LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD
28 DE JANEIRO DE 2025
A DEIDADE ABSOLUTA DO MESSIAS SEGUNDO O PROFETA
Isaías 9.6 “Porque um
menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus
ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da
Eternidade, Príncipe da Paz. ”
“Porque um menino nos
nasceu, um filho se nos deu, ”
Este
versículo é um dos grandes pronunciamentos messiânicos, e as tentativas de
fazê-lo ajustar-se à época de Isaias por teólogos liberais fracassam
miseravelmente. Estamos acostumados a usar os títulos de Cristo nele descritos
por causa de nosso condicionamento cristão. Para os judeus, entretanto, essas
eram declarações extraordinárias e quase impronunciáveis. Jesus foi condenado
exatamente por isso: as reivindicações que fez sobre Si mesmo pareciam grandes
demais. Por isso, julgou-se que Ele blasfemava de Deus, tomando para Si mesmo
mais do que um homem poderia tomar.
O
Messias viria a nós como um menino. Mas Ele viria em primeiro lugar ao
remanescente de Israel: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam”
(João 1.11). “Um filho” refere-se a profecia de Isaías 7.14, Emanuel, “Deus
conosco”. Essa profecia aponta para o nascimento virginal de Cristo, a sua
encarnação, uma das grandes doutrinas cristãs. A encarnação foi a rota
escolhida por Deus para Sua manifestação (Semente da mulher). Da mesma sorte
que Ele compartilhou nossa natureza humana, também um dia haveremos de compartilhar
Sua divindade, nossa mais elevada doutrina cristã: “Pelas quais nos são
dadas grandíssimas e preciosas promessas, para que por meio delas sejais
participantes da natureza divina” (2 Pedro 1.4).
“... e o principado
está sobre os seus ombros, ”
A
realeza era simbolizada por um cetro sobre o ombro do rei. O governo estando
“sobre os seus ombros” significa que Ele será rei. Diz aqui o hebraico, literalmente: "a carga
da autoridade" (governo), ou seja, a chave estaria em Seus ombros: “E
porei a chave da casa de Davi sobre o seu ombro, e abrirá, e ninguém fechará; e
fechará, e ninguém abrirá” (Isaias 22.22).
Isso
confirma a autoridade de Cristo vislumbrada pelo apóstolo João a igreja de Filadélfia:
“Isto diz o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi; o
que abre, e ninguém fecha; e fecha e ninguém abre” (Apocalipse 3.7). Nesse
contexto, Ele é descrito como um governante da família de Davi.
“... e se chamará o
seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, ”
A
expressão “o seu nome será” é de grande significância. Nomes bíblicos
indicam “o caráter,
a essência ou natureza de uma pessoa...”Isto certamente é verdadeiro quanto aos
nomes
aplicados ao Messias. Analisemos os nomes aplicados a Ele nesta passagem.
Champlin
diz que é melhor entender as duas palavras como um único título. Terry Briley observou
que: “o título poderia ser traduzido literalmente por ‘Maravilha de
Conselheiro’”. Todavia, Maravilhoso” e “Conselheiro” não são colocados juntos
por eruditos hebreus antigos.
Maravilhoso
é a prova clara de que o Messias iria transcender os limites da compreensão e
existência humanas comuns: “Quem entre os deuses é semelhante a ti, Senhor?
Quem é semelhante a ti? Majestoso em santidade, terrível em feitos gloriosos,
autor de maravilhas? ” (Êxodo 15.11 NVI). Por exemplo, os milagres que os
Evangelhos relatam acerca de Jesus, o Messias, deixaram claro que Ele era
extraordinário, ou seja, não é comum aos seres humanos caminharem sobre as
águas ou ordenar aos mortos para que voltem à vida (João 11.1-46). E o que
dizer da sua morte e ressurreição?
A
característica de Conselheiro é indispensável aos reis, especialmente quando se
trata do Rei dos reis e Senhor dos senhores, que governará eternamente. Desde o
Antigo Testamento ao Novo Testamento, observamos que Deus sempre deixou claro
que o Messias seria amante da sabedoria (Provérbios 8; Isaías 11.2). Essa
sabedoria é notável ao percebermos que, até mesmo quando criança, antes de dar
início ao seu ministério, Jesus já se sentava para gastar tempo com os doutores,
ouvindo-os e interrogando-os (Lucas 2.41-52). Jesus insinua que Ele é o “Conselheiro”
quando chama o Espírito Santo de “outro” Conselheiro (João 14 .16).
