terça-feira, 28 de outubro de 2025

Salmos 121:7

Salmos 121:7 “O Senhor te guardará de todo o mal; guardará a tua alma.”

 

“O Senhor te guardará de todo o mal;”

Ou te protegerá de todo o mal. É uma grande pena que a nossa admirável tradução não conserve a palavra guardar por todo o salmo, pois todo o tempo é a mesma palavra. Deus não apenas guarda os seus, em todos os momentos difíceis, mas também de todas as más influências e operações, dos próprios males. Esta é uma palavra de grande abrangência: ela inclui tudo, e não exclui nada. As asas do Senhor guardam amplamente os seus dos males, grandes e pequenos, temporários e eternos.

Há uma dupla personalidade absolutamente deliciosa neste versículo: o Senhor guarda o crente, não pelo agente, mas por Si mesmo, e a pessoa protegida é definitivamente apontada pela palavra te - não é a nossa propriedade ou o nosso nome que é guardado, mas o nosso ser propriamente dito.

Os peregrinos que estivessem a caminho de Jerusalém poderiam ter confiança em uma viagem segura, a despeito dos muitos perigos potenciais. Os hebreus não desistiriam de suas peregrinações, apesar de seus temores, e também podiam invocar Yahweh como sua mão direita (vs. 5), para que os acompanhasse na jornada. Este versículo (em sido cristianizado e espiritualizado a fim de falar da peregrinação do crente em Cristo, por um caminho protegido, até chegar à Jerusalém celestial: “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal” (João 17.15).

 

“... guardará a tua alma.”

Para tornar isto ainda mais intensamente real e pessoal, outra sentença é acrescentada, “ ele guardará a tua alma” - ou o Senhor [Jeová] guardará a tua alma. Guardar a alma é a alma [a essência] do ato de guardar. Se a alma for guardada, tudo será guardado: “Amado, desejo que te vá bem em todas as coisas e que tenhas saúde, assim como bem vai a tua alma” (3 João 1.2). A preservação da alma, a parte mais elevada, inclui o corpo, a parte menos elevada: “Mas não se perderá um único cabelo da vossa cabeça. Na vossa perseverança, ganhareis as vossas almas” (Lucas 21.18-19 ARA). A alma, nesta passagem, é uma palavra com muitas facetas e significa a totalidade da pessoa viva.

Deus é o único que guarda a alma. A nossa alma é guardada do domínio do pecado, da infecção do erro, do peso do desânimo, do inchaço do orgulho; guardada do mundo, da carne e do mal. Ele guarda-a mantendo-nos na posse dela; e as guarda de perecer eternamente. Aquele que guarda os seus mandamentos pode confiar que suas almas estão também guardadas: “O que guardar o mandamento guardará a sua alma; porém o que desprezar os seus caminhos morrerá” (Provérbios 19:16). Quem poderá fazer mal a uma alma que é guardada pelo Senhor?

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
28/10/2025

FONTES:

QUEIROZ, Silas. Corpo, Alma e Espírito – A restauração integral do ser humano para chegar a estatura completa de Cristo. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001. 

SPURGEON, Charles. Os Tesouros de Davi – Volume III. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

KIDNER, Derek. Salmos 73 - 150 Introdução e Comentário. Derek Kidner. Mundo Cristão. 1981.

1 Samuel 1:10

1 Samuel 1:10 “Ela, pois, com amargura de alma, orou ao Senhor, e chorou abundantemente.”

 

“Ela, pois, com amargura de alma, orou ao Senhor, e chorou abundantemente.”

Perseguida por Penina e esmagada em seu próprio coração, por causa de sua esterilidade, Ana estava à beira da histeria e, em um ataque de choro, misturava suas orações com sua imensa amargura, implorando a Yahweh que revertesse a triste condição de esposa sem filhos. Mas, mesmo diante de toda essa situação, Ana não deixava de ir à Siló festejar e adorar ao Senhor. Ainda que carregasse o estigma de estéril, ela estava ali.

Ela estava à porta do Tabernáculo, onde Deus tinha prometido encontrar-se com seu povo, conhecida como a Casa de oração. Ela tinha acabado de oferecer sua oferta pacífica, para obter o favor de Deus como sinal de sua comunhão com Ele; e, diante do consolo de ter sido aceita por Ele. Ela percebe que era chegado um adequado momento de derramar suas orações, afinal: “... a alegria do Senhor é a nossa força” (Neemias 8:10).

Ela diminuiu o peso da aflição e preocupação presente no seu espírito ao permitir que um novo estímulo enchesse o coração com seu sentimento piedoso na oração: com amargura de alma, orou ao SENHOR. Deveríamos agir da mesma forma diante de aflições. Elas deveriam tornar-nos mais fervorosos na oração a Deus. Nosso abençoado Salvador, posto em agonia, orava mais intensamente (Lucas 22.44).

No sentido bíblico, a amargura é descrita como um sentimento de tristeza (Jó 10.1), um tipo de ressentimento (Romanos 3.14). A amargura, caso não seja logo tratada, pode representar um risco fatal, pois, quando alguém é dominado por ela, os resultados são desastrosos, já que passa a estar contaminada pelo sentimento de rancor, ódio; seu coração fica envenenado, de modo que não pode produzir nada de bom.

