quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Atos 8.4

Atos 8.4 “Mas os que andavam dispersos iam por toda parte anunciando a palavra”.

 

“Mas os que andavam dispersos iam por toda parte anunciando a palavra”

Esse versículo nos leva de volta aos cristãos que foram dispersos. A palavra traduzida por dispersos é o termo usado para indicar “sementeira, semeadura, espalhar sementes. Warren Wiersbe acrescenta que a perseguição faz com a igreja aquilo que o vento faz com a semente, espalhando-a e aumentando a colheita. Os cristãos em Jerusalém eram as sementes de Deus, e a perseguição foi usada por Deus para plantá-los em novo solo, a fim de que dessem frutos. Daí nasceu o provérbio: “O sangue dos mártires é a sementeira da igreja”.

Gamaliel, o professor de Paulo, lembrou ao sinédrio anteriormente o efeito da dispersão sobre os seguidores de Teudas e Judas, galileu: “Porque, antes destes dias, se levantou Teudas, insinuando ser ele alguma coisa, ao qual se agregaram cerca de quatrocentos homens; mas ele foi morto, e todos quantos lhe prestavam obediência se dispersaram e deram em nada. Depois desse, levantou-se Judas, o galileu, nos dias do recenseamento, e levou muitos consigo; também este pereceu, e todos quantos lhe obedeciam foram dispersos” (Atos 5.36,37).

A dispersão dissipou os seguidores tanto de Teudas como de Judas, mas não foi capaz de dissipar os seguidores de Cristo. Entenda o motivo nas próprias palavras de Gamaliel: “E agora digo-vos: Dai de mão a estes homens, e deixai-os, porque, se este conselho ou esta obra é de homens, se desfará, Mas, se é de Deus, não podereis desfazê-la [...]” (Atos 5:38-39).

Esses cristãos perderam tudo que possuíam: casas, rebanhos, bens, tudo exceto o pouco que podiam carregar nas costas. Eles fugiram a pé pelas estradas da Palestina com medo do perseguidor Saulo. Mas ao passarem por outros viajantes, eram objeto de curiosidade. As pessoas indagavam: “O que aconteceu? Ao invés deles murmurarem que deixaram tudo para trás eles preferiam anunciavam a palavra de Deus. A palavra grega equivalente a “anunciando” significa “evangelizar”, contar as boas novas!

Esses cristãos perseguidos não saíram dizendo: “Vejam só para onde está indo este mundo! ”, mas, sim: “Vejam Aquele que veio ao mundo! ”.  Eles aprenderam com o exemplo de Estêvão: seus inimigos podiam ferir sua carne, mas não seu espírito; podiam abreviar suas vidas, mas não sua influência; podiam tomar suas casas, mas não seu lar celestial (João 14:1–3); podiam roubar seus bens, mas não seus tesouros (Mateus 6:20).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
13/08/2025 

FONTES:

GONÇALVES, José. A igreja em Jerusalém – Doutrina comunhão e fé: A base para o crescimento da igreja em meio as perseguições. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

MARSHALL, Howard. Atos - Introdução e Comentário. Vida Nova/Mundo Cristão. 1991.

Lopes, Hernandes Dias Atos: a ação do Espírito Santo na vida da igreja. São Paulo: Hagnos, 2012.

GONZALES, Justo. História ilustrada do cristianismo vol I- A era dos mártires até A era dos sonhos frustrados. São Paulo: Vida Nova, 2019.

WIERSBE, Warren W. Comentário bíblico expositivo. Geográfica, Vol. 6. 

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_200111_05.pdf

Atos 8:1

Atos 8:1 “E também Saulo consentiu na morte dele. E fez-se naquele dia uma grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém; e todos foram dispersos pelas terras da Judeia e de Samaria, exceto os apóstolos.”

 

“E também Saulo consentiu na morte dele.

Com a morte de Estevão um vento forte de perseguição soprou sobre a igreja. Mas a perseguição é como o vento em relação à semente: apenas a espalha.  Do ponto de vista humano, aquele foi um dia tenebroso para os crentes, mas do ponto de vista de Deus foi o começo de uma grande revolução espiritual, quando a igreja alargou suas fronteiras em direção aos confins da terra.

