sábado, 17 de dezembro de 2022

LIÇÃO 12 - Imersos no Espírito nos Últimos Dias - 4 Trimestre de 2022.

TEXTO AURÉO “Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre. ” (João 7:38)

A celebração era a Festa das Cabanas, ou dos Tabernáculos (João 7:2). A Festa das Cabanas acontecia no fim de setembro ou começo de outubro. Era uma das três maiores festas dos judeus, ocasião em que os homens judeus vinham de todas as partes do mundo a Jerusalém. A celebração não durava apenas um dia, mas uma semana inteira. Na época do Senhor, haviam acrescentado um oitavo dia: um sábado solene. Assim como as demais festas judaicas, a das cabanas tinha aspectos relevantes para o povo. Primeiramente estava a sua importância histórica: era um memorial dos dias em que seus ancestrais peregrinaram pelo deserto (Levítico 23:43). Durante as festividades, os judeus habitavam em cabanas—estruturas provisórias feitas manualmente com galhos e folhas de palmeiras (Levítico 23:40) . Essas estruturas eram armadas nas ruas, nos telhados das casas, na área ao redor do templo e nas colinas que cercavam Jerusalém. Pais e filhos, mães e filhas, avós—todos habitavam dentro dessas cabanas. Durante uma semana, eles dormiam, comiam, oravam e estudavam ali, enquanto comemoravam como Deus providenciou tudo para o Seu povo durante quarenta anos de peregrinação. A festa não celebrava apenas a provisão de Deus no passado, mas também celebrava Sua provisão no presente. Tinha uma importância agrícola: era uma festa das colheitas após as principais safras—cevada, trigo e uvas. O povo agradecia a Deus pela colheita abundante e pedia que abençoasse as safras do ano seguinte. Um aspecto central da festa era o ritual da água realizado diariamente. No começo de cada dia, sacerdotes vestidos de branco conduziam uma procissão de celebrantes que descia do templo até o tanque de Silóe, um reservatório alimentado pelas águas do manancial de Giom. Essa era a principal fonte de água da cidade, a fonte de água potável. Quando eles chegavam ao tanque, um dos sacerdotes levantava um jarro de ouro reluzente e o afundava no tanque, enchendo-o de água. Nisto, o povo exclamava: “Nós, com alegria, tiramos água das fontes da salvação! ” (veja Isaías 12:3). O sacerdote então conduzia a procissão de volta ao templo, segurando o jarro acima da cabeça. Acompanhando-o, a multidão recitava Salmos 113 a 118, terminando com: “Oh! Salva-nos, Senhor, nós te pedimos; oh! Senhor, concede-nos prosperidade!… Rendei graças ao Senhor, porque ele é bom, porque a sua misericórdia dura para sempre” (Salmos 118:25, 29). Ao se aproximarem da Porta das Águas no sul do pátio interno, eram saudados com três rajadas de trombetas. A cerimônia celebrava a provisão divina de água no deserto, quando saiu água de uma rocha (Êxodo 1711; Números 20; veja Deuteronômio 8:15; Salmos 105:41). E também reconhecia a necessidade desesperadora da nação por água. Aquela região recebia, quando muito, poucas chuvas de maio a outubro. Se as chuvas não viessem logo depois da festa, não haveria colheitas no ano seguinte. No meio dessa exuberante celebração, Jesus levantou-se e exclamou (v. 37a). O fato de Jesus levantar-se é significativo; Ele geralmente Se sentava para ensinar (veja João 8:2). O fato de Jesus exclamar é notável; só em algumas ocasiões se diz que Ele levantou a voz ao ensinar.

“Quem crê em mim, como diz a Escritura, “ Ele faz essa declaração depois de insistir para que os que tivessem sede fossem até Ele. Onde exatamente a Escritura diz isto? No contexto do livro de Zacarias ficamos sabendo que “correrão de Jerusalém águas vivas" (Zacarias 14.8). Ezequiel, que dá mais detalhes sobre estas águas, acrescenta que “tudo viverá por onde quer que passe este rio” (Ezequiel 47.9). O cumprimento desta profecia e de outras semelhantes (veja Joel 3.18, Isaías 33.21) não deve ser procurado nos planos do século vinte de construir-se um canal através do território de Israel para competir com o Canal de Suez ou outra coisa deste tipo; para todos os que lêem a descrição de João está claro que ele está falando “rio da água da vida, brilhante como cristal, que sai do trono de Deus e do Cordeiro” (Apocalipse 22.1). As águas vivas saem de Jerusalém terrena; elas saem da morada de Deus em vidas que lhe são consagradas, em corações crentes onde Cristo habita. E para que ninguém entenda mal o que Jesus quer dizer, o evangelista acrescenta uma observação explícita, para orientar seus leitores: Isto ele disse com respeito ao Espírito.

“...rios de água viva correrão do seu ventre. ” Anteriormente, Ele dissera à mulher no poço de Samaria: “Se conheceras o dom de Deus e quem é o que te pede: dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva” (João 4:10). Água viva é a essência da vida; é ela que satisfaz a alma. Cristo disse à samaritana: “Aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” (João 4:14). A água viva é um antegozo da alegria que haverá no céu (Apocalipse 7:17; 21:6; 22:1, 17). A palavra “rios” realça a abundância de bênçãos oferecidas por Cristo. Ele disse que veio “para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10:10). Segundo o apóstolo João, Jesus tinha em mente uma bênção particular oferecida pelo Senhor: o dom do Espírito Santo. Após citar Cristo dizendo: “dele fluirão rios de água viva” (João 7:38), o apóstolo inseriu esta explicação inspirada: “Isto ele disse com respeito ao Espírito21 que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado” (v. 39).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
17/12/2022

Fontes:

SOARES, Esequias e Daniele. A Justiça Divina – A preparação do povo de Deus para os últimos dias no Livro de Ezequiel. Rio de Janeiro: CPAD 2022.

http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_200707_07.pdf

BRUCE, F.F. João – Introdução e comentário – Série Cultura Bíblica. São Paulo: Mundo cristão, 1987.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

LIÇÃO 11 - A Visão do Templo e o Milênio – 4 Trimestre de 2022.

