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domingo, 12 de abril de 2026

Salmo 119.89

Salmo 119.89 “Para sempre, ó Senhor, a tua palavra permanece no céu.”

 

“Para sempre, ó Senhor, a tua palavra permanece no céu.”

O salmista reconhece a imutabilidade da palavra de Deus e de todos seus conselhos. Uma palavra é um pensamento revelado. As Escrituras são exatamente isto: os pensamentos e os propósitos de Deus, tornados inteligíveis para os homens. Pela palavra de Deus os céus foram feitos e permanecem ali obedientes a ela: "Porque falou, e tudo se fez; mandou, e logo apareceu" (Salmo 33:9).

A permanência da palavra de Deus no céu é o oposto das mudanças e revoluções que ocorrem aqui na terra: “seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a palavra de nosso Deus permanece eternamente” (Isaías 40:8 ARA). Ela permanece no céu, ou seja, no conselho secreto de Deus, que está escondido nele mesmo e muito distante da nossa vista, e é firme como montes de metal.

Está implícito que, da mesma maneira como Deus é eterno, também a sua palavra o é, e ela tem uma representação apropriada, tanto no céu como na terra: no céu, assim como a sua palavra permanece firme no céu, também a sua fidelidade na terra. Se permanecer no céu, os homens na terra jamais poderão tirá-la de lá. O ímpio não poderá alimentar uma esperança futura derivada de qualquer nova dispensação além do sepulcro, pois a palavra presente de Deus para nós não pode ser alterada.

Sendo assim, o piedoso pode confiar em suas palavras. Ainda que nossos corações vacilem em relação a uma promessa, pela descrença, e ainda que a nossa descrença nos faça crer que a promessa freqüentemente é abalada, ainda assim a palavra de Deus permanece não em nossos corações, mas “no céu”; sim, e ali, “para sempre”, tão firme como o próprio céu; sim, ainda mais; pois “é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til da lei” (Lucas 16.17).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
12/04/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

SPURGEON, Charles. Os Tesouros de Davi – Volume III. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry – Jô a Cantares. Rio de Janeiro CPAD, 2008.  

Josué 23:14

Josué 23:14 “E eis que vou hoje pelo caminho de toda a terra; e vós bem sabeis, com todo o vosso coração, e com toda a vossa alma, que nem uma só palavra falhou de todas as boas coisas que falou de vós o Senhor vosso Deus; todas vos sobrevieram, nenhuma delas falhou.”

 

“E eis que vou hoje pelo caminho de toda a terra;”

Josué era junto com Calebe uns dos homens mais velhos de Israel. Josué viveu até a idade de cento e dez anos. Ele sobreviveu à geração que presenciou as maravilhas feitas no Egito e junto no mar Vermelho. Quando Deus deu repouso a Israel Josué inicia a sua fala ao povo relembrando-os que já estava “velho e entrado em dias” (Josué 23.2); e que cedo ou tarde, Israel não poderia mais contar com a sua presença. E agora já no fim deste discurso ele diz vai pelo caminho de toda a terra, isto é caminho de todos nós. Com toda razão reconheceu Sócrates: “Todos os homens são mortais".

Josué, apanhado na armadilha da mortalidade, procurou reforçar o seu apelo ao assegurar a Israel que pouco tempo lhe restava de vida. É como se ele tivesse dito: “Ouçam as palavras deste homem que está morrendo”. As palavras de um homem moribundo eram consideradas dotadas de um discernimento especial, pois seriam inspiradas pela mente de Deus e deveriam ser ouvidas com cuidado: “Eu vou pelo caminho de toda a terra; esforça-te, pois, e sê homem” (1 Reis 2:2). Sejam quais fossem os desafios que o povo deveria enfrentar dali em diante, eles deveriam enfrentá-los sozinhos, não mais com Josué, mas como Josué.

 

“... e vós bem sabeis, com todo o vosso coração, e com toda a vossa alma, que nem uma só palavra falhou de todas as boas coisas que falou de vós o Senhor vosso Deus; todas vos sobrevieram, nenhuma delas falhou.”

Josué também apelou para o passado, pois Israel havia experimentado a fidelidade de Deus às promessas que fez e sabia disso de todo o seu coração e de toda a sua alma. Essas palavras se parecem com o mandamento para amar a Deus de todo o coração e alma (Deuteronômio 6.5), o qual Jesus nos Evangelhos chama de o maior de todos os mandamento.

