sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Hebreus 11.1

Hebreus 11.1 “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem. “


Este é o mais lido e conhecido dos 13 capítulos da Epístola aos Hebreus. Alguns escritores da Bíblia o tem denominado de “A Galeria dos Heróis da Fé”, visto que ela (a fé) encontra-se presente do começo ao fim deste capítulo, marcando cada acontecimento. Tudo aqui se dá pela fé. A expressão “pela fé” aparece cerca de 20 vezes, para mostrar o que a fé representa para a vida religiosa.

Mais do que um conceito, o autor faz aqui uma afirmação sobre a fé que é oposta àquela que estava sendo demonstrada por seus leitores. Os Hebreus davam sinal de fraqueza espiritual justamente porque estava faltando-lhes a fé. O substantivo grego pistis, traduzido aqui como "fé”, ocorre 243 vezes no Novo Testamento; 30 vezes somente em Hebreus, sendo que, somente no capítulo 11, há o registro dessa palavra 24 vezes.


“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam...” 

A palavra grega traduzida aqui como "fundamento", tem, no texto grego, o sentido de certeza, confiança, segurança. A ARA traduz o termo como certeza: “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam”. Nesse sentido, era usada como atestação ou garantia de uma propriedade. Para o autor, a fé era como ter em mãos um documento que atestava a posse de determinado objeto. A fé nos provê uma garantia da recompensa celestial já agora. Não se trata de uma confiança sem provas; a fé é uma confiança sólida baseada num firme fundamento.

A fé é a nossa certeza (confiança) em relação à nossa esperança. Sem esperança, seríamos desgraçados diante de nossos problemas com o mundo: “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” (1 Coríntios 15:19). É uma confiança baseada não em mero querer, mas nas promessas de Deus.

Fé não é “confiança em si mesmo”, “pensamento positivo” ou “salto no escuro”. A fé, como descrita pelo escritor bíblico, é uma confiança inabalável no caráter de Deus e em sua Palavra, isto é, porque Deus falou, então, nós acreditamos. Essa confiança é fruto da convicção de que Aquele que prometeu irá cumprir o que disse no tempo determinado, pois Ele é fiel, justo, verdadeiro e imutável: “Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação” (Tiago 1:17)

Não pode haver esperança real sem fé, e não pode haver fé real sem esperança. Esperar coisas “que não se veem” é antecipar algo melhor: “Pereceria sem dúvida, se não cresse que veria a bondade do Senhor na terra dos viventes” (Salmos 27:13). Foi essa fé que tornou o céu algo real para Abraão:“Porque esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus” (Hebreus 11:10).

Esse capítulo fala de muitos que agiram “por fé”. A ação obediente resultou da confiança em Deus e em Suas promessas. Deus disse, eu creio e isso basta, é um raciocínio simplista, mas esta frase contém a essência da "fé”.


“... e a prova das coisas que se não veem. “

O termo grego traduzido aqui como "prova”, tem o sentido de "evidência” ou “convicção”. A visão física produz a convicção ou a prova das coisas visíveis; a fé é o órgão que capacita as pessoas a verem a ordem invisível: “Todos estes morreram na fé, sem ter obtido as promessas; vendo-as, porém, de longe, e saudando-as, e confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra. ” (Hebreus 11:13 RA)

Aqui temos um ponto muito importante a considerar. Pessoas há que manipulam este texto para justificar a prática mística do que eles chamam de visualização mental para obtenção do que se deseja. Nesse meio estão certas ramificações da Confissão Positiva.

Tal prática não tem apoio nas Escrituras Sagradas. No contexto do capítulo 11 de Hebreus, “as coisas que não se veem” são as coisas de Deus, “os bens futuros” (Hb 9.11), “as melhores promessas” (Hb 8.6). Isso porque tais “coisas” foram prometidas por Deus em sua Palavra, e esta não pode falhar em nenhuma hipótese.

Há “crentes” que, iludidos pelo seu próprio coração, asseveram que podem aplicar esse texto (v.1) a qualquer coisa. Por exemplo: “eu creio que Deus vai me dar um carro novo, e uma bela casa”. Ora, isso é um desejo, mas não uma promessa de Deus. Pode tornar-se real ou não. É algo condicional e circunstancial.

Paulo exorta o cristão a não atentar “nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; por que as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas” (2 Coríntios 4.18). Aqui, o apóstolo apresenta o contraste entre as coisas visíveis e as invisíveis, as coisas temporárias e as que são eternas. Assim sendo, a orientação paulina ratifica que o crente deve estar sempre de bom ânimo, “porque andamos por fé e não por vista” (2 Coríntios 5.7).

Na marcante comparação anotada por Paulo, duas diferentes visões estão envolvidas: (1) o que pode ser visto pelo olho humano e (2) o que pode ser visto somente pelos olhos espirituais — aquilo que é efêmero e aquilo que é permanente; as coisas terrenas como um processo de dor inevitável, e a celestial como suprema esperança de vida eterna isenta de aflições (Isaías 25.8). Acerca dessa expectativa, o apóstolo acrescenta: “Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra” (Colossenses 3.2). Desse modo, devemos desenvolver uma visão “espiritual” que mantenha um foco firme não no mundo visível desta vida temporal, mas no invisível mundo eterno. Através da fé entendemos que todas as coisas visíveis são resultado de uma ordem do nosso Deus invisível: “Pela fé (Moisés) deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível” (Hebreus 11:27).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
22/8/2023

FONTES:

BAPTISTA, Douglas. A igreja de Cristo e o império do mal – Como viver neste mundo dominado pelo espírito da Babilônia. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201407_01.pdf

SILVA, Severino Pedro da. Epístola aos hebreus: as coisas novas e grandes que Deus preparou para você. Rio de Janeiro: CPAD, 2003

GONÇALVES, José. A supremacia de Cristo: Fé, esperança e ânimo na carta aos Hebreus. Rio de Janeiro: CPAD,2017.

