sábado, 18 de janeiro de 2025

2 Pedro 1.1


2 Pedro 1.1 “Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa pela justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo:”

 

Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo,”

O apóstolo se identifica como Simão Pedro. Simão era seu nome original antes de Jesus chamá-lo de Cefas: “E, olhando Jesus para ele, disse: Tu és Simão, filho de Jonas; tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro)” (João 1:42). Apenas uma vez fora dos evangelhos ele é chamado Simão. No concílio de Jerusalém, Tiago, irmão do Senhor assim o chama: “Expôs Simão como Deus, primeiramente, visitou os gentios, a fim de constituir dentre eles um povo para o seu nome” (Atos 15:14).

Pedro chama-se a si mesmo o servo de Jesus Cristo. A palavra equivalente a servo é “doulos” e, mais que servo, significa escravo. Ainda que pareça estranho, este é um título, e ao que parece um título humilhante, mas que os mais altos personagens da Bíblia o aceitaram como título da maior honra. Chamar o cristão o doulos de Deus significa que o cristão está incondicionalmente à disposição de Deus.

Pedro apresenta-se também como apóstolo. Jesus deu à essa palavra um significado todo especial quando separou os doze. Ele os escolheu como as primeiras testemunhas de sua ressurreição, bem como de sua vida e ensinamentos. Ele os escolheu também como os agentes que atuariam na fundação e construção da Igreja (Efésios 2.20).

Isso indica que a autoridade não procede dele mesmo, mas é delegada pelo próprio Filho de Deus. Kistemaker alerta que um apóstolo não transmite suas próprias ideias sobre a mensagem daquele que o envia. Pedro fala da parte de Cristo, enviado por Cristo e com a autoridade de Cristo.

 

 “... aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa pela justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo:”

A Segunda Epístola de Pedro, ao contrário da primeira, não é dirigida a nenhuma igreja específica. É direcionada aos que obtiveram preciosa fé através da justiça de Deus em Cristo. Quem era essa gente? Só pode haver uma resposta segundo Barclay.Trata-se de pessoas que uma vez devem ter sido gentios em contraposição aos judeus que em maneira única eram os escolhidos de Deus. Aqueles que uma vez não eram povo são agora o povo escolhido de Deus (1 Pedro 2:10); aqueles que uma vez estiveram afastados e alheios à cidadania de Israel, aqueles que tendo estado longe, foram agora aproximados (Efésios 2:11-13).

Pedro está dirigindo sua Carta àqueles que uma vez tinham sido gentios desprezados, mas agora possuíam iguais direitos que os judeus — e até que os próprios apóstolos — na cidade e no reino de Deus.

eles alcançaram fé”. Isso não significa que ganharam por eles mesmos nem tampouco que a mereceram. Assim como um prêmio favorece a alguém sobre quem tem caído a sorte, sem esforço alguém de sua parte. Em outras palavras: sua nova cidadania e sua nova honra eram totalmente produto da graça.

Chegou-lhes mediante a imparcial “justiça de seu Deus e Salvador Jesus Cristo”. Chegou-lhes porque para Deus não há acepção de pessoas, não existe a cláusula de nação mais favorecida. A graça de Deus, o favor de Deus e os privilégios de Deus alcançam sem distinção a todo povo da Terra: “Porque a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens” (Tito 2.11).

A frase nosso Deus e Salvador Jesus Cristo levanta a questão de se Pedro está fazendo distinção entre Deus e Cristo, ou se realmente está chamando Jesus de Deus. Do ponto de vista gramatical, os dois substantivos são ligados no grego por um único artigo, que sugere fortemente que há alusão a uma única Pessoa. Jesus é chamado Deus por Pedro.

Além disto, nas outras quatro vezes onde Pedro emprega a palavra Salvador (1:11; 2:20; 3:2, 18), sempre se refere a Jesus. Portanto, o autor está chamando Jesus de Deus neste trecho. Este não é um assunto que possa ser matéria de discussão de modo nenhum. Nem sequer é uma questão de teologia, porque para Pedro dar a Jesus o nome de Deus não era coisa de teologia, mas sim uma expressão transbordante de sua adoração.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
21/1/2025

FONTES:

SOARES, Esequias. Em defesa da fé: Combatendo as antigas heresias, que se apresentam com nova aparência. Rio de Janeiro: CPAD, 2024.

HORTON, Stanley. I e II Pedro – A razão da nossa Esperança. Rio de Janeiro: CPAD.

Barclay, William. The Letters of James and Peter (Título Original em Inglês). Tradução: Carlos Biagini.

GREEN, Michael. II Pedro e Judas: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2008.

Kistemaker, Simon J.  Epístolas de Pedro e Judas, trans. Susana Klassen, 1a edição., Comentário do Novo Testamento. São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2006.

João 8.58


João 8.58 “Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou.”