Deus Forte,
Conselho
e força precisam andar juntos; se faltar um, o outro qualificativo perde sua
importância. Contrapondo a fraqueza dos governantes que oprimiram os fracos e
desvalidos, mas também se sobrepondo aos países que oprimiram Israel, como
Assíria e Babilônia, agora o Deus Forte assume o controle. Ele tem todo o poder
e pode governar (Isaías 10.1,2).
Deus
é infinitamente mais forte que todos os inimigos e vai dar descanso ao seu
povo. Além disso, é na força de Deus que o Messias, também sendo Deus, imporá a
justiça e o direito, ninguém mais oprimirá seu próximo, pois a equidade é
estabelecida. Ele é forte o suficiente para estabelecer a tão esperada paz.
Jesus na sua ressurreição afirmou: “É-me dado todo o poder no céu e na terra”
(Mateus 28.18).
Pai da Eternidade,
Pai
da Eternidade poderia ser traduzido “Autor da Eternidade [ou, “do Universo”].
Isto se ajusta com João 1.3, onde o Verbo vivo é aquele por intermédio de quem
Deus fez tudo o que foi feito. Isto também fala de seu cuidado fiel e amoroso,
que é perpétuo.
Ele
contrapõe a efemeridade de tudo que é humano, “e ele é antes de todas as
coisas, e todas as coisas subsistem por ele” (Colossenses 1.17). Exatamente
por Ele ser eterno, sem começo nem fim, é que é o Deus Forte que controla e
mantém todas as coisas em seu devido lugar, com todas as leis da natureza por
Ele criadas e sustentadas. Antes que houvessem sido criados céus e terra Ele já
existia (João 1.1), pois Ele criou a própria eternidade. Além disso, Ele
existirá para todo o sempre, numa perpetuidade de poder, glória e majestade: “Eu
Sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim” (Apocalipse 22.13).
Príncipe da Paz. ”
Ele
também é o “Príncipe da Paz”, aquele que traz a verdadeira paz — a qual inclui
salvação, bênção, integridade, harmonia, e bem-estar — uma paz que Jesus dá
agora (João 14.27).
Em
hebraico paz é mais do que estado de tranquilidade, mas também sugere
prosperidade, espaço, riqueza, saúde, bem-estar, felicidade e contentamento.
Contrapondo o ambiente de guerra, desolação, violência e injustiça, o Messias
traria uma paz perpétua que nenhum poder ou inconveniente poderia tirar. A paz
do Príncipe seria muito mais do que ausência de guerras e violência, mas também
de provisão inesgotável de salvação e bênçãos para o povo de Deus, pois somente
onde há completa libertação e abundância da bondade de Deus é que se estabelece
a paz.
O
mundo inteiro anseia por paz. Hoje existem mais conflitos do que jamais houve
na terra, não somente bélicos, mas também na sociedade violenta e nas famílias
disfuncionais. Mas o Príncipe da Paz estabelece sua paz àqueles que hoje se
entregam ao seu governo e num futuro próximo dará paz completa para toda a
sociedade e todos os povos e nações da terra, conforme diz o salmista em Salmos
72.12-14: “Porque ele livrará ao necessitado quando clamar, como também ao
aflito e ao que não tem quem o ajude. Compadecer-se-á do pobre e do aflito, e
salvará as almas dos necessitados. Libertará as suas almas do engano e da
violência, e precioso será o seu sangue aos olhos dele”.
E
notável e inexplicável que este tão augusto versículo não tenha sido citado uma
vez sequer em todo o Novo Testamento. Por outro lado, ele tem feito parte da
cristologia desde o princípio.
DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
18/11/2024
FONTES:
RENOVATO, Elinaldo. As Promessas de Deus - Confie e Viva as
Bênçãos do Senhor porque Fiel é o que Prometeu. Rio de Janeiro: CPAD, 2024.
POMMERENING, Claiton Ivan. Isaías –Eis-me aqui, envia-me a
mim. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201006_02.pdf
HORTON, Stanley. Isaías - O profeta messiânico. Rio de
Janeiro: CPAD, 2016.
CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado
versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.