Romanos 8:15 “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai.”
“Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor,”
Uma vez vencida a carne e mortificadas as obras do corpo pelo Espírito (v.13), o pecador é restaurado da escravidão “porque não recebestes o espírito da escravidão”, e é conduzido ao direito adotivo de ser chamado “filho de Deus” (João 1.12). Esse versículo apresenta duas expressões singulares: “ o espírito de escravidão” e “ espírito de adoção” que são opostas. Era a diferença entre cativeiro e liberdade, entre tremer de medo e confiar, entre ver Deus como um punidor e vê-lO como Pai.
Os que estão sob o domínio do “espírito de escravidão” vivem em temor, medo, dúvida e prisão. Os leitores originais de Paulo entendiam melhor do que nós a diferença entre escravidão e filiação. Se havia uma coisa que definia a relação de um escravo com seu senhor, era o medo; por isso Paulo disse que “não recebemos o espírito de escravidão, para vivermos, outra vez, atemorizados”.
“... mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai.”
Paulo esclarece “recebemos o espírito de adoção [como filhos]”! Não somos escravos que tremem ao se aproximarem do seu Senhor; somos filhos que se sentem confortáveis na presença do Pai. Em 1 Coríntios 2:12 Paulo escreveu: "Nós não temos recebido o espírito do mundo, e, sim, o Espírito que vem de Deus"; em 2 Timóteo 1:7: "Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação." "Eis aí uma bela cadeia de versículos que refletem experiência, todos amoldados na mesma forma, construídos segundo o mesmo modelo, primeiro com os elementos negativos, depois com os positivos; de um lado, escravidão, mundanismo e medo; de outro lado, filiação, dons espirituais, poder e amor."
"O Espírito de adoção" ou de filiação é, em outras palavras, o Espírito que torna os crentes filhos de Deus e os capacita a chamarem a Deus seu Pai. Adoção” vem de huiothesia, um termo composto por huios (“filho”) e thesis (“um lugar”). Refere-se a uma pessoa receber o lugar, posição e privilégio de um filho, mesmo que esse indivíduo não tenha parentesco com seus pais por nascimento. Pelo que se sabe, a adoção não era praticada entre os judeus, mas era comum em outras sociedades.
F. F. Bruce escreveu que no mundo romano do primeiro século “um filho adotivo era um filho escolhido por seu pai para perpetuar o seu nome e herdar seus bens”. Sua condição não era nem um pouco inferior à de um filho segundo as leis comuns da natureza, e bem podia desfrutar da afeição paterna o mais completamente e reproduzir o mais dignamente a personalidade do pai. Dizem que Deus só tem um Filho “natural” e que os demais são filhos por adoção.
Porque fomos assim abençoados, “clamamos: Aba, Pai” . “Aba” é um vocábulo aramaico que significa “pai”, mas é mais do que isso. É uma palavra usada por crianças para chamar o “pai” semelhante a “papai”. A maioria dos judeus não usava essa palavra íntima para se reportar a Deus, mas Jesus a usou. No Jardim do Getsêmani, Ele rogou: “Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e sim o que tu queres” (Marcos 14:36). Os que estão sob o domínio do “espírito de adoção” estão capacitados a orarem com intimidade e a dizerem a Deus: “ Abba, Pai”.
DEIVY FERREIRA
PANIAGO JUNIOR
5/2/2026
FONTES:
BAPTISTA, Douglas. A Santíssima Trindade - O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.
CABRAL, Elienai. Romanos – O evangelho da justiça de Deus. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus. 1986.
BRUCE, F.F. Romanos, Introdução e Comentário. Mundo Cristão, 1979.
http://www.biblecourses.com/Portuguese/Po_lessons/Po_200902_02.pdf
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