 

Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo “

Jesus havia dito que se alguém guardasse as suas palavras não veria a morte (v.51). Essas palavras causaram estranheza para os fariseus que responderam que ele tinha demônio, pois, Abraão e os profetas morreram. E surgiu a pergunta: “És tu maior do que o nosso pai Abraão, que morreu?” (v.53). Para a surpresa deles Jesus respondeu que Abraão exultou-se por vê-lo. Na cabeça dos fariseus isso era irracional, pois como um homem de menos de cinqüenta anos poderia ter visto Abraão. “Disse-lhes então Jesus

Em verdade, em verdade vos digo”. A expressão “em verdade” traduz o original “amem”, em hebraico ela transmite o sentido de verdade ou fidelidade. No Evangelho de João, essa expressão aparece composta com uma repetição a mais, isto é, “em verdade em verdade vos digo” ou “na verdade na verdade te digo". Essa repetição traduz um duplo amém. Na Bíblia Jesus usa essa expressão como introdução de uma declaração solene, como um alerta profundo. Indica que o que se segue após a expressão deve ser recebido, refletido, assimilado e obedecido.

 

“... que antes que Abraão existisse, eu sou.”

Os dois verbos desta oração, existir e ser, são palavras diferentes em grego. A palavra traduzida aqui como existisse significa literalmente “entrasse na história” e tem uma conotação temporal. Abraão não estava no começo com Deus.

O verbo ser do “Eu Sou” não transmite uma idéia temporal, mas se refere a um sentido definitivo. Daí o evidente contraste entre Abraão e Jesus. A expressão “Eu sou” significa uma existência que ultrapassa o tempo, e nesta declaração Jesus usa a mesma linguagem do Deus de Israel, que é sempre o mesmo: “Eu, o Senhor, o primeiro, e com os últimos eu mesmo” (Isaías 41.4). Como expressou acerca de Jesus o autor de Hebreus com toda simplicidade, que ele é o mesmo ontem, hoje e sempre (Hebreus 13.8).

Aqui se afirma que Jesus é atemporal. Não houve um momento quando chegou a ser; não haverá jamais um tempo no qual não seja. Não podemos dizer que Jesus foi. Devemos dizer sempre, é. O que quis dizer? É evidente que não quis dizer que Ele, a figura humana chamada Jesus, existiu sempre. Sabemos que Jesus nasceu neste mundo em Belém.

Em Jesus não vemos só um homem que veio, viveu e morreu. Vemos o Deus atemporal, que foi o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, que era antes do tempo e que será depois do tempo, que sempre é. Em Jesus, o Deus eterno se manifestou aos homens. O Verbo que estivera com Deus no princípio e agora estava encarnado na terra.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
21/1/2025

FONTES:

SOARES, Esequias. Em defesa da fé: Combatendo as antigas heresias, que se apresentam com nova aparência. Rio de Janeiro: CPAD, 2024.

https://textoaureoebd.blogspot.com/2024/01/joao-524.html

PEARLMAN, Myer. João o evangelho do Filho de Deus. Rio de Janeiro, CPAD, 2024.

HARRISON, Everret F; PFEIFFER, Charles F. Comentário Bíblico Moody. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1990.

BRUCE, F. F. João introdução e comentário. São Paulo: Mundo Cristão, 1987.

 HARPER, A. F. (Ed.). Comentário Bíblico Beacon. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.

 “Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou.”

 

Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo “

Jesus havia dito que se alguém guardasse as suas palavras não veria a morte (v.51). Essas palavras causaram estranheza para os fariseus que responderam que ele tinha demônio, pois, Abraão e os profetas morreram. E surgiu a pergunta: “És tu maior do que o nosso pai Abraão, que morreu?” (v.53). Para a surpresa deles Jesus respondeu que Abraão exultou-se por vê-lo. Na cabeça dos fariseus isso era irracional, pois como um homem de menos de cinqüenta anos poderia ter visto Abraão. “Disse-lhes então Jesus

Em verdade, em verdade vos digo”. A expressão “em verdade” traduz o original “amem”, em hebraico ela transmite o sentido de verdade ou fidelidade. No Evangelho de João, essa expressão aparece composta com uma repetição a mais, isto é, “em verdade em verdade vos digo” ou “na verdade na verdade te digo". Essa repetição traduz um duplo amém. Na Bíblia Jesus usa essa expressão como introdução de uma declaração solene, como um alerta profundo. Indica que o que se segue após a expressão deve ser recebido, refletido, assimilado e obedecido.

 

“... que antes que Abraão existisse, eu sou.”

Os dois verbos desta oração, existir e ser, são palavras diferentes em grego. A palavra traduzida aqui como existisse significa literalmente “entrasse na história” e tem uma conotação temporal. Abraão não estava no começo com Deus.

