segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Lição 07: Paulo o Plantador de Igrejas - 4 Trimestre De 2021.


 (Texto Áureo) “Eu plantei: Apolo regou; mas Deus deu o crescimento. (I Coríntios 3.6)

“Eu plantei: “ Paulo se refere ao fato de ter iniciado o trabalho em Corinto. Em sua segunda viagem missionária após confirmar as igrejas fundadas na primeira viagem missionária, Paulo quando passava pelas regiões da Frígia, Galácia e Mísia planejava ir para o sul (Ásia menor) e para o norte (Bitínia), mas o Espírito não lhe permitiu, isso devido ao fato de todo o que é guiado pelo Espírito ser como o vento: “O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito ” (João 3:8). Quando chegou em Trôade “Paulo teve de noite uma visão, em que se apresentou um homem da Macedônia, e lhe rogou, dizendo: Passa à Macedônia, e ajuda-nos ” (Atos 16:9). Essa experiência foi a direção de Deus para levar Paulo a lugares mais distantes. De Trôade passou para a Samotrácia e, no dia seguinte, para Neápolis (Atos 16:11) e dali para Filipos na Macedônia. Depois passando por Anfípolis e Apolônia, chegaram a Tessalônica (Atos 17:1) de Tessalônica Paulo foi para Beréia e de Beréia passou para a Acaia chegando primeiramente em Atenas (Atos 17:15). E depois disto partiu Paulo de Atenas, e chegou enfim a Corinto (Atos 18:1). Em Corinto Paulo conheceu Áquila e sua esposa Priscila e morou e trabalhou com eles “E todos os sábados disputava na sinagoga, e convencia a judeus e gregos” (Atos 18:4) E ficou ali um ano e seis meses, ensinando entre eles a palavra de Deus (Atos 18:11), pois Cristo havia lhe revelado que tinha muito povo nesta cidade. (Atos 18:10)

“...Apolo regou, “ Paulo navegou para a Síria, e levou com ele Priscila e Áqüila e quando chegou a Éfeso, os deixou ali (Atos 18:19). Priscila e Áqüila conheceram em Éfeso um judeu chamado Apolo que era, natural de Alexandria, homem eloquente e poderoso nas Escrituras (Atos 18:24) enquanto ele ousadamente pregava na sinagoga (Atos 18:26), este era instruído no caminho do Senhor e, fervoroso de espírito, falava e ensinava diligentemente as coisas do Senhor, conhecendo somente o batismo de João. (Atos 18:25). Após tê-lo ouvido, Priscila e Aqüila, o levaram consigo e lhe declararam mais precisamente o caminho de Deus (Atos 18:26). Após ele ter se atualizado quanto a pessoa de Jesus Cristo que João, o Batista, profetizara passou para Acaia e foi recomendado através de carta de Priscila e Aqüila e quando chegou a Corinto realizou também grande e próspera obra ali “porque com grande veemência, convencia publicamente os judeus, mostrando pelas Escrituras que Jesus era o Cristo “ (Atos 18:28). Cronologicamente Apolo continuou a obra de Deus em Corinto após Paulo se retirar dali. Como Paulo havia plantado ali uma igreja de Cristo ele afirma que o que Apolo fez foi regar, ou seja, continuar a mesma obra. “Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele. ” (I Coríntios 3:10)

“..., mas Deus deu o crescimento. ” Se assemelhando muito com o pensamento de João Batista: “É necessário que ele cresça e que eu diminua” (João 3:30) Paulo afirma que o que planta e o que rega são um, e que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento (I Coríntios 3:7). Estando certo dia Jesus em Cesaréia de Filipe, pouco antes da sua paixão e morte. Ele afirmou, "Edificarei a minha igreja" (Mt 16.18). O Senhor Jesus na sua declaração, "Edificarei a minha igreja", não detalhou como essa edificação teria lugar. Mas pela Palavra de Deus a partir do livro de Atos dos Apóstolos sabemos que Ele edifica a sua Igreja mediante homens que Ele chama, capacita e envia para realizar a obra de edificação da Igreja. Neste mundo, uma edificação ou construção requer um elevado número de trabalhadores de diferentes especialidades até o dia da inauguração da obra. O mesmo ocorre na edificação da Igreja, porém noutra esfera que é a espiritual. Não importa qual seja a nossa chamada, seja, plantador, regador ou cooperador precisamos depender sempre de Deus em todos os passos do nosso trabalho, afinal: "Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os edificadores" (SI 127.1). A obra pertence a Ele, se desempenharmos um trabalho sério e dedicado ao Senhor ele há de acrescentar aqueles que se hão de salvar (Atos 2:47)

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
08/11/2021

Fontes:

CABRAL, Elienai. Apóstolo Paulo – Lições da vida e ministério do apóstolo dos gentios para a Igreja de Cristo. Rio de Janeiro: CPAD, 2021.

GILBERTO, Antônio. Mensagens, estudos e explanações em I Coríntios. Rio de Janeiro: CPAD, 2009.

