domingo, 3 de agosto de 2025

Mateus 10:16

    

Mateus 10:16 “Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas.”

 

“Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; “

Jesus sempre suportou as perseguições, por mais desagradáveis que fossem, Ele ajustava-se a elas. Ele era realista no trato com seus discípulos e os advertiu sobre as dificuldades futuras. Mais do que preveni-los, deu-lhes instruções sobre como enfrentar a perseguição.  Plummer comenta: "Esta não é a maneira que o mundo tem de ganhar partidários." O mundo sempre oferece rosas, um caminho de rosas, comodidade e seguranças, junto com o cumprimento de todas as ambições mundanas. Jesus oferece dificuldades, e até a morte e mesmo assim se multiplicam seus seguidores.

Barclay comenta que a história demonstra que Jesus tinha razão em motivá-los assim. Pois, no mais íntimo, os seres humanos apreciam o chamado à aventura. Depois do sítio de Roma, Garibaldi dirigiu a seguinte proclama a seus partidários: "Soldados: Todos os nossos esforços contra forças superiores foram inúteis. Não tenho nada a lhes oferecer a não ser fome e sede, dificuldades e morte; mas chamo a todos os que amem a pátria a unir-se comigo" – e foram por ele centenas de soldados. Depois da derrota de Dunquerque, Churchill ofereceu aos ingleses, "sangue, suor e lágrimas", foi suficiente.

“Ovelhas” são os animais mais dependentes. Sem defesas naturais, elas entram em desespero e facilmente se amedrontam. “Lobos” eram os piores inimigos das ovelhas na Palestina. Jesus não estava falando de animais aqui; Ele estava simplesmente usando-os como ilustrações de como as pessoas às vezes se comportam. Seus apóstolos eram as ovelhas, e seus inimigos eram os lobos.

Wilkins salientou: “Jesus inverte a metáfora. Antes disso os discípulos deveriam ir até as ovelhas (Mateus 9:36; 10:6), mas agora eles é que eram as ovelhas andando entre lobos”. Os doze estavam sendo enviados a um mundo de predadores (Mateus 7:15; João 10:10, 12; Atos 20:29). Seriam caçados como presas por todos os inimigos de Cristo.

 

“... portanto, sede prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas.”

Por isso Jesus admoestou-os: “Sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas”. Talvez esses dizeres fossem de um provérbio. Na literatura rabínica, um adágio semelhante é atribuído a Deus. Falando dos israelitas, Deus teria dito: “Diante de mim, eles são inocentes como pombas, mas para as nações são astutos como serpentes”.

As pombas, possivelmente desde o tempo de Noé, são vistas como símbolo de paz, inocência e pureza. Elas também são criaturas muito indefesas e são presas fáceis para predadores. “Serpentes”, desde a antiguidade, são conhecidas por sua astúcia e sabedoria (Gênesis 3:1); muitas delas são venenosas e extremamente perigosas.

Os discípulos de Jesus precisam de toda a sabedoria proverbialmente atribuída às serpentes, porém a astúcia para fraudar e enganar devem ser substituídas pela inocência inofensiva e gentil atribuída às pombas. "Sozinha, a prudência da serpente é mera astúcia, e a simplicidade da pomba pouco mais que fraqueza; mas combinadas, a prudência da serpente salvaria da exposição desnecessária ao perigo; a simplicidade da pomba, dos expedientes pecaminosos de escapar dele".

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
03/08/2025 

FONTES:

GONÇALVES, José. A igreja em Jerusalém – Doutrina comunhão e fé: A base para o crescimento da igreja em meio as perseguições. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

HARRISON, Everret F; PFEIFFER, Charles F. Comentário Bíblico Moody. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1990.

BARCLAY, William. The Gospel of Matthew - Tradução: Carlos Biagini.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201206_04.pdf

Provérbios 13.10

    

Provérbios 13.10 “Da soberba só provém a contenda, mas com os que se aconselham se acha a sabedoria.”