Hebreus 12.14

Hebreus 12.14 "Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor. ” 


"Segui a paz com todos "

O escritor aos hebreus exorta a igreja a seguir a paz com todos, como Paulo também solicita a se possível for enquanto estiver em nós ter paz com todos os homens (Romanos 12:18). Paz é uma das modalidades do Fruto do Espírito. Amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e temperança, (Gálatas 5:22) então ela também é procedente do Espírito Santo. Paulo escreve na epístola aos romanos que nós quando justificados pela fé temos paz com Deus. Jesus nos deixou a paz diferente da paz do mundo (João 14:27). Uma paz diferente por quê ela tem o poder de permanecer conosco além das circunstâncias da vida. Nas beatitudes ele chama de filhos de Deus os pacificadores, ou seja, aqueles que exercem a sua paz.


"... e a santificação,  "

Além da paz devemos seguir também a santificação também obra procedente do espírito santo quando justificados. A santificação é uma obra instantânea, progressiva e futura. A santificação que o escritor se refere é a santificação progressiva, que devemos seguir ou manter. Santificação progressiva se refere a manutenção da santificação instantânea quando o Espírito Santo se apossou de nós: "E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Tessalonicenses, 5:23). Em outras palavras é impossível ser santo sem manter em progressão o fruto do espírito. A primeira epístola de Pedro nos diz que Deus é santo e que nós também devemos ser santos como Ele é (I Pedro 1:15-16). Pedro está citando o texto de Levítico 11:44 que em outro tempo foi recomendado ao povo de Israel. Mas agora no tempos dos gentios Deus espera isso de nós que por sua graça nos tornamos sacerdócio real e nação santa..


"... sem a qual ninguém verá o Senhor. ” 

Santificação não deve ser vista como requisito para a salvação, mas consequência dela, a palavra de Deus nos diz: "Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo, como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor" (Efésios, 1:3-4). A santificação sempre esteve no projeto de Deus para sua igreja de forma que aqueles que são chamados por ele estão predestinados para uma vida santa e irrepreensível, pois a santidade convém a casa de Deus para sempre (Salmo 93:5). Sem santificação negamos a eficácia da nossa salvação: "Porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação. Portanto, quem despreza isto não despreza ao homem, mas, sim, a Deus, que nos deu também o seu Espírito Santo" (1 Tessalonicenses, 4:7-8).


DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
6/2/2021

Fonte:

SOARES, Esequias. O Verdadeiro Pentecostalismo: A atualidade da doutrina bíblica sobre a atuação do Espírito Santo. Rio de Janeiro. CPAD, 2021.

Hebreus 12.5

Hebreus 12.5 “E já vos esquecestes da exortação que argumenta convosco como filhos: Filho meu, não desprezes a correção do Senhor e não desmaies quando, por ele, fores repreendido. “

 

“E já vos esquecestes da exortação que argumenta convosco como filhos:”

As Escrituras ensinam que haverá disciplina. Teriam esses leitores do primeiro século se esquecido do que diziam as Escrituras? Ou o escritor acusou-os disso, ou então só podemos presumir que eles de fato se esqueceram literalmente.

Todavia, os judeus do primeiro século estavam impregnados das Escrituras e, sem dúvida, já tinham lido o texto citado que o escritor aos hebreus citará. Entretanto é realmente fácil nos esquecermos do que deveríamos lembrar, se não nos aprofundamos em passagens pertinentes e as aplicamos a nossas vidas.

Por isso o apóstolo Pedro exorta seus leitores a atentarem as suas palavras já escritas: “Amados, escrevo-vos agora esta segunda carta, em ambas as quais desperto com exortação o vosso ânimo sincero; Para que vos lembreis das palavras que primeiramente foram ditas pelos santos profetas, e do nosso mandamento, como apóstolos do Senhor e Salvador” (2 Pedro 3:1,2).

Tiago também escreve nesse sentido a não sermos ouvintes esquecidos: “Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecediço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito” (Tiago 1:25).

 

“Filho meu, não desprezes a correção do Senhor e não desmaies quando, por ele, fores repreendido.”

Citando Provérbios 3.11: “Filho meu, não rejeites a correção do Senhor, nem te enojes da sua repreensão” , o autor mostra que a prova da fé cristã, longe de sinalizar um abandono de Deus, é uma clara demonstração do seu amor.

Na visão judaica comum, entendia-se que o sofrimento era uma disciplina, ou um método de aprendizado, da parte de Deus.  A disciplina sempre existiu entre o povo de Deus. Desde os tempos em que os hebreus saíram da escravidão no Egito até os dias atuais, a disciplina tem sido o método instituído pelo Senhor como forma de preservar a santidade e a comunhão com o seu povo.

Na maioria das vezes, pensamos que o sofrimento é algo fora do controle divino, e algumas vezes chegamos até mesmo a perguntar ao Senhor se não há uma maneira mais suave de nos ensinar.

Entretanto, muitas vezes o açoite de Deus testifica de seu amor para conosco, pois aqueles que não toleram ser castigados por Deus, para sua própria salvação, podem num futuro bem próximo perder suas almas: “Seja, este tal, entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus” (1 Coríntios 5:5).

Podemos até pensar: “O ‘filho’ admoestado em Provérbios não poderia ser um de nós!” Porém a Bíblia é sempre atual; ela é sempre aplicável. Os princípios da verdade apresentados no Antigo Testamento devem ser aplicados a nós sempre que possível. Recordemos que o nosso Deus “educa” a quem Ele ama por meio de correção: “Porque o Senhor repreende aquele a quem ama, assim como o pai ao filho a quem quer bem” (Provérbios 3:12)

O apóstolo Paulo relaciona em 2 Coríntios 11 uma série de sofrimentos atrozes aos quais foi submetido. Contudo, em meio a estas calamidades, ele ouviu a voz do Pai eterno, que lhe dizia: “A minha graça de basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza... Pelo que sinto prazer nas fraquezas [responde agora Paulo], nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando estou fraco, então, sou forte” (2 Coríntios 12.9,10).