TEXTO ÁUREO “E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória. ” (Isaías 6.3)

“E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o SENHOR dos Exércitos; ” Os seres que clamavam era chamados Serafins. O nome serafim, significa “os ardentes”, pode indicar a pureza de tal ser. Eles refletiam o brilho deslumbrante da glória de Deus em tão elevado grau que pareciam estar em chamas. Eles não são chamados anjos, e Isaías viu as faces, mãos e pés deles. Mas eles também tinham asas: duas que cobriam continuamente a face para indicar a indignidade deles em olhar para Deus ou inquirir nos seus segredos divinos, duas cobrindo os pés e a parte mais inferior do corpo para indicar humildade e reverência, e duas prontas para o vôo imediato e ininterrupto para fazer a vontade de Deus. Nós não somos informados de quantos serafins havia, mas deveria ter sido vários. Eles se mantinham clamando uns para os outros: “Santo, Santo, Santo é o SENHOR dos Exércitos”. A repetição tripla de “Santo” dá ênfase suprema à santidade como a central e mais essencial característica do SENHOR. “Santo” tem o significado básico de ser separado. Ele é separado do pecado e do mal. Ele é transcendente sobre o seu universo e separado deste. (Isto não deixa nenhum espaço para o conceito de panteísmo.) Mas Ele também tem se separado de um modo positivo — para levar a cabo o seu plano divino e propósito de redenção e restauração, que no final das contas conduzirá a um novo céu e uma nova terra. Também é possível que o triplo “Santo” reflita a Trindade. Os serafins seguramente teriam sabido e teriam entendido que há uma Trindade. João 12.41 fala a respeito de Isaías vendo a glória de Jesus. Certamente a Trindade estava presente na visão de Isaías, embora o conceito jamais fosse completamente revelado no Velho Testamento.

“...toda a terra está cheia da sua glória. ” Os serafins proclamam que agora a sua glória, incluindo a manifestação do seu poder e a sua natureza santa, enche toda a terra. Isaías é um livro escatológico, pois aponta para várias características somente possíveis no Reino messiânico, onde o descendente de Davi se assentará perpetuamente no trono. A glória do Senhor invadirá toda terra (Isaías 62.2), toda a terra desejará ver essa glória (Isaías 66.18-19), e a glória do Senhor será manifestada em todo o seu povo (Isaías 61.3). Essa glória futura será um evento escatológico ainda por acontecer, mas também já é presente através do Reino de Deus que já está entre nós pela obra redentora de Cristo, tendo como um dos seus sinais a Igreja de Cristo e todas as iniciativas que manifestam a glória de Deus através da luta pela justiça, equidade e paz. Se investirmos tempo em nossa comunhão com Deus e nosso relacionamento com nosso próximo, servindo-o em amor, teremos a oportunidade de viver um pouco, enquanto ainda estivermos na terra, do que será a glória futura.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
07/12/2022

Fontes:

SOARES, Esequias e Daniele. A Justiça Divina – A preparação do povo de Deus para os últimos dias no Livro de Ezequiel. Rio de Janeiro: CPAD 2022.

HORTON, Stanley. Isaías o Profeta messiânico. Rio de Janeiro: CPAD 2003.

POMMERENING, Claiton Ivan. Isaias, eis-me aqui, envia-me a mim. Rio de Janeiro: CPAD 2016.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

LIÇÃO 10 - A Restauração nacional e espiritual de Israel – 4 Trimestre de 2022.

TEXTO ÁUREO “E, assim, todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sido virá o Libertador, e desviará de Jacó as impiedades. ” (Romanos 11.26)

O verso 25 é indispensável para entendermos o 26, ele nos diz acerca de um mistério: “que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado. “ Entende-se que o endurecimento de Israel quanto a Cristo é parcial e temporal, a fim de que os gentios tenham o conhecimento da verdade. Ora, se a graça salvadora é capaz de alcançar os gentios pagãos, por que não alcançaria também os judeus? Pois bem, se o “ endurecimento de Israel” é temporal e parcial, pergunta-se: “ Por quanto tempo? - A resposta está na própria escritura de Paulo que diz: ...ate que a plenitude dos gentios haja entrado”. Significa dizer que até que se cumpra o tempo de Deus para a salvação dos gentios, o endurecimento de Israel perdurará. - Que é a “ plenitude dos gentios”? - Diz respeito à complementação total da medida de Deus. Esta expressão tem sentido espiritual, pois quando se complementar essa medida de Deus na vida dos gentios, então Deus se voltará para Israel para concluir seu pacto (Atos 15.14-17) Não se pode confundir a “ plenitude dos gentios” com o “ tempo dos gentios” de Lucas 21.24, que se refere a um tempo específico no período da Grande Tribulação, quando o Anticristo governará a terra. Entretanto, a “ plenitude dos gentios” refere-se à Dispensação da Graça, quando os gentios estão tendo a oportunidade de obterem a graça salvadora em Cristo Jesus.

