terça-feira, 5 de maio de 2026

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA 5 DE MAIO DE 2026 (Gênesis 21:2)

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA  
5 DE MAIO DE 2026
NO TEMPO DETERMINADO POR DEUS A PROMESSA SE CUMPRE 

Gênesis 21:2 “E concebeu Sara, e deu a Abraão um filho na sua velhice, ao tempo determinado, que Deus lhe tinha falado.”

 

“E concebeu Sara, e deu a Abraão um filho na sua velhice,”

O Senhor visitou Sara (v.1). que, por conta disso, engravidou e deu à luz. Todavia, a idéia não é de paternidade divina do filho gerado, como no caso dos deuses pagãos, que supostamente visitavam mulheres sexualmente. Antes, o termo é uma figura de linguagem, que significa que Deus libertou Sara de um estado de infertilidade e capacitou-as a engravidar. Nesse caso, a visita de Deus revitalizou tanto o marido como a esposa, que, por terem idade avançada, já haviam passado da idade de procriação: “E não enfraquecendo na fé, não atentou para o seu próprio corpo já amortecido, pois era já de quase cem anos, nem tampouco para o amortecimento do ventre de Sara” (Romanos 4:19).

O escritor ao Hebreus também faz menção desse incrível milagre “Pela fé também a mesma Sara recebeu o poder de conceber, e deu à luz já fora da idade; porquanto teve por fiel aquele que o tinha prometido. Por isso também de um, e esse já amortecido, descenderam tantos, em multidão, como as estrelas do céu, e como a areia inumerável que está na praia do mar” (Hebreus 11:11,12).

 

“... ao tempo determinado, que Deus lhe tinha falado.”

Há cerca de um ano atrás o Senhor havia falado com Abraão em sua tenda. Após perguntar por Sara ele disse: “Certamente tornarei a ti por este tempo da vida; e eis que Sara tua mulher terá um filho” (Gênesis 18:10). Ele repete as mesmas palavras no verso 14. Antes dessa ocasião, as promessas de Deus sobre um filho eram indefinidas, sem indicar uma data ou tempo para a chegada do herdeiro. Em contraste com essas revelações anteriores, o anúncio do Senhor nessa ocasião foi específico: “tornarei a ti por este tempo da vida”.

Algumas traduções dizem aqui “na primavera”. No hebraico, literalmente, temos “de acordo com um tempo de vida”. Esta expressão, que também ocorre em 2 Reis 4:16 e 17, é uma alusão à primavera, “o tempo de reviver”. Mas a maioria dela entende “por este tempo” como daqui a um ano: “Existe alguma coisa impossível para o SENHOR? Dentro de um ano, voltarei a você, e Sara terá um filho” (NVI).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
06/04/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201511_07.pdf

https://textoaureoebd.blogspot.com/2026/04/genesis-1814.html

 

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Filemom 24

Filemom 24 “Marcos, Aristarco, Demas e Lucas, meus cooperadores.

 

“Marcos, Aristarco, Demas e Lucas,”

Além do mais conhecido aos colossenses Epafras. O apóstolo envia a Filemom e sua casa saudação também de mais dos seus cooperadores:

O primeiro é chamado Marcos também conhecido como João Marcos. Sendo João seu nome judaico (significa agraciado por Deus) e Marcos seu nome romano (significa “guerreiro”, o “grande orador”), ele era filho de Maria de Jerusalém, em sua casa havia uma igreja: “E, considerando ele nisto, foi à casa de Maria, mãe de João, que tinha por sobrenome Marcos, onde muitos estavam reunidos e oravam” (Atos 12.12). Era primo de Barnabé: “e Marcos, o sobrinho de Barnabé, acerca do qual já recebestes mandamentos; se ele for ter convosco, recebei-o” (Cl 4.10).

Por esse parentesco, possivelmente levita: “Então José, cognominado pelos apóstolos Barnabé(que, traduzido, é Filho da consolação),levita, natural de Chipre” (Atos 4:36). Foi também discípulo de Pedro: “A vossa co-eleita em Babilônia vos saúda, e meu filho Marcos” (1 Pe 5.13). Pedro, após sua miraculosa libertação da prisão, Pedro vai à casa da mãe de Marcos, onde estava localizada a igreja de Jerusalém (Atos 12.12). Acompanhou Paulo na primeira viagem missionária e retrocedeu: “E, partindo de Pafos, Paulo e os que estavam com ele chegaram a Perge, daPanfília. Mas João, apartando-se deles, voltou para Jerusalém” (Atos 13.13). Na segunda viagem missionária, apesar da indicação de Barnabé, Paulo recusou levá-lo pelo abandono na primeira viagem: “E alguns dias depois,disse Paulo a Barnabé: Tornemos a visitar nossos irmãos por todas as cidades em que já anunciamos a palavra do Senhor, para ver como estão. E Barnabé aconselhava que tomassem consigo a João, chamado Marcos. Mas a Paulo parecia razoável que não tomassem consigo aquele que desde a Panfília se tinha apartado deles e não os acompanhou naquela obra. E tal contenda houve entre eles, que se apartaram um do outro. Barnabé, levando consigo a Marcos, navegou para Chipre. E Paulo, tendo escolhido a Silas, partiu, encomendado pelos irmãos à graça de Deus” (Atos 15.36-40).

Porém Paulo, já no fim de sua carreira apostólica recorre à ajuda de Marcos. “Só Lucas está comigo. Toma Marcos, e traze-oc ontigo, porque me é muito útil para o ministério” (2 Timoteo 4.11). Esse mesmo Marcos escreveu o Evangelho de Marcos, sobre esse fato nos acrescenta Euzébio de Cesáreia: Os romanos ouvintes de Pedro, que não ficavam satisfeitos apenas ouvindo-o uma vez, nem com o ensinamento não escrito da pregação divina, mas com todo tipo de pedidos importunavam Marcos - de quem se diz que é o Evangelho e que era companheiro de Pedro para que lhes deixasse também um memorial escrito da doutrina que de viva voz lhes era transmitida, e não o deixaram em paz até que o homem o tivesse terminado, e desta forma tornaram-se a causa do texto chamado Evangelho de Marcos. Dizem que este Marcos foi o primeiro a ser enviado ao Egito, e que ali pregou o Evangelho que ele havia posto por escrito e fundou igrejas, começando pela de Alexandria.John Foxe no Livro dos mártires nos diz sobre seu martírio: Marcos, o evangelista e primeiro bispo de Alexandria, pregou o evangelho no Egito e lá, amarrado e arrastado para a fogueira, foi queimado e depois sepultado num lugar chamado ‘Bucolus’, sob o imperador Trajano.

