domingo, 10 de setembro de 2023

Lição 12 - Sendo a Igreja do Deus Vivo – 3 Trimestre de 2023.

TEXTO ÁUREO “ Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja. “ (Efésios 5.32)

“ Grande é este mistério; “ ou “este mistério é grande” (RV) não são traduções adequadas devido a que a palavra “mistério” significa, para o leitor moderno, algo que não é bem o que estava na mente de Paulo. O sentido certo é, que “A verdade que se encontra aqui escondida, mas revelada em Cristo, é maravilhosa”. Ou então, “É uma grande verdade a que está escondida aqui”. ” Como está escrito em 1 Timóteo 3:16 “E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória. “ Calvino disserta sobre esse místério: De minha parte, estou impressionado com a profundidade desse mistério e não tenho vergonha de me juntar a Paulo para reconhecer de uma vez minha ignorância e minha admiração. Isso seria muito mais satisfatório do que seguir meu julgamento carnal, subestimando o que Paulo declara ser um profundo mistério! A própria razão ensina como devemos agir em tais questões; pois tudo o que é sobrenatural está claramente além da nossa compreensão. Portanto, trabalhemos mais para sentir Cristo vivendo em nós, do que para descobrir a natureza dessa relação.

“...digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja. “ Não parece haver razão para se duvidar que, em primeira instância, Paulo esteja se referindo a profundidades misteriosas e sagradas da relação sexual em si: “Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne” (Efésios 5:31). Mas a partir daqui parte para o seu simbolismo ainda mais profundo (Misterioso): “mas eu me refiro a Cristo e à igreja”. Ao fazer assim, emprega sua autoridade apostólica (digo-o), a própria expressão que o próprio Jesus usou nas seis antíteses do sermão da montanha (“eu, porém, vos digo”). É apropriado para Paulo assim proceder porque um mistério é uma verdade revelada, e o profundo mistério aqui, a saber: a união da igreja com Cristo, é muito semelhante à união entre judeus e gentios no corpo de Cristo, que lhe tinha sido revelada, e da qual escreveu em 3:1-6. Paulo vê, portanto, o relacionamento do casamento como sendo uma bela figura da união da igreja em Cristo e com Cristo. Quando é aplicada a Cristo e à sua igreja, aquela uma só carne é idêntica com aquele novo homem de Efésios 2:15 “Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz”.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
19/7/2023

FONTES:

BAPTISTA, Douglas. A igreja de Cristo e o império do mal – Como viver neste mundo dominado pelo espírito da Babilônia. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

FOULKES, Francis. Efésios – Introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova.

CALVINO, João. Efésios – Comentário. São Paulo: Edições Parakletos, 1998. 

domingo, 3 de setembro de 2023

Lição 11 - Lições Bíblicas Adultos - 3º Trim./2023 - CPAD

Lição 11 - Cultivando a Convicção Cristã – 3 Trimestre de 2023.

TEXTO ÁUREO “Porque a nossa exortação não foi com engano, nem com imundícia, nem com fraudulência " (1 Tessalonicenses 2.3)

Paulo inicia o segundo capítulo de sua primeira epístola aos tessalonicenses destacando a natureza abnegada de seu ministério entre aqueles irmãos. Mais que um autoelogio narcisista, essa apologia paulina ao seu ministério pessoal — atitude que ele também toma ao escrever para outras igrejas (2 Coríntios 12.11-21; Gálatas 6.14-18) — é um registro histórico do modelo inspirativo de ministro no cristianismo primitivo. Mesmo tendo vivenciado uma experiência extremamente traumática em Filipos (acusação de perturbação pública, prisão, açoite, detenção inapropriada, etc.), o apóstolo persistiu na obediência à visão que Deus concedera a ele (Atos 16.9) e iniciou a evangelização em Tessalônica. Não era ganância ou benefícios pessoais que moviam o coração de Paulo para a realização desse serviço ao Reino de Deus, e sim o amor às pessoas e a confiança de que o Senhor que vocaciona também é o que supre todas as necessidades daquele que se dedica liberalmente à obra.

