terça-feira, 7 de julho de 2026

Atos 18:6

Atos 18:6 “Mas, resistindo e blasfemando eles, sacudiu as vestes, e disse-lhes: O vosso sangue seja sobre a vossa cabeça; eu estou limpo, e desde agora parto para os gentios.”

 

“Mas, resistindo e blasfemando eles,”

O povo judeu se tornara obstinado, teimoso e rebelde, pois seus corações haviam ficado insensíveis à vontade de Deus, e seus ouvidos estavam surdos aos clamores do Senhor: “Mas a casa de Israel não te quererá dar ouvidos, porque não me querem dar ouvidos a mim; pois toda a casa de Israel é de fronte obstinada e dura de coração” (Deuteronômio 9:6). Estevão denunciou os homens da sua geração dizendo: “Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim vós sois como vossos pais” (Atos 7.51).

Paulo enfrenta de cidade e cidade a mesma obstinação do povo que resiste igualmente as palavras do evangelho. O escritor aos hebreus nos orienta a agirmos diferentes: Se ouvirdes hoje a sua voz, Não endureçais os vossos corações, como na provocação, no dia da tentação no deserto. Onde vossos pais me tentaram, me provaram, e viram por quarenta anos as minhas obras. Por isso me indignei contra esta geração, e disse: Estes sempre erram em seu coração, e não conheceram os meus caminhos” (Hebreus 3:7-10).

Além de resistir eles blasfemaram. Nas páginas do Novo Testamento, quando esse verbo é utilizado em relação aos homens, significa caluniar, difamar, insultar, injuriar a reputação de outrem. Como fizeram também com Jesus na cruz: “E os que passavam blasfemavam dele, meneando as cabeças, E dizendo: Tu, que destróis o templo, e em três dias o reedificas, salva-te a ti mesmo. Se és Filho de Deus, desce da cruz. E da mesma maneira também os principais sacerdotes, com os escribas, e anciãos, e fariseus, escarnecendo, diziam: Salvou os outros, e a si mesmo não pode salvar-se. Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz, e creremos nele.  Confiou em Deus; livre-o agora, se o ama; porque disse: Sou Filho de Deus” (Mateus 27:39-43).

 

“... sacudiu as vestes,”

Essa ação é similar ao ato de sacudir o pó dos pés ou imitação do mesmo. Sacudir assim as vestes simbolizava o ato de sacudir a poeira que se apegara às mesmas, como se elas estivessem contaminadas por aqueles com quem a pessoa que assim fazia se associara. Isso é um cumprimento literal do mandamento que o Senhor Jesus deu aos seus discípulos, no tocante à atitude que deveriam ter, em casos de perseguição e ultraje contra o cristianismo “E, se ninguém vos receber, nem escutar as vossas palavras, saindo daquela casa ou cidade, sacudi o pó dos vossos pés” (Mateus 10:14).

Pela literatura rabínica somos informados de que nenhum judeu religioso deixava de acautelar-se por não trazer para a Palestina qualquer poeira proveniente de territórios pagãos, porque esse pó poderia ser considerado como uma contaminação própria do paganismo.

Este episódio nos mostra que Paulo se inocentou de qualquer responsabilidade por eles. Com essa atitude, o apóstolo mostrou que os membros daquela sinagoga, que haviam rejeitado a Cristo, com esse ato se tinham declarado indignos do ministério do evangelho, bem como dos benefícios que disso resultam.

 

“O vosso sangue seja sobre a vossa cabeça; eu estou limpo, e desde agora parto para os gentios.”

A expressão: “O vosso sangue seja sobre a vossa cabeça” parece ter-se originado no costume dos hebreus, dos egípcios e de outros povos antigos, de colocarem as mãos sobre a cabeça do animal morto como sacrifício, como se fosse um ato simbólico de transferência de culpa para a vítima sacrificada quando era abatida e o seu sangue era aspergido. O sangue representa a vida da carne e o fato de ser derramado representa a perda dessa vida. Essa expressão veio a ser vinculada à responsabilidade que qualquer indivíduo tem pelo seu próprio destino.

Não devemos considerar essas palavras como um a maldição, como se Paulo lhes estivesse desejando qualquer mal, especialmente algum a perda ou prejuízo. Pelo contrário, somente serviu de solene declaração que não tinha mais qualquer responsabilidade pela perda da vida eterna que com aquela atitude eles condenavam a si mesmos. Paulo havia feito a sua parte como arauto de Deus: Quando eu disser ao ímpio: Certamente morrerás; e tu não o avisares, nem falares para avisar o ímpio acerca do seu mau caminho, para salvar a sua vida, aquele ímpio morrerá na sua iniquidade, mas o seu sangue, da tua mão o requererei” (Ezequiel 3:18).

O povo judeu, em Jerusalém, empregara virtualmente essas palavras quando assumiram toda a responsabilidade pela morte bárbara e atroz do Senhor Jesus, aceitando assim toda a culpa que esse trucidamento envolvia: "E, respondendo todo o povo, disse: O seu sangue seja sobre nós e sobre nossos filhos" (Mateus 27:25).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
7/7/2026

FONTES:

GABY, Wagner. A Igreja dos Gentios – Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

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