 

Da soberba só provém a contenda,”

A palavra que se traduz como “soberba” vem de uma raiz que sugere o ferver até subir, e se aplica à arrogância daqueles que exigem ter tudo conforme a sua vontade, e que não querem ser “empurrados para cá e para lá”, que não se deixam convencer, pois acreditam que estão sempre com a razão. A atitude do homem que diz “Eu sei tudo” naturalmente o leva a entrar em conflito com outras pessoas. Ele ama e promove as contendas. Ele se sente encantado quando está brigando. E não aceita conselhos da parte de outros. Os insensatos, na sua altivez, estão sempre criando contendas. O pecado do orgulho é atacado com freqüência no livro de Provérbios (11.2; 16.5,18,19; 18.12; 21.24; 25.14; 26.12; 27.2; 30.13). O orgulho é abominação para Deus (Provérbios 15.25; 16.5; 21.4).

 A soberba torna o homem impaciente na contradição de suas opiniões ou de seus desejos, impaciente com a competição e a rivalidade, impaciente pelo desprezo, ou qualquer coisa que pareça indiferença, e impaciente com concessões, por causa de um convencimento de certo direito e verdade de sua parte; e conseqüentemente surgem contendas entre parentes e vizinhos, contendas em estados e reinos, em igrejas e sociedades cristãs. Os homens se vingarão, não perdoarão, porque são soberbos.

Por natureza, o homem que não conhece a Deus é arrogante. A arrogância é uma marca distintiva da natureza humana não regenerada. Na história bíblica há o registro de vários acontecimentos em que a arrogância, a prepotência e a presunção estão presentes na vida de homens sem Deus. Exemplos: Faraó (Êxodo 5.1-9); Golias (1 Samuel 17.42-49); Senaqueribe (2 Crônicas 32.9-20); Nabucodonosor (Daniel 4.29-37) e Herodes Agripa (Atos 12.20-23).

 

“... mas com os que se aconselham se acha a sabedoria.”

Em contraste, o homem verdadeiramente sábio e devidamente instruído na lei aceita facilmente a instrução e assim cresce em sabedoria. Seus professores lhe dizem o que deve e o que não deve fazer e mantêm abertas as suas avenidas de aprendizado: “Dá instrução ao sábio, e ele se fará mais sábio; ensina o justo e ele aumentará em doutrina” (Provérbios 9:9). A Prudência e o conhecimento dos conselhos são a âncora onde se pode firmar qualquer vida. Os simples e prudentes são os seus filhos, e para os quais não há arrogância nem soberba, porque todos nos sentimos diminuídos ante o infinito saber de Deus.

Alguns homens já são “sábios demais" em si mesmos e, assim sendo, repelem a instrução por sua arrogância. Mas o homem bom sabe que ainda há muita coisa para aprender, e faz da vida diária uma oportunidade de aprender ainda mais. A humildade é exaltada no livro de Provérbios, como uma das virtudes do homem bom (Provérbios 15.33; 16.19; 22.4). Os verdadeiros sábios são humildes, pois reconhecem em sua cultura o quanto lhes falta ainda para conhecer, e, mesmo que vivessem séculos, não esgotariam os tesouros da Sabedoria, porque ela é Deus.

Os que são humildes e pacíficos são sábios e bem aconselhados. Os que pedem conselhos, e os aceitam, que consultam suas próprias consciências, suas Bíblias, seus ministros, seus amigos, e não fazem nada de uma forma impensada são sábios, tanto em outras situações como nesta, porque se humilham, se curvam e cedem, para preservar a tranqüilidade e evitar contendas: “A sabedoria, porém, lá do alto é primeiramente pura; depois pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento” (Tiago 3.17).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
03/08/2025 

FONTES:

GONÇALVES, José. A igreja em Jerusalém – Doutrina comunhão e fé: A base para o crescimento da igreja em meio as perseguições. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

MESQUITA, Antônio Neves. Estudo no Livro de Provérbios — princípios para uma vida feliz. Rio de Janeiro: JUERP, 1979.

HENRY, Matthew. Comentário Bíblico – Poéticos. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

KIDNER, Derek. Provérbios Introdução e Comentário – Série Cultura Bíblica. Mundo Cristão

GONÇALVES, José. Sábios Conselhos para um viver vitorioso - Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Rio de Janeiro: CPAD, 2013

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001. 

