terça-feira, 21 de julho de 2026

Atos 20:19

Atos 20:19 “Servindo ao Senhor com toda a humildade, e com muitas lágrimas e tentações, que pelas ciladas dos judeus me sobrevieram;”

 

“Servindo ao Senhor com toda a humildade,”

Paulo descreve sua obra aos presbíteros de Éfeso em Mileto como “servindo ao Senhor”, ele freqüentemente se chamava servo do Senhor (Romanos 1:1; 12:11; Filipenses 2:22), e este conceito de serviço tem prioridade sobre qualquer pensamento acerca da posição que lhe fosse atribuída: “Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu; Segundo o zelo, perseguidor da igreja, segundo a justiça que há na lei, irrepreensível. Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo” (Filipenses 3:5-7).

Como conseqüência, a primeira característica do seu ministério que é selecionada para ser mencionada é a humildade, a recusa de reivindicar coisa alguma para si mesmo. Quem serve a Deus não busca projeção pessoal. Quem serve a Deus não anda atrás de aplausos e condecorações. Quem serve a Deus não depende de elogios nem desanima com as críticas: “E não buscamos glória dos homens, nem de vós, nem de outros, ainda que podíamos, como apóstolos de Cristo, ser-vos pesados” (1 Tessalonicenses 2:6).

Muitos batem no peito, anunciando arrogantemente que são servos de Deus. Outros, besuntados de orgulho, fazem propaganda de seu próprio trabalho. Outros servem a Deus, mas gostam dos holofotes. Há aqueles que fazem do serviço a Deus um palco onde se apresentam como os atores ilustres sob as luzes da ribalta. Um servo não busca autoglorificação. Fazer a obra de Deus sem humildade é construir um monumento para si mesmo. E levantar outra modalidade da Torre de Babel.

 

“... e com muitas lágrimas e tentações,

A segunda característica do seu ministério diz respeito às lágrimas que ele sofria. Paulo servia a Deus com lágrimas. As lágrimas de Paulo eram nascidas do intenso desejo pelo bem-estar espiritual de seus convertidos e demais irmãos na fé: “Porque em muita tribulação e angústia do coração vos escrevi, com muitas lágrimas, não para que vos entristecêsseis, mas para que conhecêsseis o amor que abundantemente vos tenho” (2 Coríntios 2:4). Paulo era um homem profundamente intelectual, mas não da variedade seca e empedernida. Tinha o seu lado emocional, e não se envergonhava de demonstrá-lo.

Porém essas lágrimas citadas eram nascidas da sensibilidade para com os abusos praticados por indivíduos odiosos, ímpios e desvairados: “Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo” (Filipenses 3:18). Matthew Henry afirma que orações e lágrimas são os braços da igreja. E com isso que ela luta contra os inimigos e a favor dos amigos.

  

“... que pelas ciladas dos judeus me sobrevieram;”

A terceira característica do seu ministério dá a entender que era a paciência e fortaleza com que continuava sua obra a despeito das tentações no sentido de tudo abandonar, por causa da perseguição dos judeus que sempre lhe armavam ciladas: “E, passando ali três meses, e sendo-lhe pelos judeus postas ciladas, como tivesse de navegar para a Síria, determinou voltar pela Macedônia” (Atos 20:3).

Essas ciladas não dizem respeito às ações de Demétrio, e, sim, essencialmente, a perseguições e tentativas de homicídio não registradas, mas tão-somente subentendidas. A vida ministerial não lhe foi amena. Em vez de ganhar aplausos do mundo, recebeu ameaças, açoites e prisões. Viveu num campo minado. Enfrentou inimigos reais, porém, às vezes ocultos. Porém Paulo sempre manteve sua consciência pura diante de Deus e dos homens e está aqui deixando isso claro.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
21/7/2026

FONTES:

GABY, Wagner. A Igreja dos Gentios – Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

MARSHALL, Howard. Atos - Introdução e Comentário. Vida Nova/Mundo Cristão. 1991.

Lopes, Hernandes Dias Atos: a ação do Espírito Santo na vida da igreja. São Paulo: Hagnos, 2012.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry – Atos a Apocalipse. Rio de Janeiro CPAD, 2008.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

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