sábado, 1 de março de 2025

Isaías 1.6


Isaías 1.6 “Desde a planta do pé até a cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, e inchaços, e chagas podres não espremidas, nem ligadas, nem amolecidas com óleo. ”

 

“Desde a planta do pé até a cabeça não há nele coisa sã,

Isaías se torna uma testemunha das consequências do pecado de Judá e Jerusalém. O Senhor Deus havia os castigados por não darem ouvidos a sua voz e desobedecerem aos seus mandamentos “O Senhor fará pegar em ti a pestilência, até que te consuma da terra a que passas a possuir. O Senhor te ferirá com a tísica e com a febre, e com a inflamação, e com o calor ardente, e com a secura, e com crestamento e com ferrugem; e te perseguirão até que pereças. ...  O Senhor te ferirá com as úlceras do Egito, com tumores, e com sarna, e com coceira, de que não possas curar-te; “ (Deuteronômio 28.21-22, 27)

A nação está como uma pessoa que foi brutalmente assaltada por um ladrão, porém, aparentemente pedi por mais surra. Parece que os israelitas querem apanhar mais. Isaías pergunta por que eles querem ser surrados novamente (v.5). Em vez de ser um povo santo eles são como um escravo chicoteado. “Toda a cabeça está ferida” e “todo o coração” (inclusive a mente) está doente. Em outras palavras, o pensamento do povo e de seus líderes está errado e obstinadamente contrário à vontade de Deus.

Uma horrenda praga tinha tomado conta do corpo inteiro (o país), de forma que coisa alguma saudável podia ser encontrada ali: Desde a planta do pé até a cabeça não há nele coisa sã”. O país está ferido e ninguém está ajudando. Parece não haver nenhuma esperança por recuperação, e eles estão voluntariosamente se dirigindo para um desastre ainda mais extenso. O Targum observou que em Judá não havia ninguém perfeito no temor de Deus, o que é uma frase veterotestamentária equivalente à espiritualidade.

 

“... senão feridas, e inchaços, e chagas podres não espremidas, nem ligadas, nem amolecidas com óleo. ”

A terra e o povo são como um corpo que está ferido em suas partes mais vitais, e sangra de muitas “feridas, e inchaços, e chagas podres”. Em outras palavras, a terra está desolada, as cidades queimadas, o resto da colheita foi comida por estrangeiros diante dos seus próprios olhos todo o país está devastado de maneira tão bárbara como só se pode esperar de estrangeiros (v.7)

John N. Oswalt observou que “as palavras que ocorrem neste verso descrevem ferimentos adquiridos numa batalha: cortes, lacerações e ferimentos que sangram. Essa é a imagem perfeita da tragédia que Judá experimentava.

No sistema mosaico, açoites aguardavam o transgressor da lei, mas aqui é retratada uma pessoa que já não tem lugar no corpo para ser castigado, tantos são os seus pecados. Repleto de feridas [...] e chagas não tratadas, não há lugar para novos açoites.

As feridas não estavam tratadas. Nenhuma está “espremida, nem ligada, ou amolecida [aliviada] com óleo [de oliveira]” para suavizá-las. Isso demonstra que nenhuma providência é tomada. Ou seja, a sua rebeldia continua, ´pois são um povo obstinado.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
28/2/2025

FONTES:

SOARES, Esequias. Em defesa da fé: Combatendo as antigas heresias, que se apresentam com nova aparência. Rio de Janeiro: CPAD, 2024.

HORTON, Stanley.  Isaias, o profeta messiânico. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.

Ridderbos, J. Isaías: introdução e comentário - 2. Edição. São Paulo: Vida Nova, 1995.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo - Vol.5. São Paulo: Hagnos, 2001.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201005_02.pdf

2 Pedro 1.19

 

2 Pedro 1.19 “E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia esclareça, e a estrela da alva apareça em vosso coração. ”

 

“E temos, mui firme, a palavra dos profetas, ”

Pedro escreve que o Evangelho não é apenas uma coletânea de fábulas inventadas (2 Pedro 1.16). O que ele e os outros apóstolos haviam transmitido acerca da vinda de Jesus fora-lhes assegurado pelo próprio Deus que os levou a testemunhar a majestade de Cristo no monte da Transfiguração (Mateus 17.5). Ali o Pai corroborou a glória de Jesus, identificando-o como o Filho amado em quem se comprazia (2 Pedro 1.17).