Estevão é considerado o primeiro mártir do cristianismo e Saulo tem uma participação crucial na sua morte. Ele teve culpa, pois era uma autoridade do Sinédrio e tinha o poder de impedir aquele massacre.  A bíblia diz que foi ele guardou as vestes dos que apedrejaram Estevão (Atos 7.58) e consentiu assim na sua morte. Ao sublinhar o nome de Saulo, o escritor Lucas prepara os leitores para a maravilha da sua posterior transformação (Atos 9:1-31).

 

“E fez-se naquele dia uma grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém;”

Após o martírio de Estevão: “fez-se naquele dia uma grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém”. A comissão, todavia foi cumprida através da perseguição. A perseguição não é um acidente de percurso, mas uma agenda. Mesmo quando a igreja é perseguida, Deus continua no controle. A perseguição nunca destruiu a igreja; ao contrário, alargou suas fronteiras. Uma igreja que se espalha para além de sua zona de conforto impacta o mundo.

Bengel afirmou que o vento aumenta a chama. Assim como a perseguição não labora contra a igreja, mas a seu favor. Deus transforma o agente da perseguição em parceiro da missão. Para Marshall, a dispersão levou ao mais significativo avanço na missão da igreja. Pode-se dizer que a perseguição foi necessária para levá-los a cumprir o mandamento dado em Atos 1.8: “e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra.”

 

“... e todos foram dispersos pelas terras da Judeia e de Samaria,”

A perseguição acarretou grande dispersão. Esta primeira dispersão dos cristãos teve lugar "nas terras de Judéia e Samaria". Acerca das igrejas na Judéia, temos algumas notícias em Atos 9:32-42, onde lemos a respeito das visitas de Pedro aos cristãos de Lida, Jope e da região de Sarona, terras estas que se encontravam entre Judéia e Samaria. Aqui o foco que se segue é do testemunho da obra de Filipe em Samaria, a conversão de Simão, o mago, e a chegada posterior de Pedro e João em Samaria.

Calvino diz corretamente que, pela maravilhosa providência de Deus, a dispersão dos fiéis levou muitos à unidade da fé. Assim, o Senhor trouxe luz das trevas e vida da morte.

 

“... exceto os apóstolos.”

Não sabemos por que os apóstolos não foram dispersos como os outros cristãos. Talvez Saulo e seus capangas tenham deixado os apóstolos em paz, temendo seu poder e presumindo que não constituiriam uma ameaça, se não tivessem seguidores.

Talvez os apóstolos preferiram ficar em Jerusalém, independentemente do risco — para ministrar a quaisquer cristãos que tivessem escapado de Saulo , e para ministrar aos encarcerados. Calvino de que os apóstolos não fugiram de Jerusalém, porque é dever de um bom pastor dar a própria vida em defesa das ovelhas quando elas são atacadas por um lobo.

Justo Gonzales escreveu que os membros do concílio e o sumo sacerdote nessa ocasião se preocupavam mais pelos cristãos "gregos" do que pelos "hebreus". É posteriormente, no capítulo doze de Atos, que a perseguição desaba contra os apóstolos.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
13/08/2025 

FONTES:

GONÇALVES, José. A igreja em Jerusalém – Doutrina comunhão e fé: A base para o crescimento da igreja em meio as perseguições. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

MARSHALL, Howard. Atos - Introdução e Comentário. Vida Nova/Mundo Cristão. 1991.

Lopes, Hernandes Dias Atos: a ação do Espírito Santo na vida da igreja. São Paulo: Hagnos, 2012.

GONZALES, Justo. História ilustrada do cristianismo vol I- A era dos mártires até A era dos sonhos frustrados. São Paulo: Vida Nova, 2019.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_200111_05.pdf

Apocalipse 2:10

Apocalipse 2:10 “Nada temas das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.”

 

“Nada temas das coisas que hás de padecer.”

