quinta-feira, 2 de abril de 2026

Genesis 18.32

Genesis 18.32 “Disse mais: Ora, não se ire o Senhor que ainda só mais esta vez falo: se, porventura, se acharem ali dez? e disse: não a destruirei, por amor dos dez.” 

 

“Disse mais: Ora, não se ire o Senhor que ainda só mais esta vez falo: se, porventura, se acharem ali dez?”

Abraão havia interrogado a Deus cinco vezes, perguntando se Ele pouparia Sodoma da sua ira se houvesse lá uma determinada quantidade de justos. Antes de seu pedido final, Abraão provavelmente sentiu que atingira o limite do que ousou pedir de Deus e pela segunda vez pedi ao Senhor que não se ire com ele. E, investido de mais coragem, baixa ainda o número mais uma vez, e pergunta: “se, porventura, se acharem ali dez?”.

O patriarca Abraão ousou porque tinha uma opinião caridosa sobre o caráter de Sodoma: por pior que fosse, Abraão julgava que houvesse diversas pessoas boas nela. É conveniente que esperemos o melhor dos piores lugares. Henry diz que entre as duas coisas, é melhor errar neste extremo. Infelizmente o patriarca errou, não havia sequer dez justos naquele lugar.

 

“... e disse: não a destruirei, por amor dos dez.” (Genesis 18.32).

Iavé foi paciente com essas perguntas investigativas do patriarca, demonstrando o tipo de paciência para julgar que Pedro mais tarde mencionou. Uma característica básica de Deus é que Ele não deseja “que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento” (2 Pedro 3:9). Ele disse a Abraão: “não a destruirei, por amor dos dez”. Ele consentiu em poupar os ímpios por amor aos justos.

Visto que “Deus é amor” (1 João 4:8), Sua primeira inclinação não é castigar ou destruir, mas perdoar e salvar, desde que Sua santidade e justiça não sejam comprometidas. Isto significa que jamais devemos considerar Iavé como um avô superindulgente, que faz vista grossa para o pecado, como se este não tivesse importância.

Veja como Deus é rápido para mostrar misericórdia. Ele até procura uma razão para isto. Veja as grandes bênçãos que as pessoas boas são para qualquer lugar, e quão pouco se favorecem aqueles que as odeiam e perseguem.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
02/04/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry – Genesis a Deuteronômio. Rio de Janeiro CPAD, 2008.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201511_01.pdf

 

Colossenses 3:10

Colossenses 3:10 “E vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou;”

 

“E vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento,”

No texto anterior, ele diz que os crentes devem despir-se dos velhos trajes do pecado. “Já vos despistes do velho homem com os seus feitos” (v.9). Uma vez despidos, não poderiam ficar nus. Precisavam de outras vestiduras espirituais. O “velho homem”, que corresponde ao “velho Adão”, em Cristo, é transformado em “nova criatura”: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Coríntios 5.17).

Metaforicamente os colossenses haviam trocado de “roupa”. Assim, acrescenta nesse versículo: “e vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que O criou”. Ele aqui se refere ao “novo homem”, regenerado por Cristo: “Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências” (Romanos 13.14), e feito segundo a sua imagem: “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho” (Romanos 8.29).

Esse novo homem não pode mais viver sob orientação de falsos ensinos, de “filosofias” e “vãs sutilezas” místicas. Ele “se renova para o conhecimento” genuíno das verdades espirituais, que emanam de Cristo, de seu evangelho, da Palavra de Deus. Estudiosos como Pátzia e Ralph entendem que o “novo homem” é o que ressurge das águas batismais. 

Porém, grande parte dos intérpretes é unânime quanto à regeneração concedida através da conversão em Cristo Jesus. Esse novo homem não pode conformar-se com o mundo, mas tem sua mente renovada na comunhão com Cristo (Romanos 12.2); ele é renovado no seu sentido, “segundo Deus, é criado em verdadeira justiça e santidade” (Efésios 4.23,24).

 

“... segundo a imagem daquele que o criou;”

Aquele que o criou evidentemente é Deus, mas a imagem à luz de Colossenses 1.15 parece indicar o ensino cristológico de Paulo. O “novo homem,”, portanto, pode ser entendido como sendo uma referência ao próprio Cristo. Desta maneira, Cristo fica sendo o protótipo ou planta da renovação, tanto no seu começo como na sua continuação.

O propósito deste conhecimento era ajudá-los a serem parecidos com Jesus, o qual fez deles novas criaturas nEle. A renovação contínua pode ser levada a efeito por um aumento regular do verdadeiro conhecimento. Um ator precisa conhecer as características de alguém para representá-lo realisticamente.

Num sentido mais amplo, nós precisamos conhecer como Cristo é para sermos renovados e nos desenvolvermos segundo a Sua imagem. Depois de entrar em Cristo e revestir-se dEle (Gálatas 3:27), os colossenses deveriam tornar-se como Aquele que preencheu suas vidas. O alvo de todo convertido é olhar para Jesus a fim de desenvolver a natureza dEle. Entendendo Aquele que nos criou, podemos começar a desenvolver as Suas virtude.

