sexta-feira, 28 de outubro de 2022

LIÇÃO 5 – Contra os Falsos Profetas – 4 Trimestre de 2022.


TEXTO ÁUREO “E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. ” (2 Pedro 2.1)

“E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, “ Os profetas são a voz de Deus na terra. É fato que onde há verdadeiro há também falso, por isso Moisés advertiu o povo sobre o surgimento de falsos profetas mesmo entre os profetas legítimos (Deuteronômio 18.18-22). Profetizar falsamente era crime em Israel sob pena de morte conforme a lei de Moisés (Dt 13.1-5; 18.20-22). Curiosamente os mesmos termos hebraicos nāvî’, “profeta”, rō’eh, e ḥōzeh, “vidente”; usados para os profetas do Deus vivo, ou videntes como Samuel, Natã e Gade (1 Crônicas 29.29), são também aplicados aos falsos profetas. É o contexto que vai diferenciar o verdadeiro e o falso. Jeremias e Ezequiel em particular enfrentaram “falsos profetas”. Jeremias advertiu: “Não deis ouvidos às palavras dos profetas que entre vós profetizam e vos enchem de vãs esperanças; falam as visões do seu coração, não o que vem da boca do Senhor” (Jeremias 23:16). Uma vez que houve “falsos profetas no meio do povo” de Israel, não deveria nos surpreender que houvesse também... falsos mestres entre os primeiros leitores de Pedro.

“...que introduzirão encobertamente heresias de perdição e negarão o Senhor que os resgatou, ” Uma heresia é um ensino falso que causa divisão e corrói a fé cristã. Num sentido, “heresias de perdição” é uma redundância. Uma heresia por natureza é destrutiva. Ela é destrutiva tanto para a igreja como para o mundo que a igreja quer alcançar com a mensagem de Cristo. As doutrinas destrutivas dos “falsos mestres” combatidas por Pedro eram particularmente terríveis. Elas chegavam ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou. Em que sentido elas negavam o Senhor? No capítulo anterior, o apóstolo afirmou que os fatos ocorridos na transfiguração culminaram com uma voz da parte de Deus que disse: “Este é o Meu Filho Amado”. A filiação de Jesus e, consequentemente, Sua divindade, parece ser a questão. Para Pedro, a divindade de Cristo estava fora de discussão. É plausível concluir que os “falsos mestres” negavam a plena divindade, ou talvez a total humanidade, do Senhor; mas não podemos afirmar nada além disso. Resgatar ou redimir são ideias intimamente relacionadas. Foi na pessoa do Filho amado de Deus que Jesus pôde redimir as pessoas do pecado. Ao negar a divindade de Cristo, os “falsos mestres” negavam o Seu poder de resgatá-los ou comprá-los

“...trazendo sobre si mesmos repentina perdição. ” Uma vez que negam a confissão que repousa no âmago da doutrina cristã, esses “falsos mestres” estão trazendo sobre si mesmos repentina destruição. Pedro já qualificara os ensinos deles de “destruidores”. Tais ensinos destroem outros e trazem destruição aos que os defendem. Se os leitores de Pedro seguissem os “falsos mestres”, a implicação é que trariam a mesma “repentina destruição” sobre si mesmos. Pois, ao negarem-no, trazem sobre si mesmos súbita destruição - a perdição eterna no lago de fogo. Embora julguem-se a salvo, não hão de escapar no dia do Juízo Final. As falsos profetas a sentença de Deus pelo profeta Ezequiel foi: “Minha mão será contra os profetas que têm visões falsas e que adivinham mentiras. Não estarão no conselho do meu povo, não serão inscritos nos registros da casa de Israel, nem entrarão na terra de Israel. E vocês saberão que eu sou o Senhor Deus” (Ezequiel 13:9). O emprego antropomórfico da “mão de Javé” para o julgamento é frequente em Ezequiel (6.14; 14.9, 13; 16.27; 25.7, 13, 16; 35.3). Essa expressão aparece também em Isaías (Isaías 5.25; 10.4). Usando tal expressão, Deus anuncia três tipos de punição: Não estarão no conselho do meu povo, não serão inscritos nos registros da casa de Israel, nem entrarão na terra de Israel.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
28/10/2022

Fontes:

SOARES, Esequias e Daniele. A Justiça Divina – A preparação do povo de Deus para os últimos dias no Livro de Ezequiel. Rio de Janeiro: CPAD 2022.

HORTON, Stanley. I e II Pedro – A razão da nossa Esperança. Rio de Janeiro: CPAD 2012.

http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201412_04.pdf

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

LIÇÃO 4 – Quando se vai à Glória de Deus – 4 Trimestre de 2022.


TEXTO ÁUREO “E a glória do SENHOR se alçou desde o meio da cidade e se pôs sobre o monte que está ao oriente da cidade. ” (Ezequiel 11.23)

A glória de Deus baixou do céu à terra primeiramente no tabernáculo, no dia de sua dedicação. Depois disso, essa cena se repetiu por ocasião da inauguração do templo de Jerusalém pelo rei Salomão. Ela representava a presença de Javé no templo. Quando Deus mandou Moisés construir o tabernáculo, explicou a razão dessa ordem: “E me farão um santuário, e habitarei no meio deles” (Êxodo 25.8). Essa presença não era incondicional, o povo tinha compromissos, a aliança feita no Sinai, mas esse pacto havia sido violado. Os capítulos 8 a 11 descrevem a segunda visão de Ezequiel. No capítulo 8, o foco foi a denúncia das abominações que estavam ocorrendo no templo, violando, assim, a santidade de Deus. O capítulo 9 mostra o julgamento divino como resposta a essas abominações, e o 10 evidencia como a glória de Deus aos poucos começar a se deslocar, até que, finalmente, no capítulo 11, ela se retira por completo de Jerusalém.

