quarta-feira, 25 de março de 2026

Tiago 2:23

Tiago 2:23 “E cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus.”

 

“E cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça,”

A Escritura mencionada é a de Gênesis 15:6: “E creu ele no Senhor, e imputou-lhe isto por justiça”. Gênesis 15:6 originalmente se referia à fé de Abraão de que ele se tornaria pai de um descendente. Mas também é uma declaração geral da confiança de Abraão exemplificada em toda a sua vida, como tenta comprovar Tiago nos acontecimentos subseqüentes.

O que Tiago quer dizer com se cumpriu? Certamente, Gênesis 15.6 não é uma profecia. Alguns dizem que significa “se confirmou” e que essa declaração só foi confirmada na oferta de Isaque, não que a justificação de fato tenha acontecido ali.

Douglas Moo afirma que o verbo plêróõ “cumprir” significa basicamente “encher” ou “encher completamente”, podendo se aplicar a redes de pesca (Mateus 13.48) e casas (João 12.3). De maneira mais típica no Novo Testamento, ele é usado para designar a “plenitude” ou “apogeu”. Assim, não é preciso pensar que Tiago enxergava Gênesis 15.6 como uma profecia que foi “cumprida” mais tarde na vida de Abraão. Em vez disso, o que ele está declarando é que este verso encontrou seu significado e importância últimos na vida de obediência de Abraão.

O verbo “imputado” significa creditar na conta de outro algo que (por direito) não lhe pertence (Salmos 32:2). Deus levou em conta a fé de Abraão, e não a justiça (que Abraão absolutamente não tinha, sendo um pecador); e assim creditou na conta de Abraão a justiça que antes ele não possuía. Isto equivale a dizer, como Paulo (Romanos 4:2ss.), que ele foi “justificado” ou declarado justo. É praticamente o mesmo que “foi perdoado de seus pecados por causa de sua fé perfeita”.

 

“... e foi chamado o amigo de Deus.”

Tiago apresenta um segundo resultado da fé ativa de Abraão: ele foi chamado amigo de Deus. Ele só foi chamado amigo de Deus (pelo menos nas Escrituras) bem depois: “Porém tu, ó Israel, servo meu, tu Jacó, a quem elegi descendência de Abraão, meu amigo” (Isaías 41:8); “Porventura, ó nosso Deus, não lançaste fora os moradores desta terra de diante do teu povo Israel, e não a deste para sempre à descendência de Abraão, teu amigo?” (2 Crônicas 20:7).

Este título de Abraão tornou-se popular na literatura intertestamentária. Tiago o menciona para indicar a posição privilegiada que Abraão recebeu por causa de sua fé profunda e obediência prática.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
25/03/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

MOO, Douglas J. Tiago - Introdução e Comentário. São Paulo: Vida Nova, 1990.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_202207_05.pdf

Hebreus 11:17

Hebreus 11:17 “Pela fé ofereceu Abraão a Isaque, quando foi provado; sim, aquele que recebera as promessas ofereceu o seu unigênito.”

 

“Pela fé ofereceu Abraão a Isaque, quando foi provado;”

Quando Isaque tinha crescido e se tornara um rapaz formoso, aos olhos de seus pais e também aos olhos de todos, Abraão ouviu a voz de Deus. Esta era a oitava vez que Deus falara com ele. Mas esta mensagem não trazia o mesmo teor daquelas anteriores, conforme escreve o autor sagrado: “E aconteceu, depois destas coisas, que tentou Deus a Abraão e disse-lhe: Abraão! E ele disse: Eis-me aqui. E disse: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi” (Genesis 22.1,2).

Todas as demais provações de Abraão foram insignificantes comparadas a essa provação. Deus havia pedido que ele saísse de sua terra, viajasse para terras desconhecidas,que ele mandasse Ismael e sua mãe embora levando apenas um pouco de pão e água. Todavia, quando lhe pediu para colocar Isaque sobre um altar, o patriarca viu-se diante da maior prova.

A palavra grega usada nesse verso indica que ele já estava no processo de oferecer Isaque, quando o anjo do Senhor o deteve. Ele “estava oferecendo” Isaque. Não há dúvida sobre a força da fé de Abraão. Dessa maneira aprendeu Abraão que Deus não deseja sacrifícios humanos. Houve uma época em que os homens consideravam dever sagrado oferecer a Deus os seus primogênitos antes que aprendessem que Deus nunca quereria tais sacrifícios.

 

“... sim, aquele que recebera as promessas ofereceu o seu unigênito.”

Abraão poderia ter apresentado muitas contestações e argumentos plausíveis contra esta ordem: “Pai, isto parece incoerente com o Teu caráter; parece contradizer as Tuas promessas”. Visto que Isaque era uma parte insubstituível das promessas de Deus, Abraão concluiu que Deus o ressuscitaria dos mortos após o sacrifício (v. 19). Ele sabia que Deus estava no controle tanto da vida quanto da morte.