Em 2 Coríntios 3:18 Paulo expressou este alvo da seguinte maneira: “E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito”.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
02/04/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

RENOVATO, Elinaldo. Colossenses – a perseverança da igreja na palavra nesses dias difíceis e trabalhosos. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201312_01.pdf

Gênesis 17:15

Gênesis 17:15 “Disse Deus mais a Abraão: A Sarai tua mulher não chamarás mais pelo nome de Sarai, mas Sara será o seu nome.”

 

“Disse Deus mais a Abraão: A Sarai tua mulher não chamarás mais pelo nome de Sarai,”

Antes deste capítulo, Deus fez a Abraão a promessa de um filho; mas Ele não fez referência a Sarai ser a mãe do menino. Certamente foi por isso que Sarai convenceu o marido de que a maternidade através de Agar era o meio lógico de cumprir a profecia do Senhor. Iavé descartou essa estratégia no capitulo 16 e aqui Ele confirmou explicitamente que a posteridade se daria através de Sarai.

Para deixar isso claro, o Senhor informou ao patriarca que sua mulher teria um novo nome. Nomes novos indicavam novas circunstâncias que agora surgiriam, um novo passo no desenvolvimento do pacto: uma nova intervenção divina nas atividades dos homens. Ela já não se chamaria Sarai; porém Sara. A mudança de nome não significou somente que ela tinha sido admitida ao pacto. Mas mostrou que ela seria uma personagem importante no seu cumprimento.

 

“... mas Sara será o seu nome.”

Embora Deus tenha explicado a mudança de nome de Abraão, Ele não explicou razão alguma para a mudança de nome de sua esposa. Parece que Sarai e Sara são apenas uma forma antiga e outra mais nova da mesma palavra, “princesa”. “Sara” é apenas uma grafia alternativa de “Sarai”. Mas o fato de se lhe dar nome de novo constituiu um marco e a introduziu na promessa por seus próprios direitos.

Sara foi escolhida como aquela por meio de quem nasceria o filho prometido por Deus. Ela tornou-se a princesa absoluta, pois dela descenderia toda a linhagem real, que culminaria no Rei dos reis.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
02/04/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201510_07.pdf

Genesis 17.7

Genesis 17.7 “E estabelecerei o meu concerto entre mim e ti e a tua semente depois de ti em suas gerações, por concerto perpétuo, para te ser a ti por Deus e à tua semente depois de ti.” 

 

“E estabelecerei o meu concerto entre mim e ti e a tua semente depois de ti em suas gerações, por concerto perpétuo,”

Deus afirma que Ele estabelecerá a Sua aliança com Abraão e com sua descendência no decurso das suas gerações, por aliança perpétua. Em contraste com a aliança com Noé, que era universal para “todos os seres viventes”, para “toda carne” e “todas as gerações futuras” (NVI) (Genesis 9:9–12, 15, 16), a aliança com Abraão era somente para a descendência dele através de Sara. Com o desenrolar da história narrada em Gênesis observamos que a promessa se estreita a um ramo da família de Isaque e depois Jacó. Os descendentes de Esaú foram excluídos, juntamente com os filhos de Abraão com Agar e Quetura.

O termo concerto indica um compromisso sólido, baseado na fidelidade divina. A expressão em suas gerações aponta para a transmissão da relação com a descendência de Abraão, não apenas para o presente. O uso de concerto perpétuo reforça que a aliança é para sempre, uma promessa que atravessa os tempos.

 

“... para te ser a ti por Deus e à tua semente depois de ti.”

Um aspecto importante desta aliança é a relação íntima que Iavé teria com eles como Deus deles. O Senhor promete um relacionamento pessoal com Abraão e seus descendentes. Essa essência é pessoal é comparável com a nova relação que o crente tem com Deus, depois de aceitar a Jesus Cristo como seu Salvador pessoal: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome” (João 1.12).

Henry diz que um homem não precisa desejar nada mais do que isto, para ser feliz. Aquilo que Deus é, em si mesmo, Ele o será para o seu povo: a sua sabedoria será deles, para guiá-los e aconselhá-los. Seu poder será deles, para protegê-los e sustentá-los. A sua generosidade será deles para abastecê-los e consolá-los. Aquilo que os adoradores fiéis podem esperar do Deus ao qual servem, os crentes podem encontrar em Deus, como seu.

Por fim, o objetivo é que Deus seja o Deus de Abraão e da sua semente, isto é, que o relacionamento de bênção, orientação e proteção se estenda aos descendentes. Embora exista uma dimensão jurídica da aliança o relacionamento pactual de Deus com o Seu povo é primeiramente de comunhão (Deuteronômio 29.13). Deus graciosamente habita com seu povo e este, agradecidamente deve responde com fé, amor e obediência.