Todavia, não dependemos desta experiência de Pedro, João e Tiago para termos certeza de quem Jesus é. Pois, temos a Palavra Deus conosco. Neste ponto, Pedro tinha em mente o Antigo Testamento, mas podemos fazer a mesma aplicação ao Novo (2 Pedro 3.16).

Pedro estava dizendo que as Escrituras apoiavam o testemunho que ele estava dando aos seus leitores. As referências do Evangelho de Mateus ao Antigo Testamento visavam esclarecer cada aspecto da vida e do ministério de Jesus. Jesus sobre ele mesmo havia dito aos apóstolos: “Importava se cumprisse tudo o que de Mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos” (Lucas 24:44).

Àqueles não são propensos a crer no relato de Pedro sobre o testemunho de Deus em favor de Jesus no monte. Devem crer na “palavra profética”, pois, ela deixa claro que Jesus era o Filho de Deus. As escrituras contêm autoridade e a presença divina, e isso é suficiente para nos orientar em todas as questões de religião e moralidade: “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça” (2 Timóteo 3.16).

 

“... à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia esclareça, e a estrela da alva apareça em vosso coração. ”

Por conseguinte, fazemos bem ao nos aplicarmos à palavra profética, pois é uma lâmpada que brilha na escuridão da ignorância espiritual deste mundo até que o dia apareça e a estrela da alva desponte.

A Escritura é como uma candeia que brilha em lugar tenebroso” (ARA). A palavra “tenebroso” só ocorre nesta carta do Novo Testamento. É uma palavra rica de sentidos significa coisas sujas, destituídas de brilho, coisas opacas, escuridão. A “candeia” está brilhando num lugar que é obscuro, sujo e envolto numa neblina encardida.

O “lugar tenebroso” é o mundo em que Pedro e seus leitores viviam. É o mundo em que os crentes continuam a viver. Nesse mundo sombrio, a Palavra de Deus é como “uma candeia que brilha”.

O capítulo mais longo da Bíblia, Salmos 119, é dedicado a exaltar as glórias da Lei. Assim como para Pedro, para o salmista a Palavra de Deus é uma lâmpada que ilumina o caminho: “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e, luz para os meus caminhos” (Salmos 119:105).

Pedro prediz que o mundo tenebroso, iluminado com dificuldade pelas Escrituras, desapareceria: até que o dia clareie e a estrela da alva nasça em vosso coração. O retrato é de uma longa contemplação noturna interrompida pelos sinais da alvorada. Talvez Pedro tenha se inspirado no salmista: “Aguardo o Senhor, a minha alma o aguarda; eu espero na Sua palavra. A minha alma anseia pelo Senhor mais do que os guardas pelo romper da manhã. Mais do que os guardas pelo romper da manhã” (Salmos 130:5, 6).

Existe uma unanimidade com respeito a Números 24:17, “uma estrela procederá de Jacó”, ter inspirado a expressão “a estrela da alva” ou “estrela da manhã”. Tanto os judeus como os cristãos entendiam que Números 24:17 era uma profecia messiânica. Numa passagem sobre a volta do Senhor, surpreende que Pedro acrescente que essa estrela da alva surgiria “em vosso coração”.

Provavelmente ele só queria dizer que o coração dos crentes se alegraria quando as esperanças e os sonhos se realizassem no romper do novo tempo. Mais adiante na carta, o apóstolo trataria dos mesmos fatos em relação ao fim dos tempos e ao julgamento. “Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo”, disse ele (2 Pedro 3:10). Para os crentes esse será um dia de alegria e luz. O romper do dia sugere uma nova vida, livre de sofrimento e pecado.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
2/3/2025

FONTES:

SOARES, Esequias. Em defesa da fé: Combatendo as antigas heresias, que se apresentam com nova aparência. Rio de Janeiro: CPAD, 2024.

HORTON, Stanley. I e II Pedro – A razão da nossa Esperança. Rio de Janeiro: CPAD.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201412_03.pdf

Gálatas 2.16


Gálatas 2.16 “Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Cristo Jesus, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada. ”

 

“Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, ”

Paulo toma a palavra (justificado) do vocabulário da LXX. A citação do contexto é de Salmos 143.2: “E não entres em juízo com o teu servo, porque à tua vista não se achará justo nenhum vivente”, que aparece igualmente em Romanos 3.20: “Por isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado”.

