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sexta-feira, 10 de abril de 2026

Tiago 2:16

Tiago 2:16 “E algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí?”

 

“E algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos;”

Tiago continua usando uma ilustração para mostrar a seus ouvintes que a fé expressa só em palavras não tem valor.  Se um cristão qualquer após contemplar entre seus irmãos uma pessoa nua ou necessitada de alimento disser: “Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos” e depois se ausentar dele. Estaria expressando uma saudação de despedida semelhante ocorre em Juízes 18:6; 2 Samuel 3:21 e Atos 16:36. As palavras de Tiago podem ser assim traduzidas: “Passe bem. Vista-se bem e coma bem”.

Ide em paz” Tal homem se mostra civil e cortês em sua maneira de falar, cuidando em cumprir as gentilezas sociais. Mas nada faz daquilo que poderia aliviar o sofrimento. “Aquentai-vos” significa aquecer-se com boas roupas (Jó 31:20; Ageu 1:6). Às pessoas em foco faltava o agasalho suficiente para as intempéries, quanto mais para o decoro que as vestes podem dar a quem as usa. “Fartai-vos” significa comer alimentos que as pessoas não possuíam. Como poderiam comer? Elias pediu comida a uma viúva pobre que lhe respondeu: “Vive o Senhor teu Deus, que nem um bolo tenho, senão somente um punhado de farinha numa panela, e um pouco de azeite numa botija; e vês aqui apanhei dois gravetos, e vou prepará-lo para mim e para o meu filho, para que o comamos, e morramos” (1 Reis 17:12).

 

“... e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí?”

O necessário para o corpo são, evidentemente, o alimento e as roupas essenciais para se viver. Tiago tinha demonstrado a necessidade das obras de misericórdia para com os pobres (2:13). Ele se coloca ao lado de uma tradição bíblica longa e bem representada. Isaías convoca o povo de seus dias a que desse um significado real a seus ritos religiosos: “repartas o teu pão com o faminto, recolhas em casa os pobres desabrigados, e se vires o nu o cubras... então clamarás, e o Senhor te responderá...” (Isaías 58.7-9). Jesus prometeu o reino àqueles que dessem de comer e vestissem “a um destes meus pequeninos irmãos” (Mateus 25.31-46).

Que valor teria uma saudação desejando bênçãos e palavras de despedida, nesse caso? Além de inúteis, soariam como zombaria. A aplicação ao contexto será apresentada no próximo versículo. Que proveito haveria para o beneficio humano ou para a justificação da alma? Não há proveito em qualquer dessas áreas para as palavras piedosas que não se transmutam em ação. O amor não deve ser só em palavras, mas também em ações (1 João 3:17, 18). Deve haver piedade nas ações da vida diária, para que haja proveito em um e outro sentido.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
10/04/2026

FONTES:

MOO, Douglas J. Tiago - Introdução e Comentário. São Paulo: Vida Nova, 1990.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_202207_05.pdf

Tiago 2:15

iago 2:15 “E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento cotidiano,”

 

“E, se o irmão ou a irmã estiverem nus,”

Esta ilustração, à semelhança da apresentada em 2.2-3, é claramente hipotética; Tiago não está fazendo referência a um incidente específico. Por outro lado, é evidente que a ilustração reflete uma profunda e real preocupação de Tiago. Fornecer assistência aos pobres é um daqueles atos de misericórdia que “triunfam sobre” o julgamento de Deus (v. 13).

Nesta ilustração Tiago inicia a exposição sobre o mérito da alegação da fé sem obras ou fé não operante com a ilustração de um suposto cristão, um irmão ou uma irmã, desprovido das necessidades básicas da vida. Com isto, ele salienta de forma concreta a necessidade da obra de fé: “O cristão tem o dever de fazer o bem a todos, especialmente aos que pertencem à família da fé” (Gálatas 6:10).