Ao fazer a sua oferta, Abraão demonstrou de modo prático sua confiança em que a morte não era problema para Deus. A morte não pode ser uma barreira nem impedimento para Deus cumprir a promessa da aliança. Independentemente do que Abraão estava pensando, o texto nos diz que assim que a ordem foi dada, Abraão pôs-se a obedecer prontamente, nenhuma objeção poderia vencer sua fé, por isso Abraão viajou cerca de sessenta quilômetros por dois dias, com muito tempo para pensar. Sem dúvida, ele passou noites sem dormir, porém, mesmo assim, prosseguiu com o sacrifício daquele a quem ele amava como a sua própria alma.

É inexata a referência a Isaque como “unigênito”, pois Abraão aqui já tinha dois filhos: Ismael e Isaque. Em vez disso, Isaque era o “único filho” nascido por causa de uma promessa aos pais que já haviam passado da idade de procriação. Ou seja, o nascimento dele foi miraculoso.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
25/03/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

SILVA, Severino Pedro. Epístola aos Hebreus – as coisas novas e grandes que Deus preparou para você. Rio de Janeiro CPAD, 2023.http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201407_05.pdf

HARRISON, Everret F; PFEIFFER, Charles F. Comentário Bíblico Moody. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1990.

Barclay, William. The Letter to The Hebrews (Título Original em Inglês). Tradução: Carlos Biagini.

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA 25 DE MARÇO DE 2026 (1 João 1.7)


LEITURA BÍBLICA DIÁRIA 
25 DE MARÇO DE 2026
A COMUNHÃO COM CRISTO E ENTRE OS CRENTES É SUSTENTADA PELO SANGUE PURIFICADOR DE JESUS 

1 João 1.7 “Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.”

 

“Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está,”

Após mostrar as conseqüências de andar nas trevas; agora João descreve o que acontecerá se “ ... andarmos na luz ”. Deus está eterna e necessariamente na luz porque Ele mesmo é luz; os homens são chamados para andar na luz. Deus está na luz porque Ele é sempre fiel a Si próprio e Sua atividade é coerente com a Sua natureza. “ De maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo ” (2 Timóteo 2:13). Devemos andar na luz da Sua santa revelação de Si, e na Sua presença, sem dolo ou desonestidade em nossa mente ou pecado tolerado em nossa conduta.

Como no versículo anterior, “andar” significa viver ou conduzir-se, significado este retomado em 2:6, 11 e 2 João 4, 6; 3 João 3, 4. Compare com Efésios 5:8, “ andai como filhos da luz ”; Efésios 4:1; Romanos 6:4; 13:13. Andar na luz significa conduzir-se em santidade ou liberto do pecado. Descreve ainda “sinceridade absoluta. .. ser, por assim dizer, de um só caráter, não ter nada para esconder, e não fazer tentativa nenhuma para esconder nada.”

 

“... temos comunhão uns com os outros,”

São-nos dados dois resultados disto. Primeiro, mantemos comunhão uns com os outros. Visto que no versículo 6 João declarou que andar nas trevas impede a comunhão com Deus, esperar-se-ia que no versículo 7 ele expressasse a verdade oposta de que, se andamos na luz, gozamos comunhão com Deus.

Sem dúvida isto é verdade, mas, caracteristicamente, ele se move um passo adiante e afirma que andar na luz leva àquela comunhão uns com os outros. João já havia indicado a estreita relação entre a nossa comunhão com o Pai e o Filho e a nossa comunhão uns com os outros (v.3). Essa comunhão se efetiva nos dois sentidos e um afeta o outro.

Barclay diz que a comunhão fraternal é resultado da santidade. Nas trevas não há comunhão, mas cumplicidade. Nas trevas não há comunhão, mas parceria no pecado. Porém, se andamos na luz, temos comunhão uns com os outros. Nenhuma crença pode ser autenticamente cristã se separar o homem de sua relação com os demais. Nada que destrua a comunhão fraternal pode ser verdadeiro.

 

“... e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.”

O segundo resultado de andar na luz é que o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado. O fato de andarmos na luz e mantermos comunhão uns com os outros não implica ausência de pecado nem nos torna essencialmente perfeitos e imaculados. Ainda continuamos sujeitos ao pecado, mas temos a promessa da purificação pelo sangue de Jesus.

Seremos iguais a ele somente na glorificação. Agora, porém, nós, que andamos na luz, temos a purificação no sangue de Jesus. Andar na luz, portanto, é confessar pecado; andar nas trevas é ignorar ou negar pecado. Quando andamos na luz temos provisão divina para limpar-nos de todo e qualquer pecado. Essa provisão é o sangue de Jesus, o Filho de Deus.