 “E a glória do SENHOR se alçou desde o meio da cidade “ A palavra “glória” traduz o termo kavod, do hebraico. Conforme o léxico de Baumgartner, seu sentido não teológico pode ser “peso, riqueza, glória, honra”. No seu uso teológico, pode significar “a glória dada a Javé, a glória de Javé ou a manifestação de Javé”. Nas visões de Ezequiel, “glória” indica o resplendor pela presença do Senhor (Ezequiel 1.28; 3.12, 23; 8.4; 9.3; 10.4, 18-19; 11.22-23; 39.21; 43.2, 4-5; 44.4). Essa é a descrição feita pelo próprio profeta (1.26-28; 8.2). O vocábulo hebraico shekhinah, embora usado com frequência entre os crentes como “glória”, não aparece na Bíblia. A palavra pertence ao chamado hebraico talmúdico e significa “morada em”, comumente usada entre os judeus para “presença de Deus”, e, às vezes, para se referir ao próprio Deus. O Talmude é uma antiga literatura religiosa dos judeus identificada nos evangelhos como “tradição dos anciãos” porque, naqueles dias, esses preceitos eram orais e só foram codificados a partir do século 5 d.C. Os rabinos a associam ao Espírito de Deus, porque o Talmude diz: “A Shekhinah do Senhor nunca se afastará desse lugar” (uma referência ao Muro das Lamentações). Essa retirada da Glória do Senhor aconteceu em alguns estágios: 1) a glória se levanta do querubim sobre a arca da aliança (9.3); 2) passa para a entrada do templo (10.4); 3) paira sobre os querubins e, aos poucos, afasta-se completamente do templo (10.18) e 4) por fim, a glória de Deus se põe sobre o monte das Oliveiras (11.23).

 “...e se pôs sobre o monte que está ao oriente da cidade. ” A glória saiu do meio de Jerusalém e seguiu ao monte que está a leste da cidade, o monte das Oliveiras, onde está o principal portão que dá acesso ao templo e aponta na direção da Babilônia. Após a retirada da glória do SENHOR, não poderiam esperar que coisas boas acontecessem naquele lugar. Como mencionou Paulo em 2 Tessalonicenses 1:7–9, quando se está longe da “presença do Senhor”, o resultado não é nada bom. Deus havia deixado o lugar santo por causa dos pecados da nação e das abominações do templo de Jerusalém. Mas mesmo assim, Ele tinha uma mensagem de esperança e reconciliação. Todavia, não haveria reconciliação até que Ele voltasse. A descrição do retorno da glória (43:1–4) faz paralelo com as passagens de Êxodo 40.34, na situação da tenda no deserto, e de 1 Reis 8.11, na edificação do templo de Salomão. Ezequiel 39.21 registra que essa glória será manifestada entre as nações, e essas saberão do exílio, da infidelidade da Casa de Israel, e o nome santo de Javé será revelado. Nessa nova realidade, a glória de Deus extrapola o templo e resplandece em toda a terra (v. 2). O profeta Isaías descreve a adoração dos serafins: “Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos;/toda a terra está cheia da sua glória” (Isaías 6.6). Deus revela ao profeta o retorno da sua glória pelo mesmo caminho por onde antes saiu (10.19; 11.23).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
20/10/2022

Fontes:

SOARES, Esequias e Daniele. A Justiça Divina – A preparação do povo de Deus para os últimos dias no Livro de Ezequiel. Rio de Janeiro: CPAD 2022.

http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201907_05.pdf 

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

LIÇÃO 3 – As Abominações do Templo – 4 Trimestre de 2022.


TEXTO ÁUREO “E disse-me: Filho do homem, vês tu o que eles estão fazendo? As grandes abominações que a casa de Israel faz aqui, para que me afaste do meu santuário? Mas verás ainda maiores abominações. ” (Ezequiel 8.6)

“E disse-me: Filho do homem, vês tu o que eles estão fazendo? “ No verso 5 Deus disse a Ezequiel: “Filho do homem, olhe para o norte. Olhei para lá, e eis que do lado norte, junto ao portão do altar, na entrada, estava essa imagem dos ciúmes. O portão do altar ficava do lado oposto do altar do sacrifício”. Essa imagem de ciúmes é um ressentimento em ver o que é seu sendo dado a outro e evidencia a ira de Javé pela ofensa que a presença do ídolo de uma divindade pagã (Deuteronômio 4.16-18), provavelmente Aserá, representava nos recintos do templo (5.13; 16.38, 42; 36.6; 38.19). A orientação divina ao profeta é observar o mau comportamento da casa de Israel para servir como testemunha. (8.17) “Você está vendo, filho do homem? Será que é pouca coisa para a casa de Judá o fato de fazerem as abominações que fazem aqui, para que ainda encham de violência a terra e tornem a irritar-me?...”

“As grandes abominações que a casa de Israel faz aqui, para que me afaste do meu santuário? “ A palavra hebraica traduzida por “abominação” é toʿevah, usada sobretudo no contexto das práticas repugnantes dos cananeus ou algo que ferisse a pureza de Javé (Levítico 18.30; Deuteronômio 7.26;). A idolatria com as abominações subsequentes é um atentado contra a santidade de Deus e não pode ficar impune. É importante entender que Deus é soberano e tem o direito de aplicar o juízo da maneira que quiser, mas o castigo divino é proporcional à gravidade do pecado e não faz nada que contrarie a sua natureza. A expressão “casa de Israel” é usada em Ezequiel para designar os judeus que estavam em Jerusalém (4.3), para os judeus do exílio (4.13) e para os sobreviventes da destruição de cidade (5.4). O nome Israel aparece 180 vezes no livro de Ezequiel, e Judá aparece 15 vezes; “ancião de Judá” e “anciãos de Israel” aparecem como termos alternativos (8.1; 14.1; 20.1), e “casa de Israel” (em 8.6, 10- 12) é substituída por “casa de Judá” (8.17). Por causa das grandes abominações, Deus anuncia que se afastará do templo, e consequentemente, de Jerusalém. (8.18) “…ainda que gritem aos meus ouvidos em alta voz, nem assim os ouvirei. ”