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

Cronologia da Escola Dominical no Mundo, no Brasil e nas Assembleias de Deus

 

ANO

 

ACONTECIMENTO
173614/09
Nasce Robert Raikes, na Inglaterra.
1780Robert Rikes, jornalista evangélico (episcopal), com 44 anos,  realiza em Gloucester, Inglaterra, as primeiras aulas aos domingos pela manhã para crianças sobre leitura, escrita, aritmética, instrução moral e cívica e conhecimentos religiosos, dando início à Escola Dominical, não exatamente no modelo que temos hoje, mas como escola de instrução popular gratuita, o que veio a ser a precursora do moderno sistema de ensino público. As primeiras professoras foram assalariadas por Raikes.
178303/11
Dia Natalício da Escola Dominical, pois Raikes, após três anos de experiência com 7 Escolas Dominicais em casas particulares e com 30 alunos em cada uma delas, alcança êxito em seu trabalho com a transformação na vida de duas crianças.
A Escola Dominical passou das casas particulares para os templos, os quais passaram a encher-se de crianças.
1784Quatro anos após a fundação, a Escola Dominical já contava com 250 mil alunos matriculados.
1785
Raikes Organiza a primeira União de Escolas Dominicais, em Gloucester, com ajuda de William Fox.
Surgem as primeiras Bíblias, Testamentos e Livros para serem usados especialmente nas Escolas Dominicais. Raikes publica o Sunday School Companion, que era um simples livro de leitura de versículos bíblicos.
É iniciado o movimento de Escolas Dominicais nos Estados Unidos da América, na Casa de William Elliott, inspirado nos exemplos britânicos.
 1790É fundada a primeira União de Escolas Dominicais dos EUA, em Philadelphia, para prover salas de aulas e professores para as escolas. Em Charleston, EUA, a Conferência Metodista reconhece oficialmente as suas Escolas Dominicais.
1797Somente na Inglaterra chega a mil o número de Escolas Dominicais.
1800Surgem fortes ataques contra a Escola Dominical. Raikes ‚ acusado de “profanador do Dia do Senhor”, pelo fato de fazer funcionar a Escola aos domingos… Tal acusação partiu dos religiosos da época. No Parlamento chegou a ser apresentado um decreto para proibir Escolas Dominicais em toda a Inglaterra. Tal decreto jamais foi aprovado.
1810O movimento já contava com mais de três mil Escolas Dominicais e com aproximadamente 275 mil alunos matriculados.
1811
Começa a separação de classes para que adultos analfabetos, assim como as crianças, também pudessem aprender a ler a Bíblia. O movimento chega a 400 mil alunos matriculados só na Inglaterra.
5/04
Morre Robert Raikes, aos 76 anos de idade, tendo a Escola Dominical se espalhado por toda a Inglaterra e em outras partes do mundo.
1820Começam os primeiros passos para congregar as Uniões locais de Escolas Dominicais numa central – União Americana de Escolas Dominicais.
182425/05
A União Americana de Escolas Dominicais, em Filadélfia, EUA, torna-se a representante nacional de 723 Escolas afiliadas e 50 mil alunos.
1831As Escolas Dominicais chegam a 1.250.000 alunos matriculados, cerca de 25% da população da Inglaterra na época.
183203/10
Realizada a Primeira Convenção Nacional da União Americana de Escolas Dominicais, em New York.
1836O Rev. Justin Spauding, da Igreja Metodista, organiza no Rio de Janeiro, entre estrangeiros, uma congregação com cerca de 40 pessoas e em junho abre uma Escola Dominical com 30 alunos, dos quais alguns eram brasileiros, ensinados na sua própria língua.
185519/08
Robert Kalley e sua esposa Da. Sarah Poulton, casal de missionários escoceses, realizam a primeira aula de Escola Dominical para cinco crianças, em sua residência na cidade de Petrópolis, Rio de Janeiro, o que resultaria na fundação da Igreja Evangélica Fluminense, embrião da Igreja Congregacional.
 1911Dois meses após a fundação das Assembléias de Deus, é realizada a primeira aula de Escola Dominical, na casa do irmão José Batista Carvalho, na Av. São Jerônimo, em Belém, PA.
 1920Começa a circular como suplemento do Jornal Boa Somente em Belém, PA, os Estudos Dominicaes, o embrião da atual revista Lições Bíblicas, para Jovens e Adultos.
 1930Lançada a revista Lições Bíblicas para adultos, inicialmente comentada pelos missionários suecos Samuel Nyström e Nils Kastberg. A CPAD ainda não tinha sido fundada.
 193225 a 31/7
Realizada a XI Convenção Mundial de Escolas Dominicais, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro
 1943Lançada a primeira revista para crianças na Escola Dominical das Assembléias de Deus, escrita pelas professoras Nair Soares e Cacilda de Brito.
 1955
Surge nova revista infantil da CPAD, chamada Lições Bíblicas para Criança, para as idades de 6 a 8 anos. Publicado o primeiro comentário de Lições Bíblicas de autoria do missionário sueco Eurico Bergstén, que viria ser o comentarista com o maior número de lições escritas: 35.
19/8
Completados 100 anos de fundação das Escolas Dominicais no Brasil.
 1973Novamente lançada pela CPAD uma revista para crianças por iniciativa e comentários do pr. José Pimentel de Carvalho, sob o título: Minha Revistinha, para as idades de 4 e 5 anos.
 1974
Fundado o Departamento de Escola Dominical da CPAD (atual Setor de Educação Cristã), sob a chefia do pastor Antonio Gilberto.
1 a 06/07
Realizado o primeiro CAPED (Curso de Aperfeiçoamento de Professores da Escola Dominical), da CPAD e fundado pelo pastor Antonio Gilberto, na Assembléia de Deus de São Cristóvão, RJ.
Lançado o Livro “Manual da Escola Dominical”, de autoria do pastor Antonio Gilberto, best-seller da CPAD e livro-texto do CAPED.
Lançada pela CPAD a revista infantil Estudando a Bíblia (atual revista Juniores, para crianças de 9 a 11 anos).
 1980
Comemorados os 200 anos de fundação da Escola Dominical no mundo pela Associação lnternacional de Educação Cristã (ICEA).
O número de alunos em todo o mundo‚ é estimado em 120 milhões, com cerca de 2 milhões de Escolas Dominicais (não nos moldes do modelo britânico de Raikes) e 8 milhões de professores.
 1981Lançado pela CPAD o Primeiro Plano de Revistas da Escola Dominical para Assembléias de Deus, formulado pelo pastor Antonio Gilberto, que estabelecia, pela primeira vez, revistas para cada faixa etária da Escola Dominical.
 1982
Lançada a revista Mensageiros da Fé (atual Adolescentes Vencedores), para crianças de 12 a 14 anos.
Lançada revista do Mestre para a revista Lições Bíblicas (Jovens e Adultos), comentadas pelos missionários João Kolenda Lemos e sua esposa Doris Ruth Lemos.
 1985Lançado pela CPAD o Curso Evangelização Infanto-Juvenil (CEI) destinado ao treinamento de professoras de crianças e adolescentes (curso atualmente fora desativado).
 1994Reformulado e Relançado pela CPAD o Plano de Revistas formulado em 1974, com a inclusão de duas novas revistas: Campeões da Fé (atual Juvenis Lições Bíblicas), para adolescentes de 15 a 17 anos, e a revista Discipulando para novos convertidos.
1996
Lançada a campanha da CPAD Biênio da Escola Dominical – 96/97 “Achei o Livro na casa do Senhor”
5 a 07/06
Realizado o I Encontro Nacional de Superioridades de Escola Dominical, no Hotel Glória, Rio de Janeiro, RJ.
1998 10 a 13/6
Realizado o I Congresso Nacional de Escolas Dominicais das Assembléias de Deus, no Riocentro, Rio de Janeiro, RJ.
11 a 20/11
Realizado o primeiro CAPED fora do Brasil, em Moçambique, África.
Lançado o CAPED em vídeo com 5 fitas.
1999 12 a 15/11
Realizada a Conferência Nacional de Escolas Dominicais, no Centro de Convenções da Universidade Federal de Pernambuco, Recife.
Lançada a revista Lições Bíblicas Mestre em CD-ROM.
Lançada a Revista Ensinador Cristão, da CPAD, para circular a partir do 1º trimestre de 2000.
Reformulado e relançado o Plano de Revistas da CPAD da edição de 1994, tendo as primeiras revistas de Escola Dominical no Brasil totalmente coloridas e tendo a inclusão de mais duas revistas: a Maternal, para crianças de 2 e 3 anos, e a Discipulado Mestre.
2000 
Lançadas as revistas de Escola Dominical da CPAD para toda a América Latina pela Editorial Patmos. (editora da CPAD para o mundo hispânico).
24 a 27/05
Realizado o segundo CAPED fora do Brasil: Nova Iorque, EUA.
Lançado o CEI em vídeo com 4 fitas.
Lançada a Cartilha Escola Dominical Revistas e Currículos, para pastores, superintendentes, coordenadores de departamentos e professores.
Lançada a campanha todos na Escola Dominical cada crente um aluno, para mobilizar as Igrejas a envolverem a grande partes de seus membros que não freqüentam a Escola Dominical nas Assembléias de Deus.
06 a 09/09
Realizado o II Congresso Nacional de Escolas Dominicais nas Assembléias de Deus, no Rio-centro, Rio de Janeiro.
https://escola-ebd.com.br/historia-da-escola-dominical-no-brasil/