Essa palavra tem o sentido de declarar justo. Analisando alguns aspectos do conceito paulino, percebe-se que justificado não significa um declarar justo por contraposição ou fazer justo. Baseia-se no acontecimento salvífico em Cristo Jesus, ou seja, em seu sangue (Romanos 3.24,25), na obra da graça (Romanos 3.24) que atua na sua redenção, onde tem lugar a justificação do mundo pecador.

Desta forma, justificação é a definitiva realização da justiça divina pela ação de Deus. Essa justificação se consuma no futuro como consequência da justiça de Deus para conosco: “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Coríntios 5:21)

 

“... temos também crido em Cristo Jesus, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada. ”

Apesar de Paulo, Pedro e outros cristãos judeus terem uma vantagem sobre os gentios, eles precisavam igualmente de salvação. Como os judeus jamais conseguiram obedecer perfeitamente à lei, não podiam se apresentar justos perante Deus (Romanos 7:7–25). A concepção paulina da prática da lei diz respeito as obras dos mandamentos. Na tradição rabínica às vezes é chamada simplesmente “obras”. Disso se deduz que a “prática da lei” em seu aspecto formal são obras concretas que a lei exige que sejam cumpridas.

O apóstolo procura mostrar aos gálatas que os cristãos, tanto os de origem judaica, quanto os de origem gentílica, são justificados não pelas obras da lei, mas pela fé em Cristo. Afinal, eles, assim como os gentios tinham também crido para serem salvos da mesma forma.

Paulo estava estabelecendo o fato de que tanto os judeus como os gentios precisavam da justificação disponível apenas em Cristo. Portanto, os cristãos judeus não tinham motivos para se gabar ou se afastar de seus semelhantes gentios. Atos 15:9 diz que Pedro apresentou o mesmo argumento no concílio de Jerusalém, quando afirmou: Deus “não estabeleceu distinção alguma entre nós e eles, purificando-lhes pela fé o coração”. E acrescentou: “Cremos que fomos salvos pela graça do Senhor Jesus, como também aqueles o foram” (Atos 15:11).

Com isso Paulo formula a mais profunda oposição à convicção judaica. Essa é uma das principais declarações teológicas da carta aos Gálatas. A Carta aos Gálatas foi a pedra fundamental da Reforma Protestante, porque seu ensino sobre a salvação exclusivamente pela graça tornou se o tema dominante da pregação dos reformadores.

Jesus Cristo é o meio por intermédio de quem a justificação do homem é possível perante Deus; o fundamento da justificação não é a lei, ou obras da lei que pudessem ser cumpridas para obter “favor de Deus”, mas a justificação que foi possível com a morte de Cristo.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
4/3/2025

FONTES:

SOARES, Esequias. Em defesa da fé: Combatendo as antigas heresias, que se apresentam com nova aparência. Rio de Janeiro: CPAD, 2024.

GERMANO, Altair. Gálatas - Comentário. Rio de Janeiro, CPAD, 2009.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201805_01.pdf

Atos 14.23


Atos 14.23 “E, havendo-lhes, por comum consentimento, eleito anciãos em cada igreja, orando com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido. ”

 

“E, havendo-lhes, por comum consentimento, eleito anciãos em cada igreja,

Na primeira viagem missionária, Barnabé e Paulo fizeram o caminho inverso para retornar a Antioquia da Síria para que assim revisitassem os irmãos. Eles deixando Derbe, passaram novamente por Listra, Icônio e Antioquia da Psidia (V.21) para confirmar os ânimos dos novos discípulos (v.22).

Para não deixar as novas igrejas desamparadas eles elegeram por comum consentimento anciãos em cada igreja. Isso começou a ser feito a partir daqui e tornou-se universal em toda a obra missionária. Eles concordaram acerca dos eleitos, conforme a instrução do nosso Senhor: “Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus” (Mateus 18.19). Esses anciãos seriam supervisores das igrejas.

Mais tarde, Paulo formularia as qualificações dos “presbíteros” por escrito. Na sua maioria, incluiriam questões de integridade moral, mas principalmente a fidelidade ao ensino dos apóstolos e o dom de ensino também eram essenciais para essa eleição.