 O verbo sugere que Deus faz mais que perdoar: Ele apaga a mancha do pecado. E o tempo presente mostra que é um processo continuado. O sacrifício de Cristo foi eficaz não apenas para perdoar os pecados passados, mas também para purificar-nos no presente, dia a dia. Vele acrescentar que o sangue de Jesus purifica não apenas alguns pecados, mas todo pecado. Não há causa perdida para Deus. Não há pecador irrecuperável para Deus. Não há pecado imperdoável para Deus, exceto a blasfêmia contra o Espírito Santo. Jesus nos purifica e nos apresenta a si mesmo como “[...] igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito” (Efésios 5.27).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
13/2/2026

FONTES:

BAPTISTA, Douglas. A Santíssima Trindade - O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

BARCLAY, William. The FirstLetterof John. Tradução: Carlos Biagini. 1974.

STOTT, John. I, II, III João: Introdução e comentário. Edições Vida Nova. São Paulo, SP. 1982:

LOPES, Hernandes Dias. I João: como ter garantia da salvação. São Paulo: Hagnos 2010.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_202212_04.pdf

 

terça-feira, 24 de março de 2026

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA 24 DE MARÇO DE 2026 (Efésios 1.4)

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA 
24 DE MARÇO DE 2026
DEUS NOS ESCOLHEU EM CRISTO DESDE A ETERNIDADE COM O PROPÓSITO DE UMA VIDA SANTA 

Efésios 1.4 “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor;”

 

“Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo,”

O Bendito Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo " ... nos elegeu nele antes da fundação do mundo ". As palavras eleger e escolher têm o mesmo sentido. Deus “nos elegeu nEle...” (v. 4a). A palavra “elegeu” vem de (eklego), que significa “selecionar, escolher. A forma do verbo escolher no grego está no passado, e o significado literal da expressão seria: " escolheu-nos para si mesmo ".

Nesta passagem Deus é quem escolhe; Ele escolhe para Si, ou tem uma preferência, para propósitos divinos. Assim como Deus escolheu Israel para propósitos divinos (Atos 13:17) e Cristo escolheu os apóstolos para propósitos divinos (Lucas 6:13; João 15:16–19), Deus também nos escolheu (ou seja, Paulo e todos os santos que são fiéis em Cristo; v. 1) para propósitos divinos. Assim como o povo de Israel foi escolhido em Abraão, os crentes neotestamentários foram escolhidos em Cristo.

O fato de uma pessoa estar ou não entre os escolhidos é determinado pela própria pessoa somente. Deus decretou que todos que estão em Cristo serão salvos, e Ele nos permite decidir se seremos ou não, como crentes arrependidos, batizados em Cristo (Romanos 6:3). Uma pessoa que obedece ao evangelho está em Cristo e está entre os escolhidos. Pedro falou dos que são “ eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo...” (1 Pedro 1:1, 2). Quando alguém escolhe obedecer a Cristo, esse indivíduo está entre os escolhidos. As Escrituras enfatizam o livre arbítrio do homem. D. L. Moody disse: “Os que disseram sim são os eleitos e os que disseram não são os não-eleitos”.

Ele nos escolheu " ... antes da fundação do mundo ". Quando Paulo usa esse termo ele queria dizer antes do mundo organizado ser criado pelo ato de Deus. Esta expressão aparece pelo menos dez vezes no Novo Testamento grego, e fica evidente nestas ocorrências que “antes da fundação do mundo” significa antes do princípio do mundo e da história da humanidade.

Neste reino que precedeu o tempo, o Filho era amado pelo Pai (João 17:24) e foi pré-ordenado a derramar Seu precioso sangue por nós (1 Pedro 1:18–20). Este plano é eterno, imutável e abrangente. A frase de Paulo aqui certamente pretendia consolar e encorajar seus leitores com o conhecimento de que eles estavam na mente de Deus desde a eternidade.

O ato de escolher-nos antes de todas as coisas revela a presciência de Deus. A questão da presciência divina deu origem à doutrina da predestinação absoluta. Não podemos negar que Deus tem a capacidade de saber quem será salvo e quem se perderá; mas o conceito de Deus determinar arbitrariamente quem estará no céu e quem será lançado no inferno não é bíblico.

O ensino arminiano explica que, “por meio da presciência divina, Deus sabe, desde a eternidade, quais indivíduos creriam e perseverariam na fé, e a essas pessoas Deus elegeu”. Isso, portanto, não implica entender como Calvino, ou seja, que Deus tenha elegido uns para a vida e outros para danação, porque, segundo as Escrituras, Ele não quer “que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se” (2 Pedro 3.9). Desse modo, ratifica-se que tanto a expiação ilimitada como a eleição condicional foram estabelecidas pelo próprio Deus.