O verbo ser do “Eu Sou” não transmite uma idéia temporal, mas se refere a um sentido definitivo. Daí o evidente contraste entre Abraão e Jesus. A expressão “Eu sou” significa uma existência que ultrapassa o tempo, e nesta declaração Jesus usa a mesma linguagem do Deus de Israel, que é sempre o mesmo: “Eu, o Senhor, o primeiro, e com os últimos eu mesmo” (Isaías 41.4). Como expressou acerca de Jesus o autor de Hebreus com toda simplicidade, que ele é o mesmo ontem, hoje e sempre (Hebreus 13.8).

Aqui se afirma que Jesus é atemporal. Não houve um momento quando chegou a ser; não haverá jamais um tempo no qual não seja. Não podemos dizer que Jesus foi. Devemos dizer sempre, é. O que quis dizer? É evidente que não quis dizer que Ele, a figura humana chamada Jesus, existiu sempre. Sabemos que Jesus nasceu neste mundo em Belém.

Em Jesus não vemos só um homem que veio, viveu e morreu. Vemos o Deus atemporal, que foi o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, que era antes do tempo e que será depois do tempo, que sempre é. Em Jesus, o Deus eterno se manifestou aos homens. O Verbo que estivera com Deus no princípio e agora estava encarnado na terra.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
21/1/2025

FONTES:

SOARES, Esequias. Em defesa da fé: Combatendo as antigas heresias, que se apresentam com nova aparência. Rio de Janeiro: CPAD, 2024.

https://textoaureoebd.blogspot.com/2024/01/joao-524.html

PEARLMAN, Myer. João o evangelho do Filho de Deus. Rio de Janeiro, CPAD, 2024.

HARRISON, Everret F; PFEIFFER, Charles F. Comentário Bíblico Moody. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1990.

BRUCE, F. F. João introdução e comentário. São Paulo: Mundo Cristão, 1987.

 HARPER, A. F. (Ed.). Comentário Bíblico Beacon. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD 18 DE JANEIRO DE 2025 (Hebreus 4.15)


LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD
18 DE JANEIRO DE 2025
JESUS PARTICIPOU DA NATUREZA HUMANA, MAS VIVEU SEM PECADO ENTRE OS HOMENS

Hebreus 4.15 “Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. “

 

“Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas;

A imagem aqui é extraída do sistema sacerdotal no qual o sacerdote intercedia pelas fraquezas do povo. Na seção posterior de Hebreus 5.1-10, o autor sacro apresenta de forma detalhada uma discussão sobre as atribuições e qualificações do sacerdócio. A intenção dele é mostrar que o sacerdócio de Jesus superou o sacerdócio arônico e a ordem levítica em grandeza e qualificação. Os sacerdotes humanos eram cobertos de fraquezas e defeitos e, por isso, pouco podiam fazer pelos homens. Todavia, Jesus, como Sumo Sacerdote, era de uma ordem superior e perfeita e, por conta disso, capaz de condoer-se e socorrer os que a Ele recorrem

A palavra compadecer ou socorrer é muito expressiva significa “correr em atendimento a um grito”. O crente clama a Deus pedindo socorro, e Deus atende “correndo para nos socorrer! ” Portanto, clamemos por socorro na hora da necessidade, esperando que nos atenda!

A capacidade que Cristo tem para nos socorrer é devido não somente à sua divindade como Filho de Deus, mas também à sua humanidade, pela qual obteve a condição de condoer-se de nós. Afinal, Cristo compartilhou as demais “fraquezas” da nossa carne, pelo que sentiu cansaço, fome, sede e necessidade de habitação, entre outras e triunfou para quem nos espelhemo-nos nele: “Considerai, pois, aquele que suportou tais contradições dos pecadores contra si mesmo, para que não enfraqueçais, desfalecendo em vossos ânimos” (Hebreus 12.3).

Jesus ao mesmo tempo que é humano é divino. Ele é o perfeito Sumo Sacerdote que representa o homem perante Deus e é o Filho de Deus que representa Deus perante o homem. Essa condição especial o torna apto para ser o nosso único mediador: “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” (1 Timóteo 2:5).

 

“... porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. “

Mesmo com a natureza divina, Jesus “em tudo foi tentado”, diz a palavra de Deus. Só conhece o que é tentação quem já passou por ela. As tentações de Jesus não partiam do seu íntimo, como ocorre com o homem natural. Tiago disse que “cada um é tentado pelos desejos que estão dentro de si” (Tiago 1:14). Elas foram provações e provocações externas advindas do tentador e de seus agentes.

Richard S. Taylor observa oportunamente que Jesus não foi tentado em todas as particularidades ou em cada situação possível. Por exemplo, Ele não foi tentado como marido, ou pai, ou dono de uma propriedade, ou empregador, ou soldado porque não exerceu nenhuma dessas funções.

Mas Jesus foi tentado nas três áreas básicas da suscetibilidade humana: corpo, alma e espírito. Dessa forma, Jesus conhecia a tentação no campo do apetite do corpo, no campo dos relacionamentos humanos e no campo dos relacionamentos espirituais. O Eu, os outros e Deus: É exatamente nessas áreas onde ocorre o campo de batalha de todo cristão.

