Gênesis 12:10 “E havia fome naquela terra; e desceu Abrão ao Egito, para peregrinar ali, porquanto a fome era grande na terra.”
“E havia fome naquela terra;”
Abrão havia tomado a Sarai, sua mulher, a Ló, filho de seu irmão, seus bens, e as almas que lhe acresceram em Harã; e enfim chegaram à terra de Canaã (Gênesis 12:5). Em Canaã Abrão passou por aquela terra até ao lugar de Siquém, até ao carvalho de Moré (Gênesis 12:6). Moveu-se dali para a montanha do lado oriental de Betel (Gênesis 12:8). Depois caminhou Abrão dali, seguindo ainda para o lado do sul. (Gênesis 12:9). E de repente o texto bíblico nos informa que havia fome naquela terra.
Uma fome havia na terra de Canaã, uma fome terrível. Essa é a primeira fome a ser registrada na Bíblia, na história da humanidade. Não há que duvidar, porém, de que muitos outros períodos de fome já haviam ocorrido, embora não tivessem ficado registrados na Bíblia. Adam Clarke via alguma razão moral para a fome. Pois Canaã era uma terra extremamente fértil, “Deus a deixara desolada por causa da iniqüidade de seus ocupantes”.
No entanto essa fome não houve somente para punir a iniqüidade dos cananeus, mas para testar a fé de Abrão, que ali estava. Uma fé forte é normalmente testada com diversas provações, para que se ache em louvor, e honra e glória: “Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo” (1 Pedro 1:7). Pois, às vezes, agrada a Deus provar com grandes aflições aqueles que são apenas jovens iniciantes na fé.
“... e desceu Abrão ao Egito, para peregrinar ali,”
Diante de uma fome, Abraão optou por levar sua comitiva de pessoas, rebanhos e gados ao egito, para ali ficar. Evidentemente, Abraão ouvira falar que havia muita comida no Egito. Para Kidner é irreal considerar o Egito como necessariamente território vedado ao povo de Deus neste estágio, pois logo deveria ser-lhe cedido como refúgio, e sua presença ali não invalidaria seu direito a Canaã. Entretanto, tudo indica que Abrão não parou para perguntar, mas prosseguiu por sua própria iniciativa, levando tudo em conta, menos Deus.
Apesar do Egito receber poucas chuvas, a fertilidade do seu solo advinha de chuvas que caíam na África central, as quais faziam o Nilo transbordar anualmente, depositando no solo uma camada rica em nutrientes. Então, quando as águas do Nilo baixavam, tendo encharcado o solo, a terra produzia colheitas abundantes. Muitas pessoas viam o Egito como o manancial do mundo mediterrâneo. Em sua maior parte, diferentemente das terras ao redor, o Egito não era tão suscetível a sofrer com as secas.
“... porquanto a fome era grande na terra.”
A razão da migração é repetida aqui com ênfase. Essa fome deve ter ocorrido poucos anos depois da chegada de Abraão em Canaã. Pois ele tinha setenta e cinco anos quando partiu de Harã; e, visto que Ismael, seu filho com a escrava egípcia, tinha treze anos quando Abraão estava com noventa e nove anos, então restam somente oito anos para abrir espaço para os eventos registrados nos capítulos doze a dezesseis de Gênesis.
DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
21/03/2026
FONTES:
RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
Kidner, Derek. Gênesis: introdução e comentário. Trad. Odayr Olivetti.São Paulo: Vida Nova, 2004.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry – Genesis a Deuteronômio. Rio de Janeiro CPAD, 2008.
CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.
http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201509_05.pdf
Nenhum comentário:
Postar um comentário