“ Mas verás ainda maiores abominações. ” Deus alerta o Profeta de que ele verá transgressões piores pela frente. A estrutura de frases de como Deus se dirige ao Profeta se repete, com algumas variações, para mostrar as abominações (vv. 6, 12-13, 15, 17), revelando práticas cada vez mais ofensivas. As abominações do templo eram ofensivas demais; assim, diante dessa situação, só resta o juízo divino. Todo esse ritual às falsas divindades revela a apostasia generalizada. Todo o sistema estava corrompido, não havia outro remédio a não ser a destruição do templo e da cidade (2 Crônicas 36.16). O Deus “compassivo e misericordioso, grande em misericórdia e fidelidade” (Êxodo 34.6) não seria mais tardio em irar-se, Ele não mais teria piedade nem pouparia as pessoas que estavam cometendo terríveis ofensas.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
12/10/2022

Fontes:

SOARES, Esequias e Daniele. A Justiça Divina – A preparação do povo de Deus para os últimos dias no Livro de Ezequiel. Rio de Janeiro: CPAD 2022. 

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

LIÇÃO 2 - Vem O Fim – 4 Trimestre de 2022.


TEXTO ÁUREO ‘E tu, ó filho do homem, assim diz o Senhor JEOVÁ acerca da terra de Israel: Vem o fim, o fim vem sobre os quatro cantos da terra. ” (Ezequiel 7.2)

‘E tu, ó filho do homem, “ Na primeira vez em que Deus se dirige ao profeta Ezequiel, não o chama pelo nome, mas usa a expressão em hebraico ben ʾadam, literalmente, “filho do ser humano” (2.1), para identificá-lo como homem entre os seres celestiais. A partir desse versículo, o título reaparece mais 92 vezes ao longo do livro, seis vezes só no capítulo 3 (vv. 1, 3, 4, 10, 17, 25). Nenhum outro profeta é chamado assim. Essa expressão reaparece em Daniel, mas não é usada para se referir a algum profeta (Daniel 8.17). Isso faz lembrar a identidade humana fragilizada e pecadora, ao passo que Deus é o Senhor da glória. “Filho do homem” é um título messiânico e, quando usado para designar Jesus, deixa clara a sua humanidade. Esse título em Jesus vem acompanhado de artigo, pois Jesus é o Filho de Deus e, ao mesmo tempo, o Filho do homem, e revela ser ele um ser humano terreno quanto um ser divino (Romanos 1.1-4; 9.4, 5). Adão é o cabeça da humanidade pecadora, e Jesus é o cabeça da humanidade redimida; todos os que creem em Jesus Cristo recebem vida eterna (Romanos 5.12-21). Jesus usou frequentemente esse título com respeito a si mesmo durante o seu ministério terreno, às vezes para apontar o seu vínculo com o mundo perdido: “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido” (Lucas 19.10); em outras ocasiões, para apontar a sua condição celestial: “Ora, ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que de lá desceu, o Filho do Homem” (João 3.13); “Que acontecerá, então, se virem o Filho do Homem subir para o lugar onde primeiro estava? ” (João 6.62).

“...assim diz o Senhor JEOVÁ acerca da terra de Israel: ” Essa fórmula é a chancela de autoridade espiritual muito comum nos profetas de Israel: “assim diz Senhor”, como também “veio a palavra do Senhor a (...)”, ou “veio a mim a palavra do Senhor”. Essas expressões aparecem muitas centenas de vezes no Antigo Testamento. Não se trata, pois, de ideias humanas nem de um pensamento de um profeta, mas, sim, como porta-vozes de Deus, recebem dele os oráculos e os transmitem ao povo como lhes foram confiados. A autoridade deles não está restrita apenas aos seus escritos que hoje compõem as Escrituras Sagradas, mas se estende à pessoa, pois, em vida, eram homens cheios do poder do Espírito Santo. O discurso tem endereço certo é a respeito da terra de Israel.

“Vem o fim, o fim vem sobre os quatro cantos da terra. ” A palavra Fim no hebraico trata-se de um substantivo usado em contexto de julgamento (Genesis 6.13; Amós 5.1820; 8.2). Ele aparece cinco vezes nos versículos 2, 3 e 6 e isso evidencia a intensidade do julgamento. Cerca de cento e cinquenta anos antes, o profeta Amós usou a mesma construção hebraica ba‘ haqēts, “vem o fim”, ao anunciar o fim do Reino do Norte: “Chegou o fim sobre o meu povo Israel” (Amós 8.2). Essa mensagem de Amós se cumpriu na queda de Samaria em 722 a.C. (2 Reis 17.23), o que leva os expositores do Antigo Testamento a interpretarem um paralelo com a palavra profética anunciada por Ezequiel sobre a queda de Jerusalém ocorrida em 587/586 a.C. Ezequiel mostra que Jerusalém está no mesmo caminho. Em outras palavras, o discurso do Profeta aponta que a destruição é um fato; ela é real e está próxima. A profecia deixa claro que o juízo não é apenas para Israel nem somente para uma única época, mas tem alcance universal: sobre os quatro cantos da terra. Essa expressão aparece na Bíblia para se referir a toda a terra (Isaías 11.12; Apocalipse 7.1). O discurso profético foi escrito em forma poética, e isso serve para chamar a atenção de todo aquele que lê essa Palavra.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
10/10/2022

Fontes:

SOARES, Esequias e Daniele. A Justiça Divina – A preparação do povo de Deus para os últimos dias no Livro de Ezequiel. Rio de Janeiro: CPAD 2022.

