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domingo, 1 de fevereiro de 2026

Romanos 8.14

Romanos 8.14 “Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.” 

 

“Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus,”

Ser guiado pelo Espírito significa tê-lo na vida diária, regendo, governando e orientando, sobretudo significa estar sob o seu total domínio. Pois o Espírito de Deus nos conduz à santidade. Aqueles que através do Espírito fizeram morrer os seus atos pecaminosos são os que são guiados pelo Espírito de Deus. O fazer morrer diariamente, hora após hora, os estímulos e as armadilhas da carne pecaminosa por intermédio do Espírito é uma questão de ser guiado, dirigido, impelido, controlado pelo Espírito.

Godet escreve que existe aqui "como que uma noção de santa violência; o Espírito arrasta o homem [se. a pessoa] para onde a carne não se disporia a ir". O professor Dunn concorda com ele e diz que "o sentido mais natural" é o de "ser constrangido por uma força compulsiva, ou de render-se a um impulso dominante e incontrolável. Dr. Lloyd-Jones faz um alerta teológico com relação à natureza e à operação do Espírito Santo: "Não existe violência alguma no cristianismo ...", diz ele. "O que o Espírito faz é iluminar e persuadir."

Como podemos ter certeza que somos guiados pelo Espírito? Uma das maneiras é recorrendo à Palavra, pois o Espírito Santo jamais conduz alguém a fazer algo contrário à Bíblia, a Palavra escrita que Ele inspirou. Nunca é demais enfatizar que a única maneira objetiva de sabermos como o Espírito quer que vivamos é lendo e estudando a Bíblia. Quanto mais estudo a Bíblia e torno seus preceitos parte do meu modo de pensar, mais eu me aproximo do coração de Deus. Quanto mais me esforço para fazer o que a Bíblia ensina, mais confiante fico de que estou sendo guiado pelo Espírito de Deus.

 

“... esses são filhos de Deus.”

Paulo nos assegurou que somos de fato “filhos de Deus” se seguimos o Espírito! A vida nova, que é desfrutada por aqueles que fazem morrer os seus atos pecaminosos consiste justamente na experiência de se tornarem filhos de Deus. É, pois, evidente que a conhecida noção acerca da "paternidade universal de Deus" não é verdadeira.Todos os seres humanos são de fato"descendência" de Deus por criação; mas "filhos" reconciliados com ele, nós só nos tornamos por adoção ou por meio do novo nascimento. Assim como só quem é habitado pelo Espírito é que pertence a Cristo (v.9), da mesma forma somente aqueles que são guiados pelo Espírito é que são filhos e filhas de Deus.

E, como filhos, é-nos concedido um relacionamento especial, íntimo e pessoal com o nosso Pai celestial, acesso amplo e imediato a sua presença através da oração, participação em sua família no mundo todo e nomeação como herdeiros seus. No primeiro século A. D., um filho adotivo era um filho escolhido deliberadamente por seu pai adotivo para perpetuar seu nome e herdar seus bens. Sua condição não era nem um pouco inferior à de um filho segundo as leis comuns da natureza, e bem podia desfrutar da afeição paterna o mais completamente e reproduzir o mais dignamente a personalidade do pai. “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, o de sermos chamados filhos e filhas de Deus” (1 João 3:1).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
1/2/2026

FONTES:

BAPTISTA, Douglas. A Santíssima Trindade - O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

CABRAL, Elienai. Romanos – O evangelho da justiça de Deus. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus. 1986.

STOTT, John. A mensagem de Romanos. ABU Editora, 2000.

BRUCE, F.F. Romanos, Introdução e Comentário. Mundo Cristão, 1979.

Atos 2:17

Atos 2:17 “E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; E os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos;”

 

“E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne;”

Essa promessa de derramamento do Espírito Santo é nada menos que o cumprimento do desejo de Moisés de que “todo o povo do Senhor fosse profeta” (Números 11.29). Muitas outras passagens do Antigo Testamento aludem a esse Derramamento do Espírito Santo, tais como Isaías 32.15-17 e Ezequiel 11.1 9,20. Um dos sinais da proximidade do Fim dos Tempos seria, segundo a profecia de Joel, o Derramamento do Espírito Santo “sobre toda a carne”.

Essa promessa, conforme as próprias palavras de Pedro, começou a ser cumprida a partir daquele dia especial para a Igreja em Jerusalém (Atos 2.16), Pedro interpreta a palavra “depois” de Joel por “últimos dias” e diz que seu cumprimento seria estendido até os nossos dias: “Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar” (Atos 2:39). Entretanto, o cumprimento total dessa promessa (“sobre toda a carne”) só se dará quando do retorno de Cristo.

