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domingo, 4 de janeiro de 2026

Mateus 17.5

Mateus 17.5 “E, estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu. E da nuvem saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; escutai-o.” 

 

“E, estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu.”

Quando Jesus transfigurou-se diante dos apóstolos: Pedro, Tiago e seu irmão João. Apareceram Moisés e Elias falando com ele. Lucas nos diz que Moisés e Elias falaram com Jesus "de sua partida que ia Jesus a cumprir em Jerusalém" (Lucas 9:31). Os apóstolos ficaram atônitos em ver a cena e ouvi-los conversando. Pedro ficou tão emocionado que quis fazer parte da conversa e se oferece para montar cabanas para os três. Enquanto ele ainda falava  eis que uma nuvem luminosa os cobriu”.

Todos os evangelistas fazem referência à nuvem luminosa que os cobriu. Essa nuvem era parte da história do Israel. Ao longo de toda a história a nuvem luminosa representava o shekinah, que não era outra coisa senão a glória de Deus Todo-poderoso. Vejamos essa nuvem na história de Israel. Em Êxodo lemos sobre a coluna de nuvens que guiaria o povo em seu caminho (Êxodo 13:21-22). Em uma nuvem o Senhor desceu para dar as tábuas da Lei a Moisés (Êxodo 34:5). Voltamo-nos a encontrar com esta nuvem misteriosa e cheia de luz na dedicação do templo do Salomão; “Tendo os sacerdotes saído do santuário, uma nuvem encheu a Casa do SENHOR” (1 Reis 8:10-11; ver também 2 Crônicas 5:13-14; 7;2). Ao longo de todo o Antigo Testamento aparece esta imagem da nuvem na qual estava a glória misteriosa de Deus.

 

“E da nuvem saiu uma voz que dizia:”

A nuvem se iluminou e se converteu em algo misterioso e saiu dela a voz da majestade divina que impôs o selo de aprovação de Deus sobre seu Filho Jesus. Como no Sinai, a voz divina fala desde a nuvem: “E disse o Senhor a Moisés: Eis que eu virei a ti numa nuvem espessa, para que o povo ouça, falando eu contigo, e para que também te creiam eternamente. Porque Moisés tinha anunciado as palavras do seu povo ao Senhor” (Êxodo 19:9).

A voz transmitirá a mesma mensagem já notada cm Mateus 3:17, quando do batismo de Jesus: “E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.”

 

“Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo;”

A voz saiu de uma nuvem brilhante, símbolo da presença e glória divinas. Essa foi uma das três declarações de Deus sobre a divindade de Seu Filho (Mateus 3.17; João 12:28). Não significa o mais amado (superlativo), nem o único amado, mas amado em sentido especial, particular. Essa linguagem também é semelhante à descrição de Isaque, o filho amado da promessa, a quem Abraão foi chamado a sacrificar: “Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas” (Gênesis 22:2). Esta voz divina voz também confirma a confissão feita por Pedro: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mateus 16.16).

 

Cristo é o amado de Deus por causa do seu relacionamento sem igual com o Pai, da bem disposta obediência, perfeita submissão à morte na cruz e caráter inculpável. No seu ministério terrestre, enfrentava forças contrárias cada vez que firmava a resolução de ir à cruz. No batismo, expressou seu propósito de cumprir tudo quanto fosse necessário como Redentor do pecado (Mateus 3.15). Pouco antes da transfiguração anunciara a sua intenção ir a Jerusalém para enfrentar o sofrimento e a morte (Mateus 16.21-23). E, poucos dias antes de ser crucificado, repeliu a tentação de dizer: “Pai, salva-m e desta hora” (João 12.27,28).

A frase “em que me comprazo” não significa “com o qual eu me agrado” (NAA), e sim, “ em quem o meu prazer está” , ou seja, “aquele no qual o meu plano para a salvação da humanidade está centralizado”. A alusão se refere à profecia messiânica de Isaias 42:1: “Eis aqui o meu servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se compraz a minha alma; pus o meu espírito sobre ele; ele trará justiça aos gentios” (Isaías 42:1).

 

“... escutai-o.”

A palavras de Deus declaravam, em primeiro lugar, ser Jesus superior à Lei e aos profetas, porque era Filho de Deus; era, portanto, a autoridade máxima em todas as questões: “Escutai-o”, pois Moisés e Elias não tinham nada de novo para transmitir: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho, A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo. O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas” (Hebreus 1:1-3).