História da Escola Bíblica Dominical


A FUNDAÇÃO DA ESCOLA DOMINICAL 

 A Escola Dominical nasceu da visão de um homem que, compadecido pelas crianças de sua cidade, quis dar-lhes um novo e promissor horizonte. Como ficar insensível ante a situação daqueles meninos e meninas que, sem rumo, perambulavam pelas ruas de Gloucester? Nesta cidade, localizada no Sul da Inglaterra, a delinquência infantil era um problema que parecia insolúvel.

Aqueles menores roubavam, viciavam-se e eram viciados; achavam-se sempre envolvidos nos piores delitos. É nesse momento tão difícil que o jornalista episcopal Robert Raikes entra em ação. Tinha ele 44 anos quando saiu pelas ruas a convidar os pequenos transgressores a que se reunissem todos os domingos para aprender a Palavra de Deus. Juntamente com o ensino religioso, ministrava-lhes Raikes várias matérias seculares: matemática, história e a língua materna - o inglês.

Não demorou muito, e a escola de Raikes já era bem popular. Entretanto, a oposição não tardou a chegar. Muitos eram os que o acusavam de estar quebrantando o domingo. Onde já se viu comprometer o dia do Senhor com esses moleques? Será que o Sr. Raikes não sabe que o domingo existe para ser consagrado a Deus?

Robert Raikes sabia-o muito bem. Ele também sabia que Deus é adorado através de nosso trabalho amoroso e incondicional. Embora haja começado a trabalhar em 1780, foi somente em 1783, após três anos de oração, observações e experimentos, que Robert Raikes resolveu divulgar os resultados de sua obra pioneira.

No dia três de novembro de 1783, Raikes publica, em seu jornal, o que Deus operara e continuava a operar na vida daqueles meninos de Gloucester. Eis porque a data foi escolhida como o dia da fundação da Escola Dominical.

Mui apropriadamente, escreve o pastor Antonio Gilberto: "Mal sabia Raikes que estava lançando os fundamentos de uma obra espiritual que atravessaria os séculos e abarcaria o globo, chegando até nós, a ponto de ter hoje dezenas de milhões de alunos e professores, sendo a maior e mais poderosa agência de ensino da Palavra de Deus de que a Igreja dispõe".