 

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
02/04/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

Henry

Bíblia Shedd – Almeida Revista e Atualizada – Ed. Vida Nova.

BÍBLIA de Estudo Genebra. Tradução de João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada. 2. ed. São Paulo: Cultura Cristã/Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201510_07.pdf

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA 2 DE ABRIL DE 2026 (Gênesis 12:10)


LEITURA BÍBLICA DIÁRIA  
2 DE ABRIL DE 2026
OBSTÁCULOS NO CHAMADO DIVINO

Gênesis 12:10 “E havia fome naquela terra; e desceu Abrão ao Egito, para peregrinar ali, porquanto a fome era grande na terra.”

 

“E havia fome naquela terra;”

Abrão havia tomado a Sarai, sua mulher, a Ló, filho de seu irmão, seus bens, e as almas que lhe acresceram em Harã; e enfim chegaram à terra de Canaã (Gênesis 12:5). Em Canaã Abrão passou por aquela terra até ao lugar de Siquém, até ao carvalho de Moré (Gênesis 12:6). Moveu-se dali para a montanha do lado oriental de Betel (Gênesis 12:8). Depois caminhou Abrão dali, seguindo ainda para o lado do sul. (Gênesis 12:9). E de repente o texto bíblico nos informa que havia fome naquela terra.

Uma fome havia na terra de Canaã, uma fome terrível. Essa é a primeira fome a ser registrada na Bíblia, na história da humanidade. Não há que duvidar, porém, de que muitos outros períodos de fome já haviam ocorrido, embora não tivessem ficado registrados na Bíblia. Adam Clarke via alguma razão moral para a fome. Pois Canaã era uma terra extremamente fértil, “Deus a deixara desolada por causa da iniqüidade de seus ocupantes”.

No entanto essa fome não houve somente para punir a iniqüidade dos cananeus, mas para testar a fé de Abrão, que ali estava. Uma fé forte é normalmente testada com diversas provações, para que se ache em louvor, e honra e glória: “Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo” (1 Pedro 1:7). Pois, às vezes, agrada a Deus provar com grandes aflições aqueles que são apenas jovens iniciantes na fé.

 

“... e desceu Abrão ao Egito, para peregrinar ali,”

Diante de uma fome, Abraão optou por levar sua comitiva de pessoas, rebanhos e gados ao egito, para ali ficar. Evidentemente, Abraão ouvira falar que havia muita comida no Egito. Para Kidner é irreal considerar o Egito como necessariamente território vedado ao povo de Deus neste estágio, pois logo deveria ser-lhe cedido como refúgio, e sua presença ali não invalidaria seu direito a Canaã. Entretanto, tudo indica que Abrão não parou para perguntar, mas prosseguiu por sua própria iniciativa, levando tudo em conta, menos Deus.

Apesar do Egito receber poucas chuvas, a fertilidade do seu solo advinha de chuvas que caíam na África central, as quais faziam o Nilo transbordar anualmente, depositando no solo uma camada rica em nutrientes. Então, quando as águas do Nilo baixavam, tendo encharcado o solo, a terra produzia colheitas abundantes. Muitas pessoas viam o Egito como o manancial do mundo mediterrâneo. Em sua maior parte, diferentemente das terras ao redor, o Egito não era tão suscetível a sofrer com as secas.

 

“... porquanto a fome era grande na terra.”

A razão da migração é repetida aqui com ênfase. Essa fome deve ter ocorrido poucos anos depois da chegada de Abraão em Canaã. Pois ele tinha setenta e cinco anos quando partiu de Harã; e, visto que Ismael, seu filho com a escrava egípcia, tinha treze anos quando Abraão estava com noventa e nove anos, então restam somente oito anos para abrir espaço para os eventos registrados nos capítulos doze a dezesseis de Gênesis.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
21/03/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

Kidner, Derek. Gênesis: introdução e comentário. Trad. Odayr Olivetti.São Paulo: Vida Nova, 2004.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry – Genesis a Deuteronômio. Rio de Janeiro CPAD, 2008.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001. 

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201509_05.pdf

 

quarta-feira, 1 de abril de 2026

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA 1 DE ABRIL DE 2026 (Hebreus 11.1)


LEITURA BÍBLICA DIÁRIA  
1 DE ABRIL DE 2026
ABRAÃO NÃO SABIA DEFINIR A FÉ, MAS A VIVEU

Hebreus 11.1 “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem. “


Este é o mais lido e conhecido dos 13 capítulos da Epístola aos Hebreus. Alguns escritores da Bíblia o tem denominado de “A Galeria dos Heróis da Fé”, visto que ela (a fé) encontra-se presente do começo ao fim deste capítulo, marcando cada acontecimento. Tudo aqui se dá pela fé. A expressão “pela fé” aparece cerca de 20 vezes, para mostrar o que a fé representa para a vida religiosa.