A Disciplina é um sinal do amor de Deus por Seus filhos. Falta de sofrimento poderia indicar que somos filhos do diabo! Nossa própria natureza é de tal maneira que precisamos de disciplina (conforme está implícito no versículo 10). A tribulação vai produzir para nós “eterno peso de glória, acima de toda comparação” (2 Coríntios 4:17).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
03/01/2024

FONTES:

GONÇALVES, José. O Corpo De Cristo – Origem, Natureza e Missão da Igreja no Mundo. Rio de Janeiro CPAD, 2023.

SILVA, Severino Pedro. Epístola aos Hebreus – as coisas novas e grandes que Deus preparou para você. Rio de Janeiro CPAD, 2023.

GONÇALVES, José. A supremacia de Cristo- Fé, esperança e ânimo na carta aos Hebreus. Rio de Janeiro CPAD, 2017.

http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201408_03.pdf

Hebreus 11.8

Hebreus 11.8 “Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia. “


“Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu “

Abraão é a primeira pessoa do Antigo Testamento mencionada especificamente como alguém que tem fé. A fé de Abraão trouxe justificação, o que significa que ele foi considerado justo.Ele não foi um homem perfeito, sem pecado, mas viveu na fé. Ele recebera o chamado para “ir”: “Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei” (Gênesis 12:1), assim como os leitores de Hebreus foram chamados a sair do judaísmo e, mais tarde, foram admoestados a sair “do arraial” do judaísmo: ”Saiamos, pois, a ele fora do arraial, levando o seu vitupério. Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura” (Hebreus 13:13,14). Da mesma maneira a fé nos desafia a nos afastar do mundo e vir para a igreja: “Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; E não toqueis nada imundo ,E eu vos receberei ” (2 Coríntios 6:17). A palavra “Eclésia” significa “chamados para fora”. Um aspecto notável da fé de Abraão é a sua obediência pessoal. “Quando chamado, obedeceu”, a obediência acompanhou a chamada. Foi, na realidade, espontânea. Quando Deus chamou a Abraão, este não vacilou, mas obedeceu sem fazer perguntas. Ele obedeceu sem o tipo de instrução específica que foi dada a Noé. Talvez seja por isso que Abraão, e não Noé, é conhecido como “O Pai dos Fiéis”. Afinal “ os que são da fé são benditos com o crente Abraão “ (Gálatas 3:9).


 “... indo para um lugar que havia de receber por herança; “

Quando ele foi chamado por Deus em Harã, não teve uma explicação clara de sua herança futura. Sua fé foi o que dominou a sua vida. Todavia, essa terra ainda não era dele, mas apenas uma promessa. Na verdade, Abraão morava nas promessas de Deus e vivia em Canaã. Ali, ele não passava de um estrangeiro. Ele realmente “peregrinou na terra da promessa como em terra alheia” (v. 9). A fé dizia que essa terra, embora não lhe pertencesse fisicamente, era dele por herança divina. A fé era o único documento que ele tinha de propriedade daquela terra.

Em Gênesis 13:14-17 Deus lhe falou: “Levanta agora os teus olhos, e olha desde o lugar onde estás, para o lado do norte, e do sul, e do oriente, e do ocidente; Porque toda esta terra que vês, te hei de dar a ti, e à tua descendência, para sempre. E farei a tua descendência como o pó da terra; de maneira que se alguém puder contar o pó da terra, também a tua descendência será contada. Levanta-te, percorre essa terra, no seu comprimento e na sua largura; porque a ti a darei


“... e saiu, sem saber para onde ia. “

Sair dessa maneira deve ter sido, bem frustrante e amedrontador. Quando lhe ordena a sair, Deus não lhe mostra o lugar para onde quer que Abraão vá, o mantém em suspense e em perplexidade de espírito. Diz Deus: “Vai para o lugar que te mostrarei” (Genesis 12.1). “Deixar as certezas e sair em busca daquilo que é desconhecido — não contando com nada além da Palavra de Deus — é a essência da fé”.

Isto é o que o autor de Hebreus quer que seus leitores assimilem: uma vida de fé firme, em que todos se entreguem completamente a Deus, ao seu chamado para uma vida de peregrinação na qual todos o sigam fielmente, confiando nas promessas de Deus— tudo em harmoniosa e feliz obediência.

Fé e obediência implícitas são devidas a Deus, e a Ele somente. Todos os que são efetivamente chamados abrem mão da sua própria vontade e sabedoria a favor da vontade e da sabedoria de Deus, e é sábio da parte deles fazer assim; embora não saibam sempre o seu caminho, contudo conhecem o seu guia, e isso os satisfaz

Jesus disse a Nicodemos: “O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito ” (João 3:8)

Todos os que experimentaram o novo nascimento têm algo em comum com o vento. Assim como não se pode explicar o vento e seus efeitos, tampouco se pode realmente explicar a mudança que ocorre na vida de quem vive um novo nascimento. O que são os nascidos do Espírito, de onde vêm e para onde vão são fatos incompreensíveis para o mundo; tão incompreensíveis quanto o próprio Jesus é para os judeus: “Respondeu Jesus, e disse-lhes: Ainda que eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho é verdadeiro, porque sei de onde vim, e para onde vou; mas vós não sabeis de onde venho, nem para onde vou” (João 8:14).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
1/10/2023

FONTES:

GABY, Wagner. Até os confins da terra – Pregando o evangelho a todos os povos até a volta de Cristo. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201407_03.pdf

http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_202111_01.pdf

Hebreus: Introdução e Comentário - Série cultura Bíblica. São Paulo: Vida. Nova, 2005.

GONÇALVES, José. Maravilhosa Graça. Rio de Janeiro: CPAD 2016.

 Calvino, João (1509-1954).Hebreus. São José dos Campos, SP.: Editora Fiel.

ARRINGTON French L; STRONSTAD Roger. Comentário Bíblico Pentecostal – Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry – Atos a Apocalipse. Rio de Janeiro CPAD.

Hebreus 10.25

Hebreus 10.25 “Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns; antes, admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais quanto vedes que se vai aproximando aquele Dia.”