As aflições e perseguições que os crentes de Esmirna sofriam, causavam-lhes medo. Está implícito que esse medo estava num processo de crescimento. Jesus, então, exorta-os a que parassem de sentir pavor quanto ao que estavam por sofrer. Ao mesmo tempo, não dá nenhum falso encorajamento, nenhuma falsa esperança de paz e prosperidade. Pois a perseguição haveria de aumentar. Por isso ele disse aos seus discípulos: “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (João 16.33).

O apostolo Paulo quando voltou para Listra, e Icônio e Antioquia, Confirmou os ânimos dos discípulos, e exortou-os a permanecer na fé, e disse-lhes:  que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus” (Atos 14:21,22). A Timóteo ele escreveu sobre essa condição: E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições   (2 Timóteo 3.12). Mas aos romanos ele escreveu um cântico de vitória sobre as provações, pois nada seria capaz de nos separar do amor de Cristo: “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?” (Romanos 8:35).

 

“Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados; e tereis uma tribulação de dez dias.”

O diabo lançaria alguns deles na prisão, e haveriam de enfrentar diversas provações. No mundo antigo a prisão não era um tanto lugar de castigo, mas de detenção antes do julgamento. O julgamento podia resultar favorável à defesa ou em algum tipo de castigo, inclusive morte. Prisão e morte possível eram identificadas como obra do diabo, e implicavam em uma prova da validade da fé cristã. Todos que diziam ser discípulos de Jesus tinham de estar dispostos a ir para a prisão e, se necessário, deixar sua vida pelo seu Senhor.

O número dez dias não tem nenhum significado simbólico especial além de indicar um período relativamente curto de perseguição. Seus sofrimentos brevemente chegariam ao fim (após "dez dias"). Ladd diz que João, no caso dos esmirneanos, não prevê uma perseguição mundial, mas local e de curta duração.

Para Gilberto "Dez dias" pode referir-se às dez perseguições de 64-305, sob os dez imperadores romanos dessa época.  Algumas não duraram muito; outras não alcançaram todas as províncias do império. Não obstante, milhares de cristãos foram queimados em fogueiras, jogados aos leões, torturados e mortos das mais terríveis maneiras. Contudo, nem a morte, nem as forças do inferno foram capazes de impedi-los de divulgar o Evangelho nem de conter o avanço e o crescimento da Igreja.

 

“Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.”

Como já foi dito o julgamento podia resultar na morte de alguns. Policarpo, um dos mais famosos mártires da antiguidade, foi Bispo de Esmirna e enfrentou com coragem seu martírio. Este dedicado líder foi queimado vivo em uma fogueira no ano 155 d.C. Levado ao estádio, o procônsul instou com ele, dizendo: “Jura, maldiz a Cristo e te porei em liberdade.” Policarpo lhe respondeu: “Oitenta e seis anos eu tenho servido a Cristo, e Ele nunca me fez mal, só o bem. Como então posso eu maldizer o meu Rei e Salvador?”

As palavras de Jesus "Sê fiel até a morte" não significa ser fiel até morrer, mas, ser fiel mesmo que, para isso, tenhamos de dar a vida pela fé cristã. É preferir morrer a negar a Jesus. Jesus foi obediente até à morte e morte de cruz. Ele foi da cruz até à coroa. Essa linha também foi traçada para a igreja de Esmirna: “Sê fiel até à morte e dar-te-ei a coroa da vida”. Desta forma, a igreja de Esmirna não é candidata à morte, mas à vida. A morte física não poderia roubar-lhes a vida que haviam recebido de Cristo.

A coroa da vida não é uma promessa de recompensa especial para os mártires. Todos os que pertencem a Cristo receberão uma coroa da vida. Deus prometeu sua coroa a todos os que o amam (Tiago 1:12). A figura da coroa não vem da monarquia, mas dos jogos atléticos. Os competidores lutavam “para alcançar uma coroa (é usada a mesma palavra grega) corruptível; nós, porém, a incorruptível” (1 Coríntios 9:25). João introduziu a promessa da coroa da vida neste contexto para lembrar os esmirneanos de que apesar de sofrerem morte física eles tinham certeza do prêmio da vida eterna.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
13/08/2025 

FONTES:

GONÇALVES, José. A igreja em Jerusalém – Doutrina comunhão e fé: A base para o crescimento da igreja em meio as perseguições. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

HORTON, Stanley. Apocalipse – as coisas que brevemente devem acontecer. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.