Quando o escritor aos Hebreus diz que em nós não deve haver raiz de amargura (Hebreus 12.15), possivelmente ele tinha consciência do que esse mal pode causar, pois pessoas amarguradas são como viventes mortos, como soda cáustica; têm no seu interior feridas incuráveis, as quais resultaram de traumas da vida, de amor não correspondido, de tratamento ignorante, de abusos, de violência.

Ana era como todo humano: tinha suas vulnerabilidades, porém, sabia onde deveria colocar seus ressentimentos, suas amarguras — perante o Senhor. Ele não deixou que esse sentimento a corroesse por dentro. Ela sabia que tudo poderia ser resolvido através dEle, por isso o texto diz: “[...] orou ao Senhor e chorou abundantemente”.

O endereço certo para derramarmos nossas lágrimas, nossos gemidos e gritos é aos pés de Deus, pois somente Ele entende o que é de fato a amargura de alma. Todos nós podemos correr o risco de estar amargurados, mas não podemos deixar que isso nos domine, pois o que deve permear o nosso ser é o fruto do Espírito (Gálatas 5.22).

Sua oração foi regada com muitas lágrimas. Não era uma oração seca. Ela chorou abundantemente. Como um verdadeiro israelita, ela chorou, e lhe suplicou, de olho na misericórdia terna do nosso Deus, que conhece nossa alma inquieta. A oração vinha do coração, como as lágrimas vinham dos olhos: “...a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” (Salmos 51:17).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
28/10/2025

FONTES:

QUEIROZ, Silas. Corpo, Alma e Espírito – A restauração integral do ser humano para chegar a estatura completa de Cristo. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

HENRY, Matthew. Comentário Bíblico – Josué a Ester. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001. 

GOMES, Osiel. O governo divino em mãos humanas – Liderança do povo de Deus em 1º e 2º Samuel. Rio de Janeiro: CPAD, 2019.

Jó 10:1

Jó 10:1 “A minha alma tem tédio da minha vida; darei livre curso à minha queixa, falarei na amargura da minha alma.”

 

“A minha alma tem tédio da minha vida;”

Depois de responder a Bildade, Jó se volta para o próprio Deus. Ele não pode acreditar que Deus o fez para acabar em semelhante estado. No Antigo Testamento é afirmado repetidas vezes que Deus cuida com ternura das Suas criaturas, especialmente aquelas que estão abatidas.

Jó esperava que surgisse alguma espécie de árbitro, para pleitear o seu caso, algum homem, algum anjo, mas ele não achava ninguém (Jó 9.33). Portanto, resolveu tornar-se seu próprio advogado de defesa. Em seu desespero, Jó desafiou a Deus. Achou que nada tinha para perder. Ele já havia sofrido tudo, exceto a morte, e esta seria extremamente bem-vinda, pois significaria paz e livramento de dores intoleráveis.

Por isso permitiu externar a sua ira mesmo que Deus o matasse, então diz: “A minha alma tem tédio de minha vida”. Ele sentia tédio do seu corpo, e se sentia impaciente para se ver livre dele. Brigado com a vida, e insatisfeito com ela, Jó desejava a morte com essas palavras.

O sofrimento faz com que o aflito e o amargurado de alma muitas vezes desejem a morte como uma forma de livramento. Isso não é incomum em pessoas que experimentam, por exemplo, grandes dores físicas e até mesmo psicológicas. Todavia, convém dizer que querer a morte para ver-se livre da aflição é bem diferente de dar fim à própria vida. Jó não se atreveu.

 

“... darei livre curso à minha queixa, falarei na amargura da minha alma.”

Jó, tendo tédio da sua vida e não tendo tranqüilidade de outra forma, resolve se queixar, resolve falar. Ele não dará vazão à sua alma por meio de mãos violentas, mas dará livre curso à amargura da sua alma por meio de palavras violentas.

Ele falará com “amargor de espírito", porquanto sua vida se tornara amarga e insuportável. Assim como sentia Noemi: "Não me chamem Noemi, melhor que me chamem de Mara, pois o Todo-poderoso tornou minha vida muito amarga!" (Rute 1.20).

Sua boca falará, mas será a amargura da sua alma que ela expressará, e não o seu juízo estabelecido. Se ele falar errado, não seria ele, mas o pecado dentro dele; não falará de sabedoria, mas dos sentimentos. Apesar de sentimentos serem reais, não devemos ser dirigidos por eles. Eles nem sempre são justos por causa da nossa natureza caída. Nem sempre podemos confiar em nossos corações.

O Targum diz aqui: “Minha alma é decepada em minha vida", ou seja, estou morrendo enquanto ainda vivo. Em outras palavras, Jó estava vivendo uma vida que não era digna de ser vivida. Portanto, ele arriscou aquela vida miserável, a fim de queixar-se ousadamente na presença do Deus Todo-poderoso.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
28/10/2025

FONTES:

QUEIROZ, Silas. Corpo, Alma e Espírito – A restauração integral do ser humano para chegar a estatura completa de Cristo. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

HENRY, Matthew. Comentário Bíblico – Poéticos. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001. 