Mais do que um conceito, o autor faz aqui uma afirmação sobre a fé que é oposta àquela que estava sendo demonstrada por seus leitores. Os Hebreus davam sinal de fraqueza espiritual justamente porque estava faltando-lhes a fé. O substantivo grego pistis, traduzido aqui como "fé”, ocorre 243 vezes no Novo Testamento; 30 vezes somente em Hebreus, sendo que, somente no capítulo 11, há o registro dessa palavra 24 vezes.


“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam...” 

A palavra grega traduzida aqui como "fundamento", tem, no texto grego, o sentido de certeza, confiança, segurança. A ARA traduz o termo como certeza: “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam”. Nesse sentido, era usada como atestação ou garantia de uma propriedade. Para o autor, a fé era como ter em mãos um documento que atestava a posse de determinado objeto. A fé nos provê uma garantia da recompensa celestial já agora. Não se trata de uma confiança sem provas; a fé é uma confiança sólida baseada num firme fundamento.

A fé é a nossa certeza (confiança) em relação à nossa esperança. Sem esperança, seríamos desgraçados diante de nossos problemas com o mundo: “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” (1 Coríntios 15:19). É uma confiança baseada não em mero querer, mas nas promessas de Deus.

Fé não é “confiança em si mesmo”, “pensamento positivo” ou “salto no escuro”. A fé, como descrita pelo escritor bíblico, é uma confiança inabalável no caráter de Deus e em sua Palavra, isto é, porque Deus falou, então, nós acreditamos. Essa confiança é fruto da convicção de que Aquele que prometeu irá cumprir o que disse no tempo determinado, pois Ele é fiel, justo, verdadeiro e imutável: “Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação” (Tiago 1:17)

Não pode haver esperança real sem fé, e não pode haver fé real sem esperança. Esperar coisas “que não se veem” é antecipar algo melhor: “Pereceria sem dúvida, se não cresse que veria a bondade do Senhor na terra dos viventes” (Salmos 27:13). Foi essa fé que tornou o céu algo real para Abraão:“Porque esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus” (Hebreus 11:10).

Esse capítulo fala de muitos que agiram “por fé”. A ação obediente resultou da confiança em Deus e em Suas promessas. Deus disse, eu creio e isso basta, é um raciocínio simplista, mas esta frase contém a essência da "fé”.


“... e a prova das coisas que se não veem. “

O termo grego traduzido aqui como "prova”, tem o sentido de "evidência” ou “convicção”. A visão física produz a convicção ou a prova das coisas visíveis; a fé é o órgão que capacita as pessoas a verem a ordem invisível: “Todos estes morreram na fé, sem ter obtido as promessas; vendo-as, porém, de longe, e saudando-as, e confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra. ” (Hebreus 11:13 RA)

Aqui temos um ponto muito importante a considerar. Pessoas há que manipulam este texto para justificar a prática mística do que eles chamam de visualização mental para obtenção do que se deseja. Nesse meio estão certas ramificações da Confissão Positiva.

Tal prática não tem apoio nas Escrituras Sagradas. No contexto do capítulo 11 de Hebreus, “as coisas que não se veem” são as coisas de Deus, “os bens futuros” (Hb 9.11), “as melhores promessas” (Hb 8.6). Isso porque tais “coisas” foram prometidas por Deus em sua Palavra, e esta não pode falhar em nenhuma hipótese.

Há “crentes” que, iludidos pelo seu próprio coração, asseveram que podem aplicar esse texto (v.1) a qualquer coisa. Por exemplo: “eu creio que Deus vai me dar um carro novo, e uma bela casa”. Ora, isso é um desejo, mas não uma promessa de Deus. Pode tornar-se real ou não. É algo condicional e circunstancial.

Paulo exorta o cristão a não atentar “nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; por que as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas” (2 Coríntios 4.18). Aqui, o apóstolo apresenta o contraste entre as coisas visíveis e as invisíveis, as coisas temporárias e as que são eternas. Assim sendo, a orientação paulina ratifica que o crente deve estar sempre de bom ânimo, “porque andamos por fé e não por vista” (2 Coríntios 5.7).

Na marcante comparação anotada por Paulo, duas diferentes visões estão envolvidas: (1) o que pode ser visto pelo olho humano e (2) o que pode ser visto somente pelos olhos espirituais — aquilo que é efêmero e aquilo que é permanente; as coisas terrenas como um processo de dor inevitável, e a celestial como suprema esperança de vida eterna isenta de aflições (Isaías 25.8). Acerca dessa expectativa, o apóstolo acrescenta: “Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra” (Colossenses 3.2). Desse modo, devemos desenvolver uma visão “espiritual” que mantenha um foco firme não no mundo visível desta vida temporal, mas no invisível mundo eterno. Através da fé entendemos que todas as coisas visíveis são resultado de uma ordem do nosso Deus invisível: “Pela fé (Moisés) deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível” (Hebreus 11:27).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
22/8/2023

FONTES:

BAPTISTA, Douglas. A igreja de Cristo e o império do mal – Como viver neste mundo dominado pelo espírito da Babilônia. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201407_01.pdf

SILVA, Severino Pedro da. Epístola aos hebreus: as coisas novas e grandes que Deus preparou para você. Rio de Janeiro: CPAD, 2003

GONÇALVES, José. A supremacia de Cristo: Fé, esperança e ânimo na carta aos Hebreus. Rio de Janeiro: CPAD,2017.