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

LIÇAO 1 - Ezequiel, O Atalaia De Deus – 4 Trimestre de 2022.


TEXTO ÁUREO “Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim se não anunciar o evangelho! ” (1 Coríntios 9.16)

“Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, Paulo sente uma compulsão interior que sem dúvida vinha da comissão que Jesus lhe dera na estrada de Damasco, uma comissão confirmada por Ananias como também pelo Espírito Santo; Atos 9-6,15,16). Ele deve ter se sentido como Amós, quando disse: “Bramiu o leão, quem não temerá? Falou o Senhor JEOVÁ, quem não profetizará? ” (Amós 3-8. Paulo não pretendia pregar o Evangelho quando partiu tomando a estrada de Damasco. Se de boa vontade tivesse decidido por si mesmo pregar o Evangelho, ele teria tido recompensa. Mas ele não o fazia por vontade própria. Estava apenas satisfazendo um encargo que Jesus lhe tinha entregue (quando Ele o chamou para ser apóstolo aos gentios).

“...pois me é imposta essa obrigação; ” A pregação não é motivo de jactância porque para ele não é uma questão de escolha. Ele foi “com­pelido” literalmente, “me é imposta essa obrigação”. Não escolheu pregar o evangelho, mas deve fazê-lo conforme o chamado divino. Suas palavras relembram as de Jeremias: “Então, disse eu. Não me lembrarei dele [do Senhor] e não falarei mais no seu nome; mas isso foi no meu coração como fogo ardente, encerrado nos meus ossos; e estou fatigado de sofrer e não posso” (Jeremias 20.9).

“...e ai de mim se não anunciar o evangelho! ” Aqueles que são separados para o ofício do ministério têm o encargo de pregar o evangelho. Ai deles se não o fizerem.  No livro de Ezequiel está escrito: A ti, pois, ó filho do homem, te constituí por atalaia sobre a casa de Israel; tu, pois, ouvirás a palavra da minha boca, e lhe anunciarás da minha parte. Se eu disser ao ímpio: Ó ímpio, certamente morrerás; e tu não falares, para dissuadir ao ímpio do seu caminho, morrerá esse ímpio na sua iniquidade, porém o seu sangue eu o requererei da tua mão. (Ezequiel 33:7,8). Observe que a vontade de Deus é a salvação do pecador, por isso o objetivo da mensagem é que o ímpio tenha consciência do perigo em que se encontra, e que se desperte para buscar a Deus e seja salvo (Isaías 55.6, 7). Essa parte do discurso revela a responsabilidade do Profeta em se tratando do destinatário original dessa mensagem e a nossa responsabilidade como cristãos que recebemos do Senhor Jesus a incumbência de anunciar o evangelho ao pecador (Mateus 28.18-20; Marcos 16.15-20; Lucas 24.46-49). Essa exortação não tem prazo de validade; ela é para os nossos dias, está afinada com o pensamento do Novo Testamento.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
30/09/2022

Fontes:

SOARES, Esequias e Daniele. A Justiça Divina – A preparação do povo de Deus para os últimos dias no Livro de Ezequiel. Rio de Janeiro: CPAD 2022.

HORTON, Stanley. I e II Coríntios – Os problemas da Igreja e suas soluções. Rio de Janeiro: Cpad, 2003.

ARRINGTON French L; STRONSTADRoger. Comentário Bíblico Pentecostal – Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

LIÇÃO 13 - Resistindo às sutilezas de Satanás - 3 Trimestre de 2022


(Texto Áureo) “Sujeitai-vos, pois, a Deus; resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. ” (Tiago 4:7)

“Sujeitai-vos, pois, a Deus; “ Tiago exorta seus leitores a fugirem das paixões pecaminosas se submetendo a Deus. Ele começa nos lembrando que o Espírito de Deus, que em nós habita e tem zelo santo por nós, nos admoesta para que obtenhamos “maior graça” (v.6). Para isso, basta que, seguindo sua admoestação, sujeitemo-nos a Deus, isto é, à sua vontade, que é “boa, agradável e perfeita” (Romanos 12.2). Sujeitar é um termo militar que significa fique no seu próprio posto, ponha-se no seu lugar. Quando um soldado quer se colocar no lugar do general ele tem grandes problemas. Renda-se incondicionalmente. Ponha todas as áreas da sua vida sob a autoridade de Deus. Por isso um crente rebelde não pode viver consigo nem com os outros. Davi pecou contra Deus, adulterando, mentindo, matando Urias e escondendo o seu pecado. Mas quando ele se humilhou, se submeteu e confessou, encontrou paz novamente com Deus.

 “...resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. ” Embora Tiago tenha anteriormente enfatizado a tendência maligna da própria pessoa como responsável pelo pecado (1.14), aqui ele admite a atuação de um ser maligno sobre-humano. A palavra diabolos é usada na Septuaginta como tradução da palavra hebraica de onde vem o título “Satanás”. Assim, os dois títulos têm significados idênticos (cf. Apocalipse 20.2), e sugerem que um dos propósitos básicos do diabo é “separar Deus e homem”. A esta separação o cristão precisa “resistir”. Qualquer que seja o poder que Satanás possa ter, o cristão pode estar absolutamente certo de que recebeu a capacidade para vencer tal poder. Em vez de sucumbirmos ao desejo que Satanás tem de nos separar de Deus, devemos nos achegar ao Senhor. Tiago promete que Deus responde, por sua vez, aproximando-se de nós. Naturalmente, deve estar óbvio aqui que Tiago não está falando de salvação, mas de arrependimento daqueles que já são cristãos. Os que se arrependem sinceramente e voltam para Deus irão encontrá-lo, como o pai do filho pródigo, ansioso por receber de volta seu filho errante.