Além de Robert Raikes, muitos foram os evangelistas que se preocuparam com o ensino sistemático da Palavra de Deus às crianças. Eis o que declarou o príncipe dos pregadores, Charles Spurgeon: "Uma criança de cinco anos, se ensinada adequadamente, pode crer para a salvação tanto quanto um adulto. Estou convencido de que os convertidos de nossa igreja que se decidiram quando crianças são os melhores crentes. Julgo que são mais numerosos e genuínos do que qualquer outro grupo, são mais constantes, e, ao longo da vida, os mais firmes". Assim reafirmou Moody o seu apoio ao ensino cristão: "Há muita desconfiança na igreja de hoje quanto à conversão de crianças. Poucos creem que elas podem ser salvas; mas, louvado seja o Senhor, esta mentalidade já está modificando -uma luz começa a brilhar".

Expressando o mesmo sentimento que levou Robert Raikes a fundar a Escola Dominical, pondera o pastor Artur A. M. Conçalves, reitor da Faculdade Teológica Batista de São Paulo: "As maiores vítimas dos males da nossa sociedade estão sendo as crianças. E é das crianças que vêm os mais angustiantes apelos. Para construirmos um mundo melhor, concentremos nossos esforços nas crianças. Para expandirmos o Reino de Deus, demos prioridade à evangelização das crianças".

A FUNDAÇÃO DA ESCOLA DOMINICAL NO BRASIL

A Escola Dominical no Brasil teve como nascedouro a cidade imperial de Petrópolis, no Rio de Janeiro. A data jamais será esquecida: 19 de agosto de 1885. Nesse dia, os missionários escoceses Robert e Sara Kalley dirigiram a primeira Escola Dominical em terras brasileiras. Sua audiência não era grande; apenas cinco crianças assistiram àquela aula. Mas foi o suficiente para que o seu trabalho florescesse e alcançasse os lugares mais retirados de nosso país.

Hoje, naquele local, acha-se instalado um colégio, que faz questão de preservar o memorial que registra este tão singular momento do ensino da Palavra de Deus em nossa terra.

Fonte:

ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Manual do Superintendente da Escola Dominical. Rio de Janeiro: CPAD, 2000.

terça-feira, 2 de novembro de 2021

Devemos orar pelos mortos? (DIA DE FINADOS)


Devemos orar pelos mortos? (DIA DE FINADOS)

2 SAMUEL 12:21-23 – "E disseram-lhe seus servos: Que é isto que fizeste? Pela criança viva jejuaste e choraste; porém depois que morreu a criança te levantaste e comeste pão. E disse ele: Vivendo ainda a criança, jejuei e chorei, porque dizia: Quem sabe se DEUS se compadecerá de mim, e viverá a criança? Porém, agora que está morta, por que jejuaria eu? Poderei eu fazê-la voltar? Eu irei a ela, porém ela não voltará para mim."

No livro aoócrifo 2 Macabeus 12, Judas Macabeu mandou oferecer um sacrifício expiatório pelos mortos na batalha, pois estes precisavam se purificar da idolatria cometida. Usando essa base os católicos romanos acreditam que orar pelos mortos para libertá-los de seus pecados é um cuidado salutar e santo. Entretanto, no texto acima observamos Davi recusando-se a orar pelo seu filho depois que ele morreu.

A Bíblia nos ensina que devemos orar pelos mortos?

Nada há nas inspiradas Escrituras que dê suporte à doutrina católica de se orar pelos mortos, para ficarem livres de seus pecados.
Abaixo estão listados alguns argumentos.

O único versículo que dá algum suporte a orações pelos mortos vem de II Macabeus, livro apócrifo do século II a.C., que a Igreja Católica Romana acrescentou à Bíblia no ano 1546 a.D., em resposta à Reforma, que condenava tais práticas.

A doutrina de orações pelos mortos está ligada à doutrina não-bíblica do purgatório. As orações têm o propósito de libertar as pessoas mortas desse local. Porém não há base alguma para a crença no purgatório.

Em parte alguma de todos os livros inspirados da Bíblia pode-se encontrar um único caso de um santo ter orado para que algum morto fosse salvo. É certo que com toda a paixão com que muitos santos desejaram que seus queridos fossem salvos (cf. Romanos 9:1-3), seria de se esperar que houvesse pelo menos um caso de alguém ter orado pelos mortos e obtido a aprovação de Deus.

A Bíblia deixa bem claro, e de forma categórica, que a morte é o final e que não há esperança depois dela. O livro de Hebreus declara: "aos homens está ordenado morrerem uma só vez e, depois disto, o juízo" (Hebreus 9:27). Jesus falou, a respeito dos que o rejeitaram, que morrerão em seus pecados (João 8:21, 24).

Jesus nos deu o exemplo em João 11, ao chorar pelos mortos e orar pelos vivos. Aproximando-se do túmulo do seu amigo Lázaro, Jesus chorou"(v. 35). Depois ele orou pela "multidão presente, para que creiam que tu me enviaste" (v. 42).

Os mortos oram pelos vivos (cf. Apocalipse 6:10), mas não há exemplo em toda a inspirada Palavra de Deus de vivos orando por mortos. Os santos martirizados, na glória, são descritos como orando por vingança sobre os ímpios (Apocalipse 6:9) E como há alegria no céu por uma única alma que é salva na terra (Lucas 15 10), não há dúvida de que há oração no céu pelos perdidos. Mas a Bíblia não deixa nem mesmo o menor vislumbre de esperança para quem quer que morra em seus pecados.

O que podemos fazer pelos mortos no Dia de Finados?

Nada! Nem neste dia, nem em dia algum. Os mortos tiveram a oportunidade em vida de se decidirem por Jesus. Em vista disso, despertai, “Pois, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? ” (Marcos 8.36). No percurso da vida fazemos escolhas que determinam o nosso futuro. O dia de se fazer alguma coisa é hoje e vai refletir no amanhã, principalmente na eternidade. O ontem não podemos mudar, todavia o amanhã sim ao decidirmos por Cristo.