 

“Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns; antes, admoestando-nos uns aos outros; ”

A estabilidade espiritual é alcançada através das atividades promovidas neste versículo, ou seja, “congregar” e “fazer admoestações”. A palavra grega para “congregar”, significa “reunir em assembleia”. Esta passagem, juntamente com Tiago 2:2, pode implicar que a “sinagoga” era usada como um local de encontro da igreja do primeiro século2. O termo inicialmente denotava “reunir-se”, mas veio a significar “local de reunião”. Todavia, grupos inteiros se reuniam nas sinagogas em Jerusalém – onde havia muitas sinagogas. À luz desta possibilidade, dizer que não havia “prédios de igreja” na época do Novo Testamento pode não ser completamente verdade.Os cristãos deveriam se encontrar com o propósito de encorajar e exortar uns aos outros, como o versículo 24 convoca os santos a fazerem. Recordemos que o autor de Hebreus incentivou que isso fosse feito diariamente (3:12, 13). Este versículo não está dizendo para nos “estimularmos a congregar”, mas para “congregarmos para nos estimular”. Como aqueles cristãos poderiam se estimular e fortalecer uns aos outros, senão passando tempo juntos? Eles deveriam se encontrar a fim de fazer essa exortação à fidelidade constante. Edificar, exortar e estimular são propósitos essenciais da reunião dos cristãos (1 Coríntios 14:26–33). O autor de Hebreus não considerou possível quem não se reúne regularmente com outros crentes ser fiel ao Senhor. O “solitário” pode ser um crente, mas ele não é um crente firme e constante. Por isso ele exorta seus leitores porque observou que alguns já estavam com esse mau costume, e isso era extremamente nocivo à comunhão cristã. É um alerta que ecoa forte nestes dias onde aumenta assustadoramente o número de desigrejados. “Deixar” as reuniões da igreja é um sinal inequívoco de apostasia – ou um sinal de que logo acontecerá a apostasia. A palavra “deixar” significa “abandonar”. Negligenciar a assembleia dos santos geralmente leva a uma total deserção da fé. Os primeiros leitores desta epístola estavam lutando contra pressões a eles impostas pelas fortes influências judaicas para que continuassem a adoração no templo segundo a lei. A admoestação do autor era que eles deveriam se manter fiéis a Cristo. Eles ainda não haviam desistido, mas haviam permanecido fieis no passado em tribulações semelhantes (vv. 32–36).


 “...e tanto mais quanto vedes que se vai aproximando aquele Dia.”

Os crentes precisam uns dos outros, especialmente em razão das circunstâncias difíceis e à medida “que se vai aproximando aquele dia” (10.25). “O dia” que se aproxima é o dia do ajuste de contas.

Existem três interpretações principais sobre seu significado:

a) O cerco romano contra Jerusalém poderia já ter começado quando a carta aos Hebreus foi escrita. Deste modo, o dia da destruição da cidade e do Templo que foi profetizado por Jesus pode ter sido um evento iminente e um sinal patente para todos os judeus (cristãos e outros), em relação à dissolução da antiga ordem.

b) Pode se referir ao Dia do Julgamento, quando “cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus” (Rm 14.12).

c) Pode se referir principalmente à aproximação do retomo de Cristo e à responsabilidade que tal evento representa. Este fato forneceria um incentivo adicional para ser um participante ativo na vida da igreja local. Por mais longo que possa ser o período entre a primeira vinda de Cristo e seu retorno, o tempo de sua volta está sempre próximo (Ap 1.3). Bruce comenta que “cada geração cristã sucessiva é chamada a viver como a geração do final dos tempos”, para quem Cristo pode retornar em breve (1990,259). Uma vez que como crentes verdadeiros já experimentamos “as virtudes do século futuro” (6.5) e recebemos “um reino que não pode ser abalado” (12.28), existe uma realidade presente em nossa adoração, e na esperança do final dos tempos. Assim, continuemos inabaláveis no caminho da esperança, em completa lealdade para com Cristo e seu povo.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
23/08/2022

Fontes:

GONÇALVES, José. Os ataques contra a igreja de Cristo – As sutilezas de Satanás nestes dias que antecedem a volta de Jesus Cristo. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.

http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201406_07.pdf

GONÇALVES, José. A supremaciade CristoFé, esperança e ânimona carta aos Hebreus. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

ARRINGTON French L; STRONSTADRoger. Comentário Bíblico Pentecostal – Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

 

Hebreus 4.12

Hebreus 4.12 “Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração. ” 


 “Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz...” 

1) A palavra de Deus é Viva. O Comentário Esperança descreve que “viva é a Palavra de Deus, porque jorra da fonte de toda a vida, que jamais seca (Sl 36.10) e é capaz de infundir nova vida nos corações humanos (Jo 6.63; 1Pe 1.23-25; Is 40.8)”. Donald Guthrie argumenta “que a Palavra é viva e demonstra que reflete o caráter verdadeiro do próprio Deus, a fonte de toda a vida”. 2 Em suma, a “Palavra é viva” pois o Deus da Palavra é um “Deus vivo” (Hb 3.12; 9.14; 10.31; 12.22). 

2) A palavra de Deus é Eficaz. A afirmação de que a Palavra de Deus é “eficaz” ecoa Isaías 55:11, em que o profeta declarou que a “palavra” de Deus não volta para Ele “vazia”, mas faz o que Ele deseja que ela faça. Uma vez que nada pode ser ocultado de Deus, é apropriado que Ele tenha designado o evangelho para atingir cada parte do nosso ser e expor as nossas deficiências. A Palavra de Deus, pelo seu próprio caráter exige uma resposta autêntica por parte daqueles que a escutam, ela é cheia de poder para alcançar resultados. Quando Deus a faz agir pelo seu Espírito, ela convence poderosamente, conforta poderosamente. Ela é tão forte que derruba as fortalezas (II Co 10.4-5)


“...e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, ”

A comparação da Palavra de Deus como uma espada é de emprego frequente na Bíblia Sagrada (Ef 6.17; Ap 1.16; 2.12; 19.13-15). O uso figurado da espada de dois gumes simboliza que a Palavra de Deus é tão bem afiada que nada existe que ela não possa transpassar. Simon Kistemaker adverte que “o simbolismo transmite a mensagem de que o julgamento de Deus é severo, justo e terrível. Deus tem o poder supremo sobre suas criaturas; aqueles que se recusam a escutar sua Palavra enfrentam julgamento e morte, enquanto aqueles que obedecem a ela entram no descanso de Deus e têm vida eterna”. 7 Implica dizer que a raça humana será julgada pela autoridade da Palavra de Deus.À Igreja em Pérgamo, o Senhor ordenou o arrependimento sob pena do juízo pela espada da Sua boca (Ap 2.16). Assim sendo, nenhuma resistência humana consegue impedir a ação da espada do Espírito (Ef 6.17).