Transmitia também mensagem especial aos apóstolos, admoestando-os a aceitarem tudo o que o Mestre ensinava, inclusive acerca da sua morte vindoura. Os discipulos bem podem ter pensado que o seu Mestre fosse isento da experiência da morte, como o fora Elias (2 Reis 2.11). Agora tinham de aprender que era só por meio da morte que Jesus poderia entrar em sua glória.

É como se o Pai lhes dissesse: “A Ele ouvi, mesmo quando diz que terá de sofrer e morrer”. A nós, também, cabe ouvi-lo. Lembramos o que Maria disse as serviçais no casamento em Caná “Fazei tudo quanto ele vos disser” (João 2.5).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
4/1/2026

FONTES:

BAPTISTA, Douglas. A Santíssima Trindade - O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

TASKER, R. V. G. Mateus: Introdução e comentário. Série Cultura Bíblica –São Paulo: Mundo Cristão, 1980.

ROBERTSON, A. T. Comentário Mateus & marcos à luz do novo testamento grego. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.

PEARLMAN, Myer. Mateus – O Evangelho do Grande Rei. Rio de Janeiro: CPAD.

BARCLAY, William. The Gospel of Matthew - Tradução: Carlos Biagini.

1 João 4:19

1 João 4:19 “Nós o amamos porque ele nos amou primeiro”.

 

“Nós o amamos porque ele nos amou primeiro”

Nosso amor não se origina em nós. Tem origem divina. O autor sagrado já havia demonstrado amplamente que Deus é a origem de todo o verdadeiro amor (1 João 3 :1 ,2 ,16 ,2 4 e 4 :7 ,8 ,16). Ele é a fonte do amor, Ele é amor. Isto significa que Deus é essencialmente amoroso em seu caráter, em suas palavras e em suas obras.

Não somos a fonte do amor, mas apenas seus instrumentos. O amor não brota em nós, ele passa por meio de nós. Somos o canal do amor de Deus. Quando amamos refletimos o amor de Deus. Nosso amor é o refluxo do fluxo do amor de Deus. Nosso amor por Deus é apenas  uma resposta e um reflexo do seu imenso amor por nós.  

Harvey Blaney está correto quando diz que o amor de Deus pelo homem não é uma reação ao nosso amor. A resposta é nossa. Nosso amor depende do seu amor e é o resultado desse amor.

O amor de Deus existiu primeiro; todo verdadeiro amor é uma resposta à Sua iniciativa. João repete a verdade afirmada anteriormente: “Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós” (1 João 4:10). O amor de Deus é anterior a qualquer tipo de amor do homem. O homem foi amado mesmo quando era inimigo de Deus: “Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios [...]Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5:6,8).

Até mesmo amados por Ele antes da fundação do mundo: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade” (Efésios 1:3-5).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
4/1/2026

FONTES:

BAPTISTA, Douglas. A Santíssima Trindade - O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

LOPES, Hernandes Dias. 1, 2 e 3 João: como ter garantia da salvação; - São Paulo: Hagnos 2010. (Comentários expositivos Hagnos)

CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Hagnos, 2001.

BLANEY , Harvey. A primeira epístola de João. Em Comentário Bíblico Beacon. Vol. 10. 2005.

1 João 4:18

1 João 4:18 “No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor.”

 

“No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor;

Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor” (1 João 4:18). Os dois são incompatíveis, como água e óleo. Podemos amar e reverenciar a Deus simultaneamente (Hebreus 5:7), mas não podemos aproximar-nos dele com amor e esconder-nos dele com temor ao mesmo tempo (Rm 8:14, 15; 2 Tm 1:7).

Quando um marido e sua esposa estão verdadeiramente apaixonados um pelo outro, não há lugar para medo no relacionamento. Um jamais se aproveitará do outro, se ali houver amor verdadeiro. Quando um cônjuge trata mal o outro – física, emocional ou mentalmente – e afirma ter amor pelo outro, está mentindo. O amor não produz medo.

Amar implica confiar um no outro e tratar um ao outro da maneira certa. O perfeito e maduro amor por Deus nos deixa sem medo de comparecer perante ele no juízo final. Pelo contrário, ansiamos pela presença do Senhor em nossas vidas.

 

“...porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor. “

A razão pela qual o perfeito amor não pode coexistir com o medo tem em si mesmo tem algo da natureza do castigo o que é completamente alheia aos perdoados filhos de Deus que O amam. Uma vez seguros de que somos “segundo ele é” (v.17), amados filhos de Deus,  deixamos de ter medo dele. É evidente, pois, que, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor.