“E, assim, todo o Israel será salvo, ” “Todo o Israel” é o Israel como um todo, ou seja, não apenas o remanescente de Israel, mas os demais também — os ramos que foram cortados (Romanos 11.17). Alguns comentaristas interpretam a expressão “ ...todo o Israel será salvo” como se referindo ao Israel espiritual, que não é segundo a came, mas segundo o espírito. Entretanto, não podemos concordar com essa teoria, visto que toda a profecia relativa ao Israel futuro diz respeito à restauração nacional e religiosa de Israel como povo, sobre o qual Jesus governará no seu reino milenar. Israel espera o seu libertador, o glorioso Messias que não foi reconhecido na sua primeira vinda. Essa vinda futura do Messias significa a salvação de todo o Israel (Zacarias 12.2,3,8-10; 13.8,9; 14.2-4).

“...como está escrito: De Sião virá o Libertador, e desviará de Jacó as impiedades. ” Esse versículo só tem sentido dentro de um contexto escatológico futuro. Esse fato é claramente demonstrado por Paulo quando ele afirma que a vinda do Messias Libertador acontecerá somente após haver se cumprido a plenitude dos gentios. A citação nos versículos 26 e 27 combina Isaías 59-20,21 com uma frase de Isaías 27.9 (“quando eu tirar os seus pecados”). A modificação nesta citação, a qual é bem parecida com alguns manuscritos da LXX, é que em Romanos 11.27 o Libertador virá de Sião, ao passo que no texto hebraico de Isaías 59.20, Ele entra em Sião. Esta pode ser tentativa em reforçar o ponto abordado no início de toda desta discussão em Romanos 9.5, que aquele a quem os judeus rejeitavam era um do seu povo. Mas Paulo dá a garantia de que virá o dia em que eles perceberão que Jesus é Messias. Naquele momento, o Senhor completará a relação baseada no concerto feito com os judeus, o qual foi estabelecido com os patriarcas (Romanos 11.28,29), perdoando-lhes os seus pecados (v. 27).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
07/12/2022

Fontes:

SOARES, Esequias e Daniele. A Justiça Divina – A preparação do povo de Deus para os últimos dias no Livro de Ezequiel. Rio de Janeiro: CPAD 2022.

GONÇALVES, José. Maravilhosa Graça. Rio de Janeiro: CPAD 2016.

CABRAL, Elienai. Romanos – O evangelho da Justiça de Deus. Rio de Janeiro: CPAD 2005.

ARRINGTON French L; STRONSTADRoger. Comentário Bíblico Pentecostal – Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.


 

segunda-feira, 21 de novembro de 2022

LIÇÃO 9 - Gogue e Magogue: Um Dia De Juízo – 4 Trimestre de 2022.


TEXTO ÁUREO “E sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar para as ajuntar em batalha. ” (Apocalipse 20.8)

Passados o milênio "Satanás será solto". Porque isto tem de acontecer, só podemos conjeturar. Talvez para que a justiça de Deus seja firmemente vindicada. Poderia alguém perguntar, por exemplo, onde está a justiça divina ao mandar pessoas ao lago de fogo sem que estas hajam avaliado o que realmente perderam. Alguém poderia alegar ainda: Com certeza se o povo soubesse quão maravilhoso seria o reino de Cristo, todos o teriam aceitado.

 “E sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra, “ Como o grande enganador e pai da mentira, Satanás ironicamente engana-se a si mesmo ao achar-se suficientemente forte para derrotar a Deus. É-lhe, pois, permitido sair da prisão para enganar os que se exaltam a si mesmos, e desprezam o reino de Cristo. “As nações” são descritas como estando “nos quatro cantos da terra”. Essa terminologia nada tem a ver com distância, mas com universalidade. “Quatro” é o número da humanidade. A expressão “quatro cantos da terra” indica simplesmente “do mundo inteiro”. O propósito de Satanás em seduzir as nações era “reuni-las para a peleja” (v. 8c). Esta é a mesma peleja sobre a qual lemos em 16:14–16 e 19:1919—a “batalha” decisiva e final entre o bem e o mal. Esta será a última rebelião do diabo. Seus seguidores o acompanharão na derrota final. Nunca mais haverá rebelião contra Deus! Seu amor jamais será contestado.

 “Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar para as ajuntar em batalha. ” As nações rebeladas são aqui identificadas como Gogue e Magogue. Tais nomes são emprestados a Ezequiel 38 e 39. Esta batalha, contudo, será bem diferente. É uma simples comparação para mostrar que os tais agem exatamente como os povos que seguiram a Gogue e Magogue. Esse nomes soam agourentos aos nossos ouvidos, mas eram familiares aos cristãos do primeiro século que os conheciam. Gogue e Magogue eram nomes “gravados… profundamente, senão misteriosamente, no pensamento judaico”. Magogue foi um dos filhos de Jafé (Gênesis 10:2; 1 Cronicas 1:5). Evidentemente, a descendência de Magogue tornou-se uma nação, e “Magogue” veio a ser o nome da terra deles (Ezequiel 38:2; 39:6). “Gogue” era o nome de um filho de Joel (1 Crônicas 5:4). Por razões não evidentes a nós, o profeta Ezequiel apropriou-se dos dois termos e usou Magogue como símbolo de tropas armadas contra Israel, denominando seu chefe por “Gogue” (Ezequiel 38:2). O fim do versículo 8 diz que “o número” das tropas reunidas por Satanás era “como a areia do mar” (v. 8d). À medida que a passagem caminha para um clímax, somos levados a imaginar o exército mais numeroso possível. Esse gigantesco exército “marchou, então, pela superfície da terra” (v. 9a).