Nu (João 21:7) indica pouca roupa ou roupas que são praticamente nada, isto é, sem a capa externa, ou, simplesmente, sem vestuário adequado. Embora o termo “nu” seja geralmente usado em sentido relativo no Novo Testamento indicando provação. Essa tal pessoa vem à reunião com uma camisa ou blusa desgastada; a irmã só tem um vestido para usar no domingo; e mesmo essa roupa há muito deixou de ser decente.

Uma outra crente, que tem cinco vestidos novos em seu guarda-roupa, outro possui carias camisas. Eles podem perceber isso sem sentir qualquer tipo de empatia e não fazer nada para remediar a situação da primeira. A fé destes últimos seria fingida, ou seja morta (v.17).

 

“... e tiverem falta de mantimento cotidiano,”

Algumas pessoas, entre as classes mais pobres, literalmente não sabem de onde lhes virá sua próxima refeição, e muito menos como poderão passar o mês. Muitas delas não possuem dinheiro bastante para garantir, de modo absoluto, que elas e seus filhos terão o necessário para a alimentação diária. Algumas dessas pessoas se encontram na igreja cristã.

Deveríamos fazer uma espécie de provisão para elas. Os membros mais abastados deveriam estar dispostos a fazer donativos. Essa é a lei do amor, o que é exigência da fé autêntica. O fato que o autor sagrado menciona o alimento cotidiano mostra-nos que o caso suposto pela parábola é urgente. Exige ações imediatas e generosas.

A falta de roupas e comida enfatiza o estado de miséria dessa pessoa. João, o batista, respondendo seus seguidores afirmava: “Quem tiver duas túnicas, reparta com o que não tem, e quem tiver alimentos, faça da mesma maneira” (Lucas 3:11). O cristão que não se dispõe a ajudar seu irmão em tamanha carência não tem o amor de Deus (1 João 3:17).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
10/04/2026

FONTES:

MOO, Douglas J. Tiago - Introdução e Comentário. São Paulo: Vida Nova, 1990.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_202207_05.pdf

Romanos 1.17

Romanos 1.17 “Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá pela fé.”

 

“Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé,”

Em outras palavras, o texto está afirmando que a justiça de Deus se revela no Evangelho. Certo escritor assim se manifestou sobre a justiça de Deus: “A justiça de Deus é a soma total de tudo quanto Deus provê ao pecador através de Jesus Cristo”. E essa justiça é outorgada, concedida e imputada por Deus ao pecador arrependido quando ele crê em Cristo. O pecador é justificado em Cristo, mediante a justiça de Deus manifestada na cruz do Calvário em favor dele. E mediante a fé, e não pelas obras. A fé não é a base da justificação, mas seu instrumento de apropriação. O homem não é salvo por causa da fé, mas mediante a fé.

Francis Schaeffer diz que a salvação envolve mais do que justificação. Somos justificados pela fé, mas também devemos viver de acordo com a mesma fé no presente. Depois de termos sido justificados pela fé, devemos viver pela fé. Este é o segundo aspecto da salvação, a nossa santificação.

 

“... como está escrito: Mas o justo viverá pela fé.”

Estas palavras oriundas de Habacuque 2:4 já tinha sido citada por Paulo em Gálatas 3:11: “E é evidente que pela lei ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé  para provar que não é pela lei que o homem é justificado perante Deus. O hebraico emunuh, traduzido "fé" em Habacuque 2:4 (LXX pistis), significa "perseverança" ou "fidelidade". Na passagem de Habacuque esta perseverança ou fidelidade baseia-se numa firme confiança em Deus e Sua Palavra, e é esta firme confiança que Paulo compreende pelo termo.

Habacuque, clamando a Deus contra a opressão sob a qual seu povo gemi, recebeu de Deus a segurança de que a impiedade não triunfaria indefinidamente, a justiça seria finalmente vindicada, e a terra se encheria "do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar" (Habacuque 2:14). Esta visão poderia demorar a realizar-se, mas se cumpriria com toda a certeza. Enquanto isso, os justos resistiriam até o fim, dirigindo as suas vidas por uma lealdade a Deus inspirada pela fé em Sua promessa.