“...e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, ” 

O termo “penetrar” só ocorre aqui em Hebreus. É uma ideia de Lucas, equivalente a “atingir o âmago” (Atos 5:33; 7:54). O poder “penetrante” do evangelho é visto em Atos 2:36–38. Por causa do que seu público “ouviu”, “compungiu-se” o coração de muitos. A mensagem do evangelho trouxe convicção. Ela penetra e atinge o âmago de nosso interior, examina os segredos obscuros e revela o nosso verdadeiro caráter; ainda expõe os desejos de nossa alma e os conflitos entre o nosso espírito e a carne (Gl 5.17).O “espírito” (pneuma) e a “alma” (psiche) são distintos ou são sempre meras variações da mesma coisa? Às vezes é difícil distingui-los: perder a “alma” espiritualmente não é o mesmo que perder o espírito (Mateus 16:26)? Todavia, dizemos que uma “alma” falece, e não que um “espírito” falece. Na cruz Jesus entregou Seu “espírito” (pneuma) ao Pai (Lucas 23:46), e não a Sua “alma". Primeira Tessalonicenses 5:23 deixa implícita a natureza tríplice do ser humano. Todavia, as tentativas de se fazer uma distinção entre alma e espírito geralmente parecem fabricadas. A Palavra de Deus pode separar a alma do espírito como uma espada pode separar as juntas e medulas, ou seja, as partes mais secretas e íntimas do corpo. Podemos nos referir apropriadamente, como faz Hebreus, ao “corpo”, à “alma” e ao “espírito” de uma pessoa. Independentemente do que esses termos denotam para nós, sabemos que Deus salvará a pessoa integralmente – dando-lhe um novo corpo espiritual que será salvo eternamente.


“...e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração. ”

O termo grego “kardia”, traduzido como “coração”, é usado figurativamente para se referir às fontes ocultas da vida pessoal. Em seu significado moral, inclui as emoções, a razão e a vontade. No livro aos Hebreus, o termo é aplicado tanto no sentido negativo como positivo. Negativamente, o coração pode ser “endurecido” (Hb 3.8,15; 4.7); pode “errar” ou “desviar-se” (Hb 3.10); e ser “mau e infiel” (Hb 3.12). Positivamente, a lei de Deus pode ser “escrita no coração” (Hb 8.10; 10.16); o coração pode ser “purificado da má consciência” (Hb 10.22); e, ainda, o coração pode ser “fortalecido pela graça” (Hb 13.9). Flanigan elucida que, no texto em questão, a Palavra de Deus “tem habilidade para julgar todo movimento e sentimento do coração. Ela pode julgar nossos pensamentos antes deles se tornarem palavras, e nossas intenções antes delas se tornarem ações”.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
08/02/2022

Fontes:

BAPTISTA, Douglas. A Supremacia das Escrituras – a Inspirada, Inerrante e Infalível Palavra de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2021.

LAUBACH, Fritz. Carta aos hebreus: comentário esperança. Curitiba: Editora Esperança, 2000.

GUTHRIE, Donald. Hebreus: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1999.

KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento: Hebreus.São Paulo: Cultura Cristã, 2003

FLANIGAN, J. M. Comentário Ritchie do Novo Testamento: Hebreus. Ourinhos: Edições Cristãs, 2001.

HENRY, Matthew. Comentário Bíblico – Atos a Apocalipse. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

ROPER, David. A Verdade para Hoje, 2019. Disponível em: <http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201403_09.pdf>. Acesso em 10 fev.2022.

Tito 2.13

Tito 2.13 “Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo.”  


Esse texto claramente confirma a doutrina Pré-Tribulacionista que afirma que a segunda vinda do Senhor ocorrerá em duas fases. Uma primeira de maneira invisível e particular (I Tessalonicenses 4:16-17, I Coríntios 15:5-52) e outra de maneira visível e pública (Mateus 24:30, Apocalipse 1:7).

Esse versículo faz referência a dois eventos distintos: “a bem-aventurada esperança” e “o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo.”


O primeiro Evento: 

"A Bem-aventurada esperança" refere-se a promessa que Cristo fez de maneira particular aos seus discípulos no momento de sua ascensão através de dois anjos: “E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois homens vestidos de branco. Os quais lhes disseram: Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir “. (Atos 1:10,11) Ou seja, Cristo ascendeu ao céu diante dos seus discípulos e retornará para eles, para que onde Ele estiver, estejamos nós também. Afinal ele prometeu: “Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra. ” (Apocalipse 3:10). A frase: A Bem-aventurada Esperança, refere-se à forma impar do acontecimento. Não é qualquer Felicidade cristã, é a principal Felicidade, não qualquer promessa, é a maior de todas elas. “Na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus.Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora.E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo.Porque em esperança fomos salvos” (Romanos 8:21-24).