GILBERTO, Antonio. Daniel e Apocalipse. Rio de Janeiro: CPAD, 1984.

Lopes, Hernandes dias. Apocalipse - futuro chegou, as coisas que em breve devem acontecer. São Paulo, SP: Hagnos 2005.

LAWSON, Steven J. As Setes Igrejas do Apocalipse: O Alerta Final para o seu povo. 5.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004,

LADD, George Eldon. Apocalipse - introdução e Comentário. São Paulo: Mundo Cristão, 1986.

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD 13 DE AGOSTO DE 2025 (2 Coríntios 4.9)

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD
13 DE AGOSTO DE 2025
MANTENDO O ÂNIMO EM MEIO À PERSEGUIÇÃO

 2 Coríntios 4.9 “Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos. “


Nesta seção da carta Paulo se expressa numa série de quatro declarações paradoxais. Elas refletem, de um lado, a vulnerabilidade de Paulo e de seus companheiros, e por outro lado, o poder de Deus que os sustenta. Esse versículo contém as duas últimas declarações paradoxais.


“...perseguidos, mas não desamparados; “ 

A palavra grega para “perseguidos”, traz a ideia de perseguir e caçar como a um animal, enquanto a palavra para “desamparados”, significa desertar, abandonar alguém em dificuldades. Paulo se descreve como um fugitivo caçado por seus adversários, contudo, na última hora Deus lhe dava um escape.201 Paulo sofreu duras perseguições desde o começo de sua conversão até o último dia da sua vida na terra. Não teve folga nem alívio. Foi perseguido pelos judeus e pelos gentios, pelo poder religioso e pelo poder civil. No entanto, jamais se sentiu desamparado. Quando foi apedrejado em Listra, levantou-se para prosseguir o projeto missionário. Quando foi preso em Filipos, cantou e orou à meia-noite. Quando foi preso em Jerusalém, deu testemunho diante do Sinédrio. Quando foi levado para Roma como prisioneiro de Cristo, testemunhou ousadamente aos membros da guarda pretoriana. Mesmo quando ficou só em sua primeira defesa, em Roma, foi assistido pelo Senhor (2 Timoteo 4.16-18).


“...abatidos, mas não destruídos; “ 

A palavra grega para “abatidos”, significa lançar abaixo, derrubar violentamente. A palavra era usada para falar da derrubada de um oponente na luta ou de derrubar uma pessoa com a espada ou qualquer outra arma. Já a palavra para “destruídos”, significa destruir e perecer. Paulo enfrentou circunstâncias desesperadoras, acima de suas forças (1.8). Foi acusado, perseguido, açoitado, aprisionado, mas jamais sucumbiu. Mesmo quando foi levado à guilhotina romana e teve seu pescoço decepado pelo verdugo, não foi destruído (2 Timóteo 4.17,18), porque sabia que sua morte não era uma derrota, mas uma vitória, uma vez que morrer é lucro, é deixar o corpo e habitar com o Senhor, o que é incomparavelmente melhor. Na fraqueza de Paulo, Jesus o tornou forte. O apóstolo parecia nunca esquecer que estava seguindo os passos de Jesus. O próprio Senhor foi crucificado de um modo vergonhoso, mas, por meio de Sua morte, Ele derrotou Satanás. A glória do ministério de Paulo estava no fato de que ele transmitia os ensinamentos de Jesus, mas também participara dos sofrimentos de Cristo. Ele jamais pensou em abandonar seu ministério. Naquilo o mundo viu como fraqueza, o apóstolo encontrou força.

 

DEIVY FERRREIRA PANIAGO JUNIOR
24/5/2023

FONTES:

CABRAL, Elienai. Relacionamentos em Família – Superando desafios e problemas com exemplos da Palavra de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_202107_02.pdf

KRUSE, Colin. 2 Coríntios – Introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1984.