Todos eles tinham sido testemunhas oculares e participantes de tudo quanto havia sido feito por Yahweh, por ocasião da invasão da terra, de sua possessão e da distribuição de territórios. Deus tinha prometido vitória, descanso, abundância, etc. Coisa alguma falhou dentro das promessas de Deus, cada uma das suas palavras se concretizaram (e Ele falou-lhes muitas): “Palavra alguma falhou de todas as boas coisas que o Senhor falou à casa de Israel; tudo se cumpriu” (Josué 21:45)

Ele pretende disser: “Deus foi dessa forma fiel a vocês? Não sejam infiéis a Ele”. Esse é o argumento do escritor aos Hebreus para incentivar à perseverança: “Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança; porque fiel é o que prometeu” (Hebreus 10.23).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
12/04/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

HESS, Richard. Josué – Introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

Gênesis 26:3

Gênesis 26:3 “Peregrina nesta terra, e serei contigo, e te abençoarei; porque a ti e à tua descendência darei todas estas terras, e confirmarei o juramento que tenho jurado a Abraão teu pai;”

 

“Peregrina nesta terra, e serei contigo, e te abençoarei;”

Deus, evidentemente, considerava a cidade filisteia de Gerar parte da Terra Prometida, pois Ele disse para Isaque habitar nela. O termo “habitar” significava que Isaque tinha de viver como um “residente estrangeiro” ali, assim como vivera seu pai: “E partiu Abraão dali para a terra do sul, e habitou entre Cades e Sur; e peregrinou em Gera” Genesis 20:1). O escritor aos Hebreus se refere a essa condição de Abraão, Isaque e Jacó: “Pela fé habitou na terra da promessa, como em terra alheia, morando em cabanas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa” (Hebreus 11:9).

O Senhor repetiu a Isaque as mesmas promessas básicas antes a Abraão (Genesis 12:1–3; 13:15–17; 15:7, 8, 18–21; 17:2–8; 22:17, 18). Deus estaria sempre com ele, e Sua presença garantiria a bênção e um suprimento abundante, apesar da fome que se espalhara pela região.

 

“... porque a ti e à tua descendência darei todas estas terras, e confirmarei o juramento que tenho jurado a Abraão teu pai;”

A promessa divina feita a Abraão agora é transferida para Isaque, que era o instrumento escolhido para dar continuidade ao desígnio do Senhor. As dimensões do território prometido a Abraão estão em Genesis 15.18, seriam dados a Isaque e a sua descendência “Naquele mesmo dia fez o Senhor uma aliança com Abrão, dizendo: À tua descendência tenho dado esta terra, desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates”. Tais territórios, no momento, eram possuídos por várias tribos de filisteus, de cananeus e de outros povos hostis.

Isaque jamais veria a concretização desse aspecto do Pacto Abraãmico. Ainda passar-se-ia muito tem­po, dentro da longa estrada da história de Israel. Mas essa promessa que o Senhor lhe tinha feito serviria motivação a Isaque: “Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra” (Hebreus 11:13).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
12/04/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201601_01.pdf

Genesis 26.12

Genesis 26.12 “E semeou Isaque naquela mesma terra e colheu, naquele mesmo ano, cem medidas, porque o Senhor o abençoava.” 

 

“E semeou Isaque naquela mesma terra e colheu, naquele mesmo ano, cem medidas,”

Visando garantir que nenhum dos filisteus maltratasse Isaque ou molestasse Rebeca, Abimeleque, rei de Gerar disse a todo o seu povo: “Qualquer que tocar neste homem ou em sua mulher, certamente morrerá” (Gênesis 26:11). Abimeleque poderia ter ordenado que Isaque e Rebeca saíssem de sua terra, como fez Faraó com Abraão e Sara, décadas atrás (Genesis 12:19, 20). Em vez disso, o rei permitiu que eles permanecessem em seu território.

Além de criar ovelhas e bois, Isaque começara a plantar e colher. Semeou Isaque naquela terra e, no mesmo ano, recolheu cento por um. Cento por um. Uma linguagem figurada que parece indicar a colheita máxima que alguém poderia esperar na Palestina (Mateus 13.8), ainda que, noutros lugares, houvesse colheitas mais produtivas ainda.

Aqui parece haver ênfase sobre a época: foi naquele mesmo ano em que havia fome na terra. Enquanto outros colhiam escassamente, ele colheu com abundância. Isaías 65.13: “Eis que os meus servos comerão, mas vós padecereis”; Salmos 37.19: “Nos dias de fome se fartarão”.

Desde a antiguidade, beduínos plantavam e colhiam nessa parte semi-árida do mundo; porém, cultivar em solo árido era difícil naqueles dias e certamente não costumava produzir cem medidas para cada uma cultivada. Isaque é o único patriarca descrito especificamente como um agricultor.