Quando as tropas do diabo estavam posicionadas para desferir um golpe devastador, o que aconteceu? “Desceu, porém, fogo do céu e os consumiu” (v. 9c). Alguns manuscritos antigos contêm “fogo de Deus, do céu”. Embora esta não seja provavelmente a leitura original, ela expressa a idéia correta. Deus fez chover fogo sobre Sodoma e Gomorra (Gênesis 19:24), Ele usou fogo para castigar Nadabe e Abiú (Levítico 10:1, 2) e prometeu mandar fogo sobre o Magogue de Ezequiel (Ezequiel 39:6). Da mesma forma, um dia o Senhor virá “em chama de fogo, tomando vingança” (2 Tessalonicenses 1:7, 8).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
21/11/2022

Fontes:

SOARES, Esequias e Daniele. A Justiça Divina – A preparação do povo de Deus para os últimos dias no Livro de Ezequiel. Rio de Janeiro: CPAD 2022.

HORTON, S. M. Apocalipse: As coisas que brevemente devem acontecer. 2.ed., Rio de JaneiroCPAD,. 2001

http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_200610_02.pdf

sábado, 19 de novembro de 2022

LIÇÃO 8 – O Bom Pastor e os pastores infiéis – 4 Trimestre de 2022.


TEXTO ÁUREO “Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas. ” (João 10.11)

As Escrituras revelam Deus como pastor do seu povo, mas isso se aplica também aos líderes, reis em Israel, como Moisés e Davi, e governantes na atualidade. Um bom rei era um bom pastor; um mau rei era um pastor ruim. O profeta Ezequiel compara os líderes e governantes de Israel a pastores. Depois de mostrar como os governantes tinham falhado em seu papel com a nação, o oráculo demonstra o cuidado de Deus com seu povo. Por meio de uma aliança de paz, Javé substituiria esses pastores por um novo príncipe, este já apontando para o Bom Pastor (João 10.11), Jesus.

“Eu sou o bom Pastor; “ O quadro caótico dos líderes da nação judaica não dizia respeito apenas à liderança espiritual de Israel daqueles dias, cujo comportamento hostil com o povo é bem retratado no Evangelho de João. Quando se refere a todos quantos vieram antes dEle (João 10.8), Jesus está denunciando os maus líderes de Israel de todos os tempos, especialmente do período da monarquia, quando a nação teve condutores insensatos e cruéis, incluindo reis, sacerdotes e profetas (Isaías 56.8-12; Ezequiel 22.24-30). Com o fracasso total dos líderes de Israel, o próprio Deus viria, pessoalmente, em busca de suas ovelhas, para reuni-las novamente em seu aprisco (Ezequiel 34.11-23). Jesus agora se apresenta como esse Pastor, o bom e eterno Pastor, que não apenas cuida das ovelhas, mas dá sua vida por elas (João 10.11). A vinda dele havia sido profetizada no Antigo Testamento. Ele seria um pastor, Isaías 40.11; Ezequiel 34.23; 37.24; Zacarias 1-3.7. No Novo Testamento, Ele é mencionado como o Grande Pastor (Hebreus 13.20), o Sumo Pastor (1 Pedro 5.4), o Pastor e Bispo das nossas almas (1 Pedro 2.25). A palavra pastor vem do latim, pastor, com o significado de “aquele que guarda as ovelhas”, “o que cuida das ovelhas”. Na língua original do Novo Testamento, pastor (gr. poimen), de acordo com Vine, é “… aquele que cuida de rebanhos (não meramente aquele que os alimenta), é usado metaforicamente acerca dos ‘pastores’ cristãos (Efésios 4.11) ”. Deus, nosso grande dono, de cuja pastagem nós somos as ovelhas, desde a criação constituiu seu Filho Jesus para ser nosso Pastor, e Ele reconhece esta relação por repetidas vezes. Ele tem, pela sua igreja, e por todos os crentes, todo o cuidado que um bom pastor tem pelo seu rebanho. E Ele espera a presença e a obediência de toda a igreja, e de cada crente em particular, assim como ocorria com os pastores e seus rebanhos naquelas regiões.

“...o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas. ” Embora Sua morte na cruz não fosse registrada nos próximos nove capítulos do livro, Jesus já estava contando aos discípulos o que a cruz significaria. Sendo o Bom Pastor, Ele estava disposto e pronto para dar a vida pelas ovelhas. Nesta breve seção, Ele enfatiza por cinco vezes que Sua morte não seria algo fora do Seu controle. Quando Ele morresse, seria porque Ele escolheu dar a Sua vida! 
…o bom pastor dá a vida pelas ovelhas (10:11).
…e dou a minha vida pelas ovelhas (10:15).
…eu dou a minha vida para a reassumir (10:17).
Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou (10:18a).
Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la (10:18b).

Dar a própria vida é o último e maior gesto do bom pastor. Trabalhar só por dinheiro não demonstra essa lealdade e sacrifício. Quando surgem as dificuldades, eles se escondem, se esquecem das ovelhas. Davi (que mais tarde tornou-se rei de Israel) foi pastor na juventude. Nessa ocupação ele aprendeu muito sobre vida, liderança e Deus. Em especial, aprendeu o que significava ser um bom pastor. Quando se ofereceu para lutar com o gigante filisteu, Golias, Davi disse a Saul: Teu servo apascentava as ovelhas de seu pai; quando veio um leão ou um urso e tomou um cordeiro do rebanho, eu saí após ele, e o feri, e livrei o cordeiro da sua boca; levantando-se ele contra mim, agarrei-o pela barba, e o feri, e o matei. O teu servo matou tanto o leão como o urso; este incircunciso filisteu será como um deles… (1 Samuel 17:34–36). O futuro rei de Israel havia provado para si mesmo que era um pastor fiel e bom para suas ovelhas; mais tarde ele demonstraria ser um pastor fiel liderando o povo de Deus. Jesus, frequentemente chamado “Filho de Davi” nos Evangelhos, era e é o Bom Pastor. Ele era tão comprometido com o zelo e bem-estar das ovelhas confiadas aos Seus cuidados (você e eu) que deu a Sua vida por nós, assim como Davi fez por seu rebanho. Falando como o Bom Pastor, Jesus deixou claro que Ele iria para a cruz “espontaneamente” (10:18). Judas, os principais sacerdotes, Pilatos e as multidões, todos contribuíram para a crucificação de Jesus, mas não sabiam que tal atrocidade só poderia acontecer porque Jesus estava disposto a dar a vida por Suas ovelhas. Ele é o Bom Pastor!


DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
19/11/2022

Fontes:

SOARES, Esequias e Daniele. A Justiça Divina – A preparação do povo de Deus para os últimos dias no Livro de Ezequiel. Rio de Janeiro: CPAD 2022.

HENRY, Matthew. Comentário Bíblico – Evangelhos. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

VINE, W. E.; UNGLER, M. F.; WHITE, W. Dicionário Vine. Rio de Janeiro: CPAD, 2002

http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_200407_06.pdf

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

LIÇÃO 7 - A Responsabilidade É Individual – 4 Trimestre de 2022.


TEXTO ÁUREO “A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a maldade do pai, nem o pai levará a maldade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele, e a impiedade do ímpio cairá sobre ele. ” (Ezequiel 18.20)

Ezequiel 18:2,3 Que pensais, vós, os que usais esta parábola sobre a terra de Israel, dizendo: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram? Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que nunca mais direis esta parábola em Israel. Esse oráculo é uma resposta a uma máxima popular equivocada proveniente de Jerusalém, mas que dominava o pensamento dos exilados em Babilônia. Eles diziam que estavam sendo punidos por causa dos pecados de seus antepassados. Era um questionamento sobre a justiça de Deus e por isso eles não acreditavam nas profecias de Jeremias e Ezequiel sobre a destruição da cidade e do templo, visto ser Javé um Deus justo. O discurso do Profeta refuta esse ditado e reafirma um princípio que vem desde Moisés, de que a responsabilidade é individual: “Os pais não serão mortos por causa dos filhos, nem os filhos serão mortos por causa dos pais; cada um será morto pelo seu próprio pecado” (Dt 24.16). Esse provérbio era, na verdade, uma desculpa do povo para alegar injustiça divina pelo castigo de Israel. Essa antítese contraria a realidade, pois Deus retribui e pune os culpados.

“A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a maldade do pai, nem o pai levará a maldade do filho; “ O destinatário original dessa mensagem é o povo de Israel. O profeta Ezequiel fecha com isso a porta fatalista do imaginário popular de Judá e dos exilados de Babilônia. Ele torna claro o pensamento bíblico da responsabilidade individual de maneira textual e direta: “A pessoa que pecar, essa morrerá”. É o princípio moral da lei da semeadura (Oséias 8.7; Gálatas 6.7) Essa ideia está muito clara no capítulo inteiro, e, para não deixar dúvidas, Ezequiel a afirma de maneira direta e a explica com exemplos:

• O pai justo viverá por causa de sua justiça (vv. 5–9).
• O filho injusto morrerá por causa de sua injustiça (vv. 10–13).
• O neto justo viverá por causa de sua justiça (vv. 14–20).
• O homem injusto que decide buscar justiça viverá por causa de sua justiça (vv. 21–23).
• O homem justo que decide buscar a iniquidade morrerá por causa de sua injustiça (vv. 24–29).

Se somente a pessoa que pecar morrerá não há necessidade, nem ensinamento bíblico, de que bebês ou crianças precisam ser batizados para o perdão de pecados. Uma criança não tem pecado e, portanto, não tem necessidade do perdão que o batismo provê (Atos 2:38; 22:16; 1 Pedro 3:21; Marcos 16:15, 16; Mateus 28:18–20). É por isso que todos os exemplos bíblicos de conversão envolvem adultos que eram capazes de crer, se arrepender e fazer a escolha consciente de ser batizado. A criança, que não tem pecado, é incapaz de crer ou se arrepender. Bebês não podem fazer a escolha mental de declarar Jesus como Senhor e serem imersos nas águas do batismo

“...a justiça do justo ficará sobre ele, e a impiedade do ímpio cairá sobre ele. ” As reiteradas explicações e exemplos esclarecem a contento que a lei da responsabilidade individual é justa e está de acordo com os atributos divinos. Javé é justo (Deuteronômio 32.4; Isaias 45.21). Esse atributo é manifesto no castigo do pecador e na premiação do justo: ele “retribuirá a cada um segundo as suas obras” (Romanos 2.6). Esse atributo se harmoniza com a santidade de Deus. A Bíblia declara, com todas as letras, que somente Deus é justo, considerando justiça como atributo, no sentido absoluto de perfeição: “Deus é justo juiz” (Salmo 7.11). Observe-se que a justiça de um fica sobre ele, e a perversidade do outro fica sobre este. Essa fraseologia significa que um indivíduo traz juízo sobre si mesmo pelas escolhas que faz na vida. Deus deseja que todos sejam salvos (18:23, 32). Se Ele deseja a salvação para todos, então, de acordo com a lógica [denominada na Teologia de] calvinista, todos devem ser salvos. Contudo, Deus criou os seres humanos como agentes morais livres. Cada pessoa, no Dia do Juízo, será julgada unicamente pelas escolhas que fez na vida (Eclesiastes 12:13, 14; Romanos 2:6; 2 Coríntios 5:10; Apocalipse 20:11–15).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
09/11/2022

Fontes:

SOARES, Esequias e Daniele. A Justiça Divina – A preparação do povo de Deus para os últimos dias no Livro de Ezequiel. Rio de Janeiro: CPAD 2022.

http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201908_04.pdf

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

LIÇÃO 6 – A Justiça de Deus – 4 Trimestre de 2022.