LOPES, Hernandes Dias. 2 Coríntios: o triunfo de um homem de Deus diante das dificuldades. São Paulo: Hagnos, 2008.

terça-feira, 12 de agosto de 2025

TEXTO ÁUREO LIÇÃO 7: UMA IGREJA QUE NÃO TEME A PERSEGUIÇÃO. Atos 4.19

TEXTO ÁUREO

“Respondendo, porém, Pedro e João, lhes disseram: Julgai vós se é justo, diante de Deus, ouvir-vos antes a vós do que a Deus;” 
 
(Atos 4:19).

Lição 7 - Lições Bíblicas Adultos - 3º Trim./2025 - CPAD

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD 12 DE AGOSTO DE 2025 (2 Timóteo 3.12)

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD
12 DE AGOSTO DE 2025
A PERSEGUIÇÃO COMO MARCA DO VIVER CRISTÃO PIEDOSO 

2 Timóteo 3.12 “E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições. ” 


No versículo 11 Paulo cita as perseguições que ele e Barnabé enfrentaram em sua primeira viagem missionária, quando pregava na região da Galácia, essas perseguições estão descritas no capítulo 13 e 14 de Atos dos apóstolos.

Em Antioquia da Psídia: Paulo havia pregado na sinagoga dos judeus durante dois sábados. No segundo sábado quase toda a cidade se ajuntou para ouvir o Apóstolo, “então os judeus, vendo a multidão, encheram-se de inveja e, blasfemando, contradiziam o que Paulo falava” (Atos 13:45). Após Paulo responder que era mister pregar a palavra de Deus primeiro a eles, mas como eles o haviam rejeitado se voltaria para os gentios para lhes anunciar a salvação “os judeus incitaram algumas mulheres religiosas e honestas, e os principais da cidade, e levantaram perseguição contra Paulo e Barnabé, e os lançaram fora dos seus termos” (Atos 13:50).

Em Icônio: De maneira semelhante, após anunciar Jesus “os judeus incrédulos incitaram e irritaram, contra os irmãos, os ânimos dos gentios” (Atos 14:2). E após algum tempo conseguiram dividir a multidão da cidade “E havendo um motim, tanto dos judeus como dos gentios, com os seus principais, para os insultarem e apedrejarem” (Atos 14:5). Após ficarem sabendo do motim, Paulo e Barnabé partiram para Listra e Derbe.

Em Listra: Após curarem um homem coxo, desde o ventre da sua mãe. Paulo e Barnabé foram aclamados por toda a cidade, pois acreditavam que eles eram deuses e o chamavam “Jupiter e Mercurio”. Após não aceitarem receber sacrifícios disseram: “Senhores, por que fazeis essas coisas? Nós também somos homens como vós” (Atos 14:15) e impediram que a multidão lhes sacrificassem. No entanto, após esse evento “sobrevieram ali uns judeus de Antioquia e de Icônio que, tendo convencido a multidão, apedrejaram a Paulo e o arrastaram para fora da cidade, cuidando que estava morto” (Atos 14:19).

Após lembrar Timóteo das perseguições que enfrentou nesses lugares ele o escreve que, de todas essas perseguições, Deus o livrou.


“E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições. ”

A piedade sempre provoca o antagonismo do mundo. Paulo já havia deixado isso claro quando passou novamente nas cidades citadas: “Confirmando os ânimos dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé, pois que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus” (Atos 14:22), e não quer deixar os irmão de Efeso ignorantes a respeito disso. Aos Tessalonicenses ele havia escrito: “Pois, estando ainda convosco, vos predizíamos que havíamos de ser afligidos, como sucedeu, e vós o sabeis” (1 Tessalonicenses 3:4).

Willian Barclay escreveu: “É melhor sofrer com Deus e com a verdade do que prosperar com os homens e com a mentira, pois a perseguição é transitória, mas a glória final dos fiéis é segura”. As cicatrizes são o preço que todo crente paga por sua lealdade a Cristo. A perseguição é um cálice que todo crente fiel a Cristo precisa beber.