O segundo cooperador é Aristarco, um macedônio de Tessalônica (Atos 19.29; 27.2), provavelmente de origem judaica (Colossenses 4.10-11), que acompanhou Paulo em sua terceira viagem missionária. Em Éfeso, ele foi arrastado para o teatro na confusão dos artesãos da prata (Atos 19.29). De lá ele partiu com Paulo da Macedônia para a Grécia (Atos 20.2), e com outros velejou diretamente para Trôade onde esperou a chegada de Paulo que seguiu pelo caminho de Filipos (Atos 20.3-6). Aristarco também velejou com Paulo para Roma para o julgamento (Atos 27.2), e evidentemente compartilhou seu aprisionamento (Colossenses 4.10). De acordo com a tradição ele foi martirizado sob o governo de Nero.

O Terceiro cooperador é Demas. Ele é mencionado apenas três vezes no Novo Testamento (Aqui e em Colossenses 4.14; 2 Timóteo 4.10). Esta pode ser uma forma encurtada de Demétrio. Ele era um crente, e estava evidentemente com Paulo quando escreveu Colossenses e Filemom. Mais tarde, quando escreveu 2 Timóteo, Paulo registra o fato desolador deque Demas o havia abandonado: “Porque Demas me desamparou, amando o presente século, e foi para Tessalônica” (2 Timóteo 4:10).

O último cooperador é Lucas, que significa luminoso. Ele é um dos evangelistas literários e o único escritor gentio do Novo Testamento. Era Médico: “Saúda-vos Lucas, o médico amado, e Demas” (Colossenses 4:14). É considerado o primeiro historiador da Igreja cristã escreveu também o livro de Atos que (alguns historiadores classificam como um único livro chamando de Lucas-Atos). A tradição diz que Lucas era de Antioquia da Síria, gentio, esta cidade era a base missionária de Paulo (Atos 13.1-3). A amizade com Paulo era tão profunda, que até mesmo quando muitos o havia abandonado, ele permanecia ao lado do Apostolo: “Bem sabes isto, que os que estão na Ásia todos se apartaram de mim; entre os quais foram Figelo e Hermógenes”(2 Timóteo 1.15); “Só Lucas está comigo. Toma Marcos, e traze-o contigo, porque me é muito útil para o ministério” (2 Timoteo 4.11).

 

“... meus cooperadores.”

“Cooperador” é um termo usado nas epístolas paulinas também em Colossenses 4:11: “são estes unicamente os meus cooperadores no reino de Deus; e para mim têm sido consolação”, aplicado de modo geral a várias das pessoas. Em 1 Tessalonicenses 3:2, alude a Timóteo; em Filipenses 4:3 fala sobre um a certa mulher, cujo nome não é dado, e sobre Clemente; em Romanos. 16:3, refere-se a Priscila e Aqúila; e: em Romanos  16:9 fala também acerca de outras pessoas.

O próprio Filemom, no primeiro versículo desta epístola, é assim denominado. Paulo queria indicar com essa palavra a todos quantos trabalhavam juntamente com ele, pela mesma causa do evangelho, sem importar se costumavam viajar ou não em sua companhia, e sem importar se o conheciam pessoalmente ou não. Estas alusões aos cooperadores de Paulo são importantes para demonstrarem o quanto Paulo respeitava o princípio da colegialidade na missão cristã. Em Atos os nomes dos homens que estão com Paulo aparecem mais como os de companheiros de viagem do que como de colegas.

 

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
4/5/2026

FONTES:

CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

PFEIFFER, Charles F.; REA, VOS, Howard F.; REA, John.Dicionário Bíblico Wycliffe. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

JOSEFO, F. História dos hebreus. 8. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

FOXE, John. O livro dos mártires. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.

MARTIN, Ralph P. Colossenses e Filemom – Introdução e Comentário. São Paulo: Mundo Cristão, 1984

Filemom 23

Filemom 23 “Saúdam-te Epafras, meu companheiro de prisão por Cristo Jesus,

 

“Saúdam-te Epafras,”

Paulo parte para a conclusão da carta iniciando como de costume em todas as epístolas com a saudação daqueles que estão com ele. Jamais deixe de valorizar as pessoas que estão ao seu lado. Paulo destaca na conclusão dessa carta vários irmãos. O primeiro dele chama-se Epafras. Epafras é mantido em elevada estima por Paulo chamado por ele também de “Amado conservo” título dado também a Tíquico, e um “fiel ministro de Cristo” (Colossense 1.7,8; 4.12,13)

Embora esse nome seja uma forma abreviada de Epafrodito, a maioria dos estudiosos não faz sua ligação com o homem filipense do mesmo nome em (Filipenses 2,25-30). A cidade de Colossos tinha recebido “a graça de Deus em verdade”, não do próprio Paulo, mas do evangelista Epafras: “Como aprendestes de Epafras, nosso amado conservo, que para vós é um fiel ministro de Cristo, O qual nos declarou também o vosso amor no Espírito” (Colossenses 1:7,8).

Epafras também foi representante de Paulo em outras cidades importantes como Laodicéia e Hierápolis: “Saúda-vos Epafras, que é dos vossos, servo de Cristo, combatendo sempre por vós em orações, para que vos conserveis firmes, perfeitos e consumados em toda a vontade de Deus. Pois eu lhe dou testemunho de que tem grande zelo por vós, e pelos que estão em Laodiceia, e pelos que estão em Hierápolis” (Colossenses 4:12,13).

