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domingo, 25 de janeiro de 2026

Lição 5: O Deus Filho – 1 Trimestre de 2026.

TEXTO ÁUREO

 “E, estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu. E da nuvem saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; escutai-o.” (Mateus 17.5).

 

“E, estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu.”

Quando Jesus transfigurou-se diante dos apóstolos: Pedro, Tiago e seu irmão João. Apareceram Moisés e Elias falando com ele. Lucas nos diz que Moisés e Elias falaram com Jesus "de sua partida que ia Jesus a cumprir em Jerusalém" (Lucas 9:31). Os apóstolos ficaram atônitos em ver a cena e ouvi-los conversando. Pedro ficou tão emocionado que quis fazer parte da conversa e se oferece para montar cabanas para os três. Enquanto ele ainda falava  eis que uma nuvem luminosa os cobriu”.

Todos os evangelistas fazem referência à nuvem luminosa que os cobriu. Essa nuvem era parte da história do Israel. Ao longo de toda a história a nuvem luminosa representava o shekinah, que não era outra coisa senão a glória de Deus Todo-poderoso. Vejamos essa nuvem na história de Israel. Em Êxodo lemos sobre a coluna de nuvens que guiaria o povo em seu caminho (Êxodo 13:21-22). Em uma nuvem o Senhor desceu para dar as tábuas da Lei a Moisés (Êxodo 34:5). Voltamo-nos a encontrar com esta nuvem misteriosa e cheia de luz na dedicação do templo do Salomão; “Tendo os sacerdotes saído do santuário, uma nuvem encheu a Casa do SENHOR” (1 Reis 8:10-11; ver também 2 Crônicas 5:13-14; 7;2). Ao longo de todo o Antigo Testamento aparece esta imagem da nuvem na qual estava a glória misteriosa de Deus.

 

“E da nuvem saiu uma voz que dizia:”

A nuvem se iluminou e se converteu em algo misterioso e saiu dela a voz da majestade divina que impôs o selo de aprovação de Deus sobre seu Filho Jesus. Como no Sinai, a voz divina fala desde a nuvem: “E disse o Senhor a Moisés: Eis que eu virei a ti numa nuvem espessa, para que o povo ouça, falando eu contigo, e para que também te creiam eternamente. Porque Moisés tinha anunciado as palavras do seu povo ao Senhor” (Êxodo 19:9).

A voz transmitirá a mesma mensagem já notada cm Mateus 3:17, quando do batismo de Jesus: “E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.”

 

“Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo;”

A voz saiu de uma nuvem brilhante, símbolo da presença e glória divinas. Essa foi uma das três declarações de Deus sobre a divindade de Seu Filho (Mateus 3.17; João 12:28). Não significa o mais amado (superlativo), nem o único amado, mas amado em sentido especial, particular. Essa linguagem também é semelhante à descrição de Isaque, o filho amado da promessa, a quem Abraão foi chamado a sacrificar: “Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas” (Gênesis 22:2). Esta voz divina voz também confirma a confissão feita por Pedro: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mateus 16.16).

 

Cristo é o amado de Deus por causa do seu relacionamento sem igual com o Pai, da bem disposta obediência, perfeita submissão à morte na cruz e caráter inculpável. No seu ministério terrestre, enfrentava forças contrárias cada vez que firmava a resolução de ir à cruz. No batismo, expressou seu propósito de cumprir tudo quanto fosse necessário como Redentor do pecado (Mateus 3.15). Pouco antes da transfiguração anunciara a sua intenção ir a Jerusalém para enfrentar o sofrimento e a morte (Mateus 16.21-23). E, poucos dias antes de ser crucificado, repeliu a tentação de dizer: “Pai, salva-m e desta hora” (João 12.27,28).

A frase “em que me comprazo” não significa “com o qual eu me agrado” (NAA), e sim, “ em quem o meu prazer está” , ou seja, “aquele no qual o meu plano para a salvação da humanidade está centralizado”. A alusão se refere à profecia messiânica de Isaias 42:1: “Eis aqui o meu servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se compraz a minha alma; pus o meu espírito sobre ele; ele trará justiça aos gentios” (Isaías 42:1).

 

“... escutai-o.”

A palavras de Deus declaravam, em primeiro lugar, ser Jesus superior à Lei e aos profetas, porque era Filho de Deus; era, portanto, a autoridade máxima em todas as questões: “Escutai-o”, pois Moisés e Elias não tinham nada de novo para transmitir: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho, A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo. O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas” (Hebreus 1:1-3).

Transmitia também mensagem especial aos apóstolos, admoestando-os a aceitarem tudo o que o Mestre ensinava, inclusive acerca da sua morte vindoura. Os discipulos bem podem ter pensado que o seu Mestre fosse isento da experiência da morte, como o fora Elias (2 Reis 2.11). Agora tinham de aprender que era só por meio da morte que Jesus poderia entrar em sua glória.

É como se o Pai lhes dissesse: “A Ele ouvi, mesmo quando diz que terá de sofrer e morrer”. A nós, também, cabe ouvi-lo. Lembramos o que Maria disse as serviçais no casamento em Caná “Fazei tudo quanto ele vos disser” (João 2.5).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
4/1/2026

FONTES:

BAPTISTA, Douglas. A Santíssima Trindade - O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

TASKER, R. V. G. Mateus: Introdução e comentário. Série Cultura Bíblica –São Paulo: Mundo Cristão, 1980.

ROBERTSON, A. T. Comentário Mateus & marcos à luz do novo testamento grego. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.

PEARLMAN, Myer. Mateus – O Evangelho do Grande Rei. Rio de Janeiro: CPAD.

BARCLAY, William. The Gospel of Matthew - Tradução: Carlos Biagini.

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