 

terça-feira, 31 de março de 2026

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA 31 DE MARÇO DE 2026 (Genesis 12.1)


LEITURA BÍBLICA DIÁRIA 
31 DE MARÇO DE 2026
O CHAMADO DE ABRAÃO E A ORIGEM DE UMA NAÇÃO

Genesis 12.1 “Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.”

 

“Ora, o SENHOR disse a Abrão:”

Abrão, cujo nome Deus mais tarde mudou para Abraão, havia nascido em uma das principais cidades do mundo antigo, Ur dos caldeus. Ur era o centro de uma rica cultura, uma cidade localizada na mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates, que ostentava uma arquitetura monumental e enorme riqueza. Em sua terra natal Abrão servia “a outros deuses” (Josué 24.2).

O contexto imediato sugere que Deus chamou Abrão quando habitava em Harã, mais tarde Pada-Arã (Genesis 11.31). Todavia o contexto geral da bíblia nos revela que Abrão foi chamado estando na Mesopotâmia (Ur):  “O Deus da glória apareceu a nosso pai Abraão, estando na Mesopotâmia, antes de habitar em Harã” (Atos 7:2). E nos narra posteriormente a mesma história: “E disse-lhe: Sai da tua terra e dentre a tua parentela, e dirige-te à terra que eu te mostrar” (Atos 7:3).

 

“Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai,

Neste chamado, as instruções divinas sobre a partida de Abrão foram bem abrangentes. O vocabulário do chamado passou de coisas gerais para específicas, indicando uma separação completa das relações familiares. Primeiramente, sua “terra” que se remete a região que outrora habitava e em segundo lugar da sua “parentela” que diz respeito ao grupo étnico mais amplo ao qual ele pertencia. Por fim, “casa do teu pai” indicava a família extensiva de Tera, identificada na genealogia de 11:27–32.

No capítulo anterior nos é revelado que toda a casa de Terá, seu pai, havia saído de Ur dos caldeus com destino a Canaã: “E tomou Terá a Abrão seu filho, e a Ló, filho de Harã, filho de seu filho, e a Sarai sua nora, mulher de seu filho Abrão, e saiu com eles de Ur dos caldeus, para ir à terra de Canaã; e vieram até Harã, e habitaram ali” (Gênesis 11:31). Esse fato é nos confirmado por Estevão no Novo Testamento: “Então saiu da terra dos caldeus, e habitou em Harã. E dali, depois que seu pai faleceu, Deus o trouxe para esta terra em que habitais agora” (Atos 7:4).

A mensagem para se afastar da parentela, parece que foi difícil para Abrão. Pois, após sua chamada em Ur toda a sua parentela o acompanhou e possivelmente Abrão não era o líder da jornada (Terá). Então Terá e seus filhos Abrão e Naor e sua famílias deixaram Ur, após a morte do outro filho de Terá, Harã, e enfim chegaram a cidade de Harã, na Síria. E naquele lugar faleceu Terá.

Em Harã Abrão deixa seu irmão Naor e sua casa, mas leva consigo o filho do seu finado irmão Harã, Ló: “Assim partiu Abrão como o Senhor lhe tinha dito, e foi Ló com ele; e era Abrão da idade de setenta e cinco anos quando saiu de Harã” (Gênesis 12:4). Mais tarde Abrão teve também, de se afastar dele. Disse Abrão ao seu sobrinho Ló: “Não está toda a terra diante de ti? Eia, pois, aparta-te de mim; e se escolheres a esquerda, irei para a direita; e se a direita escolheres, eu irei para a esquerda” (Gênesis 13:9).

 

“... para a terra que eu te mostrarei.”

Apesar de Canaã ser o destino da família de Abrão quando saíram de Ur dos caldeus. O texto bíblico de Hebreus confirma que Abrão não sabia o lugar: “Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia” (Hebreus 11:8). Essa ação do patriarca o transformou no “pai da fé”. Essa afirmação "pai da fé" é fundamentada na Bíblia, principalmente através dos ensinamentos de Paulo em Romanos 4:11-16 e Gálatas 3, onde ele é descrito como o pai espiritual de todos os que crêem, tanto judeus quanto gentios, por ter confiado nas promessas de Deus.

Henry comenta que Deus não diz: “E uma terra que eu te darei”, mas apenas: “uma terra que eu te mostrarei”. Tampouco Ele lhe diz qual era esta terra, nem que tipo de terra era. Mas ele devia seguir a Deus com uma fé implícita, e aceitar a palavra de Deus sobre a terra, de maneira geral, embora não tivesse recebido nenhuma garantia especial de que não sairia perdendo ao deixar a sua terra para seguir a Deus.