 

“... porque o Senhor o abençoava.”

Essa colheita abundante confirma que o senhor o abençoava ali. Pois, Isaque obedeceu a Deus E não desceu ao Egito, conforme lhe fora ordenado. Ele cumpriu a sua parte semeando, mas Deus é que lhe estava dando sucesso e prosperidade extraordinária. Isso porque Deus havia prometido a Isaque que estaria com ele: “Peregrina nesta terra, e serei contigo, e te abençoarei...” (Gênesis 26:3).

Isaque enfrentava a fome, mas não desceu para o afluente e rico Egito. Todavia, em meio à necessidade, o plano divino continuava a operar, e, finalmente, Isaque prosperou acima de todas as expectativas. Por trás dele estava a mão invisível de Deus; invisível, mas real.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
12/04/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry – Genesis a Deuteronômio. Rio de Janeiro CPAD, 2008.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201601_01.pdf

Genesis 26.14

Genesis 26.14 “E tinha possessão de ovelhas, e possessão de vacas, e muita gente de serviço, de maneira que os filisteus o invejavam.”

 

“E tinha possessão de ovelhas, e possessão de vacas, e muita gente de serviço,”

Isaque já era rico, tendo herdado muitas riquezas de seu pai, Abraão (Genesis 25:5). A casa de Abraão chegou a ter trezentos e dezoito servos que eram pastores guerreiros (Genesis 14:14) e a casa de Isaque devia ser muito maior do que a de seu pai, a essa altura.

O autor resumiu a riqueza de Isaque afirmando que ele possuía ovelhas e bois e grande número de servos ou escravos.  Os tesouros antigos eram calculados com base no peso do ouro e da prata, com base no gado possuído, com base nas vestes e no número de escravos e servos. Isaque possuía todos os indicadores econômicos da abastança. Champlin diz que“. . .se, na vida de um homem, há tanta atividade e abundância, deve haver pessoas envolvidas, bem como muito lucro para manter as atividades”. Observe que “onde a fazenda se multiplica, aí se multiplicam também os que a comem” (Eclesiastes 5.11).

 

“... de maneira que os filisteus o invejavam.”

Isaque, um homem rico, começa agora e enfrentar os problemas que geralmente afetam os ricos: “Também vi eu que todo o trabalho, e toda a destreza em obras, traz ao homem a inveja do seu próximo. Também isto é vaidade e aflição de espírito” (Eclesiastes 4:4).  Os filisteus começaram a invejá-lo. Quanto mais os homens possuem riqueza, mais são invejados, e expostos à censura e ofensas. “Quem parará perante a inveja?” (Provérbios 27.4).  

O verbo hebraico (qana “invejar”) sugere intenso ciúme – uma obra da carne (Gálatas 5:19–21) que faz o indivíduo cobiçar o que outros têm: “Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo” (Êxodo 20:17).  Os filisteus tinham receio de seu poder e influencia com Abimeleque; afinal ele era um estrangeiro entre eles, por esse motivo em breve começariam a tomar medidas para livrar-se dele (vv. 16 e 17).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
12/04/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry – Genesis a Deuteronômio. Rio de Janeiro CPAD, 2008.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201601_01.pdf

Tiago 2.17

Tiago 2.17 “Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma.”

 

“Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma.”

Essa conclusão baseia-se nos versos parábola hipotética dos versos 15 e 16. A fé autêntica é demonstrada através de atos de amor e compaixão. O texto de 1 João 3.17 expressa a mesma idéia: “Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar as suas entranhas, como reside nele o amor de Deus?”

Assim como dar uma resposta ao necessitado desprovida de obras de caridade para nada serve, a fé, se não tiver obras, é inútil, morta, inativa ou vã: “Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta?” (v. 20). Este sentido de morta significando “sem valor” é muito comum no Novo Testamento: Apocalipse 3:1; Romanos 4:6,11; 7:8.

Esclarecendo Tiago não está contrastando fé e obras, e sim a fé operosa e a fé morta que não é operosa ou nas palavras de outro comentarista Tiago está mostrando i contraste entre fé “com obras” e fé “sem obras”. Esta última assemelha-se a um corpo sem espírito, sem vida, e não traz proveito algum para o dia do julgamento: “Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta” (Tiago 2:26).

