quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Gálatas 4.6

Gálatas  4.6 “E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai.”

 

“E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho,”

Uma vez que recebemos a adoção por meio de Cristo nos tornamos filhos de Deus. A palavra traduzida como adoção é um termo técnico jurídico. Receber a filiação é, pois como ocupar o posto de um filho adotivo. A nova posição do homem, a de não ser mais escravo da lei do mundo, acontece a partir do momento em que aceita a Cristo como filho.

A frase “o Espírito de seu Filho” é relevante por ser usada somente aqui no Novo Testamento, embora “Espírito de Cristo” ocorra em Romanos 8:9. Nota-se neste contexto as atividades do Pai, do Filho e do Espírito Santo são mencionadas em conjunto. Houve, portanto, um duplo envio da parte de Deus Pai. Primeiro, Deus enviou o seu Filho ao mundo; segundo, ele enviou o seu Espírito aos nossos corações: “o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Romanos 5:5).

A ligação entre a atividade do Espírito e a do Filho fica evidente no ensino do próprio Jesus, quando declara acerca do Espírito da verdade que “não falará por si mesmo . . . Ele me glorificará porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar” (João 16:13,14).

 

“... que clama: Aba, Pai.”

O ato de possuir o Espírito do Filho se exterioriza no clamor do próprio Espírito. A palavra krázo designa o grito do orador. Aqui tem o sentido de uma oração pública que proclama no sentido concreto. Esse clamor é: “Aba, Pai”. Como também diz na passagem paralela de Romanos 8:15,16, quando “ clamamos: Aba, Pai!” é “ o próprio Espírito (que) testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.

“Aba” é um vocábulo aramaico que significa “pai”, mas é mais do que isso. É uma palavra usada por crianças para chamar o “pai” semelhante a “papai”. . J. B. Phillips a traduz assim: “ Pai, meu Pai” . A maioria dos judeus não usava essa palavra íntima para se reportar a Deus, mas Jesus a usou. No Jardim do Getsêmani, Ele rogou: “Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e sim o que tu queres” (Marcos 14:36). Os que estão sob o domínio do “espírito de adoção” estão capacitados a orarem com intimidade e a dizerem a Deus: “ Abba, Pai”.

O propósito de Deus, portanto, não foi apenas garantir a nossa filiação através do seu Filho, mas dar-nos a certeza dela através do seu Espírito. Ele enviou o seu Filho para que tivéssemos o status da filiação, e enviou o seu Espírito para que tivéssemos uma experiência dela. Isso vem através da intimidade carinhosa e confidencial de nosso acesso a Deus em oração, na qual descobrimo-nos assumindo a atitude e usando a linguagem, não de escravos, mas de filhos.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
5/2/2026

FONTES:

BAPTISTA, Douglas. A Santíssima Trindade - O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

GERMANO, Altair. Gálatas - Comentário. Rio de Janeiro, CPAD, 2009.

GUTHRIE, Gálatas: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1999.

STOTT, John. A mensagem de gálatas. São Paulo: ABU, 2000.

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