Quando Paulo focaliza as palavras de Habacuque e vê nelas a verdade central do Evangelho, parece atribuir-lhes este sentido: "aquele que é justo (justificado) pela fé é que viverá." Os termos do pronunciamento divino mediante Habacuque são gerais o bastante para permitir a aplicação que Paulo faz deles, aplicação que, longe de fazer violência à intenção do profeta, expressa a permanente validez da sua mensagem.

Nada além da fé faz o pecador obter a aceitação diante de Deus. Israel apresentava seus privilégios religiosos, e os gentios apresentavam suas obras. Nem as obras, nem cultura, nem raça, nem herança têm aceitação diante de Deus. Somente pela fé em Cristo Jesus. A fé é o meio pelo qual a justiça de Deus tornou possível uma nova relação com Ele. Lopes escreveu que o justo viverá pela fé. O justo é salvo pela fé, vive pela fé, vence pela fé e caminha de fé em fé.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
10/04/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

CABRAL, Elienai. Romanos – O evangelho da justiça de Deus. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus. 1986.

BRUCE, F, F. Romanos - Introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2002.

SCHAEFFER, Francis A. A Obra Consumada de Cristo: A verdade de Romanos 1-8. São Paulo: Cultura Cristã, 2022.

Lopes, Hernandes dias. Romanos: o evangelho segundo Paulo. São Paulo, SP: Hagnos 2010.

Hebreus 11.6

Hebreus 11.6 “Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam.”

 

“Ora, sem fé é impossível agradar-lhe;”

Esse verso explica por que a fé de Enoque, descrita no versículo 5, levou-o a um estado de comunhão com Deus a ponto de ser transportado para o céu. Ninguém jamais agradou a Deus sem crer nEle. Enoque agradou muito a Deus porque a fé dele foi além de mero consentimento mental, para uma obediência total e confiante. Este é o elemento essencial implícito na “fé” encontrado em Hebreus. “Sem fé é impossível agradar a Deus”. Isso não significa que é difícil agradar a Deus sem fé, mas que não é possível.

A palavra grega para “fé” (pistis) é traduzível tanto por “fé” como por “crença”. Essas duas palavras da língua portuguesa são sintetizadas numa única palavra grega. Este versículo afirma explicitamente que “sem fé” não se pode agradar a Deus, pois é “preciso crer”. Quem crê tem fé. “Crentes” no Novo Testamento são os mesmos que têm “fé”.

A fé é a condição essencial para agradar a Deus ou ter com unhão com Ele. O homem que se aproxima de Deus como adorador terá de “crer” (isto é, ter fé) que Deus existe e exerce o governo moral do Universo.

 

“... porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam.”

A Bíblia não faz um esforço sistemático para provar que Deus existe. Com todas as alegações da atuação divina encontradas nestes versículos nenhum argumento é oferecido para convencer um cético da existência divina. As Escrituras simplesmente afirmam que “o insensato” nega que há Deus (Salmos 14:1).

Deus por fim desiste dos que obstinada e persistentemente O rejeitam (Romanos 1:18–24). A Bíblia começa sem nenhuma incerteza da existência de Deus, mas com a certeza de que Ele existe e de que tudo vem dEle (Gênesis 1:1–3; João 1:1–3). O conceito de Deus não é designado para devaneios filosóficos da mente. Ele é a grande realidade do mundo. Sequer chegamos perto dEle sem crer que Ele existe.

Quando uma pessoa é convidada a aceitar a Cristo pela fé, pelo arrependimento, pela confissão e pelo batismo (João 1:11, 12) e ela faz isso, não está dando um passo para a escuridão, mas para a luz. A fé não é cega, nem é uma aberração psicológica aceita por mentes ignorantes. Negar a existência de Deus “é tão imoral quanto irracional”.

 

“... e que é galardoador dos que o buscam.”

Esta segunda idéia deve incluir uma crença na bondade essencial de Deus, a qual é questionada por muitos céticos ou incrédulos. Só “buscamos” a Deus se cremos numa recompensa final. A palavra “buscar” (ekzeteo) significa “procurar com cuidado, diligentemente”. A recompensa certamente não está na aquisição de automóveis, casas e outros bens. Nossa recompensa por encontrarmos a Deus só será totalmente alcançada na eternidade. Até lá, nesta vida, podemos contar com a perfeita providência de Deus (Romanos 8:28). Isto é prometido àquele que O busca persistentemente, pois esse é o tipo de pessoa que O encontrará.