 

“...para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor;”

Deus nos elegeu “para sermos santos e irrepreensíveis perante Ele” (v. 4b). No versículo 1 Paulo dirigiu-se aos efésios como “os santos” (hagiois) e aqui ele indicou que os cristãos devem ser “santos” (hagious). A primeira referência é à posição perante Deus dos que estão “em Cristo”, e a segunda indica “a condição moral que compete a essa posição”. Deus diz: “Sede santos, porque eu sou santo” (1 Pedro 1:16). “Irrepreensíveis” é uma tradução (amomos) e significa “sem mancha”, ou “livre de imperfeição, como um animal sacrificial sem mancha ou mácula” (Levítico 22:21). O uso paulino dos termos “santo e irrepreensível” evidencia que as palavras mutuamente se correspondem e complementam-se. O ser santo denota um estado de pureza interior que reflete no ser irrepreensível — uma condição de pureza externa.

Portanto, não se pode conceber que os salvos em Cristo ainda possam viver na prática do pecado (1 João 3.6; 5.18). Deus elegeu-nos e predestinou-nos a viver em santidade. Em conseqüência, os cristãos são exortados quanto ao trato passado: a despojar-se do velho homem (Efésios 4.22), a renovar a mentalidade (4.23) e a revestir-se do novo homem, “que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” (4.24). Essa orientação aponta para a necessidade de uma radical transformação. Despir-se do “velho homem” exige abandonar a velha natureza com as suas paixões, adotar uma nova perspectiva mental e uma nova forma de vida (Colossenses 3.9-10; Romanos 6.6-9).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
13/2/2026

FONTES:

BAPTISTA, Douglas. A Santíssima Trindade - O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

Cabral, Elienai. Comentário Bíblico: Efésios - 3a Ed. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 1999

BAPTISTA, Douglas. A igreja eleita – Redimida pelo sangue de Cristo e selada com o Espírito Santo da promessa. Rio de Janeiro: CPAD, 2020.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201304_04.pdf

 

segunda-feira, 23 de março de 2026

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA 23 DE MARÇO DE 2026 (1 Pedro 1.2)


LEITURA BÍBLICA DIÁRIA 
23 DE MARÇO DE 2026
A SALVAÇÃO É FRUTO DO PLANO ETERNO DO PAI POR MEIO DE SUA PRESCIÊNCIA 

1 Pedro 1.2 “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas. “

 

“Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, “

Os propósitos de Deus previstos desde a eternidade foram concretizados quando os Seus “eleitos” passaram a incluir todos que confessam a fé em Jesus, o Cristo. O corpo eleito de que consiste de todo aquele que escolheu considerar os céus como sua residência permanente, e que já virou as costas ao mundo.

Quando os autores inspirados do Novo Testamento escreveram sobre a “presciência” de Deus, o assunto era a Sua “presciência” em relação à salvação revelada no Filho. Trata-se da presciência a respeito do novo Israel, a Sua igreja. Pedro acreditava que era importante os cristãos, fossem pagãos ou judeus de nascença, entenderem que o Deus que Se revelara a Israel era o mesmo Deus que Se revelou em Jesus de Nazaré.

Ou seja, a igreja não era uma ideia de última hora de Deus. Ela sempre esteve na mente de Deus. Deus sabia de antemão e predeterminara que deveria existir uma igreja de Jesus Cristo, um povo escolhido que englobaria não só Israel, mas toda a humanidade.

 

“... em santificação do Espírito, “

A expressão em santificação do Espírito ou “ em santidade de Espírito ”, declara que os “eleitos” de Deus foram transformados em santos pela ação do Espírito. A mesma frase ocorre em 2 Tessalonicenses 2:13, onde certas traduções dizem “ através da santificação pelo Espírito ”.

O Espírito santifica o crente (Atos 2:38) e lhe ajuda a viver piedosamente. O crente é denominado “santo” no sentido de que a sua vida é um reflexo da própria santidade de Deus (1 Pedro 1:15, 16). Ele é santo porque foi separado pelo Espírito para ser um dos eleitos de Deus.

 

“... para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: “

A santificação concedida ao crente pelo Espírito Santo visa a sua obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo. Pedro estava lembrando seus leitores de que a santificação não é um ato passivo realizado no cristão. O próprio crente opta por seguir a vontade de Deus de modo que a vontade de Deus se torne a sua própria vontade.

Por um lado, Cristo santifica (1 Coríntios 1:30). Por outro lado, a santificação é um imperativo moral imposto ao crente. É um ato de obediência que deve ocorrer com perseverança até a vinda do Senhor: “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12.14).

Afinal, Pedro está falando de um contínuo derramar que acompanha a perseverante obediência do que é santificado. Eis como João trata desse mesmo assunto: “Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1 João 1.7).