TEXTO ÁUREO “Com o puro te mostrarás puro; e com o perverso te mostrarás indomável. ” (Salmo 18.26)

“Com o puro te mostrarás puro; “ No versículo 24 Davi Diz: “Daí retribuir-me o Senhor, segundo a minha justiça, conforme a pureza das minhas mãos, na sua presença” (grifo meu). Davi não estava só dizendo que espiritualmente ele era puro, mas também que, aos olhos de Deus, ele era puro e que Deus o considerava puro. Ele não estava se vangloriando de sua perfeição, mas, sim, da graça de Deus. Depois que Deus o perdoou pelo pecado cometido com Bate-Seba e pelos pecados consecutivos, ele escreveu: “Bem-aventurado aquele cuja iniquidade é perdoada, cujo pecado é coberto. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não atribui iniquidade e em cujo espírito não há dolo” (Salmos 32:1, 2). É maravilhoso descobrir que quando nos arrependemos dos nossos pecados e nos voltamos para Deus, Ele nos perdoa, e nos trata como se tais pecados nunca tivessem acontecido! Paulo disse que ele se esforçou para apresentar “todo homem [i.e., cristão] perfeito em Cristo” (Colossenses 1:28). Aos olhos de Deus, podemos estar limpos, perfeitos, irrepreensíveis! Davi concluiu seus pensamentos sobre o perdão com as seguintes palavras: Porque tu salvas o povo humilde, mas os olhos altivos, tu os abates. Porque fazes resplandecer a minha lâmpada; o Senhor, meu Deus, derrama luz nas minhas trevas (vv. 27, 28). Antes de Davi ser perdoado, ele estava na escuridão do desespero e da culpa, mas o Senhor o perdoou e reacendeu a lâmpada de alegria e esperança. O Senhor fará o mesmo por nós desde que tenhamos consciências ternas e um desejo de agradá-lO. Esta é a verdadeira vitória sobre o pecado!

“...e com o perverso te mostrarás indomável. ” O “perverso” ou “os que são maus” refere-se àqueles que se “apartaram perversamente” de Deus. Davi estava dizendo que, espiritualmente falando, no final cada um terá o que lhe é devido. Precisamos tomar cuidado para não nos separarmos de Deus deliberadamente. Deus não nos abandonará, a menos que nós O abandonemos. Pecar “perversamente” refere-se ao “pecado deliberado”. A seriedade do pecado deliberado é destacada em Hebreus 10:26 e 27: “Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários”. Pecar deliberada ou perversamente é pecar persistentemente, alienando-se de Deus e endurecendo o coração. Ocasionalmente, Davi sucumbiu à tentação, como acontece com todos nós, mas ele nunca virou as costas para Deus. A lição para nós consiste em continuarmos tentando. Mesmo quando somos fracos e trôpegos, ainda há esperança, desde que não desistamos. Há uma oração em Levítico 26.21-24, onde Deus diz: “E, se andardes contrariamente [ou perversamente] para comigo [...] eu também convosco andarei contrariamente [ou perversamente, ou rudemente, ou impetuosamente]”. Como se Deus tivesse dito que, da sua parte, a obstinação e teimosia o fariam esquecer-se da habitual paciência e bondade, e o deixaria indiferente ou impetuoso contra os homens. Vemos então o que os teimosos por fim ganham por serem teimosos, ou seja, que Deus se endurece ainda mais para quebrá-los em pedaços. Se forem de pedra, Deus faz com que sintam que Ele tem a dureza do ferro. A tradição judaica dizia que o maná tinha o gosto de acordo com a boca de cada um. Certamente, Deus se mostra individualmente de acordo com o caráter de cada um.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
03/11/2022

Fontes:

SOARES, Esequias e Daniele. A Justiça Divina – A preparação do povo de Deus para os últimos dias no Livro de Ezequiel. Rio de Janeiro: CPAD 2022.

Os Tesouros de Davi - Volume 1

http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_200405_01.pdf

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

LIÇÃO 5 – Contra os Falsos Profetas – 4 Trimestre de 2022.


TEXTO ÁUREO “E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. ” (2 Pedro 2.1)

“E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, “ Os profetas são a voz de Deus na terra. É fato que onde há verdadeiro há também falso, por isso Moisés advertiu o povo sobre o surgimento de falsos profetas mesmo entre os profetas legítimos (Deuteronômio 18.18-22). Profetizar falsamente era crime em Israel sob pena de morte conforme a lei de Moisés (Dt 13.1-5; 18.20-22). Curiosamente os mesmos termos hebraicos nāvî’, “profeta”, rō’eh, e ḥōzeh, “vidente”; usados para os profetas do Deus vivo, ou videntes como Samuel, Natã e Gade (1 Crônicas 29.29), são também aplicados aos falsos profetas. É o contexto que vai diferenciar o verdadeiro e o falso. Jeremias e Ezequiel em particular enfrentaram “falsos profetas”. Jeremias advertiu: “Não deis ouvidos às palavras dos profetas que entre vós profetizam e vos enchem de vãs esperanças; falam as visões do seu coração, não o que vem da boca do Senhor” (Jeremias 23:16). Uma vez que houve “falsos profetas no meio do povo” de Israel, não deveria nos surpreender que houvesse também... falsos mestres entre os primeiros leitores de Pedro.