Barclay conclui: Devemos crer não só que Deus existe, mas também que Ele se importa com o mundo, e está envolto na situação humana. E para o cristão isto é fácil, porque em Jesus Cristo Deus veio ao mundo para nos dizer quanto nós lhe importamos: “eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância” (João 10:10).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
10/04/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

Barclay, William. The Letter to The Hebrews (Título Original em Inglês). Tradução: Carlos Biagini.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201407_01.pdf

Gênesis 22:7

Gênesis 22:7 “Então falou Isaque a Abraão seu pai, e disse: Meu pai! E ele disse: Eis-me aqui, meu filho! E ele disse: Eis aqui o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto?”

 

“Então falou Isaque a Abraão seu pai, e disse: Meu pai!”

Enquanto o pai e o filho subiam o monte juntos em silencio. Isaque quebra o silêncio fúnebre ao dirigir-se a Abraão com uma curiosidade. Isaque diz: “Meu pai”. Esta era uma palavra enternecedora, que, poderíamos pensar, penetraria mais fundo no peito de Abraão do que o seu cutelo poderia penetrar no peito de Isaque.

 

“E ele disse: Eis-me aqui, meu filho!”

Abraão poderia ter dito, ou pensado: “Não chame de seu pai a quem agora será o seu assassino. Pode um pai ser tão bárbaro, tão perfeitamente perdido a toda a ternura de um pai?” Mas ele conserva o seu temperamento, e conserva a sua aparência, admiravelmente. Calmamente ele espera pela pergunta do seu filho.

Ele responde “Eis-me aqui, meu filho” Esse diálogo ilustra o profundo amor e respeito existente entre ambos. Isaque dirigiu-se a ele afetuosamente e Abraão respondeu amavelmente a seu filho.

 

“E ele disse: Eis aqui o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto?”

Abraão havia cortado lenha para o holocausto antes de sair. Ao terceiro dia quando avistou o monte indicado se despediu dos seus moços “e tomou Abraão a lenha do holocausto, e pô-la sobre Isaque seu filho; e ele tomou o fogo e o cutelo na sua mão, e foram ambos juntos” (v.6). Isaque estava familiarizado com sacrifícios de animais, e percebeu que lhes faltava alguma coisa, pois possuíam os itens necessários para matar um animal e queimá-lo no altar; porém, indagou: “Onde está o cordeiro para o holocausto?”

Parece que o garoto confiava completamente no pai; mas estava confuso, pois eles não tinham um animal para sacrificar.Esta foi uma pergunta dolorosa para Abraão. Como Abraão poderia suportar pensar que Isaque seria o cordeiro? E ele realmente o seria. Mas o pai ainda não ousa dizer-lhe isto.

Henry acrescenta que essa pergunta ensina a todos nós que, quando vamos adorar a Deus, devemos seriamente considerar se temos tudo preparado, especialmente o cordeiro para o holocausto. Eis aqui o fogo, a ajuda do Espírito e a aceitação de Deus. A lenha está preparada, as ordenanças instituídas designadas a despertar nossos afetos (que são somente como a lenha sem o fogo, a menos que o Espírito trabalhe por eles). Tudo está preparado, mas onde está o cordeiro? Onde está o coração? Ele está pronto para ser ofertado a Deus, para ascender até Ele como um holocausto?