 

“Graça e paz vos sejam multiplicadas. “

O apóstolo começou a segunda carta com estas mesmas palavras em grego (2 Pedro 1:2). Paulo costumava usar as palavras “graça e paz” nos cumprimentos de suas cartas. Pedro acrescentou o desejo de que elas se multiplicassem a seus leitores.

Essas palavras eram muito mais do que uma formalidade. Pedro queria comunicar àqueles cristãos seus mais profundos desejos de que a graça e os dons gratuitos de Deus, juntamente com uma paz divina, fossem característicos em suas vidas.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
9/1/2025

FONTES:

SOARES, Esequias. Em defesa da fé: Combatendo as antigas heresias, que se apresentam com nova aparência. Rio de Janeiro: CPAD, 2024.

HORTON, Stanley. I e II Pedro – A razão da nossa Esperança. Rio de Janeiro: CPAD.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201409_02.pdf

 

domingo, 22 de março de 2026

Lição 13: A Trindade Santa e a Igreja de Cristo. 1 Trimestre de 2026.

TEXTO ÁUREO

Mateus 28.19 “Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”.


“Portanto, ide,” 

Esse versículo nos orienta de maneira cronológica a maneira que deve ser anunciada a Grande Comissão. Em primeiro lugar deve-se ir onde estão as pessoas sendo longe ou perto. Nosso Senhor fez o mesmo quando desceu do céu (saiu da zona de conforto), não tendo aspiração de ser semelhante a Deus (ignorou seu título, sua glória) e assumiu a forma de servo (fez-se semelhante a nós). E uma vez na nossa forma foi não somente as ovelhas perdidas da Casa de seu Pai: “Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo bem, e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele” (Atos 10:38). 

Cristo foi o enviado do Pai, agora nós que somos conhecidos pelo seu nome somos os enviados dEle: “Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco; assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós“ (João 20:21). Ou seja, devemos nos despojar de todo o nosso orgulho e conquistas, deixar a zona de conforto e nos misturarmos com aqueles que estão nas trevas a fim de os resgatar para a nossa maravilhosa luz: ”E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo “ (Filipenses 3:8). 


“... ensinai todas as nações,” 

Em segundo lugar deve-se ensinar todas as nações, afinal o nosso alvo é toda a criatura independente de cultura, passado, idade ou aparência. Era previsto na palavra que o Messias seria mestre nessa disciplina: “Bom e reto é o Senhor; por isso ensinará o caminho aos pecadores ” (Salmos 25:8), e de fato o foi, ora de causar espanto: ”porquanto os ensinava como tendo autoridade; e não como os escribas" (Mateus 7:29). 

Nós igreja do Senhor, somos chamados a realizar as mesmas obras que ele realizou, sobre esse importante ministério o apóstolo Paulo nos exorta: ...”se é ensinar, haja dedicação ao ensino" (Romanos 12:7). Ensinar para tornar nosso ouvinte um novo discípulo de Cristo. Discípulo é aquele que aprende de um mestre. O termo se aplica com frequência nos evangelhos aos seguidores de Jesus (Mateus 5.1; João 2.12). 

Disso segue o discipulado, ensino para ser seguidor de Cristo, ou seja, o ensino bíblico básico para o novo convertido desenvolver-se espiritualmente. Trata-se de instruções que abrangem vários aspectos da vida, na área espiritual, emocional e social. O discipulado não é opção, é mandamento divino para a edificação e crescimento espiritual de cada cristão. 

Além do discipulado, Ele também ordenou que esses novos discípulos guardem o que aprenderam: “ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mateus 28.20). Ou seja, as doutrinas e os pontos doutrinários que Jesus ensinou. O livro de Atos mostra os apóstolos no cumprimento dessa palavra (Atos 2.42; 4.1,2; 5.21,28). 


“batizando-as” 

Em terceiro lugar “batizando-as”. O batismo é uma ordenança de Cristo. Na língua original do Novo Testamento, o grego, a palavra batismo (baptizō) significa “imergir”, “mergulhar”. Todos os que creem devem ser batizados, porém para isso é necessário ser discípulo e não apenas ouvinte. 

Muitos usam o texto do Eunuco etíope para justificar que para se batizar basta somente crer. Analise o texto: “ E, indo eles caminhando, chegaram ao pé de alguma água, e disse o eunuco: Eis aqui água; que impede que eu seja batizado? E disse Filipe: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus ” (Atos 8:36,37). Veja porem que o texto possui contexto e nos diz nele que esse eunuco “tinha ido a Jerusalém para adoração” o que quer dizer que era prosélito (Gentio convertido ao judaísmo) e “assentado no seu carro, lia o profeta Isaías” era conhecedor e estudante das doutrinas do judaísmo, ele possuía um rolo do profeta Isaías e estudava durante a viagem. Felipe na oportunidade lhe indicou Cristo e lhe esclareceu que a profecia que o eunuco lia se referia ao seu recente advento. E acontecendo assim, ele pediu para ser batizado. 

