Efésios 1.4 “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor;”
“Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo,”
O Bendito Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo "... nos elegeu nele antes da fundação do mundo". As palavras eleger e escolher têm o mesmo sentido. Deus “nos elegeu nEle...” (v. 4a). A palavra “elegeu” vem de (eklego), que significa “selecionar, escolher. A forma do verbo escolher no grego está no passado, e o significado literal da expressão seria: "escolheu-nos para si mesmo".
Nesta passagem Deus é quem escolhe; Ele escolhe para Si, ou tem uma preferência, para propósitos divinos. Assim como Deus escolheu Israel para propósitos divinos (Atos 13:17) e Cristo escolheu os apóstolos para propósitos divinos (Lucas 6:13; João 15:16–19), Deus também nos escolheu (ou seja, Paulo e todos os santos que são fiéis em Cristo; v. 1) para propósitos divinos. Assim como o povo de Israel foi escolhido em Abraão, os crentes neotestamentários foram escolhidos em Cristo.
O fato de uma pessoa estar ou não entre os escolhidos é determinado pela própria pessoa somente. Deus decretou que todos que estão em Cristo serão salvos, e Ele nos permite decidir se seremos ou não, como crentes arrependidos, batizados em Cristo (Romanos 6:3). Uma pessoa que obedece ao evangelho está em Cristo e está entre os escolhidos. Pedro falou dos que são “eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo...” (1 Pedro 1:1, 2). Quando alguém escolhe obedecer a Cristo, esse indivíduo está entre os escolhidos. As Escrituras enfatizam o livre arbítrio do homem. D. L. Moody disse: “Os que disseram sim são os eleitos e os que disseram não são os não-eleitos”.
Ele nos escolheu "... antes da fundação do mundo". Quando Paulo usa esse termo ele queria dizer antes do mundo organizado ser criado pelo ato de Deus. Esta expressão aparece pelo menos dez vezes no Novo Testamento grego, e fica evidente nestas ocorrências que “antes da fundação do mundo” significa antes do princípio do mundo e da história da humanidade.
Neste reino que precedeu o tempo, o Filho era amado pelo Pai (João 17:24) e foi pré-ordenado a derramar Seu precioso sangue por nós (1 Pedro 1:18–20). Este plano é eterno, imutável e abrangente. A frase de Paulo aqui certamente pretendia consolar e encorajar seus leitores com o conhecimento de que eles estavam na mente de Deus desde a eternidade.
O ato de escolher-nos antes de todas as coisas revela a presciência de Deus. A questão da presciência divina deu origem à doutrina da predestinação absoluta. Não podemos negar que Deus tem a capacidade de saber quem será salvo e quem se perderá; mas o conceito de Deus determinar arbitrariamente quem estará no céu e quem será lançado no inferno não é bíblico.
O ensino arminiano explica que, “por meio da presciência divina, Deus sabe, desde a eternidade, quais indivíduos creriam e perseverariam na fé, e a essas pessoas Deus elegeu”. Isso, portanto, não implica entender como Calvino, ou seja, que Deus tenha elegido uns para a vida e outros para danação, porque, segundo as Escrituras, Ele não quer “que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se” (2 Pedro 3.9). Desse modo, ratifica-se que tanto a expiação ilimitada como a eleição condicional foram estabelecidas pelo próprio Deus.
“...para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor;”
Deus nos elegeu “para sermos santos e irrepreensíveis perante Ele” (v. 4b). No versículo 1 Paulo dirigiu-se aos efésios como “os santos” (hagiois) e aqui ele indicou que os cristãos devem ser “santos” (hagious). A primeira referência é à posição perante Deus dos que estão “em Cristo”, e a segunda indica “a condição moral que compete a essa posição”. Deus diz: “Sede santos, porque eu sou santo” (1 Pedro 1:16). “Irrepreensíveis” é uma tradução (amomos) e significa “sem mancha”, ou “livre de imperfeição, como um animal sacrificial sem mancha ou mácula” (Levítico 22:21). O uso paulino dos termos “santo e irrepreensível” evidencia que as palavras mutuamente se correspondem e complementam-se. O ser santo denota um estado de pureza interior que reflete no ser irrepreensível — uma condição de pureza externa.
Portanto, não se pode conceber que os salvos em Cristo ainda possam viver na prática do pecado (1 João 3.6; 5.18). Deus elegeu-nos e predestinou-nos a viver em santidade. Em conseqüência, os cristãos são exortados quanto ao trato passado: a despojar-se do velho homem (Efésios 4.22), a renovar a mentalidade (4.23) e a revestir-se do novo homem, “que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” (4.24). Essa orientação aponta para a necessidade de uma radical transformação. Despir-se do “velho homem” exige abandonar a velha natureza com as suas paixões, adotar uma nova perspectiva mental e uma nova forma de vida (Colossenses 3.9-10; Romanos 6.6-9).
DEIVY FERREIRA
PANIAGO JUNIOR
13/2/2026
FONTES:
BAPTISTA, Douglas. A Santíssima Trindade - O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.
Cabral, Elienai. Comentário Bíblico: Efésios - 3a Ed. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 1999
BAPTISTA, Douglas. A igreja eleita – Redimida pelo sangue de Cristo e selada com o Espírito Santo da promessa. Rio de Janeiro: CPAD, 2020.
http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201304_04.pdf
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