 

“E os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos;”

O profeta Joel afirma, inspirado pelo Espírito Santo, que um dos resultados marcantes do Derramamento do Espírito nos últimos dias seria a distribuição dos dons espirituais. Como lembra Stamps, a manifestação dos dons evidencia a manifestação do Espírito Santo na Igreja e, conseqüentemente, a presença de Deus no meio do seu povo: “Mas, se todos profetizarem, e algum incrédulo ou indouto entrar, por todos é convencido, por todos é julgado;  os segredos do seu coração se tornam manifestos; e assim, prostrando-se sobre o seu rosto, adorará a Deus, declarando que Deus está verdadeiramente entre vós” (1 Coríntios 14.24,25).

Algo a se enfocar aqui ainda é que pessoas de todas as nações, de todos os sexos, de todas as faixas etárias e de todas as condições sociais seriam alcançadas pelo Derramamento do Espírito Santo. Joel fala de homens e mulheres, velhos e jovens, servos e livres, todos teriam a bênção da efusão do Espírito a seu alcance se voltassem suas vidas totalmente para Deus.

Lucas altera a ordem das duas linhas que se referem a jovens tendo visões e velhos sonhando sonhos. Em Joel, os velhos sonhando sonhos vem primeiro. Mas Lucas inverte a ordem: “Os vossos jovens terão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos” (Atos 2.17). Isso indica que velho sonhar e jovem ter visão não seria uma regra, mas qualquer pessoa poderia receber ambos os dons.

Lucas dá prioridade às “visões”, a fim de destacar um tema que ele entende que é de vital importância e que se repete ao longo da narrativa. Embora as palavras associadas com “sonhos” sejam raras em Lucas-Atos, Lucas gosta de contar histórias em que Deus dirige a igreja através de visões. As visões de Paulo e Ananias (At 9.10,11), de Pedro e Cornélio (Atos 10.3,17), a visão paulina do macedônio (Atos 16.9,10) e sua visão em Corinto (Atos 18.9,10) são apenas alguns exemplos. Lucas não está obcecado em visões. Ao contrário, ele procura incentivar os leitores a aceitar uma verdade importante: Deus gosta muito de nos conduzir, seus profetas do fim dos tempos, de formas muito pessoais e especiais, entre elas visões, visitações angelicais e a orientação do Espírito, para que possamos cumprir nosso chamado de levar o evangelho “até aos confins da terra”.

Deus falou através de Sonhos em todo o antigo testamento: “Ouvi agora as minhas palavras; se entre vós houver profeta, eu, o Senhor, em visão a ele me farei conhecer, ou em sonhos falarei com ele” (Números 12:6).  Já no primeiro livro da Bíblia, no Gênesis, lemos como José do Egito interpretou os sonhos do Faraó que eram profecias referentes a sete anos de fartura, mas também a sete anos de fome. Foi a partir desses sonhos proféticos que Deus conseguiu salvar seu povo da fome.. Outro exemplo foi o sonho de Mardoqueu, pai adotivo de Ester, que era uma profecia sobre a grande perseguição que se levantaria contra o povo eleito pela mão de Amã, e posteriormente o socorro de Deus que viria pela intercessão de Ester ao Rei Assuero. Já o livro de Daniel, por sua vez, traz inúmeros exemplos de sonhos proféticos, mostrando como Deus intervém na vida de seus amigos de forma providencial. Vale a pena conhecer a história desse grande homem que predisse coisas futuras iluminado por Deus.

No novo testamento também temos referencias. Enquanto José processava a informação de Maria sobre estar grávida do Espírito Santo eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: “José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo” (Mateus 1,20). E depois novamente a ele quando estava no Egito (Mateus 2:19). A esposa de Pilatos sofreu por Cristo em um sonho e disse ao seu marido: “Não entres na questão desse justo, porque num sonho muito sofri por causa dele” (Mateus 27:19). Paulo foi avisado em sonhos para se dirigir a Macedônia (Atos 16,9). Deus, nesses últimos dias, continua se revelado através de sonhos.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
01/02/2026

FONTES:

BAPTISTA, Douglas. A Santíssima Trindade - O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

DANIEL, Silas; COELHO, Alexandre. Os doze profetas menores.Rio de Janeiro: CPAD, 2012.

MENZIES, Robert, P. Pentecostes – Essa história é a a nossa história. Rio de Janeiro: Cpad, 2016.

https://idemais.com.br/noticias/quando-deus-falou-por-meio-de-sonhos-historias-da-biblia/

Joel 2:28

Joel 2:28 “E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões.” 

 

“E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne,”

Essa mesma passagem do livro de Joel é citada pelo apóstolo Pedro no Dia de Pentecostes, conforme Atos 2.16-21, e é puramente escatológica. Um dos sinais da proximidade do Fim dos Tempos seria, segundo a profecia de Joel, o Derramamento do Espírito Santo “sobre toda a carne”. Essa promessa, conforme as próprias palavras de Pedro, começou a ser cumprida a partir daquele dia especial para a Igreja em Jerusalém (Atos 2.16).