Ou seja, a melhor forma de mantermos o Diabo afastado de nós é nos sujeitarmos à vontade de Deus. Ele mostra em que contenda devemos engajar-nos, a saber, como diz Paulo, que nossa peleja não seja com a carne e o sangue, porém nos estimula a uma luta espiritual. Então, depois de haver-nos ensinado a mansidão para com os homens, e a submissão para com Deus, ele põe diante de nós a Satanás como nosso inimigo, contra quem nos cabe lutar. Não obstante, a promessa que ele adiciona, relativa à fuga de Satanás, parece ser refutada pela experiência diária; pois é certo que, por mais que alguém energicamente o resiste, mais ferozmente ele investe. Pois Satanás, de certa maneira, age por diversão, quando ele não é energicamente repelido; mas, contra os que realmente o resistem, ele emprega toda a energia que possui. E, ademais, ele nunca se cansa em lutar; mas, quando é vencido em alguma batalha, imediatamente se engaja em outra. A isto respondo que fugirá deve ser tomado aqui por fazer fugir ou debandar. E, indubitavelmente, ainda que ele reitere seus ataques, continuamente, contudo sempre se afasta vencido.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
18/10/2022

Fontes:

GONÇALVES, José. Os ataques contra a igreja de Cristo – As sutilezas de Satanás nestes dias que antecedem a volta de Jesus Cristo. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.

COELHO, Alexandre e DANIEL, Silas. Fé e Obras - Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Rio de Janeiro: CPAD, 2014.

Lopes, Hernandes Dias. Tiago: transformando provas em triunfo. São Paulo: Hagnos, 2006.

CALVINO, João, 1509-1564. Epístolas gerais / João Calvino; [traduzido por Valter Graciano Martins]. São José dos Campos, SP: Fiel, 2015.

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

LIÇÃO 12 - A Sutileza da Espiritualidade Holística - 3 Trimestre de 2022


(Texto Áureo) “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim. ” (João 14.6)

A pergunta confusa de Tomé, como muitas outras perguntas no quarto evangelho, dá a Jesus a oportunidade de expandir e explicar o que disse. Jesus vai para junto do Pai, e os discípulos irão segui-lo; para eles, ele próprio é o caminho até o Pai.

“Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. ” Ao dizer “eu sou o caminho”, Jesus não apenas indica qual é o caminho para a casa do Pai, mas se revela explicitamente como sendo Ele próprio esse caminho. Essa expressão significa que Ele, Cristo, é o único Mediador entre Deus e o seu povo. Jesus é tanto o caminho do homem para Deus, como fica claro nesse próprio texto de João 14, como também é o caminho de Deus para o homem. Isso significa que as bênçãos que procedem do Pai alcançam os redimidos por meio do Filho (cf. Mateus 11:27,28). Jesus não é apenas o caminho, mas é também a verdade. Ele é a verdade em pessoa, no sentido de que Ele é o único que revela o Pai. Ele é a perfeita revelação da obra redentora de Deus para o homem caído em seus pecados (Mateus 11:27). Jesus é a verdade que liberta, santifica e conduz os santos a casa do Pai (João 8:32; 17:17). Ao dizer “eu sou a vida”, Jesus se coloca como sendo a fonte da vida que se opõe à morte. Ele tem a vida em si mesmo. Por isso, somente Ele pode ser o doador da vida para os que são seus (cf. João 3:16; 5:26; 6:33; 10:28; 11:25). Quando Jesus diz ser a vida, Ele indica que somente nele o homem, morto em delitos e pecados, poderá encontrar verdadeira vida. Nesse contexto, em quanto a morte significa a separação de Deus, a vida significa comunhão com Ele. Isso significa que somente em Jesus o homem pode ser reconciliado com Deus e desfrutar da bem-aventurança da vida eterna ao seu lado. Explicando o significado da frase “eu sou o caminho, a verdade, e a vida”, W. Hendriksen diz que o caminho leva a Deus; a verdade torna o homem livre; e a vida produz comunhão. Assim, quando Jesus revela a verdade redentora de Deus que liberta os homens da escravidão do pecado, e quando concede a vida que produz comunhão com o Pai, então, sendo o caminho, Ele próprio é quem leva os redimidos para junto do Pai. Tomás à Kempis escreveu: Sigam-me. Eu sou o caminho e a verdade e a vida. Não ê possível andar fora do caminho, não é possível conhecer fora da verdade, não é possível viver fora da vida. Eu sou o caminho pelo qual vocês devem andar; a verdade em que vocês devem crer; a vida na qual vocês devem pôr sua esperança. Eu sou o caminho inerrante, a verdade infalível, a vida infindável. Eu sou o caminho reto, a verdade absoluta, a vida verdadeira, bendita, não-criada. Se vocês permanecerem no meu caminho conhecerão a verdade, e a verdade os libertará, e tomarão posse da vida eterna.

 “ Ninguém vem ao Pai senão por mim. ” Essa declaração é o resultado natural da frase anterior. Ela indica o quão os homens são absolutamente dependentes de Cristo com relação à comunhão com Deus. Em outras palavras, não existe nenhuma verdade redentora a parte de Cristo. Não há nenhuma esperança de vida eterna longe dele, e nenhum caminho capaz de levar o homem à casa do Pai. Não há outro Cordeiro de Deus que tira o pecado, não há outro sacrifício que apazígua a santa ira de Deus, e também não há outro nome pelo qual importa que sejamos salvos. Jesus é, absolutamente, o caminho, e a verdade, e a vida, e definitivamente ninguém chegará ao Pai senão através dele. Ele é realmente, o único caminho através do qual alguém pode chegar ao Pai; não existe outro. Se esta exclusividade é chocante, devemos ter em mente que quem afirma isto é o Verbo encarnado, o revelador do Pai. Se Deus não tem outro meio de comunicação com a raça humana exceto o seu Verbo (encarnado ou não), então a raça humana não tem outro meio de achegar-se a Deus exceto por este mesmo Verbo, que se tornou carne e habitou entre nós para abrir esta via de acesso.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
20/09/2022

Fontes:

GONÇALVES, José. Os ataques contra a igreja de Cristo – As sutilezas de Satanás nestes dias que antecedem a volta de Jesus Cristo. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.