“Porque a nossa exortação não foi com engano, “ A palavra “exortação” usada por Paulo, indica apelo, tendo como objeto o benefício dos ouvintes, e que pode ser exortativo ou conciliatório, conforme as circunstâncias. A palavra era utilizada para encorajar soldados antes da batalha, e se dizia que o encorajamento era necessário para soldados pagos, mas desnecessária para os que lutavam por suas vidas e seus países. Ele não usava de engano. A primeira coisa que Paulo faz é reafirmar a veracidade de sua mensagem, quando diz: “a nossa exortação não procede de engano”. A mensagem de Paulo não era criada por ele, mas recebida de Deus. Seis vezes nesta carta, ele menciona esse auspicioso fato de que havia recebido o evangelho de Deus e não de homens: ‘Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei” (1 Coríntios 11:23).

 “...nem com imundícia, “ É geralmente reconhecido que o pensamento aqui não se refere à impureza física ou ritual, mas, sim, à impureza moral. Em 1 Tessalonicenses 4:7 está escrito: “Porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação” Paulo a contrasta com a santidade. Paulo vivia uma vida pura. Ele deixa claro o motivo pelo qual realizava seu ministério. A sua exortação não procedia de impureza. Alguns acusavam Paulo de estar fazendo a obra com a motivação errada. Porém, seus motivos eram puros diante de Deus e dos homens. Uns pregavam a mensagem errada com a motivação errada; outros pregavam a mensagem certa com a motivação errada: “Verdade é que também alguns pregam a Cristo por inveja e porfia, mas outros de boa vontade; Uns, na verdade, anunciam a Cristo por contenção, não puramente, julgando acrescentar aflição às minhas prisões. Mas outros, por amor, sabendo que fui posto para defesa do evangelho” (Filipenses 1:15-17), mas Paulo pregava a mensagem certa com a motivação certa.

“...nem com fraudulência " Outro aspecto relevante que o apóstolo faz questão de apresentar para diferenciar-se dos falsos profetas que já se introduziam naquela comunidade. É a transmissão das verdades do Reino feita sem segundas intenções (dolo). Diferentemente de determinados contemporâneos seus, Paulo anunciava as palavras de Jesus sem a expectativa de um “retorno financeiro”. Não havia bajulação ou charlatanismo na mensagem apostólica: “Porque, como bem sabeis, nunca usamos de palavras lisonjeiras, nem houve um pretexto de avareza; Deus é testemunha” (1 Tessalonicenses 2:5). Além de suas próprias consciências e corações que estavam diante de Deus, Paulo e sua equipe dispunham ainda do unânime testemunho dos tessalonicenses que referendavam uma postura não mercenária e não ambiciosa: “Porque bem vos lembrais, irmãos, do nosso trabalho e fadiga; pois, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós...” (1 Tessalonicenses 2:9). Paulo não fora a Macedônia para entesourar riquezas humanas; não era seu objetivo fazer um “pé-de-meia” para sua vida apostólica. O evangelho foi anunciado sem ganância ou bajulação, tendo Deus como testemunha.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
17/7/2023

FONTES:

BAPTISTA, Douglas. A igreja de Cristo e o império do mal – Como viver neste mundo dominado pelo espírito da Babilônia. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

BRAZIL, Thiago. A igreja do arrebatamento – o padrão dos Tessalonicenses para os últimos dias. Rio de Janeiro: CPAD, 2018.

CLARO, Francisco Eloi Martinho Prior. Marcas helenistas na Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses: A inculturação no primeiro escrito bíblico cristão. Dissertação (Mestrado em Teologia). Porto, 2017.

LOPES, Hernandes Dias. 1 e 2 Tessalonicenses: (como se preparar para a segunda vinda de Cristo). São Paulo: Hagnos, 2008.