ANDERSEN, Francis I., Jó: Introdução e comentário, Série Cultura Bíblica. São Paulo: Mundo Cristão, 1991.

Provérbios 23:14

Provérbios 23:14 “Tu a fustigarás com a vara, e livrarás a sua alma do inferno.”

 

“Tu a fustigarás com a vara,”

Esse versículo reforça o versículo 13 que já disse: “fustigares com a vara”. Isso indica que apesar da vara muitas vezes ser usada de maneira figurada Nesse caso devido à repetição se aplica a punição física como elemento de disciplina.

Um pai ou uma mãe carinhosa mal conseguem encontrar coragem para fazer isto. Todavia eles perceberão que às vezes isto será necessário. Pai e mãe têm de entender que um pouco de dor não matará a criança, assim como um pouco de poder não matará os pais. Só há um jeito de aprender a diferenciá-los: acertando e errando.

Eles não devem reter a correção quando há necessidade dela (poupar a vara é estragar o filho); ele fustiga a criança com a vara, aplica-lhe uma gentil correção, aplicando-lhe os açoites dos filhos dos homens, não como a correção que infligimos aos animais.

 

“... e livrarás a sua alma do inferno.”

A vara não matará seu filho; na verdade,ela impedirá que ele se mate, naqueles caminhos pervertidos; ela será necessária para impedir que ele tome esses caminhos. Por enquanto, isto não é agradável, mas doloroso, tanto para o pai como para o filho; mas quando a correção é feita com sabedoria, com boas intenções, acompanhada com oração, e abençoada por Deus, pode ser um meio feliz de impedir a total destruição do filho, e livrar a sua alma do inferno.

A nossa grande preocupação deve ser com as almas de nossos filhos; não devemos vê-los em perigo do inferno, sem usar todos os meios possíveis, com a maior preocupação e interesse, para arrancá-los das chamas eternas. Que o corpo sofra, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus (1 Coríntios 5.5).

A palavra sheol é usada aqui traduzida como inferno. Somente na doutrina posterior dos hebreus o sheol  tornou-se um lugar de punição para a alma imaterial e imortal (Daniel 12.2), não havendo razão alguma para vincular esse significado à declaração deste versículo. O autor sagrado referia-se tão somente à morte física. Através dos séculos a doutrina do sheol teve seu desenvolvimento e esse versículo foi cristianizado para se referir também a uma punição além-túmulo.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
28/10/2025

FONTES:

QUEIROZ, Silas. Corpo, Alma e Espírito – A restauração integral do ser humano para chegar a estatura completa de Cristo. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

MESQUITA, Antônio Neves. Estudo no Livro de Provérbios — princípios para uma vida feliz. Rio de Janeiro: JUERP, 1979.

HENRY, Matthew. Comentário Bíblico – Poéticos. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001. 

Provérbios 23:13

Provérbios 23:13 “Não retires a disciplina da criança; pois se a fustigares com a vara, nem por isso morrerá.”

 

“Não retires a disciplina da criança;”

A disciplina, quando dada corretamente, dá evidência ao filho de que seus pais se importam com ele. Isso contribui para um lar pacífico, pois, “dá fruto pacífico, a saber, a justiça, aos que têm sido treinados por ela” (Hebreus 12:11). O genitor que deixa de prover a disciplina não obterá o respeito do filho, do mesmo modo que os governantes não obtêm o respeito dos cidadãos, quando permitem que a transgressão passe sem punição.

Filhos desobedientes e de mau comportamento são fonte de irritação em qualquer lar, e tais filhos nunca são realmente felizes, nem mesmo com si próprios. “Castiga teu filho e ele te trará descanso e dará muito prazer à tua alma” (Provérbios 29:17).

A disciplina é apresentada em toda a Bíblia através da ação de Deus em corrigir o seu povo. Ela faz parte de uma temática discutida em todo o livro de Provérbios (3:11; 5:12; 6:23; 12:1; 13:24; 15:10; 15:32; 23:13; 29:15). Segundo as Escrituras o pai que ama o filho não deixa de discipliná-lo: “O que retém a vara aborrece seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina” (Provérbios 13:24).

 

 “... pois se a fustigares com a vara, nem por isso morrerá.”

A figura da vara em Provérbios às vezes é usada literalmente e às vezes figurativamente. Há espaço tanto para a correção física e literal de uma criança (como uma surra), quanto para a correção por meio da vara, com um castigo ou palavra alternativa. Nesse caso devido à repetição no v.14 se aplica a punição física como elemento de disciplina.

Essa punição física deve ser eventual e comedida. O autor sacro encorajava os leitores a serem moderados para poupar a vida da criança. Pai e mãe têm de entender que um pouco de dor não matará a criança, assim como um pouco de poder não matará os pais. Só há um jeito de aprender a diferenciá-los: acertando e errando. Um erro cometido pelos pais, desde que não seja baseado na violência, em surras, socos e pontapés não traz problema nenhum.

O castigo físico como método de disciplina em crianças e adolescentes tem causado muita polêmica nesses dias, levantando posições a favor e contra tal método. O debate sobre o tema tem tomado uma grande dimensão, extrapolando o círculo familiar e acadêmico, chegando a ser caso de polícia e política. No Brasil, a “Lei da Palmada” foi recentemente sancionada com o objetivo de impedir que pais e responsáveis por crianças e adolescentes usem o castigo físico como forma de disciplina, qualificando o uso como “maus tratos” (FOLHA, 2014; ROSÁRIO, 2012).