BRUCE, F.F. João – Introdução e Comentário. São Paulo: Mundo Cristão, 1987.

https://estiloadoracao.com/eu-sou-o-caminho-verdade-e-vida/

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

LIÇAO 11 - A Sutileza das Mídias Sociais - 3 Trimestre de 2022


(Texto Áureo) “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. ” (Romanos 12.1)

“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, “ Em vez de ditar uma ordem, Paulo “rogou”, solicitou, suplicou, implorou a seus leitores. Talvez ele tenha feito isso porque Deus não quer uma doação forçada, e sim um sacrifício de boa vontade, espontâneo. Paulo prosseguiu sua abordagem calorosa e pessoal usando o termo “irmãos” (v. 1b). Daqui até o fim da carta, ele se dirigiu a todos os irmãos espirituais residentes em Roma, judeus e gentios. Paulo rogou aos irmãos “pela compaixão de Deus” (v. 1c). Ou “As misericórdias de Deus” são as muitas expressões de misericórdia expostas nos capítulos anteriores: a misericórdia de Deus em nos salvar, em nos ajudar a viver a vida cristã e assim por diante. Diante de Suas misericórdias, devemos estar dispostos a fazer qualquer coisa que Ele nos pedir. Quando pensamos no que Ele fez por nós, nada que Ele nos peça é demais.

“...que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, “ Essas palavras faziam mais sentido para os leitores do primeiro século do que para muitos de nós. Durante séculos, os judeus ofereceram sacrifícios de animais no templo. A adoração pagã também girava em torno de sacrifícios. O desafio de Paulo aos cristãos incluía uma comparação e ao mesmo tempo um contraste com os sacrifícios de animais — especialmente os da religião judaica. Analisemos com cuidado esse maravilhoso desafio:

• “Apresenteis” — “apresentar” significa basicamente “colocar ao lado, “colocar”, e para, “ao lado de”). Era usado para o ato de se colocar uma oferta perante o Senhor. Era “o termo técnico para se apresentar animais e ofertas aos levitas”.

• “O vosso corpo” — vocês devem se apresentar. Nenhum animal jamais entrou trotando no templo e dizendo: “Aqui estou eu! Sacrifiquem a mim! ” Todavia, é isso o que um cristão, praticamente, faz. Neste sentido, o cristão é o sacerdote e, ao mesmo tempo, o sacrifício. Em vez de oferecer animais mortos, os cristãos devem oferecer seus corpos, suas vidas, a Deus.  Muitos comentaristas e tradutores interpretam a palavra “corpo” em 12:1 como “todo o nosso ser”. Devemos oferecer tudo o que somos e tudo o que temos a Deus, mas Paulo certamente tinha um motivo para usar a palavra “corpo”. Em toda a carta, ele enfatizou o corpo físico como uma grande fonte de preocupação espiritual. Por causa da fraqueza da carne o corpo pode e de fato irá nos subjugar (7:5, 18, 23, 24). Entretanto, no capítulo 8 Paulo declarou que, por meio do Espírito Santo, podemos mortificar “os feitos do corpo” (8:13). O cristianismo é reconhecido como uma das religiões que dá ao corpo a sua devida honra e dignidade11. “Para os gregos... o corpo era apenas uma prisão, algo a ser menosprezado e até motivo de vergonha”12. Em oposição a isso, o cristão entende que seu corpo é “templo do Espírito Santo” (1 Coríntios 6:19). Ele pode glorificar a Deus e exaltar a Cristo em seu corpo (1 Coríntios 6:20; Filipenses 1:20).

• “Em sacrifício” — “os sacrifícios de animais, oferecidos numa época anterior, tornaram-se obsoletos graças à oferta que Cristo fez de Si mesmo. Mas sempre há lugar para o serviço divino prestado por corações obedientes”. Pedro escreveu aos cristãos: “vós... como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo” (1 Pedro 2:5). Hebreus lançou este desafio a todo seguidor de Jesus: “Por meio de Jesus... ofereçamos a Deus, sempre, sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome. Não negligencieis, igualmente, a prática do bem e a mútua cooperação; pois, com tais sacrifícios, Deus se compraz” (Hebreus 13:15, 16).

• “Vivo” — em vez de oferecer animais mortos, os cristãos oferecem um sacrifício vivo.

• “Santo” — os sacrifícios oferecidos ao Senhor deveriam ser santos (separados para Ele) e sem mácula (veja Levítico 1:3; 1 Pedro 1:19; Malaquias 1:8). Os cristãos sempre devem oferecer o melhor para Deus.

• “E agradável a Deus” — a palavra traduzida por “agradável” significa literalmente “que agrada bem”. Na época do Antigo Testamento, quando sacrifícios de animais eram feitos conforme as instruções divinas, a fumaça subia como “aroma agradável ao Senhor” (Números 15:3). Da mesma forma, o tipo de sacrifício espiritual do qual estamos falando agrada a Deus e é aceito por Ele.

“...que é o vosso culto racional. ” De que maneira ou maneiras podemos oferecer nosso corpo num sacrifício a Deus considerado “racional”? 1) Este é um pedido razoável considerando tudo o que Deus fez por nós. 2) Respondemos ao amor de Deus como seres racionais, que raciocinam. 3) Quando oferecemos esse sacrifício, o fazemos de uma forma consciente e cuidadosa, pois qualquer coisa que fizermos para o Senhor deve incluir o raciocínio. Jamais devemos servi-lo de maneira ritualista ou automática. Se já é perigoso um motorista dirigir entorpecido pelo sono — assustando-se quando, ao acordar, percebe que já chegou a determinado ponto do trajeto — muito mais perigoso é servir a Deus sem plena consciência do que se faz. Quando prestamos culto a Deus, nossas mentes precisam estar concentradas nEle e no que estamos fazendo. O mesmo se aplica a todo serviço que prestamos ao Senhor.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
31/08/2022

Fontes:

GONÇALVES, José. Os ataques contra a igreja de Cristo – As sutilezas de Satanás nestes dias que antecedem a volta de Jesus Cristo. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.