Pedro interpreta a palavra “depois” por “últimos dias”, e seu cumprimento tem se estendido até os nossos dias: “Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar” (Atos 2:39). Entretanto, o cumprimento total dessa promessa (“sobre toda a carne”) só se dará quando do retorno de Cristo. Isso  é nada menos que o cumprimento do desejo de Moisés de que “todo o povo do Senhor fosse profeta” (Números 11.29). Muitas outras passagens do Antigo Testamento aludem a esse Derramamento do Espírito Santo, tais como Isaías 32.15-17 e Ezequiel 11.1 9,20.

 

“... e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões.”

O profeta Joel afirma, inspirado pelo Espírito Santo, que um dos resultados marcantes do Derramamento do Espírito nos últimos dias seria a distribuição dos dons espirituais. Como lembra Stamps, a manifestação dos dons evidencia a manifestação do Espírito Santo na Igreja e, conseqüentemente, a presença de Deus no meio do seu povo: “Mas, se todos profetizarem, e algum incrédulo ou indouto entrar, por todos é convencido, por todos é julgado;  os segredos do seu coração se tornam manifestos; e assim, prostrando-se sobre o seu rosto, adorará a Deus, declarando que Deus está verdadeiramente entre vós” (1 Coríntios 14.24,25).

Algo a se enfocar aqui ainda é que pessoas de todas as nações, de todos os sexos, de todas as faixas etárias e de todas as condições sociais seriam alcançadas pelo Derramamento do Espírito Santo. Joel fala de homens e mulheres, velhos e jovens, servos e livres,  todos teriam a bênção da efusão do Espírito a seu alcance se voltassem suas vidas totalmente para Deus.

Lucas altera a ordem das duas linhas que se referem a jovens tendo visões e velhos sonhando sonhos. Em Joel, os velhos sonhando sonhos vem primeiro. Mas Lucas inverte a ordem: “Os vossos jovens terão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos” (Atos 2.17). Isso indica que velho sonhar e jovem ter visão não seria uma regra, mas qualquer pessoa poderia receber ambos os dons.

Lucas dá prioridade às “visões”, a fim de destacar um tema que ele entende que é de vital importância e que se repete ao longo da narrativa. Embora as palavras associadas com “sonhos” sejam raras em Lucas-Atos, Lucas gosta de contar histórias em que Deus dirige a igreja através de visões. As visões de Paulo e Ananias (At 9.10,11), de Pedro e Cornélio (Atos 10.3,17), a visão paulina do macedônio (Atos 16.9,10) e sua visão em Corinto (Atos 18.9,10) são apenas alguns exemplos. Lucas não está obcecado em visões. Ao contrário, ele procura incentivar os leitores a aceitar uma verdade importante: Deus gosta muito de nos conduzir, seus profetas do fim dos tempos, de formas muito pessoais e especiais, entre elas visões, visitações angelicais e a orientação do Espírito, para que possamos cumprir nosso chamado de levar o evangelho “até aos confins da terra”.

Deus falou através de Sonhos em todo o antigo testamento: “Ouvi agora as minhas palavras; se entre vós houver profeta, eu, o Senhor, em visão a ele me farei conhecer, ou em sonhos falarei com ele” (Números 12:6).  Já no primeiro livro da Bíblia, no Gênesis, lemos como José do Egito interpretou os sonhos do Faraó que eram profecias referentes a sete anos de fartura, mas também a sete anos de fome. Foi a partir desses sonhos proféticos que Deus conseguiu salvar seu povo da fome.. Outro exemplo foi o sonho de Mardoqueu, pai adotivo de Ester, que era uma profecia sobre a grande perseguição que se levantaria contra o povo eleito pela mão de Amã, e posteriormente o socorro de Deus que viria pela intercessão de Ester ao Rei Assuero. Já o livro de Daniel, por sua vez, traz inúmeros exemplos de sonhos proféticos, mostrando como Deus intervém na vida de seus amigos de forma providencial. Vale a pena conhecer a história desse grande homem que predisse coisas futuras iluminado por Deus.

No novo testamento também temos referencias. Enquanto José processava a informação de Maria sobre estar grávida do Espírito Santo eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: “José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo” (Mateus 1,20). E depois novamente a ele quando estava no Egito (Mateus 2:19). A esposa de Pilatos sofreu por Cristo em um sonho e disse ao seu marido: “Não entres na questão desse justo, porque num sonho muito sofri por causa dele” (Mateus 27:19). Paulo foi avisado em sonhos para se dirigir a Macedônia (Atos 16,9). Deus, nesses últimos dias, continua se revelado através de sonhos.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
01/02/2026

FONTES:

BAPTISTA, Douglas. A Santíssima Trindade - O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

DANIEL, Silas; COELHO, Alexandre. Os doze profetas menores.Rio de Janeiro: CPAD, 2012.