Gálatas 5.13

    

Gálatas 5.13 “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor.”

 

“Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne,”

“Porque” introduz a razão do que foi dito no versículo anterior: “Eu quereria que fossem cortados aqueles que vos andam inquietando” (Gálatas 5:12), no qual o apóstolo desejou uma maldição para os judaizantes que estavam tentando desviar os gálatas da nova liberdade em Cristo para a velha escravidão da lei. Nesse verso temos um chamado, uma advertência e um mandamento.

O chamado. Fomos chamados para a liberdade, e não para a escravidão do pecado. A liberdade cristã não é uma licença para pecar, mas o poder para viver em novidade de vida. A liberdade cristã é a liberdade do pecado e não liberdade para pecar. A liberdade cristã não é licenciosidade, mas deleite na santidade. A licenciosidade desenfreada não é liberdade alguma; é outra forma mais terrível de servidão, uma escravidão aos desejos de nossa natureza caída. Jesus disse que aquele que pratica o pecado é escravo do pecado (João 8.34). Paulo disse que o homem antes da sua conversão é escravo de toda a sorte de paixões e prazeres (Tito 3.3). Muitos defendem a liberdade do amor livre, a prática irrestrita do aborto, o uso indiscriminado das drogas e o homossexualismo. Isso, porém, não é liberdade; é escravidão do pecado.

A advertência. “Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne”. Calvino destaca que, após exortar os gálatas a não permitirem nenhum impedimento de sua liberdade (Gálatas 5.1), Paulo agora lhes recomenda que sejam moderados em usá-la. A palavra grega aphorme, traduzida por “ocasião à carne”, era usada no contexto militar em referência a um lugar do qual se faz um ataque, se lança uma ofensiva. Portanto, significa um lugar vantajoso e também uma oportunidade ou pretexto. Assim, a nossa liberdade em Cristo não deve ser usada como um pretexto para a autoindulgência. Nessa mesma linha, Donald Guthrie explica que a palavra aphorme é um vocábulo militar para “base de operações”. Dessa forma, a carne é representada como um oportunista, sempre pronto a aproveitar-se de qualquer oportunidade.

Já houve na Epístola a menção do conflito entre o Espírito e a carne. Mas, por que pensar na “carne” como sendo o principal inimigo da Liberdade? Por que não a “lei”, ou até mesmo o “pecado”, como em Romanos 7:8? Questiona Lopes. A escolha da palavra “carne” é significante, pois resume o motivo que impele o homem natural, a tendência moral do homem que não é movido pelo Espírito.

 

“... mas servi-vos uns aos outros pelo amor.”

O mandamento. Devemos servir uns aos outros pelo Amor. Calvino declara que o método para impedir a liberdade de irromper em abuso imoderado e licencioso é regulá-la pelo amor. Quem ama não explora, mas serve o próximo. Somos livres para amar e servir. O amor não pratica o mal contra o próximo. O amor verdadeiro deve ser mútuo e não pode colocar seus próprios interesses em primeiro lugar.

Não podemos usar o próximo como se fosse uma coisa para nos servir; temos de respeitá-lo como pessoa e nos dedicar a servi-lo. Pelo amor temos de nos tornar douleuete, “escravos” uns dos outros, não um senhor com uma porção de escravos, mas um pobre escravo com uma porção de senhores, sacrificando o nosso bem pelo bem dos outros, e não o bem deles pelo nosso. A liberdade cristã é serviço, não egoísmo. John Stott diz: “Somos livres em nosso relacionamento com Deus, mas escravos em nosso relacionamento com os outros”.

A idéia do serviço cheio de amor como característica da liberdade em Cristo jamais esteve totalmente ausente da Igreja Crista, mas em muitos períodos da sua história a evidência nesse sentido tem sido fraca. Este princípio é uma lição tão válida para nossa própria era quanto o foi para o primeiro século.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
03/08/2025 

FONTES:

GONÇALVES, José. A igreja em Jerusalém – Doutrina comunhão e fé: A base para o crescimento da igreja em meio as perseguições. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

GUTHRIE, Gálatas: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1999.