 

“... meu companheiro de prisão por Cristo Jesus,”

Neste versículo ele é mencionado como “meu companheiro de prisão por Jesus Cristo”. Epafras estava preso com ele em Roma. O apóstolo destaca esse homem por sua dedicação a Cristo, a Paulo e ao evangelho. Ouvi em um estudo no saudoso pastor Antonio Gilberto na sede no ministério Ipiranga em São Paulo que Epafras estava preso voluntariamente. Isso mesmo, ele preferiu ficar voluntariamente detido, em companhia de Paulo, a fim de ajudá-lo em seu período de provas.

Nas horas mais difíceis do apóstolo Paulo, Epafras estava do seu lado. Outros obreiros se alternaram nesse serviço de amor. O mesmo termo também é aplicado a Aristarco também citado nesse epilogo em Colossenses 4.10. O trecho de Romanos 16:7 menciona outros: “Saudai a Andrônico e a Júnias, meus parentes e meus companheiros na prisão, os quais se distinguiram entre os apóstolos e que foram antes de mim em Cristo” (Romanos 16:7).

 

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
4/5/2026

FONTES:

LOPES, Hernandes Dias. Tito e Filemom; doutrina e vida, um binômio inseparável.  São Paulo: Hagnos, 2009.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

PFEIFFER, Charles F.; REA, VOS, Howard F.; REA, John.Dicionário Bíblico Wycliffe. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

Filemom 22

Filemom 22 “E juntamente prepara-me também pousada, porque espero que, pelas vossas orações, vos hei de ser concedido.

 

“E juntamente prepara-me também pousada,”

Paulo tinha plena confiança que o seu aprisionamento não seria fatal, chegando mesmo á crer que em breve seria solto; doutra maneira, jamais teria solicitado que Filemom lhe preparasse hospedagem. Esse aprisionamento de Paulo, por perturbar a lei judaica, era menos grave para Roma do que seu segundo aprisionamento em casa de Carpo, quando foi preso por ser o líder dos cristãos, acusado pelo imperador Nero de atearem fogo em Roma.

Então Paulo usa essa futura possível viagem como um incentivo sutil que visava despertar Filemom à ação. Este pedido de hospitalidade reforça a mensagem da epístola inteira, já que Filemom sabia que provavelmente teria de enfrentar em breve ao próprio Paulo, se porventura não anuísse aos seus pedidos.  

Como Paulo nunca havia visitado a cidade de Colossos: “Porque quero que saibais quão grande combate tenho por vós, e pelos que estão em Laodicéia, e por quantos não viram o meu rosto em carne; acredita que as orações deles em favor dele em breve serão ouvidas e enfim poderá se alegrar com eles” (Colossenses 2:1), se dispõe a ir lá e ver qual efeito teve sua diretriz.

 

“... porque espero que, pelas vossas orações, vos hei de ser concedido.”

Apesar da crença na sua liberdade breve. Paulo acredita que será solto por causa das orações dos fiéis. O pronome aqui está no plural “vossas orações”, isso porque Paulo pretendia que sua carta e seu conteúdo fossem lidos publicamente na igreja de Colossos, ou seja, a decisão de Filemom virá a ser do conhecimento geral: ”e à igreja que se reúne em sua casa” (v.2) .

Observemos, por igual modo, que Paulo via a providência de Deus a operar, devido às orações como o fator que poderia alterar o seu destino e conferir-lhe a liberdade. Portanto, ele não hesitou em pedir as orações de outros em seu favor. Ele se mostra esperançoso que a ajuda das orações dos crentes colossenses era tão grande que isso poderia permitir-lhe ser solto em breve, para que pudesse continuar em seu trabalho apostólico: “Orando também juntamente por nós, para que Deus nos abra a porta da palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual estou também preso” (Colossenses 4:3).

“Vos ser concedido” diz respeito a sua liberdade. Essa palavra indica que essa concessão seria efetuada pelo poder divino, que ultrapassava os recursos humanos, a fim de que ele mesmo fosse um presente conferido à igreja, que poderia beneficiar a todos os crentes: “E, tendo esta confiança, sei que ficarei, e permanecerei com todos vós para proveito vosso e gozo da fé,  Para que a vossa glória cresça por mim em Cristo Jesus, pela minha nova ida a vós” (Filipenses 1:25,26).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
4/5/2026

FONTES:

MARTIN, Ralph P. Colossenses e Filemom – Introdução e Comentário. São Paulo: Mundo Cristão, 1984

CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

Filemom 21

Filemom 21 "Escrevi-te confiado na tua obediência, sabendo que ainda farás mais do que digo."


"Escrevi-te confiado na tua obediência, sabendo que ainda farás mais do que digo."

Paulo confia na obediência de Filemom. A referência à obediência de Filemom não soa como algo normal, pelo fato de Paulo não ter feito anteriormente qualquer uso de sua autoridade apostólica (w.8,9). O ponto, porém, é que se Paulo desejasse verdadeiramente afirmar sua autoridade sobre Filemom, não teria feito o esforço de escrever uma carta tão cuidadosamente elaborada e persuasiva. Assim, a própria existência da carta é um testemunho da estratégia de fazer um “apelo” ao invés de dar uma “ordem”. 

O que Paulo realmente está pedindo é o cumprimento da sua solicitação (v. 10) por este homem, e ação em prol dele. A obediência é dirigida a Deus, embora Paulo seja um legítimo agente que aplica os mandamentos divinos ao Seu povo: "De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor" (Filipenses 2:12).


"... sabendo que ainda farás mais do que digo." 

Paulo tem grandes esperanças. Está confiante de que Filemom fará mais do que cumprir os desejos dele, que farás mais do que estou pedindo. E confia que ele irá surpreendê-lo além das expectativas: "E confiamos quanto a vós no Senhor, que não só fazeis como fareis o que vos mandamos" (2 Tessalonicenses 3:4). Isso é sempre esperado do servo fiel e prudente, pois o comum não merece crédito algum: "Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer" (Lucas 17:10). 

O que Paulo espera aqui é que Filemom percorra a segunda milha. Um soldado romano poderia requerer de um cidadão que lhe carregasse o fardo por uma milha. Um cidadão que quisesse ultrapassar o seu dever, poderia carregar tal bagagem por um a milha extra "E, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas(Mateus 5:41). Jesus, acima de todos, percorreu a segunda milha com a humanidade, pois, quando ainda éramos pecadores, ele morreu por nós (Romanos 5:8). O seu Espírito é que inspira aos homens que fazem mais do que aquilo que lhes é requerido, por causa do amor. 