Não é pecado lembrar dos mortos, isso é humano e bíblico, nada demais também em zelar por suas lápides. O problema é acreditar em ensinamentos que não tem respaldo na Palavra de Deus e pensar que podemos ajudar nossos entes queridos com nossas orações.

Fonte:

GEISLER, Norman; WOWE, Thomas. MANUAL POPULAR de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia. São Paulo: Mundo Cristão, 1999.

Lição 06: Paulo no Poder do Espírito - 4 Trimestre De 2021


(Texto Áureo) “E impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas e profetizavam. ” (Atos 19.6)

Ao chegar a Éfeso, na sua segunda viagem missionária, Paulo deparou-se com um grupo de discípulos que seguiam o ensino de Apolo e que foram batizados com o batismo de arrependimento de João Batista. Apolo era um judeu de Alexandria, no Egito, e era muito culto e eloquente. Era um homem com profundo conhecimento das Escrituras, com uma índole boa e honesta. Entretanto, tudo o que conhecia sobre o Messias era o que tinha aprendido com João Batista. Ele conhecia os fatos da vida de Jesus, mas ainda não sabia sobre a morte e ressurreição de Jesus. Áquila e Priscila, então, fizeram-no conhecer a verdade sobre Jesus e instruíram-no acerca disso. Portanto, os discípulos que estavam em Éfeso ouviram falar de Jesus, mas não conheciam a doutrina de Cristo. Eles haviam crido (Atos 19.2) em Cristo e sabiam que havia uma promessa do Espírito Santo, mas nada sabiam da experiência do Pentecostes. Paulo percebeu que, a despeito de terem crido no Cristo das Escrituras, eles não haviam recebido o poder do Espírito para tornarem-se testemunhas de Cristo. Paulo grupo de discípulos: “Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes? ”. A resposta desses discípulos foi: “Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo” (Atos 19.2).

“E impondo-lhes Paulo as mãos, ” Paulo orou solenemente para que Deus desse a esses discípulos esses dons. É o que significa a expressão impondo-lhes Paulo as mãos (v. 6), um gesto que os patriarcas usavam para abençoar e sobretudo para transmitir a grande custódia da promessa, como em Génesis 48.14. Sendo o Espírito a grande promessa do Novo Testamento, os apóstolos o transmitiam pela imposição de mãos: “O Senhor te abençoe com aquela bênção, a bênção das bênçãos” (Isaías 44.3). Paulo escreve à Timóteo fazendo referência ao “dom de Deus”, que nele existia, pela imposição de mãos do seu mentor espiritual “Por este motivo, te lembro que despertes o dom de Deus, que existe em ti pela imposição das minhas mãos” II Timóteo 1.6). Esse “dom ” (gr. charisma) era sem dúvida o “dom ” ministerial. A imposição de mãos sempre foi um ritual de grande valor, na vida ministerial da igreja cristã.1 Jesus usou as mãos para efetuar várias curas (Marcos 6.3; Lucas 4.40). Saulo foi curado pela imposição de mãos de Ananias (Atos 9.17). Jesus impôs as mãos e abençoou crianças (Marcos 10.16); o batismo com o Espírito Santo era ministrado com imposição de mãos (Atos 19.6), como um a das formas de seu recebimento. A consagração de obreiros era solenemente realizada com imposição de mãos do ministério ou do presbitério (I Timóteo 4.14; II Timóteo 1.6), prática que é seguida, hoje, em quase todas as igrejas evangélicas.

“...veio sobre eles o Espírito Santo; “ Deve ser notado que os termos “veio” (derivado de erchomai) e “sobre” (epi) são paralelos à linguagem precisa de Atos 1.8: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra”. Essa linguagem conecta firmemente a experiência dos discípulos efésios com a promessa de Jesus. Este derramamento do Espírito mostra que o batismo com o Espírito é subsequente e distinto da conversão segundo a teologia de Lucas e Paulo. Paulo espera que os crentes sejam cheios com o Espírito. O derramamento do Espírito nos doze efésios deixa claro que o ensino e prática de Paulo são consistentes com a teologia carismática de Lucas.

“...e falavam línguas e profetizavam. ” Aqui temos as consequências imediatas deste batismo com o Espírito, as manifestações carismáticas de línguas e profecia. A expressão “e profetizavam” não deve ser presumida a indicar um sinal adicional. É paralela à expressão “magnificara Deus” registrada em Atos 10.46. A atividade profética é realizada nos últimos dias (cf. os acontecimentos do Dia de Pentecostes que mostram estreita relação entre falar em línguas e profetizar). Semelhante aos discípulos no Dia de Pentecostes e em Cesaréia, estas pessoas em Éfeso falam em línguas e dão louvores inspirados a Deus depois de receberem o poder pentecostal do Espírito. Como os outros derramamentos do Espírito, a evidência inicial da experiência carismática dos crentes efésios é o falar em línguas (cf. Atos 2.4; 10.44-46). Paulo instrui, batiza e impõe as mãos sobre eles, mas pela ação soberana do Espírito profético eles são dotados com poder para o ministério. O Pentecostes efésio não marca uma experiência de conversão, mas uma dotação do poder do Espírito para divulgar o Evangelho.

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
02/11/2021

Fontes:

CABRAL, Elienai. Apóstolo Paulo – Lições da vida e ministério do apóstolo dos gentios para a Igreja de Cristo. Rio de Janeiro: CPAD, 2021.

RENOVATO, Elinaldo. As ordenanças de Cristo nas cartas pastorais. Rio de Janeiro: CPAD, 2015. 