Calvino corrobora essa ideia dizendo que “é inútil tentar separar Cristo de sua cruz, e é muito natural que o mundo odeie a Cristo, incluindo seus membros”. Jesus intercedeu ao Pai por nossa condição: “Não peço que os tire do mundo, mas que os livre do mal”.

Então não podemos nos esquecer que como ele livrou Paulo da suas perseguições ele nos livrará de todo o mal e que em Cristo podemos nos alegrar mesmo sofrendo perseguições: “Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós” (Mateus 5:12).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
28/11/2023

 

FONTES:

GABY, Wagner. Até os confins da terra – Pregando o evangelho a todos os povos até a volta de Cristo. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

Lopes, Hernandes Dias. 2 Timóteo: o testamento de Paulo à igreja. São Paulo: Hagnos, 2014.

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Atos 7:60

    

Atos 7:60 “E, pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes este pecado. E, tendo dito isto, adormeceu.”

 

“E, pondo-se de joelhos, clamou com grande voz:”

Após ser retirado da cidade pelos seus algozes a fim de ser apedrejado. Estevão durante o seu martírio invoca a Jesus a quem vê em pé a direita de Deus. Ele pronunciou duas frases. A primeira no verso anterior: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito” (v. 59). Sua oração é parecida com a que, segundo Lucas, Jesus pronunciou pouco antes de morrer: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!" (Lucas 23.46). Mas essas não seriam as últimas palavras de Estevão. Ele diz uma segunda frase ao se ajoelhar.

 

 “Senhor, não lhes imputes este pecado.”

Estevão ainda ecoa outra declaração de Jesus na cruz: “Senhor não lhes imputes este pecado”. Esta declaração é uma reminiscência da primeira frase dita por Jesus na cruz, relatada por Lucas: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lucas 23.34). Quer tenha sido Estevão quem imitou seu Mestre deliberadamente ou Lucas quem observou e ressaltou o fato, existem várias semelhanças entre a morte de Jesus e a morte de Estevão.

Em ambos os casos, foram contratadas falsas testemunhas e a acusação era blasfêmia. As duas execuções foram acompanhadas por duas orações, rogando o perdão para os acusadores e a aceitação de seus próprios espíritos ao morrerem. Portanto — conscientemente ou não — o discípulo imitou seu Mestre. A única diferença foi que Jesus dirigiu suas orações ao Pai, enquanto que Estevão as dirigiu a Jesus, chamando-o de "Senhor" e colocando-o no mesmo nível de Deus.

Naquele momento de suplício e de dores, Estevão não demonstrou sentimento de vingança ou de ódio. Todos ouviram esta testemunha inspirada oferecer uma oração de perdão aos seus executores. Somente o poder do Espírito Santo pode capacitar Estevão a fazer a oração que ele fez. Cumpriu-se o que diz a Palavra de Deus: “Preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos” (Salmo 116.15). Um crente cheio do Espírito Santo não cultiva a vingança nem o ódio no coração. Ele está pronto a perdoar seus algozes.

 

“E, tendo dito isto, adormeceu.”

Após dizer essas palavra de perdão Estevão adormeceu ( 1 Tessalonicenses 4:14-15). A palavra adormeceu é um eufemismo. Como quando Jefté “loucamente” ofereceu sua filha em holocausto: “E sucedeu que, ao fim de dois meses, tornou ela para seu pai, o qual cumpriu nela o seu voto que tinha feito; e ela não conheceu homem...”(Juízes 11:39). Bengel denomina a escolha da palavra “adormeceu” de "uma palavra cheia de tristeza, mas doce". F. F. Bruce diz que foi "uma descrição inesperadamente bonita e cheia de paz para uma morte brutal".