Um coração verdadeiramente tocado pelo amor de Jesus Cristo nunca se empenha por saber o limite mínimo do dever, e, sim, a mais elevada possibilidade de servir


 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
4/5/2026

FONTES:

MARTIN, Ralph P. Colossenses e Filemom – Introdução e Comentário. São Paulo: Mundo Cristão, 1984

CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2004.

 

 

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA 4 DE MAIO DE 2026 (Genesis 18.14)

 

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA  
4 DE MAIO DE 2026
A PROMESSA DE DEUS A ABRAÃO É REITERADA

Genesis 18.14 “Haveria coisa alguma difícil ao SENHOR? Ao tempo determinado, tornarei a ti por este tempo da vida, e sara terá um filho.”

 

“Haveria coisa alguma difícil ao SENHOR?”

O principal porta-voz, identificado como “o Senhor” (Iavé) faz uma pergunta retórica a fim de responder a questão fundamental que confrontava o patricarca e sua esposa: “Haveria coisa alguma difícil ao SENHOR?”. Nada é difícil demais para Iavé: “Ah Senhor Deus! Eis que tu fizeste os céus e a terra com o teu grande poder, e com o teu braço estendido; nada há que te seja demasiado difícil” (Jeremias 32:17). Difícil aparece como maravilhosa em algumas traduções. As maravilhas aos olhos dos homens são apenas obras corriqueiras para Deus. O trecho de Lucas 1.37 reflete este versículo, e, significativamente, em relação ao fato de que Isabel, mãe de João Batista, ficara grávida dele, sendo ela já idosa, como também em relação ao nascimento virginal de Jesus.

Deus já se fizera conhecer como o “Todo-Poderoso” (Genesis 17:1). O Senhor chamou Abraão e Sara para crerem que Ele podia revitalizá-los miraculosamente e capacitá-los para gerarem um filho, mesmo sendo velhos. O escritor ao Hebreus faz menção desse incrível milagre “Pela fé também a mesma Sara recebeu o poder de conceber, e deu à luz já fora da idade; porquanto teve por fiel aquele que o tinha prometido. Por isso também de um, e esse já amortecido, descenderam tantos, em multidão, como as estrelas do céu, e como a areia inumerável que está na praia do mar” (Hebreus 11:11,12).

Deus produziu a própria natureza, pelo que Ele controla qualquer coisa dentro da natureza. Sua palavra trouxe todas as coisas à existência, pelo que Sua palavra pode alterar quaisquer circunstâncias. Os homens pensam em termos de finitude. Deus age de acordo com Sua infinitude. Seu poder é maravilhoso, e age de forma quase inacreditável.

 

“... tornarei a ti por este tempo da vida, e sara terá um filho.”

Então Deus repetiu o que já havia anunciado antes: “Certamente tornarei a ti por este tempo da vida; e eis que Sara tua mulher terá um filho” (v.10). Antes dessa ocasião, as promessas de Deus sobre um filho eram indefinidas, sem indicar uma data ou tempo para a chegada do herdeiro. Em contraste com essas revelações anteriores, o anúncio do Senhor nessa ocasião foi específico: “tornarei a ti por este tempo da vida”.

Algumas traduções dizem aqui “na primavera”. No hebraico, literalmente, temos “de acordo com um tempo de vida”. Esta expressão, que também ocorre em 2 Reis 4:16 e 17, é uma alusão à primavera, “o tempo de reviver”. Mas a maioria dela entende “por este tempo” como daqui a um ano: “Existe alguma coisa impossível para o SENHOR? Dentro de um ano, voltarei a você, e Sara terá um filho” (NVI).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
06/04/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201511_01.pdf

 

domingo, 3 de maio de 2026

Lição 6: O nascimento de Isaque - 2 Trimestre de 2026.


TEXTO ÁUREO

 “Haveria coisa alguma difícil ao SENHOR? Ao tempo determinado, tornarei a ti por este tempo da vida, e sara terá um filho.” (Genesis 18.14).

 

“Haveria coisa alguma difícil ao SENHOR?”

O principal porta-voz, identificado como “o Senhor” (Iavé) faz uma pergunta retórica a fim de responder a questão fundamental que confrontava o patricarca e sua esposa: “Haveria coisa alguma difícil ao SENHOR?”. Nada é difícil demais para Iavé: “Ah Senhor Deus! Eis que tu fizeste os céus e a terra com o teu grande poder, e com o teu braço estendido; nada há que te seja demasiado difícil” (Jeremias 32:17). Difícil aparece como maravilhosa em algumas traduções. As maravilhas aos olhos dos homens são apenas obras corriqueiras para Deus. O trecho de Lucas 1.37 reflete este versículo, e, significativamente, em relação ao fato de que Isabel, mãe de João Batista, ficara grávida dele, sendo ela já idosa, como também em relação ao nascimento virginal de Jesus.

Deus já se fizera conhecer como o “Todo-Poderoso” (Genesis 17:1). O Senhor chamou Abraão e Sara para crerem que Ele podia revitalizá-los miraculosamente e capacitá-los para gerarem um filho, mesmo sendo velhos. O escritor ao Hebreus faz menção desse incrível milagre “Pela fé também a mesma Sara recebeu o poder de conceber, e deu à luz já fora da idade; porquanto teve por fiel aquele que o tinha prometido. Por isso também de um, e esse já amortecido, descenderam tantos, em multidão, como as estrelas do céu, e como a areia inumerável que está na praia do mar” (Hebreus 11:11,12).

Deus produziu a própria natureza, pelo que Ele controla qualquer coisa dentro da natureza. Sua palavra trouxe todas as coisas à existência, pelo que Sua palavra pode alterar quaisquer circunstâncias. Os homens pensam em termos de finitude. Deus age de acordo com Sua infinitude. Seu poder é maravilhoso, e age de forma quase inacreditável.

 

“... tornarei a ti por este tempo da vida, e sara terá um filho.”