MENZIES, Robert, P. Pentecostes – Essa história é a a nossa história. Rio de Janeiro: Cpad, 2016.

https://idemais.com.br/noticias/quando-deus-falou-por-meio-de-sonhos-historias-da-biblia/

Lição 6: O Filho como o Verbo de Deus. 1 Trimestre de 2026.

TEXTO ÁUREO

 João 1.14 “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.”

 

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, ”

O prólogo do Evangelho de João começa com a divindade de Jesus e conclui com a sua humanidade. O Senhor Jesus Cristo é o verdadeiro Deus e o verdadeiro homem. A sua divindade está presente na Bíblia inteira, de maneira direta e indireta, nos ensinos e nas obras de Jesus, com tal abundância de detalhes que infelizmente não é possível mencioná-los aqui por absoluta falta de espaço.

A encarnação do Verbo significa que Deus assumiu a forma humana. A concepção e o nascimento virginal de Jesus (Isaías 7.14; Mateus 1.123) são obra do Espírito Santo (Mateus 1.20; Lucas 1.35). Tal encarnação do Verbo é considerada um mistério (1 Timóteo 3.16).

 

“... e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, “

E vimos a sua glória ”. Não meramente a glória externa revelada na transfiguração na qual João testificou: “ O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam - isto proclamamos a respeito da Palavra da vida ” (1 João 1.1). E que Pedro mencionou: “ Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade. Porquanto ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da magnífica glória lhe foi dirigida a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me tenho comprazido. E ouvimos esta voz dirigida do céu, estando nós com ele no monte santo ” (2 Pedro 1.16-18), mas, o esplendor do seu divino caráter.

Era a mesma glória de Deus, pois, Jesus é a exata expressão do ser de Deus. Afinal, nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade (Colossenses 12.9). Quem o vê, vê o Pai, pois Ele e o Pai são um. Não era um a glória refletida como a glória de um santo, e sim a “ glória do unigênito do Pai ”.

A etimologia do termo “unigênito” em grego, indica a deidade do Filho. O vocábulo vem de monós, “único”, e de genés, que nos parece derivar de genós, “raça, tipo”, e não necessariamente do verbo gennao, “gerar”. Então, unigênito, quando empregado em relação a Jesus, transmite a ideia de consubstancialidade. É exatamente o que declara o Credo Niceno: “ E [cremos] em um só Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, o Unigênito do Pai, que é da substância do Pai, Deus de Deus, Luz de Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus, gerado, não feito, de uma só substância com o Pai ”.

 

“... cheio de graça e de verdade. ”

A palavra graça só aparece aqui e em 1.16-17. E a graça que Ele veio dar aos homens. E todos nós recebemos também da sua plenitude, com graça sobre graça (v.16). Afinal “a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” (v.17).

A palavra que acompanha graça é verdade, e a verdade é o caráter essencial do Verbo. Esta é a verdade no sentido filosófico da realidade, no sentido ético da santidade, e no sentido moral do amor. Jesus disse a respeito de si mesmo: “Eu sou.… a verdade”.

Bruce sobre esse verso escreveu: Moisés, no deserto, pediu um favor de Deus: “Rogo-te que me mostres a tua glória". A resposta foi: “Farei passar toda a minha bondade diante de ti, e te proclamarei o nome do Senhor" (Êxodo 33.18.). E, passando o Senhor por diante dele, clamou: “Senhor, Senhor, Deus compassivo, clemente e longânimo, e grande em misericórdia e fidelidade..." (Êxodo 34.5).

Estas palavras expressam a bondade que é a glória incomparável de Deus, pois, as palavras gregas de João 1.14, traduzidas cheio de graça (charis) e de verdade (aiêtheia), facilmente podem ser reconhecidas como uma tradução da última frase “grande em misericórdia (hesed) e fidelidade (emeth)". A glória vista no Verbo encarnado foi a glória revelada a Moisés quando o nome de Javé soou em seus ouvidos; porém, agora, esta glória foi manifesta na terra a todos os que nele creem.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
16/12/2024

FONTES:

SOARES, Esequias. Em defesa da fé: Combatendo as antigas heresias, que se apresentam com nova aparência. Rio de Janeiro: CPAD, 2024.

SOARES, Esequias. Cristologia: a doutrina de Jesus Cristo. 1. ed. São Paulo: Hagnos, 2008

SOARES, Esequias. A razão de nossa fé: assim cremos, assim vivemos. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

PEARLMAN, Myer. João o evangelho do Filho de Deus. Rio de Janeiro, CPAD, 2024.

HARPER, A. F. (Ed.). Comentário Bíblico Beacon. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.

BRUCE, F. F. João introdução e comentário. São Paulo: Mundo Cristão, 1987.