Ora, o eunuco não era um leigo das escrituras como a maioria dos judeus também não eram. Porém a nós gentios é esclarecido “Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo ” (Efésios 2:12). O que quero dizer é que na maioria das vezes muitos de nós somos leigos acerca das coisas de Deus. Por isso é sim necessário o discipulado básico ao menos. 


“... em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” 

Por último em Mateus 28.19, encontramos a fórmula do batismo na expressão: “do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”, pois a salvação procede do Pai que a planejou; do Filho, que a consumou; e do Espírito Santo que convence o homem do pecado que o separa de Deus.. 

A fórmula tríplice do batismo é uma maneira de ressaltar a Santíssima Trindade: O Pai, o Filho e o Espírito Santo. A Trindade é uma doutrina com sólidos fundamentos bíblicos. Essa doutrina está implícita no Antigo Testamento, pois há declarações que indicam claramente a pluralidade na unidade de Deus (Gênesis 1.26; 3.22; 11.6, 7; Isaías 6.8). 

Apesar da ênfase da doutrina monoteísta como o shemá: “Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR” (Deuteronômio 6.4) reafirmada pelo Senhor Jesus (Marcos 12.29), o Antigo Testamento mostra que a unidade de Deus não é absoluta. E o Novo Testamento revela de maneira explicita que essa pluralidade se restringe ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo (1 Coríntios 12.4-6; 2 Coríntios 13.13; Efésios 4.4-6; 1 Pedro 1.2).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR 
17/03/2021 

FONTES: 

SOARES, Esequias. O Verdadeiro Pentecostalismo: A atualidade da doutrina bíblica sobre a atuação do Espírito Santo. Rio de Janeiro: CPAD, 2020. 

MENZIES, W. W.; HORTON, S. M. Doutrinas bíblicas: os fundamentos da nossa fé. 5.ed., RJ: CPAD, 2005.

 

sábado, 21 de março de 2026

Genesis 12.7

Genesis 12.7 “E apareceu o SENHOR a Abrão e disse: À tua semente darei esta terra. E edificou ali um altar ao SENHOR, que lhe aparecera.” 

 

 “E apareceu o SENHOR a Abrão e disse: À tua semente darei esta terra.”

Segundo o relato de Gênesis, esta é a primeira menção de uma teofania a Abraão (Gênesis 15:17; 17:1; 18:1), e ocorreu em Siquem, embora Estêvão tenha se referido a uma anterior em Ur, relacionada ao seu primeiro chamado (Atos 7:2). A forma dessa manifestação divina não está clara; mas, de qualquer maneira, ela confirmou ao patriarca a presença do Senhor naquela nova terra.

Iavé então prometeu: Darei à tua descendência esta terra, embora Abraão não tivesse herdeiros até aquele momento. O termo traduzido por “descendência” é o hebraico (zera), que significa literalmente “semente”. Ele é regularmente usado como um substantivo coletivo e assim traduzido, “descendência”. Neste contexto, é evidente que a “descendência” ou “a semente” de Abraão se refere aos israelitas, que descenderiam dele e herdariam a Terra Prometida, sendo este um tema recorrente em todas as narrativas de Gênesis. Essa promessa é aqui antecipada, pois ela ainda se completará mais tarde. Ela é conhecida como aliança abraâmica.

 

“E edificou ali um altar ao SENHOR, que lhe aparecera.”

Em resposta à teofania e à promessa precedentes, o primeiro ato de Abraão foi edificar um altar ao Senhor. Antes de ir adiante, ele sentiu que deveria parar e adorar ao Senhor. Então levantou um altar. Ele expressou gratidão e louvor a Iavé, o qual o conduziu em segurança pelo longo e perigoso caminho da Mesopotâmia a Harã e dali até Canaã.

Esta é a primeira referência clara a Abraão edificar um altar. Não há aqui a menção de animais sacrificados, dizem alguns que o altar foi apenas um símbolo da fé do patriarca em que seus descendentes um dia receberiam a terra que Deus lhes prometera. Todavia, quase desde o começo de Gênesis, lemos que sacrifícios foram feitos a Deus.

Abel ofereceu animais a Deus: “E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura; e atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta” (Gênesis 4:4), Noé fez o mesmo após o dilúvio: “E edificou Noé um altar ao Senhor; e tomou de todo o animal limpo e de toda a ave limpa, e ofereceu holocausto sobre o altar” (Gênesis 8:20) e Abraão mais tarde queimou um carneiro num altar em lugar de seu filho Isaque: “Então levantou Abraão os seus olhos e olhou; e eis um carneiro detrás dele, travado pelos seus chifres, num mato; e foi Abraão, e tomou o carneiro, e ofereceu-o em holocausto, em lugar de seu filho” (Gênesis 22:13).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
21/03/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201509_05.pdf


Gênesis 12:17

Gênesis 12:17 “Feriu, porém, o Senhor a Faraó e a sua casa, com grandes pragas, por causa de Sarai, mulher de Abrão.”