Então Deus repetiu o que já havia anunciado antes: “Certamente tornarei a ti por este tempo da vida; e eis que Sara tua mulher terá um filho” (v.10). Antes dessa ocasião, as promessas de Deus sobre um filho eram indefinidas, sem indicar uma data ou tempo para a chegada do herdeiro. Em contraste com essas revelações anteriores, o anúncio do Senhor nessa ocasião foi específico: “tornarei a ti por este tempo da vida”.

Algumas traduções dizem aqui “na primavera”. No hebraico, literalmente, temos “de acordo com um tempo de vida”. Esta expressão, que também ocorre em 2 Reis 4:16 e 17, é uma alusão à primavera, “o tempo de reviver”. Mas a maioria dela entende “por este tempo” como daqui a um ano: “Existe alguma coisa impossível para o SENHOR? Dentro de um ano, voltarei a você, e Sara terá um filho” (NVI).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
06/04/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201511_01.pdf

sábado, 2 de maio de 2026

Filemom 20

Filemom 20 “Sim, irmão, eu me regozijarei de ti no Senhor; reanima o meu coração, no Senhor.

 

“Sim, irmão, eu me regozijarei de ti no Senhor;”

Na última parte de seu apelo, Paulo repetiu uma série de palavras e ideias principais mencionadas na oração e nos agradecimentos do início da carta (v. 7). Sim, irmão era uma confirmação da relação de família que Paulo tinha com Filemom (v. 7) e Onésimo (v. 16). Paulo manteve um cuidadoso senso de equilíbrio em toda a carta, misturando um argumento forte imediatamente com uma palavra bondosa de amável aprovação, um elogio.

O apóstolo entende que o pedido é difícil: “Porque, se eu vos entristeço, quem é que me alegrará, senão aquele que por mim foi contristado?” (2 Coríntios 2:2). Mas confia que Filemom lhe trará alegria aceitando o seu pedido: “De fato, vocês são a nossa glória e a nossa alegria” (1 Tessalonicenses 2:20 NVI). A alegria de Paulo, devido ao atendimento ao seu pedido, seria como um a dose de encorajamento ao prisioneiro, em sua aflição.

A versão ARA traduz assim: “Sim, irmão, que eu receba de ti, no Senhor, este benefícioAqui está embutido outro jogo de palavras com o nome do escravo “Onésimo”. “Onésimo” significa “útil”, mas pode significar também “benéfico”. A esta altura, Paulo virou a situação totalmente ao contrário. Ele estava pedindo ao dono, e não ao escravo, que fosse “útil” ou “benéfico” para ele no Senhor.

 

“... reanima o meu coração, no Senhor.”

No versículo 7 Paulo disse: que o coração dos santos tinham sido reanimados por Intermédio de Filemom. Agora ele pedi que Filemom reanimasse o seu próprio coração. Em suma, ele estava convocando Filemom a agir em conformidade com sua reputação, um recurso retórico que Paulo também usou com os cristãos de Corinto (2 Coríntios 9:1–5). Paulo espera que Filemom não falhe nesta ocasião.

O pedido termina com as palavras “no Senhor”. A força de toda a argumentação de Paulo estava no reconhecimento de que os cristãos, independentemente da posição que ocupam na vida terrena, são servos do mesmo Senhor. A união com Cristo elimina o egoísmo, e faz os homens sentirem prontamente as tristezas e alegrias alheias como se fossem deles mesmos. Isso facilita o serem solícitos e prontos a perdoar a outros. O perdão é a marca de um verdadeiro cristão. Perdoar é cancelar a dívida, é não cobrá-la mais. É deixar a outra pessoa livre e ficar livre.

 

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
2/5/2026

FONTES:

CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

LOPES, Hernandes Dias. Tito e Filemom; doutrina e vida, um binômio inseparável.  São Paulo: Hagnos, 2009.

http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201401_07.pdf

Filemom 19

Filemom 19 “Eu, Paulo, de minha própria mão o escrevi: Eu o pagarei, para te não dizer que ainda mesmo a ti próprio a mim te deves.”

 

“Eu, Paulo, de minha própria mão o escrevi: Eu o pagarei”

O apóstolo transforma este trecho de sua epístola numa nota promissória. Não temos aqui, conforme é normal nas epístolas paulinas, uma assinatura no fim (Colossenses 4:18; Gálatas 6:11; 1 Coríntios 16:21), porque normalmente Paulo ditava as suas epístolas a um escriba, pelo que a maior parte do volume das mesmas não era escrita com sua própria caligrafia: “Eu, Tércio, que esta carta escrevi, vos saúdo no Senhor” (Romanos 16:22). Todavia, devido à importância desta epístola particular, ele de próprio punho quis com esse gesto garantir qualquer pagamento de dívida ou prejuízo que Onésimo devesse a Filemom.

Martinho Lutero viu isto como um retrato daquilo que Cristo fez por nós. Lutero escreveu: “Aqui vemos como Paulo se coloca como a garantia em favor de Onésimo, e como, com todos os seus meios, pleiteia a sua causa com o seu senhor, colocando-se assim como se ele fosse Onésimo, e ele mesmo tivesse feito algum mal a Filemom. Paulo agiu, em relação à Filemom, da mesma forma que Cristo age a nosso favor na presença de Deus Pai. Todos nós somos o seu Onésimo, a meu ver”.

 

“...para te não dizer que ainda mesmo a ti próprio a mim te deves.”

Paulo, a seguir, migrou da linguagem financeira para a linguagem da fé. Naquele que talvez seja o argumento mais pesado desta ponderadíssima carta, Paulo lembrou Filemom: Para não te alegar que também tu me deves até a ti mesmo. Filemom tornara-se cristão por influência do ministério de Paulo. Conseqüentemente, Filemom tinha uma dívida espiritual com Paulo muito maior do que qualquer dívida financeira que Onésimo pudesse ter com ele. Paulo sugere gentilmente que, se a dívida for lançada em sua conta, então já está cancelada pelo que Filemom lhe deve por ele ser seu pai espiritual.