 

“... orando com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido. ”

Assim, como eles mesmos haviam sido encomendados: “E dali navegaram para Antioquia, de onde tinham sido encomendados à graça de Deus para a obra que já haviam cumprido” (Atos 14.26), orando com jejuns: “Então, jejuando e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram” (Atos 13.3). Paulo e Barnabé os consagraram a excelente obra do episcopado (. Timóteo 3.1).

No Antigo Testamento, o jejum era uma prática relacionada a um momento de humilhação diante de Deus para receber de Deus o perdão, expressava arrependimento: “Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, e com choro, e com pranto” (Joel 2:12), no Novo Testamento, indica prioridades: “E era viúva, de quase oitenta e quatro anos, e não se afastava do templo, servindo a Deus em jejuns e orações, de noite e de dia” (Lucas 2:37).

Jesus jejuou no deserto, antes de ser tentado. Ensinou aos seus discípulos que há espíritos malignos que só seriam expulsos após um período de jejum e oração (Marcos 9.29). Em Atos 10, o centurião Cornélio jejuou por quatro dias e recebeu uma orientação divina para chamar Pedro para falar em sua casa. O alimento não era tudo o que importava para os primeiros cristãos. Às vezes, para cumprir os propósitos de Deus, eles ignoravam à hora das refeições. Observamos que eles assim faziam também para eleger novos obreiros.

O Didaquê nos revela que os primeiros cristãos, assim como os fariseus da época de Jesus (Lucas 18.12), jejuavam duas vezes por semana: “Os seus jejuns não devem coincidir com os dos hipócritas. Eles jejuam no segundo e no quinto dia da semana. Porém, você deve jejuar no quarto dia e no dia da preparação”.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
6/3/2025

FONTES:

SOARES, Esequias. Em defesa da fé: Combatendo as antigas heresias, que se apresentam com nova aparência. Rio de Janeiro: CPAD, 2024.

STOTT, John R. W. A Mensagem de Atos: Até aos Confins da Terra, São Paulo: ABU, 1994.

 https://textoaureoebd.blogspot.com/2024/01/atos-132.html

DIDAQUÉ: Catecismo dos primeiros cristãos. 4ªed. Petrópolis: Vozes, 1983.

Salmo 146.3


Salmo 146.3 “Não confieis em príncipes, nem em filho de homem, em quem não há salvação. ”

 

“Não confieis em príncipes, nem em filho de homem,

Os homens sempre são extremamente propensos a confiar nos grandes e nobres da terra, e se esquecer do Grandioso e Nobre que está nas alturas; e este hábito é fonte frutífera de desapontamento.

Os príncipes são apenas homens, e homens com necessidades maiores do que outras pessoas. Por que, então, devemos confiar neles, e recorrer a eles em busca de auxílio? Eles estão em perigo muito maior, estão sobrecarregados com maiores preocupações, e têm probabilidade muito maior de estar equivocados e se desviar do que quaisquer outros homens; por isto, é tolice escolhê-los para a nossa confiança. Provavelmente, nenhuma classe de homens foi tão falsa para com as suas promessas e os seus tratados como os homens de sangue real.

Foi necessário que Bate-Seba e Natã lembra-se o Rei Davi da sua promessa acerca de Salomão: “E Bate-Seba inclinou a cabeça, e se prostrou perante o rei; e disse o rei: Que tens? E ela lhe disse: Senhor meu, tu juraste à tua serva pelo Senhor teu Deus, dizendo: Salomão, teu filho, reinará depois de mim, e ele se assentará no meu trono. E agora eis que Adonias reina; e tu, ó rei meu senhor, não o sabes” (1 Reis 1.16-18).

Ainda que você escolha um filho do homem, em meio a muitos, e imagine que ele será diferente dos demais, e que você poderá, com segurança, confiar nele, você estará equivocado. Não há ninguém em quem se possa confiar, nem uma pessoa sequer. Adão caiu; por isto, não confie nos seus filhos. O homem é uma criatura desamparada, sem Deus; por isto, não busque ajuda nessa direção. Todos os homens são como os poucos homens que são feitos príncipes. Eles são mais, na aparência, do que na realidade, mais em promessas do que em realizações, são mais capazes de ajudar a si mesmos do que de ajudar os outros.