 

“Feriu, porém, o Senhor a Faraó e a sua casa, com grandes pragas,”

Deus interveio e puniu Faraó e a sua casa com grandes pragas porque ele levara Sara, mulher de Abrão. Deus feriu a Faraó, e desta maneira evitou o progresso do seu pecado. Observe que são ferimentos felizes aqueles que nos impedem de seguir um caminho de pecado, e que efetivamente nos trazem ao nosso dever, em particular, ao dever de restaurar aquilo que tomamos e detivemos erradamente. Observe que não somente Faraó, mas a sua casa, foram vítimas de pragas, provavelmente especialmente aqueles príncipes que tinham recomendado Sarai a Faraó. Observe que os parceiros no pecado se tornam, com razão, parceiros na punição. Aqueles que servem a luxúria de outros devem esperar compartilhar das suas pragas.

A Bíblia não indica a natureza das pragas que o Senhor mandou contra a casa do Faraó. O termo hebraico (nega) geralmente se refere a doenças que uma pessoa pode ter contraído de outra, como doenças de pele ou lepra (Levítico 13 e 14). Todavia, às vezes pragas aconteciam como resultado direto de uma punição divina, como no caso do Egito nos dias de Moisés (Êxodo 11:1) e a lepra que Deus infligiu ao rei Uzias (2 Reis 15:5). Seja como for, as pragas aqui mencionadas fazem-nos lembrar o que sobreveio ao Egito tempos mais tarde, por causa da presença do povo de Israel naquela terra. Tais calamidades tinham por fim levar Faraó a liberar Sarai e a expulsar do Egito Abrão e sua gente.

 

“... por causa de Sarai, mulher de Abrão.”

Nós não sabemos quais foram estas pragas. Mas sem dúvida havia algo nas pragas propriamente ditas, ou alguma explicação acrescentada a elas, suficiente para convencê-los de que foi por causa de Sarai que estas pragas lhes sobrevieram. Sarai havia sido levada para a casa de Faraó (v.15). A residência real era o local onde ele mantinha o seu harém. Uma mulher que tivesse de ser incluída em um harém real passava por um período de purificações cerimoniais, como uma preparação para incorporar esse harém.  Foi durante esse período que houve a intervenção divina.

O Faraó evidentemente creu que as pragas provinham de um deus que o amaldiçoava porque ele tomara a mulher de Abrão. Considerando que o Faraó acreditava ser ele mesmo um deus, ele só teria reagido com respeito diante de Abrão e Sarai, se estivesse mesmo convencido de que um deus poderoso o estava castigando por causa do casal. Nisto ele estava certo, pois Deus prometeu a Abraão: “amaldiçoarei os que te amaldiçoarem” (12:3). Pelo menos neste contexto, o Faraó não agiu corretamente com Abraão ao tomar sua mulher. Por isso ele sofreu maldições (pragas).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
21/03/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry – Genesis a Deuteronômio. Rio de Janeiro CPAD, 2008.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001. 

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201509_05.pdf


Gênesis 12:16

Gênesis 12:16 “E fez bem a Abrão por amor dela; e ele teve ovelhas, vacas, jumentos, servos e servas, jumentas e camelos.”

 

“E fez bem a Abrão por amor dela;”

Sarai havia sido tomada de Abrão por Faraó. Para compensar Abrão pela perda da suposta irmã. Faraó presenteou-o generosamente com ovelhas, bois, jumentos, escravos e escravas, jumentas e camelos. Esse pagamento deveria ser entendido como um“dote”.

Quando chegou no Egito, Abraão já era um homem rico. E agora, tendo sido favorecido peio próprio rei, como futuro cunhado, muito aumentaram as suas possessões materiais e o seu prestígio.

 

“... e ele teve ovelhas, vacas, jumentos, servos e servas, jumentas e camelos.”

Os animais e escravos aqui enumerados estavam tipicamente associados a pessoas ricas, sobretudo no período patriarcal (20:14; Jó 1:3). Neste período primitivo da história, o fator determinante da riqueza de um indivíduo não era dinheiro no banco nem investimentos em ações e títulos. A riqueza estava basicamente no gado e nos escravos; ou seja, contava-se a riqueza de uma pessoa pelo número de animais que ela possuía e pela quantidade de escravos que pastoreavam o seu gado.