Henry observa que deve haver sempre um grande afeto e estima entre ministros e aqueles que foram abençoados com o empenho deles, resultando em conversões ou edificação espiritual. “Se possível fora (disse Paulo aos gálatas), arrancaríeis os olhos, e mos daríeis” (Gálatas 4,15).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
5/5/2026

FONTES:

LUTHER, Martin. Obras Selecionadas: Debates e Prefácios. Tradução de Ilson Kayser. São Leopoldo: Sinodal; Porto Alegre: Concórdia, 1993.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry – Atos a Apocalipse. Rio de Janeiro CPAD, 2008.

http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201401_07.pdf

Filemom 18

Filemom 18 “E, se te fez algum dano ou te deve alguma coisa, põe isso na minha conta.”

 

“E, se te fez algum dano ou te deve alguma coisa,”

Não dispomos de meios para saber o que isso teria envolvido; mas a maioria dos intérpretes pensa que Onésimo furtara de seu senhor certa quantia em dinheiro, a fim de poder fugir. Pelo menos, devido à sua fuga, privara-o do trabalho que deveria ter feito, e que era legítimo direito de Filemom, segundo as leis da época. Assim, independente do fato de Onésimo ter ou não roubado dinheiro do seu senhor, sem dúvida ele roubou a sua própria pessoa de Filemom.

Um escravo do século I era propriedade, de valor por si mesmo. Um escravo comprado para trabalho manual era barato, valendo cerca de 500 denários. Esta quantia adquire importância ao lembrarmos que um trabalhador livre ganhava um único dénario por um dia de trabalho. Por outro lado Cícero fala de um escravo, educado por um comediante conhecido, e que valia mais de cem mil denários; e diversos autores da época mencionam 50 mil denários como sendo o preço de um escravo educado em medicina, filosofia ou retórica.

 

“... põe isso na minha conta.”

O apelo de Paulo, então, é para que Filemom aceite Onésimo de volta na sua casa, e a garantia do Apóstolo é a de indenizar Filemom por qualquer perda monetária que ele possa reivindicar pela perda do serviço de Onésimo durante o período da sua deserção do seu posto. Não havia como o escravo pagar a dívida que devia, por isso Paulo a assumiu. Este gesto ecoa a história da cruz (Romanos 5:6–10; 8:1–4). Jesus, o Filho de Deus, como que disse a Deus Pai: “Põe tudo em minha conta”, no que tange à imensa dívida do homem por causa do pecado; e desse modo ele libertou os homens de sua servidão moral e espiritual. No caso de Onésimo, Paulo segue o exemplo de seu Senhor.

Não sabemos de que maneira Paulo pagaria essa dívida, mas ele certamente tinha alguma idéia definida em mente. A linguagem comercial, iniciada no décimo sétimo versículo, é transportada para este versículo, e não se pode ter a menor dúvida que Paulo se mostrava sério sobre a questão. Sua disposição de fazer a restituição certamente eliminaria quaisquer sentimentos agravados que Filemom tivesse contra Onésimo. Com certeza a oferta é muito Generosa. Mas não há dúvida de que Paulo, conhecendo o caráter de Filemom, sabe muito bem que este cavalheiro cristão recusará a sua oferta, porém, movido por ela, receberá Onésimo de volta e... “ainda fara mais do que digo”(v.21).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
2/5/2026

FONTES:

CÍCERO, Marco Túlio. Pro Roscio Comoedo. Tradução de John Henry Freese. Cambridge, MA: Harvard University Press (Loeb Classical Library), 1930.

SUETÔNIO (Caio Suetônio Tranquilo). Dos gramáticos. Tradução de Alessandro Beccari. Classica - Revista Brasileira de Estudos Clássicos, 2014.

Filemom 17

FFilemom 17 “Assim, pois, se me tens por companheiro, recebe-o como a mim mesmo.”

 

“Assim, pois, se me tens por companheiro,“

A palavra companheiro é derivado da palavra grega traduz a comunhão cristã (koinonia). O termo pode significar companheiro, sócio, ou compartilhador em um negócio. Neste último sentido é usada essa palavra conforme o versículo seguinte o demonstra. Paulo e Filemom eram sócios em um a empresa realmente importante, a saber, o negócio da propagação do evangelho. Portanto, deveriam compartilhar de todos os valores e proveitos, bem como de todas as responsabilidades. Paulo declara que o seu papel e o de Onésimo seriam trocados, por estarem tão estreitamente unidos no serviço de Cristo. Espelhando as palavras de Jesus: “Não é o discípulo mais do que o mestre, nem o servo mais do que o seu senhor” (Mateus 10:24).

Ele assim o faz porque além do amor cristão, Paulo vê potencial em Onésimo. O comentário Beacon diz que Inácio de Antioquia chama Onésimo de bispo de Éfeso em sua carta aos Efésios, escrita por volta de 107 d.C. Esse fato pode ser uma “sequela espetacular surgida muitos anos depois da carta de Paulo”.

 

“... recebe-o como a mim mesmo.”

Onésimo era o filho, e Paulo era o pai e por isso Filemom deveria dar as boas-vindas a Onésimo, acolhendo-o entusiasticamente, como o faria a Paulo, se este tivesse ido pessoalmente, ao invés de mandar a Onésimo. O fato que Onésimo era um escravo nem deveria ser considerado. Agora Onésimo era um companheiro, ou seja, também um sócio de Paulo e Filemom, no evangelho. Portanto, a Filemom cabia acolhê-lo. O termo “receber” significa “receber no seu círculo familiar”. Imagine um escravo ser aceito na família de seu senhor! Mais maravilhoso ainda é um pecador perdido ser aceito na família de Deus. Como cristãos também devemos aceitar uns aos outros (Romanos 14:1; 15:7).

O pedido de Paulo em favor de Onésimo é muito semelhante ao pedido de Jesus em favor dos que têm fome e sede, dos estrangeiros, dos que estão nus, dos enfermos e dos presos em Mateus 25. Jesus disse que Ele declarará no Dia do Juízo: “Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes Meus pequeninos irmãos, a Mim o fizestes” (Mateus 25:40). Como Paulo precisamos nos identificar com nossos companheiros. Ter compaixão pelos que erram e interceder pelos fracos. Essa identificação é uma ilustração do que Jesus fez por nós. Lutero disse que todos nós somos Onésimos. Jesus se identificou de tal forma conosco que o Pai nos recebe como ao próprio Filho, pois somos aceitos no Amado (Efésios 2.6).