LOPES, Hernandes Dias. Gálatas: A carta da liberdade cristã. — São Paulo: Hagnos, 2011. 

 STOTT, John. A mensagem de gálatas. São Paulo: ABU, 2000.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201806_05.pdf

LIÇÃO 6: UMA IGREJA NÃO CONIVENTE COM A MENTIRA - 3 TRIMESTRE DE 2025.

TEXTO ÁUREO

“Disse, então, Pedro: Ananias, porque encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e retivesses parte do preço da herdade?” (Atos 5.3).

 

“Disse, então, Pedro: Ananias, porque encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo”

Muitos dos que tinha posse na igreja primitiva vendiam suas propriedade e colocavam aos pés dos apóstolos: “Não havia, pois, entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido, e o depositavam aos pés dos apóstolos” (Atos 4:34). Um homem chamado José, conhecido pelos apóstolos de Barnabé, assim fez. Ananias se sua mulher Safira, aparentemente invejaram a disposição de José e cobiçaram o prestígio que ele chegou a ter entre os apóstolos. Decidiram fazer o mesmo, mas entre si combinaram de reter parte do valor.

Ananias foi questionado por Pedro. Como na situação do cobiçoso Judas, Satanás derramava suas pecaminosas sugestões no coração de Ananias: “E, acabada a ceia, tendo já o diabo posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, que o traísse (João 13.2). O diabo, no entanto, não pode entrar em nossa vida a não ser mediante permissão nossa. Por isso Pedro indagou: “Por quê?” - “Resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tiago 4.7). Por isso, a responsabilidade do homem permanece: “Por que formaste este desígnio em teu coração?”

Adolf Pohl dá o seu brado de alerta: “Que fato horrível: um coração anteriormente repleto do Espírito Santo de Deus agora está cheio de Satanás! Isso é possível. Não temos direito a qualquer atitude autoconfiante”.

Provavelmente, imaginava que estivesse enganando a Pedro, líder da igreja. Mas não entendia que o verdadeiro líder da igreja era o Espírito Santo, onisciente, que a tudo perscruta. A Igreja Primitiva se constituía de um grupo sob a liderança do Espírito Santo (Atos 8.29,39: 10.19: 13.2; 16.6,7). Ou seja, Ananias “Não mentiste aos homens, mas a Deus.” O pecado dele não foi apenas mentir ao Espírito Santo, mas tentar falsificar o Espírito Santo, buscando representar sua fraudulenta ação como divinamente inspirada. Assim, ele procurou fazer com que o Espírito Santo participasse do seu horrendo crime.

 

“... e retivesses parte do preço da herdade?”

O verbo reteve é idêntico àquele que se empregou para descrever a ação de Acã em reter parte dos despojos de Jericó, que deveriam ser entregues à casa do Senhor ou destruídos: “E transgrediram os filhos de Israel no anátema; porque Acã filho de Carmi, filho de Zabdi, filho de Zerá, da tribo de Judá, tomou do anátema, e a ira do Senhor se acendeu contra os filhos de Israel (Josué 7.1).

Não havia na igreja primitiva a obrigação de os crentes venderem suas propriedades e trazerem aos apóstolos os montantes apurados. Não fora abolido o direito da posse individual de bens. Ananias não teria violado nenhum preceito se tivesse conservado sua propriedade. O ato de vender era da exclusiva responsabilidade do dono, bem como o ato de entregar aos apóstolos o dinheiro recebido. Os apóstolos não possuíam autoridade sobre o dinheiro, a não ser quando o recebiam para o fundo de assistência.

Seu pecado foi dar parte, dizendo que estava dando tudo. Seu pecado foi mentir ao Espírito e enganar a igreja. Por trás da hipocrisia de Ananias estava a atividade sutil de Satanás. O perverso inimigo que já havia atacado a igreja através da perseguição, agora a ataca sedutoramente por meio da corrupção.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
18/07/2025 

FONTES:

GONÇALVES, José. A igreja em Jerusalém – Doutrina comunhão e fé: A base para o crescimento da igreja em meio as perseguições. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

PEARLMAN, Myer. Atos – E a igreja se fez missão. Rio de Janeiro: Cpad, 1995. 

