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sexta-feira, 27 de março de 2026

Genesis 16.2

Genesis 16.2 “E disse Sarai a Abrão: Eis que o Senhor me tem impedido de gerar; entra, pois, à minha serva; porventura, terei filhos dela. E ouviu Abrão a voz de Sarai.”

 

“E disse Sarai a Abrão: Eis que o Senhor me tem impedido de gerar;”

Com o aumento da pressão sobre si, afinal Abraão se tornaria pai de uma multidão de descendentes que, um dia, herdariam a Terra Prometida, Sara culpou o Senhor por sua incapacidade de gerar filhos, afirmando que Ele a tinha impedido de dar à luz filhos.

Naturalmente, hoje sabemos que vários motivos fisiológicos e/ou psicológicos impedem que certas mulheres engravidem. Todavia, situações extraordinárias de fato ocorreram nas Escrituras, principalmente em Genesis, em que Deus fechou o ventre de mulheres; daí a concepção tornou-se impossível sem que houvesse uma intervenção divina (Genesis 20:17, 18; 29:31; 30:22).

Quaisquer que sejam os detalhes das circunstâncias vividas por Sara, a infertilidade dela foi uma prova de fé para o casal escolhido.

 

“... entra, pois, à minha serva; porventura, terei filhos dela.”

A paciência de Sara se esgotou. Como Abraão se tornaria pai de uma multidão de descendente se ele nem tinha filhos? Tendo perdido a esperança de gerar um filho, Sara implorou a Abraão que tomasse a serva [Agar], dizendo: E assim me edificarei com filhos por meio dela. Isto soa muito estranho para nós hoje; porém, dada a importância de um filho homem para perpetuar a linhagem familiar e a vergonha acumulada sobre uma mulher estéril na antiguidade, provavelmente Sara acreditava que não havia outra solução.

No Oriente Próximo antigo, o motivo lógico comum para a poligamia era a esterilidade da esposa ou a sua incapacidade de gerar um herdeiro masculino. Em tais casos, o marido estava livre para tomar uma segunda mulher; mas uma prática mais comum era que o marido tivesse um filho por meio de uma escrava ou serva jovem como Agar.

Os códigos legais na Mesopotâmia antiga onde Abraão e Sara nasceram e viveram antes de chegarem a Canaã uns dez anos antes – previa isso. Por exemplo, um texto das Tábuas de Nuzi, datado do século XV a.C., diz que uma esposa de uma família proeminente que fosse incapaz de gerar filhos tinha a opção de dar uma concubina ao marido oriunda de Lulu (de onde procediam as jovens escravas) para gerar um filho ao marido no lugar dela. A criança gerada dessa união seria reconhecida como sendo da esposa e teria os direitos legais de um filho legítimo do casamento. Devemos ter em mente o fato de que tais filhos das concubinas de Jacó foram incluídos na família e aceitos com plenos direitos e eleitos  chefes de tribos.

 

“E ouviu Abrão a voz de Sarai.”

E Abrão anuiu ao conselho de Sarai. Abrão talvez tenha raciocinado que a promessa poderia cumprir-se daquela maneira, e o fato de que já se haviam passado dez anos em Canaã pode ter aumentado a pressão sobre ele, a fim de que agisse. Por isso tudo, deslizou na fé para deixar-se guiar pela razão e pelo conselho de Sara, e não do Senhor (Mateus 16:23).

A linguagem usada aqui é digna de nota, pois a resposta desorientada do patriarca para a sugestão de sua mulher está emoldurada nos mesmos termos da obediência de Adão à proposta de Eva, no jardim do Éden (Genesis 3:17). O relato afirma que Abraão anuiu ao conselho de Sarai. Num sentido, Abraão reencenou a “queda do homem”. Em vez de confiar em Deus e seguir a Sua palavra, ele deu ouvido à esposa e obedeceu à instrução dela, obtendo resultados desoladores.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
27/03/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

Kidner, Derek. Gênesis: introdução e comentário. Trad. Odayr Olivetti.São Paulo: Vida Nova, 2004.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201510_05.pdf

Gálatas 3:7

álatas 3:7 “Sabei, pois, que os que são da fé são filhos de Abraão.”

 

“Sabei, pois, que os que são da fé são filhos de Abraão.”

 

“Sabei, pois, que”

Paulo passa a demonstrar o resultado lógico da declaração bíblica acerca de Abraão: “Assim como Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça” (v.6). O verbo (saber) e subentende aqui a percepção mental. Os leitores devem saber o que está implícito na fé possuída por Abraão.

O apóstolo procura mostrar que o fato de os cristãos serem considerados filhos de Abraão não é algo novo, afinal as Escrituras já haviam previsto isso. Essa questão está baseada no fato de que todas as nações da terra seriam abençoadas em Abraão. A utilização do nome de Abraão não é um mero incidente, mas parte vital do argumento.

 

“... os que são da fé são filhos de Abraão.”