Nesses dias não é insensato procurar castigos alternativos, todavia a disciplina deve ser imposta: “E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (Efésios 6:4). Muitos pais descobrem tardiamente que a falta de correção bíblica estragou o seu filho. Confessam: “Agora é tarde para o corrigir”. Disciplina com amor é remédio; disciplina com rancor é veneno.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
28/10/2025

FONTES:

QUEIROZ, Silas. Corpo, Alma e Espírito – A restauração integral do ser humano para chegar a estatura completa de Cristo. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

MESQUITA, Antônio Neves. Estudo no Livro de Provérbios — princípios para uma vida feliz. Rio de Janeiro: JUERP, 1979.

HENRY, Matthew. Comentário Bíblico – Poéticos. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

KIDNER, Derek. Provérbios Introdução e Comentário – Série Cultura Bíblica. Mundo Cristão.

GONÇALVES, José. Sábios Conselhos para um viver vitorioso - Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Rio de Janeiro: CPAD, 2013

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001. 

ROSÁRIO, M. Projeto de lei nº 2654 /2003, [s. d.]. Disponível em: http://bit.ly/1QwbnXy. Acesso em: 07 jun. 2012.

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD 28 DE OUTUBRO DE 2025 (Provérbios 23:13-14)

 
LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD
28 DE OUTUBRO DE 2025
DISCIPLINAR A CRIANÇA FAZ BEM À ALMA

Provérbios 23:13-14 “Não retires a disciplina da criança; pois se a fustigares com a vara, nem por isso morrerá. Tu a fustigarás com a vara, e livrarás a sua alma do inferno.”

 

“Não retires a disciplina da criança;”

A disciplina, quando dada corretamente, dá evidência ao filho de que seus pais se importam com ele. Isso contribui para um lar pacífico, pois, “dá fruto pacífico, a saber, a justiça, aos que têm sido treinados por ela” (Hebreus 12:11). O genitor que deixa de prover a disciplina não obterá o respeito do filho, do mesmo modo que os governantes não obtêm o respeito dos cidadãos, quando permitem que a transgressão passe sem punição.

Filhos desobedientes e de mau comportamento são fonte de irritação em qualquer lar, e tais filhos nunca são realmente felizes, nem mesmo com si próprios. “Castiga teu filho e ele te trará descanso e dará muito prazer à tua alma” (Provérbios 29:17).

A disciplina é apresentada em toda a Bíblia através da ação de Deus em corrigir o seu povo. Ela faz parte de uma temática discutida em todo o livro de Provérbios (3:11; 5:12; 6:23; 12:1; 13:24; 15:10; 15:32; 23:13; 29:15). Segundo as Escrituras o pai que ama o filho não deixa de discipliná-lo: “O que retém a vara aborrece seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina” (Provérbios 13:24).

 

 “... pois se a fustigares com a vara, nem por isso morrerá.”

A figura da vara em Provérbios às vezes é usada literalmente e às vezes figurativamente. Há espaço tanto para a correção física e literal de uma criança (como uma surra), quanto para a correção por meio da vara, com um castigo ou palavra alternativa. Nesse caso devido à repetição no v.14 se aplica a punição física como elemento de disciplina.

Essa punição física deve ser eventual e comedida. O autor sacro encorajava os leitores a serem moderados para poupar a vida da criança. Pai e mãe têm de entender que um pouco de dor não matará a criança, assim como um pouco de poder não matará os pais. Só há um jeito de aprender a diferenciá-los: acertando e errando. Um erro cometido pelos pais, desde que não seja baseado na violência, em surras, socos e pontapés não traz problema nenhum.

O castigo físico como método de disciplina em crianças e adolescentes tem causado muita polêmica nesses dias, levantando posições a favor e contra tal método. O debate sobre o tema tem tomado uma grande dimensão, extrapolando o círculo familiar e acadêmico, chegando a ser caso de polícia e política. No Brasil, a “Lei da Palmada” foi recentemente sancionada com o objetivo de impedir que pais e responsáveis por crianças e adolescentes usem o castigo físico como forma de disciplina, qualificando o uso como “maus tratos” (FOLHA, 2014; ROSÁRIO, 2012).

Nesses dias não é insensato procurar castigos alternativos, todavia a disciplina deve ser imposta: “E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (Efésios 6:4). Muitos pais descobrem tardiamente que a falta de correção bíblica estragou o seu filho. Confessam: “Agora é tarde para o corrigir”. Disciplina com amor é remédio; disciplina com rancor é veneno.

 

“Tu a fustigarás com a vara,”

Esse versículo reforça o versículo 13 que já disse: “fustigares com a vara”. Isso indica que apesar da vara muitas vezes ser usada de maneira figurada Nesse caso devido à repetição se aplica a punição física como elemento de disciplina.

Um pai ou uma mãe carinhosa mal conseguem encontrar coragem para fazer isto. Todavia eles perceberão que às vezes isto será necessário. Pai e mãe têm de entender que um pouco de dor não matará a criança, assim como um pouco de poder não matará os pais. Só há um jeito de aprender a diferenciá-los: acertando e errando.