ARRINGTON French L; STRONSTAD Roger. Comentário Bíblico Pentecostal – Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

domingo, 31 de outubro de 2021

507 Anos da Reforma Protestante (31 de Outubro de 1517)


BREVE HISTÓRIA DA REFORMA PROTESTANTE

I. INFLUÊNCIAS QUE CONDUZIRAM À REFORMA.

1. A Renascença.

Ou seja o despertar da Europa para um novo interesse pela literatura, pelas artes e pela ciência, isto é, a transformação dos médodos e propósitos medievais em métodos modernos. Durante a Idade Média os principais pensadores e escritores eram homens pertencentes à igreja. Porém, no período da Renascença, surgiu um novo interesse pela literatura clássica, pelo grego e pelo latim, pelas artes, de forma inteiramente separada da religião.


2. A Invenção da Imprensa.

A invenção da imprensa veio a ser um arauto e aliado da Reforma que se aproximava. Essa descoberta foi realizada por Gutemberg, em 1455, em Mogúncia, no Reno, e consistia em imprimir  livros com tipos móveis, fazendo-os circular, facilmente, aos milhares. Antes de se inventar a imprensa, os livros eram copiados a mão. Uma Bíblia, na Idade Média, custava o salário de um ano de um operário. É muito significativo o fato de o primeiro livro impresso por Gutemberg haver sido a Bíblia, demonstrando, assim, o desejo dessa época.


3. O Espírito Nacionalista.

O patriotismo dos povos começou a manifestar-se, mostrando-se inconformados com a autoridade estrangeira sobre suas próprias igrejas nacionais; resistindo à nomeação de bispos, abades e dignitários da igreja feitas por um papa que vivia em um país distante. Não se conformava, o povo, com a contribuição do "óbolo de S. Pedro", para sustentar o papa e para a construção de majestosos templos em Roma.


II. A REFORMA NA ALEMANHA.

Enquanto o espírito de reforma e de independência despertava a Europa, a chama desse movimento começou a arder primeiramente na Alemanha, no eleitorado da Saxônia, sob a direção de Martinho Lutero


1. A Venda de Indulgências.

Leão X, em razão da necessidade de dinheiro para terminar as obras do templo de S. Pedro em Roma, permitiu que um seu enviado, João Tetzel, percorresse a Alemanha vendendo bulas, assinadas por ele, as quais, dizia, possuíam a virtude de conceder perdão de todos os pecados, não só aos possuidores da bula, mas também aos amigos, mortos ou vivos, em cujo nome fossem as bulas compradas, sem necessidade de confissão, nem absolvição pelo sacerdote. Tetzel fazia esta afirmação ao povo: "Tão depressa o vosso dinheiro caia no cofre, a alma de vossos amigos subirá do purgatório ao céu."


2. As Teses.

A data exata fixada pelos historiadores como início da grande Reforma foi registrada como 31 de outubro de 1517. Na manhã desse dia, Martinho Lutero afixou na porta da Catedral de Wittenberg um pergaminho que continha noventa e cinco teses ou declarações, quase todas relacionadas com a venda de indulgências; em sua aplicação atacava a autoridade do papa e do sacerdócio. 


3. Queima da Bula Papal.

Após longas controvérsias e a publicação de folhetos que tornaram conhecidas as opiniões de Lutero em toda a Alemanha, seus ensinos foram formalmente condenados. 

Lutero foi excomungado por uma bula do papa Leão X, no mês de junho de 1520. Pediram então ao eleitor Frederico da Saxônia que entregasse preso Lutero, a fim de ser julgado e castigado. Entretanto, em vez de entregar Lutero, Frederico deu-lhe ampla proteção. Martinho Lutero recebeu a excomunhão como um desafio, classificando-a de "bula execrável do anticristo". No dia 10 de dezembro, Lutero queimou a bula, em reunião pública, à porta de Wittemberg, diante de uma assembléia de professores, estudantes e do povo. Juntamente com a bula, Lutero queimou também cópias dos cânones ou leis estabelecidas por autoridades romanas. Esse ato constituiu a renúncia definitiva de Lutero à igreja católica romana.


4. A Dieta de Worms.


Em 1521 Lutero foi citado a comparecer ante a Dieta do Concílio Supremo do Reno. O novo imperador Carlos V concedeu um salvo-conduto a Lutero, para comparecer em Worms. Apesar de advertido por seus amigos de que poderia ter a mesma sorte de João Huss, Lutero respondeu-lhes: "Irei a Worms ainda que me cerquem tantos demônios quantas são as telhas dos telhados." Finalmente, no dia 17 de abril de 1521 Lutero compareceu ante a Dieta, presidida pelo imperador. Em resposta a um pedido de que se retratasse, e renegasse o que havia escrito, após algumas considerações respondeu que não podia retratar-se, a não ser que fosse desaprovado pelas Escrituras e pela razão, e terminou com estas palavras

"Que se me convençam mediante testemunho das Escrituras e claros argumentos da razão, porque não acredito nem no Papa nem nos concílios já que está provado amiúde que estão errados, contradizendo-se a si mesmos - pelos textos da Sagrada Escritura que citei, estou submetido a minha consciência e unido à palavra de Deus. Por isto, não posso nem quero retratar-me de nada, porque fazer algo contra a consciência não é seguro nem saudável.""Não posso fazer outra coisa, esta é a minha posição. Que Deus me ajude. Amém!"

Instaram com o imperador Carlos para que prendesse Lutero, apresentando como razão, que a fé não podia ser confiada a hereges. Contudo, Lutero pôde deixar

Worms em paz.


5. O Castelo de Wartzburg.

Enquanto viajava de regresso à sua cidade, Lutero foi cercado e levado por soldados do eleitor Frederico para o castelo de Wartzburg, em Eisenach. Ali permaneceu Lutero guardado, em segurança e disfarçado, durante um ano, enquanto as tempestades de guerra e revoltas rugiam no império. Entretanto, durante esse tempo, Lutero não permaneceu ocioso; nesse período traduziu o Novo Testamento para a língua alemã, obra que por si só o teria imortalizado, pois essa versão é considerada como o fundamento do idioma alemão escrito. Isto aconteceu no ano de 1521. O Antigo Testamento só foi completado alguns anos mais tarde. Ao regressar do castelo de Wartzburg a Wittenberg, Lutero reassumiu a direção do movimento a favor da igreja Reformada, exatamente a tempo de salvá-la de excessos extravagantes.