Para nós é muito significativo saber que Jesus, como homem foi tentado em todas as coisas, “mas sem pecado”. A Bíblia assegura: “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Coríntios 5.21). Diante disso compreendemos que ele pode nos socorrer nas nossas fraquezas: “Porque, naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados” (Hebreus 2.18).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
5/1/2025

FONTES:

SOARES, Esequias. Em defesa da fé: Combatendo as antigas heresias, que se apresentam com nova aparência. Rio de Janeiro: CPAD, 2024.

SILVA, Severino Pedro da. Epístola aos hebreus: as coisas novas e grandes que Deus preparou para você. Rio de Janeiro: CPAD, 2003

BOYD, Frank M. Comentário Bíblico Gálatas, Filipenses, 1 e 2 Tessalonicenses e Hebreus. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 1996. 

GUTHRIE, Donald. Hebreus- Introdução e Comentário. São Paulo: Vida Nova, 1984.

GONÇALVES, José. A supremacia de Cristo Fé, esperança e ânimo na carta aos Hebreus. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

Lições Bíblicas 2001 - 3 Trimestre - Hebreus - Elinaldo Renovato de Lima

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD 17 DE JANEIRO DE 2025 (1 Timóteo 3.16)


LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD
17 DE JANEIRO DE 2025 
O PRÓPRIO DEUS SE MANIFESTOU EM CARNE

1 Timóteo 3.16 “E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória. “

 

Temos aqui um fragmento de um dos hinos da Igreja primitiva. É uma maneira de expressar em poesia e em música a fé dos homens de Cristo. É um hino em que os homens cantavam seu credo. Que é um hino, notamos pelo paralelismo cuidadoso entre as estrofes, pela dicção rítmica, e a assonância deliberada (muito marcante no Grego).

Joachim Jeremias, em seu livro: A Promessa de Jesus às Nações argumentou que esse hino cristológico é essencialmente uma declaração missionária, anunciando a inclusão das nações em consequência da morte e ressurreição de Jesus. Não podemos buscar numa poesia ou num hino a precisão que buscamos num credo; mas devemos tentar ver o que cada linha deste hino nos está dizendo.

 

“E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: ”

“O advérbio traduzido aqui como “sem dúvida alguma” ou “evidentemente” (homólogoumenòs) significa “por consentimento comum,” e expressa a convicção unânime dos cristãos. Essa revelação divina que promove a piedade é “inquestionavelmente grande” ou “inegavelmente grande”.

A fórmula “grande é o mistério”, conforme tem sido indicado, tem uma semelhança estranha com o grito: “Grande é Diana dos Efésios” (Atos 19:28, 34). Um “mistério”, é um conjunto de verdades que agora se tomaram conhecidas apenas porque Deus quis revelá-las.

O original de piedade (eusebeia) significa nossa religião, antes Paulo a havia chamado de “mistério da fé” (v. 9), e isso por estimular a fé e ser também o objeto da fé. E é o mistério da piedade, por sua vez, porque estimula a nossa adoração, a nossa humildade e a nossa reverência diante de Deus, como o faz toda verdade.

Começando aqui e no restante do versículo, as linhas estão dentro de um padrão regular, tal como deve uma poesia ou hino. Serviu bem aos propósitos de Paulo de ligar seus pensamentos a algo bem conhecido e atual, uma vez que a mensagem então seria melhor lembrada. Muitas das referências a cânticos no N.T. estão em conexão com Paulo (Efésios 5:19; Colossenses. 3:16; Atos 16:25; 1 Coríntios. 14:15).

 

“Deus se manifestou em carne,”

Aqui é ressaltada a encarnação de Cristo. Cristo foi manifestado em carne, isto é, apareceu na terra como um homem real (Romanos 1:3). Carne representa a humanidade do Deus-homem. Sua encarnação em harmonia com a doutrina do Nascimento Virginal: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (João 1:14).

 

“... foi justificado no Espírito, ”

A segunda estrofe, justificado em espírito, é mais difícil. Visto que “vindicado” (edikaiòthê) literalmente significa justificado ou “declarado justo”. Ficaremos então com duas alternativas.

Embora o Salvador aparecesse na terra como um homem verdadeiro, foi justificado, isto é, declarado justo e demonstrado como sendo realmente o Filho de Deus, no que diz respeito à Sua natureza espiritual, sendo subentendido uma referência à ressurreição. Pela presença do Espírito no ministério de Cristo Ele foi vindicado e comprovado ser verdadeiro em todas as Suas declarações (Romanos. 1.4)

Outros, dando a em um sentido instrumental e entendendo que espírito denota o Espírito Santo, preferem a tradução: “Foi declarado justo através de, ou por meio de, o Espírito Santo.” O significado será então que, embora Cristo fosse crucificado como malfeitor, Deus O vindicou e O declarou justo quando, através do Espírito Santo (Romanos 8:11), ressuscitou-o dentre os mortos.