Eles não devem reter a correção quando há necessidade dela (poupar a vara é estragar o filho); ele fustiga a criança com a vara, aplica-lhe uma gentil correção, aplicando-lhe os açoites dos filhos dos homens, não como a correção que infligimos aos animais.

 

“... e livrarás a sua alma do inferno.”

A vara não matará seu filho; na verdade,ela impedirá que ele se mate, naqueles caminhos pervertidos; ela será necessária para impedir que ele tome esses caminhos. Por enquanto, isto não é agradável, mas doloroso, tanto para o pai como para o filho; mas quando a correção é feita com sabedoria, com boas intenções, acompanhada com oração, e abençoada por Deus, pode ser um meio feliz de impedir a total destruição do filho, e livrar a sua alma do inferno.

A nossa grande preocupação deve ser com as almas de nossos filhos; não devemos vê-los em perigo do inferno, sem usar todos os meios possíveis, com a maior preocupação e interesse, para arrancá-los das chamas eternas. Que o corpo sofra, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus (1 Coríntios 5.5).

A palavra sheol é usada aqui traduzida como inferno. Somente na doutrina posterior dos hebreus o sheol  tornou-se um lugar de punição para a alma imaterial e imortal (Daniel 12.2), não havendo razão alguma para vincular esse significado à declaração deste versículo. O autor sagrado referia-se tão somente à morte física. Através dos séculos a doutrina do sheol teve seu desenvolvimento e esse versículo foi cristianizado para se referir também a uma punição além-túmulo.

  

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
28/10/2025

FONTES:

QUEIROZ, Silas. Corpo, Alma e Espírito – A restauração integral do ser humano para chegar a estatura completa de Cristo. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

MESQUITA, Antônio Neves. Estudo no Livro de Provérbios — princípios para uma vida feliz. Rio de Janeiro: JUERP, 1979.

HENRY, Matthew. Comentário Bíblico – Poéticos. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

KIDNER, Derek. Provérbios Introdução e Comentário – Série Cultura Bíblica. Mundo Cristão.

GONÇALVES, José. Sábios Conselhos para um viver vitorioso - Sabedoria bíblica para quem quer vencer na vida. Rio de Janeiro: CPAD, 2013

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001. 

ROSÁRIO, M. Projeto de lei nº 2654 /2003, [s. d.]. Disponível em: http://bit.ly/1QwbnXy. Acesso em: 07 jun. 2012.

 

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD 27 DE OUTUBRO DE 2025 (Salmos 107:8-9)


LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD
27 DE OUTUBRO DE 2025
O SENHOR FARTA A ALMA SEDENTA

Salmos 107:8-9 “Louvem ao Senhor pela sua bondade, e pelas suas maravilhas para com os filhos dos homens. Pois fartou a alma sedenta, e encheu de bens a alma faminta.”

 

“Louvem ao Senhor pela sua bondade,”

Orações desesperadas foram feitas, e Yahweh as ouviu e respondeu. Isso encorajou o poeta a conclamar todos a louvar ao Senhor, ou proferir, em alto e bom som, o aleluia! por causa de Sua bondade e por todas as Suas maravilhas em favor de Seu povo. Os versos: 18, 15, 21 e 31 repetem a mesma declaração, pelo que atuam como um refrão do cântico.

“Louvem ao Senhor”. Em hebraico: Que eles confessem ao Senhor, tanto secretamente como publicamente. Isto é todo o pagamento que Deus exige; Ele se satisfaz com que nós tenhamos o consolo das suas bênçãos, para que Ele possa ter a honra delas. Este é todo o pagamento que Cristo espera pelas curas que realiza: Vá e conte o que Deus fez por você.

As palavras parecem ser uma recompensa pobre e superficial; mas o nome de Cristo, diz Nazianzo, é “O Verbo de Deus”. Ele, então espera que toda a sua criação declare a Sua bondade, reconhecendo o que Ele tem feito, e que também declarem a mesma coisa aos homens: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pedro 2:9).

 

“... e pelas suas maravilhas para com os filhos dos homens.”

A “bondade” referida neste verso 8 amplia-se, neste mesmo versículo, para as “maravilhas”: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito é lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação, ou sombra de mudança” (Tiago 1.17).

As obras de misericórdia de Deus são maravilhas, são obras de poder e de graça maravilhosos, considerando a fraqueza e a indignidade daqueles por quem Ele mostra misericórdia. Espera-se que os que recebem a misericórdia de Deus o louvem: “O Senhor é bom para todos, e as suas misericórdias são sobre todas as suas obras” (Salmos 145:9).

A palavra “homens” não é mencionada no texto original, mas a palavra é adequadamente inserida pelos tradutores em algumas versões; o salmista desejava que todas as coisas existentes exaltassem o nome do Senhor: “Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder; porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas” (Apocalipse 4:11).

E bom que os remidos sejam incitados a bendizer ao Senhor freqüentemente, pois a vida preservada merece uma gratidão de uma vida inteira. Devemos bendizer ao Senhor juntamente com os nossos semelhantes.

 

“Pois fartou a alma sedenta, e encheu de bens a alma faminta.”