6. O Nome Protestante. “Protesto de Espira”

A divisão dos vários estados alemães, em ramos Reformados e romanos, deu-se entre o Norte e o Sul. Os príncipes meridionais, dirigidos pela Áustria, aderiram a Roma, enquanto os do Norte se tornaram seguidores de Lutero. Em 1529 a Dieta reuniu-se na cidade de Espira, com o objetivo de reconciliar as partes em luta. Nessa reunião da Dieta os governadores católicos, que tinham maioria, condenaram as doutrinas de Lutero. Os príncipes resolveram proibir qualquer ensino do luteranismo

nos estados em que dominassem os católicos. Ao mesmo tempo determinaram que nos estados em que governassem luteranos, os católicos poderiam exercer livremente sua religião. Os príncipes luteranos protestaram contra essa lei desequilibrada e odiosa. Desde esse tempo ficaram conhecidos como protestantes, e as doutrinas que defendiam também ficaram conhecidas como religião protestante.


III. A REFORMA EM OUTROS PAÍSES.

Enquanto a Reforma estava ainda em início na Alemanha, eis que o mesmo espírito despontou também em muitos países da Europa.


1. Na Suíça.

A Reforma na Suíça despontou independente por completo do movimento na Alemanha, apesar de

se haver manifestado simultaneamente, sob a orientação de Ulrico Zuínglio, o qual, em 1517, atacou "a remissão de pecados", que muitos procuravam por meio de peregrinações a um altar da

Virgem de Einsieldn. No ano de 1522, Zuínglio rompeu definitivamente com Roma. A Reforma foi então formalmente estabelecida em Zurique, e dentro em breve tornou-se um movimento mais radical do que na Alemanha. Entretanto, o progresso desse movimento foi prejudicado por uma guerra civil entre cantões católico-romanos e protestantes, na qual Zuínglio morreu em 1531. Apesar de tudo, a reforma continuou a sua marcha, e mais tarde teve como dirigente João Calvino, o maior teólogo da igreja, depois de Agostinho; sua obra, "Instituições da Religião Cristã", publicada em 1536, quando Calvino tinha apenas vinte e sete anos, tornou-se regra da doutrina Protestante.


2. No Reino da Escandinávia.

O reino escandinavo, que nessa época se compunha da Dinamarca, Suécia e Noruega, sob um mesmo governo, recebeu prontamente os ensinos de Lutero, os quais tiveram a simpatia do rei Cristiano II. As lutas políticas e a guerra civil, durante algum tempo paralisaram o progresso da Reforma. Porém, finalmente, os três países aceitaram as idéias Luteranas.


3. Na França.

Na França, a igreja católica romana possuía mais liberdade do que no resto da Europa. Por essa razão era menos sentida a necessidade de independência eclesiástica de Roma. Contudo, ali iniciou-se um movimento religioso, antes da Reforma na Alemanha. No ano de 1512, Jacques Lefevre escreveu e pregou a doutrina da "justificação pela fé"

Dois partidos surgiram então na corte e entre o povo. Os reis que se sucediam no governo, apesar de

nominalmente católicos romanos, alternadamente se colocavam ao lado de cada partido. Porém o protestantismo sofreu um golpe quase mortal, no terrível massacre da noite de São Bartolomeu, 24 de agosto de 1572, quando quase todos os chefes protestantes e milhares de seus adeptos foram covardemente assassinados. A fé reformada enfrentou terrível perseguição, mas uma parte do povo francês continuou protestante. Apesar de pequeno em número, o protestantismo francês exerceu grande influência.


4. Nos Países-Baixos.

Os Países-Baixos, que se compunham dos atuais países da Bélgica e Holanda, estavam, no início da Reforma, sob o domínio da Espanha. Esses países receberam logo os ensinos da Reforma, porém foram perseguidos pelos regentes espanhóis. Nos Países-Baixos a reforma era um clamor de liberdade política e religiosa e a tirania dos espanhóis levou o povo a rebelar-se. Após prolongada guerra e incrível sofrimento, os Países-Baixos, sob a direção de Guilherme, o Taciturno, finalmente conquistaram a independência desligando-se do governo da Espanha, apesar de somente haverem alcançado o reconhecimento no ano de 1648, sessenta anos depois da morte de Guilherme. A Holanda, tornou-se protestante. Entretanto a Bélgica continuou em sua maioria católica romana.


5. Na Inglaterra:

O movimento da Reforma na Inglaterra passou por vários períodos de progresso e retrocesso devido as diferentes atitudes dos soberanos.

Um dos dirigentes da Reforma na Inglaterra foi João Tyndale, que traduziu o Novo Testamento na língua "mater", a primeira versão em inglês depois da invenção da imprensa; essa tradução, mais do que outra qualquer, modelou todas as traduções, a partir daí. Tyndale foi martirizado em Antuérpia, no ano de 1536. 

Outro dirigente da Reforma foi Tomás Cranmer, arcebispo de Cantuária; Cranmer, após ajudar de modo notável a Inglaterra a tornar-se protestante, retratou-se no reinado da rainha católica Maria, na esperança de salvar a vida. Entretanto, ao ser condenado a morrer queimado, revogou a retratação. 

(a) Sob Henrique VIII.