“...que introduzirão encobertamente heresias de perdição e negarão o Senhor que os resgatou, ” Uma heresia é um ensino falso que causa divisão e corrói a fé cristã. Num sentido, “heresias de perdição” é uma redundância. Uma heresia por natureza é destrutiva. Ela é destrutiva tanto para a igreja como para o mundo que a igreja quer alcançar com a mensagem de Cristo. As doutrinas destrutivas dos “falsos mestres” combatidas por Pedro eram particularmente terríveis. Elas chegavam ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou. Em que sentido elas negavam o Senhor? No capítulo anterior, o apóstolo afirmou que os fatos ocorridos na transfiguração culminaram com uma voz da parte de Deus que disse: “Este é o Meu Filho Amado”. A filiação de Jesus e, consequentemente, Sua divindade, parece ser a questão. Para Pedro, a divindade de Cristo estava fora de discussão. É plausível concluir que os “falsos mestres” negavam a plena divindade, ou talvez a total humanidade, do Senhor; mas não podemos afirmar nada além disso. Resgatar ou redimir são ideias intimamente relacionadas. Foi na pessoa do Filho amado de Deus que Jesus pôde redimir as pessoas do pecado. Ao negar a divindade de Cristo, os “falsos mestres” negavam o Seu poder de resgatá-los ou comprá-los

“...trazendo sobre si mesmos repentina perdição. ” Uma vez que negam a confissão que repousa no âmago da doutrina cristã, esses “falsos mestres” estão trazendo sobre si mesmos repentina destruição. Pedro já qualificara os ensinos deles de “destruidores”. Tais ensinos destroem outros e trazem destruição aos que os defendem. Se os leitores de Pedro seguissem os “falsos mestres”, a implicação é que trariam a mesma “repentina destruição” sobre si mesmos. Pois, ao negarem-no, trazem sobre si mesmos súbita destruição - a perdição eterna no lago de fogo. Embora julguem-se a salvo, não hão de escapar no dia do Juízo Final. As falsos profetas a sentença de Deus pelo profeta Ezequiel foi: “Minha mão será contra os profetas que têm visões falsas e que adivinham mentiras. Não estarão no conselho do meu povo, não serão inscritos nos registros da casa de Israel, nem entrarão na terra de Israel. E vocês saberão que eu sou o Senhor Deus” (Ezequiel 13:9). O emprego antropomórfico da “mão de Javé” para o julgamento é frequente em Ezequiel (6.14; 14.9, 13; 16.27; 25.7, 13, 16; 35.3). Essa expressão aparece também em Isaías (Isaías 5.25; 10.4). Usando tal expressão, Deus anuncia três tipos de punição: Não estarão no conselho do meu povo, não serão inscritos nos registros da casa de Israel, nem entrarão na terra de Israel.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
28/10/2022

Fontes:

SOARES, Esequias e Daniele. A Justiça Divina – A preparação do povo de Deus para os últimos dias no Livro de Ezequiel. Rio de Janeiro: CPAD 2022.

HORTON, Stanley. I e II Pedro – A razão da nossa Esperança. Rio de Janeiro: CPAD 2012.

http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201412_04.pdf

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

LIÇÃO 4 – Quando se vai à Glória de Deus – 4 Trimestre de 2022.


TEXTO ÁUREO “E a glória do SENHOR se alçou desde o meio da cidade e se pôs sobre o monte que está ao oriente da cidade. ” (Ezequiel 11.23)

A glória de Deus baixou do céu à terra primeiramente no tabernáculo, no dia de sua dedicação. Depois disso, essa cena se repetiu por ocasião da inauguração do templo de Jerusalém pelo rei Salomão. Ela representava a presença de Javé no templo. Quando Deus mandou Moisés construir o tabernáculo, explicou a razão dessa ordem: “E me farão um santuário, e habitarei no meio deles” (Êxodo 25.8). Essa presença não era incondicional, o povo tinha compromissos, a aliança feita no Sinai, mas esse pacto havia sido violado. Os capítulos 8 a 11 descrevem a segunda visão de Ezequiel. No capítulo 8, o foco foi a denúncia das abominações que estavam ocorrendo no templo, violando, assim, a santidade de Deus. O capítulo 9 mostra o julgamento divino como resposta a essas abominações, e o 10 evidencia como a glória de Deus aos poucos começar a se deslocar, até que, finalmente, no capítulo 11, ela se retira por completo de Jerusalém.

 “E a glória do SENHOR se alçou desde o meio da cidade “ A palavra “glória” traduz o termo kavod, do hebraico. Conforme o léxico de Baumgartner, seu sentido não teológico pode ser “peso, riqueza, glória, honra”. No seu uso teológico, pode significar “a glória dada a Javé, a glória de Javé ou a manifestação de Javé”. Nas visões de Ezequiel, “glória” indica o resplendor pela presença do Senhor (Ezequiel 1.28; 3.12, 23; 8.4; 9.3; 10.4, 18-19; 11.22-23; 39.21; 43.2, 4-5; 44.4). Essa é a descrição feita pelo próprio profeta (1.26-28; 8.2). O vocábulo hebraico shekhinah, embora usado com frequência entre os crentes como “glória”, não aparece na Bíblia. A palavra pertence ao chamado hebraico talmúdico e significa “morada em”, comumente usada entre os judeus para “presença de Deus”, e, às vezes, para se referir ao próprio Deus. O Talmude é uma antiga literatura religiosa dos judeus identificada nos evangelhos como “tradição dos anciãos” porque, naqueles dias, esses preceitos eram orais e só foram codificados a partir do século 5 d.C. Os rabinos a associam ao Espírito de Deus, porque o Talmude diz: “A Shekhinah do Senhor nunca se afastará desse lugar” (uma referência ao Muro das Lamentações). Essa retirada da Glória do Senhor aconteceu em alguns estágios: 1) a glória se levanta do querubim sobre a arca da aliança (9.3); 2) passa para a entrada do templo (10.4); 3) paira sobre os querubins e, aos poucos, afasta-se completamente do templo (10.18) e 4) por fim, a glória de Deus se põe sobre o monte das Oliveiras (11.23).