Os peregrinos enfrentavam literalmente fome e sede, e poderiam ter perecido ao longo do caminho, mas a intervenção divina os salvou da morte certa. Eles estavam para morrer de fome: a sua alma neles desfalecia (v. 5). Eles estavam desgastados pela fadiga da jornada e estavam a ponto de se prostrar por necessidade de refrigério.

Os que desfrutam de abundância constante e se alimentam até se fartar todos os dias não sabem como é duro estar famintos e sedentos e não ter suprimentos. Às vezes, esse era o caso de Israel no deserto e talvez também de outros viajantes pobres; mas a providência de Deus encontra meios de fartar a alma sedenta e encher de bens a alma faminta.

O mesmo Deus que nos guia, até hoje, alimenta-nos durante toda nossa vida, alimenta-nos com alimento conveniente, fornece alimento para a alma e enche de bens a alma faminta. A alma sedenta, ou, literalmente, a alma ansiosa, recebe da água da vida. Assim como para a sede Ele dá satisfação, também para a fome: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos (Mateus 5.6). Estas benevolências são concedidas sobre a nossa raça, sobre os filhos da família à qual nós pertencemos, e por isto devemos nos unir ao louvor.

Conta-se a história de um homem que sofrera naufrágio e era vitimado pelas ondas, que estavam a ponto de afundar seu escaler. Assim sendo, ele começou a orar, e orar, e orar. Em breve, porém, surgiu outro navio que o resgatou do mar. Então o homem disse: “Esquece-te de minha oração, Senhor. Eu resolvi por mim mesmo este problema!”.

Essa historieta ilustra como muitos homens não reconhecem a providência divina quando esta sai em seu socorro, ou quão breve os homens esquecem aquilo que Deus faz. O poeta, contra tal atitude, conclamou os homens a relembrar as obras de Deus e Sua bondade, agradecendo-Lhe de todo o coração. O coração agradecido é aquele que tem alguma espiritualidade.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
24/10/2025

FONTES:

QUEIROZ, Silas. Corpo, Alma e Espírito – A restauração integral do ser humano para chegar a estatura completa de Cristo. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

HENRY, Matthew. Comentário Bíblico – Poéticos. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

SPURGEON, Charles. Os Tesouros de Davi – Volume II. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

 

domingo, 26 de outubro de 2025

Lição 5: A Alma — A natureza imaterial do ser humano. 4 Trimestre de 2025.

TEXTO ÁUREO

 “E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo” (Mateus 10.28).

 

 “E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma;”

Os seguidores de Jesus não deveriam temer os seus inimigos porque estes estavam limitados no que diz respeito à quantidade de danos que poderiam causar aos discípulos. O máximo que os perseguidores poderiam fazer é matar o corpo, mas não poderiam danificar o verdadeiro ser. Depois de ter ficado o seu corpo por algum tempo em poder de seus perseguidores, Jesus orou: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Lucas 23:46).

A palavra grega para “alma” (psique) é paralela à palavra hebraica (nepesh), e possui vários significados. Nesse contexto “alma” significa o espírito eterno e não somente a vida no corpo. O corpo pode ser morto, mas a alma continua a viver (Mateus 11:29; 16:26; Marcos 8:36, 37; Lucas 12:20; Hebreus 6:19; 1 Pedro 1:9, 22; 2:11; 4:19; Tiago 1:21; 5:20)

Embora seguidores fiéis de Cristo pudessem sofrer a perda do corpo, eles não enfrentariam “o castigo eterno” ou “a segunda morte” (Mateus 25:46; Apocalipse 20:14). Seus inimigos não poderiam afetar essa parte do homem que é invisível e imaterial.

 

“... antes, aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo.”

Em vez de temerem os homens, Jesus instruiu-os a temer aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo. Dois tipos de “medo” são contrastados aqui: o medo de homens é um medo egoísta, e o medo de Deus é benéfico e bom. Deus deve ser temido porque Ele é “aquele que pode salvar e fazer perecer” (Tiago 4:12).

A palavra grega para “fazer perecer” não implica aniquilação, mas o castigo eterno no geena, o verdadeiro inferno (Mateus 5.22). A alma e o corpo perecem quando são lançados no inferno. Deus pode lançar o homem inteiro, corpo e alma (depois da ressurreição) no lago de fogo.

A frase "a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo"  (Apocalipse 20:14) tem uma correlação com esta fala de Jesus. Na passagem apocalíptica citada, "morte" alude aos corpos dos mortos ímpios; "inferno", por sua vez, equivale à parte espiritual desses mortos; e "lago de fogo" refere-se ao destino final dos que não morrem em Cristo.

O temor do homem produz covardes, o de Deus, heróis e mártires. O temor de Deus afasta qualquer outro temor. Temos a tendência a evitar pensar meditativamente sobre o temor de Deus, e não há nada mais importante do que aprendermos isso: “O temor do Senhor é fonte de vida, para desviar dos laços da morte” (Provérbios 14:27).

 

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
24/10/2025

FONTES:

QUEIROZ, Silas. Corpo, Alma e Espírito – A restauração integral do ser humano para chegar a estatura completa de Cristo. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201206_05.pdf

PEARLMAN, Myer. Mateus – O Evangelho do Grande Rei. Rio de Janeiro: CPAD.