A reforma na Inglaterra foi favorecida e também prejudicada por Henrique VIII, o qual se separou de Roma, porque o papa não quis sancionar seu divórcio da rainha Catarina, irmã do imperador Carlos V. Henrique VIII fundou uma igreja católica inglesa, sendo ele mesmo o chefe. 


(b) Sob Eduardo VI.

Sob o governo de Eduardo VI, que era muito jovem, e cujo reinado foi curto, a causa da Reforma progrediu muito. Dirigida por Cranmer e outros, a igreja da Inglaterra foi fundada e o Livro de Oração

foi compilado, com sua rica e rítmica forma de linguagem.  


(c) Sob a Rainha Maria.

A rainha Maria, que sucedeu a Eduardo VI, era uma fanática romanista e iniciou um movimento para reconduzir seus súditos a sua antiga igreja, usando para isso a perseguição. Ela governou somente cinco anos; porém nesse período mais de trezentos protestantes sofreram o martírio.


(d) Sob a Rainha Elisabete I.

Com o acesso ao trono de Elizabete, a mais capaz de todos os soberanos da Inglaterra, as prisões se abriram, os exílios foram revogados, a Bíblia foi novamente honrada no púlpito e no lar, e durante seu longo governo, denominado a "época de Elisabete", a mais religiosa da história inglesa, a igreja da Inglaterra firmou-se outra vez e tomou a forma que dura até hoje.


6. Na Escócia.

Na Escócia a Reforma teve progresso muito lento, pois a igreja e o Estado eram governados pela mão férrea do cardeal Beaton e pela rainha Maria de Guise, mãe da rainha Maria da Escócia. O cardeal foi assassinado, a rainha morreu, e logo a seguir João Knox, em 1559, assumiu a direção do movimento reformador. Mediante suas idéias radicais e inflexíveis, sua firme determinação e sua irresistível energia, mesmo contra o engenho e a atração de sua romanista soberana, a rainha Maria dos escoceses, Knox pôde fazer desaparecer todos os vestígios da antiga religião, e levar a Reforma muito mais longe, do que a da Inglaterra. A igreja Presbiteriana, segundo foi planejada por João Knox, veio a ser a igreja da Escócia.


IV. A CONTRA-REFORMA. 

Após haver-se iniciado o movimento da Reforma, um poderoso esforço foi também iniciado pela igreja católica romana no sentido de recuperar o terreno perdido na Europa, para destruir a fé protestante e para enviar missões católico-romanas a países estrangeiros. Esse movimento foi chamado Contra-Reforma.


1. Reforma Dentro da Igreja Católica Romana.

Por via do Concílio de Trento, convocado no ano de 1545 pelo papa Paulo III, principalmente com o objetivo de investigar os motivos e pôr fim aos abusos que deram causa à Reforma. O Concílio era composto de todos os bispos e abades da igreja, e durou quase vinte anos, durante os governos de

quatro papas, de 1545 a 1563. Todos esperavam que a separação entre católicos e protestantes teria fim, e que a igreja ficaria outra vez unida. Os próprios protestantes admitem que depois do Concílio de Trento os papas se conduziram com mais acerto do que os que governaram antes.


2. A Ordem dos Jesuítas.

Fundada em 1534 pelo espanhol Inácio de Loyola. Era uma ordem monástica caracterizada pela combinação da mais severa disciplina, intensa lealdade à igreja e à Ordem, profunda devoção religiosa, e um marcado esforço para arrebanhar prosélitos. 

Seu principal objetivo era combater o movimento protestante. Hoje é uma das forças mais ativas para divulgar e fortalecer a igreja católica romana em todo o mundo.


3. Perseguição Ativa.

No continente europeu, todos os governos católicos preocupavam-se em extirpar a fé protestante, usando para isso a espada. Na Espanha estabeleceu-se a Inquisição, por meio da qual inumerável multidão sofreu torturas e muitas pessoas foram queimadas vivas. Nos Países-Baixos o governo espanhol determinou matar todos aqueles que fossem suspeitos de heresias. Na França o espírito de perseguição alcançou o clímax, na matança da noite de São Bartolomeu, 24 de agosto de 1572, e que se prolongou por várias semanas. Segundo o cálculo de alguns historiadores, morreram de vinte a setenta mil pessoas.


4. Esforços Missionários dos Católicos Romanos.

Os esforços missionários da igreja católica romana devem ser reconhecidos, também, como uma das forças da Contra-Reforma. Esses esforços eram dirigidos em sua maioria pelos jesuítas, e tiveram como resultado a conversão das raças nativas da América do Sul, do México e de grande parte do Canadá. Na índia e países circunvizinhos estabeleceram-se missões por intermédio de Francisco Xavier, um dos fundadores da sociedade dos jesuítas. As missões católicas, nos países pagãos, iniciaram-se séculos antes das missões protestantes e conquistaram grande número de membros e bem assim poder para a respectiva igreja.


5. A Guerra dos Trinta Anos.

Como resultado inevitável de interesses e propósitos contrários dos estados da Reforma e católicos na Alemanha, iniciou-se então uma guerra no ano de 1618, isto é, um século depois da Reforma. Essa guerra envolveu quase todas as nações europeias. Na história ela é conhecida como a Guerra dos Trinta Anos. As rivalidades políticas e religiosas estavam ligadas a essa guerra. Às vezes estados que professavam a mesma fé, apoiavam partidos contrários. A luta estendeu-se durante quase uma geração, e toda a Alemanha sofreu ou seus efeitos terríveis. Finalmente, em 1648, a guerra terminou, com a assinatura do tratado de paz de Westfália, que fixou os limites dos estados católicos e protestantes, que duram até hoje. O período da Reforma pode ser considerado terminado a esse ponto.


Fonte:


HURLBUT, Jesse Lyman. História da Igreja Cristã. Vida, 1979.