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
10/04/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry – Genesis a Deuteronômio. Rio de Janeiro CPAD, 2008.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201511_09.pdf

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA 10 DE ABRIL DE 2026 (Gênesis 15:18)


LEITURA BÍBLICA DIÁRIA  

10 DE ABRIL DE 2026
O CONCERTO DE DEUS COM ABRÃO

Gênesis 15:18 “Naquele mesmo dia fez o Senhor uma aliança com Abrão, dizendo: À tua descendência tenho dado esta terra, desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates;”

 

“Naquele mesmo dia fez o Senhor uma aliança com Abrão, dizendo: À tua descendência tenho dado esta terra,”

Depois que o sol se pôs, a escuridão dominou a cena, Abraão viu um fogareiro fumegante e uma tocha de fogo que passou entre os pedaços de animais que jaziam ao chão (v.17). Ao fazer isto, Deus fez uma aliança com Abrão naquele mesmo dia, isto é, fez uma promessa a Abrão, dizendo: A tua semente tenho dado esta terra. O bendito Senhor havia dito antes, A tua semente darei esta terra, cap. 12.7; 13.15. Mas aqui Ele diz, Eu tenho dado.

O verbo “dar” aqui está no “pretérito perfeito profético”, usado para exprimir “um acontecimento a ocorrer num futuro distante como se já tivesse ocorrido”.  A possessão é tão garantida, no devido tempo, como se lhes fosse, na verdade, entregue agora. Aquilo que Deus prometeu é tão garantido como se já estivesse feito. Conseqüentemente, está escrito que aquele que crê tem a vida eterna (João 3.36), pois irá para o céu, e isto é tão certo como se já estivesse lá.

 

“... desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates;”

O território de Israel estender-se-ia do rio Nilo ao rio Eufrates, ou seja, cerca de mil quilômetros, o que não é uma distância muito grande, embora grande o bastante para as nações da época. Essencialmente, essa é a dimensão sudoeste-nordeste. Mas não nos é dada a dimensão oeste-leste. Sobre essa promessa Moisés e Josué acrescenta detalhes sobre a dimensão: “O Senhor nosso Deus nos falou em Horebe, dizendo: Sobremodo vos haveis demorado neste monte. Voltai-vos, e parti, e ide à montanha dos amorreus, e a todos os seus vizinhos, à planície, e à montanha, e ao vale, e ao sul, e à margem do mar; à terra dos cananeus, e ao Líbano, até ao grande rio, o rio Eufrates. Eis que tenho posto esta terra diante de vós; entrai e possuí a terra que o Senhor jurou a vossos pais, Abraão, Isaque e Jacó, que a daria a eles e à sua descendência depois deles” (Deuteronômio 1:6-8); “Todo o lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado, como eu disse a Moisés. Desde o deserto e do Líbano, até ao grande rio, o rio Eufrates, toda a terra dos heteus, e até o grande mar para o poente do sol, será o vosso termo” (Josué 1:3,4).

Todavia, somente na época de Davi e Salomão, centenas de anos depois, foi que Israel assumiu o controle político e econômico desse território (2 Samuel 8:3–15). Neste caso como império, não como pátria. Em 1 Reis 4.21,24, lemos: "Dominava Salomão sobre todos os reinos desde o Eufrates até à terra dos filisteus e até à fronteira do Egito [...] Porque dominava sobre toda região [...] aquém do Eufrates, desde Tifsa até Gaza, e tinha paz por todo o derredor".

O domínio de Israel sobre esse território durou apenas algumas décadas porque populações nativas começaram a se revoltar e se esquivar do jugo israelita. Com a morte de Salomão, o reino se partiu oficialmente, e foi ainda mais enfraquecido pela guerra civil. Assim, os israelitas perderam para sempre o controle de uma parte relativamente grande da terra que Deus prometeu a Abraão.

Israel nunca chegou a possuir como pátria toda essa terra. Visto que essa aliança não foi cumprida literalmente na história de Israel, deve haver cumprimento futuro literal da aliança em virtude do seu caráter incondicional. Possivelmente, no futuro, durante o milênio, Israel apossar-se-á de todo esse território prometido a Abraão.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
25/03/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

Kidner, Derek. Gênesis: introdução e comentário. Trad. Odayr Olivetti.São Paulo: Vida Nova, 2004.

PENTECOST, J. Dwight. Manual de Escatologia. São Paulo: Editora Vida.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry – Genesis a Deuteronômio. Rio de Janeiro CPAD, 2008.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001. 

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201510_03.pdf