Mateus 17.5 “E, estando ele ainda a falar, eis que uma
nuvem luminosa os cobriu. E da nuvem saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho
amado, em quem me comprazo; escutai-o.”
“E, estando ele ainda a falar, eis que uma
nuvem luminosa os cobriu.”
Quando
Jesus transfigurou-se diante dos apóstolos: Pedro, Tiago e seu irmão João.
Apareceram Moisés e Elias falando com ele. Lucas nos diz que Moisés e Elias
falaram com Jesus "de sua partida que ia Jesus a cumprir em Jerusalém"
(Lucas 9:31). Os apóstolos ficaram atônitos em ver a cena e ouvi-los
conversando. Pedro ficou tão emocionado que quis fazer parte da conversa e se
oferece para montar cabanas para os três. Enquanto ele ainda falava “eis que uma nuvem luminosa os cobriu”.
Todos
os evangelistas fazem referência à nuvem luminosa que os cobriu. Essa nuvem era
parte da história do Israel. Ao longo de toda a história a nuvem luminosa
representava o shekinah, que não era outra coisa senão a glória de Deus
Todo-poderoso. Vejamos essa nuvem na história de Israel. Em Êxodo lemos sobre a
coluna de nuvens que guiaria o povo em seu caminho (Êxodo 13:21-22). Em uma
nuvem o Senhor desceu para dar as tábuas da Lei a Moisés (Êxodo 34:5).
Voltamo-nos a encontrar com esta nuvem misteriosa e cheia de luz na dedicação
do templo do Salomão; “Tendo os sacerdotes saído do santuário, uma nuvem
encheu a Casa do SENHOR” (1 Reis 8:10-11; ver também 2 Crônicas 5:13-14;
7;2). Ao longo de todo o Antigo Testamento aparece esta imagem da nuvem na qual
estava a glória misteriosa de Deus.
“E da nuvem saiu uma voz que dizia:”
A
nuvem se iluminou e se converteu em algo misterioso e saiu dela a voz da
majestade divina que impôs o selo de aprovação de Deus sobre seu Filho Jesus. Como
no Sinai, a voz divina fala desde a nuvem: “E disse o Senhor a Moisés: Eis
que eu virei a ti numa nuvem espessa, para que o povo ouça, falando eu contigo,
e para que também te creiam eternamente. Porque Moisés tinha anunciado as
palavras do seu povo ao Senhor” (Êxodo 19:9).
A
voz transmitirá a mesma mensagem já notada cm Mateus 3:17, quando do batismo de
Jesus: “E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem
me comprazo.”
“Este é o meu Filho amado, em quem me
comprazo;”
A
voz saiu de uma nuvem brilhante, símbolo da presença e glória divinas. Essa foi
uma das três declarações de Deus sobre a divindade de Seu Filho (Mateus 3.17;
João 12:28). Não significa o mais amado (superlativo), nem o único amado, mas
amado em sentido especial, particular. Essa linguagem também é semelhante à
descrição de Isaque, o filho amado da promessa, a quem Abraão foi chamado a
sacrificar: “Toma
agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas”
(Gênesis 22:2). Esta voz divina voz também confirma a confissão feita por
Pedro: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mateus 16.16).
Cristo
é o amado de Deus por causa do seu relacionamento sem igual com o Pai, da bem
disposta obediência, perfeita submissão à morte na cruz e caráter inculpável.
No seu ministério terrestre, enfrentava forças contrárias cada vez que firmava
a resolução de ir à cruz. No batismo, expressou seu propósito de cumprir tudo
quanto fosse necessário como Redentor do pecado (Mateus 3.15). Pouco antes da
transfiguração anunciara a sua intenção ir a Jerusalém para enfrentar o
sofrimento e a morte (Mateus 16.21-23). E, poucos dias antes de ser
crucificado, repeliu a tentação de dizer: “Pai, salva-m e desta hora”
(João 12.27,28).
A
frase “em que me comprazo” não significa “com o qual eu me agrado”
(NAA), e sim, “ em quem o meu prazer está” , ou seja, “aquele no qual o
meu plano para a salvação da humanidade está centralizado”. A alusão se refere
à profecia messiânica de Isaias 42:1: “Eis aqui o meu servo, a quem
sustenho, o meu eleito, em quem se compraz a minha alma; pus o meu espírito
sobre ele; ele trará justiça aos gentios” (Isaías 42:1).
“... escutai-o.”
A
palavras de Deus declaravam, em primeiro lugar, ser Jesus superior à Lei e aos
profetas, porque era Filho de Deus; era, portanto, a autoridade máxima em todas
as questões: “Escutai-o”, pois Moisés e Elias não tinham nada de novo para
transmitir: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas
maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo
Filho, A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo. O qual,
sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e
sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si
mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas
alturas” (Hebreus 1:1-3).
Transmitia
também mensagem especial aos apóstolos, admoestando-os a aceitarem tudo o que o
Mestre ensinava, inclusive acerca da sua morte vindoura. Os discipulos bem
podem ter pensado que o seu Mestre fosse isento da experiência da morte, como o
fora Elias (2 Reis 2.11). Agora tinham de aprender que era só por meio da morte
que Jesus poderia entrar em sua glória.
É
como se o Pai lhes dissesse: “A Ele ouvi, mesmo quando diz que terá de sofrer e
morrer”. A nós, também, cabe ouvi-lo. Lembramos o que Maria disse as serviçais
no casamento em Caná “Fazei tudo quanto ele vos disser” (João 2.5).
DEIVY FERREIRA
PANIAGO JUNIOR
4/1/2026
FONTES:
BAPTISTA, Douglas. A Santíssima Trindade - O Deus Único
Revelado em Três Pessoas Eternas. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.
TASKER, R. V. G. Mateus: Introdução e comentário. Série
Cultura Bíblica –São Paulo: Mundo Cristão, 1980.
ROBERTSON, A. T. Comentário Mateus & marcos à luz do
novo testamento grego. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.
PEARLMAN, Myer. Mateus – O Evangelho do Grande Rei. Rio de
Janeiro: CPAD.
BARCLAY, William. The Gospel of Matthew - Tradução: Carlos
Biagini.