LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD
29 DE DEZEMBRO DE 2025
A TRINDADE REVELADA NO BATISMO DE JESUS
“E aconteceu naqueles dias que Jesus, tendo ido de Nazaré da Galileia,”
O jovem carpinteiro de Nazaré tendo já completado trinta anos de idade sentiu um impulso que reconheceu como a voz do que o enviara a Terra “O Pai Celestial”. Deixando de lado as ferramentas, provavelmente disse à sua mãe: “É chegada a minha hora. Preciso tratar dos assuntos de meu Pai”.
A Voz levava-o para junto do Jordão, onde João estava a batizar. A Bíblia não nos informa se João e Jesus se conheciam antes. Provavelmente, levavam vidas separadas: Jesus, em Nazaré; e, João no deserto da Judéia. O relato de Marcos sobre o batismo de Jesus é mais sucinto que o de Mateus e Lucas. Marcos estava mais preocupado com os feitos miraculosos de Jesus do que com os detalhes de Sua vida pessoal.
“Naqueles dias”, ou seja, algum tempo durante o ministério de João no deserto, Trata-se de uma declaração indefinida, Nazaré foi o lar de Jesus durante trinta anos. Jesus viajou de Nazaré ao local do ministério de João. Foi uma longa viagem. Jesus teve que percorrer quase cem quilômetros para ir ao encontro de João. Deus espera de nós que sejamos sérios em nossa inquirição espiritual, provando isso com nosso esforço em prol do melhoramento espiritual.
“... foi batizado por João, no Jordão.”
Este único ato de humilde obediência aos mandamentos de Seu Pai revela muito sobre a mente de Cristo. Mateus 3:15, que diz que Ele escolheu ser batizado para “cumprir toda a justiça”. Davi, por inspiração, disse: “Todos os Teus mandamentos são justiça” (Salmos 119:172b). Jesus demonstrou Seu respeito por João como profeta de Deus submetendo-se a essa imersão.
Considerando que Jesus era o Filho de Deus e não cometera pecados para serem perdoados (Marcos 1:4; Hebreus 4:15), por que Ele foi até João para ser batizado? Jesus foi batizado por João para cumprir a vontade do Pai e para se identificar totalmente conosco. Como representante da humanidade, Ele foi obediente em tudo.
Nosso batismo deve ter um significado semelhante para nós. Quando somos sepultados com Cristo, nos unimos a Ele e nos identificamos com Ele. Saímos das águas para entrar em uma nova vida com Ele: “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” (Romanos 6:3,4).
“E, logo que saiu da água, viu os céus abertos,”
Lucas 3:21 registra que, “ao ser todo o povo batizado, também o foi Jesus”. Pode ser que, embora não haja certeza, todos os que foram até João naquele dia para serem batizados já tivessem sido batizados e ido embora. Isso deixou Jesus e João sozinhos nesse importante momento que teve o céu por testemunha.
Quando ele saiu da água os céus se abriam. Céus abertos significam esperança no Antigo Testamento: “Quem dera rasgasses o céu para descer! Diante de ti as montanhas se derreteriam” (Isaías 63 19). No contexto cristão "Céus abertos" é uma expressão que, simboliza a quebra da barreira entre o divino e o humano, manifestando bênçãos, milagres, revelações e a presença de Deus na vida das pessoas. É um sinal de esperança, prosperidade espiritual e a concretização de sonhos, contrastando com "céus fechados" que trazem dificuldades ou distância de Deus.
“... e o Espírito, que como pomba descia sobre ele.”
João Batista testificou que ele viu o Espírito descer sobre Jesus: “Eu vi o Espírito descer do céu como pomba, e repousar sobre ele. E eu não o conhecia, mas o que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer o Espírito, e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo. E eu vi, e tenho testificado que este é o Filho de Deus” (João 1:32-34).