ZIBORDI, Ciro, Sanches. Erros escatológicos que os pregadores devem evitar. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.

ROBERTSON, A. T. Comentário Mateus & marcos à luz do novo testamento grego. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.

sábado, 25 de outubro de 2025

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD 25 DE OUTUBRO DE 2025 (1 Coríntios 7:3-5)


LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD
25 DE OUTUBRO DE 2025
O USO SANTO DO CORPO NA VIDA CONJUGAL

1 Coríntios 7:3-5 “O marido pague à mulher a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher ao marido. A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido; e também da mesma maneira o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher. Não vos priveis um ao outro, senão por consentimento mútuo por algum tempo, para vos aplicardes ao jejum e à oração; e depois ajuntai-vos outra vez, para que Satanás não vos tente pela vossa intemperança.”

  

“O marido pague à mulher a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher ao marido.”

Ainda que a expressão sexual não seja a principal necessidade humana preenchida no compromisso entre marido e mulher, ela é importante. Dentro do casamento, o marido tem a responsabilidade primária de buscar a satisfação sexual de sua esposa. A esposa também deve corresponder.

Paulo não considera as relações sexuais como somente para procriação. Elas são uma obrigação dentro do casamento, mas o marido e a esposa devem respeitar-se um ao outro para chegarem a um acordo mútuo sobre como e quando. A mesma Bíblia que condena o sexo antes do casamento, o pecado da fornicação, e também o sexo fora do casamento, o pecado do adultério, está dizendo que a ausência de sexo no casamento é pecado. Abstinência sexual não é uma decisão que um dos cônjuges deva tomar sozinho (v.5).

O marido deve conceder à esposa o que lhe é devido e semelhantemente à esposa ao seu marido. Ambos, marido e mulher, têm direitos assegurados por Deus de desfrutarem a plenitude da satisfação sexual no contexto sacrossanto do matrimônio.

A tradução Almeida Revista e Autorizada traduz melhor do que a ACF que diz “a devida benevolência” por débito, ou seja, “o que lhe é devido”. Essas palavras representam um eufemismo para relações conjugais, que Paulo usou para suavizar o sentido, embora o significado da frase seja perfeitamente claro.

Paulo concita cada um a pagar o que é devido: “A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros” (Romanos 13.8)  Cada um deve obrigações ao outro. Paulo lhes ordena que paguem o que devem. Não salienta o dever de um dos parceiros em detrimento do outro, mas os coloca no mesmo nível. O imperativo presente, conceda, indica dever habitual.


“A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido; e também da mesma maneira o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher.”

A afirmação de Paulo de que nem o marido nem a mulher possuem domínio total sobre seus corpos, sem dúvida, soou estranha para quem vivia na sociedade greco-romana do primeiro século. Naquela cultura pagã dominada pela figura masculina, considerava-se certo que o marido tivesse autoridade sobre o corpo da esposa. Seria mais difícil um homem aceitar que a esposa também tivesse autoridade sobre o corpo do marido.

O ensino do apóstolo iguala maridos e mulheres. Visto que no plano de Deus eles são unidos como uma carne, cada um possui o corpo do outro: “Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne” (Gênesis 2:24). Casar-se com alguém é tornar-se um com essa pessoa. É entregar-se e reivindicar o cônjuge como parte de si mesmo: “Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo” (Efésios 5:28).

No casamento cada um cede os direitos exclusivos sobre o seu corpo. A expressão sexual é mútua; ela não é um favor a ser concedido ou negado. Nenhum dos dois deve pensar somente em seu próprio prazer ou desejos: “O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses” (1 Coríntios 13:4,5). Cada um deve interessar-se em satisfazer os desejos sexuais que o outro tem. Marido e a esposa devem sempre chegar a um acordo mútuo sobre como e quando.

 

“Não vos priveis um ao outro,”

Aparentemente, alguns em Corinto estavam ensinando que o casal não deveria ter intercurso sexual, ou que os cônjuges seriam mais espirituais se não fizessem sexo. “Defraudar” ou “privar” no grego é uma palavra forte, usada também para se referir a enganar ou roubar. A abstinência sexual no casamento não deve ser a norma para os cristãos. Nem o sexo deve ser usado para manipular o cônjuge.

Cristo não colocou restrições na intimidade dentro do casamento. O sexo não é inerentemente mau ou debilitante. Ele é uma dádiva que Deus deu a marido e mulher tanto para compartilharem do amor mútuo como para a procriação da espécie.

A prática do sexo no casamento é uma ordem apostólica. A ausência da relação sexual no casamento é um pecado. Dentro da normalidade do casamento, a relação sexual precisa existir. E um direito sagrado do cônjuge! Charles Hodge diz que nada pode ser mais estranho à mente do apóstolo Paulo do que o espírito que encheu os mosteiros e conventos da igreja medieval.

 

“... senão por consentimento mútuo por algum tempo, para vos aplicardes ao jejum e à oração;”

A única exceção é quando ambos os parceiros concordam que por um período específico de tempo eles se dedicarão completamente à oração, não querendo que nada diminua a comunhão deles com o Senhor.