Com base nisto, Abraão enriqueceu ainda mais. O mesmo aconteceu com Ló, que deve ter acompanhado Abraão no Egito (veja 13:1), embora o relato não o mencione. O próximo capítulo relata que os rebanhos e gados dos dois eram tão grandes que surgiu uma disputa entre os servos por pastos suficientes para todos os animais.

A menção de “camelos” como parte do presente de Faraó a Abraão geralmente é vista como um anacronismo por alguns eruditos bíblicos, pois esses animais só passaram a ser comuns no mundo antigo na última parte do segundo milênio a.C. Todavia, hoje existem algumas evidências de camelos domesticados no segundo milênio a.C. no sul da Arábia. E na região do Neguebe (sul) da antiga Canaã, ossos de camelos foram descobertos em contextos humanos em Arade, datando de cerca de 2900 a.C., e em Bir Residim, datando de 1900 a.C.

Esta última data não é muito posterior ao tempo de Abraão. A escassez de referências a camelos nos relatos antigos pode ser devida a eles serem considerados um artigo de luxo. Nesse caso, as referências antigas a esses animais em Gênesis só enfatizam a riqueza dos patriarcas (13:2; 24:10; 26:12–14; 31:34).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
21/03/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201509_05.pdf

Gênesis 12:10

Gênesis 12:10 “E havia fome naquela terra; e desceu Abrão ao Egito, para peregrinar ali, porquanto a fome era grande na terra.”

 

“E havia fome naquela terra;”

Abrão havia tomado a Sarai, sua mulher, a Ló, filho de seu irmão, seus bens, e as almas que lhe acresceram em Harã; e enfim chegaram à terra de Canaã (Gênesis 12:5). Em Canaã Abrão passou por aquela terra até ao lugar de Siquém, até ao carvalho de Moré (Gênesis 12:6). Moveu-se dali para a montanha do lado oriental de Betel (Gênesis 12:8). Depois caminhou Abrão dali, seguindo ainda para o lado do sul. (Gênesis 12:9). E de repente o texto bíblico nos informa que havia fome naquela terra.

Uma fome havia na terra de Canaã, uma fome terrível. Essa é a primeira fome a ser registrada na Bíblia, na história da humanidade. Não há que duvidar, porém, de que muitos outros períodos de fome já haviam ocorrido, embora não tivessem ficado registrados na Bíblia. Adam Clarke via alguma razão moral para a fome. Pois Canaã era uma terra extremamente fértil, “Deus a deixara desolada por causa da iniqüidade de seus ocupantes”.

No entanto essa fome não houve somente para punir a iniqüidade dos cananeus, mas para testar a fé de Abrão, que ali estava. Uma fé forte é normalmente testada com diversas provações, para que se ache em louvor, e honra e glória: “Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo” (1 Pedro 1:7). Pois, às vezes, agrada a Deus provar com grandes aflições aqueles que são apenas jovens iniciantes na fé.

 

“... e desceu Abrão ao Egito, para peregrinar ali,”

Diante de uma fome, Abraão optou por levar sua comitiva de pessoas, rebanhos e gados ao egito, para ali ficar. Evidentemente, Abraão ouvira falar que havia muita comida no Egito. Para Kidner é irreal considerar o Egito como necessariamente território vedado ao povo de Deus neste estágio, pois logo deveria ser-lhe cedido como refúgio, e sua presença ali não invalidaria seu direito a Canaã. Entretanto, tudo indica que Abrão não parou para perguntar, mas prosseguiu por sua própria iniciativa, levando tudo em conta, menos Deus.

Apesar do Egito receber poucas chuvas, a fertilidade do seu solo advinha de chuvas que caíam na África central, as quais faziam o Nilo transbordar anualmente, depositando no solo uma camada rica em nutrientes. Então, quando as águas do Nilo baixavam, tendo encharcado o solo, a terra produzia colheitas abundantes. Muitas pessoas viam o Egito como o manancial do mundo mediterrâneo. Em sua maior parte, diferentemente das terras ao redor, o Egito não era tão suscetível a sofrer com as secas.

 

“... porquanto a fome era grande na terra.”

A razão da migração é repetida aqui com ênfase. Essa fome deve ter ocorrido poucos anos depois da chegada de Abraão em Canaã. Pois ele tinha setenta e cinco anos quando partiu de Harã; e, visto que Ismael, seu filho com a escrava egípcia, tinha treze anos quando Abraão estava com noventa e nove anos, então restam somente oito anos para abrir espaço para os eventos registrados nos capítulos doze a dezesseis de Gênesis.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
21/03/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

Kidner, Derek. Gênesis: introdução e comentário. Trad. Odayr Olivetti.São Paulo: Vida Nova, 2004.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry – Genesis a Deuteronômio. Rio de Janeiro CPAD, 2008.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001. 

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201509_05.pdf