Quando amamos a Deus e sabemos que Deus nos ama, não há lugar para ter medo dele. Há um sentimento de temor e reverência por absoluto respeito a Deus. Nesse mesmo sentido, um filho pode amar os pais e ainda ter temor ou reverência a eles, sabendo que o disciplinarão quando fizer algo errado.

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
4/1/2026

FONTES:

BAPTISTA, Douglas. A Santíssima Trindade - O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

STOTT, John. I, II, III João: Introdução e comentário. São Paulo: Edições Vida Nova, 1982.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_202304_04.pdf

1 João 4:17

1 João 4:17 “Nisto é perfeito o amor para conosco, para que no dia do juízo tenhamos confiança; porque, qual ele é, somos nós também neste mundo."

 

 “Nisto é perfeito o amor para conosco, para que no dia do juízo tenhamos confiança;”

Em 1 João 4:16, João novamente declarou: “Deus é amor”. Quando vivemos em amor, Deus vive em nós e nós vivemos nele. “Nisto se aperfeiçoa o amor conosco, para que tenhamos confiança no dia do juízo”. Todos que amam a Deus e estão se esforçando para viver como Jesus no mundo não precisam temer o julgamento. Devem olhar para o futuro com confiança.

Confiança, é uma palavra característica desta epístola. O autor já escreveu sobre a inabalável confiança que teremos por ocasião da vinda de Cristo, se permanecermos nele agora (1 João 2:28), e sobre a nossa presente confiança diante de Deus na oração (1 João 3:21, 22), confiança que, diz ele mais tarde, é uma certeza não só de acesso mas de sermos ouvidos e recebermos resposta. Aqui, porém, ele retorna ao futuro, ao dia do juízo que se seguirá ao retorno, do Senhor. Esse dia será dia de vergonha e terror para os ímpios, não, porém para os remidos de Deus.

 

“...  porque, qual ele é, somos nós também neste mundo. “

A nossa confiança é sinal de que o nosso amor é aperfeiçoado. Baseia-se no fato de que, segundo ele é (isto é, Cristo), também nós somos neste mundo. Jesus é o amado Filho de Deus, em quem Ele se compraz; nós também somos filhos de Deus (1 João. 3:1) e objetos do Seu favor. Se Cristo chamou e chama Deus de “Pai”, nós também podemos chamá-lo assim. Somos “aceitos no amado” (Efésios 1:6); podemos compartilhar da Sua confiança para com Deus.

Quando sabemos disse e do nosso compromisso de viver para ele e ser como Jesus, qual deve ser a nossa confiança em relação ao juízo final? Devemos esperar ouvir do Senhor: “Muito bem, servo bom e fiel! Você foi fiel no pouco; eu o porei sobre o muito. Venha e participe da alegria do seu senhor” (Mateus 25:23).

 

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
4/1/2026

FONTES:

BAPTISTA, Douglas. A Santíssima Trindade - O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

STOTT, John. I, II, III João: Introdução e comentário. São Paulo: Edições Vida Nova, 1982.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_202304_04.pdf

João 17.5

João 17.5 “E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse.”

 

“E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo,”

O objetivo de Jesus ao passar pela terra foi glorificar a Deus. Ele fez isso cumprindo a obra que Deus havia o comissionado: "É chegada a hora em que o Filho do homem há de ser glorificado" (João 12.23). Embora Jesus falasse aqui como se a sua obra na terra já tivesse sido consumada, morrer na cruz era o único ato de obediência que lhe faltava realizar. Esse falar mostra seu total comprometimento com a maior obra que Deus lhe confiara. Em outro dia a hora nona ele gritaria na cruz: "Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito" (João 19.30).

Seu primeiro pedido nesta oração foi: “glorifica a teu Filho”. Ele apresentou duas razões para Deus glorificá-lo. Em primeiro lugar, ele pediu que Deus o glorificasse para ele poder dar aos seres humanos a dádiva da vida eterna. Deus já havia concedido a Jesus grande autoridade, por isso ele tinha autoridade para dar vida eterna àqueles que conheciam a Deus (João 17:2, 3). Em segundo lugar, Jesus pediu ao Pai para glorificá-lo porque ele teve êxito em realizar a obra de Deus na terra (João 17:4, 5). Ele manifestou o nome de Deus aos apóstolos, e o resultado foi eles guardarem a sua palavra e saberem que as palavras de Jesus vinham de Deus (João 17:6–8).