POHL, Adolf. Atos dos Apóstolos. Curitiba: Editora Evangélica Esperança, 2002.

LOPES, Hernandes Dias. Atos: a ação do Espírito Santo na vida da igreja. São Paulo: Hagnos, 2012.

sábado, 2 de agosto de 2025

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD 2 DE AGOSTO DE 2025 (1 Pedro 4.8)

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD
2 DE AGOSTO DE 2025
O AMOR COBRE A MULTIDÃO DE PECADOS

1 Pedro 4.8 “Mas, sobretudo, tende ardente amor uns para com os outros; porque o amor cobrirá a multidão de pecados.”

 

“Mas, sobretudo, tende ardente amor uns para com os outros;”

J. N. D. Kelly traduziu assim esse imperativo: “Acima de tudo, porém, tende amor uns pelos outros a toda força”. O amor que os cristãos têm uns pelos outros flui do amor que eles têm em comum por Cristo. “Ardente” significa “constante, firme”. A caridade na Bíblia é um amor elevado, santo, desprendido que, por si só, exprime ações de gentileza, misericórdia e compaixão.  No grego é traduzida pela palavra ágape - o amor melhor que Deus nos confiou “pelo fato de ter Cristo morrido, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5.8).

Em 1 Pedro 1:8, o apóstolo disse: “A quem, não havendo visto, amais”.Os leitores de Pedro sentiam o amor de Cristo, pois já sabiam quem era Cristo e o que Ele fizera por eles (1 Pedro 2:21–25). Sabiam também que o Senhor voltaria e sabiam como deveriam viver até esse dia chegar.

O reino de Cristo, então, estava acontecendo entre eles. Na proporção em que praticavam o amor uns pelos outros, participavam das bênçãos de Cristo. Um prenúncio do céu acontece quando crentes vivem no corpo com um amor infinito uns pelos outros. Foi o próprio Jesus quem disse: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (João 13:35).

 

“... porque o amor cobrirá a multidão de pecados.”

O significado desta frase não é totalmente claro. Pedro poderia querer dizer que o amor de Deus pela humanidade O fez enviar Cristo como Redentor. No dia do julgamento, através da expiação vicária de Cristo, Deus cobrirá multidão de pecados.

Outra possibilidade para Champlin, é se algum crente ama às almas perdidas, e procurara-las convertê-las ao Senhor. Se tiver sucesso, grande multidão de pecados será apagada, isto é, será expiada, e, indiretamente, o amor do tal crente pelas almas perdidas terá produzido esse resultado. Este amor que cobre pecados ainda pode ser visto como uma espécie de expiação pelas inúmeras faltas praticadas pelos irmãos e que são perdoadas. Como disse Salomão: “O ódio excita contendas, mas o amor cobre todas as transgressões” (Provérbios 10.12).

Embora essas duas interpretações façam sentido, existe outra melhor. A frase vem imediatamente após o apóstolo ter admoestado os crentes a mostrar seu amor uns pelos outros na comunidade de Cristo. É melhor entender a expressão “o amor cobre multidão de pecados” como uma descrição de como o amor mútuo deve ser expresso entre os cristãos.

É provável que os leitores de Pedro, assim como os cristãos modernos, se encontrassem necessitados de mais amor ao observarem os atos uns dos outros. Não há como ser cristão sem estar na companhia de outros cristãos. Servir a Cristo é uma experiência inerentemente comunitária. Talvez não haja teste mais indicativo de que Cristo habita em nós do que nossa disposição para mostrar amor incondicional uns pelos outros.

Raramente ocorre de cristãos estarem juntos e não haver oportunidade para alguém sentir-se ofendido. A igreja de Jesus Cristo não é lugar para quem reprime os sentimentos. Às vezes, o amor exige que os cristãos confrontem um irmão em pecado e insistam no arrependimento. O amor às vezes requer repreensão. Um irmão sábio guarda a repreensão no coração.