Observe que aqueles que lidam com Deus, devem lidar com a mesma confiança que Abrão. Nós devemos substituir todas as coisas que são vistas por coisas que não são vistas, e submeter-nos às aflições deste tempo presente esperando uma glória que ainda há de ser revelada (Romanos 8.18). Pois ainda não é manifesto o que havemos de ser (1 João 3.2), não mais do que a Abrão, quando Deus o chamou a uma terra que lhe mostraria, ensinando-o, assim, a viver dependendo constantemente da sua orientação, e com seus olhos voltados para Ele.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
17/03/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 10ª Edição. Rio de Janeiro: CPAD, 2012

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry – Genesis a Deuteronomio. Rio de Janeiro CPAD, 2008.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201509_05.pdf

 

segunda-feira, 30 de março de 2026

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA 30 DE MARÇO DE 2026 (Gênesis 12.3)

 
LEITURA BÍBLICA DIÁRIA 
30 DE MARÇO DE 2026
O CHAMADO PARA TODAS AS FAMÍLIAS DA TERRA

Gênesis 12.3 “E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra. “


“E abençoarei os que te abençoarem, “

As palavras de Deus enfatizam a proximidade do relacionamento entre Ele e o patriarca Abrão, bem como Sua preocupação com ele. Todo indivíduo que se relacionasse corretamente com Abrão, Deus abençoaria. Palavras semelhantes foram mais tarde usadas por Isaque, que sem saber abençoou Jacó pensando ser Esaú: “Sirvam-te povos, e nações se encurvem a ti; sê senhor de teus irmãos, e os filhos da tua mãe se encurvem a ti; malditos sejam os que te amaldiçoarem, e benditos sejam os que te abençoarem” (Gênesis 27:29). Elas também foram ditas pelo profeta Balaão, que recebeu permissão do Senhor para pronunciar somente bênçãos sobre a nação de Israel “Encurvou-se, deitou-se como leão, e como leoa; quem o despertará? Benditos os que te abençoarem, e malditos os que te amaldiçoarem” (Números 24:9).

Deus promete ser um amigo dos seus amigos, a considerar as gentilezas feitas a Abrão como feitas a Ele mesmo, e a recompensá-las adequadamente. Deus irá cuidar para que ninguém saia perdedor, no longo caminho, por nenhum serviço feito pelo seu povo. Até mesmo um copo de água fria será recompensado: “Porquanto, qualquer que vos der a beber um copo de água em meu nome, porque sois discípulos de Cristo, em verdade vos digo que não perderá o seu galardão” (Marcos 9:41).


“... e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; “

Ao inverso da promessa anterior, quem amaldiçoasse Abraão seria amaldiçoado por Deus, uma vez que tal pessoa não estava se relacionando corretamente com o instrumento escolhido por Deus para trazer bênçãos ao mundo inteiro. Inimigos poderiam amaldiçoar Abraão de várias maneiras: falando mal dele e denegrindo sua reputação, impedindo-o, infligindo danos a ele ou tomando algo (ou alguém) que pertencesse a ele.

Por exemplo, Faraó não se relacionou corretamente com o patriarca porque lhe tomou a esposa para o seu harém (Genesis 12:10–17). Embora tivesse feito isso na ignorância, sem saber que ela era casada, Faraó provocou maldições de Deus (doenças e “pragas”) sobre toda a sua casa com esta ofensa contra Abraão.

“... e em ti serão benditas todas as famílias da terra. “

Esta foi a promessa que coroou todas as demais. Pois ela aponta para o Messias, em quem todas as promessas são cumpridas. Este é o ponto alto e o objetivo final do chamado de Abraão: Em ti serão benditas todas as famílias da terra. No versículo 2, Deus havia exortado o patriarca a “ser uma bênção” e agora Ele estendia essa incumbência: Abraão deveria ser um canal de bênçãos a alcançar além das pessoas do seu círculo imediato de parentes, amigos e conhecidos.

De fato, a promessa final era impressionante, pois continha uma bênção que deveria beneficiar todas as famílias e povos da terra – até nações estrangeiras, como as mencionadas nos capítulos 4 a 11, além de todos que surgiriam futuramente. Abraão deveria ser o progenitor de um povo através do qual bênçãos divinas fluiriam, culminando na vinda de Jesus Cristo como seu “descendente” (semente) prometido e “o Salvador do mundo” (João 4:42; Atos 3:25; Gálatas 3:8; 1 Timóteo 2:3–6). A promessa não era só de uma terra, mas também do Descendente Prometido, Jesus Cristo, e todas as bênçãos que Ele transmitiria a nós: “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, que é Cristo” (Gálatas 3:16)

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
27/9/2023

FONTES:

GABY, Wagner. Até os confins da terra – Pregando o evangelho a todos os povos até a volta de Cristo. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201509_05.pdf

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry – Genesis a Deuteronômio. Rio de Janeiro CPAD.