Se o objetivo de Jesus era glorificar a Deus, o nosso objetivo também deve ser glorificar a Deus. A mente de Jesus estava na glória de Deus! Ele havia dito anteriormente que não buscava sua própria glória, e sim a de seu Pai e havendo glorificado o Pai, podemos esperar um peso de glória muito excelente: “Se Deus é glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e logo o há de glorificar” (João 13:32).

 

“... com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse.”

A glória que ele pede para receber do Pai é a mesma de que ele gozou na presença dele antes da criação, naquele “princípio” em que a Palavra era eterna com o Pai (João 1.2). Porém, já que ele reassumiria esta glória através da cruz, inevitavelmente ela teria uma nova dimensão que ela não tinha antes que houvesse mundo. Jesus já falou desta nova dimensão de glória aos seus discípulos: “Se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará nele mesmo” (13.32).

Ele ora para que, tendo completado sua missão, o Pai o transporte de volta deste mundo de pecado e tristezas para o estado glorioso que deixou para trás quando se tornou homem: “Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, Mas fez a si mesmo de nenhuma reputação, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome;  Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai “ (Filipenses 2.6-11).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
4/1/2026

FONTES:

BAPTISTA, Douglas. A Santíssima Trindade - O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

BRUCE, F, F. Romanos - Introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2002.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_202204_00.pdf

https://textoaureoebd.blogspot.com/2024/04/joao-174.html

João 1.18

João 1.18 “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou.”

 

“Deus nunca foi visto por alguém.”

Quando João disse que ninguém jamais viu a Deus, ele não contestou a possibilidade de pessoas terem testemunhada várias revelações de Deus, como suas aparições a Moisés (Números 12:8) e Isaías (Isaías 6:1–13). A palavra “Deus” é usada sem o artigo, dando ênfase à natureza ou essência de Deus e não só à sua pessoa. Segue-se, então, que ninguém jamais viu a essência de Deus. Deus, sendo Espírito puro, é invisível à visão física.

Nem Abraão, o “amigo de Deus” (Tiago 2.23), nem Moisés, “com quem o Senhor tratava face a face” (Deuteronômio 34.10), puderam ver a glória divina em sua plenitude. Quando Moisés pediu para ver a glória de Deus, este lhe disse: “Não me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá a minha face, e viverá” (Exodo 33.20). Em vez disto, foi-lhe dito que ficasse em uma fenda da rocha do Sinai enquanto a glória de Deus passava, e ali, Deus disse, “com a mão te cobrirei, até que eu tenha passado. Depois, em tirando eu a mão, tu me verás pelas costas; mas a minha face não se verá” (Exodo 33.22).

 

“O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou.”

A glória, que nem Moisés pôde ver, agora foi apresentada a homens e mulheres através de Jesus: “Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Colossenses 2:9). Alguns textos gregos trazem “Filho unigênito”, enquanto outros têm “Deus unigênito”. Conforme indicado na RA, a evidência textual favorece a tradução “Deus unigênito”, isto é, o único que ocupa um relacionamento especial com o Pai.

A afirmação de que o unigénito está no seio do Pai pode nos lembrar de Lázaro no seio de Abraão, em Lucas 16.22, ou do discípulo amado em sua proximidade a Jesus na última ceia, em João 13.23. Nestas duas passagens a expressão denota um lugar de favor especial, ao lado da pessoa mais importante em um banquete: aqui o significado pode ser o mesmo, mas há também uma indicação do amor e compreensão mútuos a Pai e Filho e da dependência do Filho em relação ao Pai.

Somente alguém que conhece completamente o Pai pode torná-lo totalmente conhecido: “ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mateus 11:27).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
4/1/2026

FONTES:

BAPTISTA, Douglas. A Santíssima Trindade - O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

BRUCE, F, F. Romanos - Introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2002.

http://www.biblecourses.com/Portuguese/po_lessons/PO_202110_02.pdf

Lição 2: O Deus Pai – 1 Trimestre de 2026.

TEXTO ÁUREO

 “Todas as coisas me foram entregues por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mateus 11.27).