A interrupção das relações normais, mesmo com santo propósito, só pode ser feita com mútuo consentimento. O homem não pode chegar para a esposa e dizer-lhe: “Esta semana ou este mês eu não estou disponível para a relação sexual”. Nem a mulher pode comunicar ao seu marido que ela está indisponível para ele. Se há de se tomar essa decisão, os dois precisam estar em absoluto acordo.

Às vezes, muitos casais cometem erros gravíssimos quando começam a dar desculpas infundadas para fugir da relação sexual, alegando cansaço, dor de cabeça e outras desculpas descabidas. A Bíblia diz que essa atitude de boicote sexual no casamento é um pecado. E uma desobediência a um mandamento bíblico. Há pessoas que se escondem atrás de uma pretensa espiritualidade para sonegar ao cônjuge a satisfação sexual. Isso está em desacordo com o ensino bíblico.

 

“... e depois ajuntai-vos outra vez, para que Satanás não vos tente pela vossa intemperança.”

Mesmo admitindo um tempo de afastamento das relações sexuais em consagração, Paulo diz que deve ser por tempo limitado, e depois eles devem voltar a ter relações sexuais como antes: “O marido pague à mulher a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher ao marido” (1 Coríntios 7:3).

Deus colocou na maioria dos homens e das mulheres um poderoso apetite ou impulso sexual. Satanás usou esse impulso, e continuará a usá-lo, para induzir pessoas antes piedosas a pecados cada vez mais destrutivos Ninguém deve brincar com isso. É necessário reassumir a atividade sexual normal "para que Satanás vos não tente pela vossa incontinência". A falta de auto-controle em questões sexuais é mencionada no verso 9 como uma base legítima para o casamento. Satanás busca brechas para nos fazer cair.

O casal não deve permitir que o adversário, Satanás, venha tentá-los a expressar o impulso sexual de uma forma que os leve a um comportamento pecaminoso, tendo relações íntimas com alguém que não seja o seu cônjuge. Ele continua ao nosso derredor: “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão bramando, buscando a quem possa tragar” (1 Pedro 5:8). Que nossa intemperança ou incontinência não sirva de ferramentas para os seus ardis.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
22/10/2025

FONTES:

QUEIROZ, Silas. Corpo, Alma e Espírito – A restauração integral do ser humano para chegar a estatura completa de Cristo. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

HORTON, Stanley. I e II Coríntios – os problemas da igreja e suas soluções. 3.ed., Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

MORRIS, Leon. I Coríntios: Introdução e Comentário. Tradução Odayr Olivetti. São. Paulo. Mundo Cristão, 1983

LOPES, Hernandes Dias. I Coríntios: como resolver conflitos na igreja. São Paulo: Hagnos,2008.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2004.

 

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Salmos 107:9

Salmos 107:9 “Pois fartou a alma sedenta, e encheu de bens a alma faminta.”

 

“Pois fartou a alma sedenta, e encheu de bens a alma faminta.”

Os peregrinos enfrentavam literalmente fome e sede, e poderiam ter perecido ao longo do caminho, mas a intervenção divina os salvou da morte certa. Eles estavam para morrer de fome: a sua alma neles desfalecia (v. 5). Eles estavam desgastados pela fadiga da jornada e estavam a ponto de se prostrar por necessidade de refrigério.

Os que desfrutam de abundância constante e se alimentam até se fartar todos os dias não sabem como é duro estar famintos e sedentos e não ter suprimentos. Às vezes, esse era o caso de Israel no deserto e talvez também de outros viajantes pobres; mas a providência de Deus encontra meios de fartar a alma sedenta e encher de bens a alma faminta.

O mesmo Deus que nos guia, até hoje, alimenta-nos durante toda nossa vida, alimenta-nos com alimento conveniente, fornece alimento para a alma e enche de bens a alma faminta. A alma sedenta, ou, literalmente, a alma ansiosa, recebe da água da vida. Assim como para a sede Ele dá satisfação, também para a fome: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos (Mateus 5.6). Estas benevolências são concedidas sobre a nossa raça, sobre os filhos da família à qual nós pertencemos, e por isto devemos nos unir ao louvor.

Conta-se a história de um homem que sofrera naufrágio e era vitimado pelas ondas, que estavam a ponto de afundar seu escaler. Assim sendo, ele começou a orar, e orar, e orar. Em breve, porém, surgiu outro navio que o resgatou do mar. Então o homem disse: “Esquece-te de minha oração, Senhor. Eu resolvi por mim mesmo este problema!”.

Essa historieta ilustra como muitos homens não reconhecem a providência divina quando esta sai em seu socorro, ou quão breve os homens esquecem aquilo que Deus faz. O poeta, contra tal atitude, conclamou os homens a relembrar as obras de Deus e Sua bondade, agradecendo-Lhe de todo o coração. O coração agradecido é aquele que tem alguma espiritualidade.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
24/10/2025

FONTES:

QUEIROZ, Silas. Corpo, Alma e Espírito – A restauração integral do ser humano para chegar a estatura completa de Cristo. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

HENRY, Matthew. Comentário Bíblico – Poéticos. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

SPURGEON, Charles. Os Tesouros de Davi – Volume II. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.