 

“... visto dos anjos, ”

O que está sendo ressaltado aqui é a adoração prestada pelos poderes angelicais ao Cristo assunto e glorificado. Sua exaltação é representada como um triunfo sobre o mundo dos espíritos, que elicita sua adoração: "E, novamente, ao introduzir o Primogênito no mundo, diz: E todos os anjos de Deus o adorem" (Hebreus 1:6).

Sua posição elevada sobre eles é explicita também em 1 Pedro 3. 22 “O qual está à destra de Deus, tendo subido ao céu, havendo-se-lhe sujeitado os anjos, e as autoridades, e as potências”.

 

“... pregado aos gentios, “

Aqui nos encontramos com a grande verdade de que Jesus não era possessão exclusiva de uma raça ou de uma nação. Ele seria pregado entre as nações (Gentios).

Tiago, irmão do Senhor, lembrando das palavras do profeta Amós que disse: “Naquele dia tornarei a levantar o tabernáculo caído de Davi, e repararei as suas brechas, e tornarei a levantar as suas ruínas, e o edificarei como nos dias da antigüidade; Para que possuam o restante de Edom, e todos os gentios que são chamados pelo meu nome, diz o Senhor, que faz essas coisas” (Amós 9:11-12). Entendeu que através do Cristo davídico, os gentios serão incluídos em sua nova comunidade. A inclusão dos gentios não era uma idéia posterior de Deus, mas algo predito pelos profetas. 

Essa expressão “pregado aos gentios” é um resumo de toda a presente era de trabalho missionário: “Mas que se manifestou agora, e se notificou pelas Escrituras dos profetas, segundo o mandamento do Deus eterno, a todas as nações para obediência da fé” (Romanos 16.26).

 

“... crido no mundo, “

Esta é uma verdade quase milagrosa afirmada com total simplicidade. Depois que Jesus morreu ressuscitou e subiu a sua glória, o número de seus seguidores era de cento e vinte (Atos 1.15). Tudo o que seus seguidores tinham para oferecer era a história de um carpinteiro galileu, crucificado numa colina na Palestina como um criminoso.

E, entretanto, antes que passassem setenta anos, essa história tinha chegado aos limites da Terra, e homens de todas as nações aceitavam a esse Jesus crucificado como seu Salvador e Senhor: “Que já chegou a vós, como também está em todo o mundo; e já vai frutificando, como também entre vós, desde o dia em que ouvistes e conhecestes a graça de Deus em verdade” (Colossenses. 1:6).

Nesta frase simples encontramos toda a maravilha da expansão divina da Igreja, uma expansão que seria impossível sem a aprovação divina. Conforme o pensamento de Gamaliel se a obra é de homens se desfará: “E agora digo-vos: Dai de mão a estes homens, e deixai-os, porque, se este conselho ou esta obra é de homens, se desfará, Mas, se é de Deus, não podereis desfazê-la; para que não aconteça serdes também achados combatendo contra Deus” (Atos 5.38-39).

 

“... recebido acima na glória.”

Refere-se particularmente à Ascensão, mas inclui toda a subsequente exibição de sua glória: “Levantai, ó portas, as vossas cabeças, levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória. Quem é este Rei da Glória? O Senhor dos Exércitos, ele é o Rei da Glória” (Salmos 24.9-10).  Isto fica sugerido pelo progresso histórico e lógico do poema: o todo da obra messiânica de Cristo ficou nEle resumido.

A história de Jesus começa no céu e termina no céu. Viveu como um servo; foi assinalado como um criminoso; foi crucificado; ressuscitou com as marcas dos pregos ainda visíveis; mas o final é a glória.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
5/1/2025

FONTES:

SOARES, Esequias. Em defesa da fé: Combatendo as antigas heresias, que se apresentam com nova aparência. Rio de Janeiro: CPAD, 2024.

HARRISON, Everret F; PFEIFFER, Charles F. Comentário Bíblico Moody. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1990.

BARCLAY, William. The First Letter to Timothy Tradução: Carlos Biagini

STOTT, John R.W. A mensagem de 1 Timóteo e Tito: a vida da Igreja local: a doutrina e o dever; tradução Milton Azevedo Andrade. — São Paulo : ABU Editora, 2004.

KELLY, John N. D. I e II Timóteo e Tito: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova e Editora Mundo Cristão, 1983.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD 16 DE JANEIRO DE 2025 (Filipenses 2.7)


LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD
16 DE JANEIRO DE 2025
JESUS SE FEZ SEMELHANTE AOS HOMENS

Filipenses 2.7 “Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; “

 

“Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo,  

Na sua encarnação aconteceu a maior demonstração de humildade de Cristo. Ele “esvaziou-se a si mesmo”. A palavra grega kenou que em algumas versões é traduzida por “aniquilar” significa “esvaziar, ficar vazio”.