Todo cristão, dependendo da ocasião, vai ofender ou ser ofendido. O amor dentro da comunidade de Cristo deverá “cobrir uma multidão de pecados” porque os cristãos têm um Senhor cujo amor por eles cobriu uma multidão de pecados. As fraquezas dos outros irmãos não diminuem o amor que cristãos maduros têm por eles. Eles então deverão mostrar o mesmo perdão e caridade que experimentaram do Senhor para com as faltas de outros.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
12/07/2025 

FONTES:

GONÇALVES, José. A igreja em Jerusalém – Doutrina comunhão e fé: A base para o crescimento da igreja em meio as perseguições. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

CHAMPLIN, Norman.O Novo Testamento Interpretado: Versículo Por Versículo, Volume 1. São Paulo: Hagnos, 2001.

HORTON, Stanley. I e II Pedro – A razão da nossa Esperança. Rio de Janeiro: CPAD.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201410_03.pdf

 

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

2 Timóteo 2.24

    

2 Timóteo 2.24 “E ao servo do Senhor não convém contender, mas sim, ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor;”

 

“E ao servo do Senhor não convém contender,”

No contexto das epistolas pastorais, via de rega, a expressão: “servo do Senhor” é mais aplicada aos ministros da Palavra, ou aos líderes das igrejas. Doulos é a palavra grega comumente usada para um “escravo”, mas a maioria das traduções optou pelo termo “servo”. Doulos é aquele que, seu “único compromisso é com o Senhor”. Não há chamado maior do que ser um servo do Senhor: “Assim morreu ali Moisés, servo do Senhor, na terra de Moabe, conforme a palavra do Senhor” (Deuteronômio 34:5).

O servo de Deus é um indivíduo que é chamado para edificar vidas em vez de contender. A contenda abre feridas, em vez de cicatrizá-las. Concordo, porém, com Stott quando ele diz que Paulo não está aqui proibindo todo tipo de controvérsia. Quando a verdade do evangelho estava sendo cruelmente atacada, o próprio Paulo se tornou um ardoroso apologista (Gálatas 2.11-14) e ordenou que Timóteo fizesse o mesmo (1 Timóteo 6.12). Porém, a combinação de especulações não bíblicas com polêmicas despidas de amor tem causado grandes danos à causa de Cristo.

Não raro, nas igrejas, aparecem irmãos, que possuem cursos de Teologia, ou de outras áreas acadêmicas, os quais levantam argumentos pessoais contra doutrinas já consagradas ou estabelecidas ao longo dos anos nas igre­jas cristãs. Nada temos contra esses cursos, pois, pela graça de Deus, possuímos alguns deles, que muito têm enriquecido nosso ministério de ensino. Mas referimo-nos a ensinadores presunçosos, que procuram angariar simpatia de grupos de crentes para si, a fim de formarem uma facção dissidente no meio dos irmãos.

Esses quanto confrontados pela liderança local, tornam-se opositores velados ou declarados, e, muitas vezes, conseguem fazer dissensões ou divisões. Tais “doutores” andam na contramão do Salmo 133, que diz que é “bom e suave que os irmãos vivam em união”. Discordar de algo que merece reparos é natural, mas provocar dissensão e contenda não é coerente com o amor cristão.

Diante desses fatos, Paulo exorta a Timóteo a evitar tais contendas e litígios, envolvendo a doutrina, e as provocações dos contendores que surgem no meio da igreja local. Conselho sábio, de um pastor experiente, culto e bem firmado na sã doutrina cristã, a um jovem obreiro, que ainda teria muito o que aprender, ao longo dos anos de seu ministério.

 

“... mas sim, ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor;”

Paulo apresentou uma descrição abrangente do servo do Senhor, detalhando como um pregador deve interagir com a irmandade, especialmente com os que se opõem a ele e com os que estão cometendo erros.