O Rei Charles tinha feito ao Conde de Strafford uma promessa solene, com a palavra de um rei, de que ele, o conde, não sofreria, “na vida, na honra ou na sorte”, no entanto, com singular infâmia e ingratidão, bem como uma política de pouca visão, assentiu com a sua condenação sem julgamento. Ao saber que isto tinha sido feito, Strafford, colocando a mão sobre o coração, e erguendo os seus olhos para o céu, proferiu essas memoráveis palavras: “Não confieis em príncipes nem em filhos de homens, em quem não há salvação”. Huss também se frustou com um salvo-conduto dado pelo rei Segismundo de Luxemburgo que não o impediu de ser condenado por heresia e queimado na fogueira.

 

“... em quem não há salvação. ”

Devido a algum tipo de fraqueza, a alma do homem, quando está em meio a alguma tribulação, perde a esperança em Deus, e decide confiar no homem.  Se for dito, a um homem que estiver em alguma aflição, “Há um grande homem, que poderá libertá-lo”; o homem sorri, ele se alegra, ele é exaltado. Mas se lhe for dito, “Só Deus liberta você”, ele estremece, por assim dizer, pelo desespero.

Agostinho escreveu: O auxílio do mortal é prometido, e você se alegra; o auxílio do imortal é prometido, e você se entristece? Foi prometido a você que você será libertado por aquele que precisa ser libertado com você, e você exulta, como se recebesse um grande auxílio: foi prometido a você aquele grande Libertador, que não precisa de ninguém que o liberte, e você se desespera, como se fosse apenas uma fábula. Ai desses pensamentos; eles são muito equivocados; na verdade há neles uma triste e grande morte.

Matthew Henry comentou: “Todos os filhos dos homens são como o homem de quem se originaram, que, tendo a honra, não a conservou”. Anthony Farindon disse que “um homem confiar em outro, é como um mendigo pedir esmolas a outro, ou um aleijado carregar outro, ou um cego guiar outro cego”.

Lembremo-nos de Davi que escreveu: “A minha alma espera somente em Deus; dele vem a minha salvação. Só ele é a minha rocha e a minha salvação; é a minha defesa; não serei grandemente abalado” (salmo 62.1-2).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
4/3/2025

FONTES:

SOARES, Esequias. Em defesa da fé: Combatendo as antigas heresias, que se apresentam com nova aparência. Rio de Janeiro: CPAD, 2024.

SPURGEON, Charles. Os Tesouros de Davi – Volume III. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

HENRY, Matthew. Comentário Bíblico – Livros Poéticos. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/jan-huss-os-primordios-reforma.htm

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD 1 DE MARÇO DE 2025 (2 Pedro 1.21)

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD
1 DE MARÇO DE 2025
O ESPÍRITO SANTO FALOU POR MEIO DOS PROFETAS E APÓSTOLOS

2 Pedro 1.21 “Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo. ”

 

“Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum,

Neste ponto, Pedro tinha em mente o Antigo Testamento quando diz “profecia”, mas podemos fazer a mesma aplicação ao Novo (2 Pedro 1.19). A mensagem dos profetas não se resume a uma retórica baseada em imaginação humana, nem é algo artificialmente construído. Nenhuma parte dessa revelação “é de particular interpretação” (v.20). As experiências dos profetas, como as do próprio Pedro no monte da transfiguração, provam a iniciativa divina em comunicar seus oráculos à humanidade.

A Palavra de Deus tem sua origem no céu, e não na terra. Ela procede de Deus, e não do homem. John Wesley disse que a Bíblia só poderia ter três origens: anjos e homens bons; demônios e homens maus; ou Deus. Não poderia ser escrita por anjos e homens bons, pois repetidamente se registra: Assim diz o Senhor. Não poderia ter sido escrita por demônios e homens maus, porque seu conteúdo exalta a santidade e reprova o pecado. Só nos resta uma opção: a Bíblia foi ideia de Deus.

 

“... mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo. ”

Podemos acreditar realmente na Palavra de Deus, pois nenhuma profecia jamais foi entregue porque alguns homens decidiram produzi-la por si mesmos. A Bíblia nunca registrou nenhuma interpretação ou ideias pessoais de quem quer que seja como regra de fé e conduta, mas homens santos de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo, ou falaram da parte de Deus, sendo sustentados pelo Espírito Santo.

Os escritores não eram a fonte da mensagem, mas seus portadores. As Escrituras não são palavras de homens, mas a Palavra de Deus enviada por intermédio de homens santos. O Espírito Santo não usava instrumentos; usava homens. O modo de Deus sempre é o da verdade através da personalidade, conforme foi perfeitamente demonstrado na encarnação. Chamamos isso de inspiração dinâmica. Além disto, não fez uso de quaisquer homens, mas, sim, de homens santos, os que estavam dedicados ao Seu serviço e plenamente comprometidos.

