LEITURA BÍBLICA DIÁRIA CPAD
12 DE SETEMBRO DE 2024
HONRAR OS QUE SÃO DIGNOS DE HONRA AGRADA A DEUS
1 Pedro 2.17 “Honrai a todos. Amai a fraternidade. Temei a
Deus. Honrai ao rei.”
“Honrai a todos.”
Sendo
o bom professor que era, Pedro resumiu tudo usando quatro imperativos: tratar
com honra, amar, temer e honrar. A NVI, porém, diz: “Tratem a todos com o
devido respeito: amem os irmãos, temam a Deus e honrem o rei”. A versão KJA
é semelhante. Estas duas traduções entenderam o primeiro verbo é uma síntese
dos três imperativos que vêm a seguir. Sendo assim, o sentido é: “Honrem a
todos. Especificamente, quero dizer que honrem a todos amando a irmandade,
temendo a Deus e honrando o rei”.
“Honrai a todos.” Para nós isto pode soar
como algo que nem sequer é preciso dizer; mas quando Pedro escreveu esta Carta
tratava-se de um conceito totalmente novo. Pedro testemunhou muitas vezes a
expressão de Jesus “Ouviste o que foi dito” e “Eu, porém, vos digo”. Cristo foi
o renovo da Justiça de Deus.
No
Império Romano havia uns sessenta milhões de escravos. Cada um deles, segundo
as leis, era considerado não como uma pessoa, mas sim como uma coisa. Ainda
hoje é possível tratar as pessoas como se fossem coisas. O empresário pode
tratar a seus operários como se fossem simples conjuntos de máquinas humanas
produtoras de determinada quantidade de trabalho.
As
barreiras da nacionalidade, língua, raça
e cultura são removidas na admoestação de Pedro para tratar todos com honra.
Anos antes, Pedro aprendera que Deus não faz acepção de pessoas (Atos 10:34).
Paulo
escreveu: “Não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem
homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gálatas 3:28).
Todos os homens são merecedores de honra porque Deus “de um só fez toda a
raça humana” (Atos 17:26).
Estereotipar
pessoas por causa de raça, sexo ou cultura, por causa de características
físicas ou deficiências, é lamentável para todo o que tem o Criador de “todos
os homens” como seu Deus.
“Amai a
fraternidade.”
Embora
Jesus tivesse ensinado Seus seguidores a honrarem todos os homens, eles
deveriam fazer mais do que honrar os que partilhavam a mesma fé.
O
termo é “fraternidade” descreve os que igualmente confessam que Jesus de Nazaré
é o Cristo, o Filho do Deus vivo. Como 5:9 esclarece, significa mais do que a igreja
local da qual o indivíduo é membro. As igrejas de Cristo espalhadas no mundo
inteiro são a comunhão de crentes (Romanos 16:16). O amor é estendido a todos.
Paralela
à instrução petrina para “honrar a todos, amar os irmãos” está a de Paulo:
“Façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé”
(Gálatas 6:10). Jesus disse: “Nisto conhecerão todos que sois meus
discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (João 13:35).
A
Igreja é a grande família de Deus e seu vínculo tem que ser o amor. Já o dizia
o salmista no Salmo 133:1: “Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os
irmãos!”
“Temei
a Deus.
“Temer” é uma palavra com muitos aspectos. Em um de seus conceitos, o
“temor” pode paralisar uma pessoa. O personagem da parábola que recebeu um talento
deu esta desculpa esfarrapada: “Receoso, escondi na terra o teu talento;
aqui tens o que é teu” (Mateus 25:25).
Foi também neste sentido que João usou a palavra: “No amor não
existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo” (1 João 4:18). A
alma que só obedece por medo do cajado de Deus encontrará pouca satisfação em
seu cristianismo.
Em outra definição, “temor” é a reação duvidosa e insegura do ser
humano face a face com o Criador. Temer a Deus é comparecer perante Ele com incerteza,
cabisbaixo e gaguejando. É fazer apelações a Deus, em vez de oferecer-Lhe
argumentos e explicações. “O temor do Senhor”, disse o sábio, “é o princípio do
saber” (Provérbios 1:7).
O temor está intimamente ligado à humildade. Ele é o oposto da
arrogância e da teimosia. Quando Isaías encontrou-se com Deus, o medo tomou
conta dele: “Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros,
habito no meio de um povo de impuros lábios” (Isaías 6:5).
Moisés queira que Israel soubesse que Deus era um “fogo consumidor”
(Deuteronômio 4:24). Todavia entendeu o propósito disso e disse ao povo: “Não
temais, Deus veio para vos provar, e para que o seu temor esteja diante de vós,
a fim de que não pequeis” (Êxodo 20.20.
O crente teme a Deus não ousa abusar do amor e da graça de Deus. Os
cristãos não ousam “pecar para que a graça seja mais abundante” (Romanos
6:1).
“Honrai
ao rei.”
Pedro
concluiu a admoestação iniciada em 2:13: “Sujeitai-vos, pois,
a toda a ordenação humana por amor do Senhor; quer ao rei, como superior;
Quer aos governadores, como por ele enviados para castigo dos
malfeitores, e para louvor dos que fazem o bem”
(1 Pedro 2.13-4). Além de se sujeitarem ao rei, os cristãos deveriam honrá-lo.
Todavia, o apóstolo acabara de esclarecer que todas as pessoas merecem ser
honradas. A honra atribuída ao rei, sem concessões, foi especificada aqui.
Na
Ásia Menor, inscrições gregas do segundo século prestam as mais elevadas honras
aos imperadores romanos. O imperador era considerado deus, salvador e
todo-poderoso. Para Pedro, o rei era digno de honra, mas não de adoração. E não
cabia ao rei o tipo de temor reservado somente para Deus. Pedro sutilmente e
com maestria instruiu seus leitores sobre o relacionamento deles com o poder
civil.
Deveriam
se sujeitar e honrar, mas não temer, as autoridades no poder. Os cristãos não
temem autoridades do mesmo modo que temem a Deus.
DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
28/8/2024
FONTES:
QUEIROZ,
Silas. O Deus Que Governa o Mundo e Cuida da Família – Os Ensinamentos Divinos
nos livros de Rute e Ester para a Nossa Geração. Rio de Janeiro: CPAD, 2024.
Barclay,
William. The Letters of James and Peter (Título Original em Inglês). Tradução:
Carlos Biagini.
http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201410_01.pdf