A verdadeira fé deve sempre se manifestar em ações, embora não seja essas ações um substituto para a fé, mas a expressão natural dela. A fé cristã não pode ser resumida em um conjunto de preceitos sem prática, ou será morta aos olhos daqueles que nos observam. Ela precisa ser demonstrada no dia a dia de seus crentes. Ela é ineficaz se não vier acompanhada de ação. Tiago afirmará posteriormente o seguinte: “Prove para mim que você tem fé sem obras, e eu provarei para você que tenho fé por meio das minhas obras” (v.18).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
12/04/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

MOO, Douglas J. Tiago - Introdução e Comentário. São Paulo: Vida Nova, 1990.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_202207_05.pdf

Lição 3: A impaciência na espera do cumprimento da promessa - 2 Trimestre de 2026.

TEXTO ÁUREO

“E disse Sarai a Abrão: Eis que o Senhor me tem impedido de gerar; entra, pois, à minha serva; porventura, terei filhos dela. E ouviu Abrão a voz de Sarai.” (Genesis 16.2).

 

“E disse Sarai a Abrão: Eis que o Senhor me tem impedido de gerar;”

Com o aumento da pressão sobre si, afinal Abraão se tornaria pai de uma multidão de descendentes que, um dia, herdariam a Terra Prometida, Sara culpou o Senhor por sua incapacidade de gerar filhos, afirmando que Ele a tinha impedido de dar à luz filhos.

Naturalmente, hoje sabemos que vários motivos fisiológicos e/ou psicológicos impedem que certas mulheres engravidem. Todavia, situações extraordinárias de fato ocorreram nas Escrituras, principalmente em Genesis, em que Deus fechou o ventre de mulheres; daí a concepção tornou-se impossível sem que houvesse uma intervenção divina (Genesis 20:17, 18; 29:31; 30:22).

Quaisquer que sejam os detalhes das circunstâncias vividas por Sara, a infertilidade dela foi uma prova de fé para o casal escolhido.

 

“... entra, pois, à minha serva; porventura, terei filhos dela.”

A paciência de Sara se esgotou. Como Abraão se tornaria pai de uma multidão de descendente se ele nem tinha filhos? Tendo perdido a esperança de gerar um filho, Sara implorou a Abraão que tomasse a serva [Agar], dizendo: E assim me edificarei com filhos por meio dela. Isto soa muito estranho para nós hoje; porém, dada a importância de um filho homem para perpetuar a linhagem familiar e a vergonha acumulada sobre uma mulher estéril na antiguidade, provavelmente Sara acreditava que não havia outra solução.

No Oriente Próximo antigo, o motivo lógico comum para a poligamia era a esterilidade da esposa ou a sua incapacidade de gerar um herdeiro masculino. Em tais casos, o marido estava livre para tomar uma segunda mulher; mas uma prática mais comum era que o marido tivesse um filho por meio de uma escrava ou serva jovem como Agar.

Os códigos legais na Mesopotâmia antiga onde Abraão e Sara nasceram e viveram antes de chegarem a Canaã uns dez anos antes – previa isso. Por exemplo, um texto das Tábuas de Nuzi, datado do século XV a.C., diz que uma esposa de uma família proeminente que fosse incapaz de gerar filhos tinha a opção de dar uma concubina ao marido oriunda de Lulu (de onde procediam as jovens escravas) para gerar um filho ao marido no lugar dela. A criança gerada dessa união seria reconhecida como sendo da esposa e teria os direitos legais de um filho legítimo do casamento. Devemos ter em mente o fato de que tais filhos das concubinas de Jacó foram incluídos na família e aceitos com plenos direitos e eleitos  chefes de tribos.

 

“E ouviu Abrão a voz de Sarai.”

E Abrão anuiu ao conselho de Sarai. Abrão talvez tenha raciocinado que a promessa poderia cumprir-se daquela maneira, e o fato de que já se haviam passado dez anos em Canaã pode ter aumentado a pressão sobre ele, a fim de que agisse. Por isso tudo, deslizou na fé para deixar-se guiar pela razão e pelo conselho de Sara, e não do Senhor (Mateus 16:23).

A linguagem usada aqui é digna de nota, pois a resposta desorientada do patriarca para a sugestão de sua mulher está emoldurada nos mesmos termos da obediência de Adão à proposta de Eva, no jardim do Éden (Genesis 3:17). O relato afirma que Abraão anuiu ao conselho de Sarai. Num sentido, Abraão reencenou a “queda do homem”. Em vez de confiar em Deus e seguir a Sua palavra, ele deu ouvido à esposa e obedeceu à instrução dela, obtendo resultados desoladores.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
27/03/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

Kidner, Derek. Gênesis: introdução e comentário. Trad. Odayr Olivetti.São Paulo: Vida Nova, 2004.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201510_05.pdf