 

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
2/5/2026

FONTES:

CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

HARPER, A. F. (Ed.). Comentário Bíblico Beacon. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.

LOPES, Hernandes Dias. Tito e Filemom; doutrina e vida, um binômio inseparável.  São Paulo: Hagnos, 2009.

http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201401_07.pdf

Filemom 16

FFilemom 16 “Não já como servo; antes, mais do que servo, como irmão amado, particularmente de mim e quanto mais de ti, assim na carne como no Senhor.”

 

“Não já como servo; antes, mais do que servo, como irmão amado,”

Este versículo tem sido interpretado por alguns como uma indicação de que Paulo está sugerindo que Filemom assegure a Onésimo sua liberdade. Isto é possível, mas não necessariamente a intenção de Paulo. Em 1 Coríntios 7:21, (versão RA), Paulo insiste que os  escravos não estejam insatisfeitos com a sua condição. “Não se preocupes com isso” diz ele, e acrescenta mais, “mas, se ainda pode tornar-te livre, aproveita a oportunidade”. Ainda mais significativa é a passagem de Efésios 6:9 “E vós, senhores, fazei o mesmo para com eles, deixando as ameaças, sabendo também que o Senhor deles e vosso está no céu, e que para com ele não há acepção de pessoas“. Aqui Paulo insiste para que os senhores cristãos tratem bem os seus escravos.

Por mais que Paulo desejasse certamente a liberdade para Onésimo o que ele pedindo aqui a Filemom era que a partir de agora tivesse um novo relacionamento com seu antigo escravo fugitivo e que dentro dessa nova perspectiva sobre Onésimo o olhasse como muito mais do um de seus escravos. Paulo não estava contestando a questão da escravidão; ele estava transcendendo tudo isso.

Onésimo já não deve ser visto e tratado como antes, como escravo, mas como irmão amado, quer dizer, cristão (Romanos 8:29; 1 Coríntios 5.11). Agora que está em Cristo ele pertence à igreja e Deus não faz acepção de pessoas: Gálatas 3:28 “Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus”. Todos os cristãos também um dia foram servos do pecado (João 8:34), porém, quando o filho os libertou também receberam como Onésimo uma nova condição: “Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer” (João 15:15). Paulo está dizendo a Filemom: “Receba Onésimo e o considere como participante da mesma fé comum, e, assim, como irmão amado, particularmente de mim, pois fui o instrumento da sua conversão”.

 

“... particularmente de mim e quanto mais de ti, assim na carne como no Senhor.”

Paulo expôs repetidas vezes sua afeição por Onésimo, e fez isto de novo quando escreveu que Onésimo era um irmão amado especialmente de mim. Afinal Paulo era o pai espiritual de Onésimo, e, naturalmente, teria grande preocupação por seu filho, que era igualmente seu irmão em Cristo. Filemom poderia até esperar que Paulo dissesse isto, mas não poderia prever que ele acrescentasse: Com maior razão, de ti, quer na carne, quer no Senhor.

O escravo e o dono de escravo tinham um relacionamento duplo. Na carne eles estavam ligados legal, econômica e socialmente. No Senhor eles estavam ligados pelo sangue de Jesus e pelo Espírito Santo que habitava em ambos. As palavras que Paulo enviou anteriormente aos coríntios tocavam diretamente nesta questão: “Assim que, nós, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, se antes conhecemos Cristo segundo a carne, já agora não o conhecemos deste modo. E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2 Coríntios 5:16, 17).

 

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
2/5/2026

FONTES:

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry – Atos a Apocalipse. Rio de Janeiro CPAD, 2008.

http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201401_07.pdf

Filemom 15

Filemom 15 “Porque bem pode ser que ele se tenha separado de ti por algum tempo, para que o retivesses para sempre,”

 

 “Porque bem pode ser que ele se tenha separado de ti por algum tempo,”

Paulo tempera muito bem suas palavras com sal (Colossenses 4:6). Isso se observa claramente com o fato de ele dar um aspecto providencial a um assunto tão sórdido quanto o delito e a fuga de um escravo. José após toda a sua provação no Egito se dá a conhecer enfim a seus irmãos e reconhece que através daquela provação que ele enfrentou em meio a amargura (Gênesis 49:23) foi a providência divina que o enviou para a conservação da vida dos seus irmãos: “Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos pese aos vossos olhos por me haverdes vendido para cá; porque para conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós” (Gênesis 45:5).

Paulo compreende que as circunstâncias podem estar fora do nosso controle, mas não do controle de Deus, quando diz: acredito que ele veio a ser afastado de ti (isto é, pela sua fuga) temporariamente é o modo de Paulo dramatizar o episódio.

Jerônimo (345–420 d.C.), em seu comentário a Filemom, escreveu: Às vezes, a ocasião do mal se torna a ocasião do bem e Deus faz uma reviravolta nos planos humanos... Se, na verdade, [Onésimo] não tivesse fugido de seu senhor, ele jamais teria chegado a Roma, onde Paulo estava preso em algemas. Se ele não tivesse conhecido Paulo em algemas, ele não teria aceitado a fé em Cristo, não teria se tornado filho de Paulo, para, então, ser enviado a trabalho do evangelho.

  

“... para que o retivesses para sempre,”

Mesmo em meio a provações podemos esperar o bem de Deus: “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Romanos 8:28). Sua prisão, a conversão de Filemom, a fuga de Onésimo contribui para um reencontro especial: “Melhor é o fim das coisas do que o princípio delas” (Eclesiastes 7:8). Onésimo fugira, mas sua restauração (a fim de que o possuísses para sempre) marca um novo relacionamento, de uma qualidade duradoura.

A conversão de Onésimo foi genuína; seu caráter fora transformado, enquanto tivesse vida e fosse limitado a este nível terreno, serviria fielmente. A ausência de Onésimo foi apenas um breve momento, em comparação com o longo período em que agora serviria com diligência.