Cristo renunciou ao Seu ambiente de glória. Ele pôs de lado Sua majestade e glória (João 17.5), mas permaneceu Deus. Ele jamais deixou de ser possuidor da natureza divina. Mesmo em Seu estado de humilhação, jamais se despojou de Sua divindade.

F.F. Bruce diz que, em vez de explorar a Sua igualdade com Deus, e dela auferir vantagens, Jesus despojou a si próprio, não de Sua natureza divina, visto que isso seria impossível, mas das glórias e das prerrogativas da divindade para assumir 100% as prerrogativas humanas.

Cristo esvaziou-se assumindo a forma de servo. Forma, aqui, indica a veracidade de sua posição de servo. Ao contrário do primeiro Adão, que fez uma tentativa frenética de alcançar posição de igualdade com Deus (Genesis. 3:5), Jesus, o último Adão (1 Coríntios 15:47), humilhou-se e obedientemente aceitou o papel de Servo Sofredor.

 

“...fazendo-se semelhante aos homens; “

Quando lemos a frase do texto que Ele fez-se “semelhante aos homens” precisamos, à luz do contexto da Cristologia, entender que a palavra semelhança em relação a Cristo não significa “um faz de conta”, ou que tenha sido apenas uma semelhança de humanidade, e não humanidade real.

No final do primeiro século da Era Cristã, surgiu uma doutrina herética denominada docetismo, da palavra dokesis, que significa “semelhança”. Essa doutrina herética visava destruir os alicerces da doutrina de Paulo sobre Cristo, para negar que “Jesus veio em carne”. Paulo combateu com todas as suas forças essa heresia ensinando que Jesus era verdadeiramente homem, “nascido de mulher” (G1 4.4),

A expressão “fazendo-se” indica o fato de ter sido 100% homem, como todos os demais homens. O apóstolo Paulo escreveu aos Gálatas 4.4 que “Deus enviou seu Filho, nascido de mulher”, indicando que Jesus, em sua humanidade, é consubstanciai com o homem e pertence à ordem das coisas assim como Adão foi criado. A diferença de Jesus como homem e os demais homens está no fato de que Ele foi gerado pelo Espírito Santo. Por isso, Ele é “verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus”.


DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
5/1/2025

FONTES:

SOARES, Esequias. Em defesa da fé: Combatendo as antigas heresias, que se apresentam com nova aparência. Rio de Janeiro: CPAD, 2024.

CABRAL, Elienai. Filipenses - A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja. Rio de Janeiro: CPAD, 2013.

HARRISON, Everret F; PFEIFFER, Charles F. Comentário Bíblico Moody. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1990.

LOPES, Hernandes dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. São Paulo, SP: Hagnos 2007.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Lição 3 - Lições Bíblicas Adultos - 1º Trim./2025 - CPAD

Texto Áureo Lição 3 - A Encarnação do Verbo. João 1.14.

TEXTO ÁUREO

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” (João 1.14)

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD 15 DE JANEIRO DE 2025 (Romanos 8.3)


LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD
15 DE JANEIRO DE 2025
DEUS ENVIOU O SEU FILHO EM SEMELHANÇA DA CARNE

Romanos 8.3 “Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne; “

 

“Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, “

A lei era incapaz de libertar Paulo da lei do pecado e da morte. Por quê? Porque estava “enferma pela carne”. Paulo não estava dizendo que a lei em si era fraca, pois ela fora dada por Deus. A matéria, porém, com a qual a lei tinha de operar — a carne — era fraca. A humanidade carnal, ou seja, as pessoas dependentes de seus próprios recursos não conseguiam guardar a lei com perfeição. Por causa dessa enfermidade, ou fraqueza, a lei era incapaz de libertar a humanidade.

Ou seja, a lei era limitada pela “carne”. Isto quer dizer que havia algo de errado com a lei? Não. Dave Miller questionou: “Você sai e dá um chute no seu carro porque ele não pode voar? Claro que não. Ele não foi projetado para voar. A lei de Moisés nunca foi projetada para remover pecados. Ela foi projetada para revelar o pecado”.

 

“Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne; “

O que era impossível à lei, isso fez Deus. Era impossível à lei libertar as pessoas por causa da carne; Deus libertou as pessoas usando a carne enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou Deus, na carne, o pecado”. Deus “obteve a vitória sobre o pecado no próprio domínio em que ela parecia imperar sem contestação: ‘na carne’.

Aqui há uma referência à encarnação de Cristo: Deus mandou “o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa” (v. 3b). A palavra traduzida por “semelhança” (homoioma) vem de “igual” ou “mesmo” (homo).