MERRILL F. Unger e William White Jr., Dicionário Vine. Trad. Luis Aron de Macedo. Rio de Janeiro: CPAD.

F. F. BRUCE, Romanos — Introdução e Comentário. Trad. Odayr Olivetti. Série Cultura Bíblica. São Paulo: Ed. Vida Nova e Ed. Mundo Cristão, 3a. ed., 1983,

http://biblecourses.com/Portuguese/Po_lessons/Po_200904_03.pdf

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

MORDOMIA CRISTÃ - ELINALDO RENOVATO

 I. CONCEITOS DE MORDOMIA 

1. Mordomo. A palavra vem do latim, major domu, e significa “o criado maior da casa”, “administrador dos bens de uma casa”, “ecônomo” (Dicionário Aurélio).

Na Bíblia, a função aparece diversas vezes como “encarregado administrativo dos bens de um grande proprietário de terras”. Tanto no Antigo quanto no Novo Testamento essa função corresponde à de um administrador. Portanto, nós somos mordomos de Deus e, à luz do Novo Testamento, os líderes espirituais têm maior responsabilidade perante o Senhor da Igreja (Lc 12.48).

2. Mordomia. A palavra significa “cargo ou ofício do mordomo; mordomado”. Sua origem está no termo grego oikonomia e, por isso, a encontramos em alguns textos do Novo Testamento, como na “Parábola do mordomo infiel” (Lc 16.2-4). Na Bíblia, mordomia diz respeito a todo serviço que o crente realiza para Deus e o seu comportamento diante do Pai e dos homens. É a administração dos bens espirituais e materiais, tanto no aspecto individual quanto no coletivo do ser humano. Assim, nossas faculdades espirituais, emocionais e físicas são o objeto da Mordomia Cristã. Por isso, esta mordomia está ligada ao ensino da Palavra de Deus.


II. A MORDOMIA ESPIRITUAL DO CRISTÃO 

1. A mordomia do amor cristão. A mordomia cristã deve dar grande valor à prática do amor. Certa vez, um fariseu resolveu testar Jesus quanto à sua visão sobre os mandamentos da Lei de Moisés. Ele conhecia bem os dez mandamentos. Abordando Jesus, indagou-lhe: “Mestre, qual é o grande mandamento da lei?” (Mt 22.36). E Jesus respondeu-lhe de maneira sábia, serena e consistente:

1.1. “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração” (22.37). Nosso Senhor não aceita dominar apenas uma parte do nosso coração; Ele o requer por completo. Quanto a isso, Ele nunca fez concessões: “Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha” (Mt 12.30). O mandamento revela o objeto da nossa mordomia de amor: fazer o bem ao próximo de forma concreta, com obras que revelam a nossa fé (Tg 2.14-17).

1.2. “De toda a tua alma e de todo o teu pensamento” (v.37). Aqui, o Senhor Jesus enfatizou que, além de todo o coração, o primeiro mandamento exige toda a alma e todo o pensamento de uma pessoa. Essa é a base bíblico-doutrinária para dizer que a Mordomia Cristã valoriza a interioridade do crente. Logo, absolutamente tudo no interior do cristão — coração, alma e pensamento — deve estar voltado para Deus, que é o centro de todas as coisas.

1.3. “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (22.58). O segundo mandamento enfatiza que, na medida em que amamos a Deus de todo coração, alma e pensamento, devemos amar o próximo como a nós mesmos. Tal mandamento é relevante para a nossa mordomia, pois no mundo atual, sem qualquer ranço pessimista, pode-se ver que o desamor é a tônica entre pessoas, famílias, países e, até mesmo, entre alguns que se dizem cristãos.

1.4. Quem é o próximo? Esta foi a grande pergunta feita por Jesus após contar a parábola do Bom Samaritano ao doutor da lei (Lc 10.30-37). O nosso próximo é um familiar: esposo, esposa, pai e filho, irmão, primo, sobrinho, etc. É o nosso irmão em Cristo, o nosso vizinho, o professor, o colega de trabalho, o carente ou o socialmente excluído. Assim, o mandamento revela o objeto da nossa mordomia de amor: fazer o bem ao próximo de forma concreta, com obras que revelam a nossa fé (Tg 2.14-17).

2. A mordomia da fé cristã. A palavra fé (gr. pistis ; lat. fides) traz a ideia de confiança que depositamos em todas providências de Deus. Mas a melhor definição de fé foi enunciada pelo autor da Epístola aos Hebreus, ao descrevê-la com profunda inspiração divina: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem” (Hb 11.1). Aqui, há três características essenciais à fé:

(1) Ela é o fundamento ou base para a confiança em Deus;

(2) Ela envolve a esperança ou expectativa segura do que se espera da parte de Deus;

(3) Ela é “a prova das coisas que não se veem”, mas são esperadas por uma convicção antecipada.

3. A fé como patrimônio espiritual. A fé cristã é o depósito espiritual acumulado durante toda vida do crente. É o nosso patrimônio espiritual, de valor e virtudes inestimáveis. Essa fé que o crente foi estimulado a guardar para não perder a “coroa” (Ap 3.11). Ao escrever ao jovem discípulo, Timóteo, e já próximo da morte, o apóstolo Paulo disse: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda” (2Tm 4.7,8). Querido irmão, prezada irmã, guarde sua fé!