Antes, Onésimo não era realmente possuído de Filemom, porquanto nunca fizera qualquer serviço voluntariamente e sem queixumes. Mas agora, tudo isso tinha mudado. Talvez haja nisso um indício que uma nova relação eterna tinha começado; o serviço mútuo se origina da fraternidade, e não pode haver fim desse fato.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
2/5/2026

FONTES:

MARTIN, Ralph P. Colossenses e Filemom – Introdução e Comentário. São Paulo: Mundo Cristão, 1984

CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201401_07.pdf


Filemom 14

Filemom 14 “Mas nada quis fazer sem o teu parecer, para que o teu benefício não fosse como por força, mas voluntário.”

 

“Mas nada quis fazer sem o teu parecer,”

Paulo confirmou a ideia que ele já expressara nos versículos 8 e 9. Disse que queria manter Onésimo consigo em Roma e acrescentou a Filemom: “Nada, porém, quis fazer sem o teu consentimento.” Além de um senso de justiça e respeito pela lei que exigia que o escravo fugitivo devesse ser devolvido para seu dono legal. Havia também, o fato pessoal que envolvia os bons relacionamentos entre Paulo e Filemom. Sendo assim o consentimento de Filemom era necessário para o apóstolo, e Onésimo é enviado de volta a Colossos a fim de que seu senhor possa tratar do caso dele da maneira apropriada à ocasião (v. 8).

O que a ação apropriada envolve torna-se um pouco mais claro na seção seguinte. De qualquer maneira, Paulo apela à consciência de Filemom de todo o bem que possui como cristão (v. 6), e confia que Onésimo será livremente perdoado.

 

“...para que o teu benefício não fosse como por força, mas voluntário “.

Esta frase resume o âmago de toda a carta. Paulo esforçou-se ao máximo e superou suas ansiedades não só para chegar a um bom fim, mas também para usar um bom meio em busca desse fim. Mesmo podendo ter ordenado (v. 8) e até obrigado (v. 14), o apóstolo optou por “solicitar” (v. 9) e pedir. Ele usou a mesma palavra, aqui traduzida por “força” ou “obrigação”, num sentido similar quando escreveu à igreja em Corinto: “Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria” (2 Coríntios 9:7).

Diz a Escritura: ”Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos” (Zacarias 4:6). Deus não se agrada do que é forçado, feito por formalidade, ele procura verdadeiros adoradores: “Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (João 4:24). O tato de Paulo brilha nesta frase, com sua clara sensibilidade da necessidade de refrear-se de constranger Filemom, fora da obrigação do amor, que a todos constrange (v. 7). E o amor não pode ser mandado nem evocado por coerção.



DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
2/5/2026

FONTES:

MARTIN, Ralph P. Colossenses e Filemom – Introdução e Comentário. São Paulo: Mundo Cristão, 1984

http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201401_07.pdf


Filemom 13

Filemom 13 “Eu bem o quisera conservar comigo, para que, por ti, me servisse nas prisões do evangelho;”

 

“Eu bem o quisera conservar comigo,”

Paulo cumpria pena em prisão domiciliar por ser cidadão romano aguardando julgamento de César, por isso lhe era permitido receber visitas: “E Paulo ficou dois anos inteiros na sua própria habitação que alugara, e recebia todos quantos vinham vê-lo;” (Atos 28:30). Ele afirma aos filipenses que pregar e ensinar as igrejas através de cartas contribuíram muito para o crescimento de evangelho: “E quero, irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram contribuíram para maior proveito do evangelho” (Filipenses 1:12).

Tendo em mente essa visão de evangelização Paulo necessitava de auxiliares para ajudá-lo com as cartas, tanto a escreve-las como Tércio o fez (Romanos 16:22), tanto para entrega-las como Tíquico que acompanhou Onésimo em seu retorno a Colossos: “Tíquico, irmão amado e fiel ministro, e conservo no Senhor, vos fará saber o meu estado; O qual vos enviei para o mesmo fim, para que saiba do vosso estado e console os vossos corações; juntamente com Onésimo, amado e fiel irmão, que é dos vossos; eles vos farão saber tudo o que por aqui se passa. Então manifesta o desejo de que Onésimo continuasse o servindo” (Colossenses 4:8,9).

Por isso, ele expressa a Filemom o desejo pessoal de manter Onésimo consigo em Roma. Isto indica que a decisão de mandar Onésimo não surgiu nem rapidamente nem facilmente na mente de Paulo. Paulo encontrou em um dilema entre o desejo e o dever. Paulo hesitou, devido à força do conflito. Ele poderia ter raciocinado que Filemom, por ser homem de boas posses materiais, não precisava de Onésimo, pois este seria apenas mais um escravo a realizar tarefas braçais para um homem abastado, que poderia comprar muitos escravos, se assim quisesse fazê-lo. Paulo poderia ter-se deixado convencer que ele precisava de Onésimo muito mais do que Filemom dele necessitava, e devido a um serviço muito mais elevado do que o que Filemom poderia dar-lhe. Hesitou o apóstolo, mas, finalmente, enviou a Onésimo, baseado nesse forte sentimento de dever.

 

“... para que, por ti, me servisse nas prisões do evangelho;”

Para, em teu lugar, me servir soa muito parecido com o que Paulo escreveu aos filipenses sobre o serviço que Epafrodito lhe prestou em favor da igreja filipense: “Por isso vo-lo enviei mais depressa, para que, vendo-o outra vez, vos regozijeis, e eu tenha menos tristeza. Recebei-o, pois, no Senhor com todo o gozo, e tende-o em honra; Porque pela obra de Cristo chegou até bem próximo da morte, não fazendo caso da vida para suprir para comigo a falta do vosso serviço” (Filipenses 2:28-30). Paulo deu os créditos do bem que Onésimo lhe fizera a Filemom, mesmo que este não tivesse a intenção de que seu servo servisse dessa maneira.

Nas algemas que carrego por causa do evangelho consta literalmente como “nas prisões do evangelho”. Esta é, pela quarta vez nos primeiros treze versículos (1, 9, 10, 13), uma referência ao fato de que Paulo estava escrevendo da prisão. No contexto do versículo 13, a menção da prisão serviu para lembrar Filemom que o apóstolo prisioneiro necessitava muito mais dos serviços de Onésimo do que o amigo, dono de escravo e mais rico.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
2/5/2026

FONTES

MARTIN, Ralph P. Colossenses e Filemom – Introdução e Comentário. São Paulo: Mundo Cristão, 1984

CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201401_07.pdf