Aquele que serve ao Senhor deve ser manso para com todos. Diz provérbios: “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira” (Provérbios 15.1). Outras traduções preferiram as palavras “brando” ou “amável”. Essa palavra grega é “usada freqüentemente pelos escritores para caracterizar a atitude de uma ama com crianças irritadiças ou de um professor com alunos refratários, ou para aludir a pais em relação aos seus filhos”. O servo do Senhor deve ser “afável, de fácil diálogo, de conduta acessível, não irritável, [nem] intolerante, [nem] sarcástico, nem burlesco, nem mesmo para com os que o prejudicam”.

A passagem instrui a ser “manso para com todos”. Não é uma ordem simples; é mais fácil ser brando ou amável com algumas pessoas do que com outras. No entanto, devemos ser amáveis com quem gostamos e com quem não gostamos. Devemos ser amáveis com os amigos e com os inimigos. Devemos ser amáveis com as pessoas próximas a nós e com os estranhos. “Ser amável para com todos” (NVI).

O próximo requisito é uma repetição de uma das qualificações dos presbíteros: aptos para instruir. Se um homem não sabe instruir ou ensinar, ele não deve ficar à frente de uma classe ou no púlpito. Essa habilidade é um resultado natural de um obreiro que aprendeu a manejar bem a palavra da verdade: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2 Timóteo 2:15).

Paulo citou a seguir “sofredor” ou “paciente”. O texto original contém uma palavra composta, que significa “suportar pacientemente". Refere-se a “suportar o mal sem ressentimento”, sendo “paciente” e “tolerante”. Essa é outra ordenança mais fácil de ser dita do que obedecida. Quando injustiçados, queremos atacar, ferir os outros como eles nos feriram; mas Paulo instruiu a sermos “pacientes” quando injustiçados.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
01/08/2025 

FONTES:

GONÇALVES, José. A igreja em Jerusalém – Doutrina comunhão e fé: A base para o crescimento da igreja em meio as perseguições. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

RENOVATO, Elinaldo. As ordenanças de Cristo nas cartas pastorais. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.

LOPES, Hernandes Dias. 2Timóteo: o testamento de Paulo à igreja. São Paulo: Hagnos, 2014.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201904_02.pdf

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD 1 DE AGOSTO DE 2025 (1 João 3:18)

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD
1 DE AGOSTO DE 2025
AMANDO DE CORAÇÃO

1 João 3:18 “Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas em obra e em verdade.”

 

“Meus filhinhos,”

 A palavra, Filhinhos, sugere tanto a idade avançada do autor como o terno e afetuoso relacionamento que havia entre ele e seus leitores. Estes são simplesmente “teknia”, “filhinhos”, em 2:12,28; 3:7,18; 4:4; 5:21. Essa palavra grega ocorre no evangelho de João a partir dos lábios de Jesus, em (João 13:33) “ Filhinhos, ainda por um pouco estou convosco. Vós me buscareis, e, como tinha dito aos judeus: para onde eu vou não podeis vós ir, eu vo-lo digo também agora “.

 

“... não amemos de palavra, nem de língua, mas em obra e em verdade.”

O amor fraternal revela um coração compassivo. A compaixão nasce do amor fraternal. Por isso, não pode haver compaixão onde não há amor fraternal. Compaixão é a capacidade de sentir a necessidade do outro o suficiente para fazer algo a respeito. Compaixão é mais ação do que palavras; resulta do amor de Deus que habita no coração (João 3:17).

O cristão compassivo não só vê a necessidade do outro, mas também a supre. João disse: “Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus?” (3:17). A compaixão cristã segue uma trajetória definida: habilidade, consciência, ação. O que fazemos para ajudar um irmão é mais importante do que o que dizemos.

O amor que temos pelos nossos irmãos reflete a nossa devoção a Deus. Esse amor anuncia a nossa conversão a Cristo, o nosso compromisso com o exemplo de Cristo e a nossa compaixão pelos outros. As manifestações externas do amor refletem os compromissos internos da alma.

Certo garotinho foi mandado até uma mercearia para comprar uma dúzia de ovos. Feita a compra, pôs-se a voltar para casa. No caminho, o menino acidentalmente caiu e quebrou quatro ovos. Em sua mente, voltar para casa com quatro ovos quebrados era impensável! Tudo o que fez diante daquela situação foi sentar-se ao lado dos ovos quebrados e chorar.