 

domingo, 29 de março de 2026

1 Tessalonicenses 5:14

1 Tessalonicenses 5:14 “Rogamo-vos, também, irmãos, que admoesteis os desordeiros, consoleis os de pouco ânimo, sustenteis os fracos, e sejais pacientes para com todos.”

 

“Rogamo-vos, também, irmãos,”

Nos versículos imediatamente anteriores, Paulo falara da necessidade da comunidade respeitar seus líderes. Agora passa a aconselhar a comunidade sobre o modo de tratar as pessoas com problemas e necessidades espirituais especiais. O contraste expressado por “também” e irmãos não é, portanto, entre dois grupos diferentes, mas entre dois tipos diferentes de atitude que as mesmas pessoas devem mostrar a dois grupos diferentes dentro da comunidade.

É verdade que Paulo se dirige especificamente aos líderes que são referidos nos w. 12-13, mas exortações seguintes, que se seguem sem interrupção, são para a igreja toda. Para Paulo, a igreja inteira estava envolvida no mútuo cuidado e não apenas um grupo de líderes. Afinal a tarefa dos líderes é preparar a igreja como um todo para a tarefa do ministério (Efésios 4.11-12).

 

“... que admoesteis os desordeiros,”

Três grupos específicos de pessoas são selecionados para cuidados especiais. O primeiro consiste nos “desordeiros” ou “insubmissos” se referindo àqueles que não mantinham sua posição apropriada, quer no exército, quer na vida civil e infelizmente na igreja. Comentaristas mais antigos preferiam traduzir a palavra grega por “desocupados,” ou “preguiçosos”.

O contexto geral nas cartas a igreja da Tessalônica indica que o tipo específico de desordem que estava em mira achava-se numa recusa de trabalhar e de conformar-se com o estilo de vida normal para empregados. Tais pessoas devem ser admoestadas. Embora, o dever da admoestação teria recaído especialmente aos líderes, que podiam falar com autoridade especial, qualquer membro da igreja poderia sentir que era seu dever espiritual admoestar outro membro: “Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão” (Mateus 18.15).

 

“... consoleis os de pouco ânimo,”

O segundo grupo que precisava de conselho era o dos desanimados. A palavra grega é achada somente aqui no NT e significa “abatido” ou “preocupado” ou “triste”. Seu efeito exato permanece incerto, e é suficientemente amplo para abranger aqueles que estavam com falta de forças para enfrentarem a perseguição, e aqueles que estavam entristecidos ou preocupados com a morte dos seus parentes ou amigos.

A forma óbvia de ajuda para tais pessoas é o encorajamento, expressado anteriormente por Paulo com a mesma palavra grega: “Assim como bem sabeis de que modo vos exortávamos e consolávamos e testemunhávamos, a cada um de vós, como o pai a seus filhos; Para que vos conduzísseis dignamente para com Deus, que vos chama para o seu reino e glória” (1 Tessalonicenses 2:11,12), acerca do seu próprio cuidado pastoral da comunidade.

 

“... sustenteis os fracos,”

Em terceiro lugar, há os fracos. Esta palavra poderia referir-se aos fisicamente enfermos, mas nada no contexto sugere semelhante referência. Em 1 Coríntios 8.9-11; 9.22; Romanos 14.1-2 a palavra é usada para cristãos que estavam fracos na fé e que não tinham a coragem nem o entendimento espiritual para comer carne que talvez não tenha sido abatida da maneira aprovada pela lei judaica, sendo, portanto, imunda. Embora reconheçamos que não temos evidências em prol de tais escrúpulos acerca do alimento e da observância de dias santos em Tessalônica, alguns sugerem que estes problemas provavelmente surgissem em qualquer igreja que possuíssem judeus ela.

Outra possibilidade é que a palavra se refere à fraqueza moral e que tem referência especial àqueles que são tentados à impureza sexual (1 Tessalonicenses 4.3-8). Posto que Paulo  realmente usa esta palavra noutros trechos para referir-se à fraqueza humana que é suscetível à tentação e à pecaminosidade (Romanos 5.6) e assim acha difícil cumprir a vontade de Deus (Romanos 4.19; 8.3, 26).

Independente da exatidão da intenção de Paulo ele nos aconselha amparar a tais pessoas. Aqui, o verbo deve significar apoiar e fortalecer, e se refere de modo muito geral ao apoio oferecido por meio de ficar ao lado dos fracos, ajudando-os a carregar seus fardos: “Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo” (Gálatas 6:2).

 

“... e sejais pacientes para com todos.”

Finalmente, há uma quarta injunção: “sejais pacientes para com todos”. Seja quem for o objeto da advertência ou do socorro, as pessoas que os oferecem devem evidenciar o tipo de paciência que tolera bem as pessoas com seu mau jeito diante de quem ajuda, ou até mesmo sua oposição à ajuda.

