deuteronômio 31:2

 

Deuteronômio 31:2 “E disse-lhes: Da idade de cento e vinte anos sou eu hoje; já não poderei mais sair e entrar; além disto o Senhor me disse: Não passarás o Jordão.”

 

“E disse-lhes: Da idade de cento e vinte anos sou eu hoje; já não poderei mais sair e entrar;”

Moisés lembra ao povo a sua idade, 120 anos. Essa será a idade que ele ira morrer: “Era Moisés da idade de cento e vinte anos quando morreu; os seus olhos nunca se escureceram, nem perdeu o seu vigor” (Deuteronômio 34:7).  Na literatura egípcia 110 anos era o tempo ideal de vida para um homem sábio e numerosos exemplos são conhecidos. O fato da vida de Moisés ser dez anos mais longa pode ser um recurso literário para indicar a sua superioridade sobre os sábios do Egito.

Além disso, 120 é três vezes quarenta (o tempo passado no deserto) e pode muito bem denotar três gerações e também passando por três fases distintas.  Em qualquer dos casos Moisés chegou a ser um ancião que pôde ver seus netos crescerem até a maturidade. Em idade tão avançada Moisés confessava que já não era uma pessoa ativa: “Já não posso entrar e sair”.  

O Pentateuco apresenta as idades comparadas dos antediluvianos, dos patriarcas e daqueles que viveram durante a era do êxodo. De Adão a Noé, as idades ficavam na faixa entre os novecentos e os mil anos; de Noé a Abraão, entre os duzentos e os seiscentos anos; e os patriarcas viveram entre os cem e os duzentos anos. Durante a era do exôdo, entrou em efeito a média de setenta anos: “Os dias da nossa vida chegam a setenta anos, e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos, o orgulho deles é canseira e enfado, pois cedo se corta e vamos voando” (Salmos 90:10). Portanto, a idade de Moisés comparava-se com a idade dos mais jovens entre os patriarcas.

 

“... além disto o Senhor me disse: Não passarás o Jordão.”

Além do mais, Javé o proibira de atravessar o Jordão. Isso porque Moisés havia em uma explosão de ira ferido a rocha que o Senhor havia lhe ordenado que somente falasse a ela: “Moisés levantou a mão e feriu a rocha duas vezes com o seu bordão, e saíram muitas águas; e bebeu a congregação e os seus animais. Mas o Senhor disse a Moisés e a Arão: Visto que não crestes em mim, para me santificardes diante dos filhos de Israel, por isso, não fareis entrar este povo na terra que lhe dei” (Números 20:11,12). O Senhor ficou indignado com ele, por culpa do povo de Israel que provocaram à ira de Moisés, levando-o a cometer esse erro.

Moisés foi sujeitado à ira divina por causa de Israel, por ter levado sobre ele os pecados deles, como seu representante. A idéia aqui tentada, de que Moisés levou vicariamente sobre si os pecados de Israel, não foi devidamente exposta. Mas contém o germe do conceito central do Servo Sofredor, de Isaías 53, e da missão expiatória de Cristo.´

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
27/10/2026

FONTES:

GOMES, Osiel. O Deus da Aliança - Advertências, Promessas e Bênçãos no Livro de Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

Thompson J. A. Deuteronômio: introdução e comentário; tradução Carlos Osvaldo Pinto. Edição: 1. ed. Publicação: São Paulo : Vida Nova, 1982.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

AMANDO A DEUS DE FORMA EXCLUSIVA COM TODO O CORAÇÃO (Deuteronômio 6.4) 27/10/26

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA
27 DE OUTUBRO DE 2026
AMANDO A DEUS DE FORMA EXCLUSIVA COM TODO O CORAÇÃO

Deuteronômio 6.4 “Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. ” 

Esse versículo é conhecido como o “Shemá Israel” que se refere as duas primeiras palavras da seção da Torá que constitui a profissão de fé central do monoteísmo judaico é considerado um credo em sua forma embrionária na Bíblia. Os judeus os escrevem em seus filactérios, e se acham não apenas obrigados a recitá-los pelo menos duas vezes todos os dias, mas muito felizes por serem obrigados a isso, tendo esse provérbio entre si: Abençoados somos nós, que a cada manhã e a cada entardecer dizemos: Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Porém mais abençoados seremos se ponderarmos e aproveitarmos devidamente

Deus é um em essência ou natureza, subsistindo por Si mesmo; só o SENHOR é Deus: “Eu sou o SENHOR, e não há outro; fora de mim não há deus...” (Is 45.5). Nosso Senhor Jesus Cristo ensinou o monoteísmo como parte do primeiro de todos os mandamentos: “... Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor” (Mc 12.29); “... com verdade disseste que há um só Deus, e que não há outro além dele” (Mc 12.32); “E a vida eterna é esta: que conheçam a ti só por único Deus verdadeiro...” (Jo 17.3).