Os papéis relativos desempenhados pelos autores humanos e divino não são mencionados, mas, sim, apenas o fato da sua cooperação. Existe implícita nesse verso uma metáfora marítima. Os profetas içaram suas velas, por assim dizer (eram obedientes e receptivos), e o Espírito Santo as enfunou e levou seu barco na direção por Ele desejada. Os homens falavam: Deus falava. Qualquer doutrina correta da Escritura não negligenciará qualquer parte desta verdade.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
22/2/2025

FONTES:

SOARES, Esequias. Em defesa da fé: Combatendo as antigas heresias, que se apresentam com nova aparência. Rio de Janeiro: CPAD, 2024.

HARRISON, Everret F; PFEIFFER, Charles F. Comentário Bíblico Moody. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1990.

HORTON, Stanley. I e II Pedro – A razão da nossa Esperança. Rio de Janeiro: CPAD.

GREEN, Michael. II Pedro e Judas: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2008.

Lopes, Hernandes Dias. 2 Pedro e Judas : quando os falsos profetas atacam a Igreja. São Paulo: Hagnos, 2013.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

Lição 9 - Lições Bíblicas Adultos - 1º Trim./2025 - CPAD

Texto Áureo Lição 09: Quem É o Espírito Santo. 2 Coríntios 3.17

TEXTO ÁUREO

“Ora, o Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. “ (2 Coríntios 3.17)

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD 28 DE FEVEREIRO DE 2025 (Tito 3.5)


LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD
28 DE FEVEREIRO DE 2025
O ESPÍRITO SANTO REGENERA O PECADOR

Tito 3.5 “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo, ”

 

“Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia,

A E.R.C, traduz corretamente: Não por obras de justiça praticadas por nós. Isto elimina toda e qualquer obra; não só as que foram praticadas pela justiça própria dos homens perdidos, como também as obras praticadas em verdadeira justiça. A misericórdia de Deus o constrangeu a entregar seu Filho e não poupá-lo. John Stott diz que a base da nossa salvação não são as nossas obras de justiça, mas a obra de misericórdia.

Assim, a salvação tem sua origem no coração de Deus. É por causa da sua misericórdia que ele interveio em nosso favor; que ele tomou a iniciativa, não pelas ações corretas que realizaram, mas sim pela grande misericórdia de seu coração.

O cristão nunca deve pensar no que conquistou; e sim no que Deus lhe outorgou. Enquanto a justiça nos daria aquilo que mereceríamos ganhar, a misericórdia nos concedeu aquilo que jamais seriamos dignos de receber.

 

“... nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo, ”

A misericórdia de Deus nos salvou pela lavagem. Lavar (loutron) quase que com certeza refere-se ao batismo nas águas. Todos os primitivos pais da igreja entenderam dessa forma. Isso não implica que eles (ou Paulo) ensinassem a regeneração pelo batismo, assim como Ananias não acreditava desse modo, quando disse a Saulo de Tarso: “Levante-se, seja batizado e lave os seus pecados, invocando o nome dele”.

As igrejas evangélicas, em sua maioria, consideram o batismo “um sinal exterior e visível de uma graça espiritual interior”, a saber, o lavar dos pecados e o novo nascimento pelo Espírito Santo. Mas não confundem o sinal (o batismo) com o que ele significa (a salvação).

Regeneração é como se traduz “palingenesia”, que Jesus usou ao falar da regeneração final de todas as coisas e que os estoicos aplicaram à restauração periódica do mundo, em que eles acreditavam. Aqui, entretanto, o novo nascimento é individual (como a “nova criação” de 2 Coríntios 5.17) e não cósmico. Ele se refere a um radical novo início, uma vez que “Deus não nos consertou, mas nos fez completamente novos”.

A outra palavra, “renovação”, é a tradução de “anakainôsis”. Ela pode ser um sinônimo de “regeneração”, entendendo-se a repetição como um efeito retórico. Ou ela pode referir-se ao processo da renovação moral, da transformação, que se segue ao novo nascimento, um processo contínuo de se tornar uma nova criatura em Cristo, à medida que seguimos o conselho do Espírito Santo (Romanos 12.2; Gálatas 3.3).

