quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Hebreus 1:3

Hebreus 1:3 “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas;”

 

“O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa,”

Cristo é o resplendor ou esplendor da glória de Deus. O resplendor que o mundo recebe do próprio caráter de Deus em Jesus Cristo. A expressão “o resplendor da glória” encontra paralelos em “a imagem do Deus invisível” (Colossenses 1:15) e “forma de Deus” (Filipenses 2:6). A glória de Deus era uma luz ofuscante no Antigo Testamento (Êxodo 34:29–35). Este resplendor remete à aparência de Jesus na transfiguração (Mateus 17:2; Marcos 9:2, 3; Lucas 9:29)

A expressa imagem da sua pessoa também tem relação com “a imagem do Deus invisível” (Colossenses 1:15). Do mesmo modo que a expressão exata foi usada em Mateus 22:20, onde se refere à imagem que havia sobre o dinheiro romano. Cristo é a estampa ou a impressão de Deus (Charakter); a essência de Deus. Diferente do homem que também é chamado de “a imagem [eikon]... de Deus”.  Charakter refere-se a uma cópia exata, ao passo que eikon refere-se apenas a possuir traços representativos. Jesus possui todos os atributos de Deus, Seu Pai. O antigo escritor Theodore de Mopsuestia (350–428 d.C.) disse que “a Palavra era Deus” (João 1:1) é equivalente a “Ele é... a expressão exata do Seu Ser”.

A patrística valeu-se com freqüência desse texto para afirmar a divindade de Cristo. Ainda muito cedo, Orígenes escreveu: “A mim me parece que o Filho é um reflexo da glória de Deus, conforme ao que Paulo afirma: 'Ele é o reflexo de sua glória’. Deste reflexo de toda a gloria, reflete certamente os reflexos parciais que tem as demais criaturas dotadas de razão, pois penso que nada, exceto o Filho, pode conter o reflexo da glória do Pai em sua totalidade”.

Por outro lado, Atanásio, em seu discurso contra os arianos, escreveu: “Quem já viu uma luz sem resplendor? Ao escrever aos Hebreus, o apóstolo afirma: ‘Cristo é o esplendor de sua glória e a marca de sua substância’, e Davi, no Salmo 89, canta: ‘O esplendor do Senhor, nosso Deus, está conosco’, e também: 'Em tua luz, vemos a luz’. Quem é tão néscio que não entende que essas palavras referem-se à eternidade do Filho? Como pode alguém ver a luz sem o esplendor de sua irradiação para poder dizer a respeito do Filho: 'Houve um tempo no qual ele não existia’ ou ‘Não existia antes de ser gerado'? A expressão do Salmo 144 refere-se ao Filho: “Teu reino é um reino eterno” e não permite a ninguém pensar em um intervalo cronológico, qualquer que seja, no qual o Logos não existia".

 

“... e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder,

A seguir, o escritor disse que Cristo “sustenta todas as coisas pela palavra do Seu poder”. Este pensamento também se encontra em Colossenses 1:17: “Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste”. Assim como o mundo foi criado pela “palavra” de Deus, ele é sustentado por Sua palavra, Seu poder conservador. Tão certo quanto Ele criou todas as coisas, nada pode continuar a existir sem Ele. Criação e preservação são realizadas por Deus em Jesus Cristo, e pela palavra do seu poder. A palavra falada de Deus criou o universo do nada (Hebreus 11:3). Jesus é “aquele que conduz todas as coisas para o seu devido curso”. Os planetas são mantidos em suas órbitas pelo poder, autoridade e eficácia de Sua palavra.