Estevão então morreu. Ele dormiu na terra e logo foi recebido no céu pelo próprio Senhor Jesus. O primeiro cristão a morrer por amor a Jesus. Para Estevão, o terrível tumulto terminou em uma estranha paz.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
11/08/2025 

FONTES:

GONÇALVES, José. A igreja em Jerusalém – Doutrina comunhão e fé: A base para o crescimento da igreja em meio as perseguições. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

RENCH, Arrington L., STRONSTAD, Roger (Eds). Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. Volume 1. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.

MARSHALL, Howard. Atos - Introdução e Comentário. Vida Nova/Mundo Cristão. 1991.

STOTT, John R. W. A Mensagem de Atos: Até aos Confins da Terra, São Paulo: ABU, 1994.

Atos 6.11

    

Atos 6.11 “Então subornaram uns homens, para que dissessem: Ouvimos-lhe proferir palavras blasfemas contra Moisés e contra Deus.”

 

“Então subornaram uns homens,”

Já que não puderam silenciar Estevão com palavras, alguns estavam determinados a achar alguma outra maneira, qualquer que fosse. Os inimigos de Estevão usaram métodos subversivos. Usaram dinheiro como suborno para comprar falsas testemunhas.

A palavra grega shohad significa um presente, mas no sentido corrupto, um suborno. A lei hebraica condenava dar ou receber presentes ou subornos com a finalidade de perverter a justiça: “Também suborno não tomarás; porque o suborno cega os que têm vista, e perverte as palavras dos justos” (Êxodo 23.8). São feitas muitas referências ao seu uso para corromper juízes e governantes (Jó 15.34; 1 Samuel 8.3; Salmo 26.10; Isaías 33.15; Ezequiel 22.12).

Nos julgamentos anteriores de Pedro e dos demais apóstolos, vemos a mesma tática que foi usada para condenar Jesus. Foi assim também com Estevão, antes de ser levado perante o Sinédrio, pois assim como os adversários de Estêvão, os inimigos de Cristo também “procuraram algum testemunho falso contra Jesus, a fim de o condenarem à morte” (Mateus 26:59).

O nono mandamento: “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo” (Êxodo 20:16), havia sido dado para proteger as pessoas de falsas acusações em juízo: “Não admitirás falso boato, e não porás a tua mão com o ímpio, para seres testemunha falsa. Não seguirás a multidão para fazeres o mal; nem numa demanda falarás, tomando parte com a maioria para torcer o direito. Nem ao pobre favorecerás na sua demanda” (Êxodo 23:1-3).

Deveria haver pelo menos duas ou três testemunhas; não era possível condenar uma pessoa com base em apenas um testemunho: “Uma só testemunha contra alguém não se levantará por qualquer iniqüidade, ou por qualquer pecado, seja qual for o pecado que cometeu; pela boca de duas testemunhas, ou pela boca de três testemunhas, se estabelecerá o fato” (Deuteronômio 19:15). E foi o que os acusadores de Estevão buscaram, mais de uma testemunha falsa através do dinheiro e com isso perverteram o juízo justo.

 

 “... para que dissessem: Ouvimos-lhe proferir palavras blasfemas contra Moisés e contra Deus.”

Essas falsas testemunhas compradas deveriam disser que Estevão proferiu palavras blasfemas contra Moisés e contra Deus. “Blasfêmia” é usada no sentido de “falar contra”. Estevão foi acusado pelas testemunhas compradas de falar contra a Lei de Moisés e contra Deus. As acusações contra Estevão, porém eram falsas (Atos 6:13), resultado de terem distorcido suas palavras. Estevão ensinou que não se podia ser salvo por guardar a lei de Moisés, mas ele não blasfemou contra Moisés. E é certo também que ele jamais blasfemara contra Deus!

Até esta altura, os saduceus tinham se empenhado em perseguir os cristãos porque os apóstolos ensinavam a ressurreição, algo em que o saduceus não criam, mas os fariseus criam: “E, estando eles falando ao povo, sobrevieram os sacerdotes, e o capitão do templo, e os saduceus, Doendo-se muito de que ensinassem o povo, e anunciassem em Jesus a ressurreição dentre os mortos” (Atos 4:1,20.

