sábado, 2 de maio de 2026

Filemom 13

Filemom 13 “Eu bem o quisera conservar comigo, para que, por ti, me servisse nas prisões do evangelho;”

 

“Eu bem o quisera conservar comigo,”

Paulo cumpria pena em prisão domiciliar por ser cidadão romano aguardando julgamento de César, por isso lhe era permitido receber visitas: “E Paulo ficou dois anos inteiros na sua própria habitação que alugara, e recebia todos quantos vinham vê-lo;” (Atos 28:30). Ele afirma aos filipenses que pregar e ensinar as igrejas através de cartas contribuíram muito para o crescimento de evangelho: “E quero, irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram contribuíram para maior proveito do evangelho” (Filipenses 1:12).

Tendo em mente essa visão de evangelização Paulo necessitava de auxiliares para ajudá-lo com as cartas, tanto a escreve-las como Tércio o fez (Romanos 16:22), tanto para entrega-las como Tíquico que acompanhou Onésimo em seu retorno a Colossos: “Tíquico, irmão amado e fiel ministro, e conservo no Senhor, vos fará saber o meu estado; O qual vos enviei para o mesmo fim, para que saiba do vosso estado e console os vossos corações; juntamente com Onésimo, amado e fiel irmão, que é dos vossos; eles vos farão saber tudo o que por aqui se passa. Então manifesta o desejo de que Onésimo continuasse o servindo” (Colossenses 4:8,9).

Por isso, ele expressa a Filemom o desejo pessoal de manter Onésimo consigo em Roma. Isto indica que a decisão de mandar Onésimo não surgiu nem rapidamente nem facilmente na mente de Paulo. Paulo encontrou em um dilema entre o desejo e o dever. Paulo hesitou, devido à força do conflito. Ele poderia ter raciocinado que Filemom, por ser homem de boas posses materiais, não precisava de Onésimo, pois este seria apenas mais um escravo a realizar tarefas braçais para um homem abastado, que poderia comprar muitos escravos, se assim quisesse fazê-lo. Paulo poderia ter-se deixado convencer que ele precisava de Onésimo muito mais do que Filemom dele necessitava, e devido a um serviço muito mais elevado do que o que Filemom poderia dar-lhe. Hesitou o apóstolo, mas, finalmente, enviou a Onésimo, baseado nesse forte sentimento de dever.

 

“... para que, por ti, me servisse nas prisões do evangelho;”

Para, em teu lugar, me servir soa muito parecido com o que Paulo escreveu aos filipenses sobre o serviço que Epafrodito lhe prestou em favor da igreja filipense: “Por isso vo-lo enviei mais depressa, para que, vendo-o outra vez, vos regozijeis, e eu tenha menos tristeza. Recebei-o, pois, no Senhor com todo o gozo, e tende-o em honra; Porque pela obra de Cristo chegou até bem próximo da morte, não fazendo caso da vida para suprir para comigo a falta do vosso serviço” (Filipenses 2:28-30). Paulo deu os créditos do bem que Onésimo lhe fizera a Filemom, mesmo que este não tivesse a intenção de que seu servo servisse dessa maneira.

Nas algemas que carrego por causa do evangelho consta literalmente como “nas prisões do evangelho”. Esta é, pela quarta vez nos primeiros treze versículos (1, 9, 10, 13), uma referência ao fato de que Paulo estava escrevendo da prisão. No contexto do versículo 13, a menção da prisão serviu para lembrar Filemom que o apóstolo prisioneiro necessitava muito mais dos serviços de Onésimo do que o amigo, dono de escravo e mais rico.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
2/5/2026

FONTES

MARTIN, Ralph P. Colossenses e Filemom – Introdução e Comentário. São Paulo: Mundo Cristão, 1984

CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201401_07.pdf


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