LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD
3 DE NOVEMBRO DE 2025
FÉ E CONSCIÊNCIA PURA DEVEM CAMINHAR JUNTAS
1 Timóteo 1:5, 19 “Ora, o fim do mandamento é o
amor de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida.[...] Conservando a fé, e a boa
consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé.”
“Ora, o fim do mandamento é o amor de um
coração puro,”
A
Palavra de Deus tem por finalidade a transformação espiritual do ser humano.
Esse é o fim do “mandamento” ou o propósito do ensino cristão. Provocar mudança
eficaz no interior do homem. Paulo expressa bem essa transformação em 2
Coríntios 5.17: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as
coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.”
Esse
ensino (mandamento) não produz efeito superficial, mas profundo, e isso resulta
no “amor de um coração puro”. Esse amor, que se revela num “coração” puro, não
é qualquer tipo de “amor”, mas o verdadeiro amor cristão, que deriva do amor
Àgape, ou amor de Deus. É uma amor sacrificial que se concretiza, ou se
materializa, não em teoria, mas num viver santo e puro, conforme a Palavra de
Deus. É o amor que faz o crente amar a Deus em primeiro lugar, e “ao próximo
como a si mesmo” (Lucas 10.27).
Jesus
refere-se aos que têm “coração puro”. São os “limpos de coração, porque eles
verão a Deus” (Mateus 5.8). Na Escritura, o coração é o centro e a fonte da
totalidade da atividade mental e moral do homem; se ali faltar pureza,
obviamente não pode irradiar o amor cristão.
“... e de uma boa consciência,”
A segunda
evidência desse “mandamento” é “uma boa consciência” cristã. No vernáculo,
consciência significa “conhecimento, ciência”. A consciência é a capacidade ou
sede da consciência moral, comum a todas as pessoas (Romanos 2.15; 2 Coríntios
4.2). Seu significado básico é a percepção interior que o homem tem da
qualidade moral das suas próprias ações. Esse termo, e essa idéia eram
populares entre os estóicos, parece que Paulo o tomou emprestado do seu
meio-ambiente gentio.
A
consciência natural do homem não salvo é influenciada por muitos fatores, tais
como sua origem, sua história e suas experiências. Mas a consciência cristã é a
convicção interior da condição cristã, na comunhão com Cristo. E o sentimento
de firmeza de pensamento; é a certeza da comunhão com Deus. É chamada “boa
consciência” no andar com Deus (Atos 23.1; 1 Pedro 3.21); é “ter uma
consciência sem ofensa, tanto para com Deus como para com os homens” (Atos
24.16); é a “voz interior”, que acusa ou defende cada pessoa (Romanos 2.15); é
a consciência que leva o crente a obedecer a Deus, independentemente de quem
quer que seja (Romanos 13.5); é o testemunho interior da conduta do crente (2 Coríntios
1.12); é a consciência do crente que serve a Deus com pureza (2 Timóteo 1.3).
Os
falsos mestres, que perturbaram a igreja em Éfeso, não tinham essa “boa
consciência” cristã. Eles certamente falavam, ensinavam e agiam conforme a
consciência deles (2 Timóteo 4.1); todavia, eram hipócritas e falavam mentiras pois
tinham “cauterizado a sua própria consciência” (2 Timóteo 4.2).
“... e de uma fé não fingida.”
A
consciência cristã está vinculada com a fé, visto que pelo batismo o cristão
recebeu perdão pelos seus pecados, e pelo influxo do Espírito Santo passa por
aquela “renovação da mente” que o capacita a “experimentar qual seja a boa,
agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2).
A fé
não fingida é terceiro resultado fim do mandamento, ou da Palavra de Deus, na
vida do crente. Tem o sentido de fé sincera, autêntica, verdadeira. É a “fé
que um a vez foi dada aos santos” (Judas 3). No dizer de Paulo, os falsos
mestres queriam ser doutores da lei e não entendendo nem o que dizem nem o que
afirmam: “Ninguém vos domine a seu arbítrio com pretexto de humildade e culto
dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando em vão inchado na sua
carnal compreensão” (Colossenses 2:18). Por isso mesmo, davam-se a fábulas e a
genealogias intermináveis (1 Timóteo 1.4), com o que se embaraçavam e embaraçavam
seus ouvintes.
“Conservando a fé, e a boa consciência,”
Paulo
encarregou Timóteo de ficar em Éfeso para advertir alguns que não ensinassem
outra doutrina (v.3). Timóteo então nas palavras de Paulo estava ali para
militar boa milícia (v.18). Os meios para se atingir esse alvo seria “conservar
a fé e a boa consciência”.
A “fé
que um a vez foi dada aos santos” (Judas 3). Deve ser conservada através da
palavra de Deus: “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de
Deus” (Romanos 10.17). Pois a Palavra de Deus edifica a fé (Romanos 10:17).
Como somos justificados pela fé (Romanos 5:1, 2; Gálatas 3:26, 27) e andamos
por ela fé (2 Coríntios 5:7) através dela vencemos o mundo pela fé (1 João 5:4)
e assumimos a natureza de Cristo (Gálatas 2:20). Não é de admirar que Paulo
quisesse que Timóteo guardasse a fé! Todo evangelista precisa gerir sua vida e
ministério na arena da fé edificada na Palavra.
Quando
se mantém a fé, constrói-se a consciência boa. A consciência boa é: “uma
consciência sem ofensa, tanto para com Deus como para com os homens” (Atos
24.16); é a “voz interior”, que acusa ou defende cada cristão (Romanos 2.15); ela
leva o crente a obedecer a Deus (Romanos 13.5); é o testemunho interior da
conduta do crente (2 Coríntios 1.12); é a consciência do crente que serve a
Deus com pureza (2 Timóteo 1.3). A consciência não conservada pode se tornar
“cauterizada” ou “ferreteada” (1 Timóteo 4:2) ou “corrompida” (Tito 1:15).
“...
a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé.”
Senão
mantermos a nossa fé e nossa boa consciência nossos pés logo se desviarão para
a direção errada (Jeremias 10:23). E desviaremos os nossos ouvidos da verdade e
voltaremos às fábulas (2 Timóteo 4.4). Poderemos assim “naufragar na fé”. O
fato de alguns terem “naufragados na fé” não só evidencia o fracasso pessoal
deles, como também lança um protesto contra a teoria de “uma vez salvo, sempre
salvo”, ou “uma vez na fé, sempre na fé”. (1 Timóteo 4:1; Gálatas 5:4).
Assim,
se não levarmos em conta a voz da consciência, permitindo que o pecado
permaneça não confessado e não perdoado, a nossa fé não terá vida longa. Todo
aquele cuja consciência tenha sido tão manipulada a ponto de tornar-se
insensível acha-se em grande perigo. É com intensa força que de Paulo denuncia
a oportunidade que esses dois homens, Himeneu e Alexandre (v.20) tiveram de
permanecer fiéis! Eles repudiaram as influências divinas e humanas que lhes
foram oferecidas com amor.
DEIVY FERREIRA
PANIAGO JUNIOR
01/11/2025
FONTES:)
QUEIROZ, Silas. Corpo, Alma e Espírito – A restauração
integral do ser humano para chegar a estatura completa de Cristo. Rio de
Janeiro: CPAD, 2025.
KELLY, John N. D. I e II Timóteo e Tito: introdução e comentário.
São Paulo: Vida Nova e Editora Mundo Cristão, 1983.
RENOVATO, Elinaldo. As ordenanças de Cristo nas cartas
pastorais. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.
http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_200311_03.pdf