Nisto, um homem veio andando. Vendo a situação do menino, expressou sua tristeza e prosseguiu. Outro homem também passou por ali. Vendo a necessidade, parou, entregou uma moeda de cinquenta centavos ao menino e disse: “Pegue e vá comprar mais quatro ovos”. As ações do segundo homem revelaram seu coração compassivo.

Você é uma pessoa compassiva? Examine suas ações em relação à necessidade alheia!

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
12/07/2025 

FONTES:

GONÇALVES, José. A igreja em Jerusalém – Doutrina comunhão e fé: A base para o crescimento da igreja em meio as perseguições. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

https://textoaureoebd.blogspot.com/2024/02/1-joao-521.html

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_202304_02.pdf


quinta-feira, 31 de julho de 2025

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD 31 DE JULHO DE 2025 (Mateus 22:39)


 LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD
31 DE JULHO DE 2025
AMANDO O PRÓXIMO COMO A NÓS MESMOS

Mateus 22:39 “E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.”

 

“E o segundo, semelhante a este, é:”

Jesus responde ao fariseu que lhe pergunta acerca do maior de todos os mandamentos. Diz Ele, com efeito, O maior mandamento da lei e o que vem em primeiro lugar na lei, e se acha em Deuteronômio 6.5: “Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças”. Pois, Deus deve ser amado sem reservas e com toda a capacidade do ser.

Mas há um segundo mandamento, corolário do primeiro e análogo a ele, pois também faz do amor o motivo dominante:   O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Pois, um homem não pode amar a Deus num sentido real sem amar também a seu próximo, feito como ele à imagem de Deus: “Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? E dele temos este mandamento: Que quem ama a Deus, ame também a seu irmão” (1 João 4:20,21).

O Decálogo, composto de duas pedras contendo os dez grandes mandamentos e estas resumem os 613 preceitos, Jesus resumiu as duas pedras em dois grandes mandamentos. “Amar a Deus acima de todas coisas e ao próximo como a nós mesmos.” Desta forma, Jesus evoca a verticalidade e a horizontalidade dos mandamentos, sendo a verticalidade, a expressão do nosso amor e devoção a Deus e a horizontalidade, a nossa expressão e amor ao próximo.

 

“Amarás o teu próximo como a ti mesmo.”

Essa citação é de Levítico 19:18 na Septuaginta: “Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor”. Na passagem correspondente em Lucas, Jesus definiu “próximo” como alguém em necessidade a quem o outro tem condição de ajudar (Lucas 10:29–37). O individualismo e o egoísmo nos nossos dias têm dificultado, e até impedido, gestos de amor ao próximo, até mesmo entre cristãos.

Se cultivarmos um relacionamento correto com Deus, não teremos problemas com seus mandamentos. O amor é a base para a obediência. Na verdade, a Lei como um todo se resume no amor: “A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei. Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor” (Romanos 13.8-10).

Se amarmos a Deus, amaremos nosso próximo; e se amarmos nosso próximo, não faremos nada para prejudicá-lo. Aos gáltas Paulo escreveu que esse mandamento por si só cumpre a Lei: "Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Gálatas 5:14).

Outros mestres judeus, tanto antes como depois de Cristo, enfatizaram o tratamento devido a outros semelhantes. O rabino Hillel resumiu a Lei com uma forma negativa da regra de ouro: “O que é odioso para você, não faça ao seu próximo”. O rabino Akiba disse que “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” é “o grande princípio da Torá”.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
12/07/2025 

FONTES:

GONÇALVES, José. A igreja em Jerusalém – Doutrina comunhão e fé: A base para o crescimento da igreja em meio as perseguições. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

https://ebdcomentada.com/central-gospel-2o-trimestre-2020-21-06-2020-licao-12-o-maior-de-todos-os-mandamentos-amor/

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201210_02.pdf

TASKER, R. V. G. Mateus: Introdução e comentário. Série Cultura Bíblica –São Paulo: Mundo Cristão, 1980.