 

“Todas as coisas me foram entregues por meu Pai,”

Este versículo é quase exatamente igual a Lucas 10.22. Cristo, sendo Deus, é igual, em poder e glória, ao Pai; mas como Mediador, Ele recebe o seu poder e a sua glória do Pai; Ele tem todo o julgamento sujeito a si. Ele está autorizado a estabelecer um novo concerto entre Deus e os homens, e a oferecer paz e felicidade ao mundo apóstata, nos termos que Ele julga adequados. Ele foi santificado e selado para ser o único plenipotenciário, para conciliar e estabelecer este grande relacionamento. Para isto, Ele tem “todo o poder no céu e na terra” (cap. 28.18); tem poder sobre toda carne (João 17.2); autoridade para todo o juízo (João 5.22,27).

Isto nos incentiva a ir a Cristo, pois só Ele está designado pelo Pai para nos receber, e nos dar aquilo que precisamos. Aquele que é o Senhor de todas as coisas lhe entregou tudo para que este objetivo seja alcançado. Todos os poderes, todos os tesouros, estão na sua mão. Observe que o Pai entregou todas as suas coisas nas mãos do Senhor Jesus; só temos que entregar as nossas coisas na sua mão, e o trabalho estará feito.

Deus fez de Jesus o grande Juiz, o bendito Arbitro, para estender a sua mão sobre nós; e o que nós devemos fazer é concordar com a referência, é sujeitar-nos à arbitragem do Senhor Jesus, para que esta infeliz controvérsia seja resolvida, e para que possamos receber a sua recompensa.

 

“... e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho,”

Jesus declarou que ninguém conhece o Filho, senão o Pai. Obviamente, Ele não está falando em um sentido relativo como, por exemplo, conhecer a Cristo para a salvação, mas sim em um sentido absoluto. Nenhum ser humano pode compreender plenamente o Cristo divino-humano. A união de duas naturezas em uma única Pessoa está além da nossa compreensão. Há profundidades na existência do Senhor que Seus seguidores não podem sondar.  Mas podemos acreditar nela.

E ninguém conhece o Pai, senão o Filho. Igualmente em um sentido absoluto. O pai só é plenamente conhecido pelo Filho. O Filho tinha estado no seio do Pai desde a eternidade; Ele era um membro do conselho de gabinete (João 1.18). Cristo estava com Ele, durante toda a eternidade passada (João 1.1), de modo que ninguém conhece o Pai, senão Ele.

O Pai conhece o Filho, e o Filho conhece o Pai, e ambos com perfeição (uma consciência mútua, podemos dizer, entre o Pai e o Filho),  Sempre há enganos entre os homens na conclusão de contratos e no rompimento de medidas adotadas, por causa da sua falta de compreensão entre si. Isso não acontece dentro da Trindade Divina.

 

“... e aquele a quem o Filho o quiser revelar”

Jesus afirma que ele é o único que pode revelar Deus aos homens. Pois, Ele é Deus revelado (João 1.18) e nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade (Colossenses 2.9). Não podemos conhecer a Deus separadamente de Cristo.  João o expressou isso também de outra maneira quando nos diz que Jesus afirmou: "Quem me vê a mim vê o Pai" (João 14:9). O que diz Jesus é o seguinte: "Se querem ver como é Deus, se querem ver a mente de Deus, o coração de Deus, a natureza de Deus, se querem ver a atitude de Deus para com os homens olhem para Mim".

É através de Jesus, e somente através de Jesus que os homens chegam a conhecer o Pai conforme Ele é. Aqueles que desejarem conhecer a Deus, devem procurar a Jesus Cristo; pois a luz do conhecimento da glória de Deus brilha na face de Cristo (2 Coríntios 4.6). Nós somos impelidos a Cristo por toda a revelação que temos da vontade e do amor de Deus Pai, desde que Adão pecou; não existe uma relação confortável entre um Deus santo e um homem pecador, a não ser por meio de um Mediador (João 14.6).

 

DEIVY FERREIRA PANIAGO JUNIOR
27/12/2025

FONTES:

BAPTISTA, Douglas. A Santíssima Trindade - O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.

TASKER, R. V. G. Mateus: Introdução e comentário. Série Cultura Bíblica –São Paulo: Mundo Cristão, 1980.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry - Mateus a João. Rio de Janeiro CPAD.

BARCLAY, William. The Gospel of Matthew - Tradução: Carlos Biagini.

HARPER, A. F. (Ed.). Comentário Bíblico Beacon. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.

MORRIS, Leon L. Lucas, Introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2007. (Série cultura bíblica)