Um dos argumentos defendidos por Tomás de Aquino em sua Suma Teológica é a prova da ordem do mundo (ou, segundo Tomás de Aquino, o argumento das causas finais) e se apóia no princípio da finalidade: A organização complexa, objetivando um fim, exige uma inteligência ordenada. Essa ordem é evidente: considerado no seu conjunto, o universo nos aparece como uma coisa admiravelmente ordenada, em que todos os seres, todos os elementos, por mais diferentes que sejam, contribuem para o bem geral do universo. Jamais uma estrela, planeta ou cometa entraram na órbita dos outros. A natureza obedece rigidamente às leis estabelecidas por Deus. O universo não ultrapassa qualquer limite além daquilo que lhe foi prescrito. Todo este complexo de seres e coisas encontra-se orientado e sustentado “... pela palavra do seu poder”.

 

“... havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados,

Cristo “[fez] a purificação dos pecados”. A NVI diz que Ele “realizou a purificação dos pecados”. Nesta simples expressão reside o âmago do evangelho. Debaixo da lei de Moisés, a purificação moral só era feita por sacrifício (Hebreus 9:22). Jesus forneceu o meio de perdoar os nossos pecados através do seu sangue derramado na cruz. Ele veio para fazer expiação pelo pecado: “Por isso lhe darei a parte de muitos, e com os poderosos repartirá ele o despojo; porquanto derramou a sua alma na morte, e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos, e intercedeu pelos transgressores” (Isaías 53:12).

O benefício é que temos perdão contínuo à nossa disposição (1 João 1:7). “havendo feito” mostra que a ação foi realizada no passado. Isto enfatiza que a obra redentora de Cristo está completa, fato que é um dos destaques do Livro de Hebreus. Jesus não veio meramente para ensinar retidão moral ou apenas ser um exemplo ou um mártir. Ele veio para tirar os pecados, a fim de termos vida eterna.

 

“... assentou-se à destra da majestade nas alturas;”

Tendo este poder e autoridade como criador, sustentador e como Aquele que assume o pecado, Cristo ocupa o lugar de autoridade à direita de Deus. Quando Jesus apareceu a Estevão à direita do trono celestial, Ele está a direita de Deus em pé (Atos 7:56)! A ênfase de Hebreus de que Cristo agora está “assentado” mostra que Sua obra de redenção está acabada, refutando todo tipo de doutrina de oferta contínua de Si mesmo como um sacrifício. Sua obra está completa, e Ele pode, portanto, assentar-se. Esse lugar, no entanto não é um lugar de repouso, mas de atividade para o divino mediador, sumo sacerdote e intercessor. Em cumprimento do Salmo 110:1.

O Salmos 110 foi dedicado a um príncipe da casa de Davi. “Evidentemente”, era “uma prerrogativa da casa de Davi assentar-se na presença divina, como fez o próprio Davi quando ‘entrou na Casa do SENHOR, ficou perante Ele [Javé]’” (2 Samuel 7:18). O salmo tornou-se um dos textos favoritos da igreja primitiva para comprovar a messianidade de Jesus. (Marcos 12:37; Atos 2:34; 1 Coríntios 15:25; Efésios 1:20.) Era usado para mostrar não só que a obra de Jesus estava concluída e Ele estava descansando, como também que Ele reinava com Deus assentado (Atos 2:33–36). Ele é “Príncipe e Salvador” (Atos 5:31) e está entronizado com Seu Pai!

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
28/1/2026

FONTES:

BAPTISTA, Douglas. A Santíssima Trindade - O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

HARRISON, Everret F; PFEIFFER, Charles F. Comentário Bíblico Moody. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1990.

SILVA, Severino Pedro da. Epístola aos hebreus: as coisas novas e grandes que Deus preparou para você. Rio de Janeiro: CPAD, 2003

GONÇALVES, José. A supremaciade CristoFé, esperança e ânimona carta aos Hebreus. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

ORÍGENES. Comentário al Ev. De Juan, 32, 353-354. La Bíblia Comentada por Los Padres de La Iglesia.

ATANÁSIO. Discursos Contra Los Arianos. La Bíblia Comentada por Los Padres de La Iglesia.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201402_06.pdf

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