Filemom 24 “Marcos, Aristarco, Demas e Lucas, meus cooperadores.”
“Marcos, Aristarco, Demas e Lucas,”
Além do mais conhecido aos colossenses Epafras. O apóstolo envia a Filemom e sua casa saudação também de mais dos seus cooperadores:
O primeiro é chamado Marcos também conhecido como João Marcos. Sendo João seu nome judaico (significa agraciado por Deus) e Marcos seu nome romano (significa “guerreiro”, o “grande orador”), ele era filho de Maria de Jerusalém, em sua casa havia uma igreja: “E, considerando ele nisto, foi à casa de Maria, mãe de João, que tinha por sobrenome Marcos, onde muitos estavam reunidos e oravam” (Atos 12.12). Era primo de Barnabé: “e Marcos, o sobrinho de Barnabé, acerca do qual já recebestes mandamentos; se ele for ter convosco, recebei-o” (Cl 4.10).
Por esse parentesco, possivelmente levita: “Então José, cognominado pelos apóstolos Barnabé(que, traduzido, é Filho da consolação),levita, natural de Chipre” (Atos 4:36). Foi também discípulo de Pedro: “A vossa co-eleita em Babilônia vos saúda, e meu filho Marcos” (1 Pe 5.13). Pedro, após sua miraculosa libertação da prisão, Pedro vai à casa da mãe de Marcos, onde estava localizada a igreja de Jerusalém (Atos 12.12). Acompanhou Paulo na primeira viagem missionária e retrocedeu: “E, partindo de Pafos, Paulo e os que estavam com ele chegaram a Perge, daPanfília. Mas João, apartando-se deles, voltou para Jerusalém” (Atos 13.13). Na segunda viagem missionária, apesar da indicação de Barnabé, Paulo recusou levá-lo pelo abandono na primeira viagem: “E alguns dias depois,disse Paulo a Barnabé: Tornemos a visitar nossos irmãos por todas as cidades em que já anunciamos a palavra do Senhor, para ver como estão. E Barnabé aconselhava que tomassem consigo a João, chamado Marcos. Mas a Paulo parecia razoável que não tomassem consigo aquele que desde a Panfília se tinha apartado deles e não os acompanhou naquela obra. E tal contenda houve entre eles, que se apartaram um do outro. Barnabé, levando consigo a Marcos, navegou para Chipre. E Paulo, tendo escolhido a Silas, partiu, encomendado pelos irmãos à graça de Deus” (Atos 15.36-40).
Porém Paulo, já no fim de sua carreira apostólica recorre à ajuda de Marcos. “Só Lucas está comigo. Toma Marcos, e traze-oc ontigo, porque me é muito útil para o ministério” (2 Timoteo 4.11). Esse mesmo Marcos escreveu o Evangelho de Marcos, sobre esse fato nos acrescenta Euzébio de Cesáreia: Os romanos ouvintes de Pedro, que não ficavam satisfeitos apenas ouvindo-o uma vez, nem com o ensinamento não escrito da pregação divina, mas com todo tipo de pedidos importunavam Marcos - de quem se diz que é o Evangelho e que era companheiro de Pedro para que lhes deixasse também um memorial escrito da doutrina que de viva voz lhes era transmitida, e não o deixaram em paz até que o homem o tivesse terminado, e desta forma tornaram-se a causa do texto chamado Evangelho de Marcos. Dizem que este Marcos foi o primeiro a ser enviado ao Egito, e que ali pregou o Evangelho que ele havia posto por escrito e fundou igrejas, começando pela de Alexandria.John Foxe no Livro dos mártires nos diz sobre seu martírio: Marcos, o evangelista e primeiro bispo de Alexandria, pregou o evangelho no Egito e lá, amarrado e arrastado para a fogueira, foi queimado e depois sepultado num lugar chamado ‘Bucolus’, sob o imperador Trajano.