João não sabia que Jesus era o Messias até que viu o Espírito Santo descer sobre Ele. Mais tarde, ele pôde anunciar a todos que Jesus era o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1:29b). Crendo que João era profeta, o povo naturalmente aceitou suas declarações sobre essa revelação. A partir de então, ficou evidente que o Espírito em Jesus Lhe deu poder ilimitado: “Porque aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus; pois não lhe dá Deus o Espírito por medida” (João 3.34).
A descida do Espírito sobre Jesus é um dos maiores testemunhos da divindade de Cristo no Novo Testamento. O Espírito Santo desceu sobre Jesus como forma corpórea de uma pomba para que João pudesse identificá-lo como o Messias. O emblema é bastante apropriado, pois a pomba, entre os pássaros, tem a mesma correspondência que o cordeiro em relação aos outros animais. Ela é gentil, tenra e sem malícia. É o símbolo do poder exercido com ternura.
“E ouviu-se uma voz dos céus, que dizia: Tu és o meu Filho amado em quem me comprazo.”
Essa é uma das três declarações de Deus Pai sobre a divindade de Seu Filho (Mateus 17:5; João 12:28). Essas palavras não são citações diretas do Antigo Testamento, porém são remissivas a certos títulos do Cristo. Jesus é o Filho de Deus, o Ungido do Senhor (Salmos 2:7; Atos 13:33; Hebreus 1:5; 5:5).
João Batista ouviu a voz essa voz. Pois visavam também o seu beneficio, confirmando o testemunho que tinha dado a Cristo e fortalecendo-a para o sofrimento futuro. Foi ocasião muito importante para João Batista, para Jesus e para o mundo inteiro.
A voz dos céus era a voz do Pai para o “seu Filho amado”. Em Marcos a frase é “Tu és o meu Filho amado” (Marcos 1.11) praticamente igual a Lucas 3.22: “Tu és meu Filho amado”, em Mateus consta: “Este é o meu Filho amado”. Não significa o mais amado (superlativo), nem o único amado, mas amado em sentido especial, particular. Essa linguagem também é semelhante à descrição de Isaque, o filho amado da promessa, a quem Abraão foi chamado a sacrificar: “Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas” (Gênesis 22:2).
A frase “em que me comprazo” é igual a Mateus 3.17 em Lucas está escrito: “Em ti me tenho comprazido”. O texto grego não significa “com o qual eu me agrado” (NAA), e sim, “ em quem o meu prazer está” , ou seja, “aquele no qual o meu plano para a salvação da humanidade está centralizado”. A alusão se refere à profecia messiânica de Isaias 42:1: “Eis aqui o meu servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se compraz a minha alma; pus o meu espírito sobre ele; ele trará justiça aos gentios” (Isaías 42:1).
A doutrina dos gnósticos diz que Jesus se tornou neste momento Filho de Deus por adoção. Mas isso não goza do apoio das Escrituras. A encarnação do Verbo deu-se no nascimento, e não no batismo: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (João 1.14).
Todos os três membros da Divindade estiveram presentes na ocasião do batismo de Jesus. Cristo entrou nas águas com João. O Espírito Santo desceu na forma de uma pomba e pairou sobre Jesus. Enquanto tudo isso acontecia, Deus falou dos céus proclamando o Seu prazer no Seu Filho. A presença de todos os três membros da Divindade no batismo de Jesus é um problema insolúvel para todos que negam a Trindade.
DEIVY
FERREIRA PANIAGO JUNIOR
19/12/2025
FONTES:
BAPTISTA, Douglas. A Santíssima Trindade - O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.
TASKER, R. V. G. Mateus: Introdução e comentário. Série Cultura Bíblica –São Paulo: Mundo Cristão, 1980.
CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.
ROBERTSON, A. T. Comentário Mateus & marcos à luz do novo testamento grego. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.
PEARLMAN, Myer. Marcos: O evangelho do servo de Jeová. Rio de Janeiro CPAD, 2005.
http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201912_02.pdf
http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201204_02.pdf