Agora, porém, a acusação de que Estevão estava falando contra Moisés, a Lei, e as tradições judaicas fizeram também os fariseus se envolveram na questão! Pois , blasfemar contra Moisés era um crime. Então todo o conselho investiu contra Estevão. Posteriormente o povo também se revoltou. As acusações apesar de falsas, foram suficientes para colocar a opinião pública contra Estevão. “Sublevaram o povo, os anciãos e os escribas” (v. 12a).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
11/08/2025 

FONTES:

GONÇALVES, José. A igreja em Jerusalém – Doutrina comunhão e fé: A base para o crescimento da igreja em meio as perseguições. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

MARSHALL, Howard. Atos - Introdução e Comentário. Vida Nova/Mundo Cristão. 1991.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_200111_03.pdf

PEARLMAN, Myer. Atos: E as igreja se fez missões. CPAD, 1ª edição, Rio de Janeiro, 1995.

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD 11 DE AGOSTO DE 2025 (João 16.33)

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD
11 DE AGOSTO DE 2025
A PERSEGUIÇÃO NA ROTA DA FÉ CRISTÃ

João 16.33 “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.”

 

“Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz;”

Se os ensinos de Jesus no capítulo 16 pudessem ser resumidos num único tema central, seria essa mensagem. Jesus começou a comunicar suas últimas palavras aos doze usando pela última vez a frase: “Tenho-vos dito isto”.  Essa frase poderia se referir somente à declaração anterior sobre a dispersão dos discípulos após a prisão de Jesus. No entanto, é mais provável que essa frase se refira a todo o discurso.

Todas as advertências, todas as predições, todas as promessas foram com o propósito de dar aos discípulos paz no momento mais tumultuoso de suas vidas!  Jesus nunca prometeu a Seus discípulos que suas vidas seriam isentas de dificuldades, mas Ele prometeu a eles a paz de Deus, mesmo em meio às dificuldades.

As palavras “em mim” lembram a alegoria da videira e dos ramos, em que Jesus salientou a importância de permanecermos nele (João 15:5–7). Aqueles que permanecem em Jesus, relacionando-se intimamente com ele, podem ter “paz” (Gr. eirēnē). E podem “continuar tendo paz”. A “paz” que o discípulo tem ao permanecer em Jesus é vivenciada mais internamente do que externamente. É uma paz de espírito e tranqüilidade de alma que só o crente pode desfrutar. É “a paz de Deus, que excede todo entendimento” e que “guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus” (Filipenses 4:7).

 

“... no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.”

A paz que abençoou a vida dos discípulos não os isentou de provações e tribulações; pelo contrário, Jesus disse: No mundo passais por aflições (thlipsis), referindo-se ao inevitável sofrimento que eles viriam a suportar no futuro. Em todo o Novo Testamento, a palavra thlipsis se refere aos sofrimentos dos primeiros cristãos (Atos 14:22; 20:23;1 Tessalonicenses 3:2–4). Mas eles devem ter bom ânimo.

Afinal o mundo que infligiu tribulação a Cristo é o mesmo inimigo dos seus discípulos (João 15.18-25). O mundo, assim como Satanás, é um inimigo derrotado; a cruz que o Senhor em espírito já abraçou marcou seu triunfo e a queda do mundo. Embora a crucificação só viesse a acontecer literalmente no dia seguinte, Jesus expressou aos discípulos a plena certeza de que tudo estava acontecendo conforme o planejado, e que eles seriam abençoados pelos acontecimentos que brevemente ocorreriam.

Seu povo participa do seu triunfo e da sua paz. Em 1 João 5.4s., afirma-se que “a vitória que vence o mundo é a nossa fé” - a fé “que crê ser Jesus o Filho de Deus". É esta fé que une seu povo a ele, de modo que a vitória dele passa a ser também a vitória de seu povo.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
28/07/2025 

FONTES:

GONÇALVES, José. A igreja em Jerusalém – Doutrina comunhão e fé: A base para o crescimento da igreja em meio as perseguições. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_200408_03.pdf

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_202204_03.pdf

BRUCE, F. F. João introdução e comentário. São Paulo: Mundo Cristão, 1987.