O Espírito Santo é, certamente, o agente pelo qual somos renascidos e renovados, e é ele que Deus derramou sobre nós generosamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador (v. 6b). Tanto o uso do verbo “derramou”, como o emprego do tempo aoristo dão a entender que a referência é ao derramamento do Espírito no dia de Pentecostes, e a afirmação de que ele foi derramado em nós denota a nossa participação pessoal no dom pentecostal.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
18/2/2025

FONTES:

SOARES, Esequias. Em defesa da fé: Combatendo as antigas heresias, que se apresentam com nova aparência. Rio de Janeiro: CPAD, 2024.

HARRISON, Everret F; PFEIFFER, Charles F. Comentário Bíblico Moody. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1990.

STOTT, John R.W. A mensagem de 1 Timóteo e Tito: a vida da Igreja local: a doutrina e o dever; tradução Milton Azevedo Andrade. — São Paulo: ABU Editora, 2004. 

BARCLAY, William. The Letter to Titus. Tradução: Carlos Biagini

ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2004.

 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD 27 DE FEVEREIRO DE 2025 (1 Coríntios 3.16)


LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD
27 DE FEVEREIRO DE 2025
O ESPÍRITO SANTO É DEUS, ESSE MESMO ESPÍRITO HABITA EM NÓS

1 Coríntios 3.16 “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? ”

 

“Não sabeis vós que sois o templo de Deus”

Não sabeis é uma censura suave. Introduz uma pergunta sobre um assunto que devia ser do conhecimento geral. Paulo utiliza regularmente o recurso, muitas vezes, nesta carta. “Vós” nesta passagem se refere à assembleia local de crentes que têm comunhão “com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo” (1 João 1.3).

Paulo lembra aos crentes coríntios que eles são “o templo de Deus”. O apóstolo não faz distinção entre “templo de Deus” e “templo do Espírito Santo”. As duas expressões são intercambiáveis: “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus” (v.19)

O templo literal, segundo sabemos era lugar de santidade, reverência, adoração, consagração, contrição, arrependimento, altar, sacrifício, fogo contínuo, glória e presença de Deus. Assim deve ser a Igreja do Deus vivo.

O grego tem duas palavras para aludir a templo: “hieron”, que inclui o templo com todos os seus pátios e “naos", o santuário interno onde Deus manifestava sua presença. O corpo coríntio de crentes é “naos”, pois o Espírito de Deus habita neles (2 Coríntios 13.13).

 

“... e que o Espírito de Deus habita em vós? ”

Cada cristão é um templo vivo do Deus vivo. Deus habitou no Templo judaico, tomou posse dele, e residiu nele, através daquela nuvem gloriosa que era o sinal de sua presença com aquele povo. Assim, Cristo, pelo seu Espírito, habita em todos os crentes verdadeiros.

A habitação do Espírito é uma confirmação de que os crentes estão saturados da presença e do poder do agente que habita. Seja a habitação da fé (2 Timóteo 1:5), de Deus (2 Coríntios 6:16), do Espírito (Romanos 8:11), da Palavra (Colossenses 3:16) ou de Cristo (Colossenses 1:17), está implícito o sentido dessa influência difusa.

O Templo era devotado e consagrado a Deus, e separado de tudo que era comum para o serviço imediato de Deus. Assim, todos os cristãos são separados dos usos comuns e colocados à parte para Deus e seu serviço. Eles são consagrados para Ele - este é um ótimo argumento contra toda lascívia da carne e contra todas as doutrinas que lhe dão apoio.

Se somos templos de Deus, não devemos fazer nada para alienar-nos dele, ou corromper e macular a nós mesmos, e, com isso, desqualificar-nos para o seu uso. Devemos detestar sinceramente e evitar cuidadosamente o que pode manchar o templo de Deus e corromper o que deve ser sagrado para Ele.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
18/2/2025

FONTES:

SOARES, Esequias. Em defesa da fé: Combatendo as antigas heresias, que se apresentam com nova aparência. Rio de Janeiro: CPAD, 2024.

HORTON, Stanley. I e II Coríntios – os problemas da igreja e suas soluções. Rio de Janeiro: CPAD.

MORRIS, Leon. I Coríntios: Introdução e Comentário. Tradução Odayr Olivetti. São. Paulo. Mundo Cristão, 1983

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