O segundo cooperador é Aristarco, um macedônio de Tessalônica (Atos 19.29; 27.2), provavelmente de origem judaica (Colossenses 4.10-11), que acompanhou Paulo em sua terceira viagem missionária. Em Éfeso, ele foi arrastado para o teatro na confusão dos artesãos da prata (Atos 19.29). De lá ele partiu com Paulo da Macedônia para a Grécia (Atos 20.2), e com outros velejou diretamente para Trôade onde esperou a chegada de Paulo que seguiu pelo caminho de Filipos (Atos 20.3-6). Aristarco também velejou com Paulo para Roma para o julgamento (Atos 27.2), e evidentemente compartilhou seu aprisionamento (Colossenses 4.10). De acordo com a tradição ele foi martirizado sob o governo de Nero.
O Terceiro cooperador é Demas. Ele é mencionado apenas três vezes no Novo Testamento (Aqui e em Colossenses 4.14; 2 Timóteo 4.10). Esta pode ser uma forma encurtada de Demétrio. Ele era um crente, e estava evidentemente com Paulo quando escreveu Colossenses e Filemom. Mais tarde, quando escreveu 2 Timóteo, Paulo registra o fato desolador deque Demas o havia abandonado: “Porque Demas me desamparou, amando o presente século, e foi para Tessalônica” (2 Timóteo 4:10).
O último cooperador é Lucas, que significa luminoso. Ele é um dos evangelistas literários e o único escritor gentio do Novo Testamento. Era Médico: “Saúda-vos Lucas, o médico amado, e Demas” (Colossenses 4:14). É considerado o primeiro historiador da Igreja cristã escreveu também o livro de Atos que (alguns historiadores classificam como um único livro chamando de Lucas-Atos). A tradição diz que Lucas era de Antioquia da Síria, gentio, esta cidade era a base missionária de Paulo (Atos 13.1-3). A amizade com Paulo era tão profunda, que até mesmo quando muitos o havia abandonado, ele permanecia ao lado do Apostolo: “Bem sabes isto, que os que estão na Ásia todos se apartaram de mim; entre os quais foram Figelo e Hermógenes”(2 Timóteo 1.15); “Só Lucas está comigo. Toma Marcos, e traze-o contigo, porque me é muito útil para o ministério” (2 Timoteo 4.11).
“... meus cooperadores.”
“Cooperador” é um termo usado nas epístolas paulinas também em Colossenses 4:11: “são estes unicamente os meus cooperadores no reino de Deus; e para mim têm sido consolação”, aplicado de modo geral a várias das pessoas. Em 1 Tessalonicenses 3:2, alude a Timóteo; em Filipenses 4:3 fala sobre um a certa mulher, cujo nome não é dado, e sobre Clemente; em Romanos. 16:3, refere-se a Priscila e Aqúila; e: em Romanos 16:9 fala também acerca de outras pessoas.
O próprio Filemom, no primeiro versículo desta epístola, é assim denominado. Paulo queria indicar com essa palavra a todos quantos trabalhavam juntamente com ele, pela mesma causa do evangelho, sem importar se costumavam viajar ou não em sua companhia, e sem importar se o conheciam pessoalmente ou não. Estas alusões aos cooperadores de Paulo são importantes para demonstrarem o quanto Paulo respeitava o princípio da colegialidade na missão cristã. Em Atos os nomes dos homens que estão com Paulo aparecem mais como os de companheiros de viagem do que como de colegas.
DEIVY FERREIRA
PANIAGO JUNIOR
4/5/2026
FONTES:
CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.
PFEIFFER, Charles F.; REA, VOS, Howard F.; REA, John.Dicionário Bíblico Wycliffe. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
JOSEFO, F. História dos hebreus. 8. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
FOXE, John. O livro dos mártires. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.
MARTIN, Ralph P. Colossenses e Filemom – Introdução e Comentário. São Paulo: Mundo Cristão, 1984