Deus não enviou meramente o Seu Filho ao mundo; Ele enviou-O “no tocante ao pecado”, ou
seja, “como oferta pelo pecado”. A expressão “oferta pelo pecado” evoca os animais mortos em sacrifício na época do Antigo Testamento. “A morte do animal sacrificado simbolizava
a seriedade do pecado, assim como indicava a disposição de Deus em repassar o castigo pela transgressão da lei a outro.

O que Deus simbolizou com um animal inocente, Ele cumpriu com o sangue inocente do Seu Filho”. Era “impossível que o sangue de touros e de bodes removesse pecados” (Hebreus 10:4); mas o que era impossível a sangue de animais fazer, o sacrifício de Cristo que valeu por todas as vezes fez (Hebreus 10:10).

Charles Spurgeon alegrava-se com isto: “Deus encontrou um meio de condenar o pecado sem me condenar! ”. Essa é a “provisão divina”. Como é maravilhoso que Deus “não poupou o Seu próprio Filho, antes, por todos nós O entregou” (Romanos 8:32)

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
5/1/2025

FONTES:

SOARES, Esequias. Em defesa da fé: Combatendo as antigas heresias, que se apresentam com nova aparência. Rio de Janeiro: CPAD, 2024.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/Po_lessons/Po_200901_06.pdf

BRUCE, F, F. Romanos - Introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2002.

Dave Miller, sermão apresentado no programa televisivo Truth in Love, Fort Worth, Texas, 2 de fevereiro de 2002.

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD 14 DE JANEIRO DE 2025 (Romanos 1.3)


LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD
14 DE JANEIRO DE 2025
O FILHO DE DEUS NASCEU DA DESCENDÊNCIA DE DAVI SEGUNDO A CARNE

Romanos 1.3 “Acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne, ”

 

“Acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne, ”

Esse versículo (v.3) e o 4 incluem uma das principais declarações das Escrituras a respeito de Cristo. Primeiramente, Paulo disse aos romanos que Jesus, “segundo a carne, veio da descendência de Davi”.

No que se refere ao lado humano de Cristo, Ele era um descendente do rei Davi (Mateus 1:1), tendo nascido de Maria, uma descendente direta de Davi (Lucas 1:27). Jesus, portanto, era completamente humano. Ao mesmo tempo, Ele era completamente Deus. Ele “foi designado Filho de Deus com poder, segundo o espírito de santidade pela ressurreição dos mortos” (v. 4a). O contraste dos versículos 3 e 4 é óbvio: no que tange à carne, Jesus era descendente de Davi; mas no que tange ao Seu espírito, Ele era o Filho de Deus.

Usa-se "carne" para designar descendência ou relação humana natural que Cristo é descendente de Davi "segundo a carne". Em 4:1 Abraão é chamado "nosso pai segundo a carne" (i. e., antepassado dos que são judeus de nascimento), enquanto que espiritualmente é o pai de todos os que crêem (Romanos 4:11, 16). Seus descendentes por reprodução física são "filhos da carne", em contraste com "os filhos da promessa" (Romanos 9:8). Os judeus de nascimento são "compatriotas" de Paulo "segundo a carne" (Romanos 9:3), ou simplesmente sua "carne" (Romanos 11:14).

O qual, segundo a carne, veio ("nasceu", RV) da descendência de Davi (da "semente" de Davi). É evidente que a descendência davídica de Jesus fazia parte do conteúdo da pregação e da confissão dos cristãos primitivos. Jesus não parece ter insistido muito nisso, mas não recusou a designação de "Filho de Davi" quando Lhe foi aplicada, por exemplo, pelo cego Bartimeu (Marcos 10:47).

Barclay escreveu: Paulo fala de um Jesus que era real e verdadeiramente homem. Um dos maiores pensadores da Igreja primitiva o resumiu quando disse de Jesus: "Ele se fez o que nós somos, para nos fazer o que Ele é." Paulo pregava a respeito de alguém que não era uma figura legendária de uma história imaginária, que não era um semideus, metade Deus e metade homem. Ele pregava de alguém que era real e verdadeiramente um com os homens que veio para salvar.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
5/1/2025

FONTES:

SOARES, Esequias. Em defesa da fé: Combatendo as antigas heresias, que se apresentam com nova aparência. Rio de Janeiro: CPAD, 2024.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/Po_lessons/Po_200809_02.pdf

barclay

BRUCE, F, F. Romanos - Introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2002.

BARCLAY, William. The Letter to the Romans - Tradução: Carlos Biagini.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD 13 DE JANEIRO DE 2025 (Lucas 2.52)


LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD
13 DE JANEIRO DE 2025
O DESENVOLVIMENTO FÍSICO, INTELECTUAL E ESPIRITUAL DE JESUS

Lucas 2.52 “E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens. “


Os textos canônicos, mesmo sendo breves em seus relatos, revelam muito sobre o lado humano de Jesus. Jesus nasceu e cresceu como qualquer outro menino da sua idade da Palestina dos seus dias. Os teólogos e educadores Eulálio Figueira e Sérgio Junqueira ao descreverem a educação no antigo Israel no tempo de Jesus, fizeram uma excelente exposição sobre essa dimensão humana de Jesus. Eles observam que Jesus era semelhante a nós em tudo, menos no pecado (Hebreus 4.15), e que viveu o mesmo processo de crescimento comum a todos os homens. Como todos os homens ele cresceu nas dimensões bio-psico-social.