A paciência com todos deve ser o vetor que dirige os relacionamentos dentro da igreja. Precisamos ter paciência com um membro fraco, pois ele poderá ser um líder amanhã. Devemos olhar não apenas para aquilo que as pessoas são, mas, principalmente para o que poderão vir a ser. Precisamos ter cuidado para não esmagarmos a cana quebrada ou apagar a torcida que fumega.

Precisamos exercitar a paciência que vai além ensinada por Cristo. A paciência que oferece a outra face, que anda a segunda milha, e abençoa até mesmo aqueles que nos maldizem.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
29/03/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

MARSHALL, Howard. I e II Tessalonicenses - Introdução e Comentário. São Paulo: Mundo Cristão, 1984.

LOPES, Hernandes Dias. 1 e 2 Tessalonicenses: como se preparar para a segunda vinda de Cristo. São Paulo: Hagnos, 2008.

Romanos 12:12

Romanos 12:12 “Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração;”

 

“Alegrai-vos na esperança,”

Mesmo que hoje seja um dia mau, o amor derramado em nossos corações pelo Espírito Santo tem esperança de que amanhã será melhor. Não é concebível um cristão sem esperança. O cristão deve ser essencialmente um otimista. Justamente porque Deus é Deus, o cristão sabe sempre que "o melhor ainda está por vir". Afinal ele conhece a graça suficiente para todas as coisas, e a força que se aperfeiçoa na fraqueza, o cristão sabe que não há empresa demasiado grande para ele. "Não há na vida situações desesperadas; só há homens que desesperaram de si mesmos." Davi louvou assim: “Pereceria sem dúvida, se não cresse que veria a bondade do Senhor na terra dos viventes” (Salmos 27:13).

No capítulo 8 Paulo disse que “os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (Romanos 8. 18). A esperança sempre é motivo para se alegrar. Leon Morris escreveu: Os cristãos do primeiro século geralmente tinham pouco para se alegrar ou esperar neste mundo, mas eles se alegravam no Senhor sempre (Filipenses 4:4) e sabiam que Cristo estava dentro deles, “a esperança da glória” (Colossenses 1:27).

Devemos cruzar os vales da vida com os olhos cravados na esperança da gloriosa volta de Cristo. Esta não é uma esperança vaga nem vazia. E uma esperança segura, que não nos decepciona nem nos deixa envergonhados. William Hendriksen diz que a esperança da salvação futura estimula a alegria presente.

 

 “... sede pacientes na tribulação,”

Porque o amor se alegra na esperança, ele é “paciente na tribulação”. A palavra traduzida por “tribulação” significa basicamente “pressão”, uma pressão que “queima o espírito”. Na época de Paulo, os cristãos compunham um pequeno segmento da sociedade, vulnerável aos editos das autoridades governamentais e alvo fácil de inimigos religiosos. Para o cristão daquela época, a tribulação era um fato da vida: “pois que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus” (Atos 14:22).

A tribulação é pedagógica. Ela gera paciência triunfadora. Não poderíamos exercer a paciência sem o sofrimento, porque sem este não haveria necessidade de paciência. A paciência nasce do sofrimento. As grandes lições da vida, nós as aprendemos no vale da dor. O sofrimento é não apenas o caminho da glória, mas também o caminho da maturidade. O rei Davi afirmou: “Foi-me bom ter passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos” (SaImo 119.71). O patriarca Jó disse que antes do sofrimento conhecia a Deus só de ouvir falar, mas por meio do sofrimento seus olhos puderam contemplar o Senhor (Jó 42.5).

 

Em meio a tribulação, o cristão deve exercer a paciência. “Paciente” significa “permanecer embaixo de”. O amor não desiste; tudo suporta; não pula fora; ele nos impede de abandonar a fé quando as pressões da vida parecem esmagadoras.

 

“... perseverai na oração;”

Um fator importante para estar cheio de esperança e ter paciência é a oração. A oração é a linha de comunicação com o Criador. A oração não é um ato opcional; ela é imprescindível. Em outra passagem Paulo disse: “Orai sem cessar” (1 Tessalonicenses 5:17). A parábola da viúva persistente mostra que a oração intermitente em tempos de crise é o meio pelo qual os discípulos do Reino se valem da justiça do Pai a seu favor. Perseverante” significa “ser firme” ou “agüentar”. Significa “persistir, continuar firmemente”.

Não é certo que existem períodos em que transcorrem dias e semanas sem falar com Deus? Quando um homem deixa de orar se despoja a si mesmo da força de Deus nosso Senhor. Quem persevera na oração se prepara para ser paciente na tribulação e se alegra, afinal possui esperança que suas orações serão ouvidas.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
29/03/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

BARCLAY, William. The Letter to the Romans - Tradução: Carlos Biagini.

Lopes, Hernandes dias. Romanos: o evangelho segundo Paulo. São Paulo, SP: Hagnos 2010.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/Po_lessons/Po_200904_05.pdf