O segundo Evento: 

"O aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo" refere-se a sua manifestação visível e em Glória descrita em muitas passagens bíblicas e confundidas muitas vezes com o arrebatamento da igreja já descrito acima. Essa manifestação cumprirá cabalmente todas as profecias referidas a sua vinda que era entendida pelos judeus como um evento único, fato que os induz a descrer no messias que recebemos pela fé. Note na profecia de Isaías 61:1-2“O espírito do Senhor Deus está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos;A apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes;”. Agora acompanhe o texto lido por Cristo nos Evangelhos: O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados de coração,A pregar liberdade aos cativos, E restauração da vista aos cegos, A pôr em liberdade os oprimidos, A anunciar o ano aceitável do Senhor.E, cerrando o livro, e tornando-o a dar ao ministro, assentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele.Então começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos. (Lucas 4:18-21). Note que Cristo não anuncia o cumprimento da segunda parte do segundo versículo de Isaías 61 “e o dia da vingança do nosso Deus”, apenas da primeira parte. Ou seja, o cumprimento será futuro e se cumprirá em sua segunda vinda em glória “O aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo”


Segundo o livro Manual de Escatologia de J.Dwight Pentecost: a profecia muito das vezes possui camadas, não sendo o seu cumprimento para o mesmo tempo como no caso das 70 semanas de Daniel que sabemos ainda restar uma semana de anos a se cumprir.  Cabe ainda ressaltar mais um esclarecimento por se tratar de uma tão controversa doutrina escatológica. Muitas doutrinas bíblicas são entendidas através da observação e comparação dos textos bíblicos. Exemplo: Observamos as três pessoas da Trindade de maneira distinta em um só tempo no Batismo de Jesus. Da mesma maneira somos capazes de observar a segunda vinda de Cristo em eventos distintos. Observe: No texto de Apocalipse 19 a palavra do Senhor nos revê-la que após acontecer as Bodas do Cordeiro, Cristo desce sobre com o Cavalo branco acompanhado dos exércitos dos céus “E seguiam-no os exércitos no céu em cavalos brancos, e vestidos de linho fino, branco e puro. ” (19:14). Referência aos santos da Igreja que já terão sido glorificados e galardoados: “O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos. ” (3:5). Fato citado também por Judas: “E destes profetizou também Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos; para fazer juízo contra todos e condenar dentre eles todos os ímpios, por todas as suas obras de impiedade, que impiamente cometeram, e por todas as duras palavras que ímpios pecadores disseram contra ele. (Judas 1:14,15). O senhor virá com seus santos para fazer juízo contra os ímpios. Ora, se Cristo virá com sua Igreja em Glória, é fato que a Igreja será tira do mundo antes. “Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória”.(Colossenses 3:4)


Deivy Ferreira Paniago Junior
25/03/2021

Fontes:

SOARES, Esequias. O Verdadeiro Pentecostalismo: A atualidade da doutrina bíblica sobre a atuação do Espírito Santo. Rio de Janeiro: CPAD, 2020.

PENTECOST, J. Dwight. Manual de Escatologia. São Paulo: Editora Vida.

Tito 1.5

Tito 1.5 “Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam e, de cidade em cidade, estabelecesses presbíteros. ” 


“Tito” 

Cooperador e amigo extremamente querido de Paulo, e provavelmente um de seus convertidos (Tito 1.4). Embora tenha sido muito ativo na obra de Cristo, ele não é mencionado em Atos, mas está presente em II Coríntios, Gálatas, 2 Timóteo e Tito. Ele acompanhou Paulo e Barnabé em sua visita a Jerusalém para discutir com os apóstolos e os anciãos as obrigações do cristão em relação à lei mosaica (Atos 15; Gálatas 2.1-4). Paulo resistiu energicamente aos adeptos do judaísmo cuja pretensão era que os gentios convertidos fossem circuncidados e observassem outros ritos judaicos. O caso de Tito (um gentio) era um verdadeiro teste e Paulo conquistou uma completa vitória no Concílio. A Igreja não deveria sujeitar-se a regulamentos judaicos, e o evangelho deveria ser livremente pregado tanto a judeus como a gentios (Atos 15.13-19). Tito havia realizado um importante trabalho em Corinto. Ele é mencionado 8 vezes em II Coríntios, e o apóstolo refere-se a ele como “meu companheiro e cooperador” (II Coríntios 8.23). A situação em Corinto não era satisfatória, pois havia não só uma certa discórdia, como também uma grosseira imoralidade. Enviado a esse centro como portador de uma carta de Paulo, Tito conquistou um magnífico sucesso. Ele e os coríntios tomaram-se muito unidos, e as boas notícias que enviou trouxeram grande conforto a Paulo, que estava preocupado e ansioso. Parece que Tito esteve três vezes em Corinto, tendo supervisionado em duas delas a coleta para os irmãos pobres de Jerusalém (II Coríntios 8.6,10,11, 22-24). Juntamente com outro irmão cristão, ele foi o portador da segunda Epístola aos Coríntios (II Coríntios 8.18). Tito desaparece do cenário até a elaboração da epístola que traz seu nome.


“Por esta causa te deixei em Creta” 

Depois de sua primeira prisão, Paulo visita a ilha de Creta e, quando partir dessa ilha, deixa Tito para trás a fim de completar sua obra, organizar a igreja, e designar presbíteros emcada cidade. Sua posição eclesiástica em Creta era muito semelhante à de Timóteo em Éfeso. O firme e decidido Tito era a pessoa certa para trabalhar entre os cretenses pagãos. Paulo pediu que fosse encontrá-lo em Nicópolis e, provavelmente, foi a partir dali que ele viajou para a vizinha Dalmácia (II Timóteo 4,10).


“Para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam...” 

Quando penso na construção do tabernáculo do deserto fico impressionado em observar em como Deus é ordeiro, Deus dá detalhes a Moisés de cada peça a ser construída, cada coluna, cada tecido, cada cor e capacita Bezalel e Aoliabe para esta obra perfeita e bela em sua arquitetura. A igreja do Senhor é também uma construção edificada sobre o fundamento de Cristo: “Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele. Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo” (1 Coríntios 3:10,11). Como o trabalho de Paulo era missionário ele com o intuito de discipular a igreja as visitava sempre que podia, porém, com o crescimento da aceitação do Evangelho e suas prisões Paulo começa a repartir essas responsabilidades com seus companheiros de viagem. Visando a organização da liturgia e principalmente das doutrinas centrais da fé Tito é comissionado a esta importante obra.