O apóstolo Paulo declara: “Todavia para nós há um só Deus” (1 Co 8.6); “Ora o medianeiro não é de um só, mas Deus é um” (Gl 3.20); “Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos” (Ef 4.6). “Porque há um só Deus” (1 Tm 2.5). Foi o Senhor Jesus quem revelou Deus aos seres humanos por meio da Bíblia: Mt 11.27; Jo 1.18).

O Deus que Jesus revelou é o Deus de Israel e isso ele deixou claro ao pronunciar o primeiro e grande mandamento: “E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: “Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento” (Mc 12.29, 30). Essa é uma das várias declarações do Novo Testamento que ensina ser o cristianismo monoteísta. A declaração aqui é reveladora porque não deixa dúvida de que o Deus dos cristãos é o mesmo Deus de Israel, pois Jesus citou as palavras diretamente do Antigo Testamento (Dt 6.4-6).

A Trindade é uma doutrina com sólidos fundamentos bíblicos e, mesmo sem conhecer essa terminologia, os cristãos do período apostólico reconheciam essa verdade. Essa doutrina está implícita no Antigo Testamento, pois há declarações que indicam claramente a pluralidade na unidade de Deus (Gn 1.26; 3.22; 11.6, 7; Is 6.8). Apesar da ênfase da doutrina monoteísta como o shemá: “Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR” (Dt 6.4) reafirmada pelo Senhor Jesus (Mc 12.29), o Antigo Testamento mostra que a unidade de Deus não é absoluta. O Novo Testamento revela que essa pluralidade se restringe ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo (Mt 28.19; 1 Co 12.4-6; 2 Co 13.13; Ef 4.4-6; 1 Pe 1.2).

Há ainda várias passagens tripartidas no Novo Testamento que revelam a Trindade (Lc 24.49; Rm 1.1-4; 5.1-5; 14.17, 18; 15.16, 30; 1 Co 6.11; 2 Co 1.20, 21; Gl 3.11-14; Ef 1.17; 2.18-22; 3.3-7, 14-17; 1 Ts 5.18). Além das declarações bíblicas apresentadas aqui, há outras evidências contundentes que fundamentam essa doutrina. Cada uma dessas Pessoas é chamada individualmente de Deus e Senhor. O Deus do cristianismo é um (Gl 3.20), mas as Escrituras ensinam também que o Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus. A Bíblia aplica o nome “Deus” ao Pai sozinho (Fp 2.11), da mesma forma ao Filho (Jo 1.1) e ao Espírito Santo (At 5.3, 4); e, na maioria das vezes, com referência à Trindade (Dt 6.4). Isso também ocorre com o Tetragrama (as quatro consoantes do nome divino YHWH), que se aplica ao Pai sozinho (Sl 110.1), ao Filho (Is 40.3; Mt 3.3) e ao Espírito Santo (Ez 8.1,3). No entanto, aplica-se também à Trindade (Sl 83.18). Salta à vista de qualquer leitor da Bíblia a divindade plena e absoluta de cada uma dessas Pessoas. Foi assim que o Espírito revelou a unidade na Trindade. A doutrina da Trindade não neutraliza, nem contradiz a doutrina da Unicidade e nem a doutrina da Unicidade anula a Trindade.


DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
14/02/2022

Fontes:

BAPTISTA, Douglas. A Supremacia das Escrituras – a Inspirada, Inerrante e Infalível Palavra de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2021.

HENRY, Matthew. Comentário Bíblico – Pentateuco. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

SOARES, Esequias. A razão de nossa fé: assim cremos, assim vivemos. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

SOARES, Esequias. Manual de apologética cristã: Defendendo os fundamentos da autêntica fé bíblica. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.