Deuteronômio 31:2 “E disse-lhes: Da idade de cento e vinte anos sou eu hoje; já não poderei mais sair e entrar; além disto o Senhor me disse: Não passarás o Jordão.”
“E disse-lhes: Da idade de cento e vinte anos sou eu hoje; já não poderei mais sair e entrar;”
Moisés lembra ao povo a sua idade, 120 anos. Essa será a idade que ele ira morrer: “Era Moisés da idade de cento e vinte anos quando morreu; os seus olhos nunca se escureceram, nem perdeu o seu vigor” (Deuteronômio 34:7). Na literatura egípcia 110 anos era o tempo ideal de vida para um homem sábio e numerosos exemplos são conhecidos. O fato da vida de Moisés ser dez anos mais longa pode ser um recurso literário para indicar a sua superioridade sobre os sábios do Egito.
Além disso, 120 é três vezes quarenta (o tempo passado no deserto) e pode muito bem denotar três gerações e também passando por três fases distintas. Em qualquer dos casos Moisés chegou a ser um ancião que pôde ver seus netos crescerem até a maturidade. Em idade tão avançada Moisés confessava que já não era uma pessoa ativa: “Já não posso entrar e sair”.
O Pentateuco apresenta as idades comparadas dos antediluvianos, dos patriarcas e daqueles que viveram durante a era do êxodo. De Adão a Noé, as idades ficavam na faixa entre os novecentos e os mil anos; de Noé a Abraão, entre os duzentos e os seiscentos anos; e os patriarcas viveram entre os cem e os duzentos anos. Durante a era do exôdo, entrou em efeito a média de setenta anos: “Os dias da nossa vida chegam a setenta anos, e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos, o orgulho deles é canseira e enfado, pois cedo se corta e vamos voando” (Salmos 90:10). Portanto, a idade de Moisés comparava-se com a idade dos mais jovens entre os patriarcas.
“... além disto o Senhor me disse: Não passarás o Jordão.”
Além do mais, Javé o proibira de atravessar o Jordão. Isso porque Moisés havia em uma explosão de ira ferido a rocha que o Senhor havia lhe ordenado que somente falasse a ela: “Moisés levantou a mão e feriu a rocha duas vezes com o seu bordão, e saíram muitas águas; e bebeu a congregação e os seus animais. Mas o Senhor disse a Moisés e a Arão: Visto que não crestes em mim, para me santificardes diante dos filhos de Israel, por isso, não fareis entrar este povo na terra que lhe dei” (Números 20:11,12). O Senhor ficou indignado com ele, por culpa do povo de Israel que provocaram à ira de Moisés, levando-o a cometer esse erro.
Moisés foi sujeitado à ira divina por causa de Israel, por ter levado sobre ele os pecados deles, como seu representante. A idéia aqui tentada, de que Moisés levou vicariamente sobre si os pecados de Israel, não foi devidamente exposta. Mas contém o germe do conceito central do Servo Sofredor, de Isaías 53, e da missão expiatória de Cristo.´
DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
27/10/2026
FONTES:
GOMES, Osiel. O Deus da Aliança - Advertências, Promessas e Bênçãos no Livro de Deuteronômio. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.
Thompson J. A. Deuteronômio: introdução e comentário; tradução Carlos Osvaldo Pinto. Edição: 1. ed. Publicação: São Paulo : Vida Nova, 1982.
CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.
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