“...de cidade em cidade, estabelecesses presbíteros” 

Apesar de Tito ser enviado a Creta não seria sua única missão, ele ali permaneceria o tempo necessário para estabelecer presbíteros que liderassem as igrejas em cada cidade da ilha. Os presbíteros (bispos ou anciãos) seriam os supervisores de confiança do apóstolo a quem ele escreveria suas epistolas, e esses deveriam transmitir a igreja. Ficariam também com a responsabilidade de ser exemplo para os demais e trabalhar na palavra e na Doutrina (I Timóteo 5:17). Deveriam possuir essas qualificações: Porque convém que o bispo seja irrepreensível, como despenseiro da casa de Deus, não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância; Mas dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante; Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes. (Tito 1:7-9)


DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
26/05/2021

Fontes:

RENOVATO, Elinaldo. Dons espirituais e ministeriais - Servindo a Deus e aos homens com poder extraordinário. Rio de Janeiro: CPAD, 2014.

RENOVATO, Elinaldo. As ordenanças de Cristo nas cartas pastorais. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.

ALMEIDA, Abraão de. O tabernáculo e a igreja – Entrando com ousadia no santuário de Deus.Rio de Janeiro: CPAD, 1985.

PFEIFFER, Charles F.; REA, VOS, Howard F.; REA, John.Dicionário Bíblico Wycliffe. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

2 Timóteo 4.5

2 Timóteo 4.5 “Mas tu sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério” .


“Mas tu sê sóbrio em tudo” 

Em sua terceira viagem missionária Paulo deixa Timóteo em Éfeso, e depois parte para a Macedônia. Encarrega Timóteo de advertir aqueles que ali estivessem e não pregassem e mesma doutrina (1 Timóteo 4:12) e de também consagrar presbíteros e diáconos para servirem as igrejas locais por eles. Com essa missão sobre os ombros Timóteo é exortado na segunda carta que recebe de Paulo a “ser sóbrio em tudo”. Para que sóbrio, ele conseguisse ser o “exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza. ” (1 Timóteo 4:12). Tito recebe semelhante instrução: “Em tudo te dá por exemplo de boas obras; na doutrina mostra incorrupção, gravidade, sinceridade, ” (Tito 2:7). Sobriedade é uma questão de temperança, equilíbrio emocional. Pedro também usa desse argumento: “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar; “ (1 Pedro 5:8). Observe que quem não é sóbrio é um alvo buscado pelo nosso adversário. Sendo assim, devemos concluir que Deus condena qualquer tipo de vício “não ser dado ao vinho”. Por mais que não haja mandamentos de proibição de bebida forte na NT para as massas, no AT há para sacerdotes: “E falou o Senhor a Arão, dizendo: Não bebereis vinho nem bebida forte, nem tu nem teus filhos contigo, quando entrardes na tenda da congregação, para que não morrais; estatuto perpétuo será isso entre as vossas gerações;” (Levítico 10:8,9) e também reis: “Não é próprio dos reis, ó Lemuel (palavras de sua mãe), não é próprio dos reis beber vinho, nem dos príncipes o desejar bebida forte; Para que bebendo, se esqueçam da lei, e pervertam o direito de todos os aflitos”. (Provérbios 31:4,5), no NT, porém, assumimos essas posições diante de Deus: “E nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai; a ele glória e poder para todo o sempre. Amém. ” (Apocalipse 1:6).


“Sofre as aflições” 

Na contramão do que se prega em muitos púlpitos. Paulo não ensina a Timóteo a rejeitar ou não aceitar as aflições porque Cristo já sofreu por ele. Mas, orienta a enfrenta-las “porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente” (2 Coríntios 4:17). Timóteo receberá duplicada essa mesma orientação: “Tu pois, sofre as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo. ” (II Timóteo 2:3). Ananias recebeu de Deus uma mensagem sobre Paulo “Vai, porque este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis e dos filhos de Israel. E eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo meu nome. ” (Atos 9:15,16). Paulo haveria de padecer pelo Nome de Cristo. Antes de você pensar que essa era uma mensagem particular ao apóstolo, observe o que ele prega no retorno as regiões da Frigia e Galácia: “Confirmando os ânimos dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé, pois que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus. ”(Atos 14:22). Não se pode ignorar que neste mundo possuímos e ainda possuiremos aflições, porém, devemos ser confiantes afinal: “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo. ” (João 16:33). Tenhamos bom animo aquele que venceu o mundo está conosco.


“Faze a obra de um evangelista” 

Não sabemos exatamente qual seria o dom ministerial de Timóteo, podemos deduzir, porém por eliminação, que seria Presbítero, Evangelista ou Pastor, afinal ele estava em Éfeso para consagrar bispos e diáconos. Sendo assim ele possuía a autoridade de ser ao menos Presbítero: “Ora, sem contradição alguma, o menor é abençoado pelo maior. ” (Hebreus 7:7). O escritor Abraão de Almeida relaciona os cinco dons ministeriais de Efésios 4:11 com os dedos das mãos. Nessa analogia o polegar representa o apostolo, pois é o dedo mais habilidoso e fundamental; o indicador representa o profeta, pois ele que indica a vontade de Deus; o médio representa o Evangelista, o maior de todos; a anelar representa o pastor, compromissado com a igreja local, o dedo da aliança; por último o dedo mínimo representa o doutor ou mestre, especialista em detalhes, apto para extrair profundezas da Palavra de Deus.  Considere então o maior de todos, o evangelista, por que maior de todos?  Porque independente de possuir qualquer dom ministerial, todo cristão é convocado por Cristo para evangelizar. Jesus Cristo, o nosso sumo sacerdote e sumo pastor evangelizou enquanto esteve entre nós:  “O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres...” (Lucas 4:18); “E, vindo, ele evangelizou a paz, a vós que estáveis longe, e aos que estavam perto; ” (Efésios 2:17). Não importa qual seja a nossa chamada ou habilidade natural, todos devemos fazer a obra de um evangelista.