A expressão “os que são da fé” tem um sentido amplo: são as pessoas que têm na fé o fundamento de sua vida; são as pessoas de fé, às quais se contrapõem as da lei (Romanos 4.16, Gálatas 3.10). Para Paulo é a fé “cristã”, a fé no Deus que se revela em Cristo. Só aqueles que vivem da fé são filhos de Abraão. Isso é totalmente oposto à pretensão daqueles que vivem de acordo com as obras da carne e querem ter Abraão por pai, pois pregam que da mesma forma que ele cumpriu toda a lei, também eles se sujeitam a ela: “Jesus disse-lhes: Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão” (João 8:39).

Abraão era o pai físico e espiritual dos judeus. Os judeus costumavam depositar uma falsa confiança em sua linhagem abraâmica, como se o fato de descenderem de Abraão os tornasse justos (João 8:33, 39, 53). João Batista confrontou saduceus e fariseus não arrependidos que tinham essa crença errônea. Disse-lhes que, se Deus quisesse, poderia levantar filhos a Abraão até mesmo de pedras (Mateus 3:9). Em vez de “os filhos da carne”, são “os filhos da promessa” que são considerados “descendentes” de Abraão (Romanos 9:8). Ser filho de Abraão não é ter o sangue de Abraão correndo em suas veias, mas ter a fé de Abraão em seu coração: “E, se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa” (Gálatas 3.29).

O judaizantes defendiam que para serem filhos de Abraão era essencial que os gentios fossem circuncidados. Paulo argumentou que a circuncisão exterior ou física não transformava um indivíduo num verdadeiro judeu; isso era realizado pela circuncisão interior do coração. Debaixo da nova aliança, os da fé são os que crêem em Jesus Cristo – quer judeus quer gentios, quer circuncisos quer incircuncisos: “E recebeu o sinal da circuncisão, selo da justiça da fé, quando estava na incircuncisão, para que fosse pai de todos os que creem, estando eles também na incircuncisão; a fim de que também a justiça lhes seja imputada; E fosse pai da circuncisão, daqueles que não somente são da circuncisão, mas que também andam nas pisadas daquela fé que teve nosso pai Abraão, que tivera na incircuncisão” (Romanos 4:11, 12).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
27/03/2026

FONTES:

RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno – O Legado de Abraão, Isaque e Jacó. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

LOPES, Hernandes Dias. Gálatas: A carta da liberdade cristã. — São Paulo: Hagnos, 2011. 

GERMANO, Altair. Gálatas - Comentário. Rio de Janeiro, CPAD, 2009.

GUTHRIE, Gálatas: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1999.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_201805_02.pdf

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA 27 DE MARÇO DE 2026 (João 15:4)

LEITURA BÍBLICA DIÁRIA 
27 DE MARÇO DE 2026
A COMUNHÃO CONTÍNUA COM CRISTO É INDISPENSÁVEL PARA UMA VIDA FRUTÍFERA 

João 15:4 “Estai em mim, e eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim.”

 

“Estai em mim, e eu em vós;”

Depois de encorajá-los a permanecerem limpos, Jesus disse: “ permanecei em mim, e eu permanecerei em vós ” (ARA). O sentido almejado seria: “ Se vocês permanecerem em mim, eu permanecerei em vocês ”. Jesus estava destacando que a limpeza contínua e a frutificação dependem de se permanecer nele.

Diferentemente dos ramos de uma videira literal, os “ramos” da videira figurativa são responsáveis por permanecer ligados a ela. O ponto que Jesus queria destacar é claro: “permanecer” exige continuar a viver em união com ele, sendo por ele vivificado. Somente desta forma pode um discípulo viver uma vida espiritual frutífera. A exortação de Jesus aos discípulos era que permanecessem nele e no seu amor; e, para isso, eles deveriam obedecer aos seus mandamentos (João 15:9, 10).

 

“... como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim.”

Um ramo de videira não tem vida nem utilidade se não continuar ligado à videira. A seiva viva que flui pelo caule capacita-o a produzir uvas; sem isto ele fica infrutífero. A mesma coisa acontece com os discípulos de Jesus; somente à medida que permanecem unidos a ele e têm nele a origem da sua vida é que podem produzir o fruto do Espírito. Paulo não usa os termos joaninos, mas expressa a mesma verdade quando diz: “ Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim " (Gálatas 2.20), e “ tudo posso naquele que me fortalece ” (Filipenses 4.13).

Em outra passagem do A.T., onde Israel é comparado com uma videira é enfatizado que a madeira da videira não serve para nenhuma outra coisa a não ser para a função específica da videira - produzir uvas. A madeira de uma videira morta não pode ser usada para fazer um móvel ou algum outro utensílio; não serve nem de gancho para se pendurar algo. Um galho de videira que não produz uvas serve apenas para combustível (Ezequiel 15.1-8). A moral da parábola deve ter sido evidente nos dias de Ezequiel; ela também fala por si na nova situação e aplicação que Jesus lhe deu.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
13/2/2026

FONTES:

BAPTISTA, Douglas. A Santíssima Trindade - O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

BRUCE, F. F. João introdução e comentário. São Paulo: Mundo Cristão, 1987.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_202203_05.pdf