III. A MORDOMIA DOS BENS MATERIAIS 

1. O cristão e as finanças. Na mordomia dos bens materiais, o cristão deve trabalhar honestamente para garantir sua sobrevivência financeira. Desde o Gênesis, após a Queda, o homem emprega esforços, com “o suor” de seu rosto (Gn 3.19), para obter os bens de que necessita. Isso é feito de maneira constante (1Ts 4.11). Nesse aspecto, a preguiça é um pecado intolerável diante de Deus. Assim, Ele exorta ao preguiçoso que aprenda com as formigas, pois estas trabalham no verão para garantir o mantimento no inverno (Pv 6.6,9; 10.26).

2. O cristão e as riquezas. Deus não demoniza a riqueza nem diviniza a pobreza. Mas o cristão não deve recorrer aos meios ou práticas ilícitas de ganhar dinheiro, como o bingo, a rifa, as loterias e outras formas “fáceis“ de buscar riquezas (Pv 28.20).

A Bíblia mostra que a avareza é a idolatria ao dinheiro, ou seja, uma compulsão para enriquecer a qualquer custo. É uma escravidão ao vil metal. Sobre isso as Escrituras também asseveram: “Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores” (1Tm 6.10).

E Jesus ensinou: “Acautelai-vos e guardai-vos da avareza, porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui” (Lc 12.15). E também ratificou: “Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam, nem roubam” (Mt 6.20).

3. O cristão e a contribuição para a igreja. Na igreja local há várias maneiras pelas quais o cristão pode e deve contribuir para a expansão e manutenção da Obra do Senhor. Essa contribuição deve ser feita através dos dízimos e das ofertas voluntárias (cf. Ml 3.8-12). Jesus reiterou a necessidade da contribuição com os dízimos, repreendendo a hipocrisia dos fariseus (Mt 23.23), pois há inúmeras necessidades da igreja que requerem as contribuições dos fiéis.


CONCLUSÃO 

Somos mordomos dos bens espirituais e materiais concedidos por Deus à sua Igreja. Se realizarmos nossa mordomia para a glória de Deus, com gratidão pelos bens adquiridos, seremos recompensados pelo Senhor. Usemos os recursos que Deus nos concedeu como verdadeiros mordomos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Tudo o que temos vem do Senhor!


Fonte:
LIÇÕES BÍBLICAS CPAD ADULTOS - 3º Trimestre de 2019
Título: Tempo, Bens e Talentos — Sendo mordomo fiel e prudente com as coisas que Deus nos tem dado
Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima

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segunda-feira, 29 de agosto de 2022

LIÇÃO 10 A Sutileza Contra A Prática Da Mordomia Cristã - 3 Trimestre de 2022


(Texto Áureo) “...e [Abrão] deu-lhe o dízimo de tudo. ” (Gênesis 14.20)           

“...e [Abrão] deu-lhe o dízimo de tudo. ” O texto não revela como Melquisedeque ficou sabendo de Abraão, o estrangeiro rico cujo pequeno exército conquistara uma vitória extraordinária sobre os reis do Leste. A notícia provavelmente se espalhou com rapidez, especialmente após o caos que os invasores infligiram nas cidades periféricas de Canaã. Abraão não só derrotou os exércitos do Leste, como também resgatou o povo de Sodoma e seus bens. Melquisedeque quis se encontrar com aquele homem e honrá-lo oferecendo pão e vinho; e também quis abençoá-lo no nome do Deus Altíssimo, cujo nome pessoal é “Iavé”.  Quando o patriarca deu a Melquisedeque o dízimo de todos os espólios, o sacerdote sem dúvida foi abençoado por saber que aquele estrangeiro estava sendo sincero com respeito ao seu compromisso com o Deus verdadeiro e desejoso de demonstrar isso sendo generoso para com o representante do Senhor na terra de Canaã. No ato de apresentar essa generosa doação a Melquisedeque, Abraão experimentou a verdade que Jesus mais tarde anunciou: “Mais bem-aventurado é dar que receber” (Atos 20:35). Ao fazer isto, ele deu um exemplo para seus descendentes – Jacó (28:22) e os israelitas – seguirem: o exemplo de serem uma bênção para os que servem a Deus (Levítico 27:30–33; Números 18:21–32).

Gênesis 14:20 é a primeira referência a dízimo na Bíblia, mas o dízimo é uma prática muito antiga. O povo doava para o sustento dos sacerdotes em seus templos e também para os reis em seus palácios. O povo de Deus deu dízimo de seus bens ao Senhor como expressão de gratidão e reconhecimento de que Deus é o Criador e dono de tudo. Tudo que temos é uma dádiva das mãos de Deus às nossas mãos. Quando Davi deu liberalmente ao Senhor depois de testemunhar a prontidão e generosidade do povo ao ofertar para a construção do templo, ele orou: “Porque quem sou eu, e quem é o meu povo para que pudéssemos dar voluntariamente estas coisas? Porque tudo vem de Ti, e das Tuas mãos To damos” (1 Crônicas 29:14). Paulo usou uma terminologia que ecoa a de Davi quando incentivou os irmãos de Corinto a contribuírem de boa vontade e com generosidade para a grande coleta que ele está juntando das igrejas gentílicas da Europa e Ásia Menor para os santos pobres de Jerusalém (1 Coríntios 16:1–4). O apóstolo enfatizou que a base para a contribuição financeira cristã deve ser a mesma dos dias de Davi: os generosos e graciosos dons de Deus ao Seu povo. Paulo lembrou a igreja que ele não estava mandando que contribuíssem, mas estava oferecendo uma oportunidade para provarem a sinceridade de seu amor. Disse ele: “Pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos” (2 Coríntios 8:9; veja 9:7–15).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
29/08/2022

Fontes:

GONÇALVES, José. Os ataques contra a igreja de Cristo – As sutilezas de Satanás nestes dias que antecedem a volta de Jesus Cristo. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.

http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201510_01.pdf

http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201510_02.pdf