“Cumpre o teu ministério” 

Paulo havia escrito na primeira Epístola a Timóteo: “Não desprezes o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério. ” (I Timóteo 4:14), Quando ele diz para não desprezar, quer dizer justamente para o cumprir. A mesma exortação ele repete a Arquipo: “Atenta para o ministério que recebeste no Senhor, para que o cumpras.” (Colossenses 4:17) e a si mesmo: “Mas de nada faço questão, nem tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus.”
(Atos 20:24). O Espírito Santo concede dons para serem utilizados em favor do corpo de Cristo: “Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil. ” (I Coríntios 12:7). Uma vez que os dons nos capacitam para o serviço cristão ele haverá de reaver nossas obras através deles: “Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.”(Apocalipse 3:11)


DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
14/05/2021

Fontes:

RENOVATO, Elinaldo. Dons espirituais e ministeriais - Servindo a Deus e aos homens com poder extraordinário. Rio de Janeiro: CPAD, 2014.

RENOVATO, Elinaldo. As ordenanças de Cristo nas cartas pastorais. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.

ALMEIDA, Abraão de. O tabernáculo e a igreja – Entrando com ousadia no santuário de Deus.Rio de Janeiro: CPAD, 1985.

2 Timóteo 4.2

2 Timóteo 4.2 ”Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina. “


Timóteo deveria transmitir a mensagem da “sã doutrina” de modo insistente, quer os ouvintes aceitassem quer não a palavra que lhes era enviada. A experiência, fundada na Palavra, mostra que, quando a mensagem é de Deus, o pregador deve falar, não o que o povo gosta de ouvir, mas o que Deus quer falar.

Timóteo levasse em consideração até as últimas consequências a nobilíssima missão que lhe era confiada, para que pregasse a Palavra de Deus, de modo insistente, em caráter de urgência, “a tempo e fora de tempo”, tendo em vista o que haveria de ocorrer, conforme o sentir profético do apóstolo.


”Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, “

Estes cinco concisos imperativos, que se emparelham a outros quatro no versículo 5, resumem a tarefa do ministério:

(1) Pregar. É a primeira e grande tarefa básica da transmissão da mensagem fundamental, como fazia o próprio Paulo (I Coríntios. 15:1-11) e Jesus (Lucas. 5:1; 8:11, 21). Pregar a Palavra é a principal missão de um ministro. A Palavra tem supremacia, e a pregação, primazia. O que Timóteo deve pregar? A Palavra de Deus! Essa Palavra é idêntica ao depósito, à Escritura, às sagradas letras, à sã doutrina, à verdade e à fé. O pregador não pode pregar as próprias palavras. Não pode, também, torcer as palavras de Deus. Não pode subtrair nem acrescentar nada à Palavra. Seu papel não é ser popular, mas fiel. Seu chamado é para pregar a Palavra, e não sobre a Palavra. A Palavra é o conteúdo da mensagem e autoridade do mensageiro. O pregador não cria a mensagem; ele a proclama.

(2) instar. O verbo grego, traduzido por “instar”, significa Estar pronto, preparado, quando for conveniente e quando não for. O pregador precisa ter um profundo senso de urgência. Nas palavras do puritano Richard Baxter, o pregador deve pregar como se fosse um homem que está às portas da morte, pregando a pessoas que estão prestes a morrer. Martyn Lloyd-Jones cita suas palavras literalmente: “Preguei como se nunca mais fosse pregar novamente, como um moribundo a outro moribundo”. Agarre todas as oportunidades, pareçam elas propícias ou não, pois o kairós (tempo oportuno) precisa ser percebido e agarrado, remido e aproveitado, não no sentido do bordão “tempo é dinheiro”, mas tempo é salvação, tempo é salvífico para a decisão. O dia da salvação é oferta suprema e última antes do dia do juízo.

(3) Redargir ou Corrigir significa convencer os que contradizem; revelar um erro. Paulo escrevendo a Tito diz que os bispos deveriam entre outras coisas “reter firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina como para convencer os contradizentes” (Tito 1:9). Por isso o obreiro deve manejar bem a palavra da verdade (2 Timóteo 2.15).

(4) Repreender ou advertir significa cobrar uma responsabilidade não cumprida. A ideia essencial é, frequentemente, a exigência implícita da restituição quando apontado o erro. Repreender é o confronto direto. Quando teu irmão pecar, corrige-o, quando se arrepender, perdoa-lhe (Mateus 18.15). Como fez Paulo com o impuro de Corinto (1 Coríntios 5.1-8,13) e como fez Natã com Davi (2 Samuel 13.1-15).

(5) Exortar significa incentivar ou encorajar alguém. O significado de exortação na Bíblia possui o sentido de motivar ou insistir que uma pessoa faça algo. No contexto bíblico, a exortação geralmente é direcionada aos crentes para que eles vivam de acordo com a vontade de Deus, de modo condizente a sua nova posição em Cristo.


“.. com toda a longanimidade e doutrina. “

A Palavra precisa ser pregada com toda a longanimidade. A palavra grega para longanimidade significa o tipo de espírito que nunca se irrita, nunca se cansa, nunca se desespera. E uma espécie de paciência triunfadora no trato com as pessoas.

Ser eloquente não é difícil, se alguém tem o dom natural da oratória; ser bom administrador é para quem tem conhecimentos e capacidade administrativa; há obreiros que possuem esses dotes pessoais; mas ser longânimo é para quem tem esse requisito como fruto do Espírito Santo (Gálatas 5.22).

O pregador deve ser firme na Palavra e sensível com as pessoas. Não é seu papel forçar os ouvintes. Ao contrário, deve ser brando para com todos e fugir das contendas (2.24,25). Stott tem razão em dizer que, mesmo sendo solene o nosso comissionamento e urgente a nossa mensagem, não se justifica uma conduta rude ou impaciente.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
30/8/2023

FONTES:

BAPTISTA, Douglas. A igreja de Cristo e o império do mal – Como viver neste mundo dominado pelo espírito da Babilônia. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

PFEIFFER, Charles F. e HARRISON, Everett F. Comentário Bíblico Moody. São Paulo: IBR. 1995.

STOTT, John. Tu, porém: a mensagem de 2 Timóteo.

LOPES, Hernandes Dias. 2 Timóteo: o testamento de Paulo à igreja. São Paulo: Hagnos, 2014.