“E crescia Jesus em sabedoria, “ 

Crescer em sabedoria é assimilar os conhecimentos da experiência humana diária, acumulada ao longo dos séculos nas tradições e costumes do povo. Isso se aprende convivendo na comunidade do povoado. Cada ser humano que nasce neste mundo, pertence a um determinado lugar, a uma determinada família e a um determinado povo. Nasce, portanto, sujeito a condicionamentos. Com Jesus também foi assim. Não há como negar que fatores culturais, tais como o ambiente familiar, a língua e o lugar onde nascemos marcam a vida de cada um de nós de forma profunda. Um gigante pode ser mentalmente retardado. Mas o Senhor crescia em conhecimento. Melhor ainda, na capacidade de aplicar este conhecimento - esta é a sabedoria. O homem natural cresce em sabedoria mediante a correção de erros e falhas. Jesus, porém, teve crescimento perfeito, livre de todas as limitações da natureza pecaminosa. Nessa narrativa, Lucas, com excelente capacidade literária e inspirado pelo Espírito Santo, destacou “a sabedoria” antes da “estatura”, porque na mente do autor a sabedoria era mais importante para assinalar as suas relações com o Pai celestial. Jesus, sendo Deus, reteve sua natureza divina, mediante o seu esvaziamento: “Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens” (Filipenses 2.7), e limitou-se a desenvolver qualidades humanas durante sua vida física, sem perder sua divindade.


“...e em estatura, “ 

A estatura de Jesus era mediana como a de qualquer judeu. Ele não cresceu em “estatura” descomunal, mas essa passagem das Escrituras refere-se ao crescimento físico do menino Jesus, porque quando o texto foi citado Jesus tinha apenas 12 anos de idade. Na vida cotidiana em sua casa em Nazaré, cuidava dos pais com amor e carinho. Ele era o primogênito de Maria, e desenvolveu seu porte físico trabalhando com o pai, o qual lhe ensinou a arte da carpintaria: ” Não é este o carpinteiro, filho de Maria, e irmão de Tiago, e de José, e de Judas e de Simão? e não estão aqui conosco suas irmãs? E escandalizavam-se nele” (Marcos 6.3). Por vezes, representam-no os pintores pálido e doentio. É certo, porém, que o trabalho braçal na carpintaria e o tempo passado ao ar livre tenham-lhe dotado de corpo forte e saudável “...homem de dores, e experimentado nos trabalhos...” (Isaías 53:3). Um corpo forte e saudável é de grande ajuda ao serviço cristão. A palavra “estatura” pode ter, também, um sentido figurado de “altura e grandeza moral e espiritual”. Porém o contexto dessa passagem bíblica indica o seu desenvolvimento físico. Até os 30 anos, Jesus viveu em Nazaré com sua mãe e seus irmãos, visto que José já havia morrido.


“...e em graça para com Deus e os homens. “ 

A graça que tinha para com Deus, o Pai, tinha a ver com a consciência que Jesus tinha de quem era e porque, sendo Deus, se fez carne (João 1.1,14). A consciência que Ele tinha do seu papel como Filho de Deus é revelada no episódio quando seus pais o acharam no Templo discutindo com os doutores da Lei. Ele gentilmente respondeu a José e Maria: “Por que é que me procuráveis? Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai? ” (Lucas 2.49). Ora, cuidar dos “negócios do Pai e fazer a sua vontade” eram mais importantes que comer e beber, e mais importante até mesmo que o aconchego da sua família. “A graça para com os homens” dizia respeito à simpatia que Ele irradiava para com as pessoas, especialmente as mais carentes, e ao poder que Jesus tinha para atrair para si a esperança dos pecadores de serem salvos. Sua personalidade era cativante e seu carisma era manifestado quando abria a boca para falar do Reino de Deus.

 

DEIVY FERRREIRA PANIAGO JUNIOR
05/6/2023

FONTES:

CABRAL, Elienai. Relacionamentos em Família – Superando desafios e problemas com exemplos da Palavra de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

FIGUEIRA, Eulálio & JUNQUEIRA, Sérgio. Teologia e Educação - educar para a caridade e a solidariedade. São Paulo: Editora Paulinas, 2012.

GONÇALVES, José. Lucas – O evangelho de Jesus o homem perfeito. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.

PEARLMAN, Myer. Lucas, ó Evangelho do Homem Perfeito. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 1995.