 “...e se pôs sobre o monte que está ao oriente da cidade. ” A glória saiu do meio de Jerusalém e seguiu ao monte que está a leste da cidade, o monte das Oliveiras, onde está o principal portão que dá acesso ao templo e aponta na direção da Babilônia. Após a retirada da glória do SENHOR, não poderiam esperar que coisas boas acontecessem naquele lugar. Como mencionou Paulo em 2 Tessalonicenses 1:7–9, quando se está longe da “presença do Senhor”, o resultado não é nada bom. Deus havia deixado o lugar santo por causa dos pecados da nação e das abominações do templo de Jerusalém. Mas mesmo assim, Ele tinha uma mensagem de esperança e reconciliação. Todavia, não haveria reconciliação até que Ele voltasse. A descrição do retorno da glória (43:1–4) faz paralelo com as passagens de Êxodo 40.34, na situação da tenda no deserto, e de 1 Reis 8.11, na edificação do templo de Salomão. Ezequiel 39.21 registra que essa glória será manifestada entre as nações, e essas saberão do exílio, da infidelidade da Casa de Israel, e o nome santo de Javé será revelado. Nessa nova realidade, a glória de Deus extrapola o templo e resplandece em toda a terra (v. 2). O profeta Isaías descreve a adoração dos serafins: “Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos;/toda a terra está cheia da sua glória” (Isaías 6.6). Deus revela ao profeta o retorno da sua glória pelo mesmo caminho por onde antes saiu (10.19; 11.23).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
20/10/2022

Fontes:

SOARES, Esequias e Daniele. A Justiça Divina – A preparação do povo de Deus para os últimos dias no Livro de Ezequiel. Rio de Janeiro: CPAD 2022.

http://biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201907_05.pdf 

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

LIÇÃO 3 – As Abominações do Templo – 4 Trimestre de 2022.


TEXTO ÁUREO “E disse-me: Filho do homem, vês tu o que eles estão fazendo? As grandes abominações que a casa de Israel faz aqui, para que me afaste do meu santuário? Mas verás ainda maiores abominações. ” (Ezequiel 8.6)

“E disse-me: Filho do homem, vês tu o que eles estão fazendo? “ No verso 5 Deus disse a Ezequiel: “Filho do homem, olhe para o norte. Olhei para lá, e eis que do lado norte, junto ao portão do altar, na entrada, estava essa imagem dos ciúmes. O portão do altar ficava do lado oposto do altar do sacrifício”. Essa imagem de ciúmes é um ressentimento em ver o que é seu sendo dado a outro e evidencia a ira de Javé pela ofensa que a presença do ídolo de uma divindade pagã (Deuteronômio 4.16-18), provavelmente Aserá, representava nos recintos do templo (5.13; 16.38, 42; 36.6; 38.19). A orientação divina ao profeta é observar o mau comportamento da casa de Israel para servir como testemunha. (8.17) “Você está vendo, filho do homem? Será que é pouca coisa para a casa de Judá o fato de fazerem as abominações que fazem aqui, para que ainda encham de violência a terra e tornem a irritar-me?...”

“As grandes abominações que a casa de Israel faz aqui, para que me afaste do meu santuário? “ A palavra hebraica traduzida por “abominação” é toʿevah, usada sobretudo no contexto das práticas repugnantes dos cananeus ou algo que ferisse a pureza de Javé (Levítico 18.30; Deuteronômio 7.26;). A idolatria com as abominações subsequentes é um atentado contra a santidade de Deus e não pode ficar impune. É importante entender que Deus é soberano e tem o direito de aplicar o juízo da maneira que quiser, mas o castigo divino é proporcional à gravidade do pecado e não faz nada que contrarie a sua natureza. A expressão “casa de Israel” é usada em Ezequiel para designar os judeus que estavam em Jerusalém (4.3), para os judeus do exílio (4.13) e para os sobreviventes da destruição de cidade (5.4). O nome Israel aparece 180 vezes no livro de Ezequiel, e Judá aparece 15 vezes; “ancião de Judá” e “anciãos de Israel” aparecem como termos alternativos (8.1; 14.1; 20.1), e “casa de Israel” (em 8.6, 10- 12) é substituída por “casa de Judá” (8.17). Por causa das grandes abominações, Deus anuncia que se afastará do templo, e consequentemente, de Jerusalém. (8.18) “…ainda que gritem aos meus ouvidos em alta voz, nem assim os ouvirei. ”

“ Mas verás ainda maiores abominações. ” Deus alerta o Profeta de que ele verá transgressões piores pela frente. A estrutura de frases de como Deus se dirige ao Profeta se repete, com algumas variações, para mostrar as abominações (vv. 6, 12-13, 15, 17), revelando práticas cada vez mais ofensivas. As abominações do templo eram ofensivas demais; assim, diante dessa situação, só resta o juízo divino. Todo esse ritual às falsas divindades revela a apostasia generalizada. Todo o sistema estava corrompido, não havia outro remédio a não ser a destruição do templo e da cidade (2 Crônicas 36.16). O Deus “compassivo e misericordioso, grande em misericórdia e fidelidade” (Êxodo 34.6) não seria mais tardio em irar-se, Ele não mais teria piedade nem pouparia as pessoas que estavam cometendo terríveis ofensas.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
12/10/2022

Fontes:

SOARES, Esequias e Daniele. A Justiça Divina – A preparação do povo de Deus para os últimos dias no Livro de